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A Palavra

I Domingo da Quaresma (Ano A)

No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “CONVERSÃO” – isto é, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas, a concretizar no mundo – com fidelidade – os seus projetos.
A primeira leitura afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho e de prepotência e construímos caminhos de sofrimento e de morte.
A segunda leitura propõe-nos dois exemplos: Adão e Jesus. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive na obediência aos projetos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o esquema de Jesus gera vida plena e definitiva.
O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou – de forma absoluta – uma vida vivida à margem de Deus e dos seus projetos. A Palavra de Deus garante que, na perspectiva cristã, uma vida que ignora os projetos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido; e que toda a tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação diabólica e que o cristão deve, firmemente, rejeitar.

 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência    


Primeira Leitura
CRIAÇÃO E PECADO DOS PRIMEIROS PAIS.
Leitura do Livro Gênesis (2,7-9; 3,1-7)


7O Senhor Deus formou o homem do pó da terra,
soprou-lhe nas narinas o sopro da vida
e o homem tornou-se um ser vivente.
8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden,
ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado.
9E o Senhor Deus fez brotar da terra
toda sorte de árvores de aspecto atraente
e de fruto saboroso ao paladar,
a árvore da vida no meio do jardim
e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
3.1A serpente era o mais astuto de todos os animais dos
campos que o Senhor Deus tinha feito.
Ela disse à mulher:
'É verdade que Deus vos disse:
'Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?' '
2E a mulher respondeu à serpente:
'Do fruto das árvores do jardim, nós podemos comer.
3Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim,
Deus nos disse:
'Não comais dele nem sequer o toqueis,
do contrário, morrereis.''
4A serpente disse à mulher:
'Não, vós não morrereis.
5Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes,
vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus
conhecendo o bem e o mal'.
6A mulher viu que seria bom comer da árvore,
pois era atraente para os olhos
e desejável para se alcançar conhecimento.
E colheu um fruto,
comeu e deu também ao marido, que estava com ela,
e ele comeu.
7Então, os olhos dos dois se abriram;
e, vendo que estavam nus,
teceram tangas para si com folhas de figueira.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - De onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? São perguntas eternas que o homem, de todos os tempos, coloca a si próprio. A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde: DEUS É A NOSSA ORIGEM E O NOSSO ÚLTIMO DESTINO. Não somos um minúsculo e insignificante grão de areia perdido numa galáxia qualquer; mas somos seres que Deus criou com amor, a quem Ele deu o seu próprio “SOPRO”, a quem animou com a sua própria vida. O fim último da nossa existência não é o fracasso, a dissolução no nada, mas a vida definitiva, a felicidade sem fim, a comunhão plena com Deus.

02 - Como é que chegamos a essa felicidade que está inscrita no projeto que Deus tem para os homens e para o mundo? Deus nada impõe e respeita sempre – de forma absoluta – a nossa liberdade; no entanto, insiste em mostrar-nos, todos os dias, o caminho para essa plenitude de vida que Ele sonhou para os homens. Quando aceitamos a nossa condição de criaturas e reconhecemos em Deus esse Pai que nos dá vida, que nos ama e que nos indica caminhos de realização e de felicidade, construímos uma existência harmoniosa, um “PARAÍSO” onde encontramos vida, harmonia, felicidade e realização.

03 - E o mal que vemos, todos os dias, tornar sombria e deprimente essa “casa” que é o mundo: vem de Deus ou do homem? A Palavra de Deus responde: O MAL NUNCA VEM DE DEUS; o mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso egoísmo e autossuficiência. Quando o homem escolhe viver orgulhosamente só, ignorando as propostas de Deus e prescindindo do amor, constrói cidades de egoísmo, de injustiça, de prepotência, de sofrimento, de pecado… Quais os caminhos que eu escolho? As propostas de Deus fazem sentido e são, para mim, indicações seguras para a felicidade, ou prefiro ser eu próprio a fazer as minhas escolhas, prescindindo das indicações de Deus?


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Salmo Responsorial
PIEDADE, Ó SENHOR, TENDE PIEDADE,
POIS PECAMOS CONTRA VÓS.

Sl 50,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a)


3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
4Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa! 

PIEDADE, Ó SENHOR, TENDE PIEDADE,
POIS PECAMOS CONTRA VÓS.

5Eu reconheço toda a minha iniquidade,*
o meu pecado está sempre à minha frente.
6Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,*
e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! 

PIEDADE, Ó SENHOR, TENDE PIEDADE,
POIS PECAMOS CONTRA VÓS.

12Criai em mim um coração que seja puro,*
dai-me de novo um espírito decidido.
13Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,*
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! 

PIEDADE, Ó SENHOR, TENDE PIEDADE,
POIS PECAMOS CONTRA VÓS.

14Dai-me de novo a alegria de ser salvo*
e confirmai-me com espírito generoso!
17Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,*
e minha boca anunciará vosso louvor! 

PIEDADE, Ó SENHOR, TENDE PIEDADE,
POIS PECAMOS CONTRA VÓS.


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Segunda Leitura
ONDE O PECADO ABUNDOU SUPERABUNDOU A GRAÇA.
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (5,12-19)


Irmãos:
12Consideremos o seguinte:
O pecado entrou no mundo por um só homem.
Através do pecado, entrou a morte.
E a morte passou para todos os homens,
porque todos pecaram...
13Na realidade, antes de ser dada a Lei,
já havia pecado no mundo.
Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei.
14No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés,
mesmo sobre os que não pecaram como Adão, - o qual
era a figura provisória daquele que devia vir -.
15Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus
seja comparável à falta de Adão!
A transgressão de um só
levou a multidão humana à morte, mas
foi de modo bem mais superior que a graça de Deus,
ou seja, o dom gratuito
concedido através de um só homem,
Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos.
16Também, o dom é muito mais eficaz
do que o pecado de um só.
Pois a partir de um só pecado
o julgamento resultou em condenação,
mas o dom da graça frutifica em justificação,
a partir de inúmeras faltas.
17Por um só homem, pela falta de um só homem,
a morte começou a reinar.
Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só,
Jesus Cristo, os que recebem o dom
gratuito e superabundante da justiça.
18Como a falta de um só acarretou condenação
para todos os homens,
assim o ato de justiça de um só trouxe,
para todos os homens, a justificação que dá a vida.
19Com efeito, como pela desobediência de um só homem
a humanidade toda foi estabelecida numa situação de
pecado, assim também, pela obediência de um só,
toda a humanidade passará para uma situação de justiça.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - A modernidade ensinou-nos que a fonte da salvação não é Deus, mas o homem e as suas conquistas. Disse-nos que as propostas de Deus são resquícios de uma época pré-científica, obscurantista, ultrapassada, e que a plenitude da vida está no corte radical com qualquer autoridade exterior à nossa Razão – inclusive com Deus. Exaltou o individualismo e a autossuficiência e ensinou-nos que só nos realizaremos totalmente se formos nós – orgulhosamente sós – a definir o nosso caminho e o nosso destino. No entanto, onde nos leva esta cultura que prescinde de Deus e das suas sugestões? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz, ou tem potenciado o aparecimento de homens perdidos e sem referências, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salvação e que saem dessa experiência de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados?

02 - Alguns acontecimentos que marcam a história do nosso tempo confirmam que uma história construída à margem das propostas de Deus é uma história marcada pelo egoísmo, pela injustiça, pela prepotência e, portanto, é uma história de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos… Qual é o nosso papel de crentes, neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da história e a as suas propostas sejam acolhidas?


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Evangelho
JESUS JEJUOU DURANTE QUARENTA DIAS E FOI TENTADO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (4,1-11)


Naquele tempo:
1o Espírito conduziu Jesus ao deserto,
para ser tentado pelo diabo.
2Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites,
e, depois disso, teve fome.
3Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus:
'Se és Filho de Deus,
manda que estas pedras se transformem em pães!'
4Mas Jesus respondeu: 'Está escrito:
'Não só de pão vive o homem,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus'.'
5Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa,
colocou-o sobre a parte mais alta do Templo,
6e lhe disse: 'Se és Filho de Deus,
lança-te daqui abaixo!
Porque está escrito:
'Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito,
e eles te levarão nas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra'.'
7Jesus lhe respondeu: 'Também está escrito:
'Não tentarás o Senhor teu Deus!''
8Novamente, o diabo levou Jesus para um monte
muito alto.
Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória,
9e lhe disse: 'Eu te darei tudo isso,
se te ajoelhares diante de mim, para me adorar.'
10Jesus lhe disse: 'Vai-te embora, Satanás,
porque está escrito:
'Adorarás ao Senhor teu Deus
e somente a ele prestarás culto.'
11Então o diabo o deixou.
E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A questão essencial que a Palavra de Deus hoje nos propõe é, portanto, esta: JESUS RECUSOU, DE FORMA ABSOLUTA, CONDUZIR A SUA VIDA À MARGEM DE DEUS E DAS SUAS PROPOSTAS. Para Ele, só uma coisa é verdadeiramente decisiva e fundamental: A COMUNHÃO COM O PAI E O CUMPRIMENTO OBEDIENTE DO SEU PROJETO… E nós, seguidores de Jesus? É essa também a nossa perspectiva? O que é que é decisivo na minha vida: as propostas de Deus, ou os meus projetos pessoais?

02 - Quando o homem esquece Deus e das suas propostas, e se fecha no egoísmo e na autossuficiência, facilmente cai na escravidão de outros deuses que, no entanto, estão longe de assegurar vida plena e felicidade duradoura. Quais são os deuses que, hoje, dominam o horizonte desse homem moderno que prescindiu de Deus? Quais são os deuses que estão no centro da minha própria vida e que condicionam as minhas decisões e opções? Deixar-se conduzir pela tentação dos bens materiais, do acumular mais e mais, do subordinar toda a vida à lógica do “ter mais”, é seguir o caminho de Jesus? Olhar apenas para o seu próprio conforto e comodidade, fechar-se à partilha e às necessidades dos outros, pagar salários de miséria e malbaratar fortunas em noitadas de jogo ou em coisas supérfluas… é seguir o exemplo de Jesus?

03 - Usar Deus ou os seus dons para saciar a nossa vaidade, para promover o nosso êxito pessoal, para brilhar, para dar espetáculo, para levar os outros a admirar-nos e a bater-nos palmas… é seguir o exemplo de Jesus?

04 -Procurar o poder a todo o custo (entregando ao diabo os nossos valores mais importantes e as nossas convicções mais sagradas) e exercê-lo com prepotência, com intolerância, com autoritarismo (quantas vezes humilhando e magoando os pobres, os débeis, os humildes)… é seguir o exemplo de Jesus?


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Comentário
AS TENTAÇÕES...


No começo da Quaresma a Igreja sempre nos propõe a mesma leitura do Evangelho: O RELATO DAS TENTAÇÕES DE JESUS. O Evangelho poderia dar motivo para falar das tentações e daí passaria a falar do pecado. Mais verdadeiramente esse Evangelho se orienta para outro ponto: as tentações foram para Jesus a oportunidade para descobrir ou reafirmar sua própria identidade. Qual era sua relação com Deus, a quem chamava Pai (Abbá)? Como devia realizar sua missão de anunciar o Reino? Deveria ser servido do poder e da força para arrastar às massas a crer nele e no Reino que anunciava? Todas estas questões são as que estão em jogo no relato das tentações. Todas essas questões foram cruciais para Jesus. Foi um momento “CHAVE” em sua vida. Compreendeu que seu futuro não era ser “carpinteiro” em Nazaré. Deu-se conta de que sua vocação era fazer presente ao mundo, em seu mundo, o amor de Deus, desse Deus que era para ele Pai de Amor e Misericórdia. Mas, como? Sem dúvida que Jesus refletiu muito seriamente sobre este ponto. Era o sentido de sua vida, seu futuro, o que estava em jogo.

Essa reflexão, que sem dúvida não teve lugar em uma noite, nos têm relatado os evangelistas em um estilo de novela, falando das tentações que sofreu Jesus. Sem dúvida, Jesus levantou essas questões no início de sua vida pública. Ou ao final daqueles trinta anos de vida escondida em Nazaré. Para ele a conclusão foi clara: não se tratava de usar o poder que Deus lhe tinha conferido nem de abusar de seu nome. Aquele a quem Jesus conhecia como Pai reconhece e respeita a liberdade humana. O Deus de Jesus não manipula as consciências de ninguém. Quer ser aceito livremente como Deus e Pai de todos. A partir desse momento a missão de Jesus esteve caracterizada pela singeleza do anúncio, pela proximidade com todos, pelo encontro humano, cheio de misericórdia e compaixão, com todos os homens e mulheres, especialmente com os que sofriam. Por isso, Jesus terminou revelando Deus mais por seu estilo de vida, por sua forma de se comportar que por seus discursos. Estes, os discursos, não são mais que um reflexo de sua vida, de sua experiência de Deus.

Também nós podemos ver as tentações que padecemos desde essa perspectiva. São as oportunidades para nos esclarecer sobre quem somos, sobre o sentido de nossa vida, sobre o que queremos ser. São momentos “CHAVES” que encontramos em um cruzamento de caminhos. Temos que tomar uma decisão que marcará nossas vidas, nosso futuro, nossa forma de ser. Ao ser tentado damo-nos conta de que somos livres, de que há outras possibilidades pelas quais podemos optar. É um momento no qual nos fazemos livres e donos de nossa vida. Em nossas mãos está a decisão. E dela somos responsáveis.

Sentimo-nos alguma vez nessa encruzilhada em que nosso futuro depende de nossa decisão? Somos conscientes das consequências para nossa vida da decisão que tomamos? Recorremos à oração para ter mais luz nesses momentos?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

Quarta-feira de Cinzas da Quaresma

Iniciamos hoje a Quaresma, que é tempo de escuta da Palavra, de oração, de jejum, e da prática da caridade como caminho de conversão, tendo como horizonte a celebração do Mistério Pascal de nosso Senhor Jesus Cristo, queremos com Jesus realizar nossa passagem da morte para a vida plena. Este tempo de graça e reconciliação se inicia com a celebração das Cinzas: apelo para a conversão e convite à revisão de nossas atitudes.

Durante a Quaresma, a CNBB promove a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade é ajudar-nos a assumir a dimensão pessoal, comunitária e social da Quaresma. Neste ano, o tema é “FRATERNIDADE E VIDA: DOM E COMPROMISSO”. E o lema, “VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE” Mateus (23,8). A CF 2020, ao tratar da vida como Dom e Compromisso, nos convida a uma conversão pessoal, comunitária, social e conceitual em relação à justiça que nutrimos. A missão do discípulo missionário de Jesus Cristo é revelar ao mundo o rosto da misericórdia, valorizar a vida e promover a justiça misericordiosa, redescobrindo a caridade não só como inspiradora da ação individual, mas, também, como força capaz de suscitar novas vias de enfrentamento dos problemas do mundo de hoje, renovando as estruturas, organizações sociais e ordenamentos jurídicos. Nesta perspectiva, a caridade se torna social. A caridade social nos leva a amar o bem comum e a buscar efetivamente o bem das pessoas, consideradas não só individualmente, mas também na dimensão social que as une. Assim, na tradição cristã, a justiça jamais estará desvinculada da caridade.

A caridade deve animar a fé e a existência dos fiéis leigos, consequentemente, também, a sua atividade política vivida com caridade social. A caridade, portanto, é o princípio não só das relações pessoais, mas também das relações sociais, econômicas e políticas. A verdadeira caridade é também ofertar um coração capaz de escutar o outro. A Igreja samaritana, sinal da caridade e misericórdia de Cristo vai além das aparências.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
O CORAÇÃO E NÃO AS VOSSAS VESTES.
Leitura da Profecia de Joel (2,12-18)


12'Agora, diz o Senhor,
voltai para mim com todo o vosso coração,
com jejuns, lágrimas e gemidos;
13rasgai o coração, e não as vestes;
e voltai para o Senhor, vosso Deus;
ele é benigno e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia,
inclinado a perdoar o castigo'.
14Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa,
e deixa atrás de si a bênção,
oblação e libação
para o Senhor, vosso Deus?
15Tocai trombeta em Sião,
prescrevei o jejum sagrado,
convocai a assembleia;
16congregai o povo,
realizai cerimônias de culto,
reuni anciãos,
ajuntai crianças e lactentes;
deixe o esposo seu aposento,
e a esposa, seu leito.
17Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar,
os ministros sagrados do Senhor, e digam:
'Perdoa, Senhor, a teu povo,
e não deixes que esta tua herança sofra infâmia
e que as nações a dominem.'
Por que se haveria de dizer entre os povos:
'Onde está o Deus deles?'
18Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra
e perdoou ao seu povo.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
MISERICÓRDIA, Ó SENHOR, POIS PECAMOS.
Sl 50 (51), 3-4. 5-6a. 12-13. 14.17 (R.Cf.3a)


3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
4Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa! 

MISERICÓRDIA, Ó SENHOR, POIS PECAMOS.

5Eu reconheço toda a minha iniquidade,*
o meu pecado está sempre à minha frente.
6aFoi contra vós, só contra vós, que eu pequei,*
pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

MISERICÓRDIA, Ó SENHOR, POIS PECAMOS.

12Criai em mim um coração que seja puro,*
dai-me de novo um espírito decidido.
13Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,*
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! 

MISERICÓRDIA, Ó SENHOR, POIS PECAMOS.

14Dai-me de novo a alegria de ser salvo*
e confirmai-me com espírito generoso!
17Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,*
e minha boca anunciará vosso louvor! 

MISERICÓRDIA, Ó SENHOR, POIS PECAMOS.


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Segunda Leitura
RECONCILIAI-VOS COM DEUS.
É AGORA O MOMENTO FAVORÁVEL.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (5,20 - 6,2)


Irmãos:
20Somos embaixadores de Cristo,
e é Deus mesmo que exorta através de nós.
Em nome de Cristo, nós vos suplicamos:
deixai-vos reconciliar com Deus.
21Aquele que não cometeu nenhum pecado,
Deus o fez pecado por nós,
para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.
6,1Como colaboradores de Cristo,
nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus,
2pois ele diz: 'No momento favorável, eu te ouvi
e no dia da salvação, eu te socorri'.
É agora o momento favorável,
é agora o dia da salvação.
Palavra do Senhor.


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Evangelho
E O TEU PAI, QUE VÊ O QUE ESTÁ
ESCONDIDO, TE DARÁ A RECOMPENSA.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (6,1-6.16-18)


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
1'Ficai atentos
para não praticar a vossa justiça na frente dos homens,
só para serdes vistos por eles.
Caso contrário, não recebereis a recompensa
do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola,
não toques a trombeta diante de ti,
como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
3Ao contrário, quando deres esmola,
que a tua mão esquerda não saiba
o que faz a tua mão direita,
4de modo que, a tua esmola fique oculta.
E o teu Pai, que vê o que está oculto,
te dará a recompensa.
5Quando orardes,
não sejais como os hipócritas,
que gostam de rezar em pé,
nas sinagogas e nas esquinas das praças,
para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
6Ao contrário, quando tu orares,
entra no teu quarto, fecha a porta,
e reza ao teu Pai que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
16Quando jejuardes,
não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas.
Eles desfiguram o rosto,
para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo:
Eles já receberam a sua recompensa.
17Tu, porém, quando jejuares,
perfuma a cabeça e lava o rosto,
18para que os homens não vejam
que tu estás jejuando,
mas somente teu Pai, que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
Palavra da Salvação.


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Comentário
Converte-te e acredita no Evangelho


Ó DEUS, CRIAI EM MIM UM CORAÇÃO PURO / E RENOVAI NO MEU PEITO UM ESPÍRITO FIRME. / NÃO ME REJEITEIS PARA LONGE DA VOSSA FACE, / NÃO RETIREIS DE MIM O VOSSO SANTO ESPÍRITO (Sl 51 [50], 12-13).

É assim que hoje, Quarta-Feira de Cinzas, reza o Salmista, o Rei Davi: Rei de Israel grande e poderoso, mas ao mesmo tempo frágil e pecador. No início destes quarenta dias de preparação para a Páscoa, a Igreja deposita as suas palavras nos lábios de todos aqueles que participam na austera Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas.

"CRIAI EM MIM UM CORAÇÃO PURO... NÃO RETIREIS DE MIM O VOSSO SANTO ESPÍRITO". Ouviremos ecoar esta invocação no nosso coração, enquanto daqui a pouco nos aproximaremos do altar do Senhor para receber, segundo uma antiquíssima tradição, as cinzas sobre a cabeça. Trata-se de um gesto rico de referências espirituais, um importante sinal de conversão e de renovação interior. Se for considerado em si mesmo, é um rito litúrgico simples, e contudo mais profundo do que nunca pelo conteúdo penitencial que exprime: com ele a Igreja recorda ao homem crente e pecador a sua fragilidade diante do mal e, sobretudo, a sua total dependência da infinita majestade de Deus.

A Liturgia prevê que o celebrante, ao impor as cinzas sobre a cabeça dos fiéis, pronuncie as palavras: "recorda-te que és pó, e pó te hás-de tornar", ou então, "converte-te e acredita no evangelho".

RECORDA-TE QUE... PÓ TE HÁS-DE TORNAR.                  

Desde o princípio a existência terrestre está inserida na perspectiva da morte. O nosso corpo é mortal, ou seja, assinalado pela inevitável perspectiva da morte. Vivemos com esta meta diante de nós: cada dia que passa nos aproximamos dela com progressão irrefreável. E a morte tem em si um pouco da aniquilação. Com a morte, parece que tudo termina para nós. E eis que, precisamente perante esta desconsoladora perspectiva, o homem consciente do seu pecado eleva um brado de esperança ao céu: "Ó Deus, criai em mim um coração puro, e renovai no meu peito um espírito firme. Não me rejeiteis para longe da vossa face, não retireis de mim o vosso santo espírito".

Também hoje o fiel, que se sente ameaçado pelo mal e pela morte, assim invoca a Deus, pois sabe que lhe é reservado um destino de vida eterna. Sabe que não é apenas um corpo condenado à morte por causa do pecado, mas que possui também uma alma imortal. Por isso, dirige-se a Deus Pai, que tem o poder de criar a partir de nada; a Deus Filho unigénito que, fazendo-se homem para a nossa salvação, morreu por nós e agora, ressuscitado, vive na glória; a Deus Espírito imortal, que chama à existência e volta a dar a vida.

"Criai em mim um coração puro, e renovai no meu peito um espírito firme". A Igreja inteira faz sua esta oração do Salmista. Trata-se de palavras proféticas, que penetram no nosso espírito neste dia singular, primeiro no itinerário quaresmal que nos há-de levar à celebração da Páscoa.

CONVERTE-TE E ACREDITA NO EVANGELHO.

Este convite, que encontramos no início da pregação de Jesus, introduz-nos no tempo quaresmal, período a dedicar de maneira especial à conversão e à renovação, à oração, ao jejum e às obras de caridade. Recordando a experiência do povo eleito, preparamo-nos como que para repercorrer o mesmo caminho que Israel realizou através do deserto rumo à Terra Prometida. Também nós alcançaremos a meta; depois destas semanas de penitência, experimentaremos o júbilo da Páscoa. Purificados pela oração e pela penitência, os nossos olhos poderão contemplar com maior clarividência o rosto de Deus vivo, rumo ao qual o homem realiza a própria peregrinação ao longo das veredas da existência terrena.

"Não me rejeiteis para longe da vossa face, não retireis de mim o vosso santo espírito" o homem, criado não para a morte mas para a vida, reza precisamente assim. Não obstante esteja consciente das suas fragilidades, caminha sustentado pela certeza do destino divino.

Queira Deus Todo-Poderoso escutar as invocações da Igreja que, na hodierna Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, dirige com maior confiança a sua alma rumo ao alto. O Senhor misericordioso conceda a todos nós abrir o coração ao dom da sua graça, a fim de podermos participar com uma nova maturidade no mistério pascal de Cristo, nosso único Redentor.


