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I Dia Mundial dos Pobres

1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16). Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo, não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sl 34/33, 7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6, 3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3).

«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…). De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!

Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.

Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca com as mãos a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).

Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de mais, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminho atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 25-45).

Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.

5. Conhecemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, de poder identificar claramente a pobreza. E, todavia, esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.

Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.

6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Predecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.

Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.

7. Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa.

Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai.

8. Na base das múltiplas iniciativas concretas que se poderão realizar neste Dia, esteja sempre a oração. Não esqueçamos que o Pai Nosso é a oração dos pobres. De facto, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta oração exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário. Aos discípulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao único Pai, em quem todos se reconhecem como irmãos. O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é «nosso», e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco.

9. Aos irmãos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres –, às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres, se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.

Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho.

Vaticano, Memória de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2017.

Franciscus

São Tarcísio



Tarcísio foi um mártir da Igreja dos primeiros séculos, vítima da perseguição do imperador Valeriano, em Roma, Itália. A Igreja de Roma contava, então, com cinquenta sacerdotes, sete diáconos e mais ou menos cinquenta mil fiéis no centro da cidade imperial. Ele era um dos integrantes dessa comunidade cristã romana, quase toda dizimada pela fúria sangrenta daquele imperador.

Tarcísio era acólito do papa Xisto II, ou seja, era coroinha na igreja, servindo ao altar nos serviços secundários, acompanhando o santo Papa na celebração eucarística.

Durante o período das perseguições, os cristãos eram presos, processados e condenados a morrer pelo martírio. Nas prisões, eles desejavam receber o conforto final da eucaristia. Mas era impossível entrar. Numa das tentativas, dois diáconos, Felicíssimo e Agapito, foram identificados como cristãos e brutalmente sacrificados. O papa Xisto II queria levar o Pão sagrado a mais um grupo de mártires que esperavam a execução, mas não sabia como.

Foi quando Tarcísio pediu ao santo Papa que o deixasse tentar, pois não entregaria as hóstias a nenhum pagão. Ele tinha doze anos de idade. Comovido, o papa Xisto II abençoou-o e deu-lhe uma caixinha de prata com as hóstias. Mas Tarcísio não conseguiu chegar à cadeia. No caminho, foi identificado e, como se recusou a dizer e entregar o que portava, foi abatido e apedrejado até morrer. Depois de morto, foi revistado e nada acharam do sacramento de Cristo. Seu corpo foi recolhido por um soldado, simpatizante dos cristãos, que o levou às catacumbas, onde foi sepultado.

Essas informações são as únicas existentes sobre o pequeno acólito Tarcísio. Foi o papa Dâmaso quem mandou colocar na sua sepultura uma inscrição com a data de sua morte: 15 de agosto de 257.

Tarcísio foi, primeiramente, sepultado junto com o papa Stefano nas catacumbas de Calisto, em Roma. No ano 767, o papa Paulo I determinou que seu corpo fosse transferido para o Vaticano, para a basílica de São Silvestre, e colocado ao lado dos outros mártires. Mas em 1596 seu corpo foi transferido e colocado definitivamente embaixo do altar principal daquela mesma basílica.

A basílica de São Silvestre é a mais solene do Vaticano. Nela, todos os papas iniciam e terminam seus pontificados. Sem dúvida, o lugar mais apropriado para o comovente protetor da eucaristia: o mártir e acólito Tarcísio. Ele foi declarado Padroeiro dos Coroinhas ou Acólitos, que servem ao altar e ajudam na celebração eucarística.


Oração a São Tarcísio 


Glorioso São Tarcísio, mártir da Eucaristia, puro e humilde de coração, rogo pela pureza de minha pobre alma e de meu corpo. Por vossa angélica pureza, mártir de Cristo, rogo-vos que intercedas por mim ante o Cordeiro Imaculado: Jesus Cristo e ante a Sua Mãe Santíssima, a Virgem das Virgens, e me preserva de todo o pecado mortal.

Glorioso São Tarcísio, não permitas que eu seja manchado com alguma mancha de impureza, mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai do meu coração todos os pensamentos e afetos imundos, despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus Cristo, imprimi profundamente em meu coração o santo sentimento do amor a Deus. Inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos aqui na terra, mereça gozar de Deus Convosco no Céu.

Que assim seja.


