Caros irmãos e irmãs, queridos pais e queridos filhos, chega mais um Dia dos Pais e, com ele, a oportunidade de olharmos para essa vocação tão especial que Deus confia a muitos homens: a de serem pais.
Falo em vocação porque, para mim, ser pai não é apenas um fato biológico ou social. É um chamado. Assim como Jesus disse aos primeiros discípulos, junto ao mar da Galileia, “Vinde após mim” – Mt 4,19 –, também cada pai recebe, ao longo da vida, um convite constante para seguir mais de perto o caminho do amor que serve e que cuida. A paternidade, olhada com fé, é uma forma concreta de vivermos o Evangelho dentro de casa.
Jesus, já perto do fim de sua missão, disse a Pedro algo que sempre me tocou profundamente: “Apascenta as minhas ovelhas” – Jo 21,17. É uma frase dirigida a quem exerce liderança na Igreja, mas que ilumina também a liderança dentro da família. Ser pai é, de certa forma, apascentar. É cuidar, alimentar, proteger, sem dominar. É estar por perto sem sufocar. É guiar sem impor.
Vivemos tempos em que muitas famílias enfrentam distâncias silenciosas. Pais que trabalham exaustivamente e filhos que crescem entre telas e compromissos, quase sem se cruzarem em conversas verdadeiras. A vocação paterna, hoje, exige uma atenção redobrada à presença. Não basta estar em casa. É preciso estar disponível para escutar, para perguntar, para participar da vida dos filhos com interesse genuíno.
Aprendi, ao longo dos anos, com a espiritualidade da unidade, que a fraternidade se constrói em pequenos gestos diários. Dentro da família, isso
significa um pai que se interessa pelas alegrias e pelas dificuldades dos filhos, que participa das refeições sem pressa, que reza junto, mesmo que seja uma oração breve antes de dormir. São esses gestos simples que tecem a comunhão familiar e que deixam marcas profundas na vida de um filho.
Aos filhos, quero dizer que a honra aos pais, ensinada desde os mandamentos entregues por Deus a Moisés, continua atual. Honrar não significa concordar sempre nem esconder diferenças, mas reconhecer o esforço e o amor, muitas vezes silenciosos, de quem tentou cuidar da melhor forma que pôde. Reconhecer isso é também um caminho de cura para muitas relações que carregam mágoas.
Eu tive um pai que me amou muito e me ensinou, junto da mamãe, os rudimentos da fé e nossa família cresceu em estatura, graça e santidade em comunhão com Cristo e com a Mãe Igreja.
Jesus nos convida, no início de sua pregação, a “Convertei-vos e crede no Evangelho” – Mc 1,15. Que este Dia dos Pais seja também um convite à conversão dentro das famílias: pais que revisam sua presença, filhos que revisam sua gratidão, casas que se abrem novamente ao diálogo e à oração.
Que cada pai encontre força para viver sua vocação com humildade e ternura, e que cada filho saiba reconhecer, no gesto simples de um pai presente, um reflexo do próprio cuidado de Deus. Caminhai no Senhor.
Texto: Dom Anuar Battisti
Fonte: CNBB