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XVI Domingo do Tempo Comum (Ano C)

As leituras deste domingo convidam-nos a refletir o tema da HOSPITALIDADE e do acolhimento. Sugerem, sobretudo, que a existência cristã é o acolhimento de Deus e das suas propostas; e que a ação (ainda que em favor dos irmãos) tem de partir de um verdadeiro encontro com Jesus e da escuta da Palavra de Jesus. É isso que permite encontrar o sentido da nossa ação e da nossa missão.

A primeira leitura propõe-nos a figura patriarcal de Abraão. Nessa figura apresenta-se o modelo do homem que está atento a quem passa, partilha tudo o que tem com o irmão que se atravessa no seu caminho e que encontra no hóspede que entra na sua tenda a figura do próprio Deus. Sugere-se, em consequência, que Deus não pode deixar de recompensar quem assim procede.

No Evangelho, apresenta-se outro quadro de hospitalidade e de acolhimento de Deus. Mas sugere-se que, para o cristão, acolher Deus na sua casa não é tanto embarcar num ativismo desenfreado, mas sentar-se aos pés de Jesus, escutar as propostas que, n’Ele, o Pai nos faz e acolher a sua Palavra.

A segunda leitura apresenta-nos a figura de um apóstolo (Paulo), para quem Cristo, as suas palavras e as suas propostas são a referência fundamental, o universo à volta do qual se constrói toda a vida. Para Paulo, o que é necessário é “ACOLHER CRISTO” e construir toda a vida à volta dos seus valores. É isso que é preponderante na experiência cristã.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
Meu Senhor, não prossigas viagem,
sem parar junto a mim, teu servo.
Leitura do Livro do Gênesis (18,1-10a)


Naqueles dias:
1O Senhor apareceu a Abraão
junto ao carvalho de Mambré,
quando ele estava sentado à entrada da sua tenda,
no maior calor do dia.
2Levantando os olhos,
Abraão viu três homens de pé, perto dele.
Assim que os viu, correu ao seu encontro
e prostrou-se por terra.
3E disse: 'Meu Senhor, se ganhei tua amizade,
peço-te que não prossigas viagem,
sem parar junto a mim, teu servo.
4Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés,
e descansareis debaixo da árvore.
5Farei servir um pouco de pão
para refazerdes vossas forças,
antes de continuar a viagem.
Pois foi para isso mesmo
que vos aproximastes do vosso servo'.
Eles responderam: 'Faze como disseste'.
6Abraão entrou logo na tenda,
onde estava Sara e lhe disse:
'Toma depressa três medidas da mais fina farinha,
amassa alguns pães e assa-os'.
7Depois, Abraão correu até o rebanho,
pegou um bezerro dos mais tenros e melhores,
e deu-o a um criado,
para que o preparasse sem demora.
8A seguir, foi buscar coalhada,
leite e o bezerro assado,
e pôs tudo diante deles.
Abraão, porém, permaneceu de pé, junto deles,
debaixo da árvore, enquanto comiam.
9E eles lhe perguntaram:
'Onde está Sara, tua mulher?'
- 'Está na tenda', respondeu ele.
10aE um deles disse:
'Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo,
e Sara, tua mulher, já terá um filho'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Cada vez mais, o sagrado sacramento da HOSPITALIDADE está em crise, pelo menos na nossa civilização ocidental. O egoísmo, o fechamento, o “salve-se quem puder”, o “cada um que se meta na sua vida”… parecem marcar cada vez mais a nossa realidade. No entanto, são cada vez mais as pessoas perdidas, não acolhidas, que têm por teto os buracos das nossas cidades, que procuram conquistar, com sangue, suor e lágrimas, o direito a uma vida minimamente humana. Que fazer por eles? Como os acolhemos: com indiferença e agressividade, ou com a atitude humana e misericordiosa de Abraão? Temos consciência de que, em cada irmão deserdado, é Deus que vem ao nosso encontro?

02 - É com atenção, com bondade, com respeito, que as pessoas são acolhidas na nossa família, na nossa comunidade cristã, nas nossas repartições públicas, nas urgências dos nossos hospitais, nas recepções das nossas igrejas, nas portarias das nossas comunidades religiosas?

03 - A atitude de Abraão frente a Deus é, também, questionante, numa época em que muita gente vê em Deus um concorrente ou um rival do homem… Abraão é o crente que acolhe Deus na sua vida, que aceita viver em comunhão com Ele, que aceita pôr tudo o que tem nas mãos de Deus e que se coloca diante de Deus numa atitude de respeito, de submissão, de total confiança. Qual é a atitude que marca, dia a dia, a nossa relação com Deus?


