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III Domingo da Quaresma (Ano B)

A liturgia do III Domingo da Quaresma dá-nos conta da eterna preocupação de Deus em conduzir os homens ao encontro da vida nova. Nesse sentido, a Palavra de Deus que nos é proposta apresenta sugestões diversas de conversão e de renovação.
Na primeira leitura, Deus oferece-nos um conjunto de indicações (“mandamentos”) que devem balizar a nossa caminhada pela vida. São indicações que dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência: a nossa relação com Deus e a nossa relação com os irmãos.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus… É preciso que descubramos que a salvação, a vida plena, a felicidade sem fim não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, de importância, mas está na lógica da cruz, isto é, no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.
No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “Novo Templo” onde Deus Se revela aos homens e lhes oferece o seu amor. Convida-nos a olhar para Jesus e a descobrir nas suas indicações, no seu anúncio, no seu “Evangelho” essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


PRIMEIRA LEITURA
A LEI FOI DADA POR MOISÉS.
LEITURA DO LIVRO DO ÊXODO (20,1-17)

Naqueles dias:
1Deus pronunciou todas estas palavras:
2'Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito,
da casa da escravidão.
3Não terás outros deuses além de mim.
4Não farás para ti imagem esculpida, 
nem figura alguma
do que existe em cima, nos céus,
ou embaixo, na terra,
ou do que existe nas águas, debaixo da terra.
5Não te prostrarás diante destes deuses
nem lhes prestarás culto,
pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento.
Castigo a culpa dos pais nos filhos
até à terceira e quarta geração dos que me odeiam,
6mas uso da misericórdia por mil gerações
com aqueles que me amam
e guardam os meus mandamentos.
7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão,
porque o Senhor não deixará sem castigo
quem pronunciar seu nome em vão.
8Lembra-te de santificar o dia de sábado.
9Trabalharás durante seis dias
e farás todos os teus trabalhos,
10mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus.
Não farás trabalho algum,
nem tu, nem teu filho, nem tua filha,
nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado,
nem o estrangeiro que vive em tuas cidades.
11Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra,
o mar e tudo o que eles contêm;
mas no sétimo dia descansou.
Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o
santificou.
12Honra teu pai e tua mãe,
para que vivas longos anos
na terra que o Senhor teu Deus te dará.
13Não matarás.
14Não cometerás adultério.
15Não furtarás.
16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
17Não cobiçarás a casa do teu próximo.
Não cobiçarás a mulher do teu próximo, 
nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi,
nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Os mandamentos que dizem respeito à relação do homem com Deus sublinham a centralidade que Deus deve assumir no coração e na vida do seu Povo. Na vida de todos os dias somos, com frequência, seduzidos por outros “deuses”: o dinheiro, o poder, os afetos humanos, a realização profissional, o reconhecimento social, os interesses egoístas, as ideologias, os valores da moda; que se tornam o objetivo supremo, no valor último que condiciona os nossos comportamentos, as nossas atitudes e as nossas opções. Com frequência, prescindimos de Deus e instalamo-nos num esquema de orgulho e de autossuficiência que coloca Deus e as suas propostas fora da nossa vida. A Palavra de Deus garante-nos: esse não é um caminho que nos conduza em direção à vida definitiva e à liberdade plena. Neste tempo de Quaresma, somos convidados a voltarmo-nos para Deus e a redescobrirmos o seu papel fundamental na nossa existência… Quais são os “deuses” que nos seduzem mais e que condicionam a nossa vida, as nossas tomadas de posição, as nossas opções? Qual o espaço que reservamos, na nossa vida, para o verdadeiro Deus?

2- Os mandamentos que dizem respeito à nossa relação com os irmãos convidam-nos a despir esses comportamentos que geram violência, egoísmo, agressividade, cobiça, intolerância, escravidão, indiferença face às necessidades dos outros. Tudo aquilo que atenta contra a vida, a dignidade, os direitos dos nossos irmãos, é algo que gera morte, sofrimento, escravidão, para nós e para todos os que nos rodeiam e é algo que contribui para subverter os projetos de vida e de felicidade que Deus tem para nós e para o mundo. O que é que, nos meus gestos, nas minhas atitudes, nos meus valores, é gerador de injustiça, de sofrimento, de exploração, de escravidão, de morte, para mim e para todos aqueles que me rodeiam?


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SALMO RESPONSORIAL
SENHOR, TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA.
Sl 18, 8.9.10.11 (R Jo 6,68c)


Senhor, tens palavras de vida eterna. 

