ORIGEM E DEVOÇÃO NA ESPANHA
O primeiro santuário com o nome de Montserrat foi construído na Catalunha, região da Espanha próxima a Barcelona. Seu nome deriva da montanha onde está situado, cuja formação rochosa peculiar se assemelha a uma serra de dentes agudos, o que justifica a etimologia: Montserrat significa “Monte Serreado”.
A devoção à Virgem de Montserrat remonta à antiguidade cristã. A tradição popular situa o culto já no ano 546, quando o monge Querino se retirou para uma gruta da montanha e ali construiu uma pequena ermida dedicada à Virgem Maria. Segundo outra tradição, a imagem teria sido trazida para Barcelona por São Pedro ainda no século I.
Os registros históricos mais seguros indicam que, em 880, já existia a ermida de Nossa Senhora de Montserrat. O conde Walfrido, o Cabeludo, cedeu a ermida, juntamente com outras três, aos monges beneditinos do mosteiro de Ripoll. Em 1032, o abade Oliva fundou comunidades beneditinas junto às antigas ermidas, dando forte impulso à devoção na diocese da Catalunha.
A imagem da Virgem de Montserrat é uma estátua de madeira policromada, que apresenta a Virgem sentada em um trono com o Menino Jesus sobre os joelhos. Exceto o rosto e as mãos da Virgem e do Menino, a imagem é dourada. Por essa característica, é carinhosamente chamada pelo povo catalão de “La Moreneta” (“A Morenita”). Foi a primeira imagem mariana a receber a coroação canônica na Espanha, em 1881, e, no mesmo ano, o Papa Leão XIII a proclamou Padroeira da Catalunha.
A história do descobrimento da imagem narra que, durante a invasão sarracena, os cristãos esconderam a preciosa imagem na serra escarpada para protegê-la. Séculos depois, num sábado do mês de abril, pastores viram aparecer junto à montanha um grupo de estrelas muito brilhantes, enquanto ouviam um harmonioso coro de anjos. O bispo da cidade de Manresa e o prefeito de Barcelona subiram a serra e encontraram numa caverna a imagem da Virgem Maria, enegrecida pelo tempo.
Ao tentarem levar a imagem para Manresa, ela ficou subitamente imóvel, o que foi interpretado como vontade da Mãe de Deus de permanecer naquele local. Acreditando nisso, colocaram-na numa capela da aldeia, onde ela começou a operar curas maravilhosas. A fama desse santuário correu por toda a Europa, e os frades de São Bento tornaram-se os guardiões e propagadores do culto, sendo eles os responsáveis por trazer essa devoção ao Brasil.
A DEVOÇÃO NO BRASIL E EM SANTOS
A devoção a Nossa Senhora de Montserrat chegou ao Brasil no final do século XVI, trazida pelos monges beneditinos, sendo introduzida em Santos por Dom Francisco de Sousa, governador-geral do Brasil, por volta de 1599.
No primitivo povoado de “Enguaguaçu” (atual cidade de Santos), a principal elevação das redondezas chamava-se “Monte de São Jerônimo”, devido à imagem do santo eremita que fora colocada num oratório na encosta por Domingos Pires e Pascoal Fernandes, primeiros habitantes ali instalados. O Monte de São Jerônimo servia como “Outeiro da Vigia”, ponto de observação para as naus que entravam no porto de Santos.
Durante o período da União Ibérica (1580-1640), Dom Francisco de Sousa, que era português, mas próximo dos reis Filipe II e Filipe III da Espanha, mandou construir a capela no alto do Outeiro da Vigia entre os anos de 1598 e 1603, tendo feito a doação da imagem da Virgem de Monte Serrat em 1602. Oficializada em 1599, a capela é considerada um dos templos católicos mais antigos da Baixada Santista.
Em 1614, durante a invasão da vila de Santos pelo corsário holandês Joris van Spilbergen, grande parte da população buscou refúgio no alto do morro, junto à ermida. Ao tentar perseguir os fugitivos, os invasores foram soterrados por um deslizamento de terra e pedras. O povo atribuiu o fato a um milagre de Nossa Senhora do Monte Serrat. Desde então, a devoção cresceu imensamente, e os fiéis passaram a subir o morro em procissão para agradecer a proteção.
A capela ficou sob a responsabilidade dos monges beneditinos a partir de 1652. Em 1993, foi tombada como patrimônio histórico de Santos pelo CONDEPASA e passou por restauração entre 2009 e 2012, sendo reaberta em 2011 com piso, telhado, instalações elétricas e hidráulicas, paredes, portas e janelas restauradas. Atualmente, a imagem da padroeira é retirada do Santuário e levada em procissão até a Catedral no início das festividades, retornando solenemente no dia 8 de setembro.
PADROEIRA DA CIDADE DE SANTOS
Em 1954, por deliberação da Câmara Municipal, Nossa Senhora do Monte Serrat foi declarada padroeira oficial da cidade de Santos, por meio de lei sancionada pelo prefeito Antônio Feliciano. Foi solenemente coroada como tal em sua festa, no dia 8 de setembro de 1955, com a confirmação do Papa Pio XII. Desde então, essa data é feriado municipal.
Todo ano, no início de setembro, ocorre a festa da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Serrat, com a realização de novenas, missas, romarias, procissão e outras manifestações de fé a cargo dos fiéis. Os devotos sobem as escadarias de 416 degraus (ou de bondinho) do morro para cumprir suas promessas naquele santuário. No percurso da escadaria, encontram-se 14 nichos com representações da Via Sacra, inaugurados entre 1939 e 1941. O sistema de bondinhos (funicular) foi inaugurado em 1927.
Além do milagre de 1614, atribui-se a Nossa Senhora do Monte Serrat outro grande milagre em Santos: em 1926, ela salvou o barco nacional Araguary de um naufrágio certo, quando os tripulantes, já sem controle da situação, ajoelharam-se e rezaram invocando a Virgem, prometendo celebrar missa em ação de graças; no instante seguinte, a tempestade cessou e o mar entrou em calmaria.
LEGADO CULTURAL E ESPIRITUAL CONTEMPORÂNEO
A presença marcante do Santuário no topo do morro transcende o aspecto estritamente religioso, fincando raízes profundas na identidade cultural, no turismo histórico e na memória afetiva de todos os santistas. Ao longo dos séculos, o local converteu-se em um mirante privilegiado de contemplação, de onde é possível avistar grande parte da paisagem urbana, do movimentado complexo portuário e da vasta extensão do oceano atlântico que abraça a Baixada Santista. Essa fusão única entre a paisagem natural exuberante, a arquitetura secular do templo e a devoção popular secular consolida o Monte Serrat como um dos maiores patrimônios vivos do litoral paulista, perpetuando de geração em geração a herança espiritual legada pelos antigos monges beneditinos e mantendo viva a chama da fé e da esperança no coração de milhares de peregrinos e visitantes.
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO MONTE SERRAT
Salve, ó Maria, Filha de Deus Pai! Ele fez em ti maravilhas! Por isso, contigo, também nós queremos proclamar: “Santo é o seu nome!” Glória ao Senhor! Pelo teu exemplo e intercessão, alcança-nos, ó Mãe, a graça de sempre dizer “sim” às manifestações da santíssima vontade de Deus.
Salve, ó Maria, Mãe de Deus Filho! Por esta graça e missão altíssima, também nós queremos aclamar: “Meu espírito se alegra em Deus, o Salvador”. Pelo teu exemplo e intercessão, alcança-nos, ó Mãe, a graça da libertação do egoísmo para que sejam superadas a fome e a miséria que nos afligem.
Salve, ó Maria, Esposa do Espírito Santo! Ele pôs os olhos na tua humildade e te exaltou como “Bendita entre as mulheres”. Pelo teu exemplo e intercessão, alcançai-nos, ó Mãe, a santidade da vida e os dons do discernimento e da sabedoria para que possamos caminhar, nestes tempos tão difíceis, com fidelidade e fortaleza.
Senhora do Monte Serrat, Virgem Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, a Vós peço proteção. Amém.
