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Dízimo é Partilha

Dízimo é um ato de gratidão a Deus, do qual recebemos tudo o que temos. É devolução a Ele de um pouco do que dele recebemos, por meio da Igreja, para que o seu Reino aconteça entre nós. É manifestação de nosso amor a Deus e aos irmãos. É partilha dos bens que estão a nosso dispor, especialmente com os mais necessitados.

Todos devem contribuir com o Dízimo?

Sim! O oferecimento do Dízimo nasce do coração de cada cristão participante em sua comunidade. O cristão esclarecido, em espírito de oração, fará a Deus a sua promessa, o seu voto de ofertar o Dízimo. É um ato de amor a Deus e aos irmãos.

Quanto se deve dar de Dízimo?

Dízimo é uma questão de generosidade. “Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama quem dá com alegria” (2Cor. 9,7)

O dizimista deve sentir-se livre perante Deus ao fixar o percentual de sua contribuição, não deve se preocupar com o que sai do seu bolso (se muito ou pouco dinheiro), mas com o que sai de seu coração (se pouco ou muito amor a Deus e à Comunidade).

Alguém da comunidade está dispensado de contribuir com o Dízimo?

Todas as pessoas que participam de alguma pastoral, movimento ou ministério devem oferecer o seu Dízimo. O padre deve ser um motivador do Dízimo, por isso também deve ser um dizimista. É bom lembrar que a contribuição para movimentos e ajudas diversas não substitui o Dízimo.

O Dízimo deve ser mensal?

Sim! Com poucas exceções da área rural, o Dízimo deve ser levado à comunidade, mensalmente, pois os ganhos do dizimista são mensais e as necessidades da comunidade também.

Onde é aplicado o Dízimo?

É bom saber que o Dízimo tem destino certo. Ele é direcionado para seis dimensões da obra evangelizadora.

A primeira é a dimensão litúrgica, nas despesas com o culto: toalhas, velas, flores, folhas de canto, luz, água, vinho, hóstias....

A segunda é a dimensão Pastoral, nas despesas com as pastorais: catequese, retiros, livros, cartazes...

A terceira é a dimensão Comunitária, na remuneração dos padres, dos funcionários, manutenção do prédio, da casa paroquial, da secretaria...

A quarta é a dimensão Social, na promoção humana e social, pobres, idosos, crianças, dependentes químicos...

A quinta é a dimensão Missionária, na colaboração com as paróquias pobres da diocese e de outras dioceses, com as missões...

E a sexta é a dimensão Vocacional, na formação de lideranças, novos padres, Ministros, catequistas...

Deve-se prestar contas à comunidade do Dízimo recebido?

Sim! A equipe do Dízimo, tendo a frente o pároco, prestará contas do valor do Dízimo oferecido e como está sendo aplicado.

O Dízimo é expressão de generosidade?

O Dízimo, dado com amor, faz-nos mais generosos e agrada a Deus. Faz-nos mais desapegados dos bens terrenos; faz-nos menos egoístas. É um caminho de conversão.

Deus, que prometeu que não ficaria sem recompensa um só copo de água fresca, dado a um pequenino (Mt. 10,42), não se deixará vencer em generosidade para conosco. Só é dizimista de verdade quem acredita na Palavra de Deus.

Quais os efeitos produzidos pela partilha do Dízimo

Com certeza, com a oferta do Dízimo haverá um maior entendimento da Palavra de Deus. Uma descoberta de que o Dízimo é um ato de louvor, um compromisso com Deus, com a Igreja e com os pobres. Crescerá a alegria do coração e as bênçãos de Deus virão com certeza sobre o dizimista.