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FONTES DE REFERENCIA


Liturgia Diária – CNBB
Vaticano – Homilias do Papa João Paulo II
Resumo do texto-base da Campanha da Fraternidade 2020

 

 

 

VII Domingo do Tempo Comum (Ano A)

A liturgia do convida-nos à santidade, à perfeição. Sugere que o “CAMINHO CRISTÃO” é um caminho nunca acabado, que exige de cada homem ou mulher, em cada dia, um compromisso sério e radical (feito de gestos concretos de amor e de partilha) com a dinâmica do “Reino”. Somos, assim, convidados a percorrer o nosso caminho de olhos postos nesse Deus santo que nos espera no final da viagem.

A primeira leitura que nos é proposta apresenta um apelo veemente à santidade: viver na comunhão com o Deus santo, exige o ser santo. Na perspectiva do autor do nosso texto, a santidade passa também pelo amor ao próximo.

No Evangelho, Jesus continua a propor aos discípulos, de forma muito concreta, a sua Lei da santidade (no contexto do “sermão da montanha”). Hoje, Ele pede aos seus que aceitem inverter a lógica da violência e do ódio, pois esse “caminho” só gera egoísmo, sofrimento e morte; e pede-lhes, também, o amor que não marginaliza nem discrimina ninguém (nem mesmo os inimigos). É nesse caminho de santidade que se constrói o “Reino”.

Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto - e os cristãos de todos os tempos e lugares – a serem o lugar onde Deus reside e Se revela aos homens. Para que isso aconteça, eles devem renunciar definitivamente à “sabedoria do mundo” e devem optar pela “sabedoria de Deus” (que é dom da vida, amor gratuito e total).


 

 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
AMARÁS A TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO!
Leitura do Livro do Levítico (19,1-2.17-18)


1O Senhor falou a Moisés, dizendo:
2'Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel,
e dize-lhes:
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.
17Não tenhas no coração ódio contra teu irmão.
Repreende o teu próximo,
para não te tornares culpado de pecado por causa dele.
18Não procures vingança, nem guardes rancor
dos teus compatriotas.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Eu sou o Senhor.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - “SEDE SANTOS PORQUE EU, O VOSSO DEUS, SOU SANTO”. Porque é que o convite à santidade soa como algo de estranho para os homens de hoje? Porque certa mentalidade contemporânea vê os santos como extraterrestres, seres estranhos que pairam um pouco acima das nuvens sem se misturar com os outros seus irmãos e que passam ao lado dos prazeres da vida, ocupados em conquistar o céu a golpes de renúncia, de sacrifício e de longos trabalhos ascéticos… No entanto, a santidade não é uma anormalidade, mas uma exigência da comunhão com Deus. É o “ESTADO NORMAL” de quem se identifica com Cristo, assume a sua filiação divina e pretende caminhar ao encontro da vida plena, do Homem Novo. A santidade é algo que está no meu horizonte diário e que eu procuro construir, minuto a minuto, sem dramas nem exaltações, com simplicidade e naturalidade, na fidelidade aos meus compromissos?

02 - Como o nosso texto deixa claro, ser santo não significa viver de olhos voltados para Deus esquecendo os homens; mas a santidade implica um real compromisso com o mundo. Passa pela construção de uma vida de verdadeira relação com os irmãos; e isso implica o banimento de qualquer tipo de agressividade, de vingança, de rancor; implica uma preocupação real com a felicidade e a realização do outro (“corrigirás o teu próximo”); implica amar o outro como a si mesmo. Tenho consciência de que não posso ser santo se o amor não se derramar dos meus gestos e das minhas palavras? Tenho consciência de que não posso ser santo se vivo fechado em mim mesmo, na indiferença para com os meus irmãos (ainda que reze muito)?


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Salmo Responsorial
BENDIZE Ó MINH'ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!
Sl 102,1-2.3-4.8.10.12-13 (R.1a.8a)


BENDIZE Ó MINH'ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!

Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e todo o meu ser, seu santo nome!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!
BENDIZE Ó MINH'ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!

Pois ele te perdoa toda culpa,
e cura toda a tua enfermidade;
da sepultura ele salva a tua vida
e te cerca de carinho e compaixão.

BENDIZE Ó MINH'ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!

O Senhor é indulgente, é favorável,
é paciente, é bondoso e compassivo.
Não nos trata como exigem nossas faltas,
nem nos pune em proporção às nossas culpas.

BENDIZE Ó MINH'ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!

quanto dista o nascente do poente,
tanto afasta para longe nossos crimes.
Como um pai se compadece de seus filhos,
o Senhor tem compaixão dos que o temem.

BENDIZE Ó MINH'ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!


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Segunda Leitura
TUDO É VOSSO. MAS VÓS SOIS DE
CRISTO, E CRISTO É DE DEUS.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (3,16-23)


Irmãos:
16Acaso não sabeis que sois santuário de Deus
e que o Espírito de Deus mora em vós?
17Se alguém destruir o santuário de Deus,
Deus o destruirá,
pois o santuário de Deus é santo,
e vós sois esse santuário.
18Ninguém se iluda:
Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste
mundo, reconheça sua insensatez,
para se tornar sábio de verdade;
19pois a sabedoria deste mundo
é insensatez diante de Deus.
Com efeito, está escrito:
'Aquele que apanha os sábios em sua própria astúcia',
20e ainda:
'O Senhor conhece os pensamentos dos sábios;
sabe que são vãos'.
21Portanto,
que ninguém ponha a sua glória em homem algum.
Com efeito, tudo vos pertence:
22Paulo, Apolo, Cefas,
o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro;
tudo é vosso,
23mas vós sois de Cristo,
e Cristo é de Deus.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - OS CRISTÃOS SÃO TEMPLO DE DEUS, ONDE RESIDE O ESPÍRITO. Isso quer dizer, concretamente que animados pelo Espírito, eles têm de ser o sinal vivo de Deus e as testemunhas da sua salvação diante dos homens do nosso tempo. O testemunho que damos, pessoalmente, fala de um Deus cheio de amor e de misericórdia, que tem um projeto de salvação e libertação para oferecer – sobretudo aos pobres e marginalizados, aqueles que mais necessitam de salvação. No nosso ambiente familiar, no nosso espaço de trabalho, no nosso círculo de amigos, somos o rosto acolhedor e alegre de Deus, as mãos fraternas de Deus, o coração bondoso e terno de Deus?

02 - A nossa comunidade paroquial é uma comunidade fraterna, solidária, e que dá testemunho da LOUCURA DA CRUZcom gestos concretos de amor, de partilha, de doação, de serviço, ou é uma comunidade fragmentada, dividida, cheia de contradições, onde cada membro puxa para o seu lado, ao sabor dos interesses pessoais?  O que é que preside à minha vida: a “SABEDORIA DE DEUSque é amor e dom da vida, ou a “sabedoria do mundo”, que é luta sem regras pelo poder, pela influência, pelo reconhecimento social, pelo bem estar econômico, pelos bens perecíveis e secundários?


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Evangelho
AMAI OS VOSSOS INIMIGOS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (5,38-48)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
38Vós ouvistes o que foi dito:
'Olho por olho e dente por dente!'
39Eu, porém, vos digo:
Não enfrenteis quem é malvado!
Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face
direita, oferece-lhe também a esquerda!
40Se alguém quiser abrir um processo
para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
41Se alguém te forçar a andar um quilômetro,
caminha dois com ele!
42Dá a quem te pedir
e não vires as costas a quem te pede emprestado.
43Vós ouvistes o que foi dito:
'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!'
44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos
e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos
do vosso Pai que está nos céus,
porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons,
e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
46Porque, se amais somente aqueles que vos amam,
que recompensa tereis?
Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
47E se saudais somente os vossos irmãos,
o que fazeis de extraordinário?
Os pagãos não fazem a mesma coisa?
48Portanto, sede perfeitos
como o vosso Pai celeste é perfeito.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Este Evangelho recorda-me que, ao aceitar o desafio de viver em comunhão com Deus, eu sou chamado a dar testemunho da vida de Deus diante de todos os meus irmãos e a ser um sinal vivo de Deus, do seu amor, da sua perfeição, da sua santidade, no meio do mundo. Aceito esse desafio e estou disposto a corresponder-lhe?

02 - A leitura que nos foi proposta coloca, mais uma vez, como cenário de fundo, as exigências do compromisso com o “REINO”. Sugere que viver na dinâmica do “REINO” implica, não o cumprimento de ritos ou de leis, mas uma atitude nova, revolucionária, que é resultado de um compromisso interior com Deus verdadeiramente assumido, e manifestado em atitudes concretas. Exige a superação de uma religião feita de leis, de códigos, de ritos, de gestos externos e o viver em comunhão com Deus, de tal forma que a vida de Deus encha o coração do crente e transborde em gestos de amor para com os irmãos. O que é que define a minha atitude religiosa: o cumprimento dos ritos, a letra da lei, ou a comunhão com Deus que enche o meu coração de vida nova e que depois se expressa em atitudes de amor radical para com os irmãos?

03 - Jesus pede aos que aceitaram embarcar na aventura do “REINO”, a superação de uma lógica de vingança, de responder na mesma moeda, de não resposta às provocações, que inverta a espiral de violência e que inaugure um novo espírito nas relações entre os homens. Não é, no entanto, esta a lógica do mundo, mesmo do mundo “cristão”: em nome do direito de legítima defesa ou do direito de resposta, as nações em geral e as pessoas em particular recusam enveredar por uma lógica de paz e respondem ao mal com um mal ainda maior. Como é que eu vejo a questão da violência, do terrorismo, da guerra? Tenho consciência de que a lógica da violência, da vingança, não tem nada a ver com os métodos do “REINO”? O que é que é mais questionante, interpelador e transformador: a violência das armas, ou a violência desarmada do amor?

04 - Jesus pede, também, aos participantes do “REINO” o amor a todos, inclusive aos inimigos, subvertendo completamente a lógica do mundo. Como é que eu me situo em face disto? A minha atitude é a de quem não exclui nem discrimina ninguém, mesmo aqueles de quem não gosto, mesmo aqueles contra quem tenho razões de queixa, mesmo aqueles que não compreendo, mesmo aqueles que assumem atitudes opostas a tudo em que eu acredito?


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Comentário
AMAR É PERDOAR


No evangelho de hoje, o Sermão da Montanha chega à sua plenitude. Depois de falar da lei, de como devemos ir além da letra para cumpri-la radicalmente, nos mostra qual é o centro da lei: o AMOR. O que Jesus disse em palavras é também a norma da sua vida. E, ao vivê-la Ele revela a Deus, seu Pai, que Ele não é outra coisa senão AMOR.

O amor que Jesus nos convida a viver como a lei fundamental de nossa vida é universal. Chega a todos sem exceção. Os amigos (quem não ama os amigos?) e aos inimigos (isso já é mais difícil). É um amor sólido. Jesus nos dá exemplos que chegam a nossa vida diariamente. Para iniciar, declara invalida aquela norma tantas vezes repetida: “olho por olho e dente por dente”. Infelizmente são muitos que seguem aplicando esta norma. Dessa maneira, a violência nunca se detém.  E todos tem alguma razão para seguir vingando-se dos que lhe fizeram algum mal. É como uma espiral que sempre cresce. É o que temos feito ao longo dos séculos da humanidade, marcando com sangue e guerras a nossa historia. 

Jesus propõe uma saída para esse labirinto no qual estamos perdidos. Diz-nos que AMAR É PERDOAR.  Que não devemos ter rancor nem pensamentos de vingança. Ao perdoar a espiral do ódio é rompida. O outro, que nos ofendeu porque tinha se sentido ofendido por nos, já não terá razão para seguir guardando rancor nem para vingar-se. É como se Jesus desarmasse o gatilho de uma bomba. Sem o gatilho a bomba já não explode e nada destrói.

Devemos ser fortes para escutar a mensagem de Jesus com o coração aberto e ser mais forte ainda para levá-la à prática. Devemos ser fortes para deixar a provocação sem resposta. Devemos ser muito mais fortes para fazer isso do que responder com mais violência. 

A segunda leitura nos diz que o ESPIRITO HABITA EM NÓS. Talvez seja essa a força que nos ajude a perdoar como Deus nos perdoa, a amar como Deus nos ama, e não deixar que os rancores encham o coração de amargura (no fundo rancores e ódios que fazem mais mal a nós do que aos outros). O Espirito de Deus está em nós e, se nos deixar levar por ele, encontraremos a força para amar e perdoar no  dia a dia de nossas vidas.

Tenho algum ressentimento em meu coração que ainda não perdoei? Percebo que o ressentimento me machuca e torna minha vida amarga? Por que não peço a Deus forças para perdoar e amar como Ele nos perdoa e nos ama? 


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres cmf - Missionários Claretianos  - Ciudad Redonda
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

   

 

VI Domingo do Tempo Comum (Ano A)

A liturgia de hoje garante-nos que Deus tem um projeto de salvação para que o homem possa chegar à vida plena e propõe-nos uma reflexão sobre a atitude que devemos assumir diante desse projeto.

Na segunda leitura, Paulo apresenta o projeto salvador de Deus (aquilo que ele chama “sabedoria de Deus” ou “o mistério”). É um projeto que Deus preparou desde sempre “PARA AQUELES QUE O AMAM”, que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, as suas palavras, os seus gestos e, sobretudo, com a sua morte na cruz (pois aí, no dom total da vida, revelou-se aos homens a medida do amor de Deus e mostrou-se ao homem o caminho que leva à realização plena).

A primeira leitura recorda, no entanto, que o homem é livre de escolher entre a proposta de Deus (que conduz à vida e à felicidade) e a autossuficiência do próprio homem (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para ajudar o homem que escolhe a vida, Deus propõe “MANDAMENTOS”: são os “SINAIS” com que Deus delimita o caminho que conduz à salvação.

O Evangelho completa a reflexão, propondo a atitude de base com que o homem deve abordar esse caminho balizado pelos “MANDAMENTOS”: não se trata apenas de cumprir regras externas, no respeito estrito pela letra da lei; mas trata-se de assumir uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas, que tenha, depois, correspondência em todos os passos da vida.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
A NINGUÉM MANDOU AGIR COMO ÍMPIO.
Leitura do Eclesiástico (15,16-21)


16Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão;
se confias em Deus, tu também viverás.
17Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água;
para o que quiseres, tu podes estender a mão.
18Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal;
ele receberá aquilo que preferir.
19A sabedoria do Senhor é imensa,
ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente.
20Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem.
Ele conhece todas as obras do homem.
21Não mandou a ninguém agir como ímpio
e a ninguém deu licença de pecar.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - A questão fundamental que nos é posta é esta: EXISTEM CAMINHOS DIVERSOS, OPÇÕES VÁRIAS, QUE DIA A DIA NOS INTERPELAM E DESAFIAM. Em cada momento, corremos o risco da liberdade, assumimos o supremo desafio de escolher o nosso destino. Sentimos essa responsabilidade e procuramos responder ao desafio, ou passamos a vida a encolher os ombros e a deixar-nos ir na corrente, ao sabor das modas, do “politicamente correto”, aceitando que sejam os outros a impor-nos os seus esquemas, os seus valores, a sua visão das coisas?

02 - Uma proposta nos leva à vida e à felicidade. Quem quiser ir por aí, tem de seguir os “SINAIS” com que Deus delimita o caminho que leva à vida. Percorrer esse caminho implica, evidentemente, viver numa escuta permanente de Deus, num diálogo nunca acabado com Deus, numa descoberta contínua das suas propostas. Esforço-me por viver na escuta de Deus e por descobrir os “SINAIS” que Ele me deixa?

03 - A outra proposta leva à morte. É o caminho daqueles que escolhem o egoísmo, a autossuficiência, o orgulho, o isolamento em relação a Deus e às suas sugestões. Ao fechar-se em si e ao ignorar as propostas de Deus, o homem acaba por escolher os seus interesses e por manipular o mundo e os outros homens, introduzindo desequilíbrios que geram injustiça, miséria, exploração, sofrimento, morte. Talvez nenhum de nós escolha, conscientemente, este caminho; mas o orgulho, a ambição, a vontade de afirmar a nossa independência e liberdade, podem levar-nos (mesmo sem o notarmos) a passar ao lado dos “SINAIS” de Deus e a ignorá-los, resvalando por atalhos que vão dar ao egoísmo, ao fechamento em nós. Em cada dia que começa, é necessário refletir sobre o caminho percorrido e renovar as nossas opções.

