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XIV Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XIV Domingo do Tempo Comum revela que Deus chama, continuamente, pessoas para serem testemunhas no mundo do seu projeto de salvação. Não interessa se essas pessoas são frágeis e limitadas; a força de Deus revela-se através da fraqueza e da fragilidade desses instrumentos humanos que Deus escolhe e envia.
A primeira leitura apresenta-nos um resumo do relato da vocação de Ezequiel. A vocação profética é aí apresentada como uma iniciativa de Jahwéh, que chama um “filho de homem” (isto é, um homem “normal”, com os seus limites e fragilidades) para ser, no meio do seu Povo, a voz de Deus.
Na segunda leitura, Paulo assegura aos cristãos de Corinto (recorrendo ao seu exemplo pessoal) que Deus atua e manifesta o seu poder no mundo através de instrumentos débeis, finitos e limitados. Na ação do apóstolo - ser humano, vivendo na condição de finitude, de vulnerabilidade, de debilidade - manifesta-se ao mundo e aos homens a força e a vida de Deus.
O Evangelho, ao mostrar como Jesus foi recebido pelos seus conterrâneos em Nazaré, reafirma uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando os homens se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios que Deus lhes apresenta.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência

Primeira Leitura
SÃO UM BANDO DE REBELDES, E FICARÃO
SABENDO QUE HOUVE ENTRE ELES UM PROFETA.

Leitura do Profecia de Ezequiel (2,2-5)


2Naqueles dias, depois de me ter falado,
entrou em mim um espírito que me pôs de pé.
Então, eu ouvi aquele que me falava,
3o qual me disse:
'Filho do homem,
eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes,
que se afastaram de mim.
Eles e seus pais se revoltaram contra mim 
até ao dia de hoje.
4A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra,
vou-te enviar, e tu lhes dirás:
'Assim diz o Senhor Deus.`
5Quer te escutem, quer não
- pois são um bando de rebeldes -
ficarão sabendo que houve entre eles um profeta'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Os “profetas” não são um grupo humano extinto há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles?

2 -  No Batismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Cada um de nós tem a sua história de vocação profética: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta. Temos consciência de que Deus nos chama – às vezes de formas bem banais – à missão profética? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de nós? Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?

3 -  O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo, em uma mão a Bíblia, na outra a internet. Vivendo em comunhão com Deus e intuindo o projeto que Ele tem para o mundo, e confrontando esse projeto com a realidade humana, o profeta percebe a distância que vai do sonho de Deus à realidade dos homens. É aí que ele intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. Somos estas pessoas, simultaneamente em comunhão com Deus e atentas às realidades que desfiguram o nosso mundo? Concretamente, em que situações sou chamado a exercer a minha vocação profética?

4 – É preciso ter consciência que as nossas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer confiar-nos: se Ele nos pede um serviço, nos da também a força para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede. As fragilidades que fazem parte da nossa humanidade não podem, em nenhuma circunstância, servir de desculpa para não cumprirmos a nossa missão profética no meio dos nossos irmãos.


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Salmo Responsorial
OS NOSSOS OLHOS, ESTÃO FITOS NO SENHOR:
TENDE PIEDADE, Ó SENHOR TENDE PIEDADE! 
Sl 122,1-2a.2bcd.3-4 (R. 2cd)


Os nossos olhos, estão fitos no Senhor:
tende piedade, ó Senhor tende piedade!

1Eu levanto os meus olhos para vós,
que habitais nos altos céus.
2aComo os olhos dos escravos estão fitos
nas mãos do seu senhor.

Os nossos olhos, estão fitos no Senhor:
tende piedade, ó Senhor tende piedade!

2bcomo os olhos das escravas estão fitos
nas mãos de sua senhora,
2cassim os nossos olhos, no Senhor,
2daté de nós ter piedade.

Os nossos olhos, estão fitos no Senhor:
tende piedade, ó Senhor tende piedade!

3Tende piedade, ó Senhor, tende piedade;
já é demais esse desprezo!
4Estamos fartos do escárnio dos ricaços
e do desprezo dos soberbos!

Os nossos olhos, estão fitos no Senhor:
tende piedade, ó Senhor tende piedade!


