Setembro é tradicionalmente celebrado pela Igreja no Brasil como o Mês da Bíblia, um tempo privilegiado para nos aproximarmos das Sagradas Escrituras. A escolha deste mês está ligada à memória de São Jerônimo, celebrado em 30 de setembro, grande estudioso e tradutor da Bíblia, cuja vida foi marcada pelo desejo de conhecer, traduzir e tornar a Palavra de Deus acessível ao povo.
Mas celebrar o Mês da Bíblia é muito mais do que recordar uma data. É permitir que a Palavra de Deus volte a ocupar um lugar central em nossa vida. É abrir a Bíblia não apenas com os olhos, mas com o coração.
A BÍBLIA: UMA HISTÓRIA DE AMOR
A Bíblia é, essencialmente, a história da relação de Deus com a humanidade. Nela encontramos a revelação de um Deus que cria, chama, acompanha, corrige, perdoa, espera e salva. Não é a história de um Deus distante, indiferente às dores humanas, mas de um Pai que entra na história para caminhar conosco.
“No princípio, Deus criou o céu e a terra.” (Gn 1,1)
Desde o princípio, a iniciativa é de Deus. O ser humano não poderia, sozinho, alcançar o mistério divino. Por isso, Deus se revela e se aproxima, permitindo que conheçamos seu amor e seu projeto de salvação.
A Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, ensina que Deus, em sua bondade, quis revelar-se aos seres humanos e manifestar o mistério de sua vontade. A Bíblia, portanto, não é simplesmente um livro antigo: é testemunho da Palavra de Deus que continua falando ao coração humano.
UMA PALAVRA QUE CONTINUA VIVA
A Bíblia reúne 73 livros, sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. São textos escritos em diferentes épocas, por diferentes autores e em diferentes gêneros literários. Encontramos histórias, poesias, profecias, cartas, ensinamentos e, de maneira singular, os Evangelhos.
Entretanto, a riqueza da Bíblia não está apenas na diversidade de seus livros. Está na capacidade que a Palavra possui de atravessar os séculos e encontrar cada geração.
É por isso que uma mesma passagem pode tocar profundamente uma pessoa hoje, assim como tocou homens e mulheres de outras épocas. Quando lemos a Escritura com fé, descobrimos que muitas de suas perguntas continuam sendo as nossas: Quem sou eu? Em quem posso confiar? Por que sofro? Como perdoar? Onde encontrar esperança? Para onde estou caminhando?
E, sobretudo, encontramos a resposta que atravessa toda a Escritura: Deus não abandona seus filhos.
JESUS É O CENTRO DA PALAVRA
O Novo Testamento revela o cumprimento da promessa de Deus em Jesus Cristo. Nele, a Palavra não permanece apenas escrita: a Palavra se faz carne e habita entre nós.
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14)
Em Cristo, Deus deixa de ser apenas uma ideia distante e torna-se presença concreta. Jesus toca os enfermos, acolhe os pecadores, consola os que choram, perdoa, chama, ensina e entrega a própria vida por amor.
Por isso, aproximar-se da Bíblia é aproximar-se de Cristo. É permitir que sua Palavra ilumine nossas escolhas, cure nossas feridas, fortaleça nossa esperança e transforme nosso modo de olhar para o próximo.
A PALAVRA PARA OS NOSSOS DIAS
Vivemos em um tempo marcado pelo excesso de informações, pelas notícias instantâneas e por tantas vozes que disputam nossa atenção. Nunca tivemos acesso a tantas palavras; entretanto, talvez nunca tenhamos necessitado tanto de uma Palavra que dê sentido à vida.
A Bíblia nos convida a fazer silêncio em meio ao ruído. A parar. A escutar. A discernir.
“A tua palavra é lâmpada para os meus passos e luz para o meu caminho.” (Sl 119,105)
Que neste Mês da Bíblia não apenas leiamos a Palavra, mas permitamos que ela nos leia. Que ela revele o que somos, ilumine nossas sombras, desperte nossa consciência e nos conduza novamente ao coração de Deus.
Porque a Bíblia não é uma Palavra presa ao passado. É a Palavra viva de Deus encontrando-se hoje com a nossa história.