Últimas
Quarta-feira de Cinzas da Quaresma
Iniciamos hoje a Quaresma, que é tempo de escuta da Palavra, de or
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2020
Queridos irmãos e irmãs! O Senhor concede-nos, também neste
Quaresma e Campanha da Fraternidade 2020
Quaresma, tempo de preparação para a festa da Páscoa, é ocasiã
VII Domingo do Tempo Comum (Ano A)
A liturgia do convida-nos à santidade, à perfeição. Sugere que
A “QUERIDA AMAZÔNIA” fala da integração social
Na exortação apostólica “QUERIDA AMAZÔNIA”, fala o Papa Fra
Mais Lidas

Destaque

Próximos Eventos

Ter Mar 03 @12:00AM
Aniversário do Pe. João

O Pequeno Caminho

Quase todos nós ouvimos falar de Santa Teresa de Lisieux, uma mística francesa que morreu aos 24 anos em 1897 e que talvez seja a santa mais popular dos últimos dois séculos. Ela é famosa por muitas coisas, e não menos importante, por uma espiritualidade que ela chamou de "PEQUENO CAMINHO". Qual é o seu "PEQUENO CAMINHO"?

A opinião popular frequentemente envolveu Teresa e seu "PEQUENO CAMINHO" com uma piedade simples que não faz justiça à profundidade de sua pessoa ou de sua espiritualidade. Com muita frequência, seu "PEQUENO CAMINHO" é entendido simplesmente como implicando que fazemos pequenos, escondidos e humildes atos de caridade em favor de outros em nome de Jesus, sem esperar nada em troca. Nesta interpretação popular, lavamos roupas, descascamos batatas e sorrimos para pessoas hostis para agradar a Jesus. De alguma forma, é claro, isso é verdade; No entanto, seu "PEQUENO CAMINHO" merece um conhecimento mais profundo.

Sim, isso nos pede para fazermos obras humildes e sermos gentis uns com os outros em nome de Jesus, mas existem dimensões mais profundas. Seu "PEQUENO CAMINHO" é um itinerário para a santidade, baseado em três coisas: PEQUENEZ, ANONIMATO e UMA MOTIVAÇÃO PARTICULAR.

PEQUENEZ: para Teresa, "pequenez" não se refere à pequenez do ato que estamos realizando, como as humildes tarefas de lavar roupas, descascar batatas ou simplesmente sorrir para alguém que não é amigável. Refere-se à nossa própria pequenez, à nossa própria pobreza radical diante de Deus. Diante de Deus, somos pequenos. Aceitar e agir com isso constitui humildade. Nós nos movemos em direção a Deus e aos outros em seu "PEQUENO CAMINHO" quando fazemos pequenos atos de caridade em favor dos outros, não além de nossa força e virtude que sentimos naquele momento, mas acima da pobreza, desamparo e vazio que permite que a graça de Deus atue através de nós, de modo que, ao fazer o que estamos fazendo, atraímos outros a Deus e não a nós mesmos.

Além disso, nossa pequenez nos conscientiza de que, na maioria das vezes, não podemos fazer as grandes coisas que determinam a história do mundo. Mas podemos mudar o mundo com mais humildade, semeando uma semente oculta, sendo um antibiótico de saúde oculto na alma da humanidade e quebrando o átomo do amor em nós mesmos. E, sim, também, o "PEQUENO CAMINHO" tenta fazer coisas pequenas, humildes e ocultas.

ANONIMATO, O "PEQUENO CAMINHO" de Teresa se refere ao que está oculto, ao que é feito em segredo, para que o que o Pai vê em segredo seja recompensado em segredo. E o que está oculto não é nosso ato de caridade, mas nós mesmos que estamos fazendo o ato. No "PEQUENO CAMINHO" de Teresa, nossos pequenos atos de caridade passarão despercebidos em grande parte, aparentemente não terão um impacto real na história do mundo e não nos trarão nenhum reconhecimento. Eles permanecerão ocultos e despercebidos; mas, no Corpo de Cristo, o que está oculto, desinteressado, despercebido, modesto e aparentemente insignificante e sem importância é o veículo mais vital de todos para a graça em um nível mais profundo. Como Jesus não nos salvou através de milagres sensacionais ou ações dignas, mas pela obediência altruísta a seu Pai e ao martírio silencioso, nossas obras podem permanecer ocultas para que nossa morte e o espírito que deixamos para trás se tornem nossa verdadeira riqueza.

Finalmente, seu "PEQUENO CAMINHO" é baseado em uma motivação particular. Somos convidados a agir além de nossa pequenez e anonimato, e a fazer pequenos atos de amor e serviço aos outros por uma razão particular, ou seja, para limpar - metaforicamente - a face do Cristo sofredor. Como?

Teresa de Lisieux era uma pessoa extremamente abençoada e graciosa. Apesar de muita tragédia em sua infância, ela foi amada (por seu próprio reconhecimento e testemunho de outras pessoas) de uma maneira que era tão pura, tão profunda e tão admiravelmente afetuosa que deixa muitas pessoas com inveja. Ela também era uma garota muito atraente e estava cercada de amor e segurança em uma família numerosa na qual todos os seus sorrisos e lágrimas foram avisados, honrados (e frequentemente fotografados). Mas quando ele cresceu na maturidade, ela logo percebeu que o que era verdade em sua vida não era verdade em muitos outras. Seus sorrisos e lágrimas geralmente passavam despercebidos e não eram respeitados. Seu "PEQUENO CAMINHO" baseia-se, portanto, nessa motivação particular. Nas suas próprias palavras:

Um domingo, olhando uma foto de Nosso Senhor na Cruz, fiquei impressionada com o sangue que fluía de uma de suas mãos divinas. Senti uma angústia de grande dor ao pensar que esse sangue estava caindo no chão sem que ninguém se apressasse em pegá-lo. Decidi permanecer em espírito aos pés da cruz e receber seu orvalho. Oh, não quero que este precioso sangue se perca. Passarei minha vida coletando-o para o bem das almas. Viver de amor é secar teu rosto

Viver o seu "PEQUENO CAMINHO" é observar e honrar as lágrimas inadvertidas que caem dos rostos dolorosos dos outros.


Texto traduzido por Benjamín Elcano, cmf (Ciudad Redonda)

: