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I Domingo da Quaresma (Ano C)

No início da Quaresma, a Palavra de Deus apela a repensar as nossas opções de vida e a tomar consciência dessas “TENTAÇÕES” que nos impedem de renascer para a vida nova, para a vida de Deus.

A primeira leitura convida-nos a eliminar os falsos deuses em quem às vezes apostamos tudo e fazer de Deus a nossa referência fundamental. Alerta-nos, na mesma lógica, contra a tentação do orgulho e da autossuficiência, que nos levam a caminhos de egoísmo e de desumanidade, de desgraça e de morte.

O Evangelho apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Lucas sugere que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, pois o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espetaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor. É claro que é esse caminho que é sugerido aos que seguem Jesus.

A segunda leitura convida-nos a prescindir de uma atitude arrogante e autossuficiente em relação à salvação que Deus nos oferece: a salvação não é uma conquista nossa, mas um dom gratuito de Deus. É preciso, pois, “CONVERTER-SE” a Jesus, isto é, reconhecê-l’O como o “Senhor” e acolher no coração a salvação que, em Jesus, Deus nos propõe.


 

 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
POR ISSO, AGORA TRAGO OS PRIMEIROS FRUTOS
DA TERRA QUE TU ME DESTE, SENHOR.
Leitura do Livro do Deuteronômio (26,4-10)


Assim Moisés falou ao povo:

4O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta
e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus.
5Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus:
'Meu pai era um arameu errante,
que desceu ao Egito com um punhado de gente
e ali viveu como estrangeiro.
Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso.
6Os egípcios nos maltrataram e oprimiram,
impondo-nos uma dura escravidão.
7Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais,
e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão,
a nossa miséria e a nossa angústia.
8E o Senhor nos tirou do Egito
com mão poderosa e braço estendido,
no meio de grande pavor, com sinais e prodígios.
9E conduziu-nos a este lugar
e nos deu esta terra, onde corre leite e mel.
10Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra
que tu me deste, Senhor'.
Depois de colocados os frutos
diante do Senhor teu Deus,
tu te inclinarás em adoração diante dele.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Uma das tentações frequentes na vida do homem moderno é colocar a sua vida, a sua esperança e a sua segurança nas mãos dos falsos deuses: o dinheiro, o poder, o êxito social ou profissional, a ciência ou a técnica, os partidos, os líderes e as ideologias ocupam com frequência nas nossas vidas o lugar de Deus. Quais são os deuses diante dos quais o mundo se prostra? Quais são os deuses que, tantas vezes, impedem que Deus ocupe, na minha vida, o primeiro lugar?

02 - O orgulho, o egoísmo, a autossuficiência também levam o homem a prescindir de Deus. Os êxitos e as realizações são atribuídos exclusivamente ao esforço e ao gênio humano, como se o homem se bastasse a si próprio… Nesta situação Deus é visto não como a referência última da nossa história e da nossa vida, mas como um estorvo que impede o homem de ser livre e de seguir o seu caminho de busca de felicidade. Onde nos leva um mundo que prescinde de Deus? Os caminhos que o homem constrói longe de Deus são caminhos onde encontramos mais humanidade, mais alegria, mais amor, mais liberdade, mais respeito pela justiça e pela dignidade do homem? Por quê?

03 - TUDO O QUE RECEBEMOS É DE DEUS E NÃO NOSSO. Somos apenas administradores dos dons que Deus colocou à disposição de todos os homens. A nossa relação com os bens – mesmo os mais fundamentais – não pode, pois, ser uma relação fechada e egoísta: tudo pertence a Deus, o Pai de todos os homens e deve, portanto, ser partilhado. Como nos situamos frente a isto? Os bens que Deus colocou à nossa disposição servem apenas para nosso benefício exclusivo, ou são vistos como dons de Deus para todos?


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Salmo Responsorial
EM MINHAS DORES, Ó SENHOR, PERMANECEI JUNTO DE MIM!
Sl  90,1-2.10-11.12-13.14-15  (R. cf.15b)


1Quem habita ao abrigo do Altíssimo*
e vive à sombra do Senhor onipotente, 
2diz ao Senhor: 'Sois meu refúgio e proteção,*
sois o meu Deus, no qual confio inteiramente'. 

