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Domingo de Ramos da Paixão do Senhor ‘A’

A liturgia deste Domingo de Ramos da Paixão do Senhor convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus - esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.


 


Evangelho - Procissão
Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Evangelho - Procissão
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (21,1-11)  


Naquele tempo:
1Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras.
Então Jesus enviou dois discípulos,
2dizendo-lhes: 'Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho.
Desamarrai-a e trazei-os a mim!
3Se alguém vos disser alguma coisa, direis:
'O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá'.'
4Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta:
5'Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti,
manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta.'
6Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado.
7Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou.
8A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.
9As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam:
'Hosana ao Filho de Davi!
Bendito o que vem em nome do Senhor!
Hosana no mais alto dos céus!'
10Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam:
'Quem é este homem?'
11E as multidões respondiam:
'Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.'
Palavra da Salvação.


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Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías (50,4-7)


Não sabemos, efetivamente, quem é este “servo de Jahwéh”; no entanto, os primeiros cristãos vão utilizar este texto como conjunto de fatos para interpretar o mistério de Jesus: Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação/libertação dos homens… A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na ressurreição que gera vida nova.


4O Senhor Deus deu-me língua adestrada,

para que eu saiba dizer
palavras de conforto à pessoa abatida;
ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido,
para prestar atenção como um discípulo.
5O Senhor abriu-me os ouvidos; 
não lhe resisti nem voltei atrás.
6Ofereci as costas para me baterem e 
as faces para me arrancarem a barba; 
não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.
7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador,
por isso não me deixei abater o ânimo,
conservei o rosto impassível como pedra,
porque sei que não sairei humilhado.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 21,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a)


Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

8Riem de mim todos aqueles que me vêem,
torcem os lábios e sacodem a cabeça:
9'Ao Senhor se confiou, ele o liberte*
e agora o salve, se é verdade que ele o ama!'

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

17Cães numerosos me rodeiam furiosos,
e por um bando de malvados fui cercado.
Transpassaram minhas mãos e os meus pés
18e eu posso contar todos os meus ossos.
Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

19Eles repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam entre si a minha túnica.
20Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe,
ó minha força, vinde logo em meu socorro!

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

23Anunciarei o vosso nome a meus irmãos
e no meio da assembléia hei de louvar-vos!
24Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores,
glorificai-o, descendentes de Jacó,
e respeitai-o toda a raça de Israel!

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (2,6-11)


Paulo tem consciência de que está pedindo aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido, nestes últimos dias antes da Páscoa, um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?


6Jesus Cristo, existindo em condição divina,
não fez do ser igual a Deus uma usurpação,
7mas ele esvaziou-se a si mesmo,
assumindo a condição de escravo 
e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano,
8humilhou-se a si mesmo,
fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.
9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo
e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10Assim, ao nome de Jesus,
todo joelho se dobre no céu,
na terra e abaixo da terra,
11e toda língua proclame: 'Jesus Cristo é o Senhor',
para a glória de Deus Pai.
Palavra do Senhor.


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Evangelho 
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus (26,14-27,66)


Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor…


O que me dareis se vos entregar Jesus?
Naquele tempo:
14Um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes
15e disse: 'O que me dareis se vos entregar Jesus?' Combinaram, então, trinta moedas de prata.
16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?
17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e perguntaram: 'Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?'
18Jesus respondeu: 'Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe:
'O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa,
junto com meus discípulos'.'
19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa.
Um de vós vai me trair.
20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos.
21Enquanto comiam, Jesus disse: 'Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair.'
22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar:
'Senhor, será que sou eu?'
23Jesus respondeu: 'Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato.
24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele.
Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!'
25Então Judas, o traidor, perguntou: 'Mestre, serei eu?'
Jesus lhe respondeu: 'Tu o dizes.'
Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue.
26Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção,
partiu-o, distribuiu-o aos discípulos, e disse: 'Tomai e comei, isto é o meu corpo.'
27Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo:
'Bebei dele todos.
28Pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos,
para remissão dos pecados.
29Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da videira,
até ao dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu Pai.'
30Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras.
Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão.
31Então Jesus disse aos discípulos: 'Esta noite, vós ficareis decepcionados por minha causa. Pois assim diz a Escritura: 'Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão.'
32Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a Galiléia.'
33Disse Pedro a Jesus: 'Ainda que todos fiquem decepcionados por tua causa, eu jamais ficarei.'
34Jesus lhe declarou: 'Em verdade eu te digo, que, esta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.'
35Pedro respondeu: 'Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei.' E todos os discípulos disseram a mesma coisa.
Começou a ficar triste e angustiado.
36Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: 'Sentai-vos aqui,
enquanto eu vou até ali para rezar!'
37Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado.
38Então Jesus lhes disse: 'Minha alma está triste até á morte. Ficai aqui e vigiai comigo!'
39Jesus foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou:
'Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres.'
40Voltando para junto dos discípulos, Jesus encontrou-os dormindo, e disse a Pedro:
'Vós não fostes capazes de fazer uma hora de vigília comigo?
41Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.'
42Jesus se afastou pela segunda vez e rezou: 'Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!'
43Ele voltou de novo e encontrou os discípulos dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono.
44Deixando-os, Jesus afastou-se e rezou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
45Então voltou para junto dos discípulos e disse: 'Agora podeis dormir e descansar.
Eis que chegou a hora e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores.
46Levantai-vos! Vamos! Aquele que me vai trair, já está chegando.'
Lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam.
47Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus. Vinham a mandado dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo.
48O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: 'Jesus é aquele que eu beijar; prendei-o!'
49Judas, logo se aproximou de Jesus, dizendo: 'Salve, Mestre!' E beijou-o.
50Jesus lhe disse: 'Amigo, a que vieste?' Então os outros avançaram lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam.
51Nesse momento, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada,
e feriu o servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha.
52Jesus, porém, lhe disse: 'Guarda a espada na bainha! pois todos os que usam a espada pela espada morrerão.
53Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai e ele me mandaria logo mais de doze legiões de anjos?
54Então, como se cumpririam as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer?
55E, naquela hora, Jesus disse à multidão: 'Vós viestes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. Todos os dias, no Templo, eu me sentava para ensinar, e vós não me prendestes.'
56Porém, tudo isto aconteceu para se cumprir o que os profetas escreveram.
Então todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram.
Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso.
57Aqueles que prenderam Jesus levaram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás,
onde estavam reunidos os mestres da Lei e os anciãos.
58Pedro seguiu Jesus de longe até o pátio interno da casa do Sumo Sacerdote.
Entrou e sentou-se com os guardas para ver como terminaria tudo aquilo.
59Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte.
60E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas.
Por fim, vieram duas testemunhas,

61que afirmaram: 'Este homem declarou: 'posso destruir o Templo de Deus e construí-lo de novo em três dias'.'
62Então o Sumo Sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: 'Nada tens a responder
ao que estes testemunham contra ti?'
63Jesus, porém, continuava calado. E o Sumo Sacerdote lhe disse: 'Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Messias, o Filho de Deus.'
64Jesus respondeu: 'Tu o dizes. Além disso, eu vos digo que de agora em diante
vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso,
vindo sobre as nuvens do céu.'
65Então o sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: 'Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora mesmo vós ouvistes a blasfêmia.
66Que vos parece?' Responderam: 'É réu de morte!'
67Então cuspiram no rosto de Jesus e o esbofetearam. Outros lhe deram bordoadas,
68dizendo: 'Faze-nos uma profecia, Cristo, quem foi que te bateu?'
Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.
69Pedro estava sentado fora, no pátio. Uma criada chegou perto dele e disse: 'Tu também estavas com Jesus, o Galileu!'
70Mas ele negou diante de todos: 'Não sei o que tu estás dizendo'.
71E saiu para a entrada do pátio. Então uma outra criada viu Pedro
e disse aos que estavam ali: 'Este também estava com Jesus, o Nazareno.'
72Pedro negou outra vez, jurando: 'Nem conheço esse homem!'
73Pouco depois, os que estavam al aproximaram-se de Pedro e disseram:
'É claro que tu também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia.'
74Pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo que não conhecia esse homem!'
E nesse instante o galo cantou.
75Pedro se lembrou do que Jesus tinha dito: 'Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.' E saindo dali, chorou amargamente.
Entregaram Jesus a Pilatos, o governador.
27,1De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo
convocaram um conselho contra Jesus, para condená-lo à morte.
2Eles o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.
Não é lícito colocá-las no tesouro porque é preço de sangue.
3Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido
e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos,
4dizendo: 'Pequei, entregando à morte um homem inocente.'
Eles responderam: 'O que temos nós com isso? O problema é teu.'
5Judas jogou as moedas no santuário, saiu e foi se enforcar.
6Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes disseram: 'É contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue.'
7Então discutiram em conselho e compraram com elas o Campo do Oleiro,
para aí fazer o cemitério dos estrangeiros.
8É por isso que aquele campo até hoje é chamado de 'Campo de Sangue'.
9Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: 'Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram -
10e as deram em troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou!'
Tu és o rei dos judeus?
11Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: 'Tu és o rei dos judeus?'
Jesus declarou: 'É como dizes',
12e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos.
13Então Pilatos perguntou: 'Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?'
14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado.
15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse.
16Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás.
17Então Pilatos perguntou à multidão reunida: 'Quem vós quereis que eu solte:
Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?'
18Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja.
19Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:
'Não te envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele'
20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer.
21O governador tornou a perguntar: 'Qual dos dois quereis que eu solte?'
Eles gritaram: 'Barrabás.'
22Pilatos perguntou: 'Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?'
Todos gritaram: 'Seja crucificado!'
23Pilatos falou: 'Mas, que mal ele fez?' Eles, porém, gritaram com mais força:
'Seja crucificado!'
24Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta.
Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse:
'Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!'
25O povo todo respondeu: 'Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos'.
26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus,
e entregou-o para ser crucificado.
Salve, rei dos judeus!
27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador,
e reuniram toda a tropa em volta dele.
28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho;
29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça,
e uma vara em sua mão direita.
Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:'Salve, rei dos judeus!'
30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça.
31Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar.
Com ele também crucificaram dois ladrões.
32Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene,
e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.
33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer 'lugar da caveira'.
34Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber.
35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes.
36E ficaram ali sentados, montando guarda.
37Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:
'Este é Jesus, o Rei dos Judeus.'
38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus.
Se és o Filho de Deus, desce da cruz!
39As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:
40'Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias,
salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!'
41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes,  junto com os mestres da Lei e os anciãos,
também zombaram de Jesus:
42'A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele.
43Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus.'
44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam.
Eli, Eli, lamá sabactâni?
45Desde o meio-dia até às três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra.
46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: 'Eli, Eli, lamá sabactâni?',
que quer dizer: 'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?'
47Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: 'Ele está chamando Elias!'
48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na
ponta de uma vara, 
e lhe deu para beber.
49Outros, porém, disseram: 'Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!'
50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes,
a terra tremeu e as pedras se partiram.
52Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram!
53Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa
e foram vistos por muitas pessoas.
54O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto
e tudo que havia acontecido, 
ficaram com muito medo e disseram: 'Ele era mesmo Filho
de Deus!'

55Grande número de mulheres estava alí, olhando de longe. Elas haviam acompanhado
Jesus desde a Galiléia, 
prestando-lhe serviços.
56Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José,
e a mãe dos filhos de Zebedeu.
José colocou o corpo de Jesus em um túmulo novo.
57Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José,
que também se tornara discípulo de Jesus.
58Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe
entregassem o corpo.

59José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo,
60e o colocou em um túmulo novo, que havia mandado escavar na rocha.
Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo, e retirou-se.
61Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.
Tendes uma guarda. Ide, guardai o sepulcro como melhor vos parecer.
62No dia seguinte, como era o dia depois da preparação para o sábado,
os sumos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos,
63e disseram: 'Senhor, nós nos lembramos de que quando este impostor ainda estava
vivo, disse: 
'Depois de três dias eu ressuscitarei!'
64Portanto, manda guardar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que os
discípulos venham roubar o 
corpo e digam ao povo: 'Ele ressuscitou dos mortos!'
pois essa última impostura seria pior do que a primeira.'
65Pilatos respondeu: 'Tendes uma guarda. Ide e guardai o sepulcro como melhor vos
parecer.'

66Então eles foram reforçar a segurança do sepulcro: lacraram a pedra e montaram
guarda.

Palavra da Salvação.


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Comentário
A vitória da Cruz


O Domingo de Ramos, a porta de entrada da Semana Santa, reúne dois motivos aparentemente contraditórios: de um lado, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; de outro, o fracasso de sua trágica morte na cruz. O triunfo e a derrota. Melhor seria dizer, o triunfo aparente, e a derrota real e sem paliativos. Podemos nos perguntar por que a liturgia reúne estes dois motivos, que, pese a sua proximidade temporária, não coincidem no tudo. Por que antecipar no Domingo de Ramos o que acontecerá na Sexta-feira Santa? Para que manchar este momento de glória, embora efêmero, sobre a sombra do fracasso da cruz? De fato, até o enunciado da solenidade pode parecer enganoso: Domingo de Ramos, dizemos, mas verdadeiramente é que a leitura deste episódio ocupa um local quase marginal na celebração litúrgica, na qual todo o protagonismo leva à leitura dramatizada da paixão.

