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Aniversário do Padre Caleffi

XXI Domingo Do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo propõe-nos o tema da “SALVAÇÃO”. Diz-nos que o acesso ao “Reino” é um dom que Deus oferece a todos os homens e mulheres, sem exceção; mas, para lá chegar, é preciso renunciar a uma vida baseada nesses valores que nos tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes, auto-suficientes, e seguir Jesus no seu caminho de amor, de entrega, de dom da vida.

Na primeira leitura, um profeta não identificado propõe-nos a visão da comunidade escatológica: uma comunidade universal, à qual terão acesso todos os povos da terra, sem exceção. Os próprios pagãos serão chamados a testemunhar a Boa Nova de Deus e serão convidados para o serviço de Deus, sem qualquer discriminação baseada na raça, na etnia ou na origem.

No Evangelho, Jesus – confrontado com uma pergunta acerca do número dos que se salvam – sugere que o banquete do “Reino” é para todos; no entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados: é preciso fazer uma opção pela “porta estreita” e aceitar seguir Jesus no dom da vida e no amor total aos irmãos.

A segunda leitura parece, à primeira vista, apresentar um tema um tanto deslocado e marginal, em relação ao que nos é proposto pelas outras duas leituras; no entanto, as idéias propostas são outra forma de abordar a questão da “PORTA ESTREITA”: o verdadeiro crente enfrenta com coragem os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma, educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida nova do “REINO”.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
E RECONDUZIRÃO, DE TODA A PARTE, VOSSOS IRMÃOS.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (66,18-21)


Assim diz o Senhor:
18Eu que conheço suas obras e seus pensamentos,
virei para reunir todos os povos e línguas;
eles virão e verão minha glória.
19Porei no meio deles um sinal,
e enviarei, dentre os que foram salvos,
mensageiros para os povos de Tarsis,
Fut, Lud, Mosoc, Ros, Tubal e Javã,
para as terras distantes,
e, para aquelas que ainda não ouviram falar em mim
e não viram minha glória.
Esses enviados anunciarão às nações minha glória,
20e reconduzirão, de toda parte,
até meu santo monte em Jerusalém,
como oferenda ao Senhor, irmãos vossos,
a cavalo, em carros e liteiras,
montados em mulas e dromedários,
- diz o Senhor -
e como os filhos de Israel, levarão sua oferenda
em vasos purificados para a casa do Senhor.
21Escolherei dentre eles alguns
para serem sacerdotes e levitas, diz o Senhor.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Não é novidade nenhuma dizer que “AO NOVO POVO DE DEUS, TODOS OS HOMENS SÃO CHAMADOS” (Concílio Vaticano II, LUMEN GENTIUM 13). No Povo de Deus não é decisivo nem a raça, nem o sexo, nem a posição social, nem a preparação intelectual, mas sim a adesão a Jesus e o compromisso com o projeto de salvação que o Pai oferece, em Jesus. As nossas comunidades são, não só em teoria, mas também na prática, espaços de igualdade e de fraternidade? Há algum tipo de discriminação na minha comunidade cristã, nomeadamente em relação a pessoas que se entende levarem vidas desregradas e moralmente fracassadas? Se há, que sentido é que isso faz?

02 - Que sentido é que fazem, neste contexto, certas afirmações e atitudes de cristãos empenhados que reflete, na prática, um entranhado racismo? A xenofobia é consentânea com a vida de um crente? Por exemplo, dizer que “Portugal é dos portugueses; os outros que voltem para a sua terra” é colaborar na construção dessa comunidade universal, que é o projeto de Deus?


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Salmo Responsorial
PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!
Sl 116,1.2 (R.Mc 16,15)


1Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes,*
povos todos, festejai-o! 

PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!

2Pois comprovado é seu amor para conosco,*
para sempre ele é fiel! 

PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!


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Segunda Leitura
O SENHOR CORRIGE A QUEM ELE AMA.
Leitura da Carta aos Hebreus (12,5-7.11-13)


Irmãos:
5Já esquecestes as palavras de encorajamento
que vos foram dirigidas como a filhos:
'Meu filho, não desprezes a educação do Senhor,
não te desanimes quando ele te repreende;
6pois o Senhor corrige a quem ele ama
e castiga a quem aceita como filho'.
7É para a vossa educação que sofreis,
e é como filhos que Deus vos trata.
Pois qual é o filho a quem o pai não corrige?
11No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar,
mas causa dor.
Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça
para aqueles que nela foram exercitados.
12Portanto,
'firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos;
13acertai os passos dos vossos pés',
para que não se extravie o que é manco,
mas antes seja curado.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Com frequência, encontramos pessoas que põem em duvida Deus, a partir da questão do sofrimento e do seu sentido: se Deus existe, porque é que deixa que o sofrimento marque a vida do homem, inclusive a vida dos justos e inocentes? Porque é que Deus prova o justo? O Povo de Deus formulou de várias formas estas questões e não encontrou respostas plenamente satisfatórias; mas uma das respostas passa pela constatação de que “DEUS ESCREVE DIREITO POR LINHAS TORTAS” e que Se serve dos acontecimentos mais dramáticos para nos ajudar a redescobrir o sentido da vida e das nossas opções. O sofrimento não é bom em si; mas ajuda-nos a perceber o sem sentido de certos caminhos que seguimos e a corrigir o rumo da nossa vida.

02 - No fundo, os sofrimentos e as provas que temos de enfrentar não põem em causa esta certeza fundamental: Deus ama-nos e quer salvar-nos; o sofrimento e as provas permitem-nos, muitas vezes, descobrir essa realidade.

