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Este é o Cordeiro de Deus...

Na Quinta-feira Santa, Jesus Cristo nos deixou instituído o "sacramento admirável": de seu Corpo e de seu Sangue (Corpus Christi). É o maior presente que Jesus nos deixou: sua presença viva entre nós, todo seu ser de Homem e todo seu ser de Deus, para ser alimento de nossa vida espiritual, para nos unir a Ele.

Esse maravilhoso presente nos deu o Senhor horas antes de morrer, durante a Última Ceia. Os eventos daquela noite e da Sexta-feira Santa entristecem a alegria deste Presente que nos deixou o Senhor.

Vejamos que relação há entre o que sucedeu na Quinta-feira Santa e na Sexta-feira Santa, e por que da Festa de Corpus Christi na qual a Igreja recorda e celebra o Sacramento do Corpo de Cristo.

No Antigo Testamento são descritos diferentes tipos de sacrifícios, entre estes, o sacrifício de reparação dos pecados do povo, nos quais se sacrificavam um cordeiro.

Aconteceu, então, que quando Deus decidiu liberar seu povo cativo dos egípcios, ordenou aos Hebreus imolar pela família um cordeiro O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras (Ex. 12,5), indicando-lhes que marcasse com o sangue do cordeiro sacrificado o umbral da porta de suas casas para que quando o Anjo exterminador passa-se naquela noite para ferir os primogênitos egípcios não os ferisse. Desde este momento, o sangue do cordeiro tem para os israelitas um valor redentor.

É assim como, essa primeira Quinta-feira Santa da história celebrava com seus Apóstolos a Páscoa judia, isto é, a comemoração da libertação do Egito. Nessa Cena Pascal se comia, igual àquela noite antes de sair do Egito, um cordeiro sacrificado. Porém, ocorreu algo imprevisto: Jesus, depois de comer a ceia pascal, substitui o cordeiro pascal por Si mesmo. Ele se entrega como verdadeiro Cordeiro Pascal, para ser sacrificado na Cruz no dia seguinte.

Isso é o que significam as palavras do Sacerdote quando, apresentando a Hóstia Consagrada diz: Este é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Essa palavra as disse antes São João Batista, ao identificar Jesus como o Messias às margens do Jordão: “João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (cf. João 1, 29).  

Porém há mais: no Antigo Testamento havia outro tipo de sacrifício: os sacrifícios da aliança. A Aliança entre Yavé e seu povo, pela qual este se comprometia cumprir o pedido de Deus, selada mediante um rito de sangue. Assim disse Moises aos israelitas, uma vez feita a Aliança: “Eis aqui o sangue do pacto que o Senhor tem feito convosco no tocante a todas estas coisas" (Ex. 24, 8). 

Essa era a "Antiga Aliança". Porém, na Última Ceia, ao apresentar o cálice de vinho, Jesus disse: "Este é o cálice da Nova Aliança, a qual se sela com meu Sangue. (Já não era sangue de animais, mas o Sangue do Filho de Deus que sela a Nova Aliança).

Estava anunciando o Senhor sua morte no dia seguinte, o verdadeiro Cordeiro sacrificado na Cruz e seu Sangue derramado, com o qual selaria a Nova Aliança.

O Corpo entregue e seu Sangue derramado faz da morte de Cristo um sacrifício singular: sacrifício de aliança que substitui a Antiga Aliança do Sinai por esta Nova Aliança, na qual o Cordeiro é Cristo, e na qual não se derrama sangue de animais, mas nada menos que o Sangue do Filho de Deus.

E todo esse sacrifício de Jesus, para nossa redenção: tudo isto por mim e para mim. E esta Aliança Nova é perfeita, posto que Jesus nos redime de nossos pecados e nos assegura para sempre o acesso a Deus e a possibilidade de viver unidos a Ele, mediante ao recebimento de seu Corpo e de seu Sangue na Comunhão, Sacramento de salvação que nos deixou instituído na primeira Quinta-feira Santa da história e que com razão a Igreja celebra novamente na Festa de Corpus Christi.

