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VI Domingo do Tempo Comum (Ano A)

A liturgia de hoje garante-nos que Deus tem um projeto de salvação para que o homem possa chegar à vida plena e propõe-nos uma reflexão sobre a atitude que devemos assumir diante desse projeto.

Na segunda leitura, Paulo apresenta o projeto salvador de Deus (aquilo que ele chama “sabedoria de Deus” ou “o mistério”). É um projeto que Deus preparou desde sempre “PARA AQUELES QUE O AMAM”, que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, as suas palavras, os seus gestos e, sobretudo, com a sua morte na cruz (pois aí, no dom total da vida, revelou-se aos homens a medida do amor de Deus e mostrou-se ao homem o caminho que leva à realização plena).

A primeira leitura recorda, no entanto, que o homem é livre de escolher entre a proposta de Deus (que conduz à vida e à felicidade) e a autossuficiência do próprio homem (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para ajudar o homem que escolhe a vida, Deus propõe “MANDAMENTOS”: são os “SINAIS” com que Deus delimita o caminho que conduz à salvação.

O Evangelho completa a reflexão, propondo a atitude de base com que o homem deve abordar esse caminho balizado pelos “MANDAMENTOS”: não se trata apenas de cumprir regras externas, no respeito estrito pela letra da lei; mas trata-se de assumir uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas, que tenha, depois, correspondência em todos os passos da vida.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
A NINGUÉM MANDOU AGIR COMO ÍMPIO.
Leitura do Eclesiástico (15,16-21)


16Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão;
se confias em Deus, tu também viverás.
17Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água;
para o que quiseres, tu podes estender a mão.
18Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal;
ele receberá aquilo que preferir.
19A sabedoria do Senhor é imensa,
ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente.
20Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem.
Ele conhece todas as obras do homem.
21Não mandou a ninguém agir como ímpio
e a ninguém deu licença de pecar.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - A questão fundamental que nos é posta é esta: EXISTEM CAMINHOS DIVERSOS, OPÇÕES VÁRIAS, QUE DIA A DIA NOS INTERPELAM E DESAFIAM. Em cada momento, corremos o risco da liberdade, assumimos o supremo desafio de escolher o nosso destino. Sentimos essa responsabilidade e procuramos responder ao desafio, ou passamos a vida a encolher os ombros e a deixar-nos ir na corrente, ao sabor das modas, do “politicamente correto”, aceitando que sejam os outros a impor-nos os seus esquemas, os seus valores, a sua visão das coisas?

02 - Uma proposta nos leva à vida e à felicidade. Quem quiser ir por aí, tem de seguir os “SINAIS” com que Deus delimita o caminho que leva à vida. Percorrer esse caminho implica, evidentemente, viver numa escuta permanente de Deus, num diálogo nunca acabado com Deus, numa descoberta contínua das suas propostas. Esforço-me por viver na escuta de Deus e por descobrir os “SINAIS” que Ele me deixa?

03 - A outra proposta leva à morte. É o caminho daqueles que escolhem o egoísmo, a autossuficiência, o orgulho, o isolamento em relação a Deus e às suas sugestões. Ao fechar-se em si e ao ignorar as propostas de Deus, o homem acaba por escolher os seus interesses e por manipular o mundo e os outros homens, introduzindo desequilíbrios que geram injustiça, miséria, exploração, sofrimento, morte. Talvez nenhum de nós escolha, conscientemente, este caminho; mas o orgulho, a ambição, a vontade de afirmar a nossa independência e liberdade, podem levar-nos (mesmo sem o notarmos) a passar ao lado dos “SINAIS” de Deus e a ignorá-los, resvalando por atalhos que vão dar ao egoísmo, ao fechamento em nós. Em cada dia que começa, é necessário refletir sobre o caminho percorrido e renovar as nossas opções.

04 - Este texto levanta, também, a questão da liberdade. A Palavra de Deus que aqui nos é proposta deixa claro que Deus nos criou livres e que respeita absolutamente as nossas opções e a nossa liberdade. Deus não é um empecilho à liberdade e à realização plena do homem. Ele coloca-nos diante das diferentes opções, diz-nos onde elas nos levam, aponta o caminho da verdadeira felicidade e da realização plena e… deixa-nos escolher.

05 - Atenção: a morte e a desgraça nunca são um castigo de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos errados; mas é o resultado lógico de escolhas egoístas, que geram desequilíbrios e que destroem a paz, o equilíbrio, a harmonia do mundo, da família e de mim próprio.


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Salmo Responsorial
FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!
Sl 118,1-2.4-5.17-18.33-34 (R.1)


1Feliz o homem sem pecado em seu caminho,*
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
2Feliz o homem que observa seus preceitos,*
e de todo o coração procura a Deus!

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!

4Os vossos mandamentos vós nos destes,*
para serem fielmente observados.
5Oxalá seja bem firme a minha vida*
em cumprir vossa vontade e vossa lei!

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!

17Sede bom com vosso servo, e viverei,*
e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
18Abri meus olhos, e então contemplarei*
as maravilhas que encerra a vossa lei!

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!

33Ensinai-me a viver vossos preceitos;*
quero guardá-los fielmente até o fim!
34Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei,*
e de todo o coração a guardarei.

FELIZ O HOMEM SEM PECADO EM SEU CAMINHO,
QUE NA LEI DO SENHOR DEUS VAI PROGREDINDO!


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Segunda Leitura
DEUS DESTINOU, DESDE A ETERNIDADE,
UMA SABEDORIA PARA NOSSA GLÓRIA.
Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (2, 6-10)


Irmãos:
6Entre os perfeitos nós falamos de sabedoria,
não da sabedoria deste mundo
nem da sabedoria dos poderosos deste mundo,
que, afinal, estão votados à destruição.
7Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus,
sabedoria escondida, que, desde a eternidade,
Deus destinou para nossa glória.
8Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa
sabedoria.
Pois, se a tivessem conhecido,
não teriam crucificado o Senhor da glória.
9Mas, como está escrito,
'o que Deus preparou para os que o amam
é algo que os olhos jamais viram
nem os ouvidos ouviram
nem coração algum jamais pressentiu'.
10A nós Deus revelou esse mistério
através do Espírito.
Pois o Espírito esquadrinha tudo,
mesmo as profundezas de Deus.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - O projeto de salvação que Deus tem para os homens, resultado do seu imenso amor por nós, é um projeto que nos garante a vida definitiva, a realização plena, a chegada ao patamar do Homem Novo, a identificação final com Cristo. Os crentes são, em consequência deste dinamismo de esperança que o projeto de salvação de Deus introduz na nossa história, pessoas que olham a vida com os olhos cheios de confiança, que sabem enfrentar sem medo nem dramas as crises, as vicissitudes, os problemas que o dia-a-dia lhes apresenta, e que caminham cumprindo a sua missão no mundo, em direção à meta final que Deus tem reservada para aqueles que O amam.

02 - No entanto, Deus não força ninguém: a opção pelo caminho que conduz à vida plena, ao Homem Novo, é uma escolha livre que cada homem e cada mulher devem fazer. O que Deus faz é ladear o nosso caminho de “SINAIS” (mandamentos) que indicam como chegar a essa meta final de vida definitiva. Como é que eu percorro esse caminho: na atenção constante aos “SINAIS”de Deus, ou na autossuficiência de quem quer ser o responsável único pela sua liberdade e não precisa de Deus para nada?


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Evangelho
ASSIM FOI DITO AOS ANTIGOS; EU, PORÉM, VOS DIGO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (5,17-37)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
17Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.
Não vim para abolir,
mas para dar-lhes pleno cumprimento.

18Em verdade, eu vos digo:
antes que o céu e a terra deixem de existir,
nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei,
sem que tudo se cumpra.

19Portanto, quem desobedecer
a um só destes mandamentos, por menor que seja,
e ensinar os outros a fazerem o mesmo,
será considerado o menor no Reino dos Céus.
Porém, quem os praticar e ensinar
será considerado grande no Reino dos Céus.

20Porque eu vos digo:
Se a vossa justiça não for maior
que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus.

21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos:
'Não matarás!
Quem matar será condenado pelo tribunal'.

22Eu, porém, vos digo:
todo aquele que se encoleriza com seu irmão
será réu em juízo;
quem disser ao seu irmão: 'patife!'
será condenado pelo tribunal;
quem chamar o irmão de 'tolo'
será condenado ao fogo do inferno.

23Portanto, quando tu estiveres levando
a tua oferta para o altar, e ali te lembrares
que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

24deixa a tua oferta ali diante do altar,
e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão.
Só então vai apresentar a tua oferta.

25Procura reconciliar-te com teu adversário,
enquanto caminha contigo para o tribunal.
Senão o adversário te entregará ao juiz,
o juiz te entregará ao oficial de justiça,
e tu serás jogado na prisão.

26Em verdade eu te digo: dali não sairás,
enquanto nóo pagares o último centavo.

27Ouvistes o que foi dito:
'Não cometerás adultério'.

28Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que olhar para uma mulher,
com o desejo de possuí-la,
já cometeu adultério com ela no seu coração.

29Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado,
arranca-o e joga-o para longe de ti!
De fato, é melhor perder um de teus membros,
do que todo o teu corpo ser jogado no inferno.

30Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado,
corta-a e joga-a para longe de ti!
De fato, é melhor perder um dos teus membros,
do que todo o teu corpo ir para o inferno.

3lFoi dito também:
'Quem se divorciar de sua mulher,
dê-lhe uma certidão de divórcio'.

32Eu, porém, vos digo:
Todo aquele que se divorcia de sua mulher,
a não ser por motivo de união irregular,
faz com que ela se torne adúltera;
e quem se casa com a mulher divorciada
comete adultério.

33Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos:
'Não jurarás falso',
mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'.

34Eu, porém, vos digo:
Não jureis de modo algum:
nem pelo céu, porque é o trono de Deus;

35nem pela terra,
porque é o suporte onde apoia os seus pés;
nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei.

36Não jures tão pouco pela tua cabeça,
porque tu não podes tornar branco ou preto
um só fio de cabelo.

37Seja o vosso 'sim': 'Sim',
e o vosso 'não': 'Não'.
Tudo o que for além disso vem do Maligno.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Os discípulos de Jesus são convidados a viver na dinâmica do “REINO”, isto é, a acolher com alegria e entusiasmo o projeto de salvação que Deus quis oferecer aos homens e a percorrer, sem desfalecer, num espírito de total adesão, o caminho que conduz à vida plena.

02 - Cumprir um conjunto de regras externas não assegura, automaticamente, a salvação, nem garante o acesso à vida eterna; mas, o acesso à vida em plenitude passa por uma adesão total (COM A MENTE, COM O CORAÇÃO, COM A VIDA) às propostas de Deus. Os nossos comportamentos externos têm de resultar, não do medo ou do calculismo, mas de uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas. É isso que se passa na minha vida? Os “MANDAMENTOS”são, para mim, princípios sagrados que eu tenho de cumprir, mecanicamente, com medo de receber castigos (o maior dos quais será o “inferno”), ou são indicações que me ajudam a potenciar as minhas relações com Deus e a não me desviar do caminho que conduz à vida? O cumprimento das leis (de Deus ou da Igreja) é, para mim, uma obrigação que resulta do medo, ou é o resultado lógico da opção que eu fiz por Deus e pelo “REINO”?