 

Deus Pai: o mistério maior da vida e do amor

O Dia dos Pais é sempre um momento propício para refletir sobre a paternidade que anda tão em crise ultimamente.  Na verdade, a ausência ou o vazio da figura paterna é um dos grandes problemas da humanidade hoje.  E talvez um problema ao qual não se presta suficiente atenção. 

Enquanto abundam os estudos sobre as consequências da privação do cuidado materno, não é dito o bastante sobre os efeitos devastadores da falta da figura paterna, que faz tanto ou mais vítimas que a primeira.  Algumas doenças atuais como anorexia, bulimia, toxicodependência, que estão dizimando as últimas gerações de filhos, podem ser vinculadas diretamente a esta realidade.  Também o aprofundamento de fenômenos, tais como o neonazismo e outras formas de delinquência juvenil reconduz ao vazio de uma figura masculina positiva, conectada com uma paternidade forte.  Desde um ponto de vista psicanalítico, estar privado do pai equivale a estar privado da espinha dorsal.

Somos a geração da emancipação sob todas as formas.  Mas é ao mesmo tempo uma geração de filhos sem pai. Esta realidade apresenta graves consequências. Deixou caminho livre nas sociedades mais avançadas ao crescimento de seitas e fundamentalismos.  A falta do pai nas instituições de base, como a família, repercute na estrutura política pelo avanço dos sistemas totalitários e da emergência das "figuras carismáticas", nas quais pode-se ler, em nível simbólico, a busca daqueles atributos paternos que são o ser juiz, protetor etc. e que empalidecem no vácuo da paternidade que marca nossa sociedade. 

Para nós, cristãos, Pai é o nome próprio de Deus.  Reconhecer o Pai, carregar o nome do Pai, buscar a proteção e o amor do Pai em nosso dia a dia é reflexo da experiência primordial da fé que professamos, que nos diz que Deus, o Deus em quem cremos, não é uma ideia, um absoluto sem nome e sem contornos, ou uma muleta da qual lançamos mão nos momentos difíceis.  Trata-se d´Aquele que Jesus de Nazaré ensinou a chamar de Pai. 

Embora a paternidade do Pai seja um dom para toda a humanidade, é no Cristianismo que a nomeação de Deus como Pai toma lugar de forma central. Crer no Pai implica conhecer o Filho, que é quem o revela, e abrir-se à presença do Espírito que conduz ao Pai por mediação do Filho.  

É essa fé num Deus que é Pai que nos une como cristãos. Embora divididos em diversas igrejas, vivemos uma só fé: cremos em Deus-Pai. A humanidade é rica em raças, povos, nações, religiões, culturas. A grande maioria da humanidade, mesmo sem a consciência cristã, trabalha por causas éticas, pela edificação da grande família humana, vive o amor fraterno, a justiça social, a busca da verdade, a luta pela paz, a defesa dos direitos humanos. A fé, porém, permite identificar Deus Pai como fonte e origem de toda essa diversidade. 

Cremos que Ele é o criador de todos os povos e culturas. É o Pai da grande família humana. Ninguém está fora do alcance de sua vontade salvadora, de seu amor paterno, de sua graça. Sendo Pai de Jesus Cristo é, através dele, Pai de todos os seres humanos. Jesus é o Filho sobre o qual o Pai derrama todo o seu amor. Reparte, porém, sua filiação divina, não somente com seus discípulos, mas com toda a humanidade. Temos, em Cristo, um só Pai da grande família humana! 

Mergulhados em dolorosa orfandade, vítimas da pobreza, da violência, da marginalização e da indiferença, muitos não fazem sequer a experiência positiva de um pai humano, quanto mais do Pai divino. Por isso tanto sofrimento, tanto dilaceramento, tanta desorientação em vidas que não tiveram a figura paterna para norteá-las e orientá-las. E por isso também a dificuldade de experimentar um Deus que dê sentido à vida e organize o mundo. 

Embora Deus seja Pai de todos, muitos não o nomeiam assim porque não o conhecem. Eis por que o Evangelho é boa notícia.  Anuncia e comunica a todos que Deus é amor, e amor de Pai.  Amor tão grande que é de Pai com jeito de mãe.  Pai que não se exclui - como quer a mentalidade machista -  das funções que são próprias da mãe: alimentar, consolar, cuidar, acarinhar. Pai que troca fraldas, que dá mamadeira, que faz dormir quando o escuro da noite ameaça e explode em desamparado choro.  Pai que toma nos braços, que põe no colo, que embala e canta cantigas de acalanto. 