EM MINHAS DORES, Ó SENHOR, PERMANECEI JUNTO DE MIM!

10Nenhum mal há de chegar perto de ti,*
nem a desgraça baterá à tua porta;
11pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos*
para em todos os caminhos te guardarem. 

EM MINHAS DORES, Ó SENHOR, PERMANECEI JUNTO DE MIM!

12Haverão de te levar em suas mãos,*
para o teu pé não se ferir nalguma pedra.
13Passarás por sobre cobras e serpentes,*
pisarás sobre leões e outras feras. 

EM MINHAS DORES, Ó SENHOR, PERMANECEI JUNTO DE MIM!

14'Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo*
e protegê-lo, pois meu nome ele conhece.
15Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo,*
e a seu lado eu estarei em suas dores. 

EM MINHAS DORES, Ó SENHOR, PERMANECEI JUNTO DE MIM!


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Segunda Leitura
A PALAVRA ESTÁ PERTO DE TI, EM TUA BOCA E EM TEU CORAÇÃO.
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (10,8-13)


Irmãos:
8O que diz a Escritura?
- 'A palavra está perto de ti,
em tua boca e em teu coração'.
Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos.
9Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor
e, no teu coração,
creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.
10É crendo no coração que se alcança a justiça
e é confessando a fé com a boca
que se consegue a salvação.
11Pois a Escritura diz:
'Todo aquele que nele crer não ficará confundido'.
12Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego;
todos têm o mesmo Senhor,
que é generoso para com todos os que o invocam.
13De fato,
todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - O orgulho e a autossuficiência aparecem sempre como algo que fecha aos homens o caminho para Deus. Conduzem o homem ao fechamento em si próprio e a prescindir de Deus e dos outros. Os orgulhosos e autossuficientes correspondem aos “ricos” das bem-aventuranças: são os que estão instalados nas suas certezas, no seu comodismo, no seu egoísmo e não estão disponíveis para se deixar desafiar por Deus e para acolher, em cada instante, a novidade e o amor de Deus. Por isso, são “malditos”: se não estiverem dispostos a abrir o seu coração a Deus, recusam a salvação que Deus tem para oferecer.

02 - Como nos situamos em face disto? A nossa religião é um cumprir escrupulosamente as regras para assegurar o “lugarzinho no céu”, ou é um aderir na fé à pessoa de Jesus e à proposta gratuita de salvação que, através d’Ele, Deus nos faz?

03 - Quando nos reunimos em assembleia e proclamamos Jesus como o nosso “Senhor”, somos uma verdadeira comunidade de irmãos, sem “judeu nem grego”, ou continuamos a ser uma comunidade dividida, com amigos e inimigos, ricos e pobres, negros e brancos, santos e pecadores, superiores e inferiores?


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Evangelho
A ESCRITURA DIZ: 'NÃO SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM'.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (4,1-13)


Naquele tempo:
1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão,
e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito.
2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias.
Não comeu nada naqueles dias
e depois disso, sentiu fome.
3O diabo disse, então, a Jesus:
'Se és Filho de Deus, 
manda que esta pedra se mude em pão.'
4Jesus respondeu: 'A Escritura diz:
'Não só de pão vive o homem'.'
5O diabo levou Jesus para o alto,
mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo
6e lhe disse:
'Eu te darei todo este poder e toda a sua glória,
porque tudo isso foi entregue a mim
e posso dá-lo a quem eu quiser.
7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração,
tudo isso será teu.'
8Jesus respondeu: 'A Escritura diz:
'Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás'.'
9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém,
colocou-o sobre a parte mais alta do Templo,
e lhe disse: 'Se és Filho de Deus,
atira-te daqui abaixo!
10Porque a Escritura diz:
Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito,
que te guardem com cuidado!'
11E mais ainda: 'Eles te levarão nas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra'.'
12Jesus, porém, respondeu: 'A Escritura diz:
'Não tentarás o Senhor teu Deus'.'
13Terminada toda a tentação,
o diabo afastou-se de Jesus,
para retornar no tempo oportuno.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Frente a frente estão, hoje, a lógica de Deus e a lógica dos homens. A catequese que o Evangelho nos apresenta neste primeiro Domingo da Quaresma ensina que Jesus pautou cada uma das suas escolhas pela lógica de Deus. E nós, cristãos, seguidores de Jesus? É essa a nossa lógica, também?

