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Festa da apresentação do Senhor (Ano A)

No “DIA DA VIDA CONSAGRADA”, a liturgia celebra a “APRESENTAÇÃO DO SENHOR” no Templo de Jerusalém. Esse ícone, que expressa a entrega total de Cristo, desde os primeiros momentos da sua existência terrena, nas mãos do Pai, convida todos os consagrados e consagradas a renovar a sua entrega nas mãos de Deus e fazer da própria existência um dom de amor, um testemunho comprometido da realidade do Reino, ao serviço do projeto salvador de Deus para os homens e para o mundo.

CHEGOU A VERDADEIRA LUZ, QUE, VINDO AO MUNDO, ILUMINOU TODO SER HUMANO“ (Jo 1,9). Portanto, irmãos deixem que esta Luz nos ilumine, e que ela brilhe sobre todos nós. Que ninguém fique excluído deste esplendor, que ninguém insista em continuar mergulhado na noite escura.

 

 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referencias


Primeira Leitura
O SENHOR A QUEM BUSCAIS, VIRÁ AO SEU TEMPLO.
Leitura da Profecia de Malaquias (3,1-4)


Um “mensageiro” anônimo anuncia o “Dia do Senhor” – o “dia” em que Deus vai descer ao encontro do seu Povo para criar uma nova realidade. Nesse dia, será eliminado o egoísmo e o pecado, será purificado o coração do Povo, será inaugurado o tempo novo da comunhão verdadeira entre Deus e os homens.


Assim diz o Senhor:
1Eis que envio meu anjo,
e ele há de preparar o caminho para mim;
logo chegará ao seu templo o Dominador,
que tentais encontrar,
e o anjo da aliança, que desejais.
Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos;
2e quem poderá fazer-lhe frente,
no dia de sua chegada?
E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer?
Ele é como o fogo da forja
e como a barrela dos lavadeiros;
3e estará a postos,
como para fazer derreter e purificar a prata:
assim ele purificará os filhos de Levi
e os refinará como ouro e como prata,
e eles poderão assim
fazer oferendas justas ao Senhor.
4Será então aceitável ao Senhor
a oblação de Judá e de Jerusalém,
como nos primeiros tempos e nos anos antigos.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
O REI DA GLÓRIA É O SENHOR ONIPOTENTE!
Sl 23(24),7.8.9.10 (R. 10b)


7"Ó portas, levantai vossos frontões! +
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, *
a fim de que o Rei da glória possa entrar!" 

O REI DA GLÓRIA É O SENHOR ONIPOTENTE!

8Dizei-nos: "Quem é este Rei da glória?" +
"É o Senhor, o valoroso, o onipotente, *
o Senhor, o poderoso nas batalhas!" 

O REI DA GLÓRIA É O SENHOR ONIPOTENTE!

9"Ó portas, levantai vossos frontões! +
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, *
a fim de que o Rei da glória possa entrar!" 

O REI DA GLÓRIA É O SENHOR ONIPOTENTE!

10Dizei-nos: "Quem é este Rei da glória?" +
"O Rei da glória é o Senhor onipotente, *
o Rei da glória é o Senhor Deus do universo 

O REI DA GLÓRIA É O SENHOR ONIPOTENTE!


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Segunda Leitura
JESUS DEVIA FAZER-SE EM TUDO SEMELHANTE AOS IRMÃOS.
Leitura da Carta aos Hebreus (2,14-18)


Jesus é apresentado como o sacerdote por excelência que, ao oferecer ao Pai o sacrifício da sua vida, ao serviço do plano salvador de Deus, fez nascer o Homem Novo, livre da escravidão do pecado, promovido à categoria de “filho de Deus”.


14Visto que os filhos têm em comum a carne e o sangue,
também Jesus participou da mesma condição,
para assim destruir, com a sua morte,
aquele que tinha o poder da morte,
isto é, o diabo,
15e libertar os que, por medo da morte,
estavam a vida toda sujeitos à escravidão.
16Pois, afinal, não veio ocupar-se com os anjos,
mas com a descendência de Abraão.
17Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos,
para se tornar um sumo sacerdote misericordioso
e digno de confiança nas coisas referentes a Deus,
a fim de expiar os pecados do povo.
18Pois, tendo ele próprio sofrido ao ser tentado,
é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação.
Palavra do Senhor.


