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XII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste XII domingo coloca no centro da nossa reflexão a figura de Jesus: quem é Ele e qual o impacto que a sua proposta de vida tem em nós? A Palavra de Deus que nos é proposta impele-nos a descobrir em Jesus o “messias” de Deus, que realiza a libertação dos homens através do amor e do dom da vida; e convida cada “cristão” à identificação com Cristo – isto é, a “tomar a cruz”, a fazer da própria vida um dom generoso aos outros.

O Evangelho confronta-nos com a pergunta de Jesus: “e vós, quem dizeis que Eu sou?” Paralelamente, apresenta o caminho messiânico de Jesus, não como um caminho de glória e de triunfos humanos, mas como um caminho de amor e de cruz. “Conhecer Jesus” é aderir a Ele e segui-l’O nesse caminho de entrega, de doação, de amor total.

A primeira leitura apresenta-nos um misterioso profeta “trespassado”, cuja entrega trouxe conversão e purificação para os seus concidadãos. Revela, pois, que o caminho da entrega não é um caminho de fracasso, mas um caminho que gera vida nova para nós e para os outros. João, o autor do Quarto Evangelho, identificará essa misteriosa figura profética com o próprio Cristo.

A segunda leitura reforça a mensagem geral da liturgia deste domingo, insistindo que o cristão deve “revestir-se” de Jesus, renunciar ao egoísmo e ao orgulho e percorrer o caminho do amor e do dom da vida. Esse caminho faz dos crentes uma única família de irmãos, iguais em dignidade e herdeiros da vida em plenitude.



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


 Primeira Leitura
Leitura da Profecia de Zacarias 12,10-11;13,1

 

Esta figura do “trespassado” faz-nos pensar em todos os “profetas” que lutam pela justiça e pela verdade e que são torturados, vilipendiados, massacrados por causa do seu testemunho incómodo. A identificação do “trespassado” com o próprio Deus diz-nos que o profeta nunca está só e perdido face ao ódio do mundo, mas que Deus está sempre do seu lado; diz-nos, também, que é de Deus que brota a missão profética, mesmo quando ela incomoda e questiona os homens.


Assim diz o Senhor:
10Derramarei sobre a casa de Davi
e sobre os habitantes de Jerusalém
um espírito de graça e de oração;
eles olharão para mim.
Ao que eles feriram de morte,
hão de chorá-lo,
como se chora a perda de um filho único,
e hão de sentir por ele a dor
que se sente pela morte de um primogênito.
11Naquele dia, haverá um grande pranto em Jerusalém,
como foi o de Adadremon, no campo de Magedo.
13,1Naquele dia,
haverá uma fonte acessível
à casa de Davi e aos habitantes de Jerusalém,
para ablução e purificação.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 62,2.abcd.2e-4.5-6.8-9 (R. 2ce)


A minh'alma tem sede de vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus!

Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso vos busco!
A minh'alma tem sede de vós,
minha carne também vos deseja.

A minh'alma tem sede de vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus!

Como terra sedenta e sem água,
venho, assim, contemplar-vos no templo,
para ver vossa glória e poder.
Vosso amor vale mais do que a vida:
e por isso meus lábios vos louvam.

A minh'alma tem sede de vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus!

Quero, pois vos louvar pela vida,
e elevar para vós minhas mãos!
A minh'alma será saciada,
como em grande banquete de festa;
cantará a alegria em meus lábios,
ao cantar para vós meu louvor!

A minh'alma tem sede de vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus!

Para mim fostes sempre um socorro;
de vossas asas á sombra eu exulto!
Minha alma se agarra em vós;
com poder vossa mão me sustenta.

 A minh'alma tem sede de vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas 3,26-29


O cristão é, fundamentalmente, aquele que se “revestiu de Cristo”. O que significa isto, em concreto? Que assinamos um documento no qual nos comprometemos a viver como batizados? Que respeitamos apenas as leis e orientações da hierarquia? Que nos comprometemos somente a ir à missa ao Domingo, e rezar o terço de vez em quando? Ou significa que assumimos o compromisso de viver como Cristo, de assumir os seus valores, de fazer da nossa vida um dom de amor, de nos entregarmos até à morte para construir um mundo de justiça e de paz para todos?


