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Vocação... Fogo que levamos dentro do coração...

O fogo é uma das imagens mais belas. O fogo emite luz e calor; consome e queima. Muito poucas coisas na vida podem prender tanto nossa atenção como as singelos chamas do fogo.

Quando uma pessoa faz fogo começa colocando cuidadosamente a madeira se assegurando de que está seca. Este quadro do fogo traz outra realidade oculta à vista, não menos formosa e excelsa, impossível de tocar e misteriosa, que pode chegar a arder mais que as mesmas chamas do fogo. Esse outro fogo é a vocação específica da cada pessoa.

Quando Deus criou o homem, colocou fogo em sua alma. Todas as qualidades que nós atribuímos a um fogo as podemos usar para entender bem e apreciar melhor a realidade de uma vocação.

A vocação é algo sumamente formoso. No primeiro livro de Jeremias lemos a palavra de Deus a seu profeta: Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações. (Jeremias 1,5) De todas as imagens de nossa relação com Deus, poucas são mais chamativas que a realidade de que Deus nos conhece e tem um plano para a cada um. Antes do nascimento Ele começou a fazer em nós um fogo.

Uma vocação é formosa porque é um caminho específico dado por Deus para encontrá-lo. É um caminho à felicidade pessoal. Na vocação particular, todo homem e mulher encontram a plenitude de vida que lhes fazem ser verdadeiramente humanos. Nós, além disso, somos chamados à vocação da santidade. Na Igreja seus membros são chamados a adquirir a santidade fortalecida por tantos e grandes meios de salvação, ainda que todo o crente, em sua própria condição ou estado, está também convocado pelo Senhor à perfeição de santidade porque quem chama é “Ele, o Pai perfeito”.

A vocação é uma fonte de luz. Desde o princípio do tempo o ser humano tem buscado entender o propósito de sua missão na vida: quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? A luz que recebemos ao encontrar nossa vocação, nossa missão nesta vida, é uma resposta a todos essas perguntas. A vocação define ao homem, resolve-lhe a pergunta a respeito de quem é e o que deve ser: professor, sacerdote, doutor, mãe, pai Quando o ser humano entende a realidade de sua vocação, todos os outros questionamentos se resolvem. A vocação é a resposta à origem e propósito de vida da cada um. Criaste-me para Ti e meu coração está inquieto até que descanse em Ti. Em outras palavras, quando nos realizamos em nossa vocação, estamos na plenitude da luz. Pode-se ver claramente o caminho que Deus nos pôs adiante, onde começa e a aonde vai.

Uma vocação também emite calor, se funde no apogeu radiante do amor. E a vocação mais fundamental para todos é a de amar:Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu lhes amei. Fora do amor o homem é incompreensível. Cada vocação é especial: a vida matrimonial, a vida consagrada; são significações do amor de Deus irradiado no mundo.

Uma vocação consome e queima. O Evangelho está cheio de paradoxos. Nos diz que aqueles que se lamentam serão exaltados; os que choram, rirão e que aqueles que desejam encontrar sua vida devem perde-la. Toda vocação é seguida por um sacrifício. Mas esse sacrifício, esse jugo de Deus “é seu testamento que nós aceitamos. E este testamento não é pesado porque não oprime nem nos tira nossa liberdade”. Seu testamento serve-nos para conhecer o caminho de nossa existência; por isso é também nossa alegria: não nos aliena, nos purifica inclusive quando isto pode ser doloroso, porém nos leva para além de nós mesmos. Responder ao chamamento de Deus é deixar nossos próprios planos e ambições de lado; o que costumamos pensar que nos fazem felizes. Tudo para que encontremos a verdadeira felicidade em Deus.

A vocação é cativante. Nossa sociedade tem sede de heróis. As pessoas procuram modelos para emita-los. Os homens e mulheres sinceros procuram viver o que esses heróis professam e não se assustam em proclamar a outros. Em João Paulo II milhões de seres humanos viram um herói. Ele viveu sua vocação como cristão e como sacerdote plenamente. Ele foi uma “luz que brilhou na escuridão”; cativou porque sua chama iluminou como uma grande lâmpada na casa do mundo.

É próprio do homem buscar o significado de sua vida. Tem fome por resolver as propostas fundamentais de sua existência e precisa uma luz para guiar-se neste empenho. Só com a ajuda de Deus os anseios do homem ficam satisfeitos. Por isso é importante que cada homem e mulher descubram o caminho para oqual Deus lhes chamou e cultivem assim o fogo de sua vocação.


 

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