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A audácia de São Jorge diante do ódio anticristão do poderoso Senado Romano

Cônsul: Quem te autorizou a falar assim livremente e com tanta audácia? São Jorge: A Verdade.

Os primeiros séculos do cristianismo foram caracterizados por fortes perseguições, especialmente por parte do Império Romano. Decorria uma sessão do Senado Romano, na presença do Imperador Diocleciano, cujo propósito era encontrar a maneira mais eficaz de perseguir os Cristãos. São Jorge, cavaleiro ilustre e cristão desde criança, levantou-se e proferiu uma intervenção que espantou todo o Senado. O texto encontra-se nas atas martiriais do Santo.

São Jorge: Por que razão, invencibilíssimo Imperador, Ilustre Senado, Generosos e Nobres Cavaleiros, mudando o vosso costume de obedecer e manter as Leis, agora ordenais uma Lei tão injusta e perniciosa contra os Cristãos, que são gente virtuosa, santa, justa e digna de toda veneração e respeito. Quereis, vós, talvez, que eles adorem os vossos ídolos. E se estes não são deuses, por que quereis que eles os adorem? Aqueles que os adoram são cegos; não sabem que apenas Jesus Cristo, com o Seu Eterno Pai e com o Espírito Santo, é o verdadeiro Deus que se deve adorar, pelo qual todas as coisas são feitas e governadas. Muito melhor faríeis se, deixando a vossa cegueira, abrísseis os vossos olhos e adorásseis Jesus Cristo do que perseguir os Cristãos e querer fazê-los adorar à força os vossos falsos deuses.

Cônsul: Quem és tu? E qual é o teu nome?

São Jorge: O meu principal Nome é Cristão, e aqueles que me conhecem me chamam Jorge. Nasci na Capadócia e sou Nobre e tenho por ofício ser Tribuno dos cavalos do Exército do Imperador.

Cônsul: Quem te autorizou a falar assim livremente e com tanta audácia?

São Jorge: A Verdade.

Cônsul: O que é a Verdade?

São Jorge: A Verdade é Cristo, que vós, idólatras, perseguis.

Cônsul: Então, você é Cristão.

São Jorge: Eu sou Servo de Jesus Cristo, e, confiando n’Ele, quis dar testemunho da Verdade, no meio deste famoso Colégio.

Imperador Diocleciano: Eu não sei, ó Jorge, que loucura é esta tua de me contradizer, sabendo aquilo que fiz por ti, porque, conhecendo eu a Nobreza do teu sangue, e vendo a tua graça e destreza, te honrei fazendo-te Tribuno, e pensava de te dar ofícios maiores, coisas que tu alteraste todas presentemente. Eu te aconselho, como pai, e te advirto, como senhor, que deixes a tua má opinião e adores a nossos deuses, se não quiseres perder tudo aquilo que ganhaste até agora, e, junto, a vida.

São Jorge: Quisera Deus que tu, Imperador, tomasses conselho que para teu bem te dá o teu fiel servo, o qual é este: que, deixando de adorares aos falsos deuses, adorasses Jesus Cristo, verdadeiro Deus, o que seria salutar para o Império e para as almas também.

Depois de várias torturas e maus-tratos, São Jorge acabou por ser martirizado enquanto pedia a Deus que perdoasse os que lhe viriam a cortar a cabeça.

São Jorge, rogai por nós.

Santidade ao alcance de todos

Em meio ao tenebroso momento que vivemos no país chega-nos a exortação apostólica “GAUDETE ET EXSULTATE: chamado à santidade” do Papa falando de santidade. Tema abstrato e distante da realidade? Perguntarão alguns. Alienação perigosa que remete a claustros, vitrais e fuga do mundo com seus conflitos? Indagarão outros. Na verdade, não.  O que propõe o pontífice em sua exortação é uma compreensão mais realista e humana do que seja o ideal de ser santo em um mundo fragmentado e dividido.