02 - Deixar-se conduzir pela tentação dos bens materiais, do acumular mais e mais, do olhar apenas para o seu próprio conforto e comodidade, do fechar-se à partilha e às necessidades dos outros, é seguir o caminho de Jesus? Pagar salários de miséria aos operários e malbaratar fortunas em noitadas de jogo ou em coisas supérfluas (enquanto os irmãos, ao lado, gemem a sua miséria), é seguir o caminho de Jesus?

03 - Dentro de cada pessoa, existe o impulso de dominar, de ter autoridade, de prevalecer sobre os outros. Por isso – às vezes na Igreja – os pobres, os débeis, os humildes têm de suportar atitudes de prepotência, de autoritarismo, de intolerância, de abuso. A catequese de hoje sugere que este “caminho” é diabólico e não tem nada a ver com o serviço simples e humilde que Jesus propôs nas suas palavras e nos seus gestos.

04 - Podemos, também, ceder à tentação de usar Deus ou os dons de Deus para brilhar, para dar espetáculo, para levar os outros a admirar-nos e a bater-nos palmas. A isto Jesus responde de forma determinada: não utilizarás Deus em proveito da tua vaidade e do teu êxito pessoal.


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Comentário
QUEM SOMOS?


Quando os israelitas chegaram à Terra Prometida após seu longo peregrinar pelo deserto, receberam o mandato do Senhor de conservar a memória de seu passado. É o que lembra a primeira leitura. Para que nunca se esquecessem de que tinham sido escravos no Egito, de que o Senhor Deus os tinha sacado dali com ”mão forte e braço estendido” e tinha-os levado a uma terra onde corre “leite e mel”. Conservar essa memória não era um exercício inútil. Fazia-lhes saber quem eram. Nos conflitos, nas dificuldades pelos quais teriam que passar, sempre teriam a segurança de que Deus seguiria com eles, como esteve quando os tirou da escravatura no Egito.

Porque nossa identidade está sempre ameaçada. O vemos no Evangelho no qual a identidade de Jesus está ameaçada pelo demônio, pelo tentador. Quer comprar Jesus com a promessa das riquezas, do poder. Tudo para que Jesus renuncie a sua identidade, a sua missão. O fato de que Jesus se manteve firme frente ao demônio e suas tentações, fez com que cumprisse sua missão, que fosse nosso salvador, que desse depoimento do amor que Deus Pai tem por todos os homens, sem exceção.

Nossa identidade é complexa. Somos cristãos, mas também temos uma cultura própria, pertencemos a um povo, temos uma história. Ao ir assumindo as mudanças que se produzem em nossa própria cultura, corremos o risco de nos perder, de desprezar nosso próprio passado. Essa é a grande tentação que hoje temos. Como ao Senhor, o demônio nos tenta com as riquezas, com o poder, com a sedução de outras tradições que nos podem levar a desprezar a nossa. Que imenso erro seria que esquecêssemos nossas raízes, nossa identidade! SEM RAÍZES AS ÁRVORES MORREM. SEM IDENTIDADE AS PESSOAS PERDEM-SE.

Parte de nossa herança como povo é a fé cristã. Achamos que o Deus de Jesus é nosso Pai, nos ama e quer o nosso bem. Ao começar esta Quaresma, convém reafirmar nossa identidade, nos reencontrar com nossa herança, reforçá-la. Não para nos situar na contramão de ninguém senão para poder compartilhar o nosso com todos. Não há culturas inferiores nem superiores. São simplesmente diferentes. E no diálogo, todos nos enriqueceremos. Mas não há diálogo possível se não valorizamos o nosso, se nos envergonha nosso passado.

De Jesus o demônio quis roubar sua identidade. Não conseguiu. Que seu exemplo nos sirva para afiançarmos mais o que é nosso e para, orgulhosos disso, compartilhar com todos os povos da terra.


 

Fiquei alguma vez envergonhado do que eu sou, de meu passado, de minha família, de minha cultura? Que teria que fazer para me sentir orgulhoso de tudo isso? Vivo minha fé com alegria e desfruto, como parte fundamental de minha identidade?

 


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 FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

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