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XIX Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A Palavra de Deus que a liturgia de hoje nos propõe convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o “REINO”.

A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um “SÁBIO” anônimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita - confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus - deve, portanto, ser uma comunidade “VIGILANTE”, que consegue discernir entre os valores efémeros e os valores duradouros.

A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos crentes, em geral.

O Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do “REINO”.


 

 

 

 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
AQUILO COM QUE PUNISTE NOSSOS ADVERSÁRIOS,
SERVIU TAMBÉM PARA GLORIFICAR-NOS.
Leitura do Livro do Eclesiastes (1,2; 2,21-23)


6A noite da libertação fora predita a 
nossos pais, para que,
sabendo a que juramento tinham dado crédito,
se conservassem intrépidos.
7Ela foi esperada por teu povo, 
como salvação para os justos e
como perdição para os inimigos.
8Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários,
serviu também para glorificar-nos,
chamando-nos a ti.
9Os piedosos filhos dos bons 
ofereceram sacrifícios secretamente e,
de comum acordo, fizeram este pacto divino:
que os santos participariam solidariamente 
dos mesmos bens e dos mesmos perigos.
Isto, enquanto entoavam antecipadamente 
os cânticos de seus pais.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - A leitura chama a atenção para a diferença que há entre o viver de acordo com os valores da fé e o viver de acordo com propostas ilusórias de felicidade e de bem-estar… O “sábio” que nos fala na primeira leitura assegura que só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que ceder aos deuses do egoísmo e da injustiça geram sofrimento e morte. Hoje, como ontem, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida… Na realidade, onde é que está o caminho da verdadeira felicidade? No ceder ao mais fácil, à moda, ao “politicamente correto”, ou na fidelidade aos valores duradouros, aos valores do Evangelho, ao projeto de Jesus? Como é que eu me situo face às pressões que, todos os dias, a opinião pública ou a moda me impõem?

02 - O tema da liturgia deste domingo gira à volta da “VIGILÂNCIA”. Não se trata de estar sempre com “a alminha em paz”, “na graça de Deus” para que a morte não me surpreenda e eu não seja atirado, sem querer, para o inferno; trata-se de eu saber o que quero, de ter idéias claras quanto ao sentido da minha vida e de, em cada instante, atuar em conformidade. É esta “vigilância” serena, de quem sabe o que quer e está atento ao caminho que percorre, que me é pedida. É esse o caminho que eu tenho percorrido? A minha vida tem sido uma busca atenta do que Deus quer de mim?


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Salmo Responsorial
FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!
Sl 32,1.12.18-19.20.22 (R.12b)


1Ó justos, alegrai-vos no Senhor!*
aos retos fica bem glorificá-lo.
12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor*
e a nação que escolheu por sua herança!

FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!

18Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,*
e que confiam esperando em seu amor,
19para da morte libertar as suas vidas*
e alimentá-los quando é tempo de penúria. 

FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!

20No Senhor nós esperamos confiantes,*
porque ele é nosso auxílio e proteção!
22Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,*
da mesma forma que em vós nós esperamos!

FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!


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Segunda Leitura
ESPERAVA A CIDADE QUE TEM DEUS
MESMO POR ARQUITETO E CONSTRUTOR.
Leitura da Carta aos Hebreus (11,1-2.8-19)


Irmãos:
1A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera,
a convicção acerca de realidades que não se vêem.
2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho.
8Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir
para uma terra que devia receber como herança,
e partiu, sem saber para onde ia.
9Foi pela fé que ele residiu
como estrangeiro na terra prometida,
morando em tendas com Isaac e Jacó,
os co-herdeiros da mesma promessa.
10Pois esperava a cidade alicerçada
que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor.
11Foi pela fé também que Sara,
embora estéril e já de idade avançada,
se tornou capaz de ter filhos,
porque considerou fidedigno o autor da promessa.
12É por isso também que de um só homem,
já marcado pela morte,
nasceu a multidão 'comparável às estrelas do céu
e inumerável como a areia das praias do mar'.
13Todos estes morreram na fé.
Não receberam a realização da promessa,
mas a puderam ver e saudar de longe
e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra.
14Os que falam assim
demonstram que estão buscando uma pátria,
15e se se lembrassem daquela que deixaram,
até teriam tempo de voltar para lá.
16Mas agora, eles desejam uma pátria melhor,
isto é, a pátria celeste.
Por isto, Deus não se envergonha deles,
ao ser chamado o seu Deus.
Pois preparou mesmo uma cidade para eles.
17Foi pela fé que Abraão, posto à prova, ofereceu Isaac;
ele, o depositário da promessa,
sacrificava o seu filho único,
18do qual havia sido dito:
'É em Isaac que uma descendência levará o teu nome'.
19Ele estava convencido de que Deus tem poder
até de ressuscitar os mortos,
e assim recuperou o filho
- o que é também um símbolo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - O autor deste texto convida o crente a confiar firmemente na possessão dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis agora. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela FINITUDE, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver na fé é, apesar disso, caminhar para a vida plena que Deus nos prometeu, caminhando ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido?

