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III Domingo do Tempo Comum (Ano A)

A liturgia deste domingo apresenta-nos o projeto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projeto do “REINO”.

Na primeira leitura, o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galiléia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.

O Evangelho descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galiléia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do “REINO”. Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “REINO” a toda a terra.

A segunda leitura apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no batismo.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
NA GALILÉIA, O POVO VIU BRILHAR UMA GRANDE LUZ.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (8,23b-9,3)


23bNo tempo passado o Senhor humilhou
a terra de Zabulon
e a terra de Neftali;
mas recentemente cobriu de glória o caminho do mar,
do além-Jordão e da Galiléia das nações.
9,1O povo, que andava na escuridão,
viu uma grande luz;
para os que habitavam nas sombras da morte,
uma luz resplandeceu.
2Fizeste crescer a alegria,
e aumentaste a felicidade;
todos se regozijam em tua presença
como alegres ceifeiros na colheita,
ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos.
3Pois o jugo que oprimia o povo,
- a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais -
tu os abateste como na jornada de Madió.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - É Jesus, a luz que ilumina o mundo com uma aurora de esperança, que dá sentido pleno a esta profecia messiânica de Isaías. Ele é “AQUELE QUE VEIO DE DEUS” para vencer as trevas e as sombras da morte que ocultavam a esperança e instaurar o mundo novo da justiça, da paz, da felicidade. No entanto, a luz de Jesus é, hoje, uma realidade instituída, viva, atuante na história humana? Por quê?

02 - Acolher Jesus é aceitar esse projeto de justiça e de paz que Ele veio propor aos homens. Esforçamo-nos por tornar realidade o REINO DE DEUS? Como lidamos com as situações de injustiça, de opressão, de conflito, de violência: com a indiferença de quem sente que não tem nada a ver com isso enquanto essas realidades não nos atingem diretamente, ou com a inquietação de quem se sente responsável pela instauração do REINO DE DEUS entre os homens?

03 - Em que, ou em quem, coloco a minha esperança e a minha segurança: nos políticos que me prometem tudo e se servem da minha ingenuidade para fins próprios? No dinheiro que se desvaloriza e que não serve para comprar a paz do meu coração? Na situação sólida da minha empresa, que pode desfazer-se diante das próximas convulsões sociais ou durante a próxima crise energética? Isaías sugere que SÓ PODEMOS CONFIAR EM DEUS e na sua decisão de vir ao nosso encontro para nos apresentar uma proposta de vida e de paz.


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Salmo Responsorial
O SENHOR É MINHA LUZ E SALVAÇÃO.
Sl 26,1.4.13-14 (R.1a.1c)


1a O Senhor é minha luz e salvação;*
b de quem eu terei medo?
c Senhor é a proteção da minha vida;*
d perante quem eu tremerei?

O SENHOR É MINHA LUZ E SALVAÇÃO.

4Ao Senhor eu peço apenas uma coisa,*
e é só isto que eu desejo:
habitar no santuário do Senhor*
por toda a minha vida;
saborear a suavidade do Senhor*
e contemplá-lo no seu templo.

O SENHOR É MINHA LUZ E SALVAÇÃO.

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver*
na terra dos viventes.
14Espera no Senhor e tem coragem,*
espera no Senhor!

O SENHOR É MINHA LUZ E SALVAÇÃO.


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Segunda Leitura
SEDE TODOS CONCORDES UNS COM OS OUTROS
E NÃO ADMITAIS DIVISÕES ENTRE VÓS.
Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (1,10-13.17)