Acostumamo-nos a pensar nos santos como aqueles homens e mulheres que vemos retratados em quadros ou vitrais, em geral ajoelhados e em extática contemplação; ou em ascéticos exercícios de piedade que os faz vencerem o mundo e suas ambiguidades e contradições.  Imaginamos tratar-se de pessoas que nada têm a ver com a profanidade das coisas e as limitações das pessoas e buscam a perfeição em uma ascensão ininterrupta a um estado de vida quase angélico e pouco humano.

O que propõe Francisco é, na verdade, o inverso disso.  A santidade não é uma subida, mas sim uma descida ao encontro dos outros.  Por aí passa o ponto de cruzamento entre a espiritualidade e a ética cristãs.  Não se trata de um apelo para alguns poucos escolhidos que se distinguem do resto da humanidade, a qual se debate em dúvidas, tentações e imperfeições.  Pelo contrário, é a radicalização do ser humano como caminho para o encontro com o verdadeiro Deus. 

O caminho da santidade é, segundo Francisco, transfigurar o cotidiano, resgatar em meio ao ordinário o extraordinário. É também vigiar constantemente e estar atento às armadilhas que aparecem a cada momento da vida e superá-las inspirados pela experiência de amar e as opções fundamentais que daí decorrem.   É discernir constantemente não entre o bem e o mal, mas entre o bom e o melhor.  Assim as escolhas vitais qualificarão a existência, não deixando que esta seja arrastada por ideologias que a apequenam e lhe diluem a nobreza.

Na verdade, o que o Papa afirma, ousadamente, é que a santidade é um chamado para todos e não somente para os padres, as freiras, os religiosos.  É um caminho para todo ser humano que não se conforma com este mundo e entende que deve fazer o possível para transformá-lo e humanizá-lo.  É uma vocação para todo aquele ou aquela que não aceita que sua vida tenha que resumir-se a satisfazer pulsões, buscar sensações sofregamente e contentar-se com gratificações superficiais que se desvanecem rapidamente deixando gosto amargo e frustrante na boca e no coração.

Francisco adverte: “Não podemos propor-nos um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns festejam, gastam folgadamente e reduzem a sua vida às novidades do consumo, ao mesmo tempo que outros se limitam a olhar de fora, enquanto a sua vida passa e termina miseravelmente. ”  A santidade não é apenas uma maneira de comportar-se religiosamente ou um estilo de rezar, mas uma maneira de conceber a própria existência enquanto serviço oferecido ao outro.  E este serviço se deseja ao mesmo tempo fiel a Deus e às realidades humanas.  E essas realidades humanas têm alcance maior do que simplesmente as relações interpessoais ou micro comunitárias.  Mas alcançam as próprias estruturas que condicionam a vida dos outros homens e mulheres e podem favorecer ou contrariar a justiça, a paz e a vida plena para todos.

Neste sentido, santidade não é apenas uma “performance” sempre mais acurada de ascese e crescimento individual, mas um compromisso pela vida, sobretudo a dos outros e dentre estes dos mais vulneráveis e frágeis.  Francisco diz explicitamente que “a defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige-o o amor por toda a pessoa, independentemente do seu desenvolvimento. Mas igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram e se debatem na miséria, no abandono, na exclusão, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados, nas novas formas de escravatura, e em todas as formas de descarte“.

É assim que a santidade está ao alcance de todos aqueles e aquelas que reconhecem sua própria finitude e desejam ser transformados pelo amor que é maior e os faz plenamente humanos. Ser santo não é para campeões de perfeição, mas para pecadores que se reconhecem como tais, mas se deixam configurar pela graça de Deus e pelo apelo que vem da alteridade desfigurada de todo aquele que sofre e necessita cuidado e atenção.

Como diz o grande filósofo católico francês Jean Luc Marion: “Pecadores e traidores é o que mais existe na Igreja”.  O extraordinário, o surpreendente, é que esta mesma Igreja ainda seja capaz de produzir santos. Francisco parece acreditar nesta capacidade.  E não a restringe apenas a um seleto grupo de especialistas, mas a estende ampla e universalmente a todo aquele ou aquela que desejar viver plena e radicalmente sua condição humana criada e redimida pelo Deus da vida.


Maria Clara Bingemer é teóloga, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio


 

Santo Expedito - Santo das horas difíceis


A história e a tradição dizem que Expedito, em latim significa diligente, zeloso, ligeiro, vivo, enérgico, espontâneo, independente, armado levemente e sempre preparado para entrar no combate.

Como pessoa humana, Expedito foi chefe da décima segunda legião romana, denominada Fulgente, nome que mereceu em memória de uma difícil ação militar, enfrentada com admirável e heróica coragem por soldados cristãos, sendo sua principal e fundamental função de defender e proteger com rigor as fronteiras orientais contra os ataques dos povos asiáticos, incessantes e constantes invasores do Império Romano.

Como mártir da Fé, Expedito foi decapitado e morreu no dia 19 de abril do ano 303. De forma cruel e feroz, os seus algozes cortaram a sua cabeça. Durante a sua vida, Expedito desempenhou fielmente todos os seus deveres para com Deus, com o próximo e para com si mesmo. Fiel sempre a seu lema:

“HOJE” – ofereço minha prova de fidelidade e coragem. ”AMANHÔ – será minha vitória plena e fulgente.

Na representação gráfica de Santo Expedito, destaca-se em sua mão direita a cruz, gesto que nos lembra as palavras de Jesus que encontramos no Evangelho. “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me“.

Para a verdadeira paz e felicidade não há outro caminho senão a  via da santa cruz, simbolizada pela fé, esperança e amor.

Na cruz de Santo Expedito, encontramos a palavra “hoje” que exterioriza a disponibilidade do cristão autentico a permanecer fiel a sua religião e seus compromissos assumidos pelo batismo, confirmação, ordem e matrimônio.

Santo Expedito calça com o pé um corvo que, antes de morrer lança seus últimos “crás”, palavra de origem latina, que significa “amanhã”.O demônio, como um corvo voraz está a todos nos tentando para deixar a obra de nossa conversão e salvação para amanhã.

Nós podemos, imitando Santo Expedito, combater o inimigo de nossa alma e invocar a misericórdia divina, lembrando que a nossa proteção está em nome do Senhor que fez o céu e a terra.

Assim, como soldados de Cristo podemos merecer a palma da vitória, convidados a esta luta pelas palavras do apóstolo Paulo: “ Portanto, ponde-vos de pé e cingi os vossos rins com a verdade e revesti-vos da couraça da justiça e calçai os vossos pés com a preparação do Evangelho da paz, empunhando sempre o escudo da fé, com o qual podereis extinguir os dardos inflamados do maligno.

Santo Expedito, é o padroeiro da juventude, é o protetor dos soldados e viajantes, é o mediador em processos. Nas horas difíceis socorre os aflitos e os desesperados. É o santo que nos auxilia sempre nas causas urgentes e imediatas.


 

O encontro de Jesus com Maria

Uma piedosa tradição nos conta que carregando a pesada cruz para o Calvário, Jesus encontra-se com Sua Mãe, Maria Santíssima. Quando se cruzam os olhares da Mãe e do Filho são dois oceanos de amor que se juntam.

Ali estão o Deus feito homem por amor de nós que para nos salvar derrama até sua última gota de sangue no Calvário, e sua santa Mãe, Maria Santíssima.

É certo que Mãe e Filho se olham, se tocam, se fortalecem mutuamente naquela hora desoladora, na qual nada mais há a fazer, a não ser confiar com uma esperança que a Palavra de Deus não falha. A vitória final não é da morte, mas da vida. A morte e o túmulo serão (como de fato foram) uma passagem para a eternidade feliz. A vida vencerá, apesar dos sofrimentos indizíveis daquelas horas.

Pode haver dor maior que a dor de uma mãe assistindo impotente ao sofrimento do próprio filho? O filho às portas da morte e ela nada podendo fazer? Há dor maior àquela que trouxe alguém à vida ver que outros, de modo cruel e covarde, a privam do fruto do seu ventre?

Aquela bela criança, que um dia a mãe carregou nos braços, alimentou, acariciou, educou, cuidou, viu crescer, se tornar robusto, pregar, fazer milagres, juntar seguidores etc. está, agora, à sua frente como homem das dores, todo chagado, cuspido, ensanguentado, vilipendiado e pronto para ser morto? Pode haver dor maior que neste encontro?

Deus não quer o sofrimento na vida de ninguém, mas já que ele apareceu entre nós como fruto do pecado e – aqui em especial – da maldade humana, o Senhor se vale dele para a nossa santificação. Deus quis fazer da dor e do sofrimento, misérias humanas, vias régias para a nossa salvação.

Aliás, é Santo Agostinho quem diz: “Deus não permitiria o mal, se não pudesse tirar dele bens ainda maiores”. De toda essa trágica situação, tiramos a certeza de que Mãe e Filho entendem bem do sofrer e, por isso, nos ajudam quando nos vemos, pelas mazelas da vida, imersos nele. Nossa Senhora intercede por nós como nas Bodas de Caná e Seu amado Filho e nosso irmão nos atende a pedido de tão bondosa mãe. É um grande segredo de amor que só temos a agradecer a Deus.

Voltemo-nos agora, irmãos e irmãs, para os nossos dias e pensemos no sofrimento do nosso povo. Quantos homens e mulheres, filhos e filhas de Deus, inclusive jovens, a quem o Santo Padre, o Papa Francisco, tanto carinho devota, de modo a convocar para este ano um Sínodo sobre a Juventude a fim de tratar das belezas e desafios desta fase da vida.

O Papa que fala tanto da “CULTURA DO ENCONTRO”, quer se encontrar com os jovens e deseja também que os próprios jovens se encontrem entre si e com os adultos. Como Jesus e Maria, naquele momento angustiante, hoje é também tempo de nos encontrarmos com o próximo e fazer com que esse próximo descubra a beleza de se encontrar com o Senhor a caminho do Calvário e, depois, ressuscitado. A vida não é só glória. Não há Cristianismo sem Cruz, mas também não é só dor. Não há verdadeira fé em Cristo sem a glória da Ressurreição. É preciso sadio equilíbrio.

Hoje, também muitas mães encontram seus filhos, pelas ruas, praças e vielas, com a cruz às costas. É a cruz não mais de madeira, mas do desemprego a assolar a tantos brasileiros jovens, em especial; da violência, que, infelizmente, não tem mais dia, local e horário para acontecer: acomete pessoas de todas as idades, localidades e condições sociais; dos vícios em drogas “lícitas” e ilícitas, que tantas vítimas fatais fazem Brasil afora; do tráfico humano, a levar as famílias a nunca mais reverem seus entes queridos desaparecidos; de filhos(as) e viúvas de policiais e agentes de segurança cujo caminho do Calvário é, hoje, uma sala de velório, na qual vão dar o último adeus ao ente querido assassinado em serviço… São alguns dos encontros de mães e de filhos em nosso tempo tão marcado pelo desprezo à vida, dom de Deus a ser preservada, desde o ventre materno até o seu fim natural.

Jesus, tem, querida mãe sofrida e até abatida pela dor, um olhar também para a senhora. Olhar de amor, de carinho, de compaixão, de esperança, mesmo em meio a muita dor. A senhora não está só, Deus, pode parecer ausente, mas não está. Está perto. Diz o salmista que “O Senhor está perto, está perto de todo aquele que O invoca lealmente”. Portanto, no seu caminho de dor e sofrimento, Deus se faz presente e lhe pede uma coisa: Ajude a ajudar também a outros que se encontram em situação igual à sua.

A você jovem que, de algum modo, carrega a sua cruz nos dias de hoje, lembre-se de que Cristo já percorreu esse caminho de dor e também de amor. Era para se entregar por você e por mim que Ele sofreu tantos horrores. Nesse caminho, Ele quer lhe dizer, agora, o mesmo que disse ao filho da pobre viúva de Naim: “Jovem, levanta-te! Não importa o peso ou o tamanho de sua cruz. Eu estou com você. A minha Igreja está com você. Não se desanime. Coragem, você vencerá! ”.

