Últimas
Tarde beneficente com bingo
Para as obras da
Antonio Maria Claret - 24 de outubro
Comemora-se a festa de Santo Antônio Maria Claret, no dia 24 de ou
XXIX Domingo do Tempo Comum (Ano C)
A Palavra que a liturgia de hoje nos apresenta convida-nos a manter
Torne-se um Dizimista
O dízimo é o reconhecimento de que tudo pertence a DEUS. Com o d
Mais Lidas

Destaque

Próximos Eventos

Sem eventos

Solenidade da Santíssima Trindade (Ano C)

A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar a mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para fazê-los comungar nesse mistério de amor.

A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é “sabedoria” de Deus e o grande revelador do amor do Pai).

 A segunda leitura convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos “justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus/Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.

O Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta “história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho 

Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro dos Provérbios 8,22-31


A referência ao Deus que tudo criou para nós com sabedoria faz-nos pensar num Pai providente e cuidadoso, que tem um projeto bem definido para os homens e para o mundo. Contemplar  a criação é descobrir, na beleza e na harmonia das obras criadas, esse Pai cheio de bondade e de amor. Somos capazes de nos sentirmos “provocados” pela criação de forma que, através dela, descubramos  o amor e a bondade de Deus?


Assim fala a Sabedoria de Deus:

22O Senhor me possuiu como primícia de seus caminhos,
antes de suas obras mais antigas;
23desde a eternidade fui constituída,
desde o princípio,
antes das origens da terra.
24Fui gerada quando não existiam os abismos,
quando não havia os mananciais das águas,
25antes que fossem estabelecidas as montanhas,
antes das colinas fui gerada.
26Ele ainda não havia feito as terras e os campos,
nem os primeiros vestígios de terra do mundo.
27Quando preparava os céus,
ali estava eu,
quando traçava a abóbada sobre o abismo,
28quando firmava as nuvens lá no alto
e reprimia as fontes do abismo,
29quando fixava ao mar os seus limites
- de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas -
e lançava os fundamentos da terra,
30eu estava ao seu lado como mestre-de-obras;
eu era seu encanto, dia após dia,
brincando, todo o tempo, em sua presença,
31brincando na superfície da terra,
e alegrando-me em estar com os filhos dos homens.
Palavra do Senhor.


Início


Salmo Responsorial  
Sl 8,4-5.6-7.8-9 (R. 2a) 


Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!

Contemplando estes céus que plasmastes
e formastes com dedos de artista;
vendo a lua e estrelas brilhantes,
perguntamos: 'Senhor, que é o homem,
para dele assim vos lembrardes
e o tratardes com tanto carinho?

Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!

Pouco abaixo de Deus o fizestes,
coroando-o de glória e esplendor;
vós lhe destes poder sobre tudo,
vossas obras aos pés lhe pusestes.

Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!

as ovelhas, os bois, os rebanhos,
todo o gado e as feras da mata;
passarinhos e peixes dos mares,
todo ser que se move nas águas.

Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!


Início


Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 5,1-5 


Na Solenidade da Santíssima Trindade, somos convidados a contemplar o amor de um Deus que nunca desistiu dos homens e que sempre soube encontrar formas de vir ao nosso encontro, de fazer caminho conosco. Apesar de os homens insistirem, tantas vezes, no egoísmo, no orgulho, na autossuficiência, no pecado, Deus  continua  a amar  e a fazer-nos  propostas  de  vida.  Trata-se  de  um  amor gratuito e incondicional, que se traduz em dons não merecidos, mas que, uma vez acolhidos, nos conduzem à felicidade plena.


Irmãos:
1Justificados pela fé,
estamos em paz com Deus,
pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo.
2Por ele tivemos acesso,
pela fé, a esta graça,
na qual estamos firmes e nos gloriamos,
na esperança da glória de Deus.
3E não só isso,
pois nos gloriamos também de nossas tribulações,
sabendo que a tribulação gera a constância,
4a constância leva a uma virtude provada,
a virtude provada desabrocha em esperança;
5e a esperança não decepciona,
porque o amor de Deus
foi derramado em nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Palavra do Senhor.


Início


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 16,12-15


A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família  (pai, mãe e filho)  é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, se expressa na nossa  linguagem  imperfeita  das  três  pessoas.  O Deus  família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o mistério de Deus.


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
12Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos,
mas não sois capazes de as compreender agora.
13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade,
ele vos conduzirá à plena verdade.
Pois ele não falará por si mesmo,
mas dirá tudo o que tiver ouvido;
e até as coisas futuras vos anunciará.
14Ele me glorificará,
porque receberá do que é meu
e vo-lo anunciará.
15Tudo o que o Pai possui é meu.
Por isso, disse que
o que ele receberá e vos anunciará, é meu.
Palavra da Salvação.


Início


Comentário - A Trindade e a relação entre as criaturas.


Queridos irmãos:

Em nome do Pai, o Filho e o Espírito Santo começamos todas nossas celebrações e na eucaristia que estamos celebrando, pedimos ao Pai por meio de Jesus nosso Senhor e com a força do Espírito, que nos congregue na unidade e santifique os dons, de maneira que sejam para nós Corpo e Sangue de Jesus Cristo. O Credo nos diz que Deus é uno e trino, um Deus em três pessoas, mas isto não é só uma fórmula teológica, deve ser uma experiência, então que significa esta festa?

A Trinidade é um mistério, de Deus só pode falar de forma aproximada e de sua experiência o mesmo. Sempre é difícil falar de Deus e sempre corremos o risco de terminar falando de nós mesmos como se fôssemos deuses, ou como se Deus fosse igual qualquer homem. Sabemos muito pouco de Deus... diz São Agostinho: “Se pensa que compreendeste, então não é Deus, ao que compreendeste”. Mas conhecemos o suficiente através do Filho, para não perder o tempo em discussões inúteis.

Deus é criador do céu e a terra, das criaturas e da natureza, falou-nos e fala na história, ama-nos e protege-nos. Fez-se historicamente homem em seu Filho Jesus Cristo, viveu em seu tempo, trabalhou, amou e padeceu, disse-nos como era o Pai, nos salvou com sua morte e ressurreição, fazendo de nós criaturas a imagem sua, por isso nos enviou a comunicar a outros a Boa Notícia. O Espírito dos dois, está em nós, e nos reúne no amor e na unidade da vida comunitária. Crer em Deus é fazer disto uma experiência, “experiência religiosa”, que é válida se é capaz de dar sentido à vida.

Nosso Deus é comunidade, é família, não está só: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele nos guiará até a plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido e até as coisas futuras vos comunicará. Ele me glorificará, por que receberá do que é meu e a vos anunciará. Todo o que tem o Pai é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”. Escutam, tomam, comunicam-se, tem em comum, o reflexo da Trinidade está na comunidade.

Hoje é bom lembrar as palavras do Papa Francisco em Laudato Sí,  e 238 a 240 (A Trindade e a relação entre as criaturas), é uma citação um pouco longa mas resume o que queremos celebrar:

O Pai é a fonte última de tudo, fundamento amoroso e comunicativo de tudo o que existe. O Filho, que O reflete e por Quem tudo foi criado, uniu-Se a esta terra, quando foi formado no seio de Maria. O Espírito, vínculo infinito de amor, está intimamente presente no coração do universo, animando e suscitando novos caminhos. O mundo foi criado pelas três Pessoas como um único princípio divino, mas cada uma delas realiza esta obra comum segundo a própria identidade pessoal. Por isso, “quando, admirados, contemplamos o universo na sua grandeza e beleza, devemos louvar a inteira Trindade”.

Para os cristãos, acreditar num Deus único que é comunhão trinitária, leva a pensar que toda a realidade contém em si mesma uma marca propriamente trinitária. São Boaventura chega a dizer que o ser humano, antes do pecado, conseguia descobrir como cada criatura “testemunha que Deus é trino”. O reflexo da Trindade podia-se reconhecer na natureza, “quando esse livro não era obscuro para o homem, nem a vista do homem se tinha turvado”. Este santo franciscano ensina-nos que toda a criatura traz em si uma estrutura propriamente trinitária, tão real que poderia ser contemplada espontaneamente, se o olhar do ser humano não estivesse limitado, obscurecido e fragilizado. Indica-nos, assim, o desafio de tentar ler a realidade em chave trinitária.

As Pessoas divinas são relações subsistentes; e o mundo, criado segundo o modelo divino, é uma trama de relações. As criaturas tendem para Deus; e é próprio de cada ser vivo tender, por sua vez, para outra realidade, de modo que, no seio do universo, podemos encontrar uma série inumerável de relações constantes que secretamente se entrelaçam. Isto convida-nos não só a admirar os múltiplos vínculos que existem entre as criaturas, mas leva-nos também a descobrir uma chave da nossa própria realização. Na verdade, a pessoa humana cresce, amadurece e santifica-se tanto mais, quanto mais se relaciona, sai de si mesma para viver em comunhão com Deus, com os outros e com todas as criaturas. Assim assume na própria existência aquele dinamismo trinitário que Deus imprimiu nela desde a sua criação. Tudo está interligado, e isto convida-nos a maturar uma espiritualidade da solidariedade global que brota do mistério da Trindade.

É dia de agradecer, estamos a caminho e ainda temos muito que compreender, embora como diz a segunda leitura: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações com o Espírito Santo que nos foi dado”. Celebramos o mistério e como dizíamos ao princípio da eucaristia “Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam conosco hoje, manhã e sempre”.


Início


 
: