XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)

A PALAVRA

Em meio às inúmeras escolhas que marcam a existência humana, a liturgia do XVII Domingo do Tempo Comum (Ano A) dirige ao coração de cada cristão uma pergunta decisiva: o que realmente ocupa o primeiro lugar em nossa vida? Em uma sociedade que frequentemente mede o sucesso pelo acúmulo de bens, pela visibilidade ou pelo poder, a Palavra de Deus nos convida a redescobrir o valor da verdadeira sabedoria: aquela que nasce do encontro com Deus.

A primeira leitura (1Rs 3,5.7-12) apresenta Salomão como modelo de um coração sábio. Em vez de riquezas ou poder, ele pede a Deus discernimento para governar o povo com justiça. “Dá, pois, ao teu servo um coração compreensivo para governar o teu povo e discernir entre o bem e o mal” (1Rs 3,9). Essa escolha revela que a verdadeira grandeza não está naquilo que possuímos, mas na capacidade de reconhecer o que possui valor eterno.

No Evangelho (Mt 13,44-52), Jesus aprofunda essa mesma verdade por meio das parábolas do tesouro escondido e da pérola preciosa. “O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo… cheio de alegria, vende tudo o que possui e compra aquele campo” (Mt 13,44). O Reino de Deus não é apenas uma realidade futura, mas uma presença transformadora que muda o olhar, reorganiza prioridades e dá novo sentido à existência. Quem descobre esse tesouro compreende que nada neste mundo pode preencher plenamente o coração humano.

São Paulo na segunda leitura (Rm 8,28-30) completa essa mensagem recordando que Deus conduz todas as coisas para o bem daqueles que o amam. “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). Mesmo as provações, quando vividas na confiança, tornam-se caminhos de amadurecimento e esperança.

Neste domingo, a Igreja celebra também a 6ª Jornada Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas, cujo tema é Eu nunca te esquecerei (Is 49,15). Essa celebração recorda que os idosos são testemunhas vivas da fidelidade de Deus, guardiões da memória da fé e sementes de esperança para as novas gerações. Em uma sociedade que frequentemente descarta quem envelhece, o Senhor reafirma que ninguém é esquecido por Seu amor.

Que esta liturgia nos ensine a redescobrir a beleza da humildade. É nos corações simples, disponíveis e confiantes que Deus continua realizando suas maiores obras. Quem se faz pequeno diante do Senhor descobre a verdadeira grandeza do Reino e experimenta a paz que somente Cristo pode oferecer.

Que o Senhor nos conceda um coração semelhante ao de Salomão: humilde para pedir sabedoria, livre para reconhecer o verdadeiro tesouro e perseverante para viver, todos os dias, a alegria de pertencer ao Reino de Deus.

Fonte: Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus

Leituras

Durante a noite silenciosa, Deus visita o coração humano e oferece mais que respostas: concede sabedoria aos humildes, transformando desejos passageiros em serviço fiel, capaz de iluminar vidas, sustentar esperanças e promover verdadeira justiça.

Naqueles dias,
5 Em Gabaon o Senhor apareceu a Salomão,
em sonho, durante a noite, e lhe disse:
“Pede o que desejas, e eu te darei”.
7 E Salomão disse: “Senhor meu Deus,
tu fizeste reinar o teu servo
em lugar de Davi, meu pai.
Mas eu não passo de um adolescente,
que não sabe ainda como governar.
8 Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito,
povo tão numeroso 
que não se pode contar ou calcular.
9 Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo,
capaz de governar o teu povo
e de discernir entre o bem e o mal.
Do contrário, quem poderá governar
este teu povo tão numeroso?”
10 Esta oração de Salomão agradou ao Senhor.
11 E Deus disse a Salomão:
“Já que pediste esses dons
e não pediste para ti longos anos de vida,
nem riquezas, nem a morte de teus inimigos,
mas sim sabedoria para praticar a justiça,
12 vou satisfazer o teu pedido;
dou-te um coração sábio e inteligente,
como nunca houve outro igual antes de ti,
nem haverá depois de ti”.
Palavra do Senhor.

Tua Palavra permanece como refúgio seguro para quem enfrenta incertezas, fortalece os corações cansados, desperta esperança, orienta cada decisão com amor e revela, diariamente, a beleza incomparável de viver segundo Deus.

R. Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!