Mas é o Pai também quem ensina o caminho do bem e da justiça, que corrige os rumos e sabe introduzir o princípio da realidade quando o filho embarca em viagens desastrosas ou em perigosas aventuras, quando a sociedade regida unicamente por um desordenado princípio do prazer quer cooptá-lo em suas voragens.  Pai ensina que o que importa na vida não é o dinheiro, o êxito, o poder.  Mas a responsabilidade.  E esta implica dar de comer ao faminto, de beber ao sedento, vestir o nu, abrigar o errante, visitar o doente ou o encarcerado. 

A esses e essas Jesus ensina que ouvirão no final de suas vidas: “Vinde benditos de meu Pai.São benditos por estarem sintonizados com a paternidade divina, que assume amorosamente a responsabilidade e o cuidado dos que não têm quem os auxilie.  São benditos porque caminham ao encontro dos outros para auxiliá-los e redimi-los. 

Que sejam benditos os pais no seu dia.  Sobretudo os pais que amam seus filhos e os orientam por esses caminhos. Aos filhos desses pais, DEUS MOSTRA SEU ROSTO PATERNO E BONDOSO E OS RECEBE NA ALEGRIA DA VIDA EM PLENITUDE.


Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-RJ


 

Dia dos Pais... Dia dos FiIhos


 


Oração dos Filhos para os Pais

Deus concede-me compreender melhor a meus pais, e saber, devolver-lhes amor com amor. Se não posso ama-los como antes, que eu os ame mais.

Não como um filho que chora, mais como um homem que sabe o que tem a dizer, e que expressa sua alma em uma linguagem doce e forte.

Esta noite direi e repetirei, com mais compreensão que em outras vezes, a antiga oração de minha infância:

Pai nosso, que estais nos céus, escuta a teus filhos. Te pedimos por nossos pais. Por meio deles recebemos tudo, devolve-lhes todo o bem que nos tem dado.
Nos tem dado a vida: conserva-lhes a saúde.
Nos tem dado o alimento: dá-lhes o pão de cada dia.
Nos tem dado o que vestir: que suas almas se vistam sempre de Tua graça.
Concede-lhes sobre a terra a felicidade que se encontra em servir-te e amar-te.
Faz que possamos estar um dia reunidos no céu. Amém.


Oração dos Pais para os Filhos

Senhor...

AJUDA-ME a compreender meus filhos, a escutar pacientemente o que tenham a dizer, a responder com carinho todas suas perguntas.

FAZ-ME amável com eles, como gostaria que o fossem comigo. Não me permita os interromper, lhes falando de mau modo, se não lhes ensinando com amor.

DÁ-ME COMPREENDER como confessar minhas faltas para com meus filhos, não permita que eu deboche de seus erros, nem que os humilhe ou envergonhe diante de seus amigos ou irmãos como castigo.

NÃO PERMITA que eu induza meus filhos a fazer coisas indevidas por seguir meu mau exemplo.

TE PEÇO que me guie todas as horas do dia, para que possa lhes demonstrar por tudo o que diga e faça que a honestidade é fonte de felicidade.

REDUZ o meu egoísmo que há dentro de mim. Faça com que diminua minhas críticas das faltas alheias, que quando a ira me dominar, me ajude, Oh Senhor, a conter minha língua.

FAÇA que tenha sempre nos lábios uma palavra de estímulo.

AJUDA-ME a tratar meus filhos, conforme a suas idades, e não me permita que dos menores exija o critério e normas de vida dos adultos.

NÃO PERMITA que lhes roube as oportunidades de atuar por eles mesmos com responsabilidade, de pensar, escolher e tomar suas decisões de acordo a sua idade.

PROÍBE-ME Senhor que os agrida física ou verbalmente, com o pretexto de os corrigir, pelo contrário que sempre tenha para eles: TEMPO, ABRAÇOS, AMOR E BEIJOS. Quatro passos que como anjos da guarda eu devo lhes presentear.

PERMITA-ME o poder de satisfazer seus desejos JUSTOS, mas dá-me coragem sempre de lhes negar um privilégio que sei que lhes causará dano.