03 - “Não matar”, é, segundo Jesus, evitar tudo aquilo que cause dano ao meu irmão. Tenho consciência de que posso “MATAR”com certas atitudes de egoísmo, de prepotência, de autoritarismo, de injustiça, de indiferença, de intolerância, de calúnia e má língua que magoam o outro, que destroem a sua dignidade, o seu bem estar, as suas relações, a sua paz? Tenho consciência que brincar com a dignidade do meu irmão, ofendê-lo, inventar caminhos tortuosos para desacreditá-lo ou desmoralizá-lo é um crime contra o irmão? Tenho consciência que ignorar o sofrimento de alguém, ficar indiferente a quem necessita de um gesto de bondade, de misericórdia, de reconciliação, é assassinar a vida?

04 - Não podemos deixar, nunca, que as leis (mesmo que sejam leis muito “sagradas”) se transformem num absoluto ou que contribuam para escravizar o homem. As leis, os “MANDAMENTOS”, devem ser apenas “SINAIS” indicadores desse caminho que conduz à vida plena; mas o que é verdadeiramente importante, é o homem que caminha na história, com os seus defeitos e fracassos, em direção à felicidade e à vida definitiva.


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Comentário
PARA ALÉM DA LETRA DA LEI: O ESPÍRITO DO AMOR


Na Igreja vivemos muitas vezes pendentes da lei. Quando éramos pequenos, nos ensinaram o catecismo e, naqueles tempos, aprendemos os mandamentos da lei de Deus, os mandamentos da Igreja e muitos outros. Sabíamos que eram as normas básicas pelas quais devia ser regida nossa vida. Fazer o contrário era errado, era pecado. Tinha que confessar essas coisas. Mas o mais grave é que não nos explicaram quais as razões pelas quais deveríamos obedecer a aquelas leis, qual era a motivação, a causa. E muito menos explicaram o que deveríamos fazer nas muitas situações que encontraríamos na vida, para as quais a lei não dizia nada.

As leituras de hoje, sobretudo o Evangelho, situam-nos em frente ao mais básico da lei. Na  realidade a lei não é mais que uma muleta, como os que usam às vezes os idosos. Ajuda a caminhar, mas a pessoa é a que tem que decidir para onde quer ir. Não se trata de fazer isto ou de não fazer simplesmente porque está proibido ou porque a lei diz que se faça. Há que levantar os olhos para além da letra da lei e, como diz a primeira leitura do livro do Eclesiástico, nos dar conta de que o que temos diante é a decisão básica pela morte ou pela vida: “ante ti estão postos fogo e água, coloque mão do que queira”. No fundo, somos livres para tomar nossas próprias decisões. E em nossas decisões definimos como queremos viver. Queremos viver para a vida ou se queremos viver como mortos? Queremos viver no amor, na fraternidade, na família dos filhos de Deus ou queremos viver na morte do isolamento, do egoísmo? Essa decisão é nossa e vamos tornando-a realidade em nossa vida. A cada vez que ajudamos ao irmão precisado ou lutamos por estabelecer a justiça, estamos optando pela vida. A cada vez que pensamos que não há razão para se preocupar com os demais, que cada um em sua casa, e fico ocupado com minhas coisas para viver melhor, estamos optando pela morte. Morremos porque fechamo-nos à fraternidade, ao amor e, por tanto, a Deus.

Essa opção leva-nos a cumprir algo mais que a letra da lei. É o que Jesus nos diz no Evangelho. Vale a pena lê-lo com atenção. Jesus diz-nos que não basta cumprir a letra da lei. Devemos a cumprir com o coração. Porque não só mata o que finca o punhal. Também mata o que odeia. Hoje o Evangelho convida-nos a viver em plenitude a lei de Jesus que é a LEI DE AMOR.

Alguma vez encontrei-me em uma situação que não sabia que decisão tomar porque a lei que me tinham ensinado não dizia nada a respeito? Que fiz ao final nessa situação? Tratei de ser fiel ao espírito de Jesus? Optei pela vida em minha forma de comportar-me?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf 
Liturgia Diária – CNBB  
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

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