MÃE DA ESPERANÇA, DO MAIS BELO AMOR

DESTAQUE

Sem dúvida alguma, o Amor mais belo é Jesus, o Filho do Deus vivo, nascido das entranhas puríssimas de Maria Santíssima. Ele não apenas ama: Ele é o Amor. E é um Amor belo. Como proclama a Escritura: “Tu és o mais belo dos filhos dos homens; a graça se derrama em teus lábios” (cf. Sl 44,3). Nele, a beleza não é aparência, mas transparência da graça; não é brilho exterior, mas fulgor da santidade.

Jesus é o Amor mais belo por excelência. E a nota característica desse amor belo é ser virginal — um amor inteiramente entregue, indiviso, puro dom de si. O amor de Cristo é um amor virginal: livre de egoísmo, fiel até o fim, capaz de se oferecer sem reservas na cruz e de permanecer vivo na Eucaristia, alimento silencioso da nossa peregrinação.

O CAMINHO ESPIRITUAL

Contemplar a beleza — e, no nosso caso, a beleza do amor de Maria — é mais do que um exercício estético: é um ato de louvor. É reconhecer, com gratidão, o dom que Deus concedeu à Igreja ao nos dar a Mãe do Senhor. É também aproximar-se de uma justa compreensão de Maria, não apenas por definições dogmáticas, mas pela via do coração iluminado pela fé.

Esse é um verdadeiro “caminho espiritual”, ainda pouco explorado em linguagem explícita, mas profundamente trilhado pelos místicos. A contemplação da beleza conduz à intimidade com Deus. Ela nos convida ao silêncio, à pausa, àquele instante interior em que cessam as vozes apressadas do mundo e a alma repousa na presença do Mistério. Num tempo marcado pela dispersão e pela ansiedade, redescobrir a contemplação é reencontrar a própria respiração da fé.

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MÃE DO AMOR BELO

A expressão “Mãe do amor belo” encontra-se no livro do Eclesiástico: “Eu sou a mãe do amor belo, do temor, do conhecimento e da santa Esperança” (cf. Eclo 24,18). Desde o século X, este texto ecoa na liturgia mariana, recordando que a Igreja, tanto no Oriente quanto no Ocidente, contempla com alegria a beleza espiritual de Maria.

A beleza, aqui, não é mero ornamento: é resplendor da santidade e da verdade de Deus, fonte de toda beleza. Maria é imagem da bondade e da fidelidade de Cristo, aquele que é “o mais belo dos filhos dos homens”.

O título “Mãe do amor belo” nos coloca diante do mistério da maternidade divina e humana de Maria. Trata-se, antes de tudo, de Maria, Mãe. Contudo, o adjetivo “belo” qualifica o amor: ela é Mãe do Amor Belo. Essa expressão possui um duplo sentido:

  • Maria é a Mãe do Amor mais belo — o próprio Filho de Deus, Jesus, fruto bendito do seu ventre.
  • Mas também seu próprio amor é belo de modo singular. Depois do amor de Deus, o amor de Maria é o mais belo. Cheia de graça, ela é a criatura que mais perfeitamente reflete a beleza do amor divino. Por isso a piedade cristã canta: “Toda bela sois, Maria”, reconhecendo nela a vitória plena da graça.

A VIA DA BELEZA

Nos tempos recentes, a Igreja voltou a sublinhar o “caminho da beleza” — via pulchritudinis — como caminho para despertar no coração humano a resposta ao amor de Deus. Quando contemplamos um pôr do sol, uma obra de arte ou uma melodia que nos eleva, não perguntamos primeiro se é verdadeiro ou útil; simplesmente deixamos nos tocar. A beleza nos desarma e nos atrai.

Foi nesse horizonte que São Paulo VI propôs aos teólogos o caminho da beleza. Mais tarde, São João Paulo II, especialmente na exortação sobre a vida consagrada, apresentou o ícone da Transfiguração como paradigma da vocação cristã: Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado (cf. Mt 17,5). Contemplar o rosto transfigurado de Cristo é perceber que a vocação nasce de uma fascinação — da atração exercida pela beleza do Filho amado.

Mais do que uma obrigação moral, a fé é resposta a uma sedução santa. A beleza de Cristo nos conquista; o amor nos chama; a graça nos sustenta.

Descobrir a beleza supõe uma vitória interior: a vitória da verdade sobre a mentira, da bondade sobre a maldade, do amor sobre o ódio. Maria é bela porque nela essa vitória é plena. É bela quando, com humildade e palavra verdadeira, acolhe a vontade de Deus; quando, em seu seio virginal, Deus e o homem se reconciliam; quando sua simplicidade desfaz a antiga soberba e sua fé inaugura uma nova esperança.

Maria é bela porque o Espírito Santo a preservou da mancha do pecado. “Toda Santa” e “Toda Bela” exprimem a mesma realidade: nela a graça triunfou sem resistência. E essa vitória não a afasta de nós; ao contrário, torna-a Mãe próxima, solidária, companheira de caminho.

Em meio às sombras e inquietações do nosso tempo, quando tantos buscam sentido e beleza em fontes que não saciam, Maria permanece como sinal luminoso. Ela nos conduz ao Amor mais belo, Jesus, e nos ensina a guardar no coração aquilo que Deus realiza em silêncio.

Por isso, com confiança filial e esperança renovada, elevemos muitas vezes nossa súplica:
Mãe da esperança, do amor mais belo, rogai por nós.

Texto: Asterio Niño, cmf
Fonte: Ciudad Redonda