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Solenidade de São Pedro e São Paulo

 


Neste domingo celebramos três personagens: São Pedro, São Paulo e o Papa Bento XVI.

São Pedro e São Paulo foram diferentes no pensar, no agir, no modo de olhar a Igreja; mas unidos no martírio, na fé em Jesus como Salvador e no anúncio do Evangelho. Suas diferenças não comprometeram o trabalho e a missão de anunciadores e testemunhas do Evangelho de Jesus. Pedro nos lembra a Igreja organizada em sua instituição e Paulo a dimensão da Igreja missionária. Dois aspectos da mesma realidade

Hoje é o Papa, como sucessor de Pedro, quem tem a missão de guiar a Igreja de Cristo, seu rebanho. A celebração deste domingo tem que nos levar a renovar nossa fidelidade ao Papa sucessor de Pedro e aos bispos, e pensar no exemplo de Pedro.

O amor e a humildade, são as virtudes que devemos aprender de São Pedro e de São Paulo. Somente quando vivemos estas virtudes seremos capazes de cumprir a missão que o Senhor nos incumbiu


Primeira Leitura - Leitura do Atos dos Apóstolos (At 12,1-11)


 Naqueles dias, 1o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los.
2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos.
4“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa.
5Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. 6Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão.
7Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. 8O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!”
9Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão.
10Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou.
11Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”
Palavra do Senhor.


Salmo Responsorial - Salmo 33


Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,
seu louvor estará sempre em minha boca.
Minha alma se gloria no Senhor;

que ouçam os humildes e se alegrem!

De todos os temores me livrou o Senhor Deus
.

Comigo engrandecei ao Senhor Deus,
exaltemos todos juntos o seu nome!
Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,
e de todos os temores me livrou.

De todos os temores me livrou o Senhor Deus
.

Contemplai a sua face e alegrai-vos,
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,
e o Senhor o libertou de toda angústia.

De todos os temores me livrou o Senhor Deus
.

O anjo do Senhor vem acampar
ao redor dos que o temem, e os salva.
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

De todos os temores me livrou o Senhor Deus
.


Segunda Leitura - Segunda Carta de São Paulo a Timóteo (2Tm 4,6-8.17-18)


Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.
17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão.
18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.
Palavra do Senhor.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus (Mt 16,13-19)

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesaréia de ilipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”
14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
Palavra da Salvação. 


Comentário - Pedro e Paulo, libertados pra libertar


Na festa de Pedro e Paulo poderíamos acentuar as diferenças entre estes dois grandes apóstolos que são as colunas que mantêm firme a Igreja, a comunidade dos crentes. Mas as leituras de hoje dão-nos base suficiente para sublinhar as similitudes.

Apesar de terem origens diferentes - Jesus chamou Pedro com os primeiros discípulos, Paulo aparece em cena após a morte e ressurreição de Jesus - e de que seguiram caminhos diversos - Pedro apóstolo dos judeus e Paulo dos gentiles -; apesar de que tiveram suas diferenças - em Antioquia teve palavras fortes trocadas entre os dois pelo que se conta na carta aos Gálatas (2,11-14) -; apesar de tudo isso, há uma experiência comum que está na base de suas vidas, que lhes motivou a se entregarem, na medida da capacidade da cada um e sempre contando com suas limitações, ao serviço da pregação da boa nova de Jesus.

Pedro, libertado de suas próprias correntes

A primeira e segunda leitura nos falam dessa experiência que não é outra que a libertação. Os dois experimentaram a libertação das correntes que os oprimiam. Ainda que na primeira leitura dos Atos relata-se a libertação de Pedro do cárcere por um anjo, conhecemos a vida de Pedro e sua relação com Jesus e sabemos que Jesus sempre lhe foi levando para além dos preconceitos que lhe aprisionavam,  o libertando para converter em uma pessoa nova ao serviço do Reino.

Recordemos a cena de Pedro no lago, na qual Jesus lhe liberta de seus próprios temores e lhe convida a avançar pela água e a confiar só no Senhor. Por tanto, a libertação de Pedro é bem mais que a libertação pontual do cárcere. Jesus fez livre Pedro para o Evangelho. O Pedro que queria fazer seu próprio caminho, que inclusive queria dizer a Jesus como devia realizar sua missão (cena da confissão de Cesareia), termina seguindo os caminhos que lhe marca Jesus e encontra aí sua plenitude em liberdade como pessoa.

Paulo, libertado no caminho de Damasco

Na segunda leitura Paulo fala na primeira pessoa. Dá a impressão de estar ao final de sua vida. Joga o olhar para trás. Tem combatido o bom combate e espera a coroa merecida. Mas reconhece que nesse caminho tem estado sempre presente o Senhor que lhe ajudou em todo momento e lhe deu forças “para anunciar a mensagem na integra”. Diz também que “seguirá me livrando”.

Sem dúvida Paulo tem presente aquela primeira libertação, a do caminho de Damasco, quando se encontrou frente a frente com o Senhor ressuscitado e sua vida cobrou um novo sentido, deixando para trás seu passado fariseu. Ali foi liberto da opressão da lei para conhecer a força da graça da vida. Essa foi sua experiência de libertação, a que deu sentido a toda sua vida itinerante ao serviço do Evangelho, a todos seus trabalhos, esforços e dores.

Chaves que libertam e dão vida

A libertação está, pois, na base da experiência vital, fundamental, destes dois apóstolos que são as colunas centrais da Igreja, de nossa fé. A libertação é a experiência que conduz à fé. Confessar a Jesus não é uma pura afirmação intelectual, não é uma idéia. Muda nossa vida como mudou as de Pedro e Paulo. Liberta-nos de preconceitos e medos. Abre-nos ao futuro. Dá sentido a nossas vidas. O Reino nos aparece como a realidade mais valiosa pela qual devemos  lutar e entregar nossa vida. As mãos nos abrem à fraternidade e sentimos Deus como Pai da vida que acolhe a todos sem exceção.

As chaves de que se fala no Evangelho são chaves que abrem as prisões, que libertam de preconceitos e doenças, que criam fraternidade. Não são nunca chaves para oprimir nem para condenar. Não são chaves para condenar as pessoas. Só há que condenar todo o que impede as pessoas de viver como o que somos: filhos e filhas de Deus, com toda nossa dignidade e liberdade. Essas chaves, hoje em poder de todos os crentes, da Igreja, de todos os que seguem a estela de Pedro e Paulo e neles a de Jesus, nos facultam e capacidade para abrir, para libertar, para dar vida. Usemos estas chaves!


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