O Dízimo no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, o Dízimo é entendido como a décima parte dos bens recolhidos a Javé: “Em todo o Dízimo de gado graúdo ou miúdo, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor é coisa consagrada a Javé”. (Lv 27,32)

No livro do Gênesis encontramos a primeira referência bíblica ao Dízimo: “E Abrão lhe deu o Dízimo de tudo”. (Gn14,20)

O Profeta Malaquias tem uma esclarecedora página sobre o Dízimo: “Tragam o Dízimo. Façam essa experiência comigo. Vocês vão ver se não abro as comportas do céu, se não derramo sobre vocês as minhas bênçãos de fartura” (Ml 3,8)

O Dízimo no Novo Testamento

No Novo Testamento o Dízimo está na linha da coerência de vida e na direção da justiça, da misericórdia e da caridade.

São Paulo lembra que: "Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria."

Continua São Paulo: "Poderoso é Deus para cumular-vos com toda espécie de benefícios, para que tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras. Como está escrito: espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre".


Como Fazer?

Após a leitura deste texto, procure fazer uma meditação, uma oração, uma reflexão profunda e perceba como você está assumindo o Dízimo.

Procure conhecer a Pastoral do Dízimo da sua Comunidade e como fazer para oferecer o Dízimo.

Com o Dízimo de cada um, toda a Comunidade será beneficiada e estará caminhando conforme a Palavra de Deus.

E, assim, a comunidade dos fiéis será um só coração e uma só alma. (cf At 4,32).


2 Cor 9,7-10
7 Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.
8 E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra;
9 conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre.
10 Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para comer, também dará e multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça.

Campanha da Fraternidade 2019

Em 1961 três Sacerdotes que atuavam junto a Cáritas Brasileira, decidiram promover uma campanha para arrecadação de fundos para as atividades assistências da Igreja local. Esta atividade foi chamada de CAMPANHA DA FRATERNIDADE.  No contexto da Quaresma de 1962, foi a ocasião em que se deu pela primeira vez a experiência da Campanha da Fraternidade, na cidade de Natal, estado do Rio Grande do Norte, numa iniciativa do Cardeal Eugenio de Araújo Sales. Daí a Campanha foi assumindo, dentro do contexto de conversão quaresmal, todas as demais dioceses do Brasil.

Em cada ano um assunto é aprofundado. Neste ano, o tema que nos é proposto pela Igreja no Brasil, nos faz refletir sobre as Políticas Públicas, a necessidade de Políticas que promovam a dignidade humana no Brasil. O tema “FRATERNIDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS” dá continuidade ao do ano passado sobre a Paz. O lema nos inspira na Sagrada Escritura e nos posiciona com os olhos no futuro: “SERÁS LIBERTADO PELO DIREITO E PELA JUSTIÇA” (Is 1, 27).

O Reino já está “em nosso meio”, porém precisamos fazer nossa parte quando por um impulso do coração, guiado por uma fé límpida, nos tornemos uma fraternidade de irmãos e irmãs. Mas para isso, devemos descer da montanha, agir como o “bom samaritano”, com humildade e amor, e nos curvar à vida do irmão, numa atitude de dom e reverencia à vida, movida pelo seu valor intrínseco, e pelo lugar que ocupa na hierarquia dos valores.

O amor existe e sobrevive, apesar de tudo, no silêncio de muitos corações, mas só terá sua plenitude na relação coerente de cada pessoa e de toda comunidade, com este amor.

A Igreja pode ser um lugar do anúncio e denúncia de tudo o que pode ferir a dignidade das pessoas, especialmente daqueles que são privados de seus direitos é preciso conquistar políticas sociais (públicas) que garantam uma vida digna aos pobres, ou seja, formas de construir a vida dos cidadãos.

Cabe à Igreja, em sua missão de anunciar Jesus Cristo, e como consequência, chamar a sociedade a ser mais justa; favorecer o diálogo e a ação transformadora, consciente de ser uma das forças vivas da sociedade. A Igreja segue firme sua missão em favor das Políticas Públicas que promova a cidadania e o direito da pessoa.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe que durante esta Quaresma, através da Campanha da Fraternidade, a sociedade reflita sobre a necessidade de promover uma cultura de paz em meio a tanta violência, o caminho pode ser através das Políticas Públicas.

Com a Campanha da Fraternidade, somos chamados a ser os protagonistas da superação da violência, fazendo-nos mensageiros e construtores da paz, promovendo e incentivando mais Políticas Públicas que favoreça a segurança e o bem-estar das pessoas. A paz continua, fruto do desenvolvimento integral de todos, nascido de um novo relacionamento com todas as criaturas, este também é o sonho de nosso Deus. Deve ser nosso compromisso constante, como Igreja Povo de Deus.

A vida e a dignidade do povo, dos grupos sociais mais vulneráveis, são afetadas com frequência, por ausência de Políticas que contemplem as suas necessidades integrais de subsistência.

Esta é uma realidade complexa, embora a ação de todos seja importante, ações comunitárias são necessárias. Daí o apelo que a Igreja no Brasil, através da Campanha da Fraternidade, faz a toda a sociedade e seus representantes.

O objetivo geral da Campanha é levar a Igreja e a sociedade a se empenhar na defesa e promoção da vida humana, sobretudo quando esta vida é ameaçada, perseguida, oprimida por qualquer sistema de injustiça e opressão. A Igreja tem consciência de que a vida humana é uma dádiva de Deus.

Entre os objetivos específicos da Campanha da Fraternidade 2019, emergem promover a cultura da vida através de Políticas Públicas de educação, Saúde e Segurança Social, para o pleno desenvolvimento da consciência, a corresponsabilidade entre o homem e a mulher, e a solidariedade entre todos nas Políticas de promoção da justiça e dignidade da pessoa.

 A Igreja, através da Campanha da Fraternidade 2019, quer fomentar o diálogo e trabalhar em conjunto, com as diversas camadas da sociedade, com as pessoas de diferentes origens culturais e religiosas. A Igreja deseja procurar maneiras comuns de promover mais Políticas Públicas para todos, especialmente aos mais vulneráveis que na sua maioria são vítimas da exclusão social.

 A Igreja como Mãe e fiel ao Evangelho das bem-aventuranças, pretende continuar cada vez mais do lado dos pobres e oprimidos, acolher, proteger, e encorajar estes irmãos e irmãs para promover e respeitar sua dignidade. A Campanha da Fraternidade 2019 visa desenvolver uma consciência crítica nas pessoas diante de estruturas que geram a morte e promovem a manipulação da vida humana; e antes de tudo propor e apoiar políticas públicas que garantam a promoção e a defesa da vida.

Esta Campanha da Fraternidade pretende ser mais um esforço para a conversão Quaresmal na vida de todos os Cristãos, a fim de buscar sempre maior fidelidade a Deus, o criador e doador de vida.

O tema da Campanha da Fraternidade 2019 propõe a conversão do coração e a consequente transformação da sociedade. Abrir caminhos novos para que as pessoas possam viver na condição de cidadãos, serem respeitados e contemplados pelo Estado.

Cristo em sua vida ensinou ao povo do seu tempo, a justiça, o amor e a fraternidade, aliviou o sofrimento daqueles que sofriam sob a opressão dos poderosos, de todos os poderosos, mesmo daqueles que até diziam ser religioso.  Cristo, o libertador soube se compadecer dos pobres, a Igreja por sua vez, acolhendo o mandato de seu Senhor também procura seguir as mesmas pegadas, para promover a justiça do Reino.

Talvez o desafio maior seja o de chamar a conversão os duros corações da sociedade de hoje, para que se tornem um coração de carne que sabe colocar em prática gestos concretos de comunhão e libertação, de justiça e de solidariedade para todos, com as Políticas Públicas de inclusão.

É hora de se envolver profeticamente contra todas as formas de injustiça e exclusão.  Se a essência da Páscoa é persistir em acreditar que a esperança é um horizonte de Ressurreição, que pulsa a paixão pela Vida, então devemos persistir na defesa e promoção da justiça.

Vamos nos preparar para iniciar na quaresma essa grande reflexão que nos leve a conversão diante da escuta da Palavra nesse caminho penitencial e assim seguir o Ressuscitado tendo como consequência a busca por mais Políticas Públicas para todos.

Não devemos nunca esquecer que a Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, é um compromisso pascal, pois está ciente de que, crer na ressurreição também significa ter a certeza que a vida venceu a morte e nós somos chamados a sermos testemunhas dessa vida que é Jesus.

QUE ESTA CAMPANHA SIRVA PARA ABRIR O NOSSO CORAÇÃO A DEUS E ÀS SEMENTES DA PÁSCOA, SEMENTES QUE BROTAM EM MISERICÓRDIA E DÃO FRUTOS DE JUSTIÇA, BONDADE, AMOR E FRATERNIDADE PARA TODOS.

Deus nos abençoe e nos guarde, o Ressuscitado ilumine a todos pelo compromisso incansável em favor da dignidade humana, sempre em perfeita comunhão e unidade na ação Missionária, Evangelizadora e Transformadora em nossa Arquidiocese no desafio de promover o reino de Deus nesta grande Cidade, eis aí a nossa Missão.


Fonte: CNBB

Festa da Apresentação do Senhor

1. Lumen ad revelationem gentium: Luz para iluminar as nações (cf. Lc. 2, 32).

Quarenta dias após o nascimento, Jesus foi levado por Maria e José ao Templo para ser apresentado ao Senhor (cf. Lc. 2, 22), segundo quanto está escrito na Lei de Moisés: «Todo o primogênito varão será consagrado ao Senhor» (Lc. 2, 23); e para oferecerem em sacrifício, «como se diz na lei do Senhor, um par de rolas ou duas pombinhas» (Lc. 2, 24).

Ao recordar estes eventos, a Liturgia da Festa da Apresentação do Senhor  segue, intencionalmente e com precisão, o ritmo dos acontecimentos evangélicos: o prazo dos quarenta dias desde o nascimento de Cristo. Fará de igual modo, depois, no que se refere ao período que vai da ressurreição à ascensão ao céu.

Três elementos fundamentais emergem no evento evangélico que hoje se celebra: o mistério da vinda, a realidade do encontro e a proclamação da profecia.

2. Antes de tudo o MISTÉRIO DA VINDA. As leituras bíblicas ressaltam o aspecto extraordinário desta vinda de Deus: anuncia-o com enlevo e alegria o profeta Malaquias, canta-o o Salmo responsorial, descreve-o o texto do Evangelho segundo Lucas. Basta, por exemplo, pôr-se em escuta do Salmo responsorial: «Portas, levantai os vossos frontões... pois vai entrar o Rei da glória! Quem é esse Rei da glória? O Senhor forte e poderoso... É Javé dos Exércitos. Ele é o Rei da glória» (Sl. 23, 7-8.10).

Entra no Templo de Jerusalém o Esperado durante séculos, Aquele que é o cumprimento das promessas da Antiga Aliança: o Messias anunciado. O Salmista chama-o «Rei da glória». Só mais tarde tornar-se-á claro que o seu Reino não é deste mundo (cf. Jo. 18, 36) e que quantos pertencem a este mundo estão a preparar para Ele, não uma coroa régia, mas uma coroa de espinhos.

A liturgia, todavia, olha para além. Vê naquele Menino de quarenta dias a «luz» destinada a iluminar as nações e apresenta-O como a «glória» do povo de Israel (cf. Lc. 2, 32). Ele é Aquele que deverá vencer a morte, como anuncia a Carta aos Hebreus, explicando o mistério da Encarnação e da Redenção: «Como os filhos participam do sangue e da carne, também Ele participou das mesmas coisas» (Heb. 2, 14), tendo assumido a natureza humana.

