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A interpretação da Bíblia


O mês de setembro nos coloca diante dos olhos a importância da Sagrada Escritura. Ela nos traz a Palavra de Deus. Mas esta Palavra foi escrita em linguagem humana, de outro tempo e de outra cultura. Daí a necessidade de interpretar a Bíblia, para que a Palavra de Deus possa ser bem entendida, acolhida e aplicada em nossa vida de agora.

No século dezenove, a Bíblia foi colocada em descrédito pelo cientificismo, pela secularização, pelo liberalismo racionalista. Era o tempo do encantamento com as descobertas científicas, que pareciam sepultar para sempre o valor da Bíblia, pois suas afirmações pareciam estar em claro contraste com as descobertas da arqueologia, da geologia, da cosmologia, e da crítica literária. Era o momento triunfante da “racionalismo científico”, que só admitia a razão como critério válido para a verdade.

A resposta da Igreja veio através de Leão XIII, em 1893, com o Documento Providentissimus Deus, uma defesa da Bíblia contra os ataques do racionalismo. O documento não nega o valor da ciência. Ao contrário, diz que a ciência não está contra a Bíblia, e incentiva os biblistas a fazerem estudos científicos dos textos bíblicos, a conhecer as línguas antigas, e a analisar as descobertas arqueológicas.

Cinqüenta anos depois, em 1943, Pio XII publica um outro documento importante sobre a Bíblia, a encíclica Divino Afflante Spiritu. Desta vez, a Igreja defende a Bíblia contra aqueles que queriam desconhecer a contribuição das ciências no estudo da Bíblia, propugnando uma interpretação só “espiritual” da Bíblia.

Ambos os documentos são guiados pela mesma intenção: não é preciso ter medo da ciência, cujas descobertas contribuem para a correta interpretação da Bíblia. Mas é preciso superar uma exegese “mística” que distorce o sentido da Bíblia e menospreza a contribuição que as ciências podem dar à Sagrada Escritura. A Bíblia está em plena sintonia com a Encarnação: Como o “Verbo” se fez carne, assim a “Palavra” de Deus assume as formas humanas da linguagem, através da qual Deus se comunica aos homens.

A Bíblia é ao mesmo tempo “palavra humana”, e como tal está sob o domínio da ciência, e é também “palavra divina”, e como tal expressa um sentido “espiritual”, não deduzido de interpretação subjetiva, mas indicado pela condição objetiva do texto.

Este é o tema do mais recente documento sobre a Bíblia, A Interpretação da Bíblia na Igreja. Data de 1993, cem anos depois da Providentissimus Deus, e cinqüenta depois da Divino Afflante Spiritu.

Fala dos diferentes métodos de interpretação da Bíblia, apontando os valores e os limites de cada um.

Toma como ponto de partida a base histórico-crítica do texto bíblico. Revela muito equilíbrio e moderação na avaliação dos atuais esforços para interpretar melhor a Sagrada Escritura. Procura mostrar a harmonia que existe entre a dimensão humana da palavra da Bíblia, com a dimensão divina de sua mensagem. Mostra as razões de se evitar tanto o “fundamentalismo” que não aceita os condicionamentos humanos da Bíblia, como o “criticismo” que ignora a mensagem religiosa da Bíblia. E’ documento muito aberto e incentivador da exegese bíblica.

Insiste na finalidade de toda interpretação bíblica: colocar ao alcance de todos a compreensão da Bíblia, dentro do princípio da “condescendência” divina: Deus foi condescendente, vindo ao encontro da humanidade, para se colocar ao seu alcance. Por isto, ao falar com o homem, Deus quis usar linguagem humana, que está ao nosso alcance, contanto que a interpretemos bem.


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