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Segunda Leitura
GLORIAR-ME-EI DAS MINHAS FRAQUEZAS, PARA
QUE A FORÇA DE CRISTO HABITE EM MIM.
Leitura da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (12,7-10)


Irmãos:

7Para que a extraordinária grandeza
das revelações não me ensoberbecesse,
foi espetado na minha carne um espinho,
que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me,
a fim de que eu não me exalte demais.
8A esse propósito,
roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim.
9Mas ele disse-me: 'Basta-te a minha graça.
Pois é na fraqueza que a força se manifesta'.
Por isso, de bom grado,
eu me gloriarei das minhas fraquezas,
para que a força de Cristo habite em mim.
10Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias,
nas necessidades, nas perseguições
e nas angústias sofridas por amor a Cristo.
Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O caso pessoal de Paulo nos diz muito sobre os métodos de Deus… Para vir ao encontro dos homens e para lhes apresentar a sua proposta de salvação, Deus não utiliza métodos espetaculares, poderosos, majestosos, que se impõem de forma avassaladora e que deixam uma marca de espanto na memória dos povos; mas, quase sempre, Deus utiliza da fraqueza, debilidade, fragilidade e da simplicidade para nos dar a conhecer os seus caminhos. A Palavra de Deus que hoje nos é proposta garante-nos que é na fraqueza que se revela a força de Deus. Precisamos aprender a ver o mundo, os homens e as coisas com os olhos de Deus e descobrir esse Deus que, na debilidade, na simplicidade, na pobreza, na fragilidade, vem ao nosso encontro e nos indica os caminhos da vida.

2 - A consciência de que as suas qualidades e defeitos não são determinantes para o sucesso da missão, pois o que é importante é a graça de Deus leve o “profeta” a despir-se de qualquer sentimento de orgulho ou de autossuficiência. O “profeta” deve sentir-se, apenas, um instrumento humano, frágil, débil e limitado, através do qual a força e a graça de Deus agem no mundo. Quando o “profeta” tem consciência desta realidade, percebe como são despropositadas e sem sentido quaisquer atitudes arrogantes ou de busca de protagonismo, no cumprimento da missão… A missão do “profeta” não é atrair sobre si próprio as câmaras da televisão ou o olhar das multidões; a missão do “profeta” é servir de veículo humano à proposta libertadora de Deus para os homens.

3 - Como pano de fundo do nosso texto, está a polemica de Paulo com alguns cristãos que não o aceitavam. Ao longo de todo o seu percurso missionário, Paulo teve de lidar frequentemente com a incompreensão; e, muitas vezes, essa incompreensão veio até dos próprios irmãos na fé e dos membros dessas comunidades a quem Paulo tinha levado, com muito esforço, o anúncio libertador de Jesus. No entanto, a incompreensão nunca abalou a decisão e o entusiasmo de Paulo no anúncio da Boa Nova de Jesus… Ele sentia que Deus o tinha chamado a uma missão e que era preciso levar essa missão até ao fim... Frequentemente, temos de lidar com realidades semelhantes. Todos já experimentamos momentos de incompreensão e de oposição (que, muitas vezes, vêm do interior da nossa própria comunidade e que, por isso, magoam mais). É nesse momento que o exemplo de Paulo deve brilhar diante dos nossos olhos e nos ajudar a vencer o desânimo e a tentação de desistir.

4 - Neste texto de Paulo, transparece a atitude de vida de um cristão para quem Cristo é, verdadeiramente, o centro da própria existência e que só vive em função de Cristo… Nada mais lhe interessa senão anunciar as propostas de Cristo e dar testemunho da graça salvadora de Cristo. Que lugar ocupa Cristo na minha vida? Que lugar ocupa Cristo nos meus projetos, nas minhas decisões, nas minhas opções, nas minhas atitudes?


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Evangelho
UM PROFETA SÓ NÃO É ESTIMADO EM SUA PÁTRIA.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Marcos (6, 1-6)


Naquele tempo:
1Jesus foi a Nazaré, sua terra,
e seus discípulos o acompanharam.
2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.
Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam:
'De onde recebeu ele tudo isto?
Como conseguiu tanta sabedoria?
E esses grandes milagres
que são realizados por suas mãos?
3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria
e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão?
Suas irmãs não moram aqui conosco?'
E ficaram escandalizados por causa dele.
4Jesus lhes dizia: 'Um profeta só não é estimado
em sua pátria, entre seus parentes e familiares'.
5E ali não pôde fazer milagre algum.
Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
6E admirou-se com a falta de fé deles.
Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O texto do Evangelho repete uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Normalmente, Ele não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, muitas vezes, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na debilidade, na pobreza, nas situações mais simples e banais, nas pessoas mais humildes e despretensiosas… É preciso que interiorizemos a lógica de Deus, para que não percamos a oportunidade de O encontrar, de perceber os seus desafios, de acolher a proposta de vida que Ele nos faz…

2 - Um dos elementos que nos questiona no episódio é que o Evangelho deste domingo nos propõe uma atitude de fechamento a Deus e aos seus desafios, assumida pelos habitantes de Nazaré. Comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, eles decidiram que sabiam tudo sobre Deus e que Deus não podia estar no humilde carpinteiro que eles conheciam bem… Esperavam um Deus forte e majestoso, que se imporia de forma estrondosa, assombrando os inimigos com a sua força; e Jesus não se encaixava nesse perfil. Preferiram renunciar a Deus, que tinha uma imagem diferente da que tinham construído. Há aqui um convite a não nos fecharmos nos nossos preconceitos e esquemas mentais bem definidos e arrumados, e o purificarmos continuamente, em diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta da Palavra revelada e na oração, a nossa perspectiva acerca de Deus.