04 - Este texto levanta, também, a questão da liberdade. A Palavra de Deus que aqui nos é proposta deixa claro que Deus nos criou livres e que respeita absolutamente as nossas opções e a nossa liberdade. Deus não é um empecilho à liberdade e à realização plena do homem. Ele coloca-nos diante das diferentes opções, diz-nos onde elas nos levam, aponta o caminho da verdadeira felicidade e da realização plena e… deixa-nos escolher.

05 - Atenção: a morte e a desgraça nunca são um castigo de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos errados; mas é o resultado lógico de escolhas egoístas, que geram desequilíbrios e que destroem a paz, o equilíbrio, a harmonia do mundo, da família e de mim próprio.


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Salmo Responsorial
FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!
Sl 118,1-2.4-5.17-18.33-34 (R.1)


1Feliz o homem sem pecado em seu caminho,*
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
2Feliz o homem que observa seus preceitos,*
e de todo o coração procura a Deus!

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!

4Os vossos mandamentos vós nos destes,*
para serem fielmente observados.
5Oxalá seja bem firme a minha vida*
em cumprir vossa vontade e vossa lei!

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!

17Sede bom com vosso servo, e viverei,*
e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
18Abri meus olhos, e então contemplarei*
as maravilhas que encerra a vossa lei!

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!

33Ensinai-me a viver vossos preceitos;*
quero guardá-los fielmente até o fim!
34Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei,*
e de todo o coração a guardarei.

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!


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Segunda Leitura
DEUS DESTINOU, DESDE A ETERNIDADE,
UMA SABEDORIA PARA NOSSA GLÓRIA.
Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (2, 6-10)


Irmãos:
6Entre os perfeitos nós falamos de sabedoria,
não da sabedoria deste mundo
nem da sabedoria dos poderosos deste mundo,
que, afinal, estão votados à destruição.
7Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus,
sabedoria escondida, que, desde a eternidade,
Deus destinou para nossa glória.
8Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa
sabedoria.
Pois, se a tivessem conhecido,
não teriam crucificado o Senhor da glória.
9Mas, como está escrito,
'o que Deus preparou para os que o amam
é algo que os olhos jamais viram
nem os ouvidos ouviram
nem coração algum jamais pressentiu'.
10A nós Deus revelou esse mistério
através do Espírito.
Pois o Espírito esquadrinha tudo,
mesmo as profundezas de Deus.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - O projeto de salvação que Deus tem para os homens, resultado do seu imenso amor por nós, é um projeto que nos garante a vida definitiva, a realização plena, a chegada ao patamar do Homem Novo, a identificação final com Cristo. Os crentes são, em consequência deste dinamismo de esperança que o projeto de salvação de Deus introduz na nossa história, pessoas que olham a vida com os olhos cheios de confiança, que sabem enfrentar sem medo nem dramas as crises, as vicissitudes, os problemas que o dia-a-dia lhes apresenta, e que caminham cumprindo a sua missão no mundo, em direção à meta final que Deus tem reservada para aqueles que O amam.

02 - No entanto, Deus não força ninguém: a opção pelo caminho que conduz à vida plena, ao Homem Novo, é uma escolha livre que cada homem e cada mulher devem fazer. O que Deus faz é ladear o nosso caminho de “SINAIS” (mandamentos) que indicam como chegar a essa meta final de vida definitiva. Como é que eu percorro esse caminho: na atenção constante aos “SINAIS”de Deus, ou na autossuficiência de quem quer ser o responsável único pela sua liberdade e não precisa de Deus para nada?


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Evangelho
ASSIM FOI DITO AOS ANTIGOS; EU, PORÉM, VOS DIGO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (5,17-37)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
17Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.
Não vim para abolir,
mas para dar-lhes pleno cumprimento.

18Em verdade, eu vos digo:
antes que o céu e a terra deixem de existir,
nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei,
sem que tudo se cumpra.

19Portanto, quem desobedecer
a um só destes mandamentos, por menor que seja,
e ensinar os outros a fazerem o mesmo,
será considerado o menor no Reino dos Céus.
Porém, quem os praticar e ensinar
será considerado grande no Reino dos Céus.

20Porque eu vos digo:
Se a vossa justiça não for maior
que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus.

21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos:
'Não matarás!
Quem matar será condenado pelo tribunal'.

22Eu, porém, vos digo:
todo aquele que se encoleriza com seu irmão
será réu em juízo;
quem disser ao seu irmão: 'patife!'
será condenado pelo tribunal;
quem chamar o irmão de 'tolo'
será condenado ao fogo do inferno.

23Portanto, quando tu estiveres levando
a tua oferta para o altar, e ali te lembrares
que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

24deixa a tua oferta ali diante do altar,
e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão.
Só então vai apresentar a tua oferta.

25Procura reconciliar-te com teu adversário,
enquanto caminha contigo para o tribunal.
Senão o adversário te entregará ao juiz,
o juiz te entregará ao oficial de justiça,
e tu serás jogado na prisão.

26Em verdade eu te digo: dali não sairás,
enquanto nóo pagares o último centavo.

27Ouvistes o que foi dito:
'Não cometerás adultério'.

28Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que olhar para uma mulher,
com o desejo de possuí-la,
já cometeu adultério com ela no seu coração.

29Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado,
arranca-o e joga-o para longe de ti!
De fato, é melhor perder um de teus membros,
do que todo o teu corpo ser jogado no inferno.

30Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado,
corta-a e joga-a para longe de ti!
De fato, é melhor perder um dos teus membros,
do que todo o teu corpo ir para o inferno.

3lFoi dito também:
'Quem se divorciar de sua mulher,
dê-lhe uma certidão de divórcio'.

32Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que se divorcia de sua mulher,
a não ser por motivo de união irregular,
faz com que ela se torne adúltera;
e quem se casa com a mulher divorciada
comete adultério.

33Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos:
'Não jurarás falso',
mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'.

34Eu, porém, vos digo:
Não jureis de modo algum:
nem pelo céu, porque é o trono de Deus;

35nem pela terra,
porque é o suporte onde apoia os seus pés;
nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei.

36Não jures tão pouco pela tua cabeça,
porque tu não podes tornar branco ou preto
um só fio de cabelo.

37Seja o vosso 'sim': 'Sim',
e o vosso 'não': 'Não'.
Tudo o que for além disso vem do Maligno.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Os discípulos de Jesus são convidados a viver na dinâmica do “REINO”, isto é, a acolher com alegria e entusiasmo o projeto de salvação que Deus quis oferecer aos homens e a percorrer, sem desfalecer, num espírito de total adesão, o caminho que conduz à vida plena.

02 - Cumprir um conjunto de regras externas não assegura, automaticamente, a salvação, nem garante o acesso à vida eterna; mas, o acesso à vida em plenitude passa por uma adesão total (COM A MENTE, COM O CORAÇÃO, COM A VIDA) às propostas de Deus. Os nossos comportamentos externos têm de resultar, não do medo ou do calculismo, mas de uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas. É isso que se passa na minha vida? Os “MANDAMENTOS”são, para mim, princípios sagrados que eu tenho de cumprir, mecanicamente, com medo de receber castigos (o maior dos quais será o “inferno”), ou são indicações que me ajudam a potenciar as minhas relações com Deus e a não me desviar do caminho que conduz à vida? O cumprimento das leis (de Deus ou da Igreja) é, para mim, uma obrigação que resulta do medo, ou é o resultado lógico da opção que eu fiz por Deus e pelo “REINO”?

