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XXIII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXIII Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade do homem, continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar o homem, de modo a fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo.
Na primeira leitura, um profeta da época do exílio na Babilónia garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para libertá-lo e para conduzi-lo à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.
No Evangelho, Jesus, cumprindo o mandato que o Pai Lhe confiou, abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo… No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na autossuficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão. O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem exceção.
A segunda leitura dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-l’O no caminho do amor, da partilha, da doação. Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
OS OUVIDOS DOS SURDOS SE ABRIRÃO E
A BOCA DO MUDO GRITARÁ DE ALEGRIA.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (35,4-7a)


4Dizei às pessoas deprimidas:
'Criai ânimo, não tenhais medo!
Vede, é vosso Deus,
é a vingança que vem, é a recompensa de Deus;
é ele que vem para vos salvar'.
5Então se abrirão os olhos dos cegos
e se descerrarão os ouvidos dos surdos.
6O coxo saltará como um cervo
e se desatará a língua dos mudos,
assim como brotarão águas no deserto
e jorrarão torrentes no ermo.
7aA terra árida se transformará em lago,
e a região sedenta, em fontes d'água.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Para os otimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes descobertas, em que se abre um mundo de possibilidades para o homem; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozônio, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear… Para uns e para outros, é um tempo de desafios, de interpelações, de procura, de risco… Como é que nós nos relacionamos com este mundo? O vemos com os olhos da esperança, ou com os óculos negros do desespero?

2 - Os crentes não podem esquecer que “DEUS ESTÁ AÍ”: a sua intervenção faz com que o deserto se revista de vida e que na planície árida do desespero brote a flor da esperança. Aos cegos, que caminham pela vida e que têm dificuldade em descobrir o rumo e o sentido para a sua existência, Deus irá oferecer a luz que lhes indica o caminho seguro para a realização e para a felicidade; aos surdos, fechados no seu egoísmo e na sua autossuficiência, Deus irá abrir os ouvidos para que escutem os gritos de sofrimento dos pobres e para que se comprometam na transformação do mundo; aos coxos, que não conseguem caminhar livremente e estão presos por cadeias de opressão, de injustiça, de pecado, Deus vai oferecer a liberdade; aos mudos, cuja língua está paralisada pelo medo, pelo comodismo, pela preguiça, pela passividade, Deus vai convocá-los e enviá-los como mensageiros da justiça, do amor e da paz. É com a certeza da presença salvadora e amorosa de Deus e com a convicção de que Ele não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte que somos convidados a caminhar pela vida e a enfrentar a história.

3 - O profeta é o homem que rema contra a maré… Quando todos cruzam os braços e se afundam no desespero, o profeta é capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver, para lá do horizonte do sol poente, um amanhã novo. Ele vai então gritar aos quatro ventos a esperança, fazer com que o desespero se transforme em alegria e que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor. É este testemunho de esperança que procuramos dar?


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Salmo Responsorial
BENDIZE, Ó MINHA ALMA AO SENHOR.
BENDIREI AO SENHOR TODA A VIDA!
Sl 145,7.8-9a.9bc-10 (R.1.2a)         


Bendize, ó minha alma ao Senhor.

Bendirei ao Senhor toda a vida!

O Senhor é fiel para sempre,
7faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos,
é o Senhor quem liberta os cativos.

Bendize, ó minha alma ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

8O Senhor abre os olhos aos cegos
o Senhor faz erguer-se o caído;
o Senhor ama aquele que é justo
9aÉ o Senhor quem protege o estrangeiro.

Bendize, ó minha alma ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

9bcEle ampara a viúva e o órfão
mas confunde os caminhos dos maus.
10O Senhor reinará para sempre!
Ó Sião, o teu Deus reinará
para sempre e por todos os séculos!