FAZ-ME JUSTO, amigo de meus filhos, que me sigam por amor e não por temor.

AJUDA-ME, em fim, a ser um LIDER para eles e não um CHEFE.

Senhor eu quero ser como Tu, para que valha a pena que meu filho seja como eu!

Amém.


 

 

 

Ser Padre, Vocação para servir



Neste primeiro domingo de agosto iniciamos o mês vocacional, comemorando os que foram chamados pela vocação de servir... de ser Padre. 

Todas as vocações são dadas por Deus e são sublimes. A grande e primeira vocação do ser humano é a filiação divina: tornar-se em Jesus Cristo filhos de Deus. Jesus ensinou a chamar Deus de Pai nosso. Esta vida de amor filial a Deus, portanto, tem como consequência o amor fraternal aos irmãos. Esta é nossa vocação primeira: união com Deus no amor. “O Unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que feito homem, dos homens fizesse deuses” (S. Tomás de Aquino, in Op. 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4).

Porém Jesus deixou-nos a Igreja, Povo de Deus que caminha neste mundo; “O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a boa nova do Reino de Deus...” (LG n. 5). Na Igreja temos vários carismas e vocações, para múltiplas tarefas que constroem na caridade um novo mundo possível: o Reino de Deus que tem início aqui e se consuma na eternidade. Um destes carismas é o serviço sacerdotal. Ser padre é uma vocação para o serviço. Ser para a comunidade um sinal (sacramento) da presença de Jesus bom pastor no meio de seu povo.

São João Maria Vianney, ou Cura D´Ars foi um padre devotado a sua missão. Conta-se que nos últimos tempos de vida, chegou a atender em confissão mais de 200 pessoas por dia. Foi proclamado pelo papa Pio XI o padroeiro dos párocos.

Este ser sinal de Jesus Cristo, é uma vocação, é uma tarefa importante e necessária para o crescimento da Igreja e consequentemente do Reino de Deus, a serviço doa qual está a Igreja. Esta missão deve ser assumida com grande humildade, discernimento e determinação. Ser padre é antes de tudo um serviço de amor (amoris officium). Este serviço de amor é uma doação desinteressada que não tem como objetivo a projeção de si mesmo, nem o lucro pessoal. “Há mais alegria em dar que em receber” (At 20, 35).

Este serviço do padre é sinalizado na “caridade pastoral” a qual se caracteriza pelo conhecimento das ovelhas. Isto não significa conhecer todas as pessoas da paróquia, mas saber e estar consciente de suas dores, angústias, preocupações e alegrias. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas, não se preservando, dando tudo, até mesmo o tempo que sobra. O bom pastor busca as ovelhas desgarradas. Não se trata, creio eu de ir bater à porta das casas, mas ser uma presença visível e acessível para todos.

A condição para isso nós sabemos, esta na intimidade com Jesus Cristo. É Ele que dá força e sustento em meio às dificuldades e contratempos que sobreveem no exercício do ministério. Pois não se pode esquecer que a escolha dos apóstolos é para em primeiro lugar “estar com ele” (cf. Mc 3, 14).

O padre deve ter sempre presente o que escreveu um grande santo e bispo de Milão no terceiro século da Igreja: “O clérigo que serve a Igreja de Cristo deve de início considerar e traduzir o nome que leva e, depois de ter definido esse nome, esforçar-se por ser o que o título exprime. A palavra grega kléros significa parte, porção tirada em sorte: os que levam o nome de clérigos levam-no porque são a parte do Senhor ou porque tem o Senhor por parte. Aquele que professa uma e outra coisa deve mostrar por seu comportamento que possui o Senhor ou que é possuído por Ele. mas aquele que possui o Senhor e diz com o Profeta: O Senhor é minha herança, não pode ter nada além do Senhor” (Santo Ambrósio, Epist. 52,5 ad Nepontianum in- P L 22, 531).

Assim, o significado da palavra clero, que não raro hoje é depreciado, adquire seu verdadeiro sentido: ser uma pessoa livre para servir somente a Deus, e por causa dele servir os irmãos.

No início deste mês de agosto no qual celebramos o padroeiro dos padres, o Santo Cura d´Ars, rezemos pelos nossos padres. Procuremos ajudá-los a viver esta sublime vocação a que foram chamados.


 

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