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Dom Pedro Casaldáliga: uma vida que dá sentido a muitas vidas

A Igreja do Brasil e de vários pontos do mundo volta seu olhar ao longo desta semana para um ponto perdido do estado do Mato Grosso à beira do rio Araguaia.  Ali está a prelazia de São Felix do Araguaia, onde vive o poeta e profeta Pedro Casaldáliga, que completou noventa anos de idade no dia 16 de fevereiro.

Eu o conheci primeiramente pela escuta dos que sobre ele testemunhavam.  Tocados por sua poesia, inspirados por sua profecia, referiam-se a ele de tal maneira que desejei conhecer pessoalmente seus textos.  Seu livro autobiográfico “Yo creo en la justicia y en la esperanza”, com a introdução intitulada “La vida que ha dado sentido a mi credo”, tocou-me sobremaneira. Ali eu encontrava e apalpava a mística que dava sustentação à teologia que pretendia fazer.  Cheia de jovens e imoderados desejos, os textos de Pedro me revelavam a seriedade de um compromisso que tomava por inteiro uma vida: a dele.

Alguns anos depois, quando já me encontrava na pós-graduação em teologia da PUC-Rio, pude ouvi-lo falar.  Assim também em Itaici, por ocasião de um congresso organizado pelos padres passionistas.  A primeira impressão ao ver aquela figura magrinha e aparentemente frágil foi transformada pela primeira palavra que saiu de sua língua de fogo.  Falando de justiça e de esperança, fazia todos estremecerem pela força de suas palavras. Agigantava-se e alcançava dimensões impensáveis com sua fé e profecia.

Em minhas aulas de teologia usei vários de seus poemas que inspiravam os alunos e os conduziam à reflexão sobre a Revelação e a Palavra de Deus. Pois, com todo o fogo de seu testemunho e sua profecia, Pedro é também poeta. Dedica poemas ao rio.  Sua sensibilidade é capaz de extasiar-se com a beleza do Araguaia “que pulsa sob seus pés como uma artéria viva”, com a mata verdejante e expressa seu louvor em versos ao Criador de toda essa maravilha. E seus versos andam “cheios de Deus como pulmões cheios do ar vivo”.

Como profeta, sua língua de fogo não hesitou em proclamar ao longo desses muitos anos os direitos dos pobres como direitos de Deus.  E ao tomar progressiva consciência da dura servidão à qual não poucos proprietários de terras reduziam aqueles que desejavam apenas uma terra para cultivar e plantar, não poupava denúncias e críticas.  Tudo isso lhe valeu perseguições e ameaças as mais diversas e violentas. Mas jamais deixou de explicitar o que o impulsionava ao viver sua vocação profética, admitindo não saber “se seria capaz desses caminhos se não estivesse Deus como uma aurora rompendo sua névoa e seu cansaço”.

A união com Deus é o que configura a vida de Pedro, o místico. Trata-se de alguém que experimenta a comunhão íntima e ardente com o Mistério que é o Sentido de sua vida.   Em suas andanças pelo Mato Grosso, pelo Brasil, pela América Latina, sobretudo na explosiva região da América Central, sempre contemplou Deus presente no rosto dos pobres.  E, no entanto, humildemente, sempre confessou não saber se poderia conviver com essas vítimas da injustiça “se não tropeçasse com Deus em seus farrapos; se não estivesse Deus como uma brasa queimando seu egoísmo lentamente”.

Esse extraordinário profeta, poeta e místico elabora com sua vida e suas palavras uma profunda teologia.  Embora sempre haja sido missionário e não docente ou pesquisador da ciência sacra, seus escritos, seus poemas, mas, sobretudo sua vida e sua prática são uma teologia consistente e em constante movimento. Ele a tem pensado e feito ao lado dos pobres, cada dia partilhando sua “noite escura” que só a esperança ilumina.  Por isso proclama que apenas vivendo a noite escura dos pobres se pode viver o Dia de Deus, “pois as estrelas só se veem de noite”. Sua teologia afirma que que tudo é relativo, menos Deus e a fome. Olhando para esses dois absolutos tem caminhado com coragem e firmeza.

Como se pode ver, Pedro – esse jovem de noventa anos vergado pelo mal de Parkinson -  é uma testemunha.  Sua vida atesta a verdade maior do mistério da encarnação, vida, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, a Testemunha Fiel por excelência. Em sua fragilidade carrega e comunica a vocação e a missão do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.  E procura fazer verdade a construção de seu Reino, projeto do Deus da vida para todos. Com isso dá sentido a muitas vidas e faz muitos descobrirem o sentido de suas existências.

Fiel ao Evangelho, boa notícia que um dia o fez deixar a Catalunha e estabelecer-se para sempre ao sul do mundo, onde o conforto é escasso e a injustiça abundante, Pedro celebra seus noventa anos fiel ao lema que escolheu quando ordenado bispo: Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar.

Reverente e amante da vida prepara-se para este aniversário que mobiliza tantos com simplicidade e alegria.  O aniversário é dele, mas o presente é nosso.  Presente que é ele mesmo, com esta vida dada em serviço, inspiração e fidelidade.  Feliz Aniversário, querido irmão, amado mestre, grande pastor.  Que sua vida continue dando sentido à nossa e, mais ainda, continue ensinando a nós todos o caminho da vida em plenitude.


Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio 


 

CF 2018: Sem justiça social não haverá superação da violência

A Campanha da Fraternidade 2018 será aberta na próxima quarta-feira, 14, com a proposta de construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência. Este caminho de conversão quaresmal, em vista de uma cultura da paz, exige o enfrentamento da realidade de exclusão. É o que aponta o secretário executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Luís Fernando da Silva. Em entrevista, ele ressalta que “SEM A JUSTIÇA SOCIAL NÃO HAVERÁ SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA”.

Qual é o grande convite da CF 2018 para os cristãos?

A violência é o não reconhecimento do outro, é coisificar a pessoa humana e toda vez que a pessoa humana é coisificada também é manipulada, se exerce força e brutalidade para com ela. O grande objetivo da Igreja com a Campanha da Fraternidade 2018 é: construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência.

Quais são os caminhos de superação da violência?

Nessa Campanha ouvimos um tríplice chamado de Jesus. O primeiro chamado é o da valorização da vida. A vida é dom divino, portanto precisa ser respeitada do seu início ao seu fim natural. O segundo chamado é o da fraternidade, essa Campanha quer recordar que somos irmãos e irmãs filhos do mesmo Pai do céu, o grande sonho do Pai é que seus filhos vivam em paz e em harmonia. Por fim, o terceiro chamado é ao profetismo. Por causa da dimensão profética, recebida no batismo, nós lutamos pela preservação e garantia dos direitos elementares do ser humano.

A superação da violência, condição para uma sociedade e cultura da paz, exige comprometimento e ações envolvendo a sociedade civil organizada, a Igreja e os poderes constituídos para a formulação de políticas públicas emancipatórias que assegurem a vida e o direito das pessoas em uma sociedade e cultura de Paz.

A não consolidação dessas necessidades básicas é uma das principais causas da violência física, psicológica e social na sociedade brasileira. Portanto, superar a violência em vista de uma cultura da paz, exige o enfrentamento dessa realidade, pois sem a justiça social não haverá superação da violência.

Como relacionar a vivência da CF e a quaresma?

A Campanha da Fraternidade nasceu como um apelo de conversão comunitária e social, para ser vivido no Tempo da Quaresma, tempo propício para essa realidade. Contudo hoje fica muito claro que a reflexão da Campanha da Fraternidade ultrapassa o tempo da Quaresma. Em muitos lugares do Brasil, a Campanha é trabalhada durante todo o ano. Em alguns lugares a reflexão de alguns temas dura muito mais que um ano. Por exemplo, outro dia encontrei-me com um grupo que se reúne todos os meses para discutir a CF de 2004. Com isso vamos percebendo que o papel da CNBB é muito mais que lançar a semente. A semente lançada segue florescendo e dando frutos de acordo com cada realidade.

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018

Amados irmãos e irmãs!

Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão», que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.

Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará. » (24, 12).

Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenómenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Os falsos profetas

Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?

Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!

Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis, mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demônio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.

Um coração frio

Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo; habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?

O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1 Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n'Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos. Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.

A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.

E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a inercia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.

Que fazer?

Se porventura detectamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.

Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos, para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.

A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?

Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.

Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente conosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!

O fogo da Páscoa

Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.

Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.

Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «fogo novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito», para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.

Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.

Vaticano, 1 de novembro de 2017
Solenidade de Todos os Santos

Francisco

Quarta-feira de Cinzas: Oração, Penitencia e Jejum

A imposição das cinzas nos recorda que nossa vida na terra é passageira e que nossa vida definitiva se encontra no Céu.  A Quaresma começa com a Quarta-feira de Cinzas e é um tempo de oração, penitencia e jejum.

Quarenta dias que a Igreja marca para conversão do coração. As palavras que se usam para a imposição das cinzas são:

"Conceda-nos, Senhor, o perdão e nos faz passar do pecado
à graça e da morte para a vida. Recorda que pó eras e em pó te converterás
"

Origem do costume

Antigamente os judeus costumavam cobrir-se de cinzas quando faziam algum sacrifício e os nivitas usavam as cinzas como sinal de seu desejo de conversão de uma vida vivida no caminho do “mal” para uma vida com Deus.

Nos primeiros séculos da Igreja, as pessoas que queriam receber o Sacramento da Reconciliação na quinta-feira Santa, colocavam cinzas na cabeça e se apresentavam ante à comunidade vestidos com um “habito penitencial”. Isto representava sua vontade de converter-se.

No ano de 384 d.C., a Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos e desde o século XI, a Igreja de Roma impõem cinzas ao iniciar os 40 dias de penitencia e conversão.

As cinzas que se utilizam são obtidas queimando-se as palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Isto nos recorda que o que foi sinal de glória se reduz a nada.

Também, foi usado o período da Quaresma para preparar os que iam receber o Batismo na noite de Páscoa, imitando Cristo em seus 40 dias de jejum.

A imposição das cinzas é um costume que nos recorda que algum dia vamos “morrer” e que nosso corpo se converterá em pó.

Ensina-nos que todos os bens materiais que temos aqui, se acabam. Na mudança, todo o bem que temos em nossa alma vamos levar para a eternidade. Ao final de nossa vida, somente levamos aquilo que fizemos em nome de Deus e pelos nossos irmãos.

Quando o sacerdote nos impõe as cinzas, devemos ter uma atitude de querer melhorar, de querer ter amizade com Deus. As cinzas se impõem às crianças e adultos.

Significado do carnaval no início da Quaresma

A palavra carnaval significa adeus à carne e sua origem remota os tempos antigos nos quais por falta de métodos de refrigeração adequados, os cristãos tinham a necessidade de acabar, antes do inicio da Quaresma, com todos os produtos que não podiam consumir durante esse período (não somente carne, mais também leite, ovos, etc.)

Com este pretexto, em muitas localidades se organizam na terça-feira anterior à quarta-feira de cinzas, festas populares chamadas de carnavais nos quais se consumiam os produtos que podiam estragar durante a Quaresma.

Muitos logo começaram a degenerar o sentido do carnaval, convertendo-o em um pretexto para organizar grandes comilanças e praticarem todos os atos dos quais se “arrependeriam” durante a Quaresma, marcadas por uma série de festejos e desfiles nos quais exaltavam os prazeres da carne de um modo exagerado, da mesma maneira que continua acontecendo atualmente nos carnavais de algumas cidades, como no Rio de Janeiro, Salvador ou New Orleans (Estados Unidos).

O jejum e a abstinência

A quarta-feira de cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de jejum e abstinência. O jejum consiste em comer somente uma refeição reforçada ao dia e a abstinência de comer carne. Este é um modo de pedir perdão a Deus por ofendê-lo e dizer-lhe que queremos mudar de vida para agrada-lo sempre.

A oração

A oração neste tempo é importante, nos ajuda a estar mais próximo de Deus para mudar o que necessitamos mudar em nosso interior. Necessitamos nos converter, abandonando o pecado que nos afasta de Deus. Mudar nossa forma de viver para que Deus seja o centro de nossa vida. Somente na oração encontramos o amor de Deus e a doce e amorosa exigência de sua vontade.

Para que nossa oração tenha frutos, devemos evitar:

A hipocrisia – Jesus não quer que oremos para chamar a atenção dos outros com nossa atitude exterior. O que importa é nossa atitude interior.

A dispersão – Isto quer dizer que devemos evitar as distrações quando oramos. Devemos preparar nossa oração, o tempo e o lugar onde vamos orar para podermos nos colocar na presença de Deus.

A multiplicidade das palavras - Isto que dizer que não se trata de falar muito ou repetir orações de memória, mais escutar Deus. Na oração nos encontramos com Ele; com nossos desejos, nossas intenções e nossas necessidades. Por isso não necessitamos dizer muitas coisas. A sinceridade que usamos deve sair do fundo de nosso coração, porque a Deus não se pode enganar.

O sacrifício

Ao fazer algum sacrifício, devemos o fazer com alegria, já que é por amor a Deus. Se não for assim, causaremos lastima e compaixão e perderemos a recompensa da felicidade eterna. Deus é o que vê nosso sacrifício desde o céu e é quem vai nos recompensar.

Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6,6)

A Virgem Maria em sua vida teve que levar a cabo muitos sacrifícios e o fez com muita alegria e amor a Deus.

Santa Bakhita: a santa da esperança cristã

Ela tinha todos os motivos para se revoltar com o mundo. Mas preferiu seguir o caminho da santidade

Negra, sudanesa, vendida várias vezes como escrava, passando por vários senhores que a maltrataram de diversas formas. Bakhita é um modelo de pessoa que pareceria ter todos os motivos para se revoltar com o mundo e com as pessoas. Um modelo que mostraria que a humanidade não tem mais jeito, que trata seus irmãos como objetos sem dignidade. Um modelo que, no final das contas, decreta que o que vale realmente na vida é a lei do mais forte. Mas contra todas as expectativas mundanas, a santa é para nós modelo de esperança cristã. Como pode ser?

Mais tarde em sua vida, depois de ter passado por várias experiências negativas de escravidão e sendo já religiosa canossiana, ela consegue olhar para trás e dizer que inclusive beijaria as mãos de seus antigos captores, porque se não fosse a sua passagem por todos eles, não teria conhecido quem agora era seu único patrão, esse Deus bom, que a ama incondicionalmente e que seu coração buscava desde criança quando contemplava o sol e perguntava quem era o “patrão” de tudo aquilo.

Essa atitude nos lembra a passagem bíblica que narra a reação de alguém que encontra a pérola mais valiosa e vende tudo para adquiri-la. Bakhita, ao encontrar esse Senhor bom e definitivo, julga que toda a sua vida anterior merece ser deixada para trás, a fim de entregar-se completamente a Deus. É nesse momento que seu nome (Bakhita não é seu nome verdadeiro, mas um nome dado por um dos mercadores de escravos e que significa “afortunada”) se mostra profético. Ela se descobre verdadeiramente afortunada ao descobrir que por mais maldade que possa existir no mundo, existe também esse “patrão bom” que a ama infinitamente e que a convida a seu serviço.

Em que momento ela “vendeu tudo”? Talvez seja quando manifestou sua vontade de permanecer com as religiosas quando a família que servia voltou da África e a foi buscar. Depois de ter tido essa experiência cristã e ter se encontrado pessoalmente com o Senhor Jesus, ela já não via como poderia voltar a servir outros patrões. Mais ou menos como aquela outra passagem Bíblica na qual Jesus chama dois discípulos para “vim e ver” onde ele morava e passar uma tarde com Ele. Depois dessa experiência, eles saem já transformados, anunciando aos seus que tinham encontrado o Messias. Bakhita, depois de batizada e de ter comungado do senhor Eucarístico, encontrou o sentido de sua vida.

Em um mundo que parece ter muita dificuldade de encontrar esperanças, Josefina Bakhita nos mostra a todos onde está a verdadeira e única esperança cristã. Atualmente, negros continuam a ser alvo de racismo, a serem perseguidos. A eles, se somam vários cristãos que são perseguidos pela sua fé em países que não possuem liberdade religiosa. Recentemente vimos a nossa vizinha Bolívia iniciar um processo que quer criminalizar o anúncio do Evangelho. Ou seja, vivemos em um mundo no qual se persegue crescentemente liberdades consagradas das pessoas. Diante dessa possibilidade de escravidão (Tanto física como espiritual), a santa sudanesa renova a nossa esperança em Deus, o único patrão que realmente liberta aqueles que o servem.


Fonte: Aleteia


 

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