10Irmãos, eu vos exorto,
pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo,
a que sejais todos concordes uns com os outros
e não admitais divisões entre vós.
Pelo contrário, sede bem unidos e concordes
no pensar e no falar.
11Com efeito, pessoas da família de Cloé
informaram-me a vosso respeito, meus irmãos,
que está havendo contendas entre vós.
12Digo isto, porque cada um de vós afirma:
'Eu sou de Paulo'; ou: 'Eu sou de Apolo';
ou: 'Eu sou de Cefas'; ou: 'Eu sou de Cristo'!
13Será que Cristo está dividido?
Acaso Paulo é que foi crucificado por amor de vós?
Ou é no nome de Paulo que fostes batizados?
17De fato, Cristo não me enviou para batizar,
mas para pregar a boa nova da salvação,
sem me valer dos recursos da oratória,
para não privar a cruz de Cristo da sua força própria.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 – A segunda leitura recorda que a experiência cristã é, fundamentalmente, um encontro com Cristo; é d’Ele e só d’Ele que brota a salvação. A vivência da nossa fé não pode, portanto, depender do carisma da pessoa tal, ou estar ligada à personalidade brilhante deste ou daquele indivíduo que preside a comunidade. Para além da forma mais ou menos brilhante, mais ou menos coerente como tal pessoa anuncia ou testemunha o Evangelho, tem de estar a nossa aposta em Cristo; é n’Ele e só n’Ele que bebemos a salvação; é a ELE E SÓ A ELE QUE O NOSSO COMPROMISSO BATISMAL NOS LIGA. Cristo é, de fato, a minha referência fundamental? É à volta d’Ele e da sua proposta de vida que a minha experiência de fé se constrói? Concretamente: que sentido é que faz, neste contexto, dizer que só se vai à missa se for tal padre a presidir? Que sentido é que faz afastar-se da comunidade porque não gostamos da atitude ou do jeito de ser deste ou daquele animador? Neste contexto, ainda, que sentido fazem os ciúmes, os conflitos, os partidos, que existem, com frequência, nas nossas comunidades cristãs? Cristo pode estar dividido? Os conflitos e as divisões não serão um sinal claro de que, algures durante a caminhada, os membros da comunidade perderam Cristo? As guerras e rivalidades dentro de uma comunidade não serão um sinal evidente de que o que nos move não é Cristo, mas os nossos interesses, o nosso orgulho, o nosso egoísmo?
02 - Há casos em que as pessoas com responsabilidade de animação nas comunidades cristãs favorecem, consciente ou inconscientemente, o culto da personalidade. Não se preocupam em levar as pessoas a descobrir Cristo, mas em conduzir o olhar e o coração dos fiéis para a sua própria e brilhante personalidade. Tornam-se imprescindíveis e inamovíveis, são incensadas e endeusadas e potenciam grupos de pressão que as admiram, que as apoiam e que as seguem de olhos fechados. Que sentido é que isto faz, à luz daquilo que Paulo nos diz, neste texto?


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Evangelho
FOI MORAR EM CAFARNAUM, PARA SE CUMPRIR
O QUE FOI DITO PELO PROFETA ISAÍAS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (4,12-23)


12Ao saber que João tinha sido preso,

Jesus voltou para a Galiléia.
13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum,
que fica às margens do mar da Galiléia,
14no território de Zabulon e Neftali,
para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías:
15'Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar,
região do outro lado do rio Jordão,
Galiléia dos pagãos!
16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz
e para os que viviam na região escura da morte
brilhou uma luz.
17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo:
'Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.
18Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia,
viu dois irmãos:
Simão, chamado Pedro, e seu irmão André.
Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores.
19Jesus disse a eles: 'Segui-me,
e eu farei de vós pescadores de homens.'
20Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos:
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João.
Estavam na barca com seu pai Zebedeu
consertando as redes.
Jesus os chamou.
22Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai,
e o seguiram.
23Jesus andava por toda a Galiléia,
ensinando em suas sinagogas,
pregando o Evangelho do Reino
e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
 Palavra da Salvação.

 

Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Jesus é o Deus que vem ao nosso encontro para realizar os nossos sonhos de felicidade sem limites e de paz sem fim. N’Ele e através d’Ele, o “REINO” aproximou-se dos homens e deixou de ser uma quimera, para se tornar numa realidade em construção no mundo. Contemplar o anúncio de Jesus é abismar-se na contemplação de uma incrível história de amor, protagonizada por um Deus que não cessa de nos oferecer oportunidades de realização e de vida plena. Sobretudo, o anúncio de Jesus toca e enche de júbilo o coração dos pobres e humilhados, daqueles cuja voz não chega ao trono dos poderosos, nem encontram lugar à mesa farta do consumismo, nem protagonizam as histórias balofas das colunas sociais. Para eles, ouvir dizer que “O REINO CHEGOU” significa que Deus quer oferecer-lhes essa vida plena e feliz que os grandes e poderosos insistem em negar-lhes.

02 - Para que o “REINO” seja possível, Jesus pede a “CONVERSÃO”. Ela é, antes de mais, um refazer a existência, de forma a que só Deus ocupe o primeiro lugar na vida do homem. Implica, portanto, despir-se do egoísmo que impede de estar atento às necessidades dos irmãos; implica a renúncia ao comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair do isolamento e da auto-suficiência, para estabelecer relação e para fazer da vida um dom e um serviço aos outros… O que é que nas estruturas da sociedade ainda impede a efetivação do “REINO”? O que é que na minha vida, nas minhas opções, nos meus comportamentos constitui um obstáculo à chegada do “REINO”?

03 - A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João com Jesus e com o “REINO” é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo… Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que é Jesus que chama e que propõe o z' em segundo lugar, é preciso ter a coragem de aceitar o chamamento e fazer do “REINO” a prioridade essencial (o que pode implicar, até, deixar para segundo plano os afetos, as seguranças, os valores humanos); em terceiro lugar, é preciso acolher a missão que Jesus confia e comprometer-se corajosamente na construção do “REINO” no mundo. É este o caminho que eu tenho vindo a percorrer?