3 - Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro” da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos, que não se distinguia em nada das outras famílias que habitavam na vila; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus – perfeitamente conhecido, julgado e catalogado – lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente… Isto nos deve fazer pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos… Somos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz?

4 - Jesus assume-Se como um profeta, isto é, alguém a quem Deus confiou uma missão e que testemunha no meio dos seus irmãos as propostas de Deus. A nossa identificação com Jesus faz de nós continuadores da missão que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa, em cada momento, a proposta de salvação que Deus quer fazer a todos os homens?

5 - Apesar da incompreensão dos seus concidadãos, Jesus continuou em absoluta fidelidade aos planos do Pai, dando testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazaré, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a dinâmica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreensões e oposições… Frequentemente, os discípulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho não é entendido nem acolhido (nunca aconteceu pensarmos, depois de um trabalho esgotante e exigente, que perdemos tempo?)… A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projetos e sabe como transformar um fracasso num êxito.


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Comentário
SABERÃO QUE TEVE UM PROFETA NO MEIO DELES


Primeiramente, não é profeta o que prediz o futuro. Os adivinhadores não são profetas. Além disso, na maior parte das vezes costumam-se equivocar. O profeta não diz o que vai acontecer, mais vive e atua de maneira que as coisas aconteçam de outra forma. Tem um estilo de vida diferente e provocativo. Sua palavra conecta realidades que temos esquecido. Ante ele sentimos que o terreno se move debaixo de nossos pés, que o que nos parece normal, ao qual estamos acostumados, não é tão normal assim. E que não deveríamos nos acostumar com isso. O profeta não prediz o futuro senão que nos abre a um novo futuro e nos convida a entrar nele. Em nossas mãos está o escutar e entrar por esse caminho novo ou recusá-lo. Mas sempre, pelo terremoto que suscitou sua palavra e sua presença em nossa vida, saberemos que teve um profeta entre nós.    

Assim foi profeta Jesus. Quando voltou a seu povo, as pessoas não faziam mais que se perguntar e se admirar. Algo novo tinha naquele homem ao qual todos tinham conhecido de criança. As palavras de Jesus estavam ditas com autoridade. Traziam a novidade consigo. Falava de Deus como quem o conhecia de perto e o tratava na intimidade. Oferecia uma esperança nova para os que viviam em uma luta diária, simplesmente para chegar ao dia seguinte. Mas escutar suas palavras os obrigava a sair dessa vida rotineira e habitual. As palavras de Jesus tiravam as pessoas do vazio da vida para escuta-lo. Isso fez com que se sentissem desconfortáveis. Os de seu povo preferia pensar que estava louco, que o que dizia não fazia sentido, que era impossível que dissesse algo com sentido, o que não era mais do que o filho de Maria, o carpinteiro. Por isso Jesus não pôde fazer ali nenhum milagre. Não se abriu nenhum futuro novo para os habitantes de Nazaré. Eles mesmos fecharam o caminho.  

Hoje não faltam profetas. Também não os aceitamos como tais. Simplesmente porque os conhecemos. Utilizamos o mesmo argumento que usaram os compatriotas de Jesus. E nos fechamos às novas possibilidades, caminhos e esperanças que Deus nos abre através deles. Porque os profetas são homens e mulheres animados pelo Espírito de Deus. Marcam diferenças, sacam-nos do habitual e fazem-nos intuir formas novas de viver, mais humanas, mais fraternas, mais livres, mais justas. Neles reside a força de Cristo, a força de Deus. Certamente têm suas debilidades. Não são santos de altar. Mas, como diz Paulo na segunda leitura, seguramente aprenderam a viver com elas e a se gloriar em Cristo e não em si mesmos. Através deles fala o Espírito. Se não os escutamos, pior para nós!


Para a reflexão


Quem são hoje profetas para nós? Cite alguns nomes, podem ser personagens importantes ou pessoas mais próximas. Em que medida as escutamos? Sente que, se os escutasse, poderia viver de outra maneira? Ser mais feliz? Mais livre? Mais justo? Mais solidário?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB 
Ciudad Redonda: Comunidad Católica - Fernando Torres, cmf 
Família Dehoniana


 

 

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