57 É esta a parte que escolhi por minha herança:*
observar vossas palavras, ó Senhor!
72 A lei de vossa boca, para mim,*
vale mais do que milhões em ouro e prata. R.

76 Vosso amor seja um consolo para mim,* conforme a vosso servo prometestes.
77 Venha a mim o vosso amor e viverei,*
porque tenho em vossa lei o meu prazer! R.

127 Por isso amo os mandamentos que nos destes,*
mais que o ouro, muito mais que o ouro fino!
128 Por isso eu sigo bem direito as vossas leis,*
detesto todos os caminhos da mentira. R.

129 Maravilhosos são os vossos testemunhos,* eis por que meu coração os observa!
130 Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,*
ela dá sabedoria aos pequeninos. R.

Deus conduz com amor aqueles que nele confiam, transformando até as dores em caminhos de esperança, comunhão e plenitude, segundo seu eterno desígnio de graça, misericórdia e gloriosa vocação para a vida eterna.

Irmãos:
28 Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam
a Deus, daqueles que são chamados para a salvação,
de acordo com o projeto de Deus.
29 Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor 
desde sempre, a esses ele predestinou
a serem conformes à imagem de seu Filho, 
para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos.
30 E aqueles que Deus predestinou, também os chamou.
E aos que chamou, também os tornou justos;
e aos que tornou justos, também os glorificou.
Palavra do Senhor.

Quem encontra o Reino de Deus descobre um tesouro capaz de transformar medos em esperança, escolhas em amor e cada dia numa oportunidade de comunhão, serviço generoso e alegria que jamais passa. Amém.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
44 “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo.
Um homem o encontra e o mantém escondido.
Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens
e compra aquele campo.
45 O Reino dos Céus também é como um comprador
que procura pérolas preciosas.
46 Quando encontra uma pérola de grande valor,
ele vai, vende todos os seus bens
e compra aquela pérola.
47 O Reino dos Céus é ainda
como uma rede lançada ao mar
e que apanha peixes de todo tipo.
48 Quando está cheia,
os pescadores puxam a rede para a praia,
sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos
e jogam fora os que não prestam.
49 Assim acontecerá no fim dos tempos:
os anjos virão para separar
os homens maus dos que são justos,
50 e lançarão os maus na fornalha de fogo.
E aí haverá choro e ranger de dentes.
51 Compreendestes tudo isso?”
Eles responderam: “Sim”.
52 Então Jesus acrescentou:
“Assim, pois, todo o mestre da Lei,
que se torna discípulo do Reino dos Céus,
é como um pai de família
que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Palavra da Salvação.

Homilia

O CAMPO, A REDE E O CORAÇÃO: ONDE ESCONDER O TESOURO QUE NÃO SE PERDE

Caros irmãos e irmãs, a liturgia deste domingo nos coloca diante de duas imagens que são verdadeiras chaves para a nossa existência: o “TESOURO” e a “REDE“. No turbilhão de vozes que nos cerca, são essas palavras que podem nos ajudar a encontrar um porto seguro, uma direção para o coração que, muitas vezes, se sente perdido no meio do caminho.

O TESOURO DA SABEDORIA QUE DISCERNES  

A primeira leitura nos transporta para o momento sublime em que Deus, em sonhos, se dirige ao jovem Salomão com uma oferta que nos deixa sem fôlego: “Pede-me o que quiseres, e eu te darei” (1Rs 3,5). Diante de tamanha possibilidade, Salomão poderia ter pedido tudo o que a sabedoria humana julga valioso: uma vida longa, riquezas incontáveis, a derrota de seus inimigos. Mas seu coração, recém-sensibilizado pela graça, deseja algo muito mais profundo. O que ele pede não é um tesouro material, mas a própria capacidade de encontrar e guardar o tesouro eterno: A SABEDORIA.

A sabedoria que Salomão implora não é astúcia para manipular ou impor-se, mas sim a capacidade de “discernir” (1Rs 3,9). É o dom de olhar para a realidade com os olhos de Deus, de compreender as entrelinhas da história e de agir para levar todos à felicidade, à justiça e à paz. É o dom de governar a si mesmo e aos outros com o coração de um pai. Que todos nós, especialmente aqueles que têm a responsabilidade de liderar famílias, comunidades e nações, possamos fazer deste o nosso pedido diário. Quantos males seriam evitados se, em vez de buscarmos astúcia para nos impormos, desejássemos sabedoria para servir!

