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III Domingo da Páscoa - "A"

A liturgia deste III Domingo da Pascoa convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para “partir o pão”; apela, ainda, para que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens. É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para “partir o pão”. É aí que os discípulos O reconhecem.
A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.
A segunda leitura convida a contemplar com olhos de ver o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos (2,14.22-33)


O texto da Primeira Leitura insiste numa mensagem que, nestes dias, aparece com grande insistência: Deus ressuscitou Jesus e não permitiu que a morte O derrotasse… A ressurreição de Cristo prova que uma vida gasta ao serviço do plano do Pai, na entrega aos homens, não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à exaltação, à vida plena. É conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e autossuficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude.


No dia de Pentecostes,

14Pedro de pé, junto com os onze apóstolos,
levantou a voz e falou à multidão:
22'Homens de Israel, escutai estas palavras:
Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus,
junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais
que Deus realizou, por meio dele, entre vós.
Tudo isto vós bem o sabeis.
23Deus, em seu desígnio e previsão,
determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos 
ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz.
24Mas Deus ressuscitou a Jesus,
libertando-o das angústias da morte,
porque não era possível que ela o dominasse.
25Pois Davi dele diz:
Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à
minha direita para eu não vacilar.
26Alegrou-se por isso meu coração
e exultou minha língua
e até minha carne repousará na esperança.
27Porque não deixarás minha alma
na região dos mortos nem permitirás que teu Santo
experimente corrupção.
28Deste-me a conhecer os caminhos da vida e
a tua presença me encherá de alegria.
29Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza
que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu
sepulcro está entre nós até hoje.
30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara
solenemente que um de seus descendentes
ocuparia o trono.
31É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e
anunciou com as palavras:
Ele não foi abandonado na região dos mortos
e sua carne não conheceu a corrupção.
32Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus
e disto todos nós somos testemunhas.
33E agora, exaltado pela direita de Deus,
Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido
pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 15,1-2a.5.7-8.9-10.11


Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

1Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
2Digo ao Senhor: 'Somente vós sois meu Senhor:
nenhum bem eu posso achar fora de vós!'
5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

7Eu bendigo o Senhor, que me aconselha,
e até de noite me adverte o coração.
8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

9Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
10pois não haveis de me deixar entregue à morte,
nem vosso amigo conhecer a corrupção. 

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

11Vós me ensinais vosso caminho para a vida; 
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro (1,17-21)


O texto da Segunda Leitura convida-nos, antes de mais, a contemplar o imenso amor de Deus pelos homens. Esse amor traduziu-se no envio do próprio Filho (Jesus Cristo), com uma proposta de salvação. Da fidelidade do Filho ao projeto do Pai resultou o seu confronto com o egoísmo e o pecado e a morte na cruz. Não há maior expressão de amor do que entregar a vida em favor de alguém; e é dessa forma que Deus nos ama. Temos consciência disso?


Caríssimos:
17Se invocais como Pai aquele que sem discriminação
julga a cada um de acordo com as suas obras,
vivei então respeitando a Deus
durante o tempo de vossa migração neste mundo.
18Sabeis que fostes resgatados
da vida fútil herdada de vossos pais,
não por meio de coisas perecíveis,
como a prata ou o ouro,
19mas pelo precioso sangue de Cristo,
como de um cordeiro sem mancha nem defeito.
20Antes da criação do mundo, ele foi destinado
para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu,
por amor de vós.
21Por ele é que alcançastes a fé em Deus.
Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória,
e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus.
Palavra do Senhor.


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 24,13-35


Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de esperança.


