No estudo da autora Cristina Sá de Carvalho: “A misericórdia como categoria política (cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos)”, ecoam as considerações do Cardeal Walter Kasper sobre a dimensão política da misericórdia.
O Papa Francisco falava sempre da justiça perfeita da misericórdia, uma justiça que não é apenas retributiva (dar a cada um o que lhe é devido) mas a justiça de responder ao mal com o bem, para vencer o mal, indo muito além, do mérito de cada pessoa.
A dimensão essencial da misericórdia é o perdão, pois procura antes que nada em salvar as relações e nisso se destaca na construção da paz e salvar o outro através da oferta da restauração do perdão. Sempre podemos recomeçar, gerando pessoas e relações novas, centradas na solidariedade fraterna, acolhimento de todos e a equidade amorosa.
Para o Papa Francisco, tudo que é necessário para as sociedades e a pessoa humana, inicia no exercício do perdão e na sua aceitação, pois temos o dever de resgatar a cada pessoa, cada irmão para a dignidade de filho de Deus.
O outro pilar da misericórdia é o serviço, a dádiva e vocação de servir, pois o amor se verifica e demonstra no serviço concreto que prestamos aos outros, expressa na partilha da vida e dos bens. O serviço autêntico, ao ter em conta os excluídos e deserdados, mostra que a riqueza e o poder são realidades que podem ser úteis e boas para o bem comum, se forem postas ao serviço dos pobres e de todos com justiça social e caridade. Infelizmente o chamado neoliberalismo gera, em vez de fartura para todos(as), privilégios, prepotência, que se tornam em instrumentos de corrupção e morte.
Por isso, nestas eleições, inspirados na mística do lava-pés, sinal do verdadeiro e humanizador serviço e da reconciliação e paz social, votaremos em pessoas que amem com esperança, que sejam dádiva para os outros, construindo a cidade da ternura e da misericórdia onde caibam e sejam incluídos todos/as, eliminando a política do ódio e do inimigo, que semeiam discórdia e destruição do tecido social e impedem a convivência humana. Deus seja louvado!
Texto: DOM ROBERTO FRANCISCO FERRERIA PAZ
Fonte: CNBB