A liturgia concentra em si a experiência cristã de séculos, e está penetrada de uma lógica profunda, que podemos ir descobrindo e compreendendo precisamente na pedagogia da repetição cíclica. Não se trata de uma mera compressão teórica, senão vital: a liturgia nos vai introduzindo no mistério de Cristo, ajudando-nos a fazê-lo parte de nossa vida, a “entrar” literalmente nele, a nos fazer co-protagonistas desta história no mesmo sentido em que o foram os que acompanhavam a Jesus nos relatos evangélicos, com suas mesmas esperanças, alegrias e tristezas, também com suas mesmas tentações e confusões.

Que significa, pois, esta entrada triunfal em Jerusalém, desde o ponto de vista de nossa fé em Cristo? Nela podemos descobrir dois significados contrapostos, um muito compreensível e humano, mas que se acaba revelando falso; o segundo, muito difícil de assumir humanamente, mas é o que conduz à salvação, e que a liturgia e a Palavra hoje nos convidam a aceitar.

O primeiro é o desejo, tão humano, tão presente a todos nós, de que Cristo vença sua luta contra as forças do mal com um triunfo, similar ao dos vencedores deste mundo, ao das vitórias bélicas, das conquistas políticas, dos sucessos sociais ou econômicos. Trata-se de um gênero de vitória que implica a derrota dos que se opõem ao que Jesus prega e representa e que vai conquistando terreno, relevância, poder. Se a causa de Jesus é a causa de Deus, do Bem (do Amor, a Justiça, a Paz...), como não desejar esse triunfo real, como triunfam certas nações, grupos, ideologias?

Mas a história testemunha quanto são efêmeras estas vitórias: os impérios acabam caindo, sendo substituídos por outros, as ideologias envelhecem rapidamente e sucumbem sem solução de continuidade, as coisas que parecem mais sólidas e estáveis (instituições, ideias, sistemas culturais, etc.) acabam cedendo e sucumbindo ante o inexorável desgaste do tempo. Inclusive a Igreja, se a olhamos como estrutura puramente humana, conhece momentos de esplendor e de decadência, de expansão e de retirada: também suas “vitórias veem abaixo” acabam sendo passageiras. Nosso tempo está sendo generoso em exemplos do caráter efêmero destes triunfos. Vimos pela televisão cair impérios, e os que agora parecem mais fortes já sentem o fôlego ameaçador de outros emergentes, não sabemos se para o bem ou para mal. Muitos estão convencidos de que a crise da fé e a perda de influência e poder da Igreja em numerosos países é o princípio de um fim sem volta atrás. Há quem o celebra com júbilo; outros (crentes débeis) o olham com temor e pessimismo; ou com projetos de “reconquista” com diversos sinais (de restauração ou revolucionários, conservadores ou progressistas, segundo a terminologia ao uso). Mas tudo isto é, em definitivo, consequência de um mau entendimento da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, a qual, quase seguramente, animava aos próprios discípulos de Cristo, pois achavam próxima sua coroação como Rei. Uma má compressão na qual nós seguimos caindo quando buscamos, sobretudo, relevância social e poder para conformar a sociedade segundo nossos valores.

Mas o triunfo de Jesus, antecipado em sua entrada triunfal em Jerusalém, a cidade Santa, morada de Deus (cf. Sal 86), é de outro tipo, que pouco tem que ver com as vitórias militares, políticas ou sociais. E isto é o que explica que, depois do relato da entrada de Jesus em Jerusalém, no início da celebração, seja o relato da Paixão o que ocupe o local central, porque é este que revela a verdade de sua vitória. Este não triunfou quando entrou na Jerusalém terrestre entre as aclamações de seus discípulos, senão justamente na derrota humana de sua morte na cruz, o trono deste estranho rei, o altar deste sacerdote, que é ao mesmo tempo vítima. Por isso não podemos ler o relato da entrada em Jerusalém como o mais importante que a profundidade de sua paixão e morte.

