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A Palavra

III Domingo da Páscoa - "A"

A liturgia deste III Domingo da Pascoa convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para “partir o pão”; apela, ainda, para que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens. É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, a caminhar ao lado dos discípulos, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-Se com eles à mesa para “partir o pão”. É aí que os discípulos O reconhecem.
A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como do amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.
A segunda leitura convida a contemplar com olhos de ver o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos (2,14.22-33)


O texto da Primeira Leitura insiste numa mensagem que, nestes dias, aparece com grande insistência: Deus ressuscitou Jesus e não permitiu que a morte O derrotasse… A ressurreição de Cristo prova que uma vida gasta ao serviço do plano do Pai, na entrega aos homens, não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à exaltação, à vida plena. É conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e autossuficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude.


No dia de Pentecostes,

14Pedro de pé, junto com os onze apóstolos,
levantou a voz e falou à multidão:
22'Homens de Israel, escutai estas palavras:
Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus,
junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais
que Deus realizou, por meio dele, entre vós.
Tudo isto vós bem o sabeis.
23Deus, em seu desígnio e previsão,
determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos 
ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz.
24Mas Deus ressuscitou a Jesus,
libertando-o das angústias da morte,
porque não era possível que ela o dominasse.
25Pois Davi dele diz:
Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à
minha direita para eu não vacilar.
26Alegrou-se por isso meu coração
e exultou minha língua
e até minha carne repousará na esperança.
27Porque não deixarás minha alma
na região dos mortos nem permitirás que teu Santo
experimente corrupção.
28Deste-me a conhecer os caminhos da vida e
a tua presença me encherá de alegria.
29Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza
que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu
sepulcro está entre nós até hoje.
30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara
solenemente que um de seus descendentes
ocuparia o trono.
31É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e
anunciou com as palavras:
Ele não foi abandonado na região dos mortos
e sua carne não conheceu a corrupção.
32Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus
e disto todos nós somos testemunhas.
33E agora, exaltado pela direita de Deus,
Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido
pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 15,1-2a.5.7-8.9-10.11


Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

1Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
2Digo ao Senhor: 'Somente vós sois meu Senhor:
nenhum bem eu posso achar fora de vós!'
5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

7Eu bendigo o Senhor, que me aconselha,
e até de noite me adverte o coração.
8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

9Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
10pois não haveis de me deixar entregue à morte,
nem vosso amigo conhecer a corrupção. 

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!

11Vós me ensinais vosso caminho para a vida; 
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro (1,17-21)


O texto da Segunda Leitura convida-nos, antes de mais, a contemplar o imenso amor de Deus pelos homens. Esse amor traduziu-se no envio do próprio Filho (Jesus Cristo), com uma proposta de salvação. Da fidelidade do Filho ao projeto do Pai resultou o seu confronto com o egoísmo e o pecado e a morte na cruz. Não há maior expressão de amor do que entregar a vida em favor de alguém; e é dessa forma que Deus nos ama. Temos consciência disso?


Caríssimos:
17Se invocais como Pai aquele que sem discriminação
julga a cada um de acordo com as suas obras,
vivei então respeitando a Deus
durante o tempo de vossa migração neste mundo.
18Sabeis que fostes resgatados
da vida fútil herdada de vossos pais,
não por meio de coisas perecíveis,
como a prata ou o ouro,
19mas pelo precioso sangue de Cristo,
como de um cordeiro sem mancha nem defeito.
20Antes da criação do mundo, ele foi destinado
para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu,
por amor de vós.
21Por ele é que alcançastes a fé em Deus.
Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória,
e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus.
Palavra do Senhor.


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 24,13-35


Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de esperança.


