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VI Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do VI Domingo do Tempo Comum apresenta-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que convida todos os homens e todas as mulheres a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos a legislação que definia a forma de tratar com os leprosos. Impressiona como, a partir de uma imagem deturpada de Deus, os homens são capazes de inventar mecanismos de discriminação e de rejeição em nome de Deus.
O Evangelho diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projetos todos os mecanismos de opressão dos irmãos.
A segunda leitura convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projetos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.


 


PRIMEIRA LEITURA  
SALMO RESPONSORIAL  
SEGUNDA LEITURA
EVANGELHO
COMENTÁRIO


PRIMEIRA LEITURA
O LEPROSO DEVE FICAR ISOLADO E MORAR FORA DO ACAMPAMENTO.
Leitura do Livro do Levítico (13,1-2.44-46)


1O Senhor falou a Moisés e Aarão, dizendo:
2'Quando alguém tiver na pele do seu corpo
alguma inflamação, erupção ou mancha branca,
com aparência do mal da lepra,
será levado ao sacerdote Aarão,
ou a um dos seus filhos sacerdotes.
44Se o homem estiver leproso é impuro,
e como tal o sacerdote o deve declarar.
45O homem atingido por este mal
andará com as vestes rasgadas,
os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando:
'Impuro! Impuro!'
46Durante todo o tempo em que estiver leproso
será impuro;
e, sendo impuro,
deve ficar isolado e morar fora do acampamento'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - O texto da primeira leitura não contém propriamente um ensinamento claro e direto acerca de Deus ou acerca do comportamento da homem face a Deus. No entanto, ela tem o seu valor e a sua importância: prepara-nos para entender a novidade de Jesus, essa novidade que o Evangelho de hoje nos apresenta. Jesus virá demonstrar que Deus não marginaliza nem exclui ninguém e que todos os homens são chamados a integrar a família dos filhos de Deus.

2 – Indiretamente o texto da primeira leitura denuncia a atitude daqueles que, instalados nas suas certezas e seguranças, constroem um Deus à medida do homem e que atua segundo uma lógica humana, injusta, prepotente, criadora de exclusão e de marginalização. NÃO TEMOS QUE CRIAR UM DEUS que atue de acordo com os nossos esquemas mentais, com as nossas lógicas e preconceitos; o que temos é de tentar perceber e acolher a lógica de Deus.

3 – Indiretamente o texto da primeira leitura nos convida a repensar as nossas atitudes e comportamentos face aos nossos irmãos. Não será possível que os nossos preconceitos, a nossa preocupação com o legalismo, a nossa obsessão pelo politicamente correto estejam criando marginalização e exclusão para os nossos irmãos? Não pode acontecer que, em nome de Deus, dos “princípios”, da “verdadeira doutrina”, das exigências de radicalidade, estejamos afastando as pessoas, as condenando, as impedindo de fazer uma verdadeira experiência de Deus e de comunidade?


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SALMO RESPONSORIAL
SOIS, SENHOR, PARA MIM, ALEGRIA E REFÚGIO.
Sl 31,1-2.5.11 (R.7)


Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

1Feliz o homem que foi perdoado
e cuja falta já foi encoberta!
2Feliz o homem a quem o Senhor 
não olha mais como sendo culpado,
e em cuja alma não há falsidade!

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

5Eu confessei, afinal, meu pecado,
e minha falta vos fiz conhecer.
Disse: 'Eu irei confessar meu pecado!'
E perdoastes, Senhor, minha falta.

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

11Regozijai-vos, ó justos, em Deus,
e no Senhor exultai de alegria!
Corações retos, cantai jubilosos!

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.