Depois de ter descrito o mistério da Encarnação, o Autor da Carta aos Hebreus apresenta o mistério da Redenção: «Por isso, teve de assemelhar-Se em tudo aos Seus irmãos, a fim de ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, para expiar os pecados do povo. E porque Ele mesmo sofreu e foi tentado é que pode socorrer os que são tentados». Eis uma profunda e comovedora apresentação do mistério de Cristo. O trecho da Carta aos Hebreus ajuda-nos a compreender melhor porque esta vinda a Jerusalém, do recém-nascido Filho de Maria, é um evento decisivo para a história da salvação. O Templo desde a sua construção esperava, de um modo muito particular, Aquele que tinha sido prometido. A sua vinda reveste, portanto, um significado sacerdotal: «Ecce sacerdos magnus»; eis que o verdadeiro e eterno Sumo Sacerdote entra no Templo.

3. O segundo elemento característico da Celebração hodierna é a REALIDADE DO ENCONTRO. Mesmo se ninguém está a receber José e Maria que chegam, confundidos entre as pessoas, com o pequenino Jesus, no Templo de Jerusalém, acontece algo de muito singular. Aqui eles encontram pessoas guiadas pelo Espírito Santo: o velho Simeão, a respeito do qual escreve São Lucas: «Era justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor» (Lc. 2, 25-26), e a profetisa Ana, que tendo vivido «casada sete anos, após o seu tempo de donzela, ficara viúva. Tinha oitenta e quatro anos. Não se afastava do Templo, servindo a Deus, noite e dia, com jejuns e orações» (Lc. 2, 36-37). O Evangelista prossegue: «Aparecendo nessa mesma ocasião, pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém» (Lc. 2, 38).

Simeão e Ana: um homem e uma mulher, representantes da Antiga Aliança que, num certo sentido, tinham vivido a sua inteira existência em vista do momento em que o Templo de Jerusalém haveria de ser visitado pelo esperado Messias. Simeão e Ana compreendem que o momento finalmente chegou e, confirmados pelo encontro, podem enfrentar com a paz no coração a última etapa da sua vida: «Agora, Senhor, podeis deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação» (Lc. 2, 29-30).

Neste encontro discreto, as palavras e os gestos exprimem de maneira eficaz a realidade do evento que se cumpre. A vinda do Messias não passou despercebida. Foi reconhecida mediante o olhar penetrante da fé, que o velho Simeão manifesta nas suas tocantes palavras.

4. O terceiro elemento que emerge nesta festa é a PROCLAMAÇÃO PROFECIA: hoje ressoam palavras deveras proféticas. Com o cântico inspirado de Simeão, a Liturgia das Horas conclui cada dia a jornada: «Agora, Senhor, os meus olhos viram a Salvação... luz para iluminar as nações e glória de Israel, Teu povo» (Lc. 2, 29-32).

O velho Simeão, ao dirigir-se a Maria, acrescenta: «Este Menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações» (Lc. 2, 34-35).

Assim, pois, enquanto ainda estamos no alvorecer da vida de Jesus, somos já orientados para o Calvário. É na cruz que Jesus se confirmará, de modo definitivo, como sinal de contradição, e é lá que o coração da Mãe será trespassado pela espada da dor. Tudo nos é dito desde o início, no quadragésimo dia após o nascimento de Jesus, na festa da apresentação de Jesus no Templo, bastante importante na liturgia da Igreja.

Para Deus não importa mais o que você fez, pois Ele só te quer de volta

Tem um alguém que sente muito a sua falta, e Ele me pediu para te dizer umas coisas para te convencer a voltar. Primeiramente que você não é a mesma sem Ele, pois seu sorriso é passageiro, você chora quase todas as noites, já foi traída por supostos amigos e está perdida tentando encontrar o seu lugar no mundo. Então Ele quer que você saiba que seus braços estão abertos para te abrigar quando cansar de correr para longe Dele.

Ele sabe os motivos que te afastaram da sua presença, Ele entende aquilo que te fez desistir e abrir mão da linda amizade que tinham, pois Ele se lembra da forma como você o chamava de melhor amigo. Ele também se lembra do jeito que você o chamava de Pai e Ele te tratava como uma filha querida e amada, sempre te cuidando e sarando as feridas que os outros causaram.

E ainda me falou que você já tentou voltar para junto Dele, mas que algumas pessoas não deixaram porque elas têm uma grande influência sobre você, que elas acabaram te arrastando para lugares sujos onde você acabou fazendo coisas que sempre condenou. E Ele sabe o que você sentiu naqueles momentos onde teve atitudes que mancharam sua alma, mas Ele quer que você saiba que está disposto a limpar tudo isso e te fazer uma nova criatura, só basta você querer.

Você é capaz de se lembrar das lindas promessas que Ele te fez? Ele sonhou para você tantos projetos que te ajudaria a concretizar, Ele disse que estaria contigo nesse caminho, mas você preferiu sair da estrada e pegar sozinha um atalho sem saber ao menos aonde ia parar. Ele quis te iluminar, porém você preferiu a escuridão, Ele quis te dar um propósito, entretanto, você escolheu as dúvidas que mundo dá.

Tantas pessoas ficaram tristes quando te viram nessa situação, elas lamentaram profundamente as consequências que você está colhendo, e imagina como Ele se sente ao te ver assim com os olhos fechados negando-se a abri-los porque não suporta aqueles olhos de perdão. Porque você não se acha digna para voltar, sabe dos pecados que carrega no coração, se envergonha das cicatrizes que recebeu quando correu no meio dos espinhos, mas Ele só te quer de volta.

Pois para Ele não importa nada disso que aconteceu, basta você se arrepender e o escolher ao abandonar sua antiga vida. Você não é aquilo que os outros dizem, não é uma pessoa sem jeito, você tem conserto e Ele quer te reconstruir. Volta, por favor, volta. Ele sabe que você está cansada de tudo isso, que não aguenta mais viver desse jeito, você está com saudades daquelas palavras de amor que só Ele te dava, da forma como te fortalecia e restaurava, então volta, os braços Dele ainda estão abertos.

O sorriso Dele me diz que sempre te amou mesmo quando você virou as costas, que Ele pensava em você o tempo inteiro mesmo quando você o esquecia, então volta, por favor, volta. Ele te ama e não é qualquer amor, pois Ele é o próprio amor, e Ele é também o próprio perdão, o consolo e a paz. Desse modo, não há melhor lugar para se estar do que diante Dele com os joelhos no chão e as mãos estendidas pedindo para Ele te segurar.

Volta. Você será perdoada e não condenada, tudo que aconteceu será jogado no mar do esquecimento, Ele escreverá para você uma nova história que não terá fim porque Ele tem dentro de si a eternidade. Vamos, desacelere esse passo, vire a cabeça e olhe para trás. Está conseguindo enxergar um Homem de mãos furadas? Ele não tem o sorriso mais lindo que você já viu? Você sente saudades Dele, não é? Então volta, pois Jesus te espera.


Fonte: Aleteia


 

Liberação das armas: uma reflexão teológica

Em 2005, chorei e lamentei o resultado do plebiscito.  Depois de lutar em várias frentes pelo fim da liberação da posse de armas e de sua comercialização, tive que amargar, junto com outros tantos, a derrota por larga margem. Os que defendiam a comercialização de armas e sua posse venceram. Agora, o presidente assina o decreto que legitima não só a posse de arma, chegando a facultar a uma mesma pessoa possuir até quatro armas de fogo. O choro e o lamento recrudescem com mais força. Parece que o Brasil caminha cada vez mais célere em direção a converter-se em um país bélico e violento.

São de impressionar os argumentos para o decreto que legitima posse de armas. Embora os defensores desta medida digam ser uma iniciativa que mitigará a violência, isso é conhecido e largamente desmentido por todas as estatísticas. Mais armas geram mais violência e também mais mortes. Que o digam as mulheres, cujos assassinatos proliferam exponencialmente no país e que agora terão que conviver com companheiros não apenas violentos e agressivos, mas armados.  As mortes de mulheres certamente vão aumentar no Brasil com essa medida.

