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Bíblia: o livro da unidade

Os cristãos têm consciência de que a Bíblia é fundamental na busca da unidade da Igreja. Ela é, em si mesma, uma realidade ecumênica por três principais razões:

Pela sua estrutura: a história do povo de Deus é narrada de maneira ecumênica, por diferentes, por tradições religiosas e culturais. Tal diversidade, contudo, expressa a fé em um único Deus Criador e seu único projeto salvífico para todos. Assim, a Bíblia mostra que a diversidade, em si, não constitui empecilho para a comunhão entre os seres humanos e desses com Deus.

Pelo uso comum: a Bíblia é o instrumento de fé mais partilhado pelos cristãos das diferentes Igrejas. É o único livro de fé em torno do qual existe aceitação como Palavra divina e inspirada. Esse uso comum da Bíblia impele à aproximação das diferentes Igrejas nos métodos hermenêuticos dos textos bíblicos.

Pela sua mensagem: todos os cristãos compartilham a compreensão da Bíblia como a revelação do Uno-Trino Deus, e sua realidade de comunhão. Deus Pai quer reunir a todos para viver em comunhão (Ez 36, 24-28), realiza seu projeto na pessoa do Filho (1Col 1,9) e o sustenta na ação do Espírito Santo (At 2; 2Cor 13,13; Fil 2,1). Vivendo essa mensagem, a Igreja congrega os fiéis em Cristo na comunhão fraterna (At 2,42-47) e busca eliminar as divisões existentes no povo de Deus (Gl 3,28; 2Cor 5,19; 1Jo 4,7-10; At 2, 44-45).

Assim, a Bíblia sozinha não constitui o ecumenismo, mas o ecumenismo passa necessariamente pela Bíblia. O Primeiro Testamento mostra que o projeto de Deus visa a unidade do seu povo, rompendo todo etnocentrismo e atingindo todo o universo, pois Deus é Deus do cosmos (Jó 38-41) e “toda carne verá a salvação de Deus” (Is 40; 60; Gn 1,9). No Segundo Testamento, os Evangelhos apresentam Jesus superando as barreiras religiosas e culturais que causam a divisão. Ele formou uma comunidade com base a novos princípios de convivência: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. "Como eu vos amei, amai-vos uns aos outros(Jo 13,34). Isso é condição para o discipulado: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,35). E aceitou morrer “para congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos” (Jo 11,52), confiando essa missão à sua Igreja pelo o ministério da reconciliação.

Jesus realizou ações simbólicas da unidade. Dois gestos por Ele realizados são fundamentais:

"O chamado aos discípulos e aos Doze "(Mt 10, 2-4) como iniciadores de uma nova era, um novo povo, um novo Israel. Sua missão se estende “até os confins da terra”, “até o fim dos séculos” (At 1,8; Mt 28,20).

O segundo gesto é a celebração da última Ceia, que sela uma nova Aliança, pela imolação de sua própria vida, com a finalidade de “congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos” (Jo 11,50-52). Ele dá à Aliança um caráter definitivo, que realiza esperanças messiânicas de unificação da “casa de Israel e a casa de Judá” (Jr 3,18; 23,5-6; 31,1; Is 11,13-14; Ez 37, 15-27; Os 2,2; Mq 2,12; Zc 9,10). Aponta, assim, para a unidade da Igreja, o novo Povo de Deus, pela participação nesse sacrifício: “Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão” (1Cor 10, 17).

Na “oração sacerdotal” de Jesus encontramos a mais intensa expressão do seu desejo de unidade entre os seus discípulos, fundamentada no amor:

Pai Santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós [...] Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim [...] Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles (Jo 17, 1.11.20-23.26).

A unidade aparece como um desejo ardente do Senhor. O amor é o critério/fundamento da unidade: “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9), e a cruz é o seu caminho: “Para onde eu vou, conheceis o caminho” (Jo 14,4). Isso tem conseqüências para a missão da Igreja, enviada ao mundo para unir as pessoas em Cristo (Mt 28,19-20). Assim, a Igreja assume e vive a cruz como sinal e lugar da unidade: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32).

A Bíblia mostra que as comunidades primitivas compreenderam muito bem isso. Paulo apresenta a fé na ressurreição do Senhor como centro da vida cristã (1Cor 15). Os discípulos formam um só corpo em Cristo, sua Igreja, onde uns estão a serviço dos outros (Rm 12,4-5). Por isso, a divisão não afeta apenas as relações entre as pessoas, mas o próprio corpo de Cristo: “será que Cristo está dividido? ” (1Cor 1,10ss).

Paulo conhece as fragilidades das comunidades. Entre os cristãos existem partidos (1Cor 3, 4), ambições de poder e de honra (1Cor 4, 19-20), e outros fatores que dificultam a comunhão (1Cor 11,22). A causa maior da divisão do corpo de Cristo é o pecado, como “obra da carne” (Gl 5,19-21; Rm 1, 24-32; 1Cor 6,10), que impede de fazer o bem (Rm 1, 14,24) e produz a morte (Rm 6,23).

Como superar essas dificuldades? Paulo indica dois caminhos:

Pastoral, orientando as comunidades no modo de manter a unidade (Rm 16);

Teológico, preocupando-se em explicitar a fé no único Evangelho (Gl 1,6-10), fundamento da unidade da Igreja (Ef 2,20; 1Cor 3,10-11; Ef 2,20; 1Tm 6,19; 2Tm 2,19). Para isso, não se pode contentar com as divisões entre os cristãos. É preciso buscar pontos comuns que contribuem para o testemunho da mesma fé (At 15,29; Gl 2,10).

A unidade é fruto da ação do Espírito que dá aos cristãos “o pensamento de Cristo” (1Cor 2,10-16). O Espírito suscita e fortalece a fé comum no único Senhor como a primeira atitude ecumênica (1Tm 2,5, Hb 8,6). Assim, quem vive no Espírito deve comportar-se segundo o Espírito (Gal 5, 25), vivendo em paz e no amor verdadeiro. Surgem, assim, pessoas e comunidades novas, plenificadas em Cristo (Ef 4,13), numa relação de irmãos (Ef 4,25-32). E, desse modo, não pode haver problema capaz de impedir os esforços pela unidade de todos em Cristo (1 Cor 6,1-8; 8,1ss; 9,19-23; 10,14-17 e 31-33; 11,33ss). Pois há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos (Ef 4,1-6).

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