O significado deste "Mistério de Fé" que é a presença real de Jesus Cristo na Hóstia Consagrada é o sentido do sacrifício de Cristo na Cruz.

Tal como anunciou ao apresentar o Cálice na Última Ceia: seu Sangue, derramado por nos para perdoar nossos pecados; Seu Corpo entregue por nos. E esse Corpo e esse Sangue, os mesmos da Cruz, estão presentes no Pão e no Vinho consagrados, cada vez que o Sacerdote diz: “façam isto em minha memória, pronuncia as mesma palavras de Cristo na Última Ceia.

Oh infalível mistério! Oh mistério de nossa fé!

O ministério do Corpo e do Sangue de Cristo é um mistério de Amor. É o Presente maior que nos foi dado: Deus Pai nos entrega seu Filho para nos redimir do pecado, para pagar nosso resgate. Que preço para nos resgatar! A Vida de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, entregue na Cruz.

E essa entrega do Filho de Deus por nos os seres humanos, se remova em cada Eucaristia. Assim, em cada Santa Missa celebrada em qualquer parte do mundo, sua Presença Real e Viva no meio de nós, para ser reconhecido e adorado na Hóstia Consagrada, e para ser alimento de nossa vida espiritual quando o recebemos na Sagrada Comunhão.

Oh Presente infinito! Oh Presente de Amor

13 de junho - Santo Antonio


Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, confunde-se com o milagre. Não há canto ou recanto da vida humana que Santo Antônio não tenha visitado e nem necessidades a que não tenha atendido. A confiança do povo em Santo Antônio é ilimitada e suas súplicas parecem ser sempre atendidas, mesmo em situações humanamente desesperadoras.

Quem foi Santo Antônio? Nasceu em Lisboa, sendo português de nascimento, pelo fim do século XII. Morreu em Pádua, Itália, no dia 13 de junho de 1231.

Seu nome está em todo o mundo, sendo o santo mais popular da Igreja Católica em todo o Ocidente. Foi frade franciscano. Pela exumação de seus restos mortais, Santo Antônio teria tido um físico excepcional para um homem da Idade Média: 1,70m de altura, ombros largos e pernas fortes, rosto comprido e estreito, nariz fino, cabelos pretos, feições másculas. Mais importante, no entanto, do que seus traços físicos, foram o espírito e o coração deste homem incansável, que pregou o caminho do Evangelho, lutou pelo bem dos pobres e, corajosamente, investiu contra tiranos e exploradores do povo. Seus escritos deixam a impressão de uma pessoa forte e decidida, com feições iluminadas e olhar aceso. Ao mesmo tempo, deixam transparecer uma enorme ternura pelos pobres.

Santo Antônio é, sem dúvida, graças à força irradiante de sua pessoa e aos milagres sem conta que são atribuídos, o santo mais querido do povo cristão.

Hoje, ele parece mais vivo do que nunca, pregando os ideais de Cristo e abençoando seus fiéis devotos.

Santo Antônio desconhecido

Santo Antônio, no seu tempo, foi um cristão revolucionário porque, vendo a miséria das famílias, pensou em liberta-las desses males. Tratou de ajuda-las, soergue-las da condição desumana em que viviam, - auxiliar o homem elevando-o à sua dignidade de filho feito a imagem de Deus. Ainda hoje em dia este Santo é pouco conhecido. Hoje, mais do que nunca, a valorização certa de Santo Antônio precisa ser incorporada ao patrimônio da devoção ao Santo.

Mas quem foi Santo Antônio de Lisboa e de Pádua? Um cristão privilegiado em dons de Deus, desde a infância era feliz na graça de Deus, amado pelos seus familiares, crescendo dia a dia como amigo de Cristo. Santo Antônio sempre teve grande devoção pelos sacramentos, Sagradas Escrituras e ensinamentos da Igreja.

A fé entra pelos ouvidos, por isso deve ser pregada, tornar-se prática no modo de viver, e foi o que fez Santo Antônio, sem esperar a retribuição e sem transacionar os termos comerciais. Viveu para o próximo, para o sacrifício, para a fé no poder de Deus.

Morreu moço, tendo sido canonizado onze meses após. O culto dedicado ao Santo por milhares de fervorosos adeptos foi rapidamente se estendendo. Não só os católicos homenageavam Santo Antônio, mas também os índios da América do Norte, os pagãos da China, os ortodoxos e os cismáticos.

O dilui-se da imagem do Santo que buscava reduzir as penas daqueles que sofriam, fez ganhar cores vivas a figura de um Santo Antônio desligado, quase, de problemas superiores do homem, para preocupar-se com a procura de objetos que desapareceram e com os casamentos. Esquecem-se os que invocam Santo Antônio apenas para atender a estes dois aspectos, que o culto deve partir de uma força ligada ao Ser Supremo que tudo pode, que é Amor e afasta o desespero.

Falham aqueles que só vêem esta realidade: Santo Antônio como elemento de propaganda de casas comerciais, que obtém lucros sobre a lenda de casamenteiro imposta pela crendice, e que nada fazem no sentido de modificar a situação.

Falham também, os que misturando o nome do milagroso Antônio com os mais estranhos e curiosos rituais, contribuem para que a imagem verdadeira do Santo seja substituída por aquela mais conveniente aos ingênuos e àqueles que dela querem tirar benefícios.

O melhor momento para honrar-se Santo Antônio é no seu dia, e a forma correta de cultua-lo será a imitação de sua vida: pregar a fé, realiza-la através de atos de benefício ao próximo, isentos de crendice, e sem o objetivo único de lucro material.

A figura de Santo Antônio deverá ser um apelo a um trabalho melhor, a um comportamento mais humano e menos egoísta. Esse é o culto que deve ser dedicado ao Santo, esse foi seu modo de viver.

Desde o Batismo, o Espírito habita e gera em nós os dons de santificação

Para este artigo copio as páginas 44-45 do livro Os sete sacramentos à luz do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canônico (Cléofas), 2004, do Prof. Felipe Aquino, pois ajuda a melhor entender os ricos efeitos do Batismo e da Crisma em nós pelos sete dons do Espírito Santo.

Somente pela ação do Espírito Santo em nós é que podemos conquistar a santidade. “O Espírito de Jesus habita em nós para fazer-nos imagens de Jesus” (Rm 8,29). “Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1Cor 3,16). “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus?“ (1 Cor 6,19).

Desde o Batismo, o Espírito habita e gera em nós os dons de santificação: Sabedoria, Ciência, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus.

SABEDORIA – o Espírito nos capacita a conhecer a Deus na intimidade e também nos leva a conhecer e querer viver conforme a Sua vontade.

Entendimento ou Inteligência - nos leva a ver as pessoas e o mundo com os olhos de Deus. Somos levados a penetrar os mistérios de Deus e o seu conhecimento. Ainda menino no Mosteiro de Monte Cassino, São Tomás de Aquino já surpreendia os monges com essa pergunta: “QUEM É DEUS? ”.

CIÊNCIA – nos leva a compreender e a aceitar os planos de Deus revelados na Sagrada Escritura. Por esse dom muitos santos, embora quase analfabetos, tinham a ciência infusa das coisas de Deus.

CONSELHO – nos faz sábios diante da vida e nos impulsiona a procurar a Deus e a levar os outros a Deus, conhecendo e seguindo a sua vontade.

FORTALEZA – nos prepara para lutar contra as tentações e o pecado. Nos faz corajosos na defesa da fé, da “sã doutrina” (1Tm 1,10) da Igreja, e nos ajuda a vencer as zombarias e o respeito humano. Nos dá força e paciência para carregar a cruz de cada dia.

PIEDADE – produz em nós o amor a Deus, afastando-nos de toda forma de idolatria (prazeres, amor ao dinheiro, status, fama, vanglória, poder, superstições, ocultismo etc.). Nos faz viver como verdadeiros filhos de Deus, que ama o Pai com toda a sua vida. Nos leva e capacita à oração permanente e humilde que tudo alcança. Faz-nos curvar a cabeça e o coração diante das coisas sagradas. Move-nos a adorar a Deus e venerar os seus santos e anjos, e de modo especial Nossa Senhora, Mãe de Deus.

TEMOR DE DEUS – é o receio de ofender a Deus por ser Ele tão bom e Santo. Não é medo de ofendê-lo e ser castigado, e, sim, receio de decepcioná-Lo com o nosso pecado. Nada podemos sem o Espírito Santo: “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai, entretanto, permanecei na cidade [Jerusalém] até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,29).

Deus anseia dar a cada um de nós o Seu Espírito, “sem medidas” (Jo 3,34). “Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai Celeste dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem” (Lc 11,13). “Vinde Espírito Santo, enchei os corações das fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Santo Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra…. Até aqui falou o Prof. Felipe Aquino.

Aproveito a oportunidade para convidar a cada irmão (ã) na fé católica (ou que pensa em abraçá-la) para que procure a sua paróquia e se informe de como proceder para se batizar ou batizar sua criança. A você adolescente, jovem ou adulto, peço que solicite informações, em sua paróquia quanto ao sacramento da Crisma. Não desperdice a oportunidade de receber os dons que Deus quer lhe dar.


Fonte: Aleteia


 

Pentecostes


Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. (Atos 2, 1-4)

A palavra Pentecostes vem do grego e significa o qüinquagésimo dia. Aos 50 dias da Páscoa, os judeus celebravam, a festa das sete semanas (Ex 34,22), esta festa no principio foi agrícola, porem converteu-se depois em recordação da Aliança do Sinai.

No principio os cristãos não celebravam esta festa. As primeiras alusões à sua celebração se encontram nos escritos de São Irineu, Tertuliano e Orígenes, no final do século II e principio do século III. Já no século IV há testemunhos de que nas grandes Igrejas de Constantinopla, Roma e Milão, assim como na Península Ibérica, se festejava o último dia dos cinqüenta dias da páscoa.

Com o tempo foi-se dando maior importância há este dia, tendo presente o acontecimento histórico da vinda do Espírito Santos sobre Maria e os Apóstolos (Atos 2). Gradualmente, foi-se formando uma festa, para a qual se preparavam com jejum e vigília solene, algo parecido como ocorre na Páscoa. A cor utilizada é o vermelha para o altar e as vestes do sacerdote; o que simboliza o fogo do Espírito Santo.

Significado

Os cinqüenta dias do tempo pascal e as festas de Ascensão e Pentecostes, formam uma unidade. Não são festas isoladas de acontecimentos ocorridos no tempo, são partes de um só e único mistério.

Pentecostes é festa pascal e festa do Espírito Santo. A igreja sabe que nasce na Ressurreição de Cristo, porém se confirma com a vinda do Espírito Santo. Significa o momento em que os Apóstolos compreenderam por que foram convocados por Jesus; para que foram preparados durante os três anos de convivência intima com Ele.

A Festa de Pentecostes é como o “aniversario” da Igreja. O Espírito Santo desce sobre aquela comunidade nascente e temerosa, infundindo sobre ela seus sete dons , dando-lhes o valor necessário para anunciar a Boa Nova de Jesus; para preservá-los na verdade, como Jesus o havia prometido (Jo 14, 16); para fazê-los seus testemunhos; para irem, batizar e ensinar a todas as nações.

O mesmo Espírito Santo que, a dois mil anos, segue descendo sobre quem crê que Cristo viveu, morreu e ressuscitou por nós; sobre quem sabe que somos parte e continuação daquela pequena comunidade, agora estendida por tantos lugares; sobre nos que somos responsáveis seguir estendendo seu Reino de Amor, Justiça, Verdade e Paz entre os homens.

Quem é o Espírito Santo?

