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XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo nos questiona acerca da atitude que assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles não podem ser os deuses que dirigem a nossa vida; e convida-nos a descobrir e a amar esses outros bens que dão verdadeiro sentido à nossa existência e que nos garantem a vida em plenitude.

No Evangelho, através da “parábola do rico insensato”, Jesus denuncia a falência de uma vida voltada apenas para os bens materiais: o homem que assim procede é um “louco”, que esqueceu aquilo que, verdadeiramente, dá sentido à existência.

Na primeira leitura, temos uma reflexão do Eclesiastes (qohélet) sobre o sentido de uma vida voltada para acumular bens… Embora a reflexão do “qohélet” não vá mais além, ela constitui um patamar para partirmos para descobrir de Deus quais são os seus valores, para encontramos aí o sentido último da nossa existência.

A segunda leitura convida-nos à identificação com Cristo: isso significa deixarmos os “deuses” que nos escravizam e renascermos continuamente, até que em nós se manifeste o HOMEM NOVO, que é “imagem de Deus”.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
QUE RESTA AO HOMEM DE TODOS OS SEUS TRABALHOS?
Leitura do Livro do Eclesiastes (1,2; 2,21-23)


2'Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes,
vaidade das vaidades!
Tudo é vaidade.'
2,21Por exemplo: um homem que trabalhou com inteligência,
competência e sucesso,
vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro
que em nada colaborou.
Também isso é vaidade e grande desgraça.
22De fato, que resta ao homem
de todos os trabalhos e preocupações
que o desgastam debaixo do sol?
23Toda a sua vida é sofrimento,
sua ocupação, um tormento.
Nem mesmo de noite repousa o seu coração.
Também isso é vaidade.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Quase poderíamos dizer que o “qohélet” é o precursor desses filósofos existencialistas modernos que refletem sobre o sentido da vida, e constatam a futilidade da existência, a náusea que acompanha a vida do homem, a inutilidade da busca da felicidade, o fracasso que é a vida condenada à morte (Jean Paul Sartre, Albert Camus, André Malraux…). As conclusões,  do “qohélet”, quer das filosofias existencialistas agnósticas, seriam desesperantes se não existisse a fé. Para nós, os crentes, a vida não é absurda porque ela não termina nem se encerra neste mundo… A nossa caminhada nesta terra está, na verdade, cheia de limitações, de desilusões, de imperfeições; mas nós sabemos que esta vida caminha para a sua realização plena, para a vida eterna: só aí encontraremos o sentido pleno do nosso ser e da nossa existência.

02 - A reflexão do “qohélet” convida-nos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança em coisas falíveis e passageiras. Quem vive, apenas, para trabalhar e para acumular, pode encontrar aí aquilo que dá pleno significado à vida? Quem vive obcecado com a conta bancária, com o carro novo, ou com a casa com piscina num empreendimento de luxo, encontrará aí aquilo que o realiza plenamente? Para mim, o que é que dá sentido pleno à vida? Para que é que eu vivo?


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Salmo Responsorial
VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.
Sl 89,3-4.5-6.12-13.14.17 (R.1)


3Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,*
quando dizeis: 'Voltai ao pó, filhos de Adão!'
4Pois mil anos para vós são como ontem,*
qual vigília de uma noite que passou. 

VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.

5Eles passam como o sono da manhã,*
6são iguais à erva verde pelos campos:
De manhã ela floresce vicejante,*
mas à tarde é cortada e logo seca. 

VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.

12Ensinai-nos a contar os nossos dias,*
e dai ao nosso coração sabedoria!
13Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? 
Tende piedade e compaixão de vossos servos! 

VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.

14Saciai-nos de manhã com vosso amor,*
e exultaremos de alegria todo o dia!
17Que a bondade do Senhor e nosso Deus
repouse sobre nós e nos conduza!*
Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

 VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.