Não se trata simplesmente de um trágico destino: o fracasso, um mais, o que não passou de ser um belo sonho. Se fosse assim só, que sentido se poderia falar de triunfo? Não seria isto um sarcástico deboche? Mas é que a morte de Jesus é também fruto de uma escolha. Desde o começo de seu ministério, quando sentiu a voz do tentador no deserto, Jesus recusou expressamente o caminho dos triunfos mundanos. Essa tentação diabólica e, ao tempo, tão humana, de usar seu poder e autoridade para tirar partido, surpreender, impor-se, submeter aos contrários, destruir seus inimigos. Por que não? “Se é Filho de Deus... significa que podes usar teu poder”. Essa era a tentação que sentiram também seus discípulos em tantos momentos: a do poder ou a violência (cf. Mt 20, 28-21; Mc 9, 33-34; Lc 9, 51-55); a qual sentimos nós quando pensamos em planos de expansão da Igreja que não têm o selo do espírito evangélico. Assim lhe tentaram também os que lhe insultavam: “se é Filho de Deus, baixa da cruz”. Também nós desejamos às vezes que, já que é Filho de Deus, baixe da cruz e lhes dê seu merecido. Mas a quem, e de que maneira?

Mas Jesus, porque é o Filho de Deus, venceu essa tentação em todas suas formas: renunciou a vencer sobre seus inimigos, sejam indivíduos, povos, grupos sociais ou religiosos, porque quis vencer sobre a raiz que dá local a todas as inimizades. Não luta contra judeus ou romanos, senão contra o que provoca que judeus e romanos sejam inimigos (e aqui, que a cada um faça sua lista). Como diz a carta aos Efésios: “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6, 12). 

Jesus luta contra o pecado que habita no coração do homem, e só pode o fazer por meio do bem, a virtude e o amor, que lhe leva à entrega total da própria vida. Por isso, sua morte, uma derrota vista humanamente, se converte em uma vitória, precisamente porque ele é o Filho de Deus: por sê-lo não aproveita de seu poder, nem destrói a seus inimigos, nem baixa da cruz, senão que atravessa livremente a cortina da morte, dessa morte que não é um mero episódio biológico, senão fruto do pecado: a negação da vida, do bem e a verdade, a justiça e o amor. É a morte na Cruz seu verdadeiro triunfo, porque por ela penetrou em um santuário não fabricado pela mão de homem, e não com sangue de novilhos, menos ainda com o sangue de seus inimigos, senão com seu próprio sangue (cf. Hb 9, 11-14). A verdadeira entrada triunfal de Jesus é a que fez, pela porta da Cruz, na Jerusalém celestial, “enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição ” (Ap 21, 4), esse velho mundo feito de guerras, desigualdades e inimizades, vitórias que são derrotas porque destroem ao semelhante, na qual as vítimas frequentemente se convertem em verdugos de novas vítimas.

Com sua morte na Cruz, Jesus abriu para nós um horizonte novo, para que possamos ver para além, e mais, abriu-nos o caminho a esse santuário não construído por mão do homem, nos deu acesso, em sua mesma pessoa, à Jerusalém celestial. Dito com outras palavras, no deu a possibilidade de viver já neste velho mundo segundo as leis do novo (a lei do amor), de vencer ao mal só com a força do bem, embora isso implique às vezes aparentes derrotas, inclusive mortes, que são vitórias, como considera a Igreja no depoimento do mártir.

A liturgia de hoje, por meio do contraste dos dois evangelhos lidos, convida-nos sabiamente a acolher com júbilo ao Cristo que vem a nós, mas não como um rei poderoso que, ao comando de seus exércitos, infunde temor por sua capacidade destrutiva, senão como um rei humilde e pacífico, montado sobre um burrico. Convida-nos a acolher e aceitar o caminho que Jesus, Messias e Filho de Davi, escolheu para sua definitiva vitória: o caminho do amor, do perdão, da entrega da própria vida, o caminho da Cruz. Convida-nos, além disso, a não nos deixar seduzir por vitórias enganosas baseadas na força ou no sucesso social, mas também a não nos deixar abater por aparentes derrotas que parecem ameaçando o futuro da fé e da Igreja, pois “se Deus está conosco, quem estará contra nós” (Rm 8, 31); convida-nos, em suma, a fazer nossos os mesmos sentimentos de Cristo, que “não fez alarde de sua categoria de Deus; ao invés, despojou-se de sua categoria e tomou a condição de escravo... até submeter-se inclusive à morte, e uma morte de cruz” (Flp 2, 5-8); a “revestir da armadura de Deus, para que possamos resistir às ciladas do demônio. Tomemos, por tanto, a armadura de Deus, para que possamos resistir nos dias maus e manter-nos inabaláveis no cumprimento do nosso dever” (Ef 6, 11. 13).


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