Quando nos reunimos como comunidade para professar a nossa fé, recitamos o Credo. Nossas vozes se unem para declarar que cremos em Deus, Pai Todo-Poderoso, «criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis». O visível é o que nossos olhos contemplam: a beleza deste mundo, a grandiosidade dos oceanos, o sorriso de quem amamos e a fragilidade da nossa própria carne. Mas, e o invisível? Aquilo que escapa aos sentidos, mas que pulsa com intensidade no mistério da existência?
A REALIDADE PARA ALÉM DO TANGÍVEL
O apóstolo Paulo nos recorda em sua carta: Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. (cf. Rm 1,20). Existe uma criação que não se deixa tocar pelas mãos, mas que interage profundamente com a nossa história. É o espaço do mistério, da graça, da comunhão dos santos e também da misteriosa realidade espiritual que nos cerca, na qual o bem e o mal travam uma batalha silenciosa pelos nossos corações.
ILUMINANDO OS DESAFIOS DO NOSSO TEMPO
Vivenciamos uma época hiperconectada, porém profundamente solitária. O homem contemporâneo foca quase exclusivamente no visível, no mensurável, no tecnológico e no imediato. O que não se vê parece não existir. E, no entanto, é justamente nas dores invisíveis — na ansiedade que consome a alma, na perda de sentido, na busca desesperada por pertença — que percebemos o quanto o ser humano é habitado por dimensões espirituais que a matéria não pode saciar.
Ignorar o invisível é reduzir a nossa humanidade a uma engrenagem fria. Quando resgatamos a verdade de que fomos criados para o visível e para o invisível, abrimos espaço para a transcendência. Como nos exorta o apóstolo: Porque não miramos as coisas que se veem, mas sim as que não se veem. Pois as coisas que se veem são temporais e as que não se veem são eternas. (cf. 2 Cor 4,18). Olhar para o invisível nos liberta da ditadura do efêmero e nos conecta à esperança que não decepciona.
UM CHAMADO À CONTEMPLAÇÃO INTERIOR
Irmãos e irmãs, deixemo-nos tocar por esta verdade. Que tal silenciarmos o barulho exterior para escutar o eco do invisível em nosso interior? Deus não está distante em um céu longínquo; Ele habita e sustenta tanto o que os olhos veem quanto o que o coração apenas tateia na fé.
Que esta reflexão renove em nós a confiança. Mesmo quando os desafios do mundo parecem pesados e o mal tenta nos assustar, lembremo-nos de que a última palavra pertence ao Criador de tudo o que é visível e invisível. Que a Virgem Maria, que soube guardar todas estas coisas em seu coração, nos ensine a contemplar o mistério de Deus com a pureza e a simplicidade de quem crê sem ver. Amém.
Fonte: ECOLOGÍA DEL ESPÍRITU