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Salmo Responsorial
SENHOR, QUEM MORARÁ EM VOSSA CASA?
Sl 14,2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)


2É aquele que caminha sem pecado*
e pratica a justiça fielmente;
3aque pensa a verdade no seu íntimo *
3be não solta em calúnias sua língua.

SENHOR, QUEM MORARÁ EM VOSSA CASA?

3cQue em nada prejudica o seu irmão,*
3dnem cobre de insultos seu vizinho;
4aque não dá valor algum ao homem ímpio,*
4bmas honra os que respeitam o Senhor.

SENHOR, QUEM MORARÁ EM VOSSA CASA?

5não empresta o seu dinheiro com usura,
nem se deixa subornar contra o inocente.*
Jamais vacilará quem vive assim! 

SENHOR, QUEM MORARÁ EM VOSSA CASA?


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Segunda Leitura
O MISTÉRIO ESCONDIDO POR SÉCULOS E GERAÇÕES,
MAS AGORA REVELADO AOS SEUS SANTOS.
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (1,24-28)


Irmãos:
24Alegro-me de tudo o que já sofri por vós
e procuro completar na minha própria carne
o que falta das tribulações de Cristo,
em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja.
25A ela eu sirvo,
exercendo o cargo que Deus me confiou
de vos transmitir a palavra de Deus em sua plenitude:
26o mistério escondido por séculos e gerações,
mas agora revelado aos seus santos.
27A estes Deus quis manifestar
como é rico e glorioso entre as nações este mistério:
a presença de Cristo em vós,
a esperança da glória.
28Nós o anunciamos,
admoestando a todos e ensinando a todos,
com toda sabedoria,
para a todos tornar perfeitos em sua união com Cristo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Paulo é, para os crentes, uma das figuras mais questionantes da história do cristianismo. É o cristão de “vistas largas”, que não se deixa amarrar pelas coisas secundárias, mas sabe discernir o essencial e lutar por aquilo que é importante… Mas, sobretudo, é o exemplo do apóstolo por excelência, do apóstolo para quem Cristo é tudo e que põe cada batida do seu coração ao serviço do Evangelho e da libertação dos homens. É com o mesmo empenho de Paulo que eu “agarro” a missão que Cristo me confiou? Como é que a nossa comunidade trata e considera esses irmãos que, tantas vezes escondidos atrás da sua simplicidade e humildade, dão a vida à causa do Evangelho e da libertação dos outros?

02 - A centralidade que Cristo assume na experiência religiosa de Paulo leva-o à conclusão de que Cristo basta e que tudo o resto assume um valor relativo (quando não serve, até, para “desviar” os crentes do essencial). Que valor ocupa Cristo na minha experiência de fé? Ele é a prioridade fundamental, ou há outras imagens ou ritos que chegam a ocupar o lugar central que só pode pertencer a Cristo?


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Evangelho
Marta recebeu-o em sua casa.
Maria escolheu a melhor parte.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (10,38-42)


Naquele tempo:
38Jesus entrou num povoado,
e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa.
39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor,
e escutava a sua palavra.
40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres.
Ela aproximou-se e disse:
'Senhor, não te importas que minha irmó
me deixe sozinha, com todo o serviço?
Manda que ela me venha ajudar!'
41O Senhor, porém, lhe respondeu:
'Marta, Marta! Tu te preocupas
e andas agitada por muitas coisas.
42Porém, uma só coisa é necessária.
Maria escolheu a melhor parte
e esta não lhe será tirada.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - O nosso tempo vive-se a uma velocidade estonteante… Para ganhar uns minutos, arriscamos a vida porque “tempo é dinheiro” e perder um segundo é ficar para trás ou deixar acumular trabalho que depois não conseguimos “digerir”. Mudamos de fila no trânsito para ganhar uns metros, passamos semáforos vermelhos, comemos de pé ao lado de pessoas para as quais nem olhamos, chegamos em vencidos pelo cansaço e pelo stress, sem tempo e sem vontade de brincar com os filhos ou ficar com a esposa (o), dormimos algumas horas com a consciência de que amanhã tudo vai ser igual… Claro que estas são as exigências da vida moderna; mas, como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para nos sentarmos aos pés de Jesus e escutarmos o que Ele tem para nos propor?

02 - Nas nossas comunidades cristãs e religiosas, encontramos pessoas que fazem muitas coisas, que se dão completamente à missão e ao serviço dos irmãos, que não param um instante… É ótimo que exista esta capacidade de doação, de entrega, de serviço; mas não nos podemos esquecer que o ativismo desenfreado nos aliena e nos massacra. É preciso encontrar tempo para escutar Jesus, para acolher e “absorver” a Palavra, para nos encontrarmos com Deus e conosco próprios, para perceber os desafios que Deus nos lança. Sem isso, facilmente perdemos o sentido das coisas e o sentido da missão que nos é proposta; sem isso, facilmente passamos a agir por nossa conta, passando ao lado do que Deus quer de nós.

03 – Devemos encontra tempo, e que este tempo não seja mais uma corrida desenfreada para lugar nenhum, mas um tempo de reencontro conosco, com a nossa família, com os nossos amigos, com Deus e com as nossas prioridades. A oração e a escuta da Palavra podem ajudar-nos a recentrar a nossa vida e a redescobrir o sentido da nossa existência.

04 - Qual é a nossa perspectiva da hospitalidade e do acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, a sentar a pessoa no sofá, a ligar a televisão para que ela se entretenha sozinha, e correr para a cozinha para lhe preparar um banquete; mas o verdadeiro acolhimento passa por dar atenção àquele que veio ao nosso encontro, escutá-lo, partilhar com ele, a fazê-lo sentir o quanto nos preocupamos com aquilo que ele sente…


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Comentário
DA DESCONFIANÇA À HOSPITALIDADE


Nossa cultura é a cada vez mais desconfiada. Tudo o que é estranho nos parece uma ameaça. Em alguns bairros das grandes cidades vemos letreiros nas casas onde se avisa de que se chamará a policial para estranhos que estiverem caminhando pela rua. Nossas casas são cada vez menos abertas, mais também o são nossos bairros e nossas cidades e nossos países. A chegada de imigrantes (migrantes) em busca de trabalho cria desconfiança e insegurança entre os que já vivem no local. De modo geral, tudo o que é estranho e que saia do habitual nos faz sentir inseguros e ameaçados. Por isso, e não por outra razão, é o que provoca um aumento da violência. A essa violência se responde com mais violência “embora em algum caso seja defensiva” e assim vai crescendo a espiral da desconfiança, a violência.

A proposta das leituras de hoje é outra bem diferente. Em linha com a mensagem evangélica do Reino de Deus. Nos fala da HOSPITALIDADE. A primeira leitura, do livro da Gênese, mostra-nos a Abraão, o patriarca, que não só acolhe aos que lhe pedem hospitalidade mais que suplica àqueles três homens que fiquem em sua casa e que comam em sua mesa. A hospitalidade para aqueles povos era um dever sagrado, ao visitante devia-se todo o respeito do mundo. Era como se fosse ele mesmo Deus o que visitava a casa. Ao texto do Evangelho se tem dado muitas explicações, mas geralmente esquecemos a mais simples: Marta e Maria acolheram ao Senhor em sua casa. Esse é o ponto de partida sem o qual não aconteceria aquele pequeno desentendimento entre Marta e Maria.

Hoje deveriamos recuperar a virtude da hospitalidade. Com os vizinhos do apartamento em frente. Mas também com os estrangeiros que batem nas portas do nosso país pedindo um emprego que lhes garanta pão e o futuro para eles e suas famílias. Também para aqueles que não acreditam em nossa religião e para aqueles que não pertencem à nossa raça ou falam nossa língua. Aos nossos irmãos que tem opinião politica diferente da nossa. Somos todos irmãos e irmãs. Todos nós pertencemos à família de Deus. A encarnação de Jesus tornou cada homem e mulher o melhor e mais completo sacramento da presença de Deus entre nós. Para recebê-lo, compartilhar com ele o que temos para receber o mesmo Deus que vem nos visitar, para tornar o Reino uma realidade em nosso mundo, para cumprir a vontade de Deus que quer que todos nós nos sentemos na mesma mesa para compartilhar a vida que ele nos deu. SÓ A HOSPITALIDADE, O ACOLHIMENTO SINCERO E ABERTO, A MÃO TENDIDA, CONSEGUIRÁ UNIR UM MUNDO ROMPIDO E DIVIDIDO QUE PARECE QUE SÓ É CAPAZ DE GERAR DESCONFIANÇA E VIOLÊNCIA.

Como você olha e valoriza aqueles que não pertencem à sua família, sua nação, sua raça? Você tem por certo que eles são piores que os seus? Quais valores positivos você encontra neles? O que você poderia fazer para estabelecer um relacionamento ou amizade com alguns deles? Você acha que isso ajudaria você a quebrar a desconfiança e superar os preconceitos?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

 

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