03 - “Não matar”, é, segundo Jesus, evitar tudo aquilo que cause dano ao meu irmão. Tenho consciência de que posso “MATAR”com certas atitudes de egoísmo, de prepotência, de autoritarismo, de injustiça, de indiferença, de intolerância, de calúnia e má língua que magoam o outro, que destroem a sua dignidade, o seu bem estar, as suas relações, a sua paz? Tenho consciência que brincar com a dignidade do meu irmão, ofendê-lo, inventar caminhos tortuosos para desacreditá-lo ou desmoralizá-lo é um crime contra o irmão? Tenho consciência que ignorar o sofrimento de alguém, ficar indiferente a quem necessita de um gesto de bondade, de misericórdia, de reconciliação, é assassinar a vida?

04 - Não podemos deixar, nunca, que as leis (mesmo que sejam leis muito “sagradas”) se transformem num absoluto ou que contribuam para escravizar o homem. As leis, os “MANDAMENTOS”, devem ser apenas “SINAIS” indicadores desse caminho que conduz à vida plena; mas o que é verdadeiramente importante, é o homem que caminha na história, com os seus defeitos e fracassos, em direção à felicidade e à vida definitiva.


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Comentário
PARA ALÉM DA LETRA DA LEI: O ESPÍRITO DO AMOR


Na Igreja vivemos muitas vezes pendentes da lei. Quando éramos pequenos, nos ensinaram o catecismo e, naqueles tempos, aprendemos os mandamentos da lei de Deus, os mandamentos da Igreja e muitos outros. Sabíamos que eram as normas básicas pelas quais devia ser regida nossa vida. Fazer o contrário era errado, era pecado. Tinha que confessar essas coisas. Mas o mais grave é que não nos explicaram quais as razões pelas quais deveríamos obedecer a aquelas leis, qual era a motivação, a causa. E muito menos explicaram o que deveríamos fazer nas muitas situações que encontraríamos na vida, para as quais a lei não dizia nada.

As leituras de hoje, sobretudo o Evangelho, situam-nos em frente ao mais básico da lei. Na  realidade a lei não é mais que uma muleta, como os que usam às vezes os idosos. Ajuda a caminhar, mas a pessoa é a que tem que decidir para onde quer ir. Não se trata de fazer isto ou de não fazer simplesmente porque está proibido ou porque a lei diz que se faça. Há que levantar os olhos para além da letra da lei e, como diz a primeira leitura do livro do Eclesiástico, nos dar conta de que o que temos diante é a decisão básica pela morte ou pela vida: “ante ti estão postos fogo e água, coloque mão do que queira”. No fundo, somos livres para tomar nossas próprias decisões. E em nossas decisões definimos como queremos viver. Queremos viver para a vida ou se queremos viver como mortos? Queremos viver no amor, na fraternidade, na família dos filhos de Deus ou queremos viver na morte do isolamento, do egoísmo? Essa decisão é nossa e vamos tornando-a realidade em nossa vida. A cada vez que ajudamos ao irmão precisado ou lutamos por estabelecer a justiça, estamos optando pela vida. A cada vez que pensamos que não há razão para se preocupar com os demais, que cada um em sua casa, e fico ocupado com minhas coisas para viver melhor, estamos optando pela morte. Morremos porque fechamo-nos à fraternidade, ao amor e, por tanto, a Deus.

Essa opção leva-nos a cumprir algo mais que a letra da lei. É o que Jesus nos diz no Evangelho. Vale a pena lê-lo com atenção. Jesus diz-nos que não basta cumprir a letra da lei. Devemos a cumprir com o coração. Porque não só mata o que finca o punhal. Também mata o que odeia. Hoje o Evangelho convida-nos a viver em plenitude a lei de Jesus que é a LEI DE AMOR.

Alguma vez encontrei-me em uma situação que não sabia que decisão tomar porque a lei que me tinham ensinado não dizia nada a respeito? Que fiz ao final nessa situação? Tratei de ser fiel ao espírito de Jesus? Optei pela vida em minha forma de comportar-me?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf 
Liturgia Diária – CNBB  
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

V Domingo do Tempo Comum (Ano A)

A Palavra de Deus deste V Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre o compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “REINO” não podem remeter-se a uma vida cômoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “REINO”.

No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o SAL QUE DÁ SABOR AO MUNDO e que testemunha a perenidade e a eternidade do projeto salvador de Deus; também os exorta a serem uma LUZ que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “REINO” de liberdade e de esperança.

A primeira leitura apresenta as condições necessárias para “SER LUZ”: é uma “LUZ” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platônica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.

A segunda leitura avisa que ser “LUZ” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “LOUCURA DA CRUZ” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante – demonstra-o.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
A TUA LUZ BRILHARÁ COMO A AURORA.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (58,7-10)


Assim diz o Senhor:
7Reparte o pão com o faminto,
acolhe em casa os pobres e peregrinos.
Quando encontrares um nu, cobre-o,
e não desprezes a tua carne.
8Então, brilhará tua luz como a aurora
e tua saúde há de recuperar-se mais depressa;
à frente caminhará tua justiça
e a glória do Senhor te seguirá.
9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá,
pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui'.
Se destruíres teus instrumentos de opressão,
e deixares os hábitos autoritários
e a linguagem maldosa;
10se acolheres de coração aberto o indigente
e prestares todo o socorro ao necessitado,
nascerá nas trevas a tua luz
e tua vida obscura será como o meio-dia.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - A questão essencial é esta: como é que podemos ser uma luz que acende a esperança no mundo e aponta no sentido de uma nova terra, mais cheia de paz, de esperança, de felicidade? Esta leitura responde: não é com liturgias solenes ou com ritos litúrgicos extravagantes, muitas vezes estéreis e vazios; mas é com uma vida onde o amor a Deus se traduz no amor ao irmão e se manifesta em gestos de partilha, de fraternidade, de libertação.

02 - Atenção: não se diz aqui que os momentos de oração e de encontro pessoal com Deus sejam supérfluos, inúteis, desnecessários; o que se diz aqui é que os ritos em si nada significam, se não correspondem a uma vivência interior que se traduz em gestos concretos de compromisso com Deus e com os seus valores. A multiplicidade de ritos, de orações solenes, de celebrações, por si só nada vale, se não tem a devida correspondência na vida de relação com os irmãos.

03 - Sinto o imperativo de ser uma “LUZ” que se acende na noite do mundo e que dá testemunho do amor e da misericórdia de Deus? A minha fé e a minha relação com Deus têm tradução na luta pela libertação dos meus irmãos? O meu compromisso de crente leva-me a estar atento à partilha com os pobres, os débeis, os desfavorecidos? A minha vivência religiosa traduz-se no ser profeta do amor e servidor da reconciliação?


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Salmo Responsorial
UMA LUZ BRILHA NAS TREVAS PARA O JUSTO,
PERMANECE PARA SEMPRE O BEM QUE FEZ.
Sl 111,4-5.6-7.8a.9 (R.4b.3b)


4Ele é correto, generoso e compassivo,*
como luz brilha nas trevas para os justos.
5Feliz o homem caridoso e prestativo,*
que resolve seus negócios com justiça.

UMA LUZ BRILHA NAS TREVAS PARA O JUSTO,
PERMANECE PARA SEMPRE O BEM QUE FEZ.

6Porque jamais vacilará o homem reto,*
sua lembrança permanece eternamente!
7Ele não teme receber notícias más:*
confiando em Deus, seu coração está seguro.

UMA LUZ BRILHA NAS TREVAS PARA O JUSTO,
PERMANECE PARA SEMPRE O BEM QUE FEZ.

8aSeu coração está tranquilo e nada teme*
9Ele reparte com os pobres os seus bens,
permanece para sempre o bem que fez*
e crescerão a sua glória e seu poder.

UMA LUZ BRILHA NAS TREVAS PARA O JUSTO,
PERMANECE PARA SEMPRE O BEM QUE FEZ.


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Segunda Leitura
ANUNCIEI ENTRE VÓS O MISTÉRIO
DE CRISTO CRUCIFICADO.

Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (2,1-5)


1Irmãos, quando fui à vossa cidade
anunciar-vos o mistério de Deus,
não recorri a uma linguagem elevada
ou ao prestígio da sabedoria humana.
2Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma,
a não ser Jesus Cristo,
e este, crucificado.
3Aliás, eu estive junto de vós,
com fraqueza e receio, e muito tremor.
4Também a minha palavra e a minha pregação
não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria,
mas eram uma demonstração do poder do Espírito,
5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus
e não na sabedoria dos homens.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - Após dois mil anos de Evangelho, a nossa civilização “cristã” ainda age como se a salvação do mundo e dos homens estivesse no poder das armas, na estabilidade da economia, no desenvolvimento sustentado, no controle do buraco do ozônio, no pleno emprego, na paz social, na eliminação do terrorismo, na defesa da floresta amazônica, nas declarações de boas intenções feitas pelos senhores do mundo nos grandes areópagos internacionais… Mas Paulo diz, muito simplesmente, que a salvação está na “LOUCURA DA CRUZ” e que a vida em plenitude está no amor que se dá completamente. Quem tem razão: os nossos teóricos, formados pelas grandes universidades internacionais, ou o judeu Paulo, formado na universidade de Jesus?

02 - A força e a “sabedoria de Deus” manifestam-se, tantas vezes, na fragilidade, na pequenez, na obscuridade, na pobreza (como o exemplo de Paulo o comprova). Sendo assim, não nos parecem ridículas e descabidas as nossas poses de importância, de autoridade, de protagonismo, de brilho intelectual?

03 - Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem recordar sempre que a eficácia da Palavra que anunciam não depende deles e que o êxito da missão não resulta das suas qualidades pessoais ou das técnicas sofisticadas postas ao serviço da evangelização: somos todos instrumentos humildes, através dos quais Deus concretiza o seu projeto de salvação para o mundo… Para além do nosso esforço, da nossa entrega, da nossa doação, das nossas técnicas, está o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.


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Evangelho
VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (5,13-16)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
13Vós sois o sal da terra.
Ora, se o sal se tornar insosso,
com que salgaremos?
Ele não servirá para mais nada,
senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo.
Não pode ficar escondida uma cidade
construída sobre um monte.
15Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca
debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro,
onde brilha para todos que estão na casa.
16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens,
para que vejam as vossas boas obras
e louvem o vosso Pai que está nos céus.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A questão essencial que este trecho do Evangelho nos apresenta é esta: Deus nos propõe um projeto de libertação e de salvação que conduzirá à inauguração de um mundo novo, de felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta têm de testemunhá-la diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que o “REINO” se torne uma realidade. Como é que me situo em face disto? Para mim, ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente, que me obriga a testemunhar o REINO”,mesmo em ambientes adversos, ou é um caminho “morno”, instalado, cômodo, de quem se sente em regra com Deus porque vai à missa ao domingo e cumpre alguns ritos que a Igreja sugere?

02 - Eu sou, dia a dia, o SAL que dá o sabor, que traz uma mais valia de amor e de esperança à vida daqueles que caminham ao meu lado? Para aqueles com quem lido todos os dias, sou uma personagem insípida, instalada numa mediocridade cinzenta, ou sou uma nota de alegria, de entusiasmo, de otimismo, de esperança numa vida nova vivida ao jeito do Evangelho, ao jeito do REINO? No meio do egoísmo, do desespero, do sem sentido que caracteriza a vida de tantos dos meus irmãos, eu dou um testemunho de um mundo novo de amor e de esperança?

03 - Ser cristão é também ser uma LUZ acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade… Eu sou essa luz que aponta no sentido das coisas importantes, impedindo que a vida dos meus irmãos se gaste em frivolidades e bagatelas? Para os que vivem no sofrimento, na dúvida, no erro, para os que vivem de olhos voltados para o chão, eu sou a LUZque aponta para o mais além e para a realidade libertadora do “Reino”?

04 - Atenção: eu não sou “A LUZ”, mas apenas um reflexo da “LUZ”… Quer dizer: as coisas bonitas que possam acontecer à minha volta não são o resultado do exercício das minhas brilhantes qualidades, mas o resultado da ação de Deus em mim. É Deus que é “A LUZ” e que, através da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de libertação e de vida nova ao mundo. O discípulo não deve, pois, preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o coração dos homens para Deus e para o “REINO”.


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Comentário
SER SAL E LUZ É...


Queridos irmãos;

VÓS SOIS O SAL DA TERRA”, “VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO”, dois símbolos que não precisam demasiadas explicações. Como o sal dá sabor à comida, nos cristãos somos chamados a dar sabor à vida. Basta um pouco de sal, em um quilo de feijão, não precisa de um quilo de sal, o excesso de sal é prejudicial. Não sei, se durante muitos anos, quisemos encher o corpo social, do sal religioso e isso produziu uma subida de tensão ou uma comida que era difícil de assimilar. A dona-de-casa sabe que o sal da o sabor para a comida, mas sem exagero, o Evangelho é o que dá sabor à comunidade humana.

Temos que aprender a viver em menoridade, o sal se dilui nos alimentos e nos ensina a humildade. Repete Jesus em outros textos: O REINO é semente, fermento, grão de mostarda..., não nos deixa lugar para o triunfalismo, parece nos dizer: com pouco-muito. Não precisamos do aplauso, senão o testemunho, a autenticidade, o compromisso: “ORA, SE O SAL SE TORNAR INSOSSO, COM QUE SALGAREMOS? ELE NÃO SERVIRÁ PARA MAIS NADA, SENÃO PARA SER JOGADO FORA E SER PISADO PELOS HOMENS”. O REINO cresce, quando nós os cristãos, desde a mensagem e dentro do mundo, contribuímos com os valores e a energia do Evangelho.

Somos também LUZ. Quando não tínhamos luz elétrica, todos sabiam que a lamparina, tinha que ficar bem no alto, se quisesse iluminar qualquer habitação. Na escuridão do mundo, nos momentos difíceis da existência, quando parece que andamos cegos, nós apontamos a aurora. Como nos diz a primeira leitura de Isaías: “REPARTE O PÃO COM O FAMINTO, ACOLHE EM CASA OS POBRES E PEREGRINOS. QUANDO ENCONTRARES UM NU, COBRE-O, E NÃO DESPREZES A TUA CARNE. ENTÃO, BRILHARÁ TUA LUZ COMO A AURORA E TUA SAÚDE HÁ DE RECUPERAR-SE MAIS DEPRESSA; À FRENTE CAMINHARÁ TUA JUSTIÇA E A GLÓRIA DO SENHOR TE SEGUIRÁ”.

A LUZ é um tema recorrente nos textos bíblicos e em nossas celebrações. JESUS É A LUZ E NÓS SOMOS CHAMADOS A VIVER COMO FILHOS DA LUZ:“Ilumina assim vossa luz aos homens para que vejam boas obras e gloriem o vosso Pai que está no céu”. Não é fácil, dar LUZ às diversas situações da vida, contribuir no que vivemos e o fazer, como lembra São Paulo aos Coríntios na segunda leitura: “Quando vim a vocês para anunciar o mistério de Deus, não o fiz com sublime eloquência ou sabedoria, pois nunca entre vocês me apreciei de saber coisa alguma senão a Jesus Cristo e este crucificado. Apresentei-me a vocês débil e temeroso; minha palavra e minha pregação não foram com persuasiva sabedoria humana, senão na manifestação e o poder do Espírito, para que vossa fé não se apóie na sabedoria dos homens, senão no poder de Deus”.

Ser SAL e LUZ é viver na pequenez, ser testemunha, acompanhar aos que temos a nosso lado, na família, na comunidade, no trabalho, lhes lembrando de nossa singela fé, que é lâmpada frágil, comida quotidiana saborosa. Nossa fé é o esforço para ver e fazer ver, LUZ de amor vivo, farol no mar, foco no caminho, lua cheia na noite, pouco mais e pouco menos, o que faz com que nossa vida, tenha direção e sentido. Oferecer-nos aos outros, sem muita eloquência senão fazendo com que nossas atitudes, nossos gestos e ações, falem por si mesmos, este é o melhor método de evangelização.

Que fazemos para partir nosso pão com o faminto, hospedar aos sem teto e vestir o nu? Evitamos os gestos ameaçadores e a maledicência? Como pode ser nossa comunidade SALda terra e LUZdo mundo?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

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