04 - Em certos momentos da história, procura vender-se a idéia de que o mundo novo da justiça e da paz se constrói a golpes de poder militar, de mísseis, de armas sofisticadas, de instrumentos de morte… Atenção: a lógica do “REINO” não é uma lógica de violência, de vingança, de destruição; mas é uma lógica de amor, de doação da vida, de comunhão fraterna, de tolerância, de respeito pelos outros. A tentação da violência é uma tentação diabólica, que só gera sofrimento e escravidão: aí, o “REINO” não está.


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Comentário
O PRIMEIRO ANÚNCIO DO EVANGELHO

O Evangelho de hoje lembra-nos o momento em que Jesus começou a pregar. O evangelista Mateus não receia em copiar o texto da primeira leitura de hoje do profeta Isaías: “O POVO QUE VIVIA NAS TREVAS VIU UMA GRANDE LUZ E PARA OS QUE VIVIAM NA REGIÃO ESCURA DA MORTE BRILHOU UMA LUZ”. Com uma intencionalidade, que transporta Jesus, de Nazaré a Cafarnaum, que será a partir de agora, o centro de sua atividade evangelizadora. O que nos transmite que Jesus vai começar sua pregação, não na Judéia ou em Jerusalém, senão na Galileia dos pagãos, nas fronteiras da falta de crença religiosa. Toda uma declaração de intenções, que conecta com o anúncio feito pelos profetas.

Então começou Jesus a pregar dizendo: CONVERTEI-VOS, PORQUE ESTÁ PERTO O REINO DOS CÉUS. Sua preocupação é o Reino e nisto consiste nossa conversão atual. Acostumados a que as coisas sejam ou brancas ou negras, existe uma clara diferença, entre converter a todos os homens em cristãos e chamar a todos os homens, a se sentirem participes do REINO. No primeiro caso a Igreja, a Paróquia, trabalha para si mesma, para alargar seu número e suas ofertas; no segundo, tenta servir aos homens, imersa nas fronteiras e periferias, para que o Reino da justiça e da paz seja um embrião, e surja em cada pessoa.

Que em nossa pastoral habitual confundimos ambas as coisas está claro, queremos pescar gente para a Igreja, mais que pescar gente para o REINO. Por isso valorizamos mais, aos que se dedicam em atividades em nossas paróquias: catequeses, liturgia...; no que naqueles que estão nas fronteiras do mundo, na Galileia dos pagãos. Resolver este dilema é fundamental: não soa às vezes ridículo, que enquanto em nosso país se debate uma mudança política, uma crise social e econômica profunda; não somos capazes de acolher aos necessitados...

Seguindo o texto, Jesus configura seu grupo de discípulos, de forma diferente de como faziam os líderes da época. Estes acolhiam a quem solicitavam entrar. Jesus, no entanto, CHAMA A QUEM QUER INCORPORAR EM SEU GRUPO. O atrativo de seu CHAMADO é irresistível e nos fazem capazes de renunciar a família e o trabalho para segui-lo. O que supõe uma ruptura não só afetiva, senão de todas as seguranças, convida a viver um novo estilo de vida. Curioso, escolhe um grupo reduzido de pessoas, doze, setenta e dois, todos eles da Galileia, menos Judas o traidor, pescadores em sua maioria, não dirigentes religiosos.

Pedro, André, Santiago e João, antes de deixaren as redes, seguramente em seu interior desejavam algo diferente. O relato de hoje não nos conta seu processo, que sabemos precisou tempo, crises e momentos intensos, como em nossos processos. Eles sonhavam com: “PROCLAMAR O EVANGELHO DO REINO, CURANDO AS ENFERMIDADES E DOENÇAS DO POVO”, esperavam ardentemente uma mudança de sistema, de relações. Em seu coração ressoava o anunciado pelos profetas, por isso, deixaram tudo ante o chamamento e sua decisão questiona nossos sonhos, compromissos, confortos, materialismos, individualidades e falta de solidariedade. Fomos chamados por nossos nomes, para fazer ver que Deus, está no meio de nós guiando a história e unindo a toda a família humana. Algo diferente, que deve se alojar em todos os cristãos.

Poderíamos terminar com a segunda leitura de São Paulo aos Coríntios: “CRISTO NÃO ME ENVIOU PARA BATIZAR, MAS PARA PREGAR A BOA NOVA DA SALVAÇÃO, SEM ME VALER DOS RECURSOS DA ORATÓRIA, PARA NÃO PRIVAR A CRUZ DE CRISTO DA SUA FORÇA PRÓPRIA”. Isso é o que levamos demasiados anos discutindo, como passar de uma Igreja ou paróquia sacramental ou de manutenção, a uma paróquia missionária ou evangelizadora. Acolhendo e saindo, estando dentro e afora, mas, sobretudo, sentindo-nos chamados por Jesus à urgência da conversão, à Boa Notícia, ao Reino. Faz falta tomar-se acolhedor pleno ao chamamento e somar esforços, para que em toda nossa terra, vejamos brilhar uma grande luz.


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FONTES DE REFERÊNCIA


Julio César Rioja, cmf - Missionários Claretianos  - Ciudad Redonda
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

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