03 - Apesar das crises, o cristão nunca deve esquecer o amor de Deus e agradecer por isso. Diante dos sofrimentos, resta-nos agradecer a preocupação que Deus, servindo-se dos dramas da vida, nos manifesta o seu amor e nos salva.


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Evangelho
E VIRÃO DO ORIENTE E DO OCIDENTE, E
TOMARÃO LUGAR À MESA NO REINO DE DEUS.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (13,22-30)


Naquele tempo:
22Jesus atravessava cidades e povoados,
ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém.
23Alguém lhe perguntou:
'Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?'
Jesus respondeu:
24'Fazei todo esforço possível
para entrar pela porta estreita.
Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar
e não conseguirão.
25Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a
porta, vós, do lado de fora,
começareis a bater, dizendo:
`Senhor, abre-nos a porta!'
Ele responderá: `Não sei de onde sois.'
26Então começareis a dizer:
`Nós comemos e bebemos diante de ti,
e tu ensinaste em nossas praças!'
27Ele, porém, responderá: `Não sei de onde sois.
Afastai-vos de mim
todos vós que praticais a injustiça!' 
28Ali haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes Abraão, Isaac e Jacó,
junto com todos os profetas no Reino de Deus,
e vós, porém, sendo lançados fora.
29Virão homens do oriente e do ocidente,
do norte e do sul,
e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus.
30E assim há últimos que serão primeiros,
e primeiros que serão últimos.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Em primeiro lugar, é preciso ter a consciência de que o “Reino” não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto econômico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela “PORTA ESTREITA”. Tenho consciência de que a comunidade de Jesus é a comunidade onde todos cabem e onde ninguém é excluído e marginalizado?

02 - “Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus, fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam reivindicar lugares privilegiados no “Reino”, Jesus apressou-Se a dizer-lhes que era necessário primeiro partilhar o destino de Jesus e fazer da vida um dom (“beber o cálice”) e um serviço (“o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”). Jesus é, portanto, o modelo de todos os que querem “entrar pela porta estreita”. É o seu exemplo que é proposto a todos os discípulos.

03 - Para nós, assumidamente cristãos, onde está a salvação? Jesus dizia que, no banquete do “Reino”, muitos apareceriam para dizer: “comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças”; mas receberiam como resposta: “não sei de onde sois; afastai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade”. Este aviso toca de forma especial aqueles que conheceram bem Jesus, que se sentaram com Ele à mesa (da Eucaristia), que escutaram as suas palavras, que fizeram parte do conselho pastoral da paróquia, que foram fiéis guardiães das chaves da igreja ou dos cheques da conta bancária paroquial, se sentaram em tronos episcopais ou papais… mas que nunca se preocuparam em entrar pela “PORTA ESTREITA” do serviço, da simplicidade, do amor, do dom da vida. Para esses Jesus é perfeitamente claro e objetivo:  não terão lugar no “REINO”.


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ComentárioA FRATERNIDADE, CONDIÇÃO DE SALVAÇÃO


Aquele homem que se encontrou com JESUS estava preocupado com o número dos que iam se salvar. Se a cota dos que vão entrar no céu é limitada, é de supor que as provas de acesso serão mais complicadas. Para entrar no céu teríamos que passar por uma prova como a que se faz para entrar na Universidade. Só os melhores conseguiriam.

Porém, a resposta de JESUS não indica isso. Não fala de que seja necessário um grau de santidade especial para entrar no céu. Pela resposta de JESUS diríamos que quem perguntava não indagava pelo número, mais quem seriam esses poucos. E de alguma forma dava por suposto que os que se salvassem seriam os membros do povo eleito: o povo judeu. Entendendo assim a pergunta, se compreende perfeitamente a resposta de JESUS. Ninguém pode dar por suposto que está salvo por pertencer a um determinado grupo. Há que se esforçar pela salvação. Como nos diz na parábola do tesouro escondido no campo, há que vender tudo o que se tem para obter a salvação. Segundo JESUS, a porta da salvação é estreita e virão muitos, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul. Muitos que talvez achassem que não teriam direito serão os primeiros. E muitos dos que se acham com direito, ficarão fora.

Que significa isto para nós? Em princípio, não pertencemos ao povo eleito. Somos desses que vêm “do Oriente e Ocidente, do Norte e do Sul”. Mas também é verdade que somos cristãos já de muitas gerações. Podemos pensar que temos direito à salvação pela singela razão de que já nossos pais e avôs eram cristãos, participavam da missa todos os domingos e cumpriam os mandamentos. JESUS nos diz hoje que a salvação, nossa salvação, depende também de nosso esforço pessoal, que não podemos dormir nos louros. Mas, sobretudo nos diz que não podemos excluir ninguém da salvação. Isto é muito importante. Na salvação entramos assim que nos fazemos irmãos de todos. Se a mensagem fundamental de JESUS é nos dizer que todos somos filhos de Deus, como podemos pretender excluir alguém dessa fraternidade? Na medida em que excluímos alguém, nos excluímos a nós mesmos. Não é que Deus nos feche a porta do céu. Nos mesmo a fechamos. 

A porta do céu é estreita. Para passar por ela devemos cumprir com uma condição obrigatória: viver a fraternidade no dia-a-dia de nossa vida. É o que fazemos na Eucaristia, onde nos juntamos e compartilhamos o pão como irmãos. É o que deveríamos fazer todos os dias: VIVER COMO IRMÃOS.

Estamos preocupados com a nossa salvação ou nos sentimos muito bem como somos e não precisamos da salvação de Deus? O que significa viver a fraternidade em nossa vida cotidiana? Que detalhe de fraternidade posso ter esta semana com minha família e amigos?


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FONTES DE REFERÊNCIA

Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

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