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Segunda Leitura

ESFORÇAI-VOS POR ALCANÇAR AS COISAS
DO ALTO, ONDE ESTÁ CRISTO.
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (3,1-5.9-11)


Irmãos:
1Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
2aspirai às coisas celestes
e não às coisas terrestres.
3Pois vós morrestes,
e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo,
então vós aparecereis também com ele,
revestidos de glória.
5Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra:
imoralidade, impureza,
paixão, maus desejos
e a cobiça, que é idolatria.
9Não mintais uns aos outros.
Já vos despojastes do homem velho
e da sua maneira de agir
10e vos revestistes do homem novo,
que se renova segundo a imagem do seu Criador,
em ordem ao conhecimento.
11Aí não se faz distinção entre grego e judeu,
circunciso e incircunciso,
inculto, selvagem, escravo e livre,
mas Cristo é tudo em todos.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Ser batizado é, na perspectiva de Paulo, identificar-se com Cristo e, portanto, renunciar aos mecanismos que geram egoísmo, ambição, injustiça, orgulho, morte... Tudo isto foi Jesus rejeitou como diabólicos; e é, em contrapartida, escolheu uma vida de doação, de entrega, de serviço, de amor... Mecanismos que levaram Jesus à cruz, mas que também o levaram à ressurreição. Eu estou sendo coerente com as exigências do meu Batismo? Na minha vida há uma opção clara pelas “coisas do alto”, ou essas “coisas da terra” (brilhantes, sugestivas, mas efêmeras) têm prioridade e condicionam a minha ação?

02 - O objetivo da nossa vida é, de acordo com Paulo, a renovação contínua da nossa vida, a fim de que nos tornemos “imagem de Deus”. Aqueles que me rodeiam conseguem detectar em mim algo de Deus? Que “imagem de Deus” é que eu transmito a quem, diariamente, entra em contato comigo?

03 - Convém não esquecer que a construção do “Homem Novo” é uma tarefa que exige uma renovação constante, uma atenção constante, um compromisso constante. Enquanto estamos neste mundo, nunca podemos cruzar os braços e dar a nossa caminhada para a perfeição por terminada: cada instante apresenta-nos novos desafios, que podem ser vencidos ou que podem vencer-nos.


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Evangelho
E PARA QUEM FICARÁ O QUE TU ACUMULASTE?
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (12,13-21)


Naquele tempo:

13Alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: 'Mestre,
dize ao meu irmão que reparta a herança comigo.'
14Jesus respondeu:
'Homem, quem me encarregou de julgar
ou de dividir vossos bens?'
15E disse-lhes:
'Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância,
porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas,
a vida de um homem não consiste na abundância de bens.'
16E contou-lhes uma parábola:
'A terra de um homem rico deu uma grande colheita.
17Ele pensava consigo mesmo:
'O que vou fazer?
Não tenho onde guardar minha colheita'.
18Então resolveu: 'Já sei o que fazer!
Vou derrubar meus celeiros e construir maiores;
neles vou guardar todo o meu trigo,
junto com os meus bens.
19Então poderei dizer a mim mesmo:
- Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos.
Descansa, come, bebe, aproveita!'
20Mas Deus lhe disse: 'Louco!
Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida.
E para quem ficará o que tu acumulaste?'
21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo,
mas não é rico diante de Deus.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A Palavra de Deus que aqui nos é servida questiona fortemente alguns dos fundamentos sobre os quais a nossa sociedade se constrói. O capitalismo selvagem que, por amor ao lucro, escraviza e obriga a trabalhar até à exaustão homens, mulheres e crianças, continua vivo em tantos cantos do nosso planeta… Podemos tranquilamente, comprar e consumir produtos que são fruto da escravidão de tantos irmãos nossos? Devemos consentir, com a nossa indiferença e passividade, em aumentar os lucros imoderados desses empresários (sanguessugas) que vivem do sangue dos outros?

