Últimas
VISITA DA IMAGEM PEREGRINA
VISITA DA IMAGEM PEREGRINA  I
8 motivos do Papa Francisco para rezar a Via Sacra
A Via Sacra (“Caminho Sagrado”) ou Via Crúcis&n
I Domingo da Quaresma (Ano A)
No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-
Via Crucis - Caminho da Cruz
A Via Crucis é uma pratica piedos
Ninguém te ama como Eu
Neste tempo da Quaresma, somos convidados a considerar mais de pert
Mais Lidas

Destaque

Próximos Eventos

No events

Artigos

VISITA DA IMAGEM PEREGRINA

VISITA DA IMAGEM PEREGRINA 
IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
125 ANOS DE PRESENÇA CLARETIANA NO BRASIL
 
06/03/2020 – SEXTA-FEIRA
17h30 – Chegada da Imagem e da Equipe Missionária
19h00 – Missa de Acolhida
07/03/2020 – SÁBADO
07h30 – Missa
09h00 – Catequese e Comunidades Religiosas
16h00 – Missa
20h00 – Jantar Festivo
08/03/2020 – DOMINGO
07h30 – Missa Festiva
09h00 – Missa da Catequese Festiva
12h00 – Missa Festiva
17h00 – Missa Festiva
19h00 – Missa Festiva de Encerramento e Despedida da Imagem e da Equipe Missionária
 

 

 

8 motivos do Papa Francisco para rezar a Via Sacra

Via Sacra (“Caminho Sagrado”) ou Via Crúcis (“Caminho da Cruz”), ambas expressões em latim, é uma tradição piedosa católica que remonta ao século IV, quando os cristãos se dirigiam em peregrinação à Terra Santa para refazer a trajetória de Jesus.

Durante a Via Sacra com os participantes da Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco nos apresentou 8 motivos para rezarmos a Via Sacra:

1. É um gesto de confiança em Deus:

“Na Cruz de Cristo está todo o amor de Deus, está a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Confiemos em Jesus, abandonemo-nos a Ele, porque Ele nunca desilude ninguém! Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos a salvação e a redenção”.

2. É uma renovação da nossa adesão à Cruz de Cristo:

“E você, qual deles quer ser? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria? Agora Jesus está olhando para você e lhe diz: Quer me ajudar a carregar a Cruz? Irmãos e irmãs, com toda a sua força jovem, o que vocês lhe respondem? ”.

3. É uma lembrança de que Jesus sofre conosco:

“Na Cruz de Cristo está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos; Ele carrega nas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, para lhe dar vida”.

4. É um convite à ação:

“Mas a Cruz de Cristo convida também a nos deixarmos contagiar por este amor; ela nos ensina a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda, para quem espera uma palavra, um gesto; a Cruz nos convida a sair de nós mesmos para ir ao encontro dessas pessoas e lhes estender a mão”.

5. É uma ajuda para decidir a favor ou contra Jesus:

“[A Cruz] revela um julgamento: Deus, ao nos julgar, nos ama. Lembremo-nos disso: Deus nos julga amando-nos. Se eu aceito o Seu amor, então sou salvo; se o rejeito, então me condeno. Não é Ele que me condena, sou eu mesmo, porque Deus nunca condena, Ele só ama e salva”.

6. É a resposta de Deus para o mal no mundo:

“A Cruz é a palavra por meio da qual Deus respondeu ao mal no mundo. Algumas vezes, parece que Deus não reage diante do mal, parece que fica em silêncio. No entanto, Deus falou, respondeu, e a Sua resposta é a Cruz de Cristo: uma palavra que é amor, misericórdia, perdão”.

7. É uma renovação da certeza do amor de Deus por nós

“O que a Cruz deu aos que olharam para ela, aos que a tocaram? O que a Cruz deixou em cada um de nós? Ela nos dá um tesouro que ninguém mais pode dar: a certeza do amor fiel que Deus tem por nós”.

8. É um guia que nos leva da cruz à Ressurreição

“Ó Jesus, guiai-nos da Cruz à Ressurreição e ensinai-nos que o mal não tem a última palavra, mas sim o amor, a misericórdia e o perdão. Ó Cristo, ajudai-nos a exclamar outra vez: ‘Ontem fui crucificado com Cristo, hoje sou glorificado com Ele. Ontem morri com Ele, hoje vivo com Ele. Ontem fui enterrado com Ele, hoje ressuscito com Ele’”.

COMO REZAR A VIA SACRA

A Via Sacra tradicional consiste na meditação das assim chamadas “14 estações da Cruz“, ou seja, 14 momentos vividos por Jesus e por Maria desde a injusta condenação do Messias à morte até o Seu sepultamento.

A cada estação devem ser feitas orações e meditações pessoais. Existem muitos exemplos dessas orações – a seguir apresentamos um deles.