Irmãos:
26Vós todos sois filhos de Deus
pela fé em Jesus Cristo.
27Vós todos que fostes batizados em Cristo
vos revestistes de Cristo.
28O que vale não é mais ser judeu nem grego,
nem escravo nem livre,
nem homem nem mulher,
pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo.
29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão,
herdeiros segundo a promessa.
Palavra do Senhor.


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Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 9,18-24


Quem é Jesus, para nós? É alguém que conhecemos das fórmulas do catecismo ou dos livros de teologia, sobre quem sabemos dizer coisas que aprendemos nos livros? Ou é alguém que está no centro da nossa existência, cujo “caminho” tem um real impacto no nosso dia a dia, cuja vida circula em nós e nos transforma, com quem dialogamos, com quem nos identificamos e a quem amamos?


Certo dia:
18Jesus estava rezando num lugar retirado,
e os discípulos estavam com ele.
Então Jesus perguntou-lhes:
'Quem diz o povo que eu sou?'
19Eles responderam: 'Uns dizem que és João Batista;
outros, que és Elias; mas outros acham
que és algum dos antigos profetas que ressuscitou.'
20Mas Jesus perguntou: 'E vós, quem dizeis que eu sou?'
Pedro respondeu: 'O Cristo de Deus.'
21Mas Jesus proibiu-lhes severamente
que contassem isso a alguém.
22E acrescentou: 'O Filho do Homem deve sofrer muito,
ser rejeitado pelos anciãos,
pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei,
deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia.'
23Depois Jesus disse a todos:
'Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo,
tome sua cruz cada dia, e siga-me.
24Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la;
e quem perder a sua vida por causa de mim,
esse a salvará.
Palavra da Salvação.


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Comentário
"E Vocês... Quem dizem que eu sou?"


Nos "os cristãos" vamos dizendo aos outros quem é Jesus: de uma maneira ou de outra, com algumas palavras ou outras, com algumas expressões ou outras! Nossa vida e atuação é como um Evangelho no qual está escrito quem é Jesus. Embora nos ameace o perigo de ser um evangelho apócrifo, nosso desejo é de ser evangelho autêntico, o anúncio fidedigno de Jesus.

"Pessoas", quer dizer, todos aqueles a quem tem chegado de alguma maneira a influência de Jesus, e que tem um certo conhecimento dele, de sua pessoa. Um conhecimento que brota de sua experiência, daquilo que veem e que interpretam de acordo com as suas estruturaras culturais. Em tempos de Jesus a pessoa tem um altíssimo conceito de Jesus. Chegam a pensar - tal como nos diz hoje o Evangelho - que era um grande profeta "revivido", que "voltou à vida". Diziam que era nada mais nada menos que Elias, Jeremias ou um dos profetas que tinham voltado à vida. As pessoas de nosso tempo também admiram Jesus, e até mesmo a sua mãe, até a superstição. As pessoas se emocionam ante aos filmes que o representam, aos quadros e imagens que o evocam, com os textos sagrados que nos falam dele. O consideram como sendo a melhor profecia de nosso mundo.

Isto não impede que Jesus também hoje nos dirija a mesma pergunta que dirigiu aos seus discípulos: "Quem dizem que eu sou?". Não se trata de fazer ou elaborar uma resposta acadêmica, dogmática, de escrever artigos baseados no Credo oficial.

A pergunta também poderia ser traduzida deste modo: "E vocês, de quem vais falando por aí quando dizes que falas de mim?" De que Jesus fala à vossa conduta, à vossa forma de sentir, à vossa forma de pensar? A resposta que se pede não é somente uma questão de ortodoxia e precisão teológica, mas de uma vida que transpareça o verdadeiro Jesus.

Fala bem de Jesus não quem o tem estudado, ou quem está bem informado, mas aquela pessoa que foi agraciada com uma revelação interior e pessoal, proveniente do Abbá e do mesmo Jesus.

Assim sucedeu a Pedro: "Isso não te revelou ninguém de carne e osso, mas sim o Pai”.

E para Paulo: "Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue". (Gálatas 1, 15-16)

O Abbá revela a seu Filho no Batismo, na Transfiguração: "Este é meu Filho... "eu gerei isto hoje... escutai". Quem foi agraciado com esta revelação pode ir anunciar Jesus em qualquer lugar. Isto consiste na quintessência do Batismo-Confirmação: ser agraciada, agraciado com a revelação do Filho por parte do Abbá! Até que isto não suceda, esta batizado de forma provisória, ainda não fechou o pacto, da Aliança!

Jesus, também, se auto revela e acrescenta sua contribuição à revelação que vem do Abbá. Se revela como o Filho do homem apocalíptico. Isto é muito sério! Porque corrige uma visão esplêndida e imperialista do Filho de Deus, Filho de Davi, que - a propósito - tiveram Pedro e os seus discípulos. Jesus se revela como aquele Filho de Deus que entra no drama dos perdedores dentro da história humana, como aquele que se esquece para defender a causa do outro, como aquele que estará disposto a morrer pelos demais e nunca matará para sobreviver e impor-se. Jesus se auto revela como aquele que será vítima da injustiça, da perseguição das autoridades religiosas de Israel. Esta autoproteção de Jesus para seus apóstolos causou tal impressão a Simão Pedro que este se opôs abertamente a Jesus.... chegando Jesus a dizer para ele: “Afasta-te de mim, Satanás!".

Não é estranho, que imediatamente depois desta revelação Jesus fala de como hão de falar Dele seu verdadeiro discípulo: "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me". Aqui nos fala Jesus de uma pessoa que não é egocêntrica, que separa constantemente seu "ego" dos centros de poder e de admiração, que é deixada à parte com a sua cruz e tirada da cena dos vencedores, que entra no espaço libertador do Filho do homem e está disposto a perder tudo. Quem dizem que eu sou? A pergunta adquire no contexto destas palavras toda sua força.

Não precisamos de palavras que nos falem de Jesus, mas atitudes que falem Dele e o anunciem em todo a sua verdade. Dizemos quem é Jesus, o Filho de Deus e o Filho do homem, anunciamos a verdade de Jesus, quando:

Renunciamos a pompa, as ostentações de poder, a procura do prestígio mundano de nossa igreja, a acumulação de dinheiro, a defesa excessiva de nossos direitos e privilégios,

Falamos mais de Deus que da religião, mais do Espírito que da espiritualidade; mais das pessoas que de políticas;

Como Jesus estamos dispostos a passar, a renunciar, a irmos para que venha o Espírito, para que chegue à Igreja uma fase nova: "Os convêm que me vá”;

Não fazermos distinções entre uns e outros, entre judeus e pagãos, escravos e libertos, mulheres e homens;

Renunciarmos a escolher os quem tem a mesma opinião que nós e deixar de lado a outros "proscritos", para que a igreja seja de Jesus e não de "nossa imagem e semelhança": todos somos filhos de Deus... todos nós fomos revestidos de Cristo".

Quem dizem que eu sou? É uma pergunta que hoje não podemos evitar. Nos tem que doer no mais profundo do coração que as pessoas apreciem "tanto" a Jesus e "tão pouco" à sua Igreja.

Pedimos ao Senhor o dom da humildade que nos faça esquecer, de nós mesmos, de nossas instituições, de nossa autoproteção. Pedimos um Espírito de clemência e graça, que nos vai “desenhando” em nossa conduta o autêntico Jesus, Filho de Deus e do Homem. Vamos ao manancial onde são purificados todos os pecados e impurezas, que é o mesmo Jesus, Palavra de Vida e seu Espírito.


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