Mas há mais: armas de fogo, letais e mortíferas, são comparadas a carros, que podem ter acidentes, e a liquidificadores, que podem machucar dedos de crianças. Creio que há uma profunda diferença entre os objetos comparados aqui. Um carro tem a finalidade de transportar. Se mal dirigido ou se abalroado por outro veículo ou qualquer outra causa, pode sofrer um acidente e eventualmente provocar ferimentos e morte.  Um liquidificador é um eletrodoméstico que tem a finalidade de fazer sucos ou vitaminas com vários legumes ou sopas etc. Eventualmente, se uma criança escapa do controle da mãe ou do responsável e coloca o dedo em seu motor, pode machucar-se.

Já arma de fogo tem como finalidade ferir e matar. Este é o seu objetivo e para isso será usada.  Quando portada por um adulto, pode atirar em legítima defesa ou por vingança, ou outro qualquer motivo.  Mas quando manipulada por uma criança, pode transformar o que era uma inocente brincadeira em uma tragédia sem tamanho.

 Não pretendo aqui repetir as inúmeras análises já feitas brilhantemente por tantos jornalistas e comentaristas das mais diversas áreas. Restrinjo-me à minha área de conhecimento que é a teologia cristã.  E pergunto: como pode um governo que tanto valoriza o Evangelho, que reivindica em várias situações e várias instâncias o respaldo de Deus para suas decisões e ações, tomar medidas que vão em direção contrária a tudo que a Palavra de Deus proclama com força e insistência? A liberação da posse de armas contraria as propostas mais centrais do Evangelho de Jesus e, portanto, da Bíblia cristã.

O uso de armas, quaisquer que sejam elas, sempre foi questionado pelo Deus da Revelação cristã e radicalmente condenado por Jesus de Nazaré em quem os cristãos reconhecem o Filho de Deus e Deus mesmo.

Em momento algum de sua pregação e ministério, Jesus solicitou ou permitiu aos que o seguiam como discípulos que apelassem para a violência. No Jardim das Oliveiras, já bem próximo à sua prisão, o Mestre repreendeu a atitude dos discípulos que faziam uso da espada.  E esse texto se encontra em mais de um evangelho: “embainha a tua espada”, diz João 18,10; “pois todos os que tomam a espada morrerão pela espada”, dirá Mateus 26,52.  A mensagem é clara:  não pode ser instrumento de salvação o que traz a morte.

Muito significativa ainda é a atitude de Jesus relatada apenas em Lucas 22,49-51: diante da pergunta do seu “Senhor, devemos ferir com a espada? ” E à ação de usá-la decepando a orelha do soldado romano, Jesus respondeu curando o que foi ferido, mesmo sendo um “inimigo”. Trata-se de reação não apenas de repreensão. Mais ainda: de reparação que o Mestre, às portas da morte, assumiu diante da tentativa de violência praticada por um dos discípulos. Com isso vemos o Evangelho dizendo: não basta não concordar com a violência e não portar instrumentos que a provoquem e efetuem; é necessário reparar seus danos, curar suas feridas. Jesus diz “Basta”. Trata-se aqui de um “basta” a toda e qualquer tentativa de violência, mesmo que seja na melhor das intenções, que no caso dos discípulos, era de salvar o Mestre dos soldados que vinham prendê-lo.

A mim, particularmente, em todos os episódios que antecederam a assinatura do decreto, chocou-me a atitude de padres que defendem o porte de armas e que entram em escolas de tiro para aprender a usá-las. Argumentam que atirar em legítima defesa é moral, porque mata não um inocente, mas um agressor.  E exortam os fiéis a liberar-se do complexo de culpa e da ideologia pacifista.

Com todo respeito, creio que sobre isso o evangelho é bem claro.  Para um cristão, a violência não se justifica nunca. E se queremos - como é fato - que a segurança e a paz reinem em nosso país, o caminho certamente não é o de facilitar venda e posse de armas.  Mas sim trabalhar para que haja mais justiça, a fim de que haja menos violência. Como já dizia São Paulo VI: “o desenvolvimento é o novo nome da paz. Justiça e paz andam de mãos dadas e não se pode construir uma sem a outra”.


Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio


 

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