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III Domingo da Quaresma (Ano C)

Nesta terceira etapa da caminhada para a Páscoa somos chamados, mais uma vez, a repensar a nossa existência. O tema fundamental da liturgia de hoje é a “conversão”. Com este tema enlaça-se o da “libertação”: o Deus libertador propõe-nos a transformação em homens novos, livres da escravidão do egoísmo e do pecado, para que em nós se manifeste a vida em plenitude, a vida de Deus.
O Evangelho contém um convite a uma transformação radical da existência, a uma mudança de mentalidade, a um recentrar a vida de forma que Deus e os seus valores passem a ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa vida será cada vez mais controlada pelo egoísmo que leva à morte.
A segunda leitura avisa-nos que o cumprimento de ritos externos e vazios não é importante; o que é importante é a adesão verdadeira a Deus, a vontade de aceitar a sua proposta de salvação e de viver com Ele numa comunhão íntima.
A primeira leitura fala-nos do Deus que não suporta as injustiças e as arbitrariedades e que está sempre presente naqueles que lutam pela libertação. É esse Deus libertador que exige de nós uma luta permanente contra tudo aquilo que nos escraviza e que impede a manifestação da vida plena.



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Êxodo (
3,1-8a.13-15)


Deus age na nossa vida e na nossa história através de homens de boa vontade, que se deixam desafiar por Deus e que aceitam serem seus instrumentos na libertação do mundo.


Naqueles dias:
1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã.
Levou um dia, o rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb.
2Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça.
Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia, e disse consigo:
3'Vou aproximar-se desta visão extraordinária, para ver porque a sarça não se consome'.
4O Senhor viu que Moisés se aproximava para observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: 'Moisés! Moisés!'
Ele respondeu: 'Aqui estou'.
5E Deus disse: 'Não te aproximes!
Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa'.
6E acrescentou:
'Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó'.
Moisés cobriu o rosto, pois temia olhar para Deus.
7E o Senhor lhe disse: 'Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor
por causa da dureza de seus opressores.
Sim, conheço os seus sofrimentos.
8aDesci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país
para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel.
13Moisés disse a Deus:
'Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi:
'O Deus de vossos pais enviou-me a vós'.
Mas, se eles perguntarem:
'Qual é o seu nome?' o que lhes devo responder?'
14Deus disse a Moisés:
'Eu Sou aquele que sou'. E acrescentou:
'Assim responderás aos filhos de Israel:
'Eu sou enviou-me a vós' '.
15E Deus disse ainda a Moisés:
'Assim dirás aos filhos de Israel:
'O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, enviou-me a vós'.
Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração.
Palavra do Senhor


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Salmo Responsorial 
Sl 102,1-2.3-4.6-7.8-11 (R.8a)


O Senhor é bondoso e compassivo.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e todo o meu ser, seu santo nome!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!
O Senhor é bondoso e compassivo.Pois ele te perdoa toda culpa,
e cura toda a tua enfermidade;
da sepultura ele salva a tua vida
e te cerca de carinho e compaixão.
O Senhor é bondoso e compassivo.O Senhor realiza obras de justiça
e garante o direito aos oprimidos;
revelou os seus caminhos a Moisés,
e aos filhos de Israel, seus grandes feitos.
O Senhor é bondoso e compassivo.
O Senhor é indulgente, é favorável,
é paciente, é bondoso e compassivo.
Quanto os céus por sobre a terra se elevam
tanto é grande o seu amor aos que o temem.
O Senhor é bondoso e compassivo.


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Segunda Leitura 
Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios
(10,1-6.10.12)


O que é essencial na nossa vivência cristã? O cumprimento de ritos externos que nos marcam como cristãos aos olhos do mundo? Ou é uma vida de comunhão com Deus, vivida com coerência e verdade, que depois se transforma em gestos de amor e de partilha com os nossos irmãos? O que é que condiciona as minhas atitudes: o “parecer bem” ou o “ser” de verdade?


1Irmãos, não quero que ignoreis o seguinte:
Os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar;
2todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar;
3e todos comeram do mesmo alimento espiritual,
4e todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava - e esse rochedo era Cristo -.
5No entanto, a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto.
6Esses fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto.
10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador.
12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.
Palavra do Senhor

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Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas (9,28b-36)


A transformação da nossa existência não pode ser adiada indefinidamente. Temos à nossa disposição um tempo relativamente curto: é necessário aproveitá-lo e deixar que em nós cresça, o mais cedo possível, o Homem Novo. Está em jogo a nossa felicidade, a vida em plenitude… Por que adiar a sua concretização?


1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam.
2Jesus lhes respondeu:
'Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa?
3Eu vos digo que não.
Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.
4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles?
Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém?
5Eu vos digo que não.
Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.'
6E Jesus contou esta parábola:
'Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha.
Foi até ela procurar figos e não encontrou.
7Então disse ao vinhateiro:
'Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro.
Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?'
8Ele, porém, respondeu:
'Senhor, deixa a figueira ainda este ano.
Vou cavar em volta dela e colocar adubo.
9Pode ser que venha a dar fruto.
Se não der, então tu a cortarás.'
Palavra da Salvação.

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Comentário
Conversão


Queridos irmãos:

Moisés está no deserto, acha-se fugitivo por defender a um companheiro maltratado, ali é onde lhe aparece Deus e lhe encomenda um dos acontecimentos mais impressionantes da história: a saída do Egito. Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça, e lhe diz: “Tira as sandálias dos pés, pois o local que pisa é terreno sagrado”. Abandona as seguranças falsas, desprende-te de muitas coisas para entrar na VIDA que é sagrada e não precisa acrescentar adjetivos (religioso, cristã, espiritual...), simplesmente é a Vida.

Deus que é o Deus da história, dos pais, o Deus de Abraão, Isaac, Jacó; o Deus da Vida: “Vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi suas queixas contra os opressores, fixei-me em seus sofrimentos. Desci para libertá-los dos egípcios e fazê-los sair, para leva-los a uma terra fértil e espaçosa, terra que corre leite e mel”. Separamos com frequência a fé da vida, fazendo de Deus algo antiquado ou do passado, algo abstrato por isso Moisés pergunta: “Se eles me perguntam como se chama este Deus, que lhes respondo? Deus disse a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Isto dirá aos israelitas: Eu sou enviou-me a vós”.

Conhecemos a libertação de Israel e os quarenta anos do deserto, mas se as pessoas perguntarem como se chama nosso Deus, o que responderemos? Esperemos que não sejam certos conceitos, senão sua forma de atuar e fazer hoje no meio dos homens. Temos que ter claro que o Deus de nossa fé está ali, onde o povo sofre e é explorado. Está na vida diária dos que se sentem prisioneiros deste sistema, que às vezes adoramos como um ídolo, nos quais se sentem oprimidos, por tantos faraós que escravizam a diferentes povos. Ele nos envia como Moisés, após um processo de CONVERSÃO, para tirá-los e nos tirar dessa situação.

Como dirá Paulo na segunda leitura: “Todos atravessaram o mar e todos foram batizados em Moisés pela nuvem e o mar; e todos comeram o mesmo alimento espiritual; e todos beberam da mesma bebida espiritual, pois bebiam da rocha espiritual que os seguia; e a rocha era Cristo”. Aquela história de libertação, aqueles quarenta anos de deserto, são símbolo da Quaresma, do passo liberador da morte à ressurreição, da Páscoa. Cristo e o Evangelho são a resposta, “EU SOU”, que nos convida a transformar nossas vidas, a entrar descalços no mistério da Vida.

O texto do Evangelho deste domingo supõe uma mudança de mentalidade, alguns pensam que as desgraças que ocorrem é por serem pecadores ou mais culpadas que outros. Jesus lembra-nos: “se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo".  A parábola da figueira estéril, que nos conta a seguir, acentua a misericórdia e a paciência de Deus ante a preguiça humana, mas ainda nos deixa tempo: “Senhor, deixa-a ainda neste ano; eu cavarei ao redor e lhe jogarei adubo, pode ser que venha dar fruto. Se der, no ano que vem a cortarás”. A Quaresma é tempo de regar, arar, cultivar, adubar... (orar, celebrar, meditar...) e fazer presente a libertação ali onde está a vida: a família, o trabalho, o escritório, a escola, a paróquia, os vizinhos, as instituições públicas... 

Termina a segunda leitura de hoje aos Coríntios: “Portanto, o que se acha seguro, cuidado para não cair”. Caminhemos descalços, ante a sarça ardente de Deus, que é fogo e luz e no terreno sagrado da vida dos irmãos, sobretudo dos que sofrem. Teremos um longo caminho que percorrer, para nos mudar como Moisés, por dentro de nós mesmos e prestemos sobretudo atenção aos sinais através dos quais o Senhor fala.  


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