Oração inicial

Senhor, concedei-me a graça de compartilhar convosco o caminho da cruz; de penetrar nos vossos pensamentos e sentimentos enquanto carregáveis a cruz pela humanidade – por mim. Ajudai-me a compreender um pouco mais do que esta via dolorosa significou para Vós. Com a minha pequenez, eu me atrevo a caminhar convosco nestas estações, deixando-me impressionar pela contemplação do vosso mistério, buscando o vosso olhar de dor, de agonia, de morte, de paz.

Antes de cada estação:

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Depois cada estação:

Salvador do mundo, salvai-nos, Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição.

1ª Estação: Jesus é injustamente condenado à morte.

Oração: Guardaste silêncio. Ó Jesus silencioso, ensinai-me a calar e a guardar silêncio, inclusive no sofrimento!

2ª Estação: Jesus carrega a cruz.

Oração: Jesus, ensinai-me a compreender as vossas palavras: “Se alguém quiser me seguir, tome sua cruz e siga-me”.

3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez.

Oração: Jesus, dai-me forças para levantar-me das minhas quedas. Animai-me nos meus desânimos.

4ª Estação: Jesus encontra sua Mãe

Oração: Maria, Mãe! Tu, que vencendo todo temor consolaste o teu Filho no caminho do Calvário, ajuda-me a acolher o teu olhar nas minhas dificuldades e aflições.

5ª Estação: Simão, o cireneu, ajuda Jesus a carregar a cruz.

Oração: Jesus, assim como Simão vos ajudou a carregar a cruz, dai-me a graça de, nas minhas fraquezas e dificuldades, ser por Vós ajudado e, nas fraquezas e dificuldades dos meus irmãos, poder também eu os ajudar.

6ª Estação: A verônica enxuga o rosto de Jesus.

Oração: Jesus, gravai a vossa imagem no meu coração e que eu sempre me lembre dela.

7ª Estação: Jesus, sob o peso da cruz, cai pela segunda vez.

Oração: Jesus, não vos canseis das minhas constantes quedas e dai-me a graça de, seguindo o vosso exemplo, me levantar!

8ª Estação: Jesus consola as santas mulheres de Jerusalém.

Oração: Jesus, ajudai-me a aprender que carregar a vossa cruz é muito maior que todas as honras da terra.

9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez.

Oração: Jesus, que eu não perca a esperança quando experimentar a vossa cruz na minha vida e cair sob seu peso. Dai-me novamente a graça de me levantar.

10ª Estação: Jesus é despojado das suas vestimentas.

Oração: Jesus, despojado de tudo por amor a mim, ajudai-me a desprender-me, por amor a Vós, de todas as criaturas, para que Vós sejais o meu único tesouro.

11ª Estação: Jesus é crucificado.

Oração: Jesus, que carregastes a Cruz sem reclamar, concedei-me jamais queixar-me por coisas vãs, nem de ninguém, nem interiormente.

12ª Estação: Jesus morre na cruz.

Oração: Jesus, concedei-me a graça, no momento da minha morte, de unir-me à vossa própria e de oferecê-la como consumação do meu caminho rumo a Vós.

13ª Estação: O corpo de Jesus é retirado da cruz e recebido por Maria.

Oração: Jesus, que eu possa estar nos braços de Maria nos momentos mais difíceis da minha vida e experimentar sempre a sua proteção amorosa de Mãe.

14ª Estação: O corpo de Jesus é colocado no sepulcro.

Oração: Maria, minha Mãe! Assim como João te acolheu como filho amoroso e fiel após a morte de Jesus, que eu também possa estar sempre contigo como filho amoroso e fiel.

Oração final

Senhor, que a meditação das vossas dores e sofrimentos destrua a minha soberba, suavize o meu coração e o prepare para receber o vosso inesgotável amor e perdão. Que, consciente das minhas quedas e defeitos, em meio às minhas penas e trabalhos, eu vos busque sempre e, contemplando o vosso coração aberto e ferido por amor a mim, mergulhe nele como uma gota de água na imensidão da vossa misericórdia. Amém.


Fonte: Aleteia


 

 

Ninguém te ama como Eu

Neste tempo da Quaresma, somos convidados a considerar mais de perto o segredo íntimo da pessoa de Cristo - no seu Coração - para entender melhor o seu modo de falar, de agir, de entregar-se pela salvação de todos.

Defronte a Cristo, no mistério de seu amor reparador, assinalado pelo Coração transpassado, quiséramos tirar algumas conclusões que assumem para nós mesmos a tonalidade de revisão e de propósito.

Hoje se fala muito de “refontização”, de autenticidade. Acreditamos firmemente, que nenhuma “fonte” devamos buscar com maior sede do que a do seu amor reparador.