02 - A nossa tendência vai, tantas vezes, do “oito aos oitenta”, da euforia ao desânimo total. Num dia, tudo faz sentido; no outro, a tristeza e a dúvida afogam-nos e deixam-nos mergulhados no mais escuro pessimismo… No entanto, o cristão deve ser o homem da serenidade e da paz; ele sabe que a sua existência não se conduz ao sabor das marés, mas que o sentido da vida está para além dos êxitos ou dos fracassos que o dia a dia traz. GUIADO PELA FÉ, ele tem sempre diante dos olhos essas realidades últimas, que dão sentido pleno àquilo que aqui acontece.


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Evangelho
A QUEM MUITO FOI DADO, MUITO SERÁ PEDIDO;
A QUEM MUITO FOI CONFIADO, MUITO MAIS SERÁ EXIGIDO!

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (12,32-48)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
32'Não tenhais medo, pequenino rebanho,
pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino.
33Vendei vossos bens e dai esmola.
Fazei bolsas que não se estraguem,
um tesouro no céu que não se acabe;
ali o ladrão não chega nem a traça corrói.
34Porque onde está o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.
35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.
36Sede como homens que estão esperando
seu senhor voltar de uma festa de casamento,
para lhe abrirem, imediatamente, a porta,
logo que ele chegar e bater.
37Felizes os empregados que o senhor
encontrar acordados quando chegar.
Em verdade eu vos digo:
Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa
e, passando, os servirá.
38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada,
felizes serão, se assim os encontrar!
39Mas ficai certos: se o dono da casa
soubesse a hora em que o ladrão iria chegar,
não deixaria que arrombasse a sua casa.
40Vós também ficai preparados!
Porque o Filho do Homem vai chegar
na hora em que menos o esperardes'.
41Então Pedro disse: 'Senhor,
tu contas esta parábola para nós ou para todos?'
42E o Senhor respondeu:
'Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor
vai colocar à frente do pessoal de sua casa
para dar comida a todos na hora certa?
43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar,
encontrar agindo assim!
44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a
administração de todos os seus bens.
45Porém, se aquele empregado pensar:
'Meu patrão está demorando',
e começar a espancar os criados e as criadas,
e a comer, a beber e a embriagar-se,
46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado
e numa hora imprevista,
ele o partirá ao meio
e o fará participar do destino dos infiéis.
47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor,
nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade,
será chicoteado muitas vezes.
48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade
e fez coisas que merecem castigo,
será chicoteado poucas vezes.
A quem muito foi dado, muito será pedido;
a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A vida dos discípulos de Jesus tem de ser uma espera vigilante e atenta, pois o Senhor está permanentemente vindo ao nosso encontro e a nos desafiar para nos despirmos das cadeias que nos escravizam e para percorrermos, com Ele, o caminho da libertação. O que é que nos distrai, que nos prende, que nos aliena e que nos impede de acolher esse dom contínuo de vida?

02 - Ser cristão não é um trabalho “das nove às dezoito”, ou um “hobby” de fim-de-semana; mas é um compromisso de tempo integral, que deve marcar cada pensamento, cada atitude, cada opção, vinte e quatro horas por dia… Estou consciente dessa exigência e suficientemente atento para marcar, com o selo do meu compromisso cristão, todas as minhas ações e palavras? Estou suficientemente atento e disponível para acolher e responder aos apelos que Deus me faz e aos desafios que Ele me apresenta através das necessidades dos irmãos?