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SEGUNDA LEITURA
SEDE MEUS IMITADORES, COMO TAMBÉM EU O SOU DE CRISTO.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (10,31-11,1)


Irmãos:
10,31Quer comais, quer bebais,
quer façais qualquer outra coisa,
fazei tudo para a glória de Deus.
32Não escandalizeis ninguém, nem judeus, nem gregos,
nem a igreja de Deus.
33Fazei como eu,
que procuro agradar a todos, em tudo,
não buscando o que é vantajoso para mim mesmo,
mas o que é vantajoso para todos,
a fim de que sejam salvos.
11,1 Sede meus imitadores,
como também eu o sou de Cristo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - A liberdade é um valor absoluto? Devemos defender e afirmar intransigentemente os nossos direitos em todas as circunstâncias? A realização dos nossos projetos pessoais deve ser a nossa principal prioridade? Paulo deixa claro que, para o cristão, o valor absoluto ao qual todo o resto se deve subordinar é o AMOR. O cristão sabe que, em certas circunstâncias, pode ser convidado a renunciar aos próprios direitos, à própria liberdade, aos próprios projetos porque a caridade ou o bem dos irmãos assim o exigem. Mesmo que um determinado comportamento seja legítimo, o cristão deve evitá-lo se esse comportamento faz mal a alguém.

2 - A propósito, Paulo se refere ao exemplo de Cristo, a quem todo o cristão deve imitar. Na verdade, Cristo colocou sempre como prioridade absoluta os planos de Deus, apesar de ser “mestre” e “Senhor”, multiplicou os gestos de serviço e fez da sua vida uma entrega total aos homens, até à morte. É este mesmo caminho que nos é proposto… Cada cristão deve ser capaz de prescindir dos seus interesses e esquemas pessoais, a fim de dar prioridade aos projetos de Deus; cada cristão deve ser capaz de ultrapassar o egoísmo e o comodismo, a fim de fazer da sua própria vida um serviço e um dom de amor aos irmãos.


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EVANGELHO
A LEPRA DESAPARECEU E O HOMEM FICOU CURADO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (1,40-45)


Naquele tempo:
40Um leproso chegou perto de Jesus,
e de joelhos pediu:
'Se queres tens o poder de curar-me'.
41Jesus, cheio de compaixão,
estendeu a mão, tocou nele, e disse:
'Eu quero: fica curado!'
42No mesmo instante a lepra desapareceu
e ele ficou curado.
43Então Jesus o mandou logo embora,
44falando com firmeza:
'Não contes nada disso a ninguém!
Vai, mostra-te ao sacerdote
e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou,
como prova para eles!'
45Ele foi e começou a contar
e a divulgar muito o fato.
Por isso Jesus não podia mais
entrar publicamente numa cidade:
ficava fora, em lugares desertos.
E de toda parte vinham procurá-lo.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O Evangelho nos fala de um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que Se faz pessoa e que desce ao encontro dos seus filhos, que lhes apresenta propostas de vida nova e que os convida a viver em comunhão com Ele e a integrar a sua família. É um Deus que não exclui ninguém e que não aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos. Às vezes há pessoas, as vezes bem-intencionadas, inventam mecanismos de exclusão, de segregação, de sofrimento, em nome de um Deus severo, intolerante, distante, incapaz de compreender os limites e as fragilidades do homem. TRATA-SE DE UM ATENTADO CONTRA DEUS. O Deus que somos convidados a descobrir, a amar, a testemunhar no mundo, é o Deus de Jesus Cristo, um Deus que vem ao encontro de cada homem, que Se compadece do seu sofrimento, que estende a mão com ternura, que o purifica, que oferece uma nova vida e que o integra na comunidade do “REINO”, que é a família onde todos têm lugar e onde todos são filhos amados de Deus.

2 - A atitude de Jesus em relação ao leproso é uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceitação. Jesus não está preocupado com o que é política ou religiosamente correto, ou com a indignidade das pessoas, ou com o perigo que representa para uma certa ordem social… Ele apenas vê em cada pessoa um irmão que Deus ama e a quem é preciso estender a mão e amar, também. Como é que lidamos com os excluídos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher, os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os “diferentes”... ou ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclusão e de discriminação?

