Hoje iniciamos a Quaresma, um tempo sagrado de escuta da Palavra, oração, jejum e caridade, que nos convida à conversão. É um caminho que nos leva, com Jesus, da morte para a vida plena. A celebração das Cinzas marca o início deste período, simbolizando nossa fragilidade e a urgência de revisarmos nossas atitudes. As cinzas nos lembram que a vida é breve e que precisamos voltar-nos para Deus com sinceridade.
Neste ano, a Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, traz o tema “FRATERNIDADE E MORADIA” e o lema “ELE VEIO MORAR ENTRE NÓS” (Jo 1,14), a campanha convida os fiéis a reconhecer que a encarnação de Cristo implica compromisso concreto com a dignidade humana, especialmente no direito à moradia. Assim, a Quaresma torna-se não apenas um tempo de transformação interior, mas também um chamado à construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde o amor de Deus se traduz em ações concretas de solidariedade e justiça social.
A liturgia da Quaresma nos oferece textos profundos. A Primeira Leitura (Joel 2,12-18) O profeta Joel transmite o apelo de Deus: “Rasgai o coração, e não as vestes”. A conversão não nasce do medo, mas da confiança em um Deus “clemente e misericordioso”. O retorno ao Senhor é sempre possível, porque Ele mesmo o deseja.
No Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18) Jesus propõe as três grandes práticas quaresmais – esmola, oração e jejum – não como atos exteriores, mas como expressões de uma relação autêntica com o Pai. A conversão que a Quaresma exige é interior, silenciosa e verdadeira, longe de qualquer ostentação religiosa.
Na Segunda Leitura (2Coríntios 5,20-6,2) Paulo proclama a urgência da reconciliação: “Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação”. A Quaresma inaugura um kairós, um tempo qualitativo em que Deus age de modo especial na vida do crente..
Este tempo é um convite a sair da superficialidade e mergulhar na graça. É tempo de silenciar o barulho do mundo e escutar a voz de Deus. De jejuar não apenas de comida, mas de egoísmo, indiferença e vaidade. De praticar a caridade como um estilo de vida que reflete o amor de Cristo.
Que esta Quaresma seja uma verdadeira passagem: da morte do pecado para a vida da graça, da indiferença para o amor, da alienação para a consciência ecológica. Que, ao final desses quarenta dias, possamos celebrar a Páscoa não apenas como uma festa, mas como uma experiência profunda de ressurreição em nossas vidas.
Leituras
Hoje, rasgai o coração, não as vestes; voltamos ao Senhor com lágrimas e esperança, permitindo que sua misericórdia cure nossas feridas, renove a dignidade humana e reacenda, nos tempos atuais, a chama da conversão.
com jejuns, lágrimas e gemidos;
ele é benigno e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia,
inclinado a perdoar o castigo”.
e deixa atrás de si a bênção,
oblação e libação
para o Senhor, vosso Deus?
convocai a assembleia;
reuni anciãos,
ajuntai crianças e lactentes;
deixe o esposo seu aposento,
e a esposa, seu leito.
“Perdoa, Senhor, a teu povo,
e não deixes que esta tua herança sofra infâmia
e que as nações a dominem”.
Por que se haveria de dizer entre os povos:
“Onde está o Deus deles?”
Palavra do Senhor.
Hoje, Apaga as minhas transgressões. Suplicamos que teu Espírito crie em nós um coração novo, para que, curados da culpa e do medo, possamos cantar tua misericórdia no cotidiano ferido e gerar esperança.
R. Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.
3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
4 Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa! R.
dai-me de novo um espírito decidido.
13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! R.
14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor! R.
Hoje, Reconciliai-vos com Deus, pois agora é o tempo favorável, acolhemos sua graça que atravessa nossas crises, restaura relações feridas, desperta vocações e nos chama a sermos embaixadores de esperança neste mundo cansado.
Em nome de Cristo, nós vos suplicamos:
deixai-vos reconciliar com Deus.
para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.
e no dia da salvação, eu te socorri”.
É agora o momento favorável,
é agora o dia da salvação.
Palavra do Senhor.
Hoje, teu Pai, que vê no segredo, te recompensará. Aprendemos a jejuar, rezar e partilhar sem aplausos, para que o coração seja livre, a fé amadureça e a caridade transforme discretamente nossas relações cotidianas
só para serdes vistos por eles.
Caso contrário, não recebereis a recompensa
do vosso Pai que está nos céus.
como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
o que faz a tua mão direita,
te dará a recompensa.
que gostam de rezar em pé,
nas sinagogas e nas esquinas das praças,
para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
e reza ao teu Pai que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
Eles desfiguram o rosto,
para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo:
Eles já receberam a sua recompensa.
mas somente teu Pai, que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa”.
Palavra da Salvação.
Homilia
QUARESMA: REGRESSO AO CORAÇÃO DE DEUS
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, na Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos o santo tempo da Quaresma, uma travessia espiritual que nos convida a regressar ao coração de Deus e, ao mesmo tempo, a olhar com mais amor e responsabilidade para nossos irmãos e irmãs, como nos propõe a Campanha da Fraternidade de 2026. Em meio às pressas, às incertezas e às feridas do nosso tempo, ecoa o apelo de Deus por meio do profeta: “Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração” (Jl 2,12). Não é uma palavra distante, mas um chamado cheio de ternura, que atravessa nossas rotinas cansadas e nos lembra: agora é o tempo favorável para recomeçar.
A Quaresma não é uma soma de práticas exteriores, mas uma peregrinação interior. Ela nos pede silêncio, verdade e coragem para perguntar: para onde está voltado o meu coração? Busco o olhar de Deus ou apenas os aplausos do mundo? Neste tempo de crescimento na fé, somos convidados a realinhar nossos passos com o amor que dá sentido à vida e que sustenta nossas escolhas cotidianas.
Este caminho é também um êxodo pessoal e comunitário. Somos chamados a deixar o “Egito” que nos aprisiona: dependências, egoísmos, injustiças, falsas seguranças e indiferenças diante do sofrimento alheio. A Campanha da Fraternidade nos recorda que a conversão não é apenas interior, mas social: voltar-nos a Deus implica voltar-nos aos irmãos, especialmente aos mais vulneráveis, para construir relações mais justas, solidárias e fraternas.
A Escritura nos ilumina com imagens de esperança. O filho pródigo caiu, mas voltou; e o Pai o acolheu com misericórdia. Também nós, tantas vezes feridos e cansados, podemos regressar pela via da Reconciliação, onde o abraço de Deus nos levanta e nos devolve a dignidade. Como o leproso curado que retornou para agradecer, somos chamados a reconhecer nossas curas e apresentar a Jesus nossas chagas, dizendo com confiança: “Senhor, aqui estou, com minhas fraquezas e pecados; sois o Médico que pode libertar-me”.
Hoje recebemos as cinzas, sinal de nossa fragilidade e, ao mesmo tempo, da ação do Espírito Santo, que sopra vida sobre o pó e reacende a esperança onde parecia haver apenas cansaço. Somos pó, mas pó amado, chamado à vida nova. O Espírito transforma nossas lágrimas em louvor e nossas noites em aurora.
Tudo isso é possível porque Deus tomou a iniciativa de nos salvar. Como recorda São Paulo: “Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós” (2Cor 5,21). A Quaresma é, portanto, tempo de humildade agradecida: reconhecemos que não nos salvamos sozinhos, mas pela graça gratuita que brota da Cruz.
Ao inclinarmos a cabeça para receber as cinzas, aprendemos o caminho da humildade que nos conduz ao serviço. No final desta jornada, seremos convidados a nos abaixar para lavar os pés dos irmãos, pois a salvação não é uma corrida por glória, mas um caminho de amor que se inclina. Nas chagas de Cristo encontramos abrigo, e nas nossas vulnerabilidades Deus faz nascer misericórdia.
Que esta Quaresma, iluminada pela Campanha da Fraternidade que tem por lema: “ELE VEIO MORAR ENTRE NÓS” (Jo 1,14), seja para nós um tempo de regresso ao Pai, de encontro com Jesus e de docilidade ao Espírito Santo; um tempo de cura, perdão e renovação, no qual as cinzas nos lembrem da nossa fragilidade, mas também da esperança pascal que já desponta em nossos dias.
Texto de referência escrito por Papa Francisco
Este artigo foi produzido com a assistência de ferramentas de inteligência artificial.