13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana,
dois dos discípulos de Jesus
iam para um povoado, chamado Emaús,
distante onze quilômetros de Jerusalém.
14Conversavam sobre todas as coisas que tinham 
acontecido.
15Enquanto conversavam e discutiam,
o próprio Jesus se aproximou
e começou a caminhar com eles.
16Os discípulos, porém, estavam como que cegos,
e não o reconheceram.
17Então Jesus perguntou:
'O que ides conversando pelo caminho?'
Eles pararam, com o rosto triste,
18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse:
'Tu és o único peregrino em Jerusalém
que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?'
19Ele perguntou: 'O que foi?'
Os discípulos responderam:
'O que aconteceu com Jesus, o Nazareno,
que foi um profeta poderoso em obras e palavras,
diante de Deus e diante de todo o povo.
20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes
o entregaram para ser condenado à morte e o 
crucificaram.
21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel,
mas, apesar de tudo isso,
já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!
22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo
nos deram um susto.
Elas foram de madrugada ao túmulo
23e não encontraram o corpo dele.
Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos
e que estes afirmaram que Jesus está vivo.
24Alguns dos nossos foram ao túmulo
e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito.
A ele, porém, ninguém o viu.'
25Então Jesus lhes disse:
'Como sois sem inteligência e lentos
para crer em tudo o que os profetas falaram!
26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso
para entrar na sua glória?'
27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas,
explicava aos discípulos
todas as passagens da Escritura
que falavam a respeito dele.
28Quando chegaram perto do povoado para onde iam,
Jesus fez de conta que ia mais adiante.
29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo:
'Fica conosco, pois já é tarde
e a noite vem chegando!'
Jesus entrou para ficar com eles.
30Quando se sentou à mesa com eles,
tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.
31Nisso os olhos dos discípulos se abriram
e eles reconheceram Jesus.
Jesus, porém, desapareceu da frente deles.
32Então um disse ao outro:
'Não estava ardendo o nosso coração
quando ele nos falava pelo caminho,
e nos explicava as Escrituras?'
33Naquela mesma hora, eles se levantaram
e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze
reunidos com os outros.
34E estes confirmaram:
'Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!'
35Então os dois contaram
o que tinha acontecido no caminho,
e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
Palavra da Salvação.


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Comentário
Ver, Julgar e Atuar.


Queridos irmãos,

Não sabemos ver Jesus Ressuscitado, como ocorre aos dois discípulos de Emaús. Vamos pelo caminho da vida, com uma mentalidade míope, pensando em nossos problemas, em nossas esperanças e ilusões fracassadas. Quando um desconhecido se aproxima do nosso caminhar, é um bom momento para falar de nós, ou de Jesus o Nazareno, uma vez morto, parece perder sentido: “Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! ”. Muitas vezes dizemos vamos buscar ao Mestre, mas o que buscamos é a nós mesmos.

Por isso, o desânimo com o que olhamos a vida, as queixas constantes, nosso afastamento da comunidade, o voltar a nos mesmos, a atitude covarde.... Nos torna impossível reconhecer naquele peregrino, o Ressuscitado. Para vê-lo, devemos sair de nosso ego, olhar ao homem que cruza em nosso caminho, que está próximo de nós, o que não vê a seu próximo, não pode ver a Jesus. Falamos muito e escutamos pouco, só quando se calaram e começaram a escutar ao companheiro de caminho, se abriu seu coração.

Começa com dureza: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?”. Começou-lhes a lembrar as Escrituras, precisamos voltar às fontes, para não criar um Jesus a nossa medida. Quantas vezes após escutar o Evangelho ou celebrar a Eucaristia, podemos dizer como eles: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras? ”. Nos oferece todo um modelo de acompanhamento, usando a Palavra de Deus, Jesus parte da situação pessoal dos dois discípulos, escutando-os e compreendendo seus problemas, e depois lhes fala, interpretando sua vida real e concreta à luz da Palavra.

Todo um processo, que conta com um VER (acompanhar pelo caminho, escutar), um JULGAR (desde as Escrituras e a fração do pão) e um ATUAR (desandar o caminho, anunciar o encontrado). Encontrar ao Ressuscitado exige passar pelos três momentos, não podemos pretender ver Jesus só nas Escrituras e na Eucaristia. A Eucaristia é antes que nada uma comida entre amigos, que quer fazer perdurar a presença dos companheiros de viagem, no gesto de compartilhar o mesmo pão, símbolo da vida com seus problemas e alegrias, descobrimos ao mesmo Jesus.

Uma vez descoberto como os dois de Emaús, esquecemos nossos cansaços e embora seja noite, nos levantamos e corremos alegres, para comunicar a boa nova a todos os irmãos: “Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. ”. É nossa história, você e eu somos os dois caminhantes, os que debatemos entre o ver e não ver. Crer na Ressurreição é a pedra de toque de nossa fé. Por isso a Páscoa, é um maravilhoso tempo para que reflitamos sobre no que cremos, sobre o qual agora chamamos Jesus Cristo, que em definitivo, é olhar nossa própria vida e a de nossos irmãos e captar nelas os sinais de esperança, de amor, de alegria, de mudança, de Ressurreição.

Poderíamos terminar com a primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, lembrando com São Pedro: “Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo
experimente corrupção. Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria.”. É Páscoa e embora invisível, o Ressuscitado faz-se visível na realidade quotidiana de nossa vida.


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