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O dia 18 de outubro foi escolhido como "Dia dos Médicos" por ser o
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O estado da educação brasileira é tão lamentável que nem dá
Pai, se possível, ouça a minha oração
São nesses momentos que eu me encontro com Deus e Ele entende perf
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Deus é Missão

A animação missionária da Igreja é o assunto que ocupa a Liturgia durante este mês missionário de outubro. É bom lembrar que a Igreja nos ensina que a missão vem de Deus, nasce do coração da Trindade Santa.  Como lemos nos documentos do Concílio Vaticano II, a origem da missão é o “amor fontal” de Deus (Ad Gentes, 2). Por isso, diz respeito antes ao que “Deus é em si mesmo e não, primeiramente, ao que Deus faz”. E, em sua essência divina, Deus é Amor (cf. 1Jo 4, 8.16). Sendo amor, então, Deus não existe só, não é uma ilha nem solidão, como alguns já disseram, mas Deus é comunhão de pessoas. Nós cremos num só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Filosófica e teologicamente, diz-se que Deus é difusivo de si mesmo, transbordante, que não se contém como se não coubesse dentro si, nem se deleita na auto-complacência consigo mesmo. Popularmente, dizemos que Deus não é nem pode ser egoísta. Ao contrário, por força do amor, Deus é o poderoso que saiu e sai de si para gerar vida, a vida do mundo com todas as coisas de dentro e de fora, e a vida dos seres humanos. A meu ver, vale a pena parar para pensarmos na maneira como Santo Agostinho falou do Amor e da Trindade: “Onde existe o Amor existe a Trindade: um que ama, um que é amado e uma fonte de amor”. Pois bem, os seres humanos, Deus os fez homem e mulher, e os criou à sua imagem e semelhança. Na Bíblia, está escrito que tudo o que Deus criou e fez, Ele viu que era muito bom. Depois, ainda sob o impulso do amor, Deus saiu para ir ao encontro da humanidade a fim de se revelar, apresentando-se como “Eu sou Aquele que sou” e de estabelecer uma aliança de vida e amor com homens e mulheres, chamando-os a partilhar de sua própria vida e glória e constituindo-os num povo, o seu povo.   

Quando chegou o tempo certo, Deus Pai enviou ao mundo o seu Filho amado para completar a revelação do mistério insondável da sua natureza divina, do sentido da vida, do seu plano de salvação e redenção da humanidade, do destino final da criação, do Reino dos céus. Jesus, por sua Encarnação, realizou a mais perfeita aproximação do céu com a terra, do divino com o humano, por sua vida, estabeleceu o mais estreito encontro de Deus com o homem, e, por sua redenção, operou a redenção de todos os homens e mulheres, e é o garante da glorificação de toda a criação (Ad Gentes, 3). Jesus é o maior missionário enviado ao mundo pelo Pai. Por Ele Deus veio ao nosso encontro: “A Palavra de Deus se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14ª). 

Jesus Cristo, tendo subido ao céu, enviou o Espírito Santo prometido. O Espírito, porém, foi derramado em Pentecostes para dar origem à Igreja e impulsionar a missão que Jesus deixou à Igreja como tarefa que Ele recebeu do Pai, isto é, de levar a cabo a obra da salvação (Ad Gentes, 4). O Espírito Santo, que já atuava antes da glorificação de Cristo, é quem conserva a Igreja na unidade e comunhão e a fortalece com diversos dons hierárquicos e carismáticos, com os quais a dirige e embeleza. O Espírito é o santificador da Igreja, habita nela e nos corações dos fiéis, como num templo, e neles ora. Ele é ainda a alma da Igreja, sopra onde quer e renova a Igreja e a impele a evangelizar todos os povos (Ad Gentes 4; Lumen Gentium, 4). 

Jesus Cristo confiou a missão evangelizadora aos seus discípulos e à Igreja: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os” (Mt 28,19). Com Pentecostes, começou essa missão de evangelizar toda criatura, animada pelo Espírito, com a oferta do batismo a todos os que creem em Jesus (cf. Mc 16,15). Essa missão prossegue pelo tempo afora e por todas as partes do mundo. 

