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XXIV Domingo do Tempo Comum (Ano C)
A liturgia do XXIV Domingo do Tempo Comum centra a nossa reflexão
A Bíblia, a tradição e o magistério
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Aniversário do Padre Caleffi

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (Ano C)

A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.



Evangelho - Procissão
Primeira Leitura 

Salmo Responsorial  
Segunda Leitura 
Evangelho 
Comentário


Evangelho - Procissão 
BENDITO E O QUE VEM EM NOME DO SENHOR.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (19,28-40) 


Naquele tempo:28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém.
29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo:
30'Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado.
Desamarrai-o e trazei-o aqui.
31Se alguém, por acaso, vos perguntar:
'Por que desamarrais o jumentinho?', respondereis assim: 'O Senhor precisa dele'.'
32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito.
33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram:
'Por que estais desamarrando o jumentinho?'
34Eles responderam: 'O Senhor precisa dele.'
35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar.
36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho.
37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria,
começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 
38Todos gritavam: 'Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!
Paz no céu e glória nas alturas!'
39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus:
'Mestre, repreende teus discípulos!'
40Jesus, porém, respondeu: 'Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão.'
Palavra do Senhor


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Primeira Leitura 
NÃO DESVIEI MEU ROSTO DAS BOFETADAS E
CUSPARADAS; SEI QUE NÃO SEREI HUMILHADO.
Leitura do Profeta Isaías  (Is 50, 4-7)


Jesus, o “servo” sofredor que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido.


4O Senhor Deus deu-me língua adestrada,
para que eu saiba dizer
palavras de conforto à pessoa abatida;
ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido,
para prestar atenção como um discípulo.
5O Senhor abriu-me os ouvidos;
não lhe resisti nem voltei atrás.
6Ofereci as costas para me baterem e
as faces para me arrancarem a barba;
não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.
7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador,
por isso não me deixei abater o ânimo,
conservei o rosto impassível como pedra,
porque sei que não sairei humilhado.

Palavra do Senhor


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Salmo Responsorial 
MEU DEUS, MEU DEUS, POR QUE ME ABANDONASTES?

Sl 21,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a)


Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Riem de mim todos aqueles que me vêem,
torcem os lábios e sacodem a cabeça:
Ao Senhor se confiou, ele o liberte
e agora o salve, se é verdade que ele o ama!'
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Cães numerosos me rodeiam furiosos,
e por um bando de malvados fui cercado.
Transpassaram minhas mãos e os meus pés
e eu posso contar todos os meus ossos.
Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Eles repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam entre si a minha túnica.
Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe,
ó minha força, vinde logo em meu socorro!
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Anunciarei o vosso nome a meus irmãos
e no meio da assembleia hei de louvar-vos!
Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores,
glorificai-o, descendentes de Jacó,
e respeitai-o toda a raça de Israel!
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?


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Segunda Leitura 
HUMILHOU-SE A SI MESMO; POR ISSO, 
DEUS O EXALTOU ACIMA DE TUDO. 

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fi 2,6-11)


Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados em muitos dos nossos ambientes contemporâneos. De acordo com os critérios que presidem ao nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossuficiência e fazem por serem os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. 


6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação,
7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano, 
8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.
9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra,
11e toda lingua proclame : 'Jesus Cristo é o Senhor', para a glória de Deus Pai.

Palavra do Senhor


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Evangelho 
DESEJEI ARDENTEMENTE COMER CONVOSCO
ESTA CEIA PASCAL, ANTES DE SOFRER.

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Luca (22,14-23,56)


14Quando chegou a hora, Jesus pôs-se à mesa com os apóstolos
15e disse: 'Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer.
16Pois eu vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus'.
17Então Jesus tomou um cálice, deu graças e disse: 'Tomai este cálice e reparti entre vós;
18pois eu vos digo que, de agora em diante, não mais bebereis do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus'. Fazei isto em memória de mim.
19A seguir, Jesus tomou um pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim'.
20Depois da ceia, Jesus fez o mesmo com o cálice, dizendo:
'Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós'.
Mas ai daquele por meio de quem o Filho do Homem é entregue.
21'Todavia, a mão de quem me vai entregar está comigo, nesta mesa.
22Sim, o Filho do Homem vai morrer, como está determinado. Mas ai daquele homem por meio de quem ele é entregue.'
23Então os apóstolos começaram a perguntar uns aos outros qual deles haveria de fazer tal coisa.
Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve.
24Houve também uma discussão entre eles sobre qual deles deveria ser considerado o maior.
25Jesus, porém, lhes disse: 'Os reis das nações dominam sobre elas,  e os que têm poder se fazem chamar benfeitores.
26Entre vós, não deve ser assim. Pelo contrário, o maior entre vós seja como o mais novo,
e o que manda, como quem está servindo.
27Afinal, quem é o maior: quem está sentado à mesa, ou quem está servindo?
Não é quem está sentado à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve.
28Vós ficastes comigo em minhas provações.
29Por isso, assim como o meu Pai me confiou o Reino, eu também vos confio o Reino.
30Vós havereis de comer e beber à minha mesa no meu  Reino, e sentar-vos em tronos
para julgar as doze tribos de Israel.
Tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.
31Simão, Simão! Olha que Satanás pediu permissóo para vos peneirar como trigo.
32Eu, porém, rezei por ti, para que tua fé não se apague.
E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.'
33Mas Simão disse: 'Senhor, eu estou pronto para ir contigo até mesmo à prisão e à morte!'
34Jesus, porém, respondeu: 'Pedro, eu te digo que hoje, antes que o galo cante,
três vezes tu negarás que me conheces.'  É preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura.
35E Jesus lhes perguntou: 'Quando vos enviei sem bolsa, sem sacola, sem sandálias, faltou-vos alguma coisa?'
Eles responderam: 'Nada.'
36Jesus continuou: 'Agora, porém, quem tiver bolsa, deve pegá-la; do mesmo modo, quem tiver uma sacola; e quem não tiver espada, venda o manto para comprar uma.
37Porque eu vos digo: É preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura:
`Ele foi contado entre os malfeitores'.  Pois o que foi dito a meu respeito tem de se realizar.'
38Mas eles disseram: 'Senhor, aqui estão duas espadas.'  Jesus respondeu: 'Basta.'
Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência.
39Jesus saiu e, como de costume, foi para o monte das Oliveiras.
Os discípulos o acompanharam.
40Chegando ao lugar, Jesus lhes disse: 'Orai para não entrardes em tentação.'
41Então afastou-se a uma certa distância e, de joelhos, começou a rezar:
42'Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua!'
43Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava.
44Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência.
Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão.
45Levantando-se da oração, Jesus foi para junto dos discípulos e encontrou-os dormindo, de tanta tristeza.
46E perguntou-lhes: 'Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai para não entrardes em tentação.'
udas, com um beijo tu entregas o Filho do Homem?
47Jesus ainda falava, quando chegou uma multidão. Na frente, vinha um dos Doze, chamado Judas, que se aproximou de Jesus para beijá-lo.
48Jesus lhe disse: 'Judas, com um beijo tu entregas o Filho do Homem?'
49Vendo o que ia acontecer, os que estavam com Jesus disseram:
'Senhor, vamos atacá-los com a espada?'
50E um deles feriu o empregado do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
51Jesus, porém, ordenou: 'Deixai, basta!' E tocando a orelha do homem, o curou.
52Depois Jesus disse aos sumos sacerdotes, aos chefes dos guardas do templo e aos ancióos,
que tinham vindo prendê-lo: 'Vós saístes com espadas e paus, como se eu fosse um ladrão?
53Todos os dias eu estava convosco no templo, e nunca levantastes a mão contra mim.
Mas esta é a vossa hora, a hora do poder das trevas.'
Pedro saiu para fora e chorou amargamente.
54Eles prenderam Jesus e o levaram, conduzindo-o à casa do Sumo Sacerdote.
Pedro acompanhava de longe.
55Eles acenderam uma fogueira no meio do pátio e sentaram-se ao redor.
Pedro sentou-se no meio deles.
56Ora, uma criada viu Pedro sentado perto do fogo encarou-o bem e disse:
'Este aqui também estava com ele!'
57Mas Pedro negou: 'Mulher, eu nem o conheço!'
58Pouco depois, um outro viu Pedro e disse: 'Tu também és um deles.'
Mas Pedro respondeu: 'Homem, não sou .'
59Passou mais ou menos uma hora, e um outro insistia:
'Certamente, este aqui também estava com ele, porque é galileu!'
Mas Pedro respondeu:
60'Homem, não sei o que estás dizendo!' Nesse momento, enquanto Pedro ainda falava, um galo cantou.
61Então o Senhor se voltou e olhou para Pedro.
E Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe tinha dito:
'Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás.'
62Então Pedro saiu para fora e chorou amargamente Profetiza quem foi que te bateu?
63Os guardas caçoavam de Jesus e espancavam-no;
64cobriam o seu rosto e lhe diziam: 'Profetiza quem foi que te bateu?'
65E o insultavam de muitos outros modos. Levaram Jesus ao tribunal deles 
66Ao amanhecer, os anciãos do povo, os sumos sacerdotes e os mestres da Lei
reuniram-se em conselho  e levaram Jesus ao tribunal deles.
67E diziam: 'Se és o Cristo, dize-nos!' Jesus respondeu:
'Se eu vos disser, não me acreditareis, 68e, se eu vos fizer perguntas, não me respondereis.
69Mas, de agora em diante, o Filho do Homem estará sentado à direita do Deus Poderoso.'
70Então todos perguntaram:
'Tu és, portanto, o Filho de Deus?'
Jesus respondeu: 'Vós mesmos estais dizendo que eu sou!'
71Eles disseram: 'Será que ainda precisamos de testemunhas?
Nós mesmos o ouvimos de sua própria boca!'
23,1Em seguida, toda a multidóo se levantou e levou Jesus a Pilatos. Não encontro neste homem nenhum crime.
2Começaram então a acusá-lo, dizendo: 'Achamos este homem  fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei.'
3Pilatos o interrogou: 'Tu és o rei dos judeus?' Jesus respondeu, declarando: 'Tu o dizes!'
4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão: 'Não encontro neste homem nenhum crime.'
5Eles, porém, insistiam: 'Ele agita o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui. '
6Quando ouviu isto, Pilatos perguntou:
'Este homem é galileu?'
7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes,
Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus,
pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito  esperava vê-lo fazer algum milagre.
9Ele interrogou-o com muitas perguntas.
Jesus, porém, nada lhe respondeu.
10Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência.
11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos.
12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.
Pilatos entregou Jesus à vontade deles.
13Entóo Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse:
14'Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo.
Pois bem! Já o interroguei diante de vós e nóo encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais;
15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte.
16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei.
18Toda a multidão começou a gritar:
'Fora com ele! Solta-nos Barrabás!'
19Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio.
20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus.
21Mas eles gritavam: 'Crucifica-o! Crucifica-o!'
22E Pilatos falou pela terceira vez: 'Que mal fez este homem? 
Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte.
Portanto, vou castigá-lo e o soltarei.'
23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado.
E a gritaria deles aumentava sempre mais.
24Então Pilatos decidiu  que fosse feito o que eles pediam.
25Soltou o homem que eles queriam - aquele que fora preso por revolta e homicídio -
e entregou Jesus à vontade deles.
Filhas de Jerusalém, não choreis por mim!
26Enquanto levavam Jesus,  pegaram um certo Simão, de Cirene,
que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus.
27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele.
28Jesus, porém, voltou-se e disse:
'Filhas de Jerusalém, nóo choreis por mim!
Chorai por vós mesmas e por vossos filhos!
29Porque dias virão em que se dirá:
'Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz
e os seios que nunca amamentaram'.
30Entóo começarão a pedir às montanhas: 'Caí sobre nós! e às colinas: 'Escondei-nos!'
31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?'
32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus.
Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!
33Quando chegaram ao lugar chamado 'Calvário', ali crucificaram Jesus e os malfeitores:
um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia: 'Pai, perdoa-lhes!
Eles não sabem o que fazem!' Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus.
Este é o Rei dos Judeus.
35O povo permanecia lá, olhando.
E até os chefes zombavam, dizendo:
'A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!'
36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre,
37e diziam: 'Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!'
38Acima dele havia um letreiro: 'Este é o Rei dos Judeus.' Hoje estarás comigo no Paraíso.
39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo:
'Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!' 40Mas o outro o repreendeu, dizendo:
'Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação?
41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos;
mas ele não fez nada de mal. 
42E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado.'
43Jesus lhe respondeu: 'Em verdade eu te digo:ainda hoje estarás comigo no Paraíso.'
Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. 44Já era mais ou menos meio-dia  e uma escuridão cobriu toda a terra até às três horas da tarde,
45pois o sol parou de brilhar.
A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito:
'Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.' Dizendo isso, expirou.
Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
47O oficial do exército romano viu o que acontecera glorificou a Deus dizendo:
'De fato! Este homem era justo!'
48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido,
e voltaram para casa, batendo no peito.
49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galiléia,
ficaram à distância, olhando essas coisas. José colocou o corpo de Jesus num túmulo escavado na rocha.
50Havia um homem bom e justo, chamado José, membro do Conselho,
51o qual não tinha aprovado a decisão nem a ação dos outros membros.
Ele era de Arimatéia, uma cidade da Judéia, e esperava a vinda do Reino de Deus.
52José foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 
53Desceu o corpo da cruz, enrolou-o num lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha,
onde ninguém ainda tinha sido sepultado.
54Era o dia da preparação da Páscoa, e o sábado já estava começando.
55As mulheres, que tinham vindo da Galiléia com Jesus, foram com José, para ver o túmulo
e como o corpo de Jesus ali fora colocado.
56Depois voltaram para casa e prepararam perfumes e bálsamos.
E, no sábado, elas descansaram,  conforme ordenava a Lei.

Palavra da Salvação.


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Comentário 
AS TREVAS E A LUZ 


No pórtico da Páscoa a liturgia põe ante nossos olhos dois quadros contrapostos, quase contraditórios. Por um lado a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que dá nome à solenidade de hoje, “domingo de Ramos”; pelo outro, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. O faz para nos lembrar de que o triunfo de Jesus não é um triunfo segundo os critérios humanos. Ao contrario, trata-se do ingresso triunfal que precede ao que, segundo esses critérios, é uma completa derrota. Tratou, talvez, só de um formoso sonho, outro mais, corrompido pela crueldade da história? A liturgia está-nos dizendo também que esta morte ignominiosa é o prelúdio de uma vitória que supera toda medida. Por isso, faz sentido a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, na qual é aclamado e confessado por seus discípulos como o verdadeiro Rei dos tempos messiânicos, o Messias enviado por Deus, ao mesmo tempo em que, à luz da leitura da Paixão, nos revela, antecipando a Sexta-feira da Paixão, o sentido do messianismo e a realeza de Cristo.

Os dois textos que a cada ano emolduram a leitura dramatizada da Paixão (neste ano, ciclo C, segundo são Lucas) nos ajudam também a descobrir o sentido dos acontecimentos que vamos contemplar. Por mais que muitos dos discípulos que acompanhavam a Jesus a Jerusalém, se não todos, esperavam outro desfecho dessa entrada, o que aconteceu depois estava antecipado pelos textos proféticos. Como dizer ao abatido uma palavra de esperança, se não participando realmente desse abatimento? Se Jesus triunfasse humanamente, se tivesse se convertido em um líder, dos que prometem o paraíso na terra aos pobres e marginalizados, aos doentes e aos que sofrem, mas que não conhecem na primeira pessoa essas situações, senão que, em nome de sua importante missão, vive afastado delas e, de passagem, leva uma boa vida... Não, Jesus é um Rei e Messias que toma sobre si o abatimento e o sofrimento humano, e se faz companheiro na caminhada de todos os que sofrem (e quem não sofre de um modo ou outro?), para que sintam a ajuda de Deus, para que saibam que não ficarão sós. Também Paulo nos ajuda a entender esta derrota que se converte em vitória: Jesus é o Cristo que renunciou voluntariamente a sua glória para compartilhar toda nossa condição humana. Assim, aquilo que Adão (o homem) quis arrebatar de Deus para ocupar seu posto, a isso renunciou Cristo para compartilhar com o homem. Só à luz desta extrema liberdade e generosidade podemos entender o que aos olhos humanos é uma tragédia, só sim podemos não só contemplar, senão também entrar e participar na Paixão de Cristo Jesus, Senhor nosso.

Cada um deve fazer seu este caminho cheio de sugestões e matizes. No que segue, sem pretender ser exaustivos, nos limitamos a fazer alguns sublinhados.

Instituição da Eucaristia.
Lucas abre o relato da Paixão com a instituição da Eucaristia. É um chamado a tomar consciência do que significa participar no sacramento eucarístico. Não é “cumprir um rito litúrgico”, “ir à missa” ou como possa ser chamado. É entrar em comunhão vital com a Paixão de Cristo, receber seus frutos para podermos nos entregar como Ele o fez por nós. Isto nos pede abandonar os interesses bastardos, a escolha aberta do mal em benefício próprio (como Judas), mas também a escolha do bem por mero interesse subjetivo (como os outros discípulos, que discutem sobre quem é o primeiro. Um modo bem concreto e realista de participar na Paixão de Cristo é viver em atitude de serviço: como Cristo, se fazer livremente escravo dos demais.

O papel de Pedro.
Pedro aparece duas vezes neste relato da paixão, durante a última Ceia e durante o processo contra Jesus. Destaca a debilidade do homem encarregado por Cristo para sustentar a seus irmãos. Como pode os sustentar quem, cheio de temor, negou ao Mestre? Vemos aqui o grande mistério do Deus que confia nos homens, que não perde neles a esperança, que põe em suas débeis mãos o destino da grande obra da salvação. Se Deus confia assim em nós, não devemos nós confiar em Deus? Não teremos que confiar naqueles aos quais Deus confiou o ministério de pastorear? Não é uma confiança cega, senão iluminada por essa oração de Jesus pelo débil Pedro para que sua fé (e a de todos nós) não se apague. As lágrimas amargas de arrependimento e o fato de que Pedro realmente acabou dando sua vida em testemunho da fé nos falam da eficácia da oração de Cristo, da força de seu olhar.

A oração em Getsêmani

Jesus, homem de oração, ora também no momento supremo da prova. E dá-nos uma grande lição sobre como temos de orar quando a desgraça espreita. Podemos e devemos orar para que Deus nos livre da doença e da morte, e de todo mal. Mas, como Jesus antes da Paixão, nossa oração deve estar carregada da entrega confiada à vontade de Deus: “Pai, se quer, aparta de mim esse cálice; mas que não se faça minha vontade, senão a tua”. Aparentemente, Deus não escutou na oração de Jesus, não lhe poupou o amargo cálice da morte. Mas, nossa fé nos diz que Deus nos escuta sempre, que nenhuma oração cai por água abaixo, embora às vezes pareça. Na realidade, sua resposta supera toda medida, toda esperança humana. No caso de Jesus, a resposta do Pai está na Ressurreição. A nós corresponde vivermos vigiando, orando continuamente para não cair em tentação.

Vencer o mal com o bem.

