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Os pobres pagam o preço da corrupção

 

 

Os pobres pagam sempre o preço da corrupção. De todas as corrupções: a dos políticos e empresários, mas também a dos eclesiásticos que não cumprem o próprio “dever pastoral” para cultivar o «poder». O Papa Francisco voltou a denunciar com palavras fortes «o pecado da corrupção”, no qual caem «muitas pessoas que têm poder material, político ou espiritual», e exortou a rezar em particular por “quantos — e são muitos — pagam pela corrupção, pelo comportamento dos corruptos: são os mártires da corrupção política, económica e eclesiástica”.

Inspirando-se no trecho do primeiro livro dos Reis (21, 1-16) proclamado durante a liturgia, o Pontífice recordou a história de Nabot de Jezrael, que não quis ceder a sua vinha ao rei Acab, herdada do pai, e por isso, foi lapidado por instigação da rainha Jezabel. “Um texto bíblico muito triste” comentou o bispo de Roma, frisando que a narração segue a mesma estrutura do processo de Jesus e do martírio de Estêvão, e evocando uma frase do Evangelho de Marcos (10, 42): “Sabeis como os governantes das nações fazem sentir o seu domínio sobre elas e os magnatas, a sua autoridade”.

“Nabot — frisou o Papa — parece um mártir daquele rei que governa com tirania e opressão”. Para se apoderar da vinha, no início Acab faz uma proposta honesta a Nabot: “Dar-te-ei em troca uma vinha melhor, ou se te convier, pagar-te-ei o seu justo valor”. Mas depois, diante da rejeição do homem em ceder a “herança dos seus pais”, volta para casa “entristecido, indignado”, comportando-se quase como uma “criança mimada” que faz “caprichos”. E é a este ponto que a sua esposa Jezabel — “a mesma que ameaçou o profeta Elias de morte, depois de ele ter assassinado os sacerdotes de Baal” — organiza uma farsa, um processo com testemunhas falsas e condena Nabot, permitindo que o marido tome posse da vinha. E Acab aceita, frisou o Pontífice, “tranquilamente, como se nada fosse.

A corrupção, explicou o Papa, “é um pecado fácil, que pode cometer a pessoa que tem autoridade sobre os outros, quer económica e política quer eclesiástica. Somos tentados pela corrupção. É um pecado fácil de cometer”.

De resto, acrescentou, «quando uma pessoa tem autoridade, sente-se poderosa, quase um deus». Portanto, a corrupção “é uma tentação diária”, na qual podem cair “políticos, empresários e prelados”.

Mas — perguntou-se Francisco — quem paga pela corrupção? Certamente não quem paga «o suborno»: de facto, ele só representa “o intermediário”. Na realidade, “o pobre paga pela corrupção! ”, constatou o Pontífice.

Se falamos de corrupção política ou econômica, quem paga isto?”, perguntou-se o Papa. “Pagam — disse — os hospitais sem remédios, os doentes que não são cuidados, as crianças sem escolas. Eles são os Nabot modernos, que pagam pela corrupção dos grandes”. E quem paga «pela corrupção de um prelado? Pagam-na as crianças que não aprenderam a fazer o sinal da cruz, não conhecem a catequese, não são cuidadas; os doentes que não são visitados; os presos que não recebem atenção espiritual. Enfim, são sempre os pobres que pagam pela corrupção: os «pobres materiais» e os “pobres espirituais”.

Na conclusão, o bispo de Roma confirmou o valor do testemunho de Nabot, o qual «não quis vender a herança dos seus pais, dos seus antepassados, os valores»: um testemunho ainda mais significativo se pensarmos que, com frequência, «quando há corrupção», também o pobre corre o risco de perder «os valores, porque são impostos hábitos e leis que vão contra os valores recebidos dos nossos antepassados». Eis o convite a rezar pelos muitos “mártires da corrupção”, para que o “Senhor nos aproxime deles” e conceda a estes pobres a “força para continuar” o seu testemunho.


Texto Bíbilico

I Reis - Capítulo 21, 1-16

Passado tudo isso, aconteceu o seguinte: Nabot de Jezrael possuía uma vinha nessa cidade, ao lado do palácio de Acab, rei de Samaria. Acab disse a Nabot: Cede-me tua vinha, para que eu a transforme numa horta, porque está junto de minha casa. Dar-te-ei em troca uma vinha melhor, ou se o preferires, pagar-te-ei em dinheiro o seu valor. Nabot, porém, respondeu a Acab: Deus me livre de ceder-te a herança de meus pais! Acab voltou para a sua casa sombrio e irritado, por ter Nabot de Jezrael recusado ceder-lhe a herança de seus pais. Estendeu-se na cama com o rosto voltado para a parede, e não quis comer. Jezabel, sua mulher, veio ter com ele e disse-lhe: Por que estás de mau humor e não queres comer? Ele respondeu: Falei a Nabot de Jezrael, propondo-lhe que me vendesse a sua vinha, ou, se o preferisse, que a trocasse comigo por outra melhor; mas ele respondeu-me: Não te cederei a minha vinha. Jezabel, sua mulher, disse-lhe: Não és tu, porventura, o rei de Israel? Vamos! Come, não te incomodes. Eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael. Escreveu ela, então, uma carta em nome do rei, selou-a com o selo real, e mandou-a aos anciãos e aos notáveis da cidade, concidadãos de Nabot. Eis o que dizia na carta: Promulgai um jejum, fazei sentar Nabot num lugar de honra, e mandai vir diante dele dois homens inescrupulosos que o acusem, dizendo: Este amaldiçoou a Deus e ao rei. - Conduzi-o em seguida para fora da cidade e apedrejai-o até que morra! Os homens da cidade, os anciãos e os notáveis, concidadãos de Nabot, fizeram o que ordenava Jezabel, segundo o conteúdo da carta que lhes tinha mandado. Promulgaram um jejum e fizeram Nabot sentar-se num lugar de honra. Vieram então os dois miseráveis, colocaram-se diante dele e fizeram publicamente a deposição seguinte contra ele: Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei. Depois disto, levaram-no para fora da cidade, onde foi apedrejado e morreu. E mandaram dizer a Jezabel: Nabot foi apedrejado e morto. Quando ela soube que Nabot fora apedrejado e morto, foi dizer a Acab: Vai e toma posse da vinha que Nabot de Jezrael te recusara vender. Ele já não vive; está morto. Acab, tendo ouvido dizer que Nabot morrera, levantou-se e dirigiu-se para a sua vinha, para tomar posse dela. (voltar)


 

 

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