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Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (Ano C)

A Palavra de Deus, neste último domingo do ano litúrgico, convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus. Deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: É UMA REALEZA QUE SE EXERCE NO AMOR, NO SERVIÇO, NO PERDÃO, NO DOM DA VIDA.

A primeira leitura apresenta-nos o momento em que Davi se tornou rei de todo o Israel. Com ele, iniciou-se um tempo de felicidade, de abundância, de paz, que ficou na memória de todo o Povo de Deus. Nos séculos seguintes, o Povo sonhava com o regresso a essa era de felicidade e com a restauração do reino de Davi; e os profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi que iria realizar esse sonho.

O Evangelho apresenta-nos a realização dessa promessa: JESUS É O MESSIAS (REI) enviado por Deus, que veio tornar realidade o velho sonho do Povo de Deus e apresentar aos homens o “Reino”; no entanto, o “Reino” que Jesus propôs não é um Reino construído sobre a força, a violência, a imposição, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida.

A segunda leitura apresenta um hino que celebra a realeza e a soberania de Cristo sobre toda a criação; além disso, põe em relevo o seu papel fundamental como fonte de vida para o homem.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
ELES UNGIRAM DAVI COMO REI DE ISRAEL.
Leitura do Segundo Livro de Samuel (5,1-3) 


Naqueles dias:
1Todas as tribos de Israel vieram
encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe:
Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne.
2Tempo atrás, quando Saul era nosso rei,
eras tu que dirigias os negócios de Israel.
E o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo Israel
e serás o seu chefe'.
3Vieram, pois, todos os anciãos de Israel
até ao rei em Hebron.
O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron,
na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel.

Palavra do Senhor.

Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - O que é que a história de Davi tem a ver com a Festa de Jesus Cristo, Rei do Universo? Jesus Cristo, o Messias, Rei de Israel, descendente de Davi, é considerado no Novo Testamento a resposta de Jahwéh aos sonhos e expectativas do Povo de Deus. Ele veio para restaurar, ao jeito de Deus e na lógica de Deus, o reino de Davi. Jesus é, portanto, o Rei que, à imagem do que Davi fez com Israel, apascenta o novo Povo de Deus (veremos, mais à frente, como deve ser entendida a realeza de Jesus). Que significa, para mim, dizer que Jesus é Rei?
02 - O reinado de Davi é apresentado com um tempo ideal de unidade, de paz e de felicidade; no entanto, conheceu, também, tudo aquilo que costuma caracterizar os reinados humanos: tronos, riquezas, exércitos, batalhas, injustiças, intrigas de corte, lutas pelo poder, assassínios, corrupção… Falar do “Reino” de Jesus terá algo a ver com isto? Estes esquemas cabem de alguma forma, na lógica de Deus?


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Salmo Responsorial
QUANTA ALEGRIA E FELICIDADE: VAMOS À CASA DO SENHOR!
Sl 121,1-2.4-5 (R. Cf.1)


1Que alegria, quando ouvi que me disseram:*
'Vamos à casa do Senhor!'
2E agora nossos pés já se detêm,*
Jerusalém, em tuas portas.
QUANTA ALEGRIA E FELICIDADE: VAMOS À CASA DO SENHOR!
4para lá sobem as tribos de Israel,*
as tribos do Senhor.
Para louvar, segundo a lei de Israel,
o nome do Senhor.*
5A sede da justiça lá está e o trono de Davi.
QUANTA ALEGRIA E FELICIDADE: VAMOS À CASA DO SENHOR!


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Segunda Leitura
RECEBEU-NOS NO REINO DE SEU FILHO AMADO.
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (1,12-20)


Irmãos:

12Com alegria dai graças ao Pai,
que vos tornou capazes de participar da luz,
que é a herança dos santos.
13Ele nos libertou do poder das trevas
e nos recebeu no reino de seu Filho amado,
14por quem temos a redenção, o perdão dos pecados.
15Ele é a imagem do Deus invisível,
o primogênito de toda a criação,
16pois por causa dele foram criadas todas as coisas
no céu e na terra,
as visíveis e as invisíveis,
tronos e dominações, soberanias e poderes.
Tudo foi criado por meio dele e para ele.
17Ele existe antes de todas as coisas
e todas têm nele a sua consistência.
18Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja.
Ele é o Princípio,
o Primogênito dentre os mortos;
de sorte que em tudo ele tem a primazia,
19porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude
20e por ele reconciliar consigo todos os seres,
os que estão na terra e no céu,
realizando a paz pelo sangue da sua cruz.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - A festa de Cristo Rei, que encerra o ano litúrgico, celebra a soberania e o poder de Cristo sobre toda a criação. A leitura que acabámos de ler diz, a este propósito, que em Cristo, Deus revela-Se; que Ele tem a supremacia e autoridade sobre todos os seres criados; que Ele é o centro de todo o universo e que tudo tende e converge para Ele… Isto equivale a definir CRISTO COMO O CENTRO DA VIDA E DA HISTÓRIA, a coordenada fundamental à volta da qual tudo se constrói. Cristo tem, de fato, esta centralidade na vida dos homens e mulheres do nosso tempo, ou há outros deuses e referências que usurparam o seu lugar? Quais são esses outros “reis” que ocuparam o “trono” que pertence a Cristo? Esses “reis” trouxeram alguma “valia” à vida dos homens, ou apenas criaram escravidão e desumanização? O que podemos fazer para que a nossa sociedade reconheça em Cristo o seu “rei”?

02 - Em termos pessoais: Cristo é o centro, referência fundamental à volta da qual a minha vida se articula e se constrói? O que é que Ele significa para mim, não em termos de definição teórica, mas em termos existenciais?