8A lei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.
Senhor, tens palavras de vida eterna. 
9Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
10É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.
Senhor, tens palavras de vida eterna. 
11Mais desejáveis do que o ouro são eles,
do que o ouro refinado.
Suas palavras são mais doces que o mel,
que o mel que sai dos favos.
Senhor, tens palavras de vida eterna. 


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SEGUNDA LEITURA
PREGAMOS CRISTO CRUCIFICADO, ESCÂNDALO PARA OS HOMENS;  MAS PARA OS CHAMADOS, SABEDORIA DE DEUS.
LEITURA DA PRIMEIRA CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS (1,22-25)


Irmãos:

22Os judeus pedem sinais milagrosos,
os gregos procuram sabedoria;
23nós, porém, pregamos Cristo crucificado,
escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos.
24Mas para os que são chamados,
tanto judeus como gregos,
esse Cristo é poder de Deus
e sabedoria de Deus.
25Pois o que é dito insensatez de Deus
é mais sábio do que os homens,
e o que é dito fraqueza de Deus
é mais forte do que os homens.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1- A segunda leitura convida-nos a descobrir e a interiorizar a lógica de Deus, que é bem diferente da lógica dos homens. Os homens sentem-se mais seguros e confortáveis diante de líderes vencedores, que se impõem pela força e que exibem o seu poder através de gestos espetaculares; e Deus aparece-lhes na figura de um obscuro carpinteiro galileu, condenado pelas autoridades constituídas, abandonado por amigos e discípulos, escarnecido pelas multidões, e morto numa cruz fora dos muros da cidade. Os homens gostam de ser convencidos por projetos intelectualmente brilhantes, que apresentem argumentos fortes e uma lógica inquestionável; e Deus oferece-lhes um projeto de salvação que passa pela morte na cruz, em plena e radical contradição com todos os esquemas mentais e toda a lógica humana. O apóstolo Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus… É preciso que descubramos que a salvação, a vida plena, a felicidade sem fim não está numa lógica de poder, de autoridade, de riqueza, de importância, mas está no amor total, no dom da vida até às últimas consequências, no serviço simples e humilde aos irmãos.

2 - A força e a “sabedoria de Deus” manifestam-se na fragilidade, na pequenez, na obscuridade, na pobreza, na humildade. Sendo assim, não nos parecem ridículas, descabidas e pretensiosas as nossas poses de importância, de autoridade, de protagonismo, de êxito humano?

3 - “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios”. Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem anunciar a mensagem com verdade e radicalidade, renunciando à tentação de a suavizar, de a tornar mais “politicamente correta”, de a tornar menos radical e interpelativa. Às vezes, o invólucro “brilhante” com que envolvemos a Palavra torna-a mais atrativa, mas menos questionante e, portanto, menos transformadora.


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EVANGELHO
DESTRUÍ ESTE TEMPLO, E EM TRÊS DIAS EIU O LEVANTREI.
PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO JOÃO (2,13-25)


13Estava próxima a Páscoa dos judeus
e Jesus subiu a Jerusalém.
14No Templo,
encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas
e os cambistas que estavam aí sentados.
15Fez então um chicote de cordas
e expulsou todos do Templo,
junto com as ovelhas e os bois;
espalhou as moedas
e derrubou as mesas dos cambistas.
16E disse aos que vendiam pombas:
'Tirai isto daqui!
Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!'
17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde,
que a Escritura diz:
'O zelo por tua casa me consumirá'.
18Então os judeus perguntaram a Jesus:
'Que sinal nos mostras para agir assim?'
19Ele respondeu:
'Destruí, este Templo,
e em três dias o levantarei.'
20Os judeus disseram:
'Quarenta e seis anos foram precisos para a construção 
deste santuário e tu o levantarás em três dias?'
21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo.
22Quando Jesus ressuscitou,
os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito
e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa.
Vendo os sinais que realizava,
muitos creram no seu nome.
24Mas Jesus não lhes dava crédito,
pois ele conhecia a todos;
25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser
humano, porque ele conhecia o homem por dentro.
Palavra Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1- Como é que podemos encontrar Deus e chegar até Ele? Como podemos perceber as propostas de Deus e descobrir os seus caminhos? O Evangelho deste domingo responde: é olhando para Jesus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o seu amor, oferece aos homens a vida plena, faz-Se companheiro de caminhada dos homens e aponta-lhes caminhos de salvação. Neste tempo de Quaresma, tempo de caminhada para a vida nova do Homem Novo, somos convidados a olhar para Jesus e a descobrir nas suas indicações, no seu anúncio, no seu “Evangelho” essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