13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana,
dois dos discípulos de Jesus
iam para um povoado, chamado Emaús,
distante onze quilômetros de Jerusalém.
14Conversavam sobre todas as coisas que tinham 
acontecido.
15Enquanto conversavam e discutiam,
o próprio Jesus se aproximou
e começou a caminhar com eles.
16Os discípulos, porém, estavam como que cegos,
e não o reconheceram.
17Então Jesus perguntou:
'O que ides conversando pelo caminho?'
Eles pararam, com o rosto triste,
18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse:
'Tu és o único peregrino em Jerusalém
que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?'
19Ele perguntou: 'O que foi?'
Os discípulos responderam:
'O que aconteceu com Jesus, o Nazareno,
que foi um profeta poderoso em obras e palavras,
diante de Deus e diante de todo o povo.
20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes
o entregaram para ser condenado à morte e o 
crucificaram.
21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel,
mas, apesar de tudo isso,
já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!
22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo
nos deram um susto.
Elas foram de madrugada ao túmulo
23e não encontraram o corpo dele.
Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos
e que estes afirmaram que Jesus está vivo.
24Alguns dos nossos foram ao túmulo
e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito.
A ele, porém, ninguém o viu.'
25Então Jesus lhes disse:
'Como sois sem inteligência e lentos
para crer em tudo o que os profetas falaram!
26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso
para entrar na sua glória?'
27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas,
explicava aos discípulos
todas as passagens da Escritura
que falavam a respeito dele.
28Quando chegaram perto do povoado para onde iam,
Jesus fez de conta que ia mais adiante.
29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo:
'Fica conosco, pois já é tarde
e a noite vem chegando!'
Jesus entrou para ficar com eles.
30Quando se sentou à mesa com eles,
tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.
31Nisso os olhos dos discípulos se abriram
e eles reconheceram Jesus.
Jesus, porém, desapareceu da frente deles.
32Então um disse ao outro:
'Não estava ardendo o nosso coração
quando ele nos falava pelo caminho,
e nos explicava as Escrituras?'
33Naquela mesma hora, eles se levantaram
e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze
reunidos com os outros.
34E estes confirmaram:
'Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!'
35Então os dois contaram
o que tinha acontecido no caminho,
e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
Palavra da Salvação.


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Comentário
Ver, Julgar e Atuar.


Queridos irmãos,

Não sabemos ver Jesus Ressuscitado, como ocorre aos dois discípulos de Emaús. Vamos pelo caminho da vida, com uma mentalidade míope, pensando em nossos problemas, em nossas esperanças e ilusões fracassadas. Quando um desconhecido se aproxima do nosso caminhar, é um bom momento para falar de nós, ou de Jesus o Nazareno, uma vez morto, parece perder sentido: “Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! ”. Muitas vezes dizemos vamos buscar ao Mestre, mas o que buscamos é a nós mesmos.

Por isso, o desânimo com o que olhamos a vida, as queixas constantes, nosso afastamento da comunidade, o voltar a nos mesmos, a atitude covarde.... Nos torna impossível reconhecer naquele peregrino, o Ressuscitado. Para vê-lo, devemos sair de nosso ego, olhar ao homem que cruza em nosso caminho, que está próximo de nós, o que não vê a seu próximo, não pode ver a Jesus. Falamos muito e escutamos pouco, só quando se calaram e começaram a escutar ao companheiro de caminho, se abriu seu coração.

Começa com dureza: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?”. Começou-lhes a lembrar as Escrituras, precisamos voltar às fontes, para não criar um Jesus a nossa medida. Quantas vezes após escutar o Evangelho ou celebrar a Eucaristia, podemos dizer como eles: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras? ”. Nos oferece todo um modelo de acompanhamento, usando a Palavra de Deus, Jesus parte da situação pessoal dos dois discípulos, escutando-os e compreendendo seus problemas, e depois lhes fala, interpretando sua vida real e concreta à luz da Palavra.

