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Advento, Vigilância...


 


Com o tempo do Advento iniciamos o novo Ano Litúrgico. Durante esse ano, o Evangelho de São Mateus será a fonte da Palavra de Deus referência para nossa meditação e contemplação do mistério de nossa salvação realizado por Cristo Jesus.

O Evangelho de Mateus é mais completo e isso explica o lugar privilegiado que ocupa no uso da Igreja. São amplas as narrações dos ensinamentos de Jesus, famosos os discursos, como o sermão da montanha; a atenção à relação Lei-Evangelho: o evangelho é a nova-lei. É considerado o evangelho mais eclesiástico pelo relato do primado de Pedro e pelo uso do termo Ecclesia que significa Igreja, que não se encontra nos outros três evangelhos.

A palavra mais destacada no evangelho de hoje é: "Vigiai pois não sabeis em que dia vosso senhor virá", Cada ano litúrgico é como um círculo, uma órbita completa que revive a história da salvação. Somos convidados a participar como se fosse o único da nossa vida, portanto não como comemoração de um aniversário, mas a própria vivência do acontecimento. Um ano não repete simplesmente o que passou, mas apela para continuada conversão, novo aprofundamento, novo encontro sacramental com o Salvador. Somos convidados a percorrer em nossa vida uma espiral de crescimento espiritual.

O tempo litúrgico nos convida a refletir sobre o tempo que passa. "O homem não é senão um sopro, seus dias como sombra que passa", diz a Escritura. Ao momento mesmo do nascimento, começa a contagem regressiva que não pára um só instante, nem de dia nem de noite. Havia em alguns conventos, junto ao relógio principal que bate as horas, inscrição onde se lê: "Todas as horas ferem, a última mata".

A experiência obrigatória da transitoriedade da vida nos coloca diante da possibilidade de algumas atitudes. Uma primeira, antiga e recordada pela bíblia que diz: “Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (Isaias 22,13). Jesus, no evangelho de hoje, falando dos dias que precederam ao dilúvio, diz: “Comiam e bebiam, casavam-se e não tomavam conhecimento de nada, até quando veio o dilúvio e os arrastou a todos” (Lucas 24, 37-44).

Outra atitude é a sugerida pelo apóstolo Paulo: "enquanto temos tempo, procuremos fazer o bem” (Gálatas 6,10). Há pessoas honestas e de boa vontade que não têm fé mas procuram realizar o programa de empregar a vida para fazer o bem. Merecem admiração e respeito, porque para eles ainda é mais difícil.

"O mundo passa, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2, 17). Só Deus não passa. Existe um modo para também nós não passarmos para sempre: fazer a vontade de Deus, isto é crer, aderir a Deus. "Ele é a rocha, perfeita é a sua obra" (Deuteronômio 32, 4). É pois a proposta da fé: passar àquele que não passa! Passar do mundo, para não passar com o mundo. Se Deus é a rocha, devemos estar aderentes à rocha. Quem está apegado à rocha não terá medo dos ventos nem das tempestades. Está firme na fé. Dizia Santa Teresa de Ávila: "Nada te perturbe, nada te apavore. Tudo passa, Deus somente permanece". Há um imperativo que brota de tudo isso, e está no evangelho deste domingo: "Vigiai, porque não sabeis em que dia o Senhor vosso virá... Estai prontos, porque na hora que não imaginais, o Filho do homem voltará".

Por que Deus nos esconde uma coisa assim importante, como será a hora da sua vinda, isto é da nossa morte? A resposta tradicional é: "Para estarmos vigilantes, sabendo cada um que o fato pode acontecer em nossos dias" (Santo Efrém). Mas o motivo principal é que Deus nos conhece; sabe que terrível angústia seria para nós conhecer antecipadamente a hora exata e assistir a seu lento e inexorável aproximar-se. É o que mais espaventa em certas pessoas. Mais numerosos são aqueles que morrem hoje de enfermidades improvisas do coração, de desastres chocantes, do que de males apavorantes. Causa mais temor, preocupa mais do que outras enfermidades. Por que? Porque nos parece tirar-nos aquela incerteza que nos permite esperar.