Essa fonte descobrimos no “sinal escolhido” por Deus mesmo: na transfixão do Coração do Filho. A autenticidade nos sugere, que é sob essa luz que devemos procurar a restauração nossa e do mundo.

Paulo VI já nos convidava a fazer de novo reflorescer o culto do Sagrado Coração em todas as pessoas... explicando, a todas as categorias de fiéis, de maneira completa e conveniente, os profundos e misteriosos fundamentos doutrinais que esclarecem os tesouros infinitos do amor do Sagrado Coração. Anunciar essas riquezas inesgotáveis de Cristo é dever inalienável de nossa missão profética. Esta é a incumbência de per si bastante óbvia.

Queremos sugerir:

Que se procurem e se adaptem os meios para que os homens modernos não “cavem cisternas estéreis” na busca de Cristo como fonte, mas que se acheguem à verdadeira água viva: através das Escrituras, da Teologia Patrística, dos Escritores espirituais de maior valor, dos documentos do Magistério, da Liturgia. Este é um desafio que nos é lançado.

Que se empreendam estudos bíblicos, patrísticos e históricos sobre este e semelhantes temas em vista de uma utilização dos mesmos na evangelização e na catequese.

Que jamais se abandonem os valores pastorais da fonte inesgotável que é o culto ao Coração de Cristo, sem termos descoberto e concretizado outros valores tão válidos como estes... Seria deixar as pobres ovelhas ao descampado, incorrendo, quem sabe, na triste constatação de Jeremias: “os pequeninos pediram pão e não havia quem lhes distribuísse” (Lamentações de Jeremias 4,4).

Como batizados e ordenados somos configurados a Cristo, enxertados nele, engolfados em sua obra salvífica. Sendo ele fonte reparadora primordial, também nós, como cristãos e sacerdotes, trazemos em nós a exigência da reparação: “Completo em minha carne o que falta às tribulações de Cristo” (Colossenses 1,24). Cabe-nos, primeiramente, “crer no amor de Cristo” (1Jo 4,16), derrubando as barreiras que porventura obstaculizarem a chegada desse amor até os homens, nossos irmãos de hoje. Levar esse amor lá onde mais ausente, nos parece um dos melhores modos de encarar a essência e a exigência da reparação. Aqui os horizontes se alargam e as exigências pastorais se agigantam.

Constata-se, hoje mais do que nunca, uma intensa busca de libertação, libertação de tudo aquilo que fere a dignidade da pessoa humana. Que as perspectivas não se restrinjam, contudo, à libertação meramente humana e terrena: A doutrina de Cristo, fonte reparadora, nos vem recordar a realidade do pecado como negação, obstáculo do amor e, por conseguinte, como o maior fautor de escravidão e de escravização. Viver, propagar e atuar essa doutrina será um dos modos de promover o homem em sua dupla dimensão de homem, chamado à vida e à amizade com Deus.

Deus escolheu a “transfixão de seu Filho” como o caminho para salvar a Humanidade, fazendo nascer dali a Igreja e o dom do Espírito Santo. A nossa responsabilidade pela Igreja, pela própria assistência do Espírito Santo, nos deverá levar espontaneamente para a “fonte de alegria salvífica” ( Is 12,3).

A reparação fontal do Coração de Jesus se situa no plano de uma história-realidade de amor ferido: num clima de amor e de reparação. “Foi necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na glória” (Lc 24,26). Este fato nos leva a unir os nossos sofrimentos, os sofrimentos do mundo inteiro, inserindo-os num clima de amor e reparação, de perspectivas que ultrapassem a nossa própria individualidade.

A pastoral de hoje nos coloca, não raro, diante de um homem angustiado, desesperançado, vazio, exteriorizado. Quer parecer-nos que a reparação fontal de Cristo como “pacificador” seja uma resposta de esperança. A plenitude fontal do seu Coração há de ser um convite e uma realidade de “preenchimento”, de comunicação de valores transcendentais e sobrenaturais. A concentração no lado aberto do Salvador seja um convite de interiorização: “olharão para Aquele que transpassaram” (Jo 19,37). “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Efésios 5,25) até ao ponto de se deixar transpassar por ela.

Que esta verdade nos seja propiciadora de um zelo apostólico incansável e de uma disponibilidade a toda a prova.

Enfim, o pobre, o doente, o desamparado, o injustiçado, o infeliz são a “imagem translúcida do próprio Cristo”. Ao bebermos com alegria da fonte do seu Coração, nos conceda ele a graça de reconhecer esse seu amor–ferido em tantos e tantos dos nossos irmãos... Cristo quer ser ainda hoje, para todos nós, fonte de reparação no coração transpassado de nossos irmãos.

Permitam-me encerrar com esta sincera prece ao Coração de Cristo:

Senhor Jesus, acreditamos e confiamos no amor que o Pai tem para conosco. Acolhemos o vosso convite: “vinde a mim todos. Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. O vosso Coração, humano e Divino, revela o mistério da bondade do Pai, convida à conversão, dá-nos paz e esperança. Do vosso Coração, transpassado na cruz, nasceram a Igreja e os sacramentos.

Queremos beber, com alegria, dessa fonte de salvação. Vemos em vós o modelo do homem novo, criado segundo Deus, em justiça e em verdadeira santidade, o homem de coração novo, a mais perfeita imagem de Deus invisível. O vosso Coração é sinal e convite: nele contemplamos o segredo íntimo de vossa pessoa e não podemos ficar indiferentes diante de vossa solicitude pelos famintos, doentes e pecadores.

Destes a vida, em obediência ao Pai e por amor dos homens. Rezastes e morrestes pela união dos homens com o Pai e dos homens entre si. Vosso caminho é também o nosso caminho. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Amém.


Cardeal D. Eusébio Oscar SCHEID


 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2020

Queridos irmãos e irmãs!

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, perene da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a este Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

O MISTÉRIO PASCAL, FUNDAMENTO DA CONVERSÃO

A alegria do cristão brota da escuta e recepção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o KERYGMA. Este compendia o Mistério dum amor «tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo» (Francisco, Exortação Apostólica Christus vivit, 117). Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do «pai da mentira» (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.

Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123). A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.

URGÊNCIA DA CONVERSÃO

É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível «face a face» com o Senhor crucificado e ressuscitado, «QUE ME AMOU E A SI MESMO SE ENTREGOU POR MIM» (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, está expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De facto, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.

Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

A VONTADE APAIXONADA QUE DEUS TEM DE DIALOGAR COM OS SEUS FILHOS

O fato de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão, não devemos jamais dá-lo como garantido. Esta nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação conosco. Em Jesus crucificado, que Deus «fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21), esta vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um «virar-se de Deus contra Si próprio» (Enc. Deus caritas est, 12). De fato, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5, 43-48).

O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que «não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades» (At 17, 21). Este tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, caracteriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

UMA RIQUEZA QUE DEVE SER PARTILHADA, E NÃO ACUMULADA SÓ PARA SI MESMO

Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.

Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por este motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empreendedores e transformativos, com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.

Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14).

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019,
Memória de Nossa Senhora do Rosário.
Franciscus


Fonte: Vaticano


 

 

Quaresma e Campanha da Fraternidade 2020

Quaresma, tempo de preparação para a festa da Páscoa, é ocasião favorável para revisar a vida e corrigir os rumos da caminhada cristã. Como em outros anos, a Igreja lança a Campanha da Fraternidade que auxilia a viver o espírito da Quaresma. O tema da CF 2020 é “FRATERNIDADE E VIDA: DOM E COMPROMISSO”. O lema é: “VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE”. A seguir proponho alguns pontos de reflexão que podem ser encontrados no Texto Base da CF.

O PRÓXIMO – Um doutor da lei pergunta: quem é o meu próximo? E Jesus responde narrando a parábola do Bom Samaritano. A parábola inverte a pergunta. Não se trata tanto de saber quem é o próximo, mas ser o próximo de quem se encontra em necessidade. Não basta ter um conceito e manter-se indiferente, como o sacerdote e o levita da parábola. Para ser próximo do outro é preciso ter compaixão. “PROXIMIDADE, AFINIDADE E SERVIÇO”, segundo Papa Francisco, são os critérios para a ação pastoral.

A partir das atitudes do Bom Samaritano é possível estabelecer um programa quaresmal com os seguintes passos.

1) Dedicar-se à escuta da Palavra que converte o coração;
2) Ter verdadeira atenção para com o outro;
3) Romper com a indiferença frente ao sofrimento do outro;
4) Ser disponível para o serviço.

A Quaresma é um caminho que conduz à vida nova revelada na Páscoa. Este caminho pede jejum, oração e esmola. O JEJUM ajuda a esvaziar-se de si e abrir-se ao outro. A ORAÇÃO é aproximação, nova relação, ocasião em que se é tocado pelo amor de Deus. A ESMOLA é partilha de vida, cuidado amoroso; é encontro com o próximo é exercício do compromisso. Para o outro, o próximo é cada um de nós.

Quaresma é tempo de exercitar o olhar. Olhar é interessar-se pelo outro e pelo mundo em que se vive. É tempo de evitar o olhar que expressa indiferença, ódio, desprezo, tristeza, maldade, mentira. É importante aprender a ter o olhar do Bom Samaritano: olhar com interesse, com alegria, com esperança, com confiança, com compaixão, com perdão e verdade.


Dom Wilson Tadeu Jönck

Arcebispo de Florianópolis

: