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Solenidade da Páscoa da Ressurreição do Senhor

A liturgia deste domingo de Páscoa celebra a Ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.
A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).
A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).



Primeira Leitura  
Salmo Responsorial

Segunda Leitura
Sequência Pascal
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos (
10,34a.37-43)


A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a “fazer o bem e a libertar os oprimidos”. Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, a mentira, a injustiça e por fazer triunfar o amor, está ressuscitando; significa que sempre que alguém – na linha de Jesus – se dá aos outros e manifesta em gestos concretos a sua entrega aos irmãos, está ressuscitando. Eu estou ressuscitando, porque caminho pelo mundo fazendo o bem, ou a minha vida é uma submissão ao egoísmo, ao orgulho, ao comodismo?


Naqueles dias:
34aPedro tomou a palavra e disse:
37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João:
38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder.
Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
39E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém.
Eles o mataram, pregando-o numa cruz.
40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se
41não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus,
depois que ressuscitou dos mortos.
42E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos.
43Todos os profetas dão testemunho dele:
'Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'.'
Palavra do Senhor


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Salmo Responsorial 
 Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)


Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'
casa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou,
Não morrerei, mas ao contrário, viverei
para cantar as grandes obras do Senhor!
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (
3,1-4)


O Batismo nos introduz em uma dinâmica de comunhão com Cristo ressuscitado. Tenho consciência de que o meu Batismo significou um compromisso com Cristo?


Irmãos:
1Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
2onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.
3Pois vós morrestes,
e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo,
então vós aparecereis também com ele,
revestidos de glória.
Palavra do Senhor

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Sequência Pascal


1. Cantai, cristãos, afinal: “Salve,
ó vítima pascal!” / Cordeiro inocente,
o Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.
2. Por toda ovelha imolado, do
mundo lava o pecado. / Duelam
forte e mais forte: é a vida que
vence a morte.
3. O Rei da vida, cativo, foi morto,
mas reina vivo! / Responde, pois,
ó Maria: no caminho o que havia?
4. “Vi Cristo ressuscitado, o túmulo
abandonado, os anjos da cor do
sol, dobrado no chão o lençol”.
5. O Cristo que leva aos céus, Caminha
à frente dos seus! Ressuscitou, de verdade
!Ó Cristo Rei, piedade!


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Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (20,1-9)


A ressurreição de Jesus prova que a vida plena, a vida total, a libertação plena, a transfiguração total da nossa realidade e das nossas capacidades passam pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Tenho consciência disso? É nessa direção que conduzo a caminhada da minha vida?


1No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.'
3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo.
4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão
7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
9De fato, eles ainda não tinham compreendido a
Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação.

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Comentário
Já amanhece, embora ainda esteja escuro.


Durante a vigília pascal milhões de cristãos, muitos de nós, permanecemos em vigília porque queríamos ver a luz, assistir ao amanhecer da nova criação. Mas, quem nos avisou que devíamos permanecer em vigília?

Nossa mente e nossos corações voltam-se agradecidos àqueles primeiros discípulos que viveram aquela noite e a anterior sob o peso insuportável da morte do Mestre, sem saber o que aconteceria naquele amanhecer do primeiro dia da semana. Mesmo assim, elas também não podiam dormir, sentiam que deviam permanecer em vigília, ir de madrugada ao sepulcro. Dentre todos eles, se destacam as mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, assinalava ontem à noite o evangelista Lucas; João, hoje, fixa-se só na primeira.

Maria Madalena vai ao sepulcro quando ainda estava escuro, mas já está amanhecendo. O poder da morte parece ainda dominar, mas, na realidade, embora não o percebamos, a Luz da Ressurreição já ilumina a noite. A lâmpada que guia Maria na noite de sua tristeza é o amor: o amor pelo Mestre, que sobrevive à morte. Temos a experiência de que, ao morrer um ser querido, o amor nos impulsiona a estar perto dele, embora esteja morto, como querendo reter sua presença entre nós. Maria, por puro amor, quer estar próxima de Jesus; ela e as outras mulheres querem se ocupar do cadáver de Cristo, sem saber como, pois o sepulcro está fechado hermeticamente.  

A morte é repudio e escuridão, são decomposição e caos. Mas Maria, e depois o discípulo amado e Pedro, encontram o sepulcro vazio, aberto, com luz, e em ordem (as vendas, o sudário dobrado em um local aparte). O primeiro na experiência da Ressurreição não é o aparecimento (de anjos, do mesmo Cristo), senão a ausência: não está o cadáver, e os sinais de morte, escuridão e caos se desvaneceram. E este “ver” a ausência é suficiente para começar a crer.

Desta maneira paradoxal e indireta os evangelhos vão indicando que os sinais do poder da morte, tão poderosa que nem o Filho de Deus pôde a superar, começam a esmaecer.

O fato de que não “vejam” o Senhor Ressuscitado, mais só a ausência de Jesus morto, e os sinais da morte recolhidos e ordenados, nos ilustram o que significa “ver” e “crer”. O primeiro diz que não se trata de relatos fantásticos, criados para surpreender, para suscitar credulidade, e produzir um alarde de imaginação e de recursos narrativos maravilhosos. Ao invés, destacam por sua austeridade e singeleza, quase por sua “normalidade”. Narra-se um desaparecimento.

O segundo elemento, continuamente presente a todos os relatos da Ressurreição, é a dificuldade que tiveram os discípulos para crer na Ressurreição. Não foi coisa de um momento, senão um processo longo e difícil de maturação na fé. Começando pela experiência do sepulcro vazio até “ver” o Senhor, tiveram de fazer todo um caminho. O evangelho de hoje nos diz bem: “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20, 9).

Assim como o processo de seguimento de Jesus, desde o primeiro encontro na Galiléia, momento de entusiasmo (queriam fazer-lhe rei?), mas também de imaturidade, requer ir entendendo que o messianismo de Jesus não é um caminho de rosas, requer ir a Jerusalém; do mesmo modo para “ver” ao ressuscitado deve-se fazer o caminho inverso: de Jerusalém a Galiléia, o local do primeiro amor, a recuperação da inocência depois da experiência terrível da frustração da morte, do fracasso e o abandono: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia, pois é lá que eles me verão” (Jo 20, 17; Mt 28, 10).

Em nosso descrente mundo e em nosso descrente modo de vida a ordem habitual é: ver - saber - crer. Costuma-se dizer: “eu só creio no que vejo”. Embora, precisamente o que se vê com os olhos do corpo não é necessário crer. Essa afirmação significa que, na realidade, não se crê em nada. É um saber dirigido ao domínio, ao poder, que busca garantias, e só desde aí pode ser aberto debilmente ao amor (uma forma verdadeira, mais inferior de amor, dominada pelo desejo, o “amor concupiscente” de que falavam os teólogos medievais). Só se aceita o que está submetido ao controle do próprio poder. Assim, em relação a Jesus, qualquer pode saber certas coisas: “Conhecem o que aconteceu na Judeia...”, diz Pedro, colocar ante os olhos de seus ouvidos informações controláveis que chega até a morte de Cristo. Esse saber de fatos relativos a Jesus é acessível a todos, mas não pressupõe nem o amor nem a fé.

O evangelho de hoje ensina-nos uma lógica completamente diferente. O que está possuído pela lógica do poder não pode a entender, por que aqui são inúteis as demonstrações. Aqui parte-se de um “não saber”: E “diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro?” (Mc 16, 3), “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!” (Jo 20, 2), que ele tinha que ressuscitar dentre os mortos (Jo 20, 9). Mas é um “não saber” que, pese ao desconcerto e a desolação, está iluminado pelo amor, pelo desejo de estar junto ao ser amado. Enquanto um olhar desorientado que permanece aqui cega, é o amor o que habilita para “ver”: nos sinais de morte (o sepulcro vazio, as vendas enroladas, o sudário dobrado), sinais de vida, e, a partir desses indícios, crer. O amor vai para além dos dados, vê em profundidade, é capaz de intuir. E só a partir deste crer guiado pelo amor é possível, agora sim, ver o Senhor Ressuscitado. Mas disto não se fala ainda no evangelho do dia de Páscoa. Hoje se sublinham só as condições (o amor e a fé) desta experiência.

Isto explica a ordem desta forma de “ver”: primeiro Maria Madalena, depois o discípulo “que Jesus amava”, por fim, Pedro, ao qual o discípulo cede o acesso ao sepulcro. A ordem do amor nem sempre coincide com a ordem hierárquica: o amor (e sua sabedoria) é um dom aberto a todos sem distinções, que não depende de cargos nem de títulos. Mas também, e isto é muito importante, o verdadeiro amor, embora corra mais, aceita essa ordem hierárquica como uma exigência sua e, por isso, João cede ante Pedro. E é que a fé e o encontro com o ressuscitado não são assuntos meramente privados e subjetivos, senão que estão vinculados a uma comunidade: a comunidade dos discípulos. Às vezes diz-se que Jesus não queria fundar uma Igreja (é surpreendente o muito que sabem alguns, que sabem até que não queria Jesus). Mas parece irrefutável que Jesus queria a seus discípulos, queria a sua comunidade, queria que se mantivesse unida e, ao mesmo tempo, aberta: porque a comunidade de discípulos é necessariamente uma comunidade de testemunhas.

Não é possível “demonstrar” a Ressurreição de Cristo, porque só pode a aceitar quem está bem disposto. Mas sim é possível testemunhá-la: não há provas, senão testemunhas, esta é a via para transmitir esta Boa Notícia, que não deve permanecer encerrada no círculo dos que fizeram esta experiência. O Ressuscitado mostra-se e aparece não a todos, senão às testemunhas que ele tinha designado: a nós, que comemos e bebemos com ele após sua Ressurreição. Estes são, somos os que amamos a Cristo, os que o buscamos entre os mortos, mas o encontramos vivo: em sua Palavra e em sua Eucaristia, na qual comemos e bebemos com Ele. E, se pelo Batismo e a Eucaristia ressuscitamos com ele, temos que buscar “os bens de lá acima”; e esses bens são os que estão contidos no amor, que guiou nossa busca, tem que guiar toda nossa vida: amar a Cristo, e por ele amar a todos. É nas obras do amor nas que sublinhamos o “vere” do surrexit! Não se trata de um slogan ou de um desejo piedoso. Ante o anúncio do “Ressuscitou!”, nos cristãos gritamos “Ele ressuscitou verdadeiramente” (surrexit vere).

Esse é o modo de mostrar que Cristo vive: no testemunho de uma vida baseada no amor. Os que pretendem somente crer no que veem, não podem aceitar “demonstrações”, mas talvez possam ser movidos pelo depoimento da fé encarnada nas boas obras.

Depois da catequese quaresmal, o tempo de Páscoa é tempo de mistagógica (de aprofundamento): os que receberam o Batismo como uma imersão na morte de Cristo estão iluminados sobre o processo da fé que nos permite ver Jesus. A liturgia, a palavra de Deus, Jesus que caminha conosco e nos acompanha em nossas alegrias e em nossas tristezas, nos vai explicando passo a passo, domingo a domingo, onde podemos o encontrar e “vê-lo”.

Porém hoje convida-nos a meditar sobre a própria fé, talvez morta, ou latente, ou adormecida, ou imatura, em todo caso sempre necessitada de novos impulsos. Desilusões, experiências vitais, incompreensões, puderam debilitar nossa fé, ou levaram-nos a nos afastar (voltar a Emaús), nos afastar de Jerusalém, nos esquecer da Galiléia. Pode ser que pareça que a fé foi uma formosa ilusão da juventude, mas os acontecimentos da vida nos ensinaram que isso que esperávamos tem sido frustrado pelo chato realismo da vida.

A mensagem da Páscoa nos diz: pese os muitos sinais de morte, é possível “compreender as Escrituras” (mas há que as escutar, Jesus as explica), “partir o pão” (devemos o compartilhar ali onde Jesus o parte para nós), “ver” a Jesus e crer nele, que caminha conosco apesar de que nossos olhos ofuscados não sejam capazes de lhe reconhecer. E isso é possível porque Ele está vivo! Maria Madalena, o discípulo amado, Pedro, milhares de gerações de cristãos transmitiram-nos a possibilidade de fazer também nós esta experiência vida.

Não há provas, mas há testemunhas. Você pode ser uns deles.


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