Por tudo o que aqui se disse, resumidamente, é que vem se afirmando como verdade que: “Deus é Missão”; “Jesus é o primeiro e o maior missionário do Pai”; “A Igreja recebeu de Jesus a tarefa de evangelizar toda gente, no poder do Espírito Santo”; “A IGREJA EXISTE PARA SER MISSIONÁRIA”; “Evangelizar constitui a missão da Igreja, sua identidade e sua própria razão de ser”; “Nossa vocação comum é sermos discípulos e missionários de Jesus”.

No Evangelho de Lucas (Lc 17, 11-19) vemos Jesus realizando mais uma obra de misericórdia, desta vez, curando dez leprosos num povoado da Samaria. Jesus disse-lhes: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. E, enquanto iam, ficaram curados. Mas só um voltou para agradecer a Jesus, exatamente um samaritano - os judeus não gostavam dos samaritanos. Jesus, então, aproveitou o fato para dizer aos que o acompanhavam: “‘Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro? ’. E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou

Não existe missão verdadeira sem misericórdia. Evangelizar a partir de Jesus Cristo é fazer o bem como Ele o fez. 

Oremos para que sejamos Igreja missionária e misericordiosa.

Lucas, o Evangelista

O dia 18 de outubro foi escolhido como "Dia dos Médicos" por ser o dia consagrado pela Igreja a São Lucas. Como se sabe, Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento. Segundo a tradição, São Lucas era médico, pintor, músico e historiador, e teria estudado medicina em Antioquia. Seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego.

Nasceu em Antioquia da Síria, evangelista cristão de formação grega, autor do terceiro dos evangelhos sinóticos e dos Atos dos Apóstolos, seus textos são os de maior expressão literária do Novo Testamento. Por seu estilo literário, acredita-se que pertencia a uma família culta e abastada e, de acordo com a tradição, exercia a profissão de médico e tinha talento para a pintura.

Converteu-se ao cristianismo e tornou-se discípulo e amigo de Paulo de Tarso, porém segundo seu próprio relato, não chegou a conhecer pessoalmente Jesus Cristo, pois ainda era muito criança quando o Messias foi crucificado. Paulo o chamava de colaborador e de médico amado e segundo o testemunho dos Atos dos Apóstolos e das Cartas de São Paulo, que constituem os únicos dados biográficos autênticos, acompanhou o apóstolo em sua segunda viagem missionária de Trôade a Filipos, onde permaneceu por seis anos seguintes.

Tornou-se excepcional para a vida da Igreja por ter sido dócil ao Espírito Santo, que o capacitou com o carisma da inspiração e da vivência comunitária, o que resultou no Evangelho segundo Lucas e na primeira história da Igreja, conhecida como Atos dos Apóstolos.

No Evangelho segundo Lucas, encontramos o Cristo, amor universal, que se revela a todos e chama Zaqueu, Maria Madalena, garante o Céu para o "bom" ladrão e conta as lindas parábolas do pai misericordioso e do bom samaritano.

Nos Atos dos Apóstolos, (atos do Espírito Santo), é inaugurada a Igreja, que desde então vem evangelizando com coragem, ousadia e amor incansável todos os povos.

São Lucas não era hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião judaica. Não há dados precisos sobre a sua vida. Como já foi dito, segundo a tradição, era natural de Antioquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na Ásia Menor.

O historiador São Jerônimo afirma que Lucas viveu a missão até a idade de 84 anos, terminando sua vida com o martírio. Por isso, no hino das Laudes rezamos: "Cantamos hoje, Lucas, teu martírio, teu sangue derramado por Jesus, os dois livros que trazes nos teus braços e o teu halo de luz".

É considerado o Padroeiro dos médicos, por também ele ter exercido esse ofício, conforme diz São Paulo aos Colossenses (4,14): "Saúda-vos Lucas, nosso querido médico". A profissão de médico pressupõe que ele tenha dedicado muitos anos ao estudo. A sua formação cultural transparece nos seus livros: o Evangelho foi escrito num grego correto, cristalino e bonito, rico de vocábulos.

Lucas é o evangelista que mais pintou a fisionomia humana do Redentor, a sua mansidão, as suas atenções para com os pobres, para com os desprezados, para com as mulheres, e para com os pecadores arrependidos.

Lucas é o biógrafo de Nossa Senhora e da infância de Jesus. É o evangelista do Natal. Revelando-nos os íntimos segredos da Anunciação, da Visitação e da Natividade faz-nos entender que conheceu pessoalmente Nossa Senhora. Lucas nos adverte que fez pesquisas e tomou informações sobre os fatos referentes à vida de Jesus junto àqueles que conviveram com o Mestre.

Pelos Atos e pelo terceiro Evangelhos conhecemos também o temperamento de São Lucas: homem conciliador, discreto, dono de si mesmo.

Depois da perseguição e morte dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, nada sabemos com certeza da vida de Lucas. A tradição, recolhida pelos primeiros escritores eclesiásticos e santos padres, conservou a memória de suas viagens apostólicas pelo mediterrâneo oriental, até morrer mártir.

Mas a importância, realmente excepcional, da ação de Lucas na vida da Igreja reside não em sua pregação itinerante, mas em sua obra como escritor. Nos Atos dos Apóstolos, Lucas deixou-nos a história das primeiras comunidades cristãs; é a fonte principal para o conhecimento da primeira difusão do Cristianismo no mundo.

O Dia do Mestre e a matança dos inocentes

O estado da educação brasileira é tão lamentável que nem dá ânimo de comemorar o Dia do Mestre, em 15 de outubro.  Este profissional, que deveria ser o mais valorizado entre todos por ser quem forma as novas gerações e com isso poder fazer de um país uma nação e um povo com projeto de futuro, encontra-se hoje em estado de absoluta frustração.

Vemos universidades fechando, docentes sem receber salários há quase um ano, reitores cometendo suicídio por culpa de uma Justiça abusiva e inconsciente. Sem falar no ensino fundamental.  Escolas sem professor, professores que devem ter cinco a seis matrículas para poder viver de seu trabalho.  Estudantes desanimam e desistem de seus projetos e seus sonhos por acreditarem que, na verdade, o que importa é correr atrás do dinheiro em profissões talvez não tão nobres, porém mais lucrativas do que o ensino. Ou então preferem embarcar em outras viagens mais imediatas e perigosas (mas excitantes) do que a grande aventura do conhecimento.

De repente - e surpreendentemente - uma tragédia sem parâmetro, absurda em sua infinita crueldade, rasga o horizonte e nos diz que nem tudo está perdido.  Janaúba, pequena cidade de Minas Gerais, e a creche municipal Gente Inocente foram o cenário dessa tragédia e também dessa esperança.  Ali o vigia noturno Damião Soares Santos, um homem solitário de 50 anos, que durante o dia fabricava e vendia picolés para completar a renda, derramou um dos galões de álcool que usava para acelerar o congelamento dos sorvetes sobre as crianças, queimando-as vivas. 

Foi no pátio da creche, onde várias crianças se encontravam, que Damião deu início a seu macabro ritual. A “gente inocente” que ali brincava e se educava, acompanhada por professoras e pedagogas, foi transformada em labaredas vivas. Mas no meio do caminho havia uma professora: Helley de Abreu Silva Batista.  Jovem mulher, mãe de três filhos sendo o menor de um ano. Ao ver o que acontecia, entrou em luta corporal com o assassino para impedir que levasse avante seu gesto tresloucado e fatal.

Lutou em desigualdade de condições e forças, mas fortalecida por sua determinação de fazer tudo para salvar aqueles pequenos a ela confiados. Damião acabou ateando fogo a seu próprio corpo e morreu junto com suas vítimas.  Helley não conseguiu salvar todos, mas vários não morreram devido à sua intervenção.  Ela passou um a um pela janela de volta à vida. Porém, a ela mesma não pôde salvar-se.  Sua entrada corajosa no meio das chamas para dali retirar as crianças à fez sofrer queimaduras em 90% do corpo.  Levada para o hospital, não resistiu e morreu.

Todos os testemunhos sobre sua pessoa são unânimes em afirmar que era apaixonada pelo que fazia. Sempre preocupada em promover novas formas de ensino, para que os alunos tivessem melhor desempenho no aprendizado.  Uma de suas principais preocupações era a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência, área em que se especializou.

Ao ver a tragédia acontecendo e o perigo letal que ameaçava as crianças esqueceu-se de si própria e pensou apenas neles. Lutou até o fim, mesmo quando as labaredas já a atingiam e ameaçavam sua vida.  A heroína de Janaúba é a figura que hoje me parece dever ser homenageada quando se aproxima o Dia do Mestre.

Seu gesto mostra que ser professor não é apenas despejar conteúdos sobre os alunos que muitas vezes, com as mentes distantes, apegadas a outros estímulos, ou malnutridos, ou deprimidos pelas condições familiares em que vivem, não os assimilam.  Trata-se de uma profissão que é indissociável da vida e, ousaria dizer, da entrega da vida.

Helley se preocupava com os que tinham alguma deficiência, era sensível aos que apresentavam algum problema.  Não se tratava de uma docente que corria atrás de sucesso e estatísticas de desempenho premiadas em rankings e jornais.  Amava o que fazia e por isso amava seus alunos, as crianças que a ela ficavam entregues por boa parte de seu dia.

Demonstrou esse amor quando o ser professora não significou escrever no quadro negro, ou mostrar mapas.  O momento de sua intervenção, que foi também o de sua morte, mostra alguém comprometido e responsável até as últimas consequências com aqueles que estão entregues a sua docência.  Ela lhes deu a melhor lição, a melhor aula: a entrega da vida para salvar suas vidas.

Janaúba segue de luto e o país segue perplexo.  Helley começa a receber muitas homenagens, mais do que merecidas.  Sua família sofre muitíssimo.  Nada substituíra sua presença maternal ao lado dos filhos, sobretudo do pequenino de um ano.  Nada pode igualmente consolar as famílias das crianças que morreram vitimadas pelo fogo.

Mas em meio a toda essa tragédia e esse horror, a figura de Helley brilha como luz, assim como o livro da Sabedoria diz que brilham os justos, como fagulhas, como estrelas.  E sua atitude diz que não há pecado maior que a graça, não há desgraça maior que o amor, não há morte que vença a vida quando esta está ancorada no bem e no serviço aos outros. 

A matança dos inocentes em Janaúba permanece sombria tragédia.  Mas tem a iluminá-la a professora Helley, heroína que não se preocupou com a própria vida, mas com a das crianças que lhe eram confiadas.  Enquanto existirem professores como ela, podemos dizer: nem tudo está perdido.  É possível reencontrar o verdadeiro caminho da educação.  Tem que ser possível.  Do contrário, veremos nosso país afundado na lama da corrupção e da libertinagem política, sem esperança de dias melhores.

Helley, a heroína de Janaúba, - que deve ter outras irmãs em coragem e capacidade de amar esparsas pelo país – nos diz que há que lutar sem perder a esperança.  E por isso podemos dizer: Feliz Dia do Mestre aos que são docentes e aos discentes que com eles aprendem e aprenderam.  Ou aprenderão.  Feliz Dia da Educação.  Educando e educador são chamados a renovar seu compromisso de interação e diálogo constante e profundo no desejo de descobrir o mundo e construir o futuro em comunhão de destino.  


Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio


 

Quando tudo se torna pecado: isso é corrupção

“Jesus, que julga com misericórdia, é a plenitude da lei”, disse o Papa Francisco.

“Diante do pecado e da corrupção, Jesus é a plenitude da lei”. O Papa refletiu sobre o Evangelho de João (Jo 8,1-11) que propõe o trecho em que Cristo, a propósito da mulher surpreendida em adultério, diz a quem a acusa: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.

O Pontífice se deteve também na Leitura, extraída do Livro do Profeta Daniel (Dn 13,1-9.15-17.19-30.33-62), dedicada a Susana que foi vítima de dois juízes anciãos do povo que orquestraram contra ela um “adultério falso, fictício”. Ela é obrigada a escolher entre “fidelidade a Deus e à lei” e “salvar a vida”: “era fiel ao marido”, disse o Papa, “talvez tivesse outros pecados, pois todos somos pecadores”. “A única mulher que não tem pecado é Nossa Senhora”.

Nos dois episódios se encontram “inocência, pecado, corrupção e lei”, pois nos dois casos os juízes eram corruptos”.

“Sempre existiram no mundo juízes corruptos. Existem também hoje em todas as partes do mundo. Por que a corrupção chega a uma pessoa? Porque uma coisa é o pecado: Eu pequei, escorreguei, sou infiel a Deus, mas procuro não fazer mais ou procuro me ajeitar com o Senhor ou pelo menos sei que isso não é bom. Outra é a corrupção. Existe corrupção quando o pecado entra, entra na consciência e não deixa lugar nem mesmo para o ar.

Quando tudo se torna pecado: isso é corrupção. “Os corruptos pensam em fazer bem com a impunidade. No caso de Susana, os juízes anciãos foram corruptos dos vícios da luxúria”, ameaçando-a de testemunhar falsidades contra ela. “Não é o primeiro caso”, refletiu Francisco, “que nas Escrituras aparecem falsos testemunhos. Isso nos recorda Jesus, condenado à morte por falso testemunho”.

No caso da verdadeira adúltera, quem a acusa são outros juízes que “tinham perdido a cabeça fazendo crescer neles uma interpretação tão rígida da lei que não deixava espaço ao Espírito Santo: ou seja, a corrupção da legalidade, legalismo, contra a graça”. Depois, temos Jesus, verdadeiro Mestre da lei diante de falsos juízes que tinham o coração pervertido ou que davam sentenças injustas “oprimindo os inocentes e absolvendo os malvados”: “Jesus diz poucas coisas, poucas coisas. Diz: Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra. E à pecadora diz: Eu não te condeno. Não peques mais. Esta é a plenitude da lei, não a dos escribas e fariseus que tinham a mente corrompida, fazendo várias leis sem deixar espaço à misericórdia. Jesus é a plenitude da lei e Jesus julga com misericórdia. ”

“Deixando livre a mulher inocente, a quem Jesus chama de Mãe porque, explicou Francisco, a sua mãe é a única inocente”, saem palavras não bonitas da boca do profeta em relação aos juízes: Encarquilhados nos vícios, no mal. O Papa convidou a pensar na maldade com a qual os nossos vícios julgam as pessoas: “Nós também julgamos no coração os outros, hein? Somos corruptos? Ou ainda não? Parem. Paremos e olhemos Jesus que sempre julga com misericórdia: Eu também não te condeno. Podes ir em paz, e não peques mais.

O poder do dinheiro


 

 

 


 


É preciso evitar ceder à tentação de idolatrar o dinheiro. Significaria debilitar a nossa fé e deste modo correr o risco de se tornar dependente do engano dos desejos insensatos e prejudiciais, aqueles que levam o homem a ponto de se afogar na ruína e na perdição. Sobre este perigo o Papa Francisco nos advertiu: “Jesus - afirmou o Santo Padre nos diz claramente, e também de maneira definitiva, que não podemos servir a dois senhores: não podemos servir a Deus e ao dinheiro. Entre eles alguma coisa não se harmoniza. Há algo na atitude de amor pelo dinheiro que nos afasta de Deus”. E citando a primeira carta de são Paulo a Timóteo (6, 2-12), o Papa disse: “Aqueles que querem enriquecer caem na tentação do engano de muitos desejos insensatos e prejudiciais, que fazem com que os homens se afoguem na ruína e na perdição”.

De fato, a cobiça - prosseguiu – “é a raiz de todos os males. Subjugados pelo desejo, alguns desviaram-se da fé e encontraram muitos tormentos. É o poder do dinheiro que nos faz desviar da fé pura. Priva-nos da fé, debilita-se e acabamos por perdê-la”. E, permanecendo na carta paulina, frisou que o apóstolo afirma em seguida que “se alguém ensina diversamente e não segue as palavras sadias de nosso Senhor Jesus Cristo e a doutrina em conformidade com a religiosidade verdadeira fica cego de orgulho, nada compreende e torna-se um maníaco de questões ociosas e conversas inúteis”. Depois, o Papa explicou o pecado ligado ao desejo do dinheiro, com todas as suas consequências, no primeiro dos dez mandamentos: peca-se de “idolatria”, disse: “O dinheiro - evidenciou - torna-se ídolo e tu prestas-lhe culto. E por isso Jesus diz-nos: não podes servir ao ídolo dinheiro e ao Deus vivo. Um ou outro”. Os primeiros Padres da Igreja “diziam uma palavra forte: o dinheiro é esterco do diabo. É assim, porque nos torna idólatras e adoece a nossa mente com o orgulho, tornando-nos maníacos de questões ociosas e afasta-nos da fé. Corrompe”. O apóstolo Paulo por sua vez nos diz para nos inclinarmos para a justiça, a piedade, a fé, a caridade, à paciência. Contra a vaidade e o orgulho “serve a mansidão”. Aliás, “este é o caminho de Deus, não o do poder idolátrico que o dinheiro pode dar. É o caminho da humildade de Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre para nos enriquecer precisamente com a sua pobreza. Este é o caminho para servir Deus. E que o Senhor ajude todos nós a não cair na armadilha da idolatria do dinheiro”.

Como uma mãe que nos ama, nos defende, nos dá a força para ir em frente na luta contra o mal. Eis a imagem da Igreja caracterizada pelo Papa Francisco. Comentando o trecho do Evangelho de Lucas que narra a ressurreição do filho da viúva de Naim (7, 11-17), o Pontífice descreveu Jesus que, ao ver a mulher diante do cadáver do seu único filho, “sentiu grande compaixão”. E definiu o sentimento de Cristo como “a capacidade de sofrer conosco, de estar próximo dos nossos sofrimentos e fazê-los seus". Ele sabia bem “o que significava ser viúva naquele tempo”, quando as mães que ficavam sozinhas para criar os filhos dependiam da ajuda e da caridade de outros. Em relação a elas o Senhor mostra uma particular “atenção, um amor especial”, a ponto que elas acabam por constituir “um ícone da Igreja, porque - explicou — também a Igreja é num certo sentido viúva: o seu esposo foi embora e ela caminha na história esperando encontrá-lo. Então ela será a esposa definitiva”. ”Entretanto, admoestou, a Igreja está sozinha”, e o Senhor não é visível para ela: portanto, ”tem uma certa dimensão de viuvez”. A primeira consequência desta viuvez é que a Igreja se torna “corajosa”, à semelhança de uma mãe “que defende os filhos”. Da coragem deriva depois um segundo elemento, a força, como testemunham outras viúvas descritas nas Escrituras. E dado que o Papa vê a “nossa mãe Igreja nesta viúva que chora”, é preciso perguntar-nos o que diz o Senhor a esta mãe para a confortar. A resposta está nas próprias palavras de Jesus referidas por Lucas: “Não chores!”, porque ”eu estou contigo, acompanho-te, espero-te lá, nas núpcias, as últimas núpcias, as do Cordeiro”; não chores, “este teu filho que estava morto agora vive”. E a esta última, terceira figura presente no cenário evangélico, o Senhor dirige-se ordenando-lhe: “Jovem, eu te digo: levanta-te! ”. Para o Pontífice são as mesmas palavras que o Senhor dirige aos homens no sacramento da reconciliação, “quando morremos para o pecado pedindo-lhe perdão”. O Papa concluiu afirmando que “não há caminho de vida, não há perdão, não há reconciliação fora da mãe Igreja”, e por isso é sempre necessário “pedir ao Senhor a graça de ser confiantes nesta mãe que nos defende, ensina, faz crescer”.

Um bom cristão participa ativamente na vida política e reza para que os políticos amem o próprio povo e o sirvam com humildade. Foi a reflexão proposta pelo Papa Francisco comentando o trecho do evangelho de Lucas (7, 1-10) no qual é narrada a cura, por obra de Jesus, do servo do centurião em Cafarnaum, o Pontífice realçou “duas atitudes do governante”. Antes de tudo, “DEVE AMAR O SEU POVO. UM GOVERNANTE QUE NÃO AMA NÃO PODE GOVERNAR. NO MÁXIMO, PODE PÔR UM POUCO DE ORDEM, MAS NÃO PODE GOVERNAR”. Para o Papa Francisco o governante deve ser também humilde como o centurião do Evangelho, que teria podido orgulhar-se do seu poder, se Jesus lhe tivesse pedido para ir ter com ele, mas “era um homem humilde e disse ao Senhor: não te preocupes, não sou digno que entreis em minha casa, mas diz uma palavra e o meu servo será curado. Estas são as duas virtudes de um governante: amor ao povo e humildade”. Contudo, também os governados devem fazer a suas escolhas. A política, diz a doutrina social da Igreja, é uma das mais elevadas formas de caridade, porque é servir o bem comum. Por conseguinte, devemos colaborar, com a nossa opinião, com a nossa palavra e também com a nossa correção. Um bom católico participa na política oferecendo o melhor de si para que o governante possa governar. Então, o que “podemos oferecer de bom” aos governantes?A oração”, respondeu o Pontífice. Rezemos pelos governantes para que nos governem bem. Para que levem em frente a nossa pátria, a nossa nação e também o mundo; e que haja paz e bem comum.

 

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