O TESOURO DO NOSSO DESTINO EM SUAS MÃOS 

Mas onde podemos encontrar essa sabedoria? Onde está o tesouro que nos faz completos? São Paulo, na sua carta aos Romanos, revela uma verdade que é a âncora da nossa esperança: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8,28). Aqui está o tesouro do nosso destino!

Quantas vezes nos sentimos perdidos, como se fôssemos meros joguetes do acaso, navegando em um mar de incertezas? A mensagem de Paulo é um bálsamo para a alma contemporânea, tão aflita pela ansiedade do futuro. Ele nos assegura que nossa história não é um acidente, mas um projeto de amor. Deus nos “predestinou”, nos “chamou”, nos “justificou” e, em Cristo, nos “glorificou” (Rm 8,29-30). O futuro está seguro, não porque controlamos todas as variáveis, mas porque o nosso destino está nas mãos Daquele que nos ama incondicionalmente. Somos filhos amados, e o amor do Pai é o tesouro que nada nem ninguém pode roubar.

A BUSCA E A REDE: O REINO QUE NOS CONECTA 

O Evangelho de Mateus (Mt 13,44-52) nos mostra, então, como essa verdade se manifesta no dia a dia. Jesus nos fala de um homem que encontra um tesouro escondido no campo. Observem que o tesouro não está no céu, mas bem aqui, enterrado na terra da nossa existência comum. O Reino de Deus está entre nós, mas muitas vezes passa despercebido aos olhos distraídos. Aquele que o encontra é tomado por uma alegria tão grande que vende tudo o que tem para adquiri-lo. O que somos capazes de sacrificar para encontrar a verdadeira felicidade? O que nos impede de dar o “salto” que nos levará à vida plena?

E, por fim, a imagem da “REDE“. O Mestre compara o Reino a uma rede que, lançada ao mar, recolhe todo tipo de peixe. Nos dias de hoje, a palavra “rede” ressoa de forma particular. Vivemos imersos em uma teia de conexões digitais, informações e relações virtuais. Mas a “rede” de Deus é muito mais profunda: é o ecossistema da vida, a teia de amor que nos conecta uns aos outros e a Ele. Por isso, o Reino de Deus não está fora de nós, mas em nós, na nossa capacidade de nos relacionarmos com amor e verdade. É uma presença inquietante que nos convida a sair da superficialidade para mergulhar na profundidade do encontro.

O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo” (Mt 13,44) e a uma rede que, ao ser puxada para a praia, revela o que realmente importa. No entanto, como nos alerta o Evangelho, nem sempre é fácil distinguir o joio do trigo, o peixe bom do mau. Somos chamados a ter paciência e humildade, evitando julgamentos precipitados. Só no fim dos tempos, com a luz plena de Deus, é que tudo será revelado.

CONCLUSÃO

A liturgia deste domingo é um convite a uma decisão fundamental. Qual é o tesouro que guia nossos passos? Em que “rede” escolhemos estar? Que a nossa oração seja a de Salomão, pedindo a sabedoria para discernir o caminho. Que a nossa esperança seja a de São Paulo, confiando que tudo coopera para o bem. E que a nossa ação seja a do homem do Evangelho, vendendo tudo o que nos atrapalha para adquirir o único tesouro que merece ser guardado: o Reino de Deus, que está bem aqui, ao nosso alcance, esperando para ser descoberto. Amém.

Texto de:  JOSÉ CRISTO REY GARCÍA PAREDES
Fonte: ECOLOGÍA DEL ESPÍRITU

O TESOURO ETERNO

O estudo reflexivo sobre o XVII Domingo do Tempo Comum convida a reorganizar as prioridades diárias. Ao contrastar a ansiedade da sociedade com a sabedoria do Reino, o texto aborda o pedido de discernimento do Rei Salomão, a confiança no projeto de amor de Deus revelado por São Paulo e as parábolas do Evangelho. O objetivo final é encorajar o leitor a buscar o verdadeiro tesouro espiritual e colocar Cristo no centro da vida.

Para visualizar estudo reflexivo você pode fazer o download do arquivo PDF O TESOURO ETERNO anexado acima. 

Este artigo foi produzido com a assistência de ferramentas de inteligência artificial.