A advertência “tudo passa” è dirigida mais aos jovens que aos anciãos. Existe a este propósito uma palavra da Bíblia: "A juventude é como um sopro. Recorda-te de teu criador, antes que venham os dias tristes em que dirás: Não provo mais nenhum gosto" (Elecsiastes 12, 1).

A velhice é evocada com uma série de imagens delicadas: o barulho que atormenta e causa surdez, as cores que embranquecem, o passo que se faz incerto, o medo do caminho e da subida. "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". Não se trata de desencantar-se da vida, mas de viver melhor, com mais serenidade, menos agitação, menos stress. Tudo passa!

 

08 de dezembro - Imaculada Conceição


O dogma da Imaculada Conceição, proclamado a 8.12.1854 por Pio IX (Bula “Ineffabilis Deus”), declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, desde a sua Conceição, ou seja, que ela foi preservada desde sempre da mácula do pecado original, no qual nascem todos os filhos de Adão. Enquanto estes estão privados da graça divina, a Virgem Maria foi toda pura, santa e imaculada desde o início da sua vida. Esta foi desde sempre a convicção profunda da Igreja, que viu na Virgem Maria a ‘Nova Eva’ (Santo Ireneu).

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Conselhos de João Batista


 

Oração a São João Batista
Ó Glorioso São João Batista, príncipe dos profetas, precursor do divino Redentor, primogênito da graça de Jesus e da intercessão de sua Santíssima Mãe, que fostes grande diante do Senhor, pelos estupendos dons da graça que  maravilhosamente recebestes desde  o seio materno, e por vossas admiráveis virtudes, alcançai-me de Jesus, ardentemente que com fé, a graça que necessito, lhe suplico… Alcançai-me também, meu excelso protetor, singular devoção a Virgem Maria Santíssima, que por amor de vós foi com pressa á casa de vossa mãe S. Isabel, para serdes livre do pecado original e cheio dos dons do Espírito Santo. Espero conseguir essa graça se for da vontade Divina, meu Santo protetor.

São João Batista, rogai por nós!

(reza-se: 3 pai nossos, 3 ave-marias, 3 glórias)

 


No Advento, a Igreja põe-nos a figura de João Batista, e com ele outra nova imagem. Já não se trata de preparar uma terra capaz de acolher adequadamente a boa semente: trata-se de preparar um caminho para que possa, por ele, chegar a nossa alma a Pessoa adorável do Senhor.

São quatro as ordens, os conselhos que João Batista, e a Igreja com ele, nos dão:

A primeira ordem de João o Batista é baixar os montes: todo monte e toda colina seja humilhada, seja volteada, baixada, desmoronada. E cada um tem que tomar isto com muita seriedade e ver de que maneira e em que forma esse orgulho - que todos temos - está na própria alma e está com maior superioridade, para tratar no Advento - com a ajuda da graça que temos de pedir -, para reduzir, moderar, vencer e suprimir assim que seja possível desse orgulho que obstrui o descenso frutífero do Senhor em nós.

Em segundo lugar, João o Batista fala-nos de endireitar os caminhos. É apontar o mais importante: Eu sou uma voz que grita no deserto: Preparem o caminho do Senhor, aplainem seus caminhos. E aqui temos, então, o chamado também obrigatório à retidão, isto é, a querer sincera e praticamente somente o bem, somente o que é bom, o que quer Deus, o que é conforme a lei de Deus ou a vontade de Deus, o que significa o imitar a Jesus, aquilo que se faz escutando a voz interior do Espírito Santo e de nossa consciência guiada por Ele.

A cada um corresponde neste momento ver que é o que há de corrigir na própria conduta, mas sobretudo na própria atitude interior para que Jesus Cristo Nosso Senhor, vendo claramente nossa boa vontade e nos vendo humildes, esteja disposto a vir a nosso interior com plenitude, ou pelo menos com abundância de graças.

O terceiro aspecto da mensagem de João o Batista refere-se a fazer planos os caminhos abruptos, os que têm pedras ou espinhas, os que ferem os pés dos caminhantes, os que impedem o caminho tranquilo, sem dificuldade. E esse chamado faz referência à necessidade de ser para o nosso próximo, precisamente, caminho fácil e não obstáculo para sua virtude e para seu progresso espiritual: tirar de nós todo aquilo que molesta ao próximo, que o escandaliza, que o irrita ou que lhe dificulta de qualquer maneira o poder marchar, direta ou indiretamente, para o céu.

O quarto elemento da mensagem de João Batista é o de encher toda profundeza, todo abismo, todo vazio. Os caminhos não só se constroem baixando os montes excessivos, nem só endireitando os caminhos tortos, ou aplainando os caminhos que tenham pedras: também enchendo as profundezas ou cobrindo as ausências. Esta mensagem refere-se à necessidade de encher nossas mãos e nossa consciência com méritos, com orações, com obras boas - como fizeram os Reis Magos e os pastores - para poder acolher a Jesus Cristo com algo que lhe dê gosto; não só com a ausência de obstáculos ou de coisas que o molestem, não só com ausência de orgulho ou com ausência de falta de retidão ou de dificuldades em nossa conduta para com o próximo, senão também positivamente com a construção: com nossas orações e com nossas boas obras e um pequeno - ao menos - volume, capital de méritos, que dê gosto ao Senhor quando vir e que possamos depositar a seus pés.

O Advento, além da comemoração e o sentido do Antigo Testamento - da terra que espera a boa semente -, além da figura limite entre o Antigo Testamento e o Novo - João Batista -, este Tempo nos aproxima mais do Senhor por aquela que, em definitivo, foi quem nos entregou a Jesus Cristo: a Virgem. Não só no hemisfério sul entramos no Advento pela porta do Mês de Maria, senão que em toda a Igreja se entra no Advento pela festa da Imaculada Conceição.

E a Imaculada Conceição significa duas coisas: por uma parte, ausência de pecado original e, por outra, ausência de pecado para e pela plenitude da graça. A Virgem foi eximida do pecado original e das consequências do pecado original que na ordem moral fundamentalmente é a concupiscência, isto é, a rebelião das paixões, a falta de ordem dentro de nossa pessoa, a rejeição que nossa matéria e nosso apetite indômito opõem à vontade e a razão iluminadas pela fé, pela esperança e pela caridade; iluminadas, acessas e sustentadas pela graça. A Virgem, preservada do pecado original no momento de sua concepção e libertada de todo obstáculo, teve a alma plenamente capacitada desde o primeiro instante para receber a plenitude da graça de Jesus Cristo.

Portanto sua festa da Imaculada Conceição, com esse caráter sacramental que têm todas as festas da Igreja, esse caráter de sinal que ensina e de sinal eficaz que produz o que ensina, nos traz a graça de nos libertar do pecado e de vencer, de moderar, de sujeitar em nós as paixões soltas pela concupiscência, aos efeitos de que nos possa chegar plenamente a graça; e naturalmente, se estamos em Advento, para que possa vir a graça do nascimento de Jesus Cristo misticamente à nossa alma, no dia de Natal.

Portanto, unamos a toda a ajuda que nos podem prestar os patriarcas do Antigo Testamento que desde o céu rogam por nós (eles que tanto pediram a vinda do Messias), unamos à intercessão e à figura sacramental de João Batista, unamos acima deles a presença da Santíssima Virgem em sua festa em 8 de dezembro e em todo este tempo, pedindo concretamente que o poder nos liberte do pecado, de tudo o que em nós tenha de orgulho, de falta de retidão, de falta de caridade com o próximo, de ausência de virtude; libertar-nos de todo isso para que, quando da vinda de Jesus Cristo no dia de Natal, não encontre em nós nenhum obstáculo a suas intenções de encher nossa alma com sua graça.

A perspectiva de um novo nascimento do Senhor, em nós e no mundo tão necessitado dele, tem que ser objeto de uma preocupação, de todo um conjunto de sentimentos e de atos de vontade que estejam polarizados pelo desejo de pôr de nossa parte todo o que possamos, para que o Senhor venha o mais plenamente possível sobre cada um e sobre o mundo.

E se isto vale sempre, se faz mais exigente nas circunstâncias do mundo presente que desvirtua precisamente o que Jesus Cristo trouxe com seu nascimento. É necessário que ponhamos tudo de nossa parte para que Jesus venha a nós com renovada força no dia de Natal e, através de nós, sobre as pessoas que estão junto, sobre a Igreja e sobre o mundo!

Fiquemos em espírito de oração, fomentando em nosso interior o desejo de que as coisas ocorram segundo as intenções e os desejos do mesmo Senhor.

O Advento é uma época muito linda do ano. Após as festas de Natal e de Páscoa, talvez a mais bela, porque é uma época de total esperança, de segurança alegre e confiante. Nesse sentido nosso Advento é mais lindo que o do Antigo Testamento: esperava-se o que ainda não vinha, em mudança nós sabemos que o Senhor já veio sobre o mundo, sobre a Igreja, sobre cada um e então temos bem mais apoio para nossa segurança de que tem de vir novamente, a aperfeiçoar o já iniciado.

Por outro lado, essa presença do Senhor na Igreja e em nós nos fez ir conhecendo Jesus, o amando e o tratando com confiança; por tanto, este esperar seu novo nascimento tem que ser bem mais doce, bem mais suave, bem mais seguro, bem mais esperançado (com o duplo elemento de segurança e alegria da esperança) do foi à espera dos homens e mulheres do Antigo Testamento.

Fiquemos, pois, unidos com Jesus, conversemos sobre estes temas, perguntemos o que nos sugere à cada um em particular para que possamos, desde o começo, viver o Advento do modo mais conducente para obter a plenitude de Natal que Ele sem dúvida quer nos dar.

 

O dízimo não é uma prática filantrópica


O dízimo não deve ser uma prática filantrópica, mais um gesto religioso. Dizimar deve brotar de um coração misericordioso que quer levar um pouco de consolo ao que está passando necessidade, participar da manutenção da sua paróquia...

Como cristãos devemos acrescentar que nossas oferendas devem levar a nossa manifestação de gratidão pelo Sacrifício de Cristo, dom de Deus para a humanidade (Jo 3,16), ao mesmo tempo deve nos mostrar como pessoas que assimilamos os valores do Reino.

O dízimo aponta em seu propósito para quatro elementos, como se fossem os quatro pontos cardeais: Para Deus, para o próximo, para a criação e para nós mesmos.

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A difícil arte do encontro

Após as eleições, paira no ar uma sensação de depressão pós-parto.  Tanto em vencedores como em vencidos. Os que tiveram seus candidatos eleitos esperam preocupados como se delineará a governabilidade.  Os primeiros gestos, decisões, semeiam mais insegurança que firmeza.  Desconcertam, angustiam. Parece que não se entende os rumos de um tempo diferente com outro estilo que começa.

Os que foram derrotados nas urnas se dividem.  Alguns optam pela oposição, resistência e combate cerrados.  Outros preferem esperar para verificar, pagar para ver ou até deixar que o adversário vencedor fracasse e mostre sua verdadeira cara.  Apostam que a governabilidade inexistirá e então a incompetência de uma vitória indevida mostrará sua verdadeira face de ilegitimidade e incapacidade de responder aos desafios e responsabilidades concedidos pelas urnas.

Em todo caso, o que temos é um país dividido, desencontrado.  Famílias se indispuseram ou até, em alguns casos, cortaram relações entre seus membros.  Amizades de anos foram interrompidas e palavras de acusação e raiva pronunciadas onde antes reinava harmonia e companheirismo. Relações foram perdidas e parece muito difícil refazê-las. Em suma, o panorama nacional mostra um tremendo desencontro.

Enquanto isso, o papa Francisco fala da importância de construir uma cultura do encontro. Não se trata certamente de um discurso piedoso e fácil adotado pelo pontífice para dizer a todos que se amem e respeitem sem nenhuma dificuldade ou obstáculo.  Longe disso.  Para o papa, a cultura do encontro é um estilo de vida e uma atitude, fruto de uma experiência e um itinerário pessoal, agora proposta à Igreja e à sociedade como um todo.

Diante da cultura do fragmento, da desintegração e da divisão é importante, afirma o pontífice, não favorecer os que pretendem capitalizar o ressentimento, o esquecimento das relações vividas e desfrutadas, ou os que se deleitam em debilitar vínculos e laços.  Esse seria, a seu ver, o caminho para superar os desencontros que sucedem na sociedade.

Tão importante é a construção da arte do encontro, que antes mesmo de Bergoglio o poetinha maior de nosso país, Vinicius de Moraes, disse: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”  Com sua imensa sensibilidade, queria o poeta ressaltar algo que é constitutivo e visceral no ser humano: sua vocação para a relação, para o afeto, o amor, aquilo que configura e realiza o que chamamos encontro.

Assim também parece entender o papa.  Quando ainda era arcebispo de Buenos Aires, Argentina, várias vezes se empenhou em instar a seus compatriotas a superar os desencontros e refundar os vínculos sociais, políticos, na abertura e na esperança. Agora, desde o Vaticano, onde lidera a Igreja e fala também ao mundo, Francisco não se cansa de repetir esse convite, que consiste em abrir-se à alteridade do outro, aproximar-se, vincular-se, construindo com esperança uma nova mentalidade, um novo estilo de vida, uma nova cultura, onde seja possível o encontro, o diálogo e a comunhão.

Há que admitir que é muito difícil.  A tentação do desânimo diante desta proposta vem carregada da pesada tinta da impossibilidade.  Como dispor-se ao encontro e ao diálogo com quem parece querer conduzir o país na direção oposta daquela em que acreditamos? Como apostar em um possível consenso com pessoas e grupos que parecem falar outra língua, oposto idioma àquele em que acreditamos, que detém os códigos comunicacionais da justiça, do direito, da paz e da prosperidade?

Mais: como fazer esta busca de encontro, consenso e acordo se transformar em verdadeira cultura, que procura o que une em lugar do que divide, e não recua diante de nenhum gesto, atitude ou palavra que possa fazer acontecer  a solidariedade e a comunicação? É duro acreditar que isso poderá ocorrer, sobretudo quando escrevo este artigo no momento seguinte à decisão que liquida com a presença dos médicos cubanos no Brasil e não há como não se pensar que uma represália política deixará na orfandade sanitária milhões de pessoas nos lugares mais pobres e vulneráveis do país.

É duro, porém mais que nunca necessário.  O encontro pode acontecer, mesmo com dificuldade, quando há ao menos um objetivo comum. E este existe e está diante de nossos olhos.  Todos queremos o bem do país.  Todos queremos o povo brasileiro respirando com liberdade, esperança, vendo a perspectiva de um futuro melhor para seus filhos e netos. Enrijecer-se nas divisões certamente não ajudará o Brasil a conseguir esse objetivo.

O povo brasileiro, sempre inspirado na arte de sobreviver a toda impossibilidade, de esperar contra toda esperança e alegrar-se mesmo e, sobretudo sem motivo algum, tem agora diante de si este desafio: tornar-se perito na arte do encontro. Aprofundar as divisões não nos levará longe.  É preciso, é urgente desarmar espíritos e buscar possíveis consensos. Sem eliminar o respeito às diferenças, a resistência ao que é nefasto, a denúncia do indefensável. A difícil arte do encontro deve fazer-se ainda que em meio a esse mar de desencontros em que vivemos agora. O Brasil merece e precisa.


 

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