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Evangelho
MEUS OLHOS VIRAM A TUA SALVAÇÃO.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (2,22-40)


Através das palavras e da catequese do evangelista Lucas, desenha-se aqui o quadro da “Apresentação de Jesus” no Templo de Jerusalém, a fim de ser “consagrado” ao Senhor. A consagração de Cristo recorda-nos que a nossa vida se deve cumprir num “ecce venio” (Eis que venho), numa entrega total nas mãos do Pai, ao serviço do projeto de salvação de Deus para os homens e para o mundo.


22Quando se completaram os dias
para a purificação da mãe e do filho,
conforme a Lei de Moisés,
Maria e José levaram Jesus a Jerusalém,
a fim de apresentá-lo ao Senhor.
23Conforme está escrito na Lei do Senhor:
"Todo primogênito do sexo masculino
deve ser consagrado ao Senhor."
24Foram também oferecer o sacrifício
- um par de rolas ou dois pombinhos -
como está ordenado na Lei do Senhor.
25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão,
o qual era justo e piedoso,
e esperava a consolação do povo de Israel.
O Espírito Santo estava com ele
26e lhe havia anunciado que não morreria
antes de ver o Messias que vem do Senhor.
27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo.
Quando os pais trouxeram o menino Jesus
para cumprir o que a Lei ordenava,
28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus:
29"Agora, Senhor, conforme a tua promessa,
podes deixar teu servo partir em paz;
30porque meus olhos viram a tua salvação,
31que preparaste diante de todos os povos:
32luz para iluminar as nações
e glória do teu povo Israel."
33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados
com o que diziam a respeito dele.
34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus:
"Este menino vai ser causa
tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel.
Ele será um sinal de contradição.
35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações.
Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma."
36Havia também uma profetisa, chamada Ana,
filha de Fanuel, da tribo de Aser.
Era de idade muito avançada;
quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido.
37Depois ficara viúva e agora já estava com oitenta e quatro anos.
Não saia do templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e oraçãoes.
38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus
e a falar do menino a todos os que esperavam a liberação de Jerusalém.
39Depois de cumprirem tudo, conforme a lei do Senhor,
voltaram à Galileia, para Nazaré a sua cidade.
40O menino crescia e tornava-se forte,
cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
Palavra da Salvação.


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Comentário

LUZ PARA ILUMINAR AS NAÇÕES


01 - Lumen ad revelationem gentium: Luz para iluminar as nações (cf. Lc. 2, 32).

Quarenta dias após o nascimento, Jesus foi levado por Maria e José ao Templo para ser apresentado ao Senhor (cf. Lc. 2, 22), segundo quanto está escrito na Lei de Moisés: «Todo o primogênito varão será consagrado ao Senhor» (Lc. 2, 23); e para oferecerem em sacrifício, «como se diz na lei do Senhor, um par de rolas ou duas pombinhas» (Lc. 2, 24).

Ao recordar estes eventos, a liturgia segue, intencionalmente e com precisão, o ritmo dos acontecimentos evangélicos: o prazo dos quarenta dias desde o nascimento de Cristo. Fará de igual modo, depois, no que se refere ao período que vai da ressurreição à ascensão ao céu.

Três elementos fundamentais emergem no evento evangélico que hoje se celebra: O MISTÉRIO DA VINDA, A REALIDADE DO ENCONTROe A PROCLAMAÇÃO DA PROFECIA.

02 - Antes de tudo o MISTÉRIO DA VINDA. As leituras bíblicas, que acabamos de escutar, ressaltam o aspecto extraordinário desta vinda de Deus: anuncia-o com enlevo e alegria o profeta Malaquias, canta-o o Salmo Responsorial, descreve-o o texto do Evangelho segundo Lucas. Basta, por exemplo, pôr-se em escuta do Salmo Responsorial: «Portas, levantai os vossos frontões... pois vai entrar o Rei da glória! Quem é esse Rei da glória? O Senhor forte e poderoso... É Javé dos Exércitos. Ele é o Rei da glória» (Sl. 23, 7-8.10).