3 - O gesto de Jesus de estender a mão e tocar o leproso é um gesto provocador, que denuncia uma Lei geradora de discriminação, de exclusão e de sofrimento. Com a autoridade de Deus, Ele retira qualquer valor a essa Lei e sugere que, do ponto de vista de Deus, essa Lei não tem qualquer significado. Hoje temos leis (umas escritas nos nossos códigos legais civis ou religiosos, outras que não estão escritas, mas que são consagradas pela moda e pelo politicamente correto) que são geradoras de marginalização e de sofrimento. Como Jesus, não podemos nos conformar com essas leis e muito menos pautar por elas os nossos comportamentos para com os nossos irmãos.

4 - O leproso, apesar da proibição de Jesus, “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”. Marcos sugere, desta forma, que o encontro com Jesus transforma de tal forma a vida do homem que ele não pode calar a alegria pela novidade que Cristo introduziu na sua vida e tem de dar testemunho. Somos capazes de testemunhar, no meio dos nossos irmãos, a libertação que Cristo nos trouxe?


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COMENTÁRIO
JESUS NOS CURA-NOS E NOS FAZ IRMÃOS


A lepra é uma doença que faz que a aparência externa da pessoa seja repugnante. Em tempos antigos, a lepra era uma doença temida. Temia-se seu aspecto, mas temia-se mais o contágio. O leproso era expulso da sociedade. Era melhor não o tocar. Corria-se o perigo de contaminar-se e tornar-se também um leproso. O círculo fecha-se sobre o leproso que não tem escapatória. Ninguém quer aproximar-se dele, ninguém o ajudará. É impuro e contamina aos demais. Qualquer que se aproxime dele será também colocado à parte. A sociedade primitiva mostrava assim seu temor ante uma doença para qual não tinha meios de com se defender.

Hoje sabemos que podemos curar a lepra. Mas há outras “lepras”, outras realidades sociais, frente às quais nos sentimos mal e preferimos olhar para o outro lado, expulsar da sociedade os que sofrem, os marginalizados e abandona-los na valeta. Leprosos são agora os imigrantes e migrantes, os que saem do cárcere, os pobres... Leprosos são todos os que são diferentes de nossa raça, cultura, religião ou língua. De todos eles nos separamos.... Marcamos fronteiras e limites que não devem ser ultrapassados. Sua presença próxima de nós faz com que nos sintamos mal (impuros). Por isso os mantemos longe e afastados.

Jesus rompe essas barreiras artificiais. Cura o leproso. Assim demonstra que sua doença não é fonte de impureza, não mata. E o faz tocando-o. É um momento “chave” porque Jesus, ao tocar o leproso, faz-se oficialmente impuro. Faz-se a si mesmo marginalizado. Assim é como Deus que nos cura e nos salva. Faz-se um conosco. Toca-nos e, ao nos tocar rompe as barreiras que a sociedade estabeleceu entre os bons e os maus, os puros e os impuros, os justos e os injustos. Deus aproxima e une, junta e não divide, convoca a todos a formar a única família de Deus.

É necessário entender que o leproso não obedeceu a Jesus e contou a todos que tinha sido curado, sabendo disso as pessoas procurarão por Jesus. Hoje nos aproximamos de Jesus para curar nossa lepra. E ele nos cura. Mas, ao mesmo tempo, nos lembra que, assim como nos cura, não há razão para marginalizar os outros, que não há casos perdidos, que para Deus todos nós temos um futuro. É como na segunda leitura, devemos fazer tudo para a glória de Deus, que não é senão o bem para a pessoa humana. Para isso, o melhor que podemos fazer é, como Paulo, seguir o exemplo de Cristo e abordar todos os leprosos do nosso mundo para curá-los e convidá-los a fazer parte da família humana. Isso nada mais é do que estar com Jesus, filho de Deus.


Para a reflexão


Cura-nos Jesus de nossas lepras? Há outras lepras que vemos nos outros que nos dão medo e que nos fazem nos afastar deles? Que podemos fazer para que não se sintam marginalizados? Para que se sintam membros da família de Deus?


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Fontes de referência


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB         
Ciudad Redonda: Comunidad católica    
Família Dehoniana


 

 

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