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Sagrada Família: Jesus, Maria, José


A liturgia deste domingo propõe-nos a família de Jesus, como exemplo e modelo das nossas comunidades familiares… As leituras fornecem indicações práticas para nos ajudar a construir famílias felizes, que sejam espaços de encontro, de partilha, de fraternidade, de amor verdadeiro.

O Evangelho apresenta uma catequese sobre Jesus e a missão que o Pai lhe confiou; mas, sobretudo, propõe-nos o quadro de uma família exemplar - a família de Nazaré. Nesse quadro há duas coordenadas que são postas em relevo: trata-se de uma família onde existe verdadeiro amor e verdadeira solidariedade entre os seus membros; e trata-se de uma família que escuta Deus e que segue, com absoluta confiança, os caminhos por Ele propostos.

A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos dos que vivem “em Cristo” e aceitaram ser Homem Novo. Esse amor deve atingir, de forma muito especial, todos os que conosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais… É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.


Primeira Leitura - Livro do Eclesiástico (Eclo 3,3-7.14-17a)


3Deus honra o Pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe.

4Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana.

5Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros.

6Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido.

7Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe.

14Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. 15Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, 16mas servirá para reparar os teus pecados 17ae, na justiça, será para tua edificação.
Palavra do Senhor


Salmo Responsorial - Salmo 127


Felizes os que esperam no Senhor, e seguem os seus caminhos.  

 

Feliz és tu, se temes o Senhor
e trilhas seus caminhos!
Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem
!

Felizes os que esperam no Senhor, e seguem os seus caminhos.


A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.


Felizes os que esperam no Senhor, e seguem os seus caminhos.

Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida.


Felizes os que esperam no Senhor, e seguem os seus caminhos.


Segunda Leitura - Carta de São Paulo apóstolo aos Colossenses (Cl 3,12-21)


Irmãos: 12Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, 13suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também.

14Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição.
15Que a paz reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos.

16Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças.

17Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai.

18Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor.

19Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas.

20Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. 21Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.
Palavra do Senhor


Proclamação do Evangelho, segundo Mateus (Mt 2,13-15.19-23)


13Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.

14José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.

15Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”.

19Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, 20e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos”.

21José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, e entrou na terra de Israel. 22Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judéia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galiléia, 23e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

Palavra da Salvação.


Comentário - Família de Jesus, Família Nossa


1 - Lar, doce lar

Bombardearam-nos com o “Dia da criança”, “Dia dos pais”, “Dia das mães” e, ultimamente, “Dia dos avôs”. Falta no calendário secular o “Dia da família”. É grato reconhecê-lo: só a Igreja, no marco da Natal, assinala a Festa da Sagrada Família. Nela se olham todas as famílias.

Primeiramente, é uma chamada ao otimismo. “A família é escola do mais rico humanismo”, recorda-nos o Concilio. Esta íntima comunidade de vida e amor é outro “círculo trinitário” de pai, mãe, filhos. Na família, aprendemos a rezar: “Jesus de minha vida”; iniciamos nossa fé: “temos um Pai no céu”; se desperta o sentido moral: “devemos amar a todos”.

Queixamos-nos de um mundo onde o homem se torna anônimo, despersonalizado; por isso sente a nostalgia da família. Na família, o calor do lar vence o mercado; os beijos e abraços, a lei da concorrência; a compaixão, a insensibilidade . É que são relações seladas com o mesmo sangue. Quem ampara, no final e com todas as conseqüências, um filho drogado ou com AIDS?

As pesquisas deixam na primeira posição à família no apreço dos jovens. O amor em família é um canto ao amor de Deus: contemplamos a um homem e uma mulher que se querem, e cujo amor se desdobra nos filhos. Juntos crescem, trabalham, sentam-se à mesa, rezam, apoiam-se. Na família cristã, cantamos o formoso que é se amar, o milagre dos filhos e o sorriso dos avôs, a doçura do encontro amoroso e a fortaleza na dificuldade.

Tudo, à sombra e no amparo da Família de Nazaré. A Sagrada Família.