“Ninguém pode dizer; Jesus é o Senhor! Senão por influencia do Espírito Santo” (1Co 12,3)

Muitas vezes escutamos falar Dele; muitas vezes também o tenhamos mencionado e o invocado. Pense em quantas vezes temos sentido sua ação: como quando não entendemos porque suportamos e superamos uma situação, uma relação pessoal difícil e continuas, nos reconciliamos, toleramos, aceitamos, amamos e até fazemos algo pelo outro... Essa força interior que não sabemos de onde sai, é nada menos que a ação do Espírito Santo que, desde o batismo, habita dentro de nos.

O Espírito Santo tem atuado durante toda a historia do homem. Na Bíblia é mencionado desde o principio, mesmo que de maneira velada. E é Jesus que o apresenta oficialmente:
 

“Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre. Este é o Espírito da verdade... Quando vier o Ajudador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que do Pai procede, esse dará testemunho de mim; e também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras”
(Fragmentos do Evangelho de São João, capítulos 14, 15 e 16)

 

Recebei o Espírito Santo

Fomos batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O Pai que tudo criou por amor, o Filho amado que se encarnou, morreu, ressuscitou, voltou ao Céu, está presente conosco, um dia há de voltar glorioso, e o Espírito Santo de amor, alma da Igreja, presente do Ressuscitado à Igreja e ao mundo. O coração de nossa vida cristã está no amor, vida da Santíssima Trindade, força transformadora, capaz de mudar o mundo. No tempo do Espírito Santo, até o final dos tempos, somos chamados à missão de anunciar a Boa Nova do Evangelho.

Jesus ressuscitado apareceu aos seus discípulos, soprou sobre eles e lhes concedeu o Espírito Santo (Cf. Jo 20, 19-23). Quando veio o dia de Pentecostes, os que se encontravam em oração no Cenáculo, com Maria, a Mãe de Jesus, receberam o Espírito Santo (Cf. At 2, 1-11). Homens antes marcados pelo medo agora se lançam à missão. Multiplicaram-se os dons do Espírito Santo na vida de todos e os Atos dos Apóstolos testemunham os frutos de sua efusão, na pregação, vida comunitária, oração e milagres. E a Igreja cresceu com a força do Espírito, mantendo em todos os séculos o ardor missionário, para chegar aos confins da terra. Cada época, inclusive com suas crises, foi sempre marcada pela ação do Espírito Santo, que suscitou pessoas e iniciativas adequadas para que o Evangelho chegasse a todos.

E época de mudanças e crises é, de forma especial, o tempo em que vivemos, tanto que se diz com frequência que a atual é uma "mudança de época", uma grande virada na história, que deixa perplexas pessoas e instituições, como se o chão fosse tirado de debaixo dos pés. Nos próximos meses serão comemorados os cinquenta anos da conclusão do Concílio Vaticano II, assim como de vários de seus documentos, frutos da ação do Espírito Santo, que impulsionou a belíssima estação missionária então inaugurada na Igreja. A última das grandes Constituições emanadas do Concílio continua plenamente atual, reveladora da perspicácia suscitada justamente pelo Espírito Santo, parecendo redigida para os dias que correm.

Nossa atual mudança de época é chamada de crise. O Concílio Vaticano II oferecia uma leitura que se revela pertinente: "Como acontece em qualquer crise de crescimento, esta transformação traz consigo não pequenas dificuldades. Assim, o homem, que tão imensamente alarga o próprio poder, nem sempre é capaz de colocá-lo ao seu serviço. Ao procurar penetrar mais fundo no interior de si mesmo, aparece frequentemente mais incerto a seu próprio respeito. E, descobrindo gradualmente com maior clareza as leis da vida social, hesita quanto à direção que a esta deve imprimir. Nunca o gênero humano teve ao seu dispor tão grande abundância de riquezas, possibilidades e poderio econômico; e, no entanto, uma imensa parte dos habitantes da terra é atormentada pela fome e pela miséria, e inúmeros são ainda os analfabetos. Nunca os homens tiveram um tão vivo sentido da liberdade como hoje, em que surgem novas formas de servidão social e psicológica. Ao mesmo tempo em que o mundo experimenta intensamente a própria unidade e a interdependência mútua dos seus membros na solidariedade necessária, ei-lo gravemente dilacerado por forças antagônicas; persistem ainda, com efeito, agudos conflitos políticos, sociais, econômicos, raciais e ideológicos, nem está eliminado o perigo duma guerra que tudo subverta. Aumenta o intercâmbio das ideias; mas as próprias palavras com que se exprimem conceitos da maior importância assumem sentidos muito diferentes segundo as diversas ideologias. Finalmente, procura-se com todo o empenho uma ordem temporal mais perfeita, mas sem que a acompanhe um progresso espiritual proporcionado. Marcados por circunstâncias tão complexas, muitos dos nossos contemporâneos são incapazes de discernir os valores verdadeiramente permanentes e de harmonizá-los com os novamente descobertos. Daí que, agitados entre a esperança e a angústia, sentem-se oprimidos pela inquietação, quando se interrogam acerca da evolução atual dos acontecimentos. Mas esta desafia o homem, força-o até a uma resposta" (GS 9).

O Espírito Santo suscita e exige de nós respostas adequadas, capazes de revelar o papel que cabe justamente aos cristãos na transformação da realidade. Um dos sinais da docilidade ao Espírito Santo é o sentido da esperança, com o qual se identificam os sinais da graça de Deus presentes nos corações das pessoas. Passar por todos os lugares recolhendo o que existe de positivo e de autêntico em todos, verdadeiras sementes do Verbo de Deus que o Espírito Santo plantou. Atrás de muitos olhares cheios de perplexidade, outros até marcados pela dor ou pela revolta, está latente a busca da verdade. Celebrar a Festa de Pentecostes é comprometer-se com a visão do bem existente, onde quer que nos encontremos, especialmente nos ambientes mais desafiadores.

As pessoas não esperam dos cristãos uma adaptação pura e simples aos conceitos de grupos ou correntes de pensamento. O respeito aos cristãos vem quando estes são coerentes e buscam as razões de suas convicções e as oferecem com simplicidade e realismo. Já ouvi jovens que afirmaram ainda não conseguirem viver como cristãos, mas sabedores de que estes proclama e vivem a verdade. Este é um caminho oferecido pelo Espírito Santo, adequado para nossos dias.

O Espírito Santo suscita para nosso tempo a coragem para sermos diferentes para melhor. Considero verdadeira tentação as respostas feitas de tradicionalismo e integrismo, com as quais alguns grupos pretendem contrapor-se às ondas destruidoras de valores de nosso tempo. É mais exigente e ao mesmo tempo mais forte que homens e mulheres convictos do Evangelho, presentes em todos os ambientes, criativos no diálogo, corajosos na descoberta das pontes a serem edificadas com as pessoas que muitas vezes os questionam, se sintam lançados aos novos campos de missão. O Espírito Santo nos conceda uma nova onda de profissionais, técnicos, cientistas, operários, políticos, gente de nosso tempo com uma nova qualidade, capazes de serem diante do mundo melhores, não para humilhar quem quer que seja, mas prontos a fecundar esta época com as mudanças mais profundas, aquelas que Ele mesmo, Espírito da verdade, planta em nossos corações.

Atitudes de nosso tempo, "da hora", plenamente adequadas, como fruto do Pentecostes que celebramos: clareza de que Deus habita em nós como num templo, consciência de que a dignidade humana dada pelo Batismo, fazendo-nos novas criaturas; horror ao pecado, à mentira, à violência, à impureza (Cf. Gl 5, 13-26); oração contínua (Cf. Lc 18, 1) para viver sempre na presença de Deus; humildade, penitência, adesão à Igreja de Cristo e alegria constante. Pessoas assim, conduzidas pelo Espírito Santo, são capazes de fermentar a mudança do mundo e responder aos desafios de nosso tempo.


Fonte: CNBB


 

 

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