03 - A Festa de Cristo Rei é, também, a festa da soberania de Cristo sobre a comunidade cristã. A Igreja é um corpo, do qual Cristo é a cabeça; é Cristo que reúne os vários membros numa comunidade de irmãos que vivem no amor; é Cristo que a todos alimenta e dá vida; é Cristo o termo dessa caminhada que os crentes fazem ao encontro da vida em plenitude. Esta centralidade de Cristo tem estado sempre presente na reflexão, na catequese e na vida da Igreja? É que muitas vezes falamos mais de autoridade e de obediência do que de Cristo; de castidade, de celibato e de leis canônicas, do que do Evangelho; de dinheiro, de poder e de direitos da Igreja, do que do “Reino”… Cristo é, não em teoria, mas de fato, o centro de referência da Igreja no seu todo e de cada uma das nossas comunidades cristãs em particular? Não damos, às vezes, mais importância às leis feitas pelos homens do que a Cristo? Não há, tantas vezes, “santos”, “santinhos” e “santões” que assumem um valor exagerado na vivência de certos cristãos, e que ocultam ou fazem esquecer o essencial?


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Evangelho
É SENHOR, LEMBRA-TE DE MIM, QUANDO
ENTRARES NO TEU REINADO.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (23,35-43)


Naquele tempo:
35Os chefes zombavam de Jesus dizendo:
'A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo,
se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!'
36Os soldados também caçoavam dele;
aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre,
37e diziam: 'Se és o rei dos judeus,
salva-te a ti mesmo!'
38Acima dele havia um letreiro:
'Este é o Rei dos Judeus.'
39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo:
'Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!'
40Mas o outro o repreendeu, dizendo:
'Nem sequer temes a Deus,
tu que sofres a mesma condenação?
41Para nós, é justo,
porque estamos recebendo o que merecemos;
mas ele não fez nada de mal.'
42E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim,
quando entrares no teu reinado.'
43Jesus lhe respondeu: 'Em verdade eu te digo:
ainda hoje estarás comigo no Paraíso.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Celebrar a Festa de Cristo Rei do Universo NÃO é celebrar um Deus forte, dominador que Se impõe aos homens do alto da sua omnipotência e que os assusta com gestos espetaculares; mas é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. A cruz – ponto de chegada de uma vida gasta construindo o “Reino de Deus” – é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.

02 - Em termos pessoais, a Festa de Cristo Rei convida-nos, também, a repensar a nossa existência e os nossos valores. Diante deste “rei” despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimentos? Diante deste “rei” que dá a vida por amor, não nos parecem completamente sem sentido as nossas manias de grandeza, as lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas, as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos? Diante deste “rei” que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?


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Comentário
JESUS REI? ESTÁ VOCÊ SEGURO?


A leitura do Evangelho que a Igreja nos propõe para este dia nos deixa um pouco confuso. É o último domingo do ano e a liturgia dedica-o a Cristo Rei. A Igreja quer que lhe vejamos em triunfo, como aquele em quem chega a plenitude em todas as coisas. Com ele, o Reino de Deus deixará de ser um sonho para começar a ser realidade plena. Como é possível que o Evangelho nos apresente a Jesus na cruz? Os condenados a morte não triunfaram nunca ao longo da história. Quando muito conseguiram que alguns nostálgicos derramassem algumas lágrimas por eles. Mas nada mais. Os governantes de qualquer país sabem que o melhor que pode ser feito com a oposição é a eliminar.

Porém, o caso de Jesus é diferente. Dá a impressão de que seu reinado não é exatamente igual aos dos governos e reinos deste mundo. Jesus é um homem que, a ponto de morrer na cruz, ainda desperta paixões opostas. Uns riem dele e outros afirmam sua inocência. Mais ainda. No momento da cruz o mesmo Jesus é capaz de prometer o paraíso ao homem que está crucificado a seu lado.

É que seu reino não é deste mundo. Seu reino é o reinado de Deus que junta e recolhe a todos seus filhos e filhas dispersos para convertê-los em uma família. No reino de Deus não somos súditos. Também não somos cidadãos. SOMOS FILHOS. Absolutamente diferente.     

Desde essa perspectiva entendemos melhor a plenitude a que se refere a leitura da carta aos Colossenses. Quando aí se afirma a superioridade de Jesus sobre todas as coisas e sobre todas as pessoas, quando nos diz que nele o Reino de Deus vai chegar a sua plenitude, não significa que em seu tempo esse reino vá ser próspero economicamente. Também não significa que farão grandiosas obras e monumentos como costumam fazer nossos governantes para perpetuar sua memória. Nem sequer terá o maior e mais poderosos exércitos do mundo. Nenhuma dessas coisas. Em um reino onde todos somos irmãos e Deus, o centro e origem de tudo, é nosso pai, a plenitude se verá ao se realizar para valer a fraternidade, a solidariedade e a justiça entre todos e todas. A plenitude chegará porque, como em uma boa família, todos porão a confiança no pai de quem procedemos e em quem encontramos o amor que nos faz falta para viver e chegar à nossa própria plenitude. E tudo isso sem fronteiras, sem divisões por razão de raça, cultura, religião ou nacionalidade, porque toda a humanidade, junto de toda a criação será chamada a participar dessa plenitude. JESUS É O REI DESSE REINO. Precisamente por isso morreu na cruz. Precisamente por isso, Deus, o Pai que ama a vida, o ressuscitou e hoje mantemos viva a esperança do Reino.

Estamos todos, que formamos nossa comunidade, a serviço uns de outros? Esforçamo-nos para que entre nós reine a fraternidade, a solidariedade e a justiça? Mantemos a esperança apesar das dificuldades que encontramos no caminho?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

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