Bendize, ó minha alma ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

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Segunda Leitura
NÃO ESCOLHEU DEUS OS POBRES DESTE
MUNDO PARA SEREM HERDEIROS DO REINO?
Leitura da Carta de São Tiago (2,1-5)


1Meus irmãos,
a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado
não deve admitir acepção de pessoas.
2Pois bem, imaginai que na vossa reunião
entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida,
e também um pobre, com sua roupa surrada,
3e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe:
'Vem sentar-te aqui, à vontade',
enquanto dizeis ao pobre:
'Fica aí, de pé', ou então:
'Senta-te aqui no chão, aos meus pés' -
4não fizestes, então, discriminação entre vós?
E não vos tornastes juízes com critérios injustos?
5Meus queridos irmãos, escutai:
não escolheu Deus os pobres deste mundo
para serem ricos na fé
e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O cristão é, alguém que aderiu a Jesus Cristo, que assumiu os valores que Ele veio propor e que procura concretizar, dia a dia, essa proposta de vida que Ele veio fazer. Ora, Jesus Cristo nunca discriminou nem nunca marginalizou ninguém; sentou-se à mesa com os desclassificados, acolheu os doentes, estendeu a mão aos leprosos, chamou um publicano para fazer parte do seu grupo, teve gestos de bondade e de misericórdia para com os pecadores, disse que os pobres eram os filhos queridos de Deus, amou aqueles que a sociedade religiosa do tempo considerava amaldiçoados e condenados… A comunidade cristã é o rosto de Cristo para os homens; por isso, não faz sentido qualquer acepção de pessoas na comunidade cristã. Naturalmente, isto é uma evidência que ninguém contesta… Mas, na prática, todos são acolhidos na nossa comunidade cristã com respeito e amor? Tratamos com a mesma delicadeza e com o mesmo respeito quem é rico e quem é pobre, quem tem uma posição social relevante e quem a não tem, quem tem um título universitário e quem é analfabeto, quem tem um comportamento religiosamente correto e quem tem um estilo de vida que não se coaduna com as nossas perspectivas, quem se dá bem com o padre e quem tem uma atitude crítica diante de certas opções dos responsáveis da comunidade? Não esqueçamos: a comunidade cristã é chamada a testemunhar o amor, a bondade, a misericórdia, a tolerância de Cristo para com todos os irmãos, sem exceção.

2 -  A segunda leitura revela-nos que Deus prefere os pobres, os humildes, os simples. Isto não quer dizer, contudo, que Deus tenha uma opção de classe e que privilegie uns em detrimento de outros… Deus oferece o seu amor, a sua graça e a sua vida a todos; contudo, uns acolhem os seus dons e outros não… O que é decisivo, na perspectiva de Deus, é a disponibilidade para acolher a sua proposta e os seus dons, Ele nos convida a nos despir do orgulho, da autossuficiência, dos preconceitos, para acolher com humildade e simplicidade os dons de Deus.


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Evangelho
AOS SURDOS FAZ OUVIR E AOS MUDOS FALAR.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (7,31-37)


Naquele tempo:
31Jesus saiu de novo da região de Tiro,
passou por Sidônia
e continuou até o mar da Galiléia,
atravessando a região da Decápole.
32Trouxeram então um homem surdo,
que falava com dificuldade,
e pediram que Jesus lhe impusesse a mão.
33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão;
em seguida colocou os dedos nos seus ouvidos,
cuspiu e com a saliva tocou a língua dele.
34Olhando para o céu, suspirou e disse:
'Efatá!', que quer dizer: 'Abre-te!'
35Imediatamente seus ouvidos se abriram,
sua língua se soltou
e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência
que não contassem a ninguém.
Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam.
37Muito impressionados, diziam:
'Ele tem feito bem todas as coisas:
Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O Evangelho deste domingo garante-nos, uma vez mais, que o Deus em quem acreditamos é um Deus comprometido conosco, comprometido em renovar o homem, em transformá-lo, em recriá-lo, em fazê-lo chegar à vida plena do Homem Novo. Este Deus que abre os ouvidos dos surdos e solta a língua dos mudos é um Deus cheio de amor, que não abandona os homens à sua sorte nem os deixa adormecer em esquemas de comodismo e de instalação; mas, a cada instante, vem ao seu encontro, desafiando os homens a irem mais além, para atingirem a plenitude das suas possibilidades e das suas potencialidades. Não esqueçamos esta realidade: na nossa viagem pela vida, não caminhamos sozinhos, arrastando sem objetivo a nossa pequenez, a nossa miséria, a nossa debilidade; mas ao longo de todo o nosso percurso pela história, o nosso Deus vai ao nosso lado, apontando-nos, com amor, os caminhos que nos conduzem à felicidade e à vida verdadeira.