Entra no Templo de Jerusalém o Esperado durante séculos, Aquele que é o cumprimento das promessas da Antiga Aliança: o Messias anunciado. O Salmista chama-o «REI DA GLÓRIA». Só mais tarde tornar-se-á claro que o seu Reino não é deste mundo (cf. Jo. 18, 36) e que quantos pertencem a este mundo estão a preparar para Ele, não uma coroa régia, mas uma coroa de espinhos.

A liturgia, todavia, olha para além. Vê naquele Menino de quarenta dias a «LUZ» destinada a iluminar as nações e apresenta-O como a «glória» do povo de Israel (cf. Lc. 2, 32). Ele é Aquele que deverá vencer a morte, como anuncia a Carta aos Hebreus, explicando o mistério da Encarnação e da Redenção: «Como os filhos participam do sangue e da carne, também Ele participou das mesmas coisas» (Heb. 2, 14), tendo assumido a natureza humana.

Depois de ter descrito o mistério da Encarnação, o Autor da Carta aos Hebreus apresenta o mistério da Redenção: «Por isso, teve de assemelhar-Se em tudo aos Seus irmãos, a fim de ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, para expiar os pecados do povo. E porque Ele mesmo sofreu e foi tentado é que pode socorrer os que são tentados». Eis uma profunda e comovedora apresentação do mistério de Cristo. O trecho da Carta aos Hebreus ajuda-nos a compreender melhor porque esta vinda a Jerusalém, do recém-nascido Filho de Maria, é um evento decisivo para a história da salvação. O Templo desde a sua construção esperava, de um modo muito particular, Aquele que tinha sido prometido. A sua vinda reveste, portanto, um significado sacerdotal: «Ecce sacerdos magnus»; eis que o verdadeiro e eterno Sumo Sacerdote entra no Templo.

03 - O segundo elemento característico da Celebração hodierna é a realidade do ENCONTRO. Mesmo se ninguém está para receber José e Maria que chegam, confundidos entre as pessoas, com o pequenino Jesus, no Templo de Jerusalém, acontece algo de muito singular. Aqui eles encontram pessoas guiadas pelo Espírito Santo: o velho Simeão, a respeito do qual escreve São Lucas: «Era justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor» (Lc. 2, 25-26), e a profetisa Ana, que tendo vivido «casada sete anos, após o seu tempo de donzela, ficara viúva. Tinha oitenta e quatro anos. Não se afastava do Templo, servindo a Deus, noite e dia, com jejuns e orações» (Lc. 2, 36-37). O Evangelista prossegue: «Aparecendo nessa mesma ocasião, pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém» (Lc. 2, 38).

Simeão e Ana: um homem e uma mulher, representantes da Antiga Aliança que, num certo sentido, tinham vivido a sua inteira existência em vista do momento em que o Templo de Jerusalém haveria de ser visitado pelo esperado Messias. Simeão e Ana compreendem que o momento finalmente chegou e, confirmados pelo encontro, podem enfrentar com a paz no coração a última etapa da sua vida: «Agora, Senhor, podeis deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação» (Lc. 2, 29-30).

Neste encontro discreto, as palavras e os gestos exprimem de maneira eficaz a realidade do evento que se cumpre. A vinda do Messias não passou despercebida. Foi reconhecida mediante o olhar penetrante da fé, que o velho Simeão manifesta nas suas tocantes palavras.

04 - O terceiro elemento que emerge nesta festa é a PROFECIA: hoje ressoam palavras deveras proféticas. Com o cântico inspirado de Simeão, a Liturgia das Horas conclui cada dia a jornada: «Agora, Senhor, os meus olhos viram a Salvação... luz para iluminar as nações e glória de Israel, Teu povo» (Lc. 2, 29-32).

O velho Simeão, ao dirigir-se a Maria, acrescenta: «Este Menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações» (Lc. 2, 34-35).

Assim, pois, enquanto ainda estamos no alvorecer da vida de Jesus, somos já orientados para o Calvário. É na cruz que Jesus se confirmará, de modo definitivo, como sinal de contradição, e é lá que o coração da Mãe será trespassado pela espada da dor. Tudo nos é dito desde o início, no quadragésimo dia após o nascimento de Jesus, na festa da apresentação de Jesus no Templo, bastante importante na liturgia da Igreja.


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FONTES DE REFERÊNCIA


Papa João Paulo II – Vaticano
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

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