2 - Trinta anos em família

Jesus viveu quase toda sua vida com sua família de Nazaré. Trinta anos, em frente aos três anos de vida missionária até a morte. “Como gostaríamos ser outra vez meninos e voltar a esta humilde mas sublime escola de Nazaré!”, desejava Pablo VI.

O Evangelho de Mateus põe em destaque os sofrimentos, o exílio, a perseguição. Curioso: o menino que veio ao mundo entre cantos à paz é objeto, desde o princípio, da guerra e crueldade de Herodes.

A família, como dom precioso, necessita do “uniforme” que nos desenha a leitura dos colosenses: misericórdia, bondade, humildade, doçura, entendimento, perdão. E seguindo a alegoria, o amor, como “suporte” de tão ricos valores.

A primeira leitura atualiza o quarto mandamento. O amor aos pais “acumula tesouros, alegra aos filhos e faz com que Deus nos escute”. Jesus teve-o muito em conta. Como não recordar a preocupação de Jesus , antes de morrer: “João, eis a tua mãe”. Não queria a deixar sozinha.

3 - Cantemos a glória da família


Família “no Senhor”

Podemos recordar aqui essas coisas tão bonitas que se dizem nos casamentos. Um matrimônio é a participação e a imagem perfeita do amor de Jesus à sua Igreja. A família é templo da intimidade e da ternura. Os membros da família sentem-se chamados por Deus para amar-se. Forçando o texto do Gênesis, poderíamos dizer que os pais e os filhos são uma só carne, um só coração, uma só alma.

Tudo, tão humano e tão divino! Cada membro da família é instrumento do Espírito para os outros. Os pais transmitindo vida como cooperadores do amor criador de Deus. Batizam seus filhos e depois, ao calor de seus desvelos, fazem crescer a vocação cristã. E “os filhos contribuem na santificação dos pais” (GS, 48).

Bem longe se acha esta mística de um moralismo seco. Que triste é reduzir as relações mais íntimas e pessoais a um contrato ou a categorias morais de fins e meios. A Família de Nazaré rompe estes esquemas. Felizmente.

Por que tanta beligerância?

Ocasião estupenda, a Festa da Sagrada Família, para olhar, ante tudo, o lado luminoso de bondade da beleza que resplandece na família cristã. Quando confessamos nossa fé em Jesus, contemplamos a grandeza de seu mistério redentor. Não caímos na tentação de instigar as feridas ou blasfêmias que dele dizem alguns.

No entanto, que insistência de alguns em remarcar os pontos escuros pelos quais atravessa a instituição familiar. Quantas vezes ouvimos, a cada dia, o “triplo A :”Ataques, Agressões, Acosso à família.? Claro que há problemas, e há foros para a denúncia, em seu momento. Mas não o fazer como única obsessão.

Ressaltemos, além da mística cristã, tantos valores novos: menos autoritarismo, mais liberdade, mais autonomia para contrair matrimônio sem “acosso” sociais ou econômicos, mais diálogo, menos domínio do homem sobre a mulher e tantas coisas. Olhemos a nossas famílias. Não reina, nelas, a bondade? Têm-se fé na família, por que tanto medo?


Virão as dificuldades

A Família de Nazaré começou sua caminhada com muitos tropeços. Não tinham pousada para nascer, o menino é perseguido e tem que ir ao exílio.

Também sobre nossas famílias virão as cruzes. Doenças, pobreza, desamor, problemas financeiros, solidão. Lembremos-nos das famílias que se rompem.

Para estas dificuldades, só há uma maneira cristã de responder: compadecer, ter muita misericórdia, não levantar o dedo acusador. E quem se compadece tem nas mãos tantas virtudes cristãs que abrigam a família, e o que nos recorda São Paulo: amor, fidelidade, entrega, delicadeza, sacrifício, perdão, ternura de beijos e caricias, saber dizer “quero-te, peço-te perdão”.

Ânimo, é maior a providência amorosa de Deus do que a soberba de Herodes. O amor dos redimidos... Redime!

Uma expressão magnífica da família é o sentar-se todos à mesa. Isso nos fazemos agora. E na mesa eucarística comemos o pão, “sinal de unidade e vínculo de amor”. Amor familiar.



 

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