2 - O surdo-mudo, incapaz de escutar a Palavra de Deus, representa esses homens que vivem fechados aos projetos e aos desafios de Deus, ocupados em construir a sua vida de acordo com esquemas de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, que não precisam de Deus nem das suas propostas. O homem do nosso tempo já nem gasta tempo a negar Deus; limita-se a ignorá-l’O, surdo aos seus desafios e às suas indicações. O que é que as propostas de Deus significam para mim? Dou ouvidos aos apelos e desafios de Deus, ou aos valores e propostas que o mundo me apresenta? Quando tenho que fazer opções, o que é que conta: as propostas de Deus ou as propostas do mundo?

3 - Antes de curar o surdo-mudo, Jesus “ergueu os olhos ao céu”. O gesto de Jesus recorda-nos que é preciso manter sempre, no meio da ação, a referência a Deus. É necessário dialogarmos continuamente com Deus para descobrir os seus projetos, para perceber as suas propostas, para ser fiel aos seus planos; é preciso tomar continuamente consciência de que é Deus que age no mundo através dos nossos gestos; é preciso que toda a nossa ação encontre em Deus a sua razão última: se isso não acontecer, rapidamente a nossa ação perde todo o sentido.


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COMENTÁRIO
ANIMO, NÃO TEMAS!


Tinha um homem surdo e gago, falava com dificuldade. Isto é, não tinha comunicação possível. Nem dele para a sociedade nem da sociedade para ele. Por isso, o surdo-mudo não foi até Jesus, mais o levaram-no até Jesus. Na realidade não era mais que uma espécie de uma coisa inútil. Mas Jesus faz o milagre. Cura-lhe, abre-lhe à realidade que lhe circunda. De repente, a comunicação restabelece-se. Aquele homem, que pela falta de comunicação se tinha convertido praticamente em uma coisa, voltava a ser pessoa, membro da sociedade, irmão de seus irmãos. Como não se iam alegrar e admirar os que o viam!

Jesus cumpre assim as expectativas do povo, representadas nas palavras do profeta Isaías na primeira leitura. Nelas está o título desta homilia. São palavras que podemos sentir como dirigidas a cada um de nós por parte de Deus: “ÂNIMO. NÃO TEMAM!” Porque Deus está conosco. Porque o Deus de Jesus é Pai e não quer que nenhum de seus filhos fique convertido em um traste inútil, que se despreza e se deixa de lado. Deus quer seus filhos sentados todos à mesma mesa, ao mesmo nível, compartilhando juntos o pão das alegrias e as penas, dos gozos e as penalidades que implica sempre a vida humana. Deus quer seus filhos vivendo juntos no amor e na esperança. Porque ele é pai e mãe que cuida sempre de seus filhos. E seus filhos, o que não podem fazer é perder a esperança e a confiança em seu Pai. Por isso, não devemos nada temer. Deus vem em pessoa para nos salvar.

Nesta perspectiva, a dos filhos e filhas de um só Pai, entendemos melhor as palavras da carta de são Tiago. Como é possível que na comunidade cristã se faça acepção de pessoas? Como é possível que siga havendo títulos, distinções e privilégios? Como é possível que se siga tendo lutas pelo poder e pelos primeiros postos? Tenhamos muito cuidado para colocar esses problemas apenas nas grandes alturas da Igreja. Isso acontece também nas comunidades paroquiais, nos grupos e movimentos, nas comunidades religiosas. Todos o sabemos por experiência. Por isso, devemos estar muito vigilantes. Não devemos pensar que o que diz Tiago é para outros. Ele fala para a sua comunidade daqueles tempos e o diz também para a nossa comunidade de hoje. A tentação do poder sempre estará presente no coração humano e é uma ameaça forte e permanente para a fraternidade do Reino. Faz exatamente o contrário do que fez Jesus ao curar ao surdo-mudo. Exclui, divide e separa em vez de unir e juntar.


Para a reflexão   


Há lutas pelo poder e os privilégios em minha comunidade? Que fazemos para nos defender dessa tentação? Como se trata aos marginalizados em minha comunidade? Talvez a resposta a esta última pergunta seja a chave para libertar da luta pelo poder.


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FONTES DE REFERÊNCIA

Ciudadredonda  - Fernando Torres, cmf 
Liturgia Diária  
Dehonianos


 

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