03 - Por vezes, os discípulos de Jesus manifestam a convicção de que tudo vai de mal a pior, que esta “geração de contestação” está perdida e que não é possível fazer mais nada para tornar o mundo mais humano e mais feliz… Isso não será, apenas, uma forma de mascararmos o nosso egoísmo e comodismo e de recusarmos ser protagonistas empenhados na construção do “REINO” que é o tesouro mais valioso?

04 - A Palavra de Deus que hoje nos é proposta contém uma interpelação especial a todos aqueles que desempenham funções de responsabilidade, quer na Igreja, quer no governo, quer nas autarquias, quer nas empresas, quer nas repartições… Convida cada um a assumir as suas responsabilidades e a desempenhar, com atenção e empenho as funções que lhe foram confiadas. A todos aqueles a quem foi confiado o serviço da autoridade, a Palavra de Deus pergunta sobre o modo como nos comportamos: como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros a seu bel-prazer? Estamos atentos às necessidades – sobretudo dos pobres, dos pequenos e dos débeis – ou instalamo-nos no egoísmo e no comodismo e deixamos que as coisas se arrastem, sem entusiasmo, sem vida, sem desafios, sem esperança?


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Comentário
VIVER ATENTOS


Pode parecer uma tolice, mais a única coisa que temos é o tempo. Melhor dizendo, o PRESENTE. É a única coisa de que dispomos: ESTE MOMENTO ATUAL QUE ESTAMOS VIVENDO. Isto é, a vida é nosso maior tesouro. Por isso devemos aproveitá-la. Minuto a minuto. Devemos desfrutá-la para que não nos escape nada do que nela nos acontece e o que fazemos que aconteça.

É exatamente o que nos diz Jesus no Evangelho. Não podemos viver dormido, distraídos. Devemos viver atentos porque a qualquer momento chega o Senhor, está chegando, e não estivermos atentos pode passar a melhor oportunidade de nossa vida. Jesus põe o exemplo dos criados que esperam a chegada de seu amo. Nós poderíamos pôr o exemplo do jovem que tem que estar atento porque em qualquer momento pode passar a seu lado o amor de sua vida e ele pode perdê-lo.

O que nos podemos perder e o que não deveríamos perder de nenhum modo? Ao que se refere Jesus quando nos pede que estejamos atentos? A resposta está na fraternidade. Contaram-me de um jovem, filho de família rica em um país pobre, que durante anos não teve a mínima consciência da pobreza em que viviam muitas pessoas ao seu redor. Movia-se sempre em ambientes de luxo e, quando saía de casa, o fazia sempre no carro de seu pai ou dos pais de seus amigos que tinham sempre os vidros bem filmados. Oficialmente era pára que não entrasse o sol, mais também tornava mais difícil ver o exterior. Seus irmãos que sofriam se convertiam mal em sombras sem consistência. Até que um dia saiu do carro e viu a realidade. Deu-se conta de que eram pessoas como ele. Então, sua vida tranquila viu-se envolvida em uma tormenta. Já não pôde seguir vivendo da mesma maneira. A isso é o que Jesus quer que estejamos atentos: AOS IRMÃOS E IRMÃS.

O tipo de atenção que nos pede Jesus não é a que tem o homem de negócios para ganhar dinheiro. Jesus quer que estejamos atentos aos irmãos e irmãs. Viver de uma forma que valha a pena só tem um significado para Jesus: CONSTRUIR A FAMÍLIA DE DEUS. Só assim encontraremos a verdadeira felicidade. Essa é a fé de que nos fala a segunda leitura. Crer em Jesus é achar que Ele está no meio de nós construindo seu Reino, nos fazendo irmãos. Na medida em que somos capazes de ver os que nos rodeiam, o rosto de um irmão, nosso coração será capaz de amar. E AMAR É VIVER. E criar fraternidade. Esse é o tipo de vida que Jesus quer para nós. Esse é o tipo de vida para o qual vale a pena estar atento. O resto, é só resto, é perder o tempo. E perder a vida.

Que faço com meu tempo? Como o aproveito? Esforço-me para viver desde a fé todas as horas de minha vida? Sou capaz de olhar com olhos de fé aos que vivem comigo, aos que encontro pela rua, no trabalho, na escola? São irmãos que vejo ou são inimigos que me ameaçam e dos quais tenho que me defender?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)