Embora Jesus avise-nos de que temos de nos preparar para enfrentar lutas e contradições, nos exorta também a nos armar só com as armas da justiça e do bem. No momento do aprisionamento, “a hora do poder das trevas” (expressa no cinismo do beijo de Judas), Jesus proíbe a violência e, inclusive, faz o bem a quem o prende, curando ao que foi ferido pela espada. Jesus tem o poder de curar àqueles que foram feridos pelo medo, a ira, a debilidade ou o pecado de seus próprios discípulos. Daí a grande importância para nós de não defender a Jesus “por nossa conta”, com um ciúme mal entendido, precisamente caindo na tentação (do poder ou a violência), senão de reproduzir em nós os mesmos sentimentos de Cristo, conforme o texto da Carta de São Paulo aos Filipenses 2, 5: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus”.

O testemunho da verdade no meio da humilhação

O processo contra Jesus é uma sucessão de humilhações, mentiras, conluios e atos covardes. Neste quadro descobrimos descarnadamente o deboche ante o mais sagrado. Algo que se repete diariamente no mundo de múltiplas formas: o homem atreve-se a encarar-se com Deus, a desafiá-lo, a rir dele: de sua autoridade profética, de seu poder para realizar milagres como sinais de salvação, de seu caráter régio. Quantas vezes Deus é escarnecido, desafiado, negado diretamente, seja porque se faz da religião objeto de deboche; seja porque homens ditos religiosos apresentam uma imagem monstruosa de um deus cruel inimigo dos homens; seja porque, atenta-se impunemente contra o grande sacramento de Deus na terra que é sua imagem viva, a dignidade de cada ser humano. Neste contexto de humilhação se destaca precisamente a dignidade deste homem, perfeita imagem de Deus (conforme Colossenses 1, 15: Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação.), que confessa sem arranjos nem compromissos a verdade perigosa que sabe que lhe atrairá a condenação: testemunha sua filiação divina ante os sumos sacerdotes, sua realeza ante Pilatos, cala quando o repudio a verdade é completada, como em Herodes, por fim, encarna a verdade que testemunha na palavra de perdão inclusive para seus verdugos, desculpando sua ignorância e alimentando assim a esperança de salvação para além do imaginável e da estrita justiça. Só olhando a Cristo descobrimos o autêntico rosto de Deus, e a verdade do homem como imagem sua.

Luzes que iluminam a escuridão.

No meio da hora do poder das trevas é Jesus a luz que ilumina a escuridão, como anunciado na noite de Natal (conforme Is 9, 2: “Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos”). Mas junto a Ele descobrimos muitos outros pontos de luz, luzes que nos ajudam a fazer este caminho, esta via dolorosa que conduz ao Calvário: Simão de Cirene, ao qual impuseram a cruz para carregá-la atrás de Jesus; as santas mulheres de Jerusalém, que choram com compaixão pela lenha verde arrancada da raiz; o bom ladrão, que nos diz que até o último momento há esperança de conversão, para estar “hoje” com Cristo em seu reino; o centurião romano, pagão e o primeiro em confessar a este estranho Deus e Messias crucificado; também a multidão que, nos diz Lucas, foi ver um espetáculo, voltou dando golpes no peito, um detalhe que nos diz que a fé não é coisa de um seleto grupo de eleitos; José de Arimatéia, que ao pedir o corpo de um condenado à cruz está confessando sua fé neste homem derrotado e morto; por fim, as mulheres que o acompanharam desde a Galileia, cuja fé e esperança atravessam o muro da morte, a grande pedra do sepulcro, e querem vigiar junto a ele.

Tudo isto nos fala de que neste mundo terrível e cheio de sofrimento, há também muito bem, muitas luzes que se alimentam do fogo e da Luz de Cristo. Todo o relato da Paixão nos está chamando a vencer nossos medos e nossas indiferenças, a nos aproximar sem temor a este Messias derrotado, a tomar partido, a nos converter também nós em luzes que iluminam a paixão de Cristo, a paixão de Deus a favor do homem, e que alimentam assim a esperança da humanidade.


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