Vivemos em uma cultura que exalta a juventude, a força, a produtividade e a visibilidade. Somos constantemente incentivados a permanecer em “plena floração”: belos, admirados, eficientes e relevantes. Contudo, a sabedoria de Deus revela uma verdade surpreendente: o momento mais fecundo da vida nem sempre coincide com o seu momento mais brilhante.
Uma flor encanta quando está aberta em todo o seu esplendor. Sua beleza atrai os olhares e desperta admiração. Entretanto, sua missão não termina ali. O seu ponto mais profundo de maturidade acontece quando as pétalas começam a cair. É justamente no processo de murchar que ela libera suas sementes e gera uma nova vida. Aquilo que parece declínio é, na realidade, um ato silencioso de fecundidade.
Essa verdade encontra sua expressão máxima em Jesus Cristo. Durante sua vida pública, multidões o seguiam, os enfermos eram curados e sua fama se espalhava por toda a região. Era o florescimento visível da missão. Mas a maior obra da salvação não aconteceu nos dias dos aplausos. Ela ocorreu quando foi abandonado, humilhado e elevado na cruz.
O próprio Senhor havia anunciado esse mistério ao afirmar: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só; mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24). A cruz, aos olhos humanos, parecia fracasso; aos olhos de Deus, era a hora da fecundidade suprema. Da morte de Cristo brotou a vida para o mundo inteiro.
São João da Cruz compreendeu profundamente essa dinâmica espiritual. Para ele, o centro mais profundo da pessoa não é um lugar escondido dentro da alma, mas o ponto mais alto de maturidade que a graça divina pode alcançar em nós. Esse centro raramente coincide com o vigor da juventude. Geralmente, ele é alcançado depois das provações, das perdas, das lágrimas e dos inevitáveis sinais do tempo.
Tal reflexão ilumina profundamente os dias atuais. Quantas pessoas sofrem ao perceber que já não possuem a mesma força física, a mesma influência social ou o mesmo reconhecimento profissional! A sociedade frequentemente associa valor à aparência e ao desempenho, fazendo muitos acreditarem que estão perdendo importância à medida que envelhecem. Contudo, o Evangelho nos ensina o contrário. Para Deus, a maturidade espiritual pode florescer exatamente quando o brilho exterior diminui.
Isso também se manifesta na experiência do amor humano. Quando somos jovens, frequentemente desejamos ser admirados. Com o amadurecimento, aprendemos algo mais belo: admirar. Descobrimos que a verdadeira plenitude não está em atrair olhares para nós, mas em contemplar com gratidão a beleza que Deus colocou nos outros.
Foi assim que Deus contemplou a criação: “Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31). Foi assim também que o Pai contemplou o Filho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17).
Talvez o centro mais profundo da nossa existência seja justamente alcançar esse olhar. O olhar que não possui, mas admira. Que não inveja, mas bendiz. Que não exige, mas agradece. O olhar de um pai para um filho, de uma avó para um neto, de um cristão para a obra de Deus presente no mundo.
Quando estamos em plena floração, recebemos elogios. Quando alcançamos a maturidade da alma, aprendemos a oferecer bênçãos. E talvez seja nesse momento, quando as pétalas do orgulho caem e as sementes do amor são espalhadas, que nos aproximamos mais do coração de Deus.
Afinal, o cristão não é chamado apenas a florescer. É chamado a dar frutos que permaneçam para a eternidade.