Todo um processo, que conta com um VER (acompanhar pelo caminho, escutar), um JULGAR (desde as Escrituras e a fração do pão) e um ATUAR (desandar o caminho, anunciar o encontrado). Encontrar ao Ressuscitado exige passar pelos três momentos, não podemos pretender ver Jesus só nas Escrituras e na Eucaristia. A Eucaristia é antes que nada uma comida entre amigos, que quer fazer perdurar a presença dos companheiros de viagem, no gesto de compartilhar o mesmo pão, símbolo da vida com seus problemas e alegrias, descobrimos ao mesmo Jesus.

Uma vez descoberto como os dois de Emaús, esquecemos nossos cansaços e embora seja noite, nos levantamos e corremos alegres, para comunicar a boa nova a todos os irmãos: “Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. ”. É nossa história, você e eu somos os dois caminhantes, os que debatemos entre o ver e não ver. Crer na Ressurreição é a pedra de toque de nossa fé. Por isso a Páscoa, é um maravilhoso tempo para que reflitamos sobre no que cremos, sobre o qual agora chamamos Jesus Cristo, que em definitivo, é olhar nossa própria vida e a de nossos irmãos e captar nelas os sinais de esperança, de amor, de alegria, de mudança, de Ressurreição.

Poderíamos terminar com a primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, lembrando com São Pedro: “Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo
experimente corrupção. Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria.”. É Páscoa e embora invisível, o Ressuscitado faz-se visível na realidade quotidiana de nossa vida.


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II Domingo da Páscoa - "A"

A liturgia deste Domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.

Na primeira leitura temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha - com gestos concretos - a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.

A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identificação de cada crente com Cristo - nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens - conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.

No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leiutura 
Leitura dos Atos dos Apóstolos (2, 42-47)


 

A comunidade cristã é uma comunidade de partilha. No centro dessa comunidade está o Cristo do amor, do serviço, do dom da vida… O cristão não pode, portanto, viver fechado no seu egoísmo, indiferente à sorte dos outros irmãos. Em concreto, o nosso texto fala na partilha dos bens… Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros não têm o suficiente para viver dignamente, será uma comunidade que testemunha, diante dos homens, esse mundo novo de amor que Jesus veio propor?

 

Os que haviam se convertido
42eram perseverantes em ouvir 
o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna
na fração do pão e nas orações.
43E todos estavam cheios de temor
por causa dos numerosos prodígios e sinais
que os apóstolos realizavam.
44Todos os que abraçavam a fé viviam unidos
e colocavam tudo em comum;
45vendiam suas propriedades e seus bens
e repartiam o dinheiro entre todos,
conforme a necessidade de cada um.
46Diariamente, todos frequentavam o Templo,
partiam o pão pelas casas e, unidos,
tomavam a refeição com alegria
e simplicidade de coração.
47Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo.
E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número
mais pessoas que seriam salvas.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 117,2-4.13-15.22-24 (R.1)


Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom;
eterna é a sua misericórdia!

2A casa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
3A casa de Aarão agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
4Os que temem o Senhor agora o digam:
'Eterna é a sua misericórdia!'
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom;
eterna é a sua misericórdia!

13Empurraram-me, tentando derrubar-me,
mas veio o Senhor em meu socorro.
14O Senhor é minha força e o meu canto,
e tornou-se para mim o Salvador.
15'Clamores de alegria e de vitória
ressoem pelas tendas dos fiéis.
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom;
eterna é a sua misericórdia!

22'A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
23Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
24Este é o dia que o Senhor fez para nós,
alegremo-nos e nele exultemos!

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom;
eterna é a sua misericórdia!


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro (1,3-9)


Somos convidados a percorrer a nossa vida com esperança, olhando para além dos problemas e dificuldades que dia a dia nos fazem tropeçar e vendo, no horizonte, a salvação definitiva. Isto não significa alhearmo-nos da vida presente; mas significa enfrentar as contrariedades e os dramas de cada dia com a serenidade e a paz de quem confia em Deus e no seu amor.


3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva,
4para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, 
e que é reservada para vós nos céus.
5Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação
que