A você que assiste, no seu dia a dia, esse encontro da Mãe e do Filho no caminho do Calvário, no caminho da morte, não seja mero expectador. Seja um Cirineu, aquele que ajuda Jesus a levar a cruz. Não nos acomodemos como se a dor alheia não nos dissesse respeito. Onde sofre um (a) irmão (ã), Cristo sofre neles.

Acolhamos, por meio de Nossa Senhora, a Virgem das Dores, a cada sofredor. Sejamos misericordiosos como o Pai é misericordioso!


CNBB 
ARTIGOS DO CARDEAL ORAMI


 

Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate: chamado à santidade” é lançada pelo papa

É precisamente o espírito de alegria que o papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua última Exortação Apostólica, lançada nessa segunda-feira, 10/04.

O título “GAUDETE ET EXSULTATE”, “Alegrai-vos e exultai,” repete as palavras que Jesus dirige “aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele”.

Nos cinco capítulos e 44 páginas do documento, o papa segue a linha de seu magistério mais profundo, a Igreja próxima à “carne de Cristo sofredor”.

Os 177 parágrafos não são – adverte – “um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções”, mas uma maneira de “fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade”, indicando “os seus riscos, desafios e oportunidades” (nº 2).

A CLASSE MÉDIA DA SANTIDADE

Antes de mostrar o que fazer para se tornar santos, o  papa Francisco se detém no primeiro capítulo sobre o “chamado à santidade” e reafirma: há um caminho de perfeição para cada um e não faz sentido desencorajar-se contemplando “modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis” ou procurando “imitar algo que não foi pensado para ele”. (nº 11).

“Os santos, que já chegaram à presença de Deus” nos “protegem, amparam e acompanham” (nº 4), afirma o papa. Mas, acrescenta, a santidade a que Deus nos chama, irá crescendo com “pequenos gestos” (nº 16 ) cotidianos, tantas vezes testemunhados por “aqueles que vivem próximos de nós”, a “classe média de santidade” (nº 7).

RAZÃO COMO UM DEUS

No segundo capítulo, o papa estigmatiza aqueles que define como “dois inimigos sutis da santidade”, já várias vezes objeto de reflexão, entre outros, nas missas na Santa Marta, na Evangelii gaudium, bem como no recente documento da Doutrina da Fé, Placuit Deo.

Trata-se de “gnosticismo” e “pelagianismo”,  duas heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade (n.35).

O gnosticismo – observa – é uma autocelebração de “uma mente sem encarnação, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclopédia de abstrações”.

Para o papa, trata-se de uma “vaidosa superficialidade”, que pretende “reduzir o ensinamento de Jesus a uma lógica fria e dura que procura dominar tudo”. E ao desencarnar o mistério, preferem – como disse em uma missa na Santa Marta – “um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo “(nn. 37-39).

ADORADORES DA VONTADE

O neo-pelagianismo é, segundo Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo. A ser objeto de adoração aqui não é mais a mente humana, mas o “esforço pessoal”, uma vontade sem humildade que “sente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas” ou por ser fiel “a um certo estilo católico” (n. 49).

“A obsessão pela lei”, “o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas”, ou “a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja” são para o papa, entre outros, alguns traços típicos de cristãos que “não se deixam guiar pelo Espírito no caminho do amor”. (n. 57 ).

Francisco, por outro lado, lembra que é sempre o dom da graça que ultrapassa “as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana” (n. 54). Às vezes, constata, “complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema”. (Nº 59)

OITO CAMINHOS DE SANTIDADE

Além de todas as “teorias sobre o que é santidade”, existem as Bem-aventuranças. Francisco coloca-as no centro do terceiro capítulo, afirmando que com este discurso Jesus “explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo” (n. 63).

O papa as repassa uma a uma. Da pobreza de coração – que também significa austeridade da vida (n. 70) – ao reagir “com humilde mansidão” em um mundo onde se combate em todos os lugares. (n. 74).

Da “coragem” de deixar-se “traspassar” pela dor dos outros e ter “compaixão” por eles – enquanto ” o mundano ignora, olha para o lado” (nn 75-76.) – à sede de justiça.