02 - Qualquer trabalhador – muitos de nós, provavelmente – passa a vida numa escravatura do trabalho e dos bens, que não deixa tempo nem disponibilidade para as coisas importantes – Deus, a família, os irmãos que nos rodeiam. Muitas vezes, o mercado de trabalho não nos dá outra hipótese (se não produzimos de acordo com a planificação da empresa, outro ocupará, rapidamente, o nosso lugar); outras vezes, essa escravatura do trabalho resulta de uma opção consciente… Quantas pessoas escolhem prescindir dos filhos, para poder dedicar-se

a uma carreira de êxito profissional que as torne milionárias antes dos quarenta anos… Quantas pessoas esquecem as suas responsabilidades familiares, porque é mais importante assegurar o dinheiro suficiente para as férias em lugares paradisíacos… Quantas pessoas renunciam à sua dignidade e aos seus direitos, para aumentar a conta bancária… Tornamo-nos, assim, mais felizes e mais humanos? É aí que está o verdadeiro sentido da vida?

03 - O que Jesus denuncia aqui não é a riqueza, mas a DEIFICAÇÃO DA RIQUEZA. Até alguém que fez “voto de pobreza” pode deixar-se tentar pelo apelo dos bens e colocar neles o seu interesse fundamental… A todos Jesus recomenda: “CUIDADO COM OS FALSOS DEUSES; NÃO DEIXEM QUE O ACESSÓRIO VOS DISTRAIA DO FUNDAMENTAL”.


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Comentário
SER RICOS ANTE DEUS


Há quem pense que “buscar as coisas do alto”, como diz são Paulo na segunda leitura consiste em passar todo o dia na Igreja, acendendo velas a todos os santos, rezando terços e rosários, ajoelhado diante do Santíssimo. Tudo isso é bom, mas não vem a ser mais que um treinamento. Como os esportistas que treinam para ganhar a corrida, nós temos que treinar também para ganhar. Qual é nossa corrida? A vida diária, a vida em família, a vida no trabalho. Aí é onde temos que “buscar as coisas do alto”.

Essas ”coisas do alto” são muito importantes. São as únicas que nos levaremos quando chegar a nossa hora. O resto é lastro inútil. O Evangelho nos deixa isto muito claro. Podemos acumular todas as riquezas que possamos imaginar. Tudo será inútil porque a única coisa que vale a pena é “SER RICO ANTE DEUS”. Todo o resto é “vaidade de vaidades”, como diz a primeira leitura. Isto é, temos que “buscar as coisas do alto” e “ser ricos ante Deus” e o resto não interessa. Aí temos definido um bom objetivo para nossa vida. Há pessoas que se preocupam de ser famosas, de fazer uma boa carreira ou de acumular muito dinheiro. Mas nós, os cristãos, temos outro objetivo: “buscar as coisas do alto” e “ser ricos ante Deus”.

Mas, em que consiste esse “buscar as coisas do alto” e “ser ricos ante Deus”? De pronto, temos já uma resposta negativa. Não consiste em nos entregar a todas essas imoralidades de que fala a segunda leitura. Melhor esquecer-nos da fornicação, da impureza, da paixão, da cobiça, da avareza... Tudo isso não tem nada que ver com “buscar as coisas do alto”. O Evangelho enfatiza a idéia de que a cobiça, viver só tratando de acumular dinheiro, não vale para nada. Já sabemos, então, o que não temos que fazer.

 Mas, que devemos fazer para “ser ricos ante Deus”? De novo a resposta vem-nos da segunda leitura e do Evangelho. De acordo com Paulo, temo que nos revestir da nova condição do cristão. Aí não há diferenças entre as pessoas: todos somos irmãos e irmãs. Agora sabemos que “buscar as coisas do alto” é buscar a fraternidade e vivê-la no dia-a-dia. Somos irmãos e irmãs e Cristo é o irmão maior que nos convoca a viver em família. Por isso foi dito no princípio que o que fazemos na Igreja é só um treinamento. O amor fraterno deve ser vivido na família, na rua, no trabalho. Aí é onde se faz a fraternidade, onde conseguimos as “coisas do alto” e nos fazemos “ricos ante Deus”.

Quais são os objetivos de minha vida? Trato de não fazer essas coisas que vão na contramão de “buscar coisas do alto” De que forma tento viver o amor fraterno com minha família, com meus amigos, no trabalho? Quando vou à Igreja, peço a Deus que me ajude a ser mais irmão ou irmã de meus irmãos?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)