2 - Os cristãos são aqueles que aderiram a Cristo, que aceitaram integrar a sua comunidade, que comeram a sua carne e beberam o seu sangue, que se identificaram com Ele. Membros do Corpo de Cristo, os cristãos são pedras vivas desse novo Templo onde Deus Se manifesta ao mundo e vem ao encontro dos homens para lhes oferecer a vida e a salvação. Esta realidade supõe naturalmente, para os crentes, uma grande responsabilidade… Os homens do nosso tempo têm de ver no rosto dos cristãos o rosto bondoso e terno de Deus; têm de experimentar, nos gestos de partilha, de solidariedade, de serviço, de perdão dos cristãos, a vida nova de Deus; têm de encontrar, na preocupação dos cristãos com a justiça e com a paz, o anúncio desse mundo novo que Deus quer oferecer a todos os homens. Talvez o fato de Deus parecer tão ausente da vida, das preocupações e dos valores dos homens do nosso tempo tenha a ver com o facto de os discípulos de Jesus se demitirem da sua missão e da sua responsabilidade… O nosso testemunho pessoal é um sinal de Deus para os irmãos que caminham ao nosso lado? A vida das nossas comunidades dá testemunho da vida de Deus? A Igreja é essa “casa de Deus” onde qualquer homem ou qualquer mulher pode encontrar essa proposta de libertação e de salvação que Deus oferece a todos?


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COMENTÁRIO
A SALVAÇÃO NÃO É NEGOCIÁVEL. 


Este mundo é um mercado onde tudo se compra e se vende. Os anúncios publicitários nos informam continuamente de que podemos obter tudo o que precisamos e a bons preços. E tantas vezes ouvimos a mensagem que terminamos também concordando. De olhos fechados. Às vezes pensamos que isso é típico de nossa sociedade capitalista, mas não é assim. Ao longo da história sempre tem estado presente na mentalidade das pessoas, de uma forma ou outra, essa ideia de que tudo pode ser comprado. E, como não, essa ideia também tem estado presente na relação com Deus. Deus também se compra. Supõe-se que ele tem algo a nos oferecer e que nós podemos dar algo em troca. Tudo fica em um “toma lá, dá cá”. Talvez por isso os judeus tinham convertido o templo em um mercado, como conta o Evangelho de João. Não só porque tivesse ali muitos cambistas e postos onde se vendiam as oferendas para o templo, lembranças e coisas parecidas. O pior era a mentalidade da gente que pensava que oferecer aquelas coisas era o preço que tinham que pagar para obter o favor de Deus, aplacar sua ira ou obter o perdão dos pecados.

Em frente a essa ideia, as leituras deste domingo lançam uma mensagem poderosa: NOSSO DEUS NÃO ESTÁ A VENDA, nosso Deus não está no mercado da vida oferecendo paz de consciência ou tranquilidade ou saúde ou... Nosso Deus não vende nem compra nada. Nosso Deus é o que nos tirou do Egito, o que nos libertou da escravatura. Esse é nosso Deus. Deus é o que deu a liberdade, a vida e a salvação aos que viviam na escravatura e na morte. Sem pedir nada em troca, sem colocar um preço prévio. Sua única condição: que vivamos a liberdade, que não nos deixemos escravizar por nada nem por ninguém, que compartilhemos a vida. Podemos reler todos os mandamentos da primeira leitura e veremos como todos eles são libertadores, todos convidam a pessoa a viver em solidariedade e em fraternidade, em liberdade e respeitando a liberdade dos outros.

Na Quaresma, Deus se manifesta como o que nos liberta da escravidão, de todas as escravidões. Até da morte, que é a última das escravidões. Assim o experimentaremos quando celebrarmos a ressurreição de Jesus nos dias já não longínquos da Páscoa. E isso faz Deus por pura graça, por puro amor nosso. Não há preço que pagar, não há condições prévias. Não temos que vir à Igreja como se fosse parte do preço de nossa salvação. Deus nos ama. E basta. Em nós devemos ser agradecidos pelo que nos presenteia e o compartilhar com os que nos rodeiam. Em nós está o amar como ele nos ama. Em nós está o reconhecer como Pai o que tanto nos ama. 


Para a reflexão


Quando participo da missa ou quando rezo alguma oração, penso que é algo que devo a Deus? Como deveria “pagar” a Deus todo o amor e a liberdade que me presenteou em seu filho Jesus? Como poderia compartilhar esses presentes com meus irmãos e irmãs?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad Católica
Família Dehoniana


 

 

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