“A realidade mostra-nos como é fácil entrar nas súcias da  corrupção, fazer parte desta política diária do “dou para que me deem”, onde tudo é negócio. E quantos sofrem por causa das injustiças, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida”. (nn. 78-79).

Do “olhar e agir com misericórdia”, o que significa ajudar os outros “e até mesmo perdoar” (nn. 81-82), “manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor” por Deus e o próximo, isto é santidade. (n.86).

E finalmente, do “semear a paz” e “amizade social” com “serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza” – conscientes da dificuldade de lançar pontes entre pessoas diferentes (nn. 88-89) – ao aceitar também as perseguições, porque hoje a coerência às Bem-aventuranças “pode ser mal vista, suspeita, ridicularizada” e, no entanto, não se pode esperar, para viver o Evangelho, que tudo à nossa volta seja favorável” (n. 91).

A GRANDE REGRA DO COMPORTAMENTO

Uma dessas bem-aventuranças, “Bem-aventurados os misericordiosos”, contém para Francisco “a grande regra de comportamento” dos cristãos, aquela descrita por Mateus no capítulo 25 do “Juízo Final”.

Esta página, reitera, demonstra que “ser santo não significa revirar os olhos num suposto êxtase” (n. 96), mas viver Deus por meio do amor aos últimos.

Infelizmente, observa o papa, existem ideologias que “mutilam o Evangelho”. Por um lado, cristãos sem um relacionamento com Deus, que transformam o cristianismo “numa espécie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante” vivida por São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá. (nº 100).

Por outro, aqueles que “suspeitam do compromisso social dos outros”, considerando-o como se fosse algo de superficial, mundano, secularizado, imamentista, “comunista ou populista”, ou “o relativizam” em nome de uma determinada ética.

Aqui o papa reafirma que “a defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada” (n. 101).

Mesmo a acolhida dos migrantes – que alguns católicos,  observa, gostariam que fosse menos importante do que a bioética – é um dever de todo cristão, porque em todo estrangeiro existe Cristo, e “não se trata da invenção de um papa, nem de um delírio passageiro” (n. 103).

GASTAR-SENAS OBRAS DE MISERICÓRDIA

Assim, observou que “gozar a vida” como nos convida a fazer o “consumismo hedonista”, é o oposto do desejar dar glórias a Deus, que pede para nos “gastarmos” nas obras de misericórdia (nn. 107-108).

No quarto capítulo, Francisco repassa as características “indispensáveis” para entender o estilo de vida da santidade: “perseverança, paciência e mansidão”, “alegria e senso de humor”, “audácia e fervor”.

O caminho da santidade vivido como caminho “em comunidade” e “em constante oração”, que chega à “contemplação”, não entendida como “evasão que nega o mundo que nos rodeia” (nn. 110-152).

LUTA VIGILANTE E INTELIGENTE

E porque, prossegue, a vida cristã é uma luta “constante” contra a “mentalidade mundana” que “nos engana, atordoa e torna medíocres” (n. 159).

O papa conclui no quinto capítulo convidando ao “combate” contra o “Maligno que, escreve ele, não é “um mito”, mas” um ser pessoal que nos atormenta” (n. 160-161).

“Quem não quiser reconhecê-lo, ver-se-á exposto ao fracasso ou à mediocridade”. As suas maquinações, indica, devem ser contrastadas com a “vigilância”, usando as “armas poderosas” da oração, a adoração eucarística, os Sacramentos e com uma vida permeada pela caridade (n. 162).

Importante, continua Francisco, é também o “discernimento”, particularmente em uma época “que oferece enormes possibilidades de ação e distração” – das viagens, ao tempo livre, ao uso descontrolado da tecnologia – “que não deixam espaços vazios onde ressoa a voz de Deus “. Francisco pede cuidados especiais para os jovens, muitas vezes “expostos a um constante zapping”, em mundos virtuais distantes da realidade (n. 167).

“Não se faz discernimento para descobrir o que mais podemos derivar dessa vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a missão que nos foi confiada no Batismo.” (174)

Com informações do Vatican News

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