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Festa da Apresentação do Senhor

1. Lumen ad revelationem gentium: Luz para iluminar as nações (cf. Lc. 2, 32).

Quarenta dias após o nascimento, Jesus foi levado por Maria e José ao Templo para ser apresentado ao Senhor (cf. Lc. 2, 22), segundo quanto está escrito na Lei de Moisés: «Todo o primogênito varão será consagrado ao Senhor» (Lc. 2, 23); e para oferecerem em sacrifício, «como se diz na lei do Senhor, um par de rolas ou duas pombinhas» (Lc. 2, 24).

Ao recordar estes eventos, a Liturgia da Festa da Apresentação do Senhor  segue, intencionalmente e com precisão, o ritmo dos acontecimentos evangélicos: o prazo dos quarenta dias desde o nascimento de Cristo. Fará de igual modo, depois, no que se refere ao período que vai da ressurreição à ascensão ao céu.

Três elementos fundamentais emergem no evento evangélico que hoje se celebra: o mistério da vinda, a realidade do encontro e a proclamação da profecia.

2. Antes de tudo o MISTÉRIO DA VINDA. As leituras bíblicas ressaltam o aspecto extraordinário desta vinda de Deus: anuncia-o com enlevo e alegria o profeta Malaquias, canta-o o Salmo responsorial, descreve-o o texto do Evangelho segundo Lucas. Basta, por exemplo, pôr-se em escuta do Salmo responsorial: «Portas, levantai os vossos frontões... pois vai entrar o Rei da glória! Quem é esse Rei da glória? O Senhor forte e poderoso... É Javé dos Exércitos. Ele é o Rei da glória» (Sl. 23, 7-8.10).

Entra no Templo de Jerusalém o Esperado durante séculos, Aquele que é o cumprimento das promessas da Antiga Aliança: o Messias anunciado. O Salmista chama-o «Rei da glória». Só mais tarde tornar-se-á claro que o seu Reino não é deste mundo (cf. Jo. 18, 36) e que quantos pertencem a este mundo estão a preparar para Ele, não uma coroa régia, mas uma coroa de espinhos.

A liturgia, todavia, olha para além. Vê naquele Menino de quarenta dias a «luz» destinada a iluminar as nações e apresenta-O como a «glória» do povo de Israel (cf. Lc. 2, 32). Ele é Aquele que deverá vencer a morte, como anuncia a Carta aos Hebreus, explicando o mistério da Encarnação e da Redenção: «Como os filhos participam do sangue e da carne, também Ele participou das mesmas coisas» (Heb. 2, 14), tendo assumido a natureza humana.

Depois de ter descrito o mistério da Encarnação, o Autor da Carta aos Hebreus apresenta o mistério da Redenção: «Por isso, teve de assemelhar-Se em tudo aos Seus irmãos, a fim de ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, para expiar os pecados do povo. E porque Ele mesmo sofreu e foi tentado é que pode socorrer os que são tentados». Eis uma profunda e comovedora apresentação do mistério de Cristo. O trecho da Carta aos Hebreus ajuda-nos a compreender melhor porque esta vinda a Jerusalém, do recém-nascido Filho de Maria, é um evento decisivo para a história da salvação. O Templo desde a sua construção esperava, de um modo muito particular, Aquele que tinha sido prometido. A sua vinda reveste, portanto, um significado sacerdotal: «Ecce sacerdos magnus»; eis que o verdadeiro e eterno Sumo Sacerdote entra no Templo.

3. O segundo elemento característico da Celebração hodierna é a REALIDADE DO ENCONTRO. Mesmo se ninguém está a receber José e Maria que chegam, confundidos entre as pessoas, com o pequenino Jesus, no Templo de Jerusalém, acontece algo de muito singular. Aqui eles encontram pessoas guiadas pelo Espírito Santo: o velho Simeão, a respeito do qual escreve São Lucas: «Era justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor» (Lc. 2, 25-26), e a profetisa Ana, que tendo vivido «casada sete anos, após o seu tempo de donzela, ficara viúva. Tinha oitenta e quatro anos. Não se afastava do Templo, servindo a Deus, noite e dia, com jejuns e orações» (Lc. 2, 36-37). O Evangelista prossegue: «Aparecendo nessa mesma ocasião, pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém» (Lc. 2, 38).

Simeão e Ana: um homem e uma mulher, representantes da Antiga Aliança que, num certo sentido, tinham vivido a sua inteira existência em vista do momento em que o Templo de Jerusalém haveria de ser visitado pelo esperado Messias. Simeão e Ana compreendem que o momento finalmente chegou e, confirmados pelo encontro, podem enfrentar com a paz no coração a última etapa da sua vida: «Agora, Senhor, podeis deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação» (Lc. 2, 29-30).

Neste encontro discreto, as palavras e os gestos exprimem de maneira eficaz a realidade do evento que se cumpre. A vinda do Messias não passou despercebida. Foi reconhecida mediante o olhar penetrante da fé, que o velho Simeão manifesta nas suas tocantes palavras.

4. O terceiro elemento que emerge nesta festa é a PROCLAMAÇÃO PROFECIA: hoje ressoam palavras deveras proféticas. Com o cântico inspirado de Simeão, a Liturgia das Horas conclui cada dia a jornada: «Agora, Senhor, os meus olhos viram a Salvação... luz para iluminar as nações e glória de Israel, Teu povo» (Lc. 2, 29-32).

O velho Simeão, ao dirigir-se a Maria, acrescenta: «Este Menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações» (Lc. 2, 34-35).

Assim, pois, enquanto ainda estamos no alvorecer da vida de Jesus, somos já orientados para o Calvário. É na cruz que Jesus se confirmará, de modo definitivo, como sinal de contradição, e é lá que o coração da Mãe será trespassado pela espada da dor. Tudo nos é dito desde o início, no quadragésimo dia após o nascimento de Jesus, na festa da apresentação de Jesus no Templo, bastante importante na liturgia da Igreja.

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