XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)

A PALAVRA DESTAQUE

A Palavra de Deus deste XXVI Domingo do Tempo Comum nos conduz a uma pergunta que toca profundamente o coração: nosso “sim” a Deus é apenas uma palavra ou tornou-se uma escolha concreta de vida?

Deus não procura discursos perfeitos, mas corações dispostos a transformar a fé em atitudes. O profeta Ezequiel recorda que cada pessoa é responsável pelo caminho que escolhe. Não basta reconhecer a vontade de Deus; é necessário permitir que ela alcance nossas decisões, nossos relacionamentos e a maneira como tratamos o próximo.

No Evangelho, Jesus apresenta dois filhos. Um diz “não”, mas depois se arrepende e vai trabalhar; o outro diz “sim”, porém não cumpre a vontade do pai. A parábola revela uma verdade desconcertante: Deus olha para a coerência entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos.

“Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mt 21,31)

Também hoje podemos dizer muitas vezes “sim” com os lábios e, silenciosamente, dizer “não” com nossas atitudes. Podemos falar de amor e alimentar ressentimentos; defender a justiça e permanecer indiferentes diante da dor; professar a fé e esquecer aqueles que precisam de nossa presença.

Paulo apresenta Cristo como o caminho contrário ao egoísmo:

“Humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” (Fl 2,8)

Jesus nos ensina que a verdadeira grandeza nasce do serviço, da humildade e da entrega. Em um mundo marcado pela competição, pela aparência e pelo individualismo, seu exemplo continua sendo uma luz.

Talvez hoje Deus não esteja perguntando quanto sabemos sobre Ele, mas quanto de nossa vida estamos dispostos a colocar a serviço do seu Reino.

O nosso “sim” torna-se verdadeiro quando se transforma em amor, serviço, perdão e compromisso. A fé que permanece apenas nos lábios não transforma o mundo; a fé vivida transforma corações e abre caminhos de esperança.

Fonte: Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus

Leituras

O caminho da conversão exige romper com o comodismo atual. Ouvindo o eco de “Convertei-vos e vivei!” (Ez 18,28), reanimamos nossa frágil humanidade ferida, escolhendo hoje a justiça, a paz e o amor divino.

Assim diz o Senhor:
25 Vós andais dizendo:
“A conduta do Senhor não é correta.
Ouvi, vós da casa de Israel:
É a minha conduta que não é correta,
ou antes é a vossa conduta que não é correta?
26 Quando um justo se desvia da justiça,
pratica o mal e morre,
é por causa do mal praticado que ele morre.
27 Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou
e observa o direito e a justiça,
conserva a própria vida.
28 Arrependendo-se de todos os seus pecados,
com certeza viverá;
não morrerá”.
Palavra do Senhor.

Senhor, guia nossos passos cansados pelas veredas do amor e da verdade. Ilumina este tempo ferido, ensinando-nos a caminhar com corações puros, pois a tua eterna misericórdia renova sempre a nossa frágil e esperançosa humanidade.

R. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

4b Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,*
c e fazei-me conhecer a vossa estrada!
5 Vossa verdade me oriente e me conduza, †
porque sois o Deus da minha salvação; *
em vós espero, ó Senhor, todos os dias! R.

6 Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura *
e a vossa compaixão que são eternas!
7 Não recordeis os meus pecados quando jovem,*
nem vos lembreis de minhas faltas e delitos!
De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia *
e sois bondade sem limites, ó Senhor! R.

8 O Senhor é piedade e retidão, *
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
9 Ele dirige os humildes na justiça, *
e aos pobres ele ensina o seu caminho. R.

Ouvindo a humilde entrega de Cristo que “esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fl 2,7), amparamos nosso egoísmo atual, escolhendo amar intensamente e caminhar unidos na imensa compaixão divina.

Irmãos:
1 Se existe consolação na vida em Cristo,
se existe alento no mútuo amor,
se existe comunhão no Espírito,
se existe ternura e compaixão,
2 tornai então completa a minha alegria:
aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor;
vivei em harmonia, procurando a unidade.
3 Nada façais por competição ou vanglória,
mas, com humildade, cada um julgue
que o outro é mais importante,
4 e não cuide somente do que é seu,
mas também do que é do outro.
5 Tende entre vós o mesmo sentimento
que existe em Cristo Jesus.
6 Jesus Cristo, existindo em condição divina,
não fez do ser igual a Deus uma usurpação,
7 mas esvaziou-se a si mesmo,
assumindo a condição de escravo
e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano,
8 humilhou-se a si mesmo,
fazendo-se obediente até à morte,
e morte de cruz.
9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo
e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10 Assim, ao nome de Jesus,
todo joelho se dobre no céu,
na terra e abaixo da terra,
11 e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!”
— para a glória de Deus Pai.
Palavra do Senhor.

Diante do nosso egoísmo diário, Jesus nos provoca com amor: “Em verdade vos digo que os publicanos vos precedem no Reino” (Mt 21,31), transformando nossas feridas humanas num verdadeiro sim cotidiano e operante.

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes
e anciãos do povo:
28 “Que vos parece?
Um homem tinha dois filhos.
Dirigindo-se ao primeiro, ele disse:
‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’
29 O filho respondeu: ‘Não quero’.
Mas depois mudou de opinião e foi.
30 O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa.
Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’.
Mas não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam:
“O primeiro”.
Então Jesus lhes disse: 
“Em verdade vos digo,
que os cobradores de impostos e as prostitutas
vos precedem no Reino de Deus.
32 Porque João veio até vós, num caminho de justiça,
e vós não acreditastes nele.
Ao contrário,
os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele.
Vós, porém, mesmo vendo isso,
não vos arrependestes para crer nele”.
Palavra da Salvação.

HOMILIA

O DESAFIO DO SIM VERDADEIRO: SAIR DA ZONA DE CONFORTO

Meus irmãos e minhas irmãs, a liturgia deste XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – (ANO A) nos coloca diante de uma pergunta que não podemos evitar: o nosso “sim” a Deus é realmente um “SIM” autêntico ou permanece apenas como uma palavra bonita pronunciada pelos lábios?

Vivemos em um tempo marcado por incertezas. Diante das guerras, das injustiças, das tragédias, da violência e de tantas situações que ferem a dignidade humana, muitas vezes perguntamos: “Onde está Deus?“. E, quando não encontramos respostas imediatas, podemos transformar nossa inquietação em uma acusação fria contra o próprio Criador.

Entretanto, a liturgia de hoje nos convida a mudar a perspectiva. Em vez de perguntar apenas “Onde está Deus diante do mal?”, talvez precisemos nos perguntar com sinceridade: “ONDE ESTOU EU DIANTE DO SOFRIMENTO DO MEU IRMÃO?”. Dividiremos esta reflexão em três pontos essenciais para a nossa caminhada:

O PROCEDIMENTO DE DEUS É JUSTO 

O profeta Ezequiel nos conduz ao coração da responsabilidade humana. Deus não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. A Palavra nos recorda que nossas escolhas têm consequências e que Deus respeita profundamente a liberdade que nos concedeu:

“Acaso tenho prazer na morte do ímpio? […] Não desejo, antes, que se converta do seu caminho e viva?” (Ez 18,23)

Que Deus maravilhoso é este que não nos trata como marionetes! Ele nos criou livres e confia a nós uma parte da construção da história. Mas a liberdade exige responsabilidade. Não podemos construir uma sociedade marcada pela indiferença e depois atribuir a Deus todas as suas feridas. Há sofrimentos que são consequências diretas de escolhas humanas, da ganância e da falta de solidariedade.

Por isso, a fé cristã nunca pode ser apenas individualista. Não basta perguntar se “eu estou bem com Deus”; precisamos nos perguntar: “O que estou fazendo para que meu irmão possa viver com dignidade?”. O Reino de Deus passa pelas nossas mãos e pelas nossas escolhas cotidianas. Como nos ensina o Sl 24,4bc-5.6-7.8-9 (R. 6a): “Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas”.

O Senhor desconstrói nossa lógica: a justiça do homem decaído não anula a conversão, nem a infidelidade apaga o passado justo. Quem abandona o mal e pratica o direito e a justiça assegura sua própria vida. Deus deseja sempre a conversão, nunca a morte.

A PODEROSA CHAVE DA HUMILDADE 

Na inesquecível Carta de São Paulo aos Filipenses (2,1-11), o apóstolo nos convida à comunhão e à preocupação genuína com o outro: “Não façais nada por rivalidade ou por vanglória, mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos” (Fl 2,3).

Talvez aqui esteja uma das maiores dificuldades do nosso tempo. Queremos ter razão, ser reconhecidos e impor nossas opiniões, transformando diferenças em disputas. E Paulo nos apresenta uma palavra revolucionária: humildade. Jesus é o modelo supremo dessa entrega: “Cristo Jesus, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fl 2,6-7).

Cristo desce para encontrar o ser humano; Ele não foge da fragilidade, assume-a. Quem segue Jesus não pode viver preocupado apenas em subir, precisa aprender a descer para servir. Quantas famílias e comunidades seriam transformadas se tivéssemos a coragem de dar o primeiro passo rumo à reconciliação?

Ó Senhor, sois vós o nosso Deus e Salvador! Abri, portas eternas, para que entre o Rei da glória. Quem tem mãos inocentes e puro coração sobe ao monte do Senhor para receber a sua bênção e a misericórdia prometida.

QUANDO O “SIM” É “NÃO”, E O “NÃO” É “SIM”

Chegamos ao EVANGELHO de Jesus Cristo segundo Mateus (21,28-32). Jesus conta a parábola de dois filhos convocados para trabalhar na vinha. O primeiro diz “não”, mas depois arrepende-se e vai; o segundo diz “sim”, mas não cumpre nada. E Jesus questiona: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mt 21,31). 

Deus não olha apenas para o que prometemos formalmente; Ele olha para o que fazemos na prática. Há “sins” que são apenas fachada social e comodismo. Por outro lado, existem pessoas que inicialmente dizem “não”, mas cuja história é tocada pela graça da conversão, transformando-se em um “sim” verdadeiro. Por isso, nunca devemos desistir de ninguém, pois Deus sempre oferece a chance de um novo começo.

Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus. Sendo de condição divina, esvaziou-se e assumiu a condição de servo. Unidos na humildade e no amor, dobremos nossos joelhos para proclamar que Jesus Cristo é o Senhor para a glória do Pai.

CONCLUSÃO: SAIR DA ZONA DE CONFORTO 

Meus irmãos e minhas irmãs, a vinha do Senhor continua diante de nós. O mundo aguarda cristãos corajosos que saibam transformar a fé em serviço e a Palavra em atitudes concretas.

Perguntemo-nos hoje: qual é o meu “sim”? Onde estou dizendo “sim” com os lábios, mas vivendo na omissão? Que o Espírito Santo nos tire de nossas zonas de conforto e nos conceda a graça de um compromisso autêntico com o Evangelho. Amém.

 Texto de:  JOSÉ CRISTO REY GARCÍA PAREDES
Fonte: ECOLOGÍA DEL ESPÍRITU

Este artigo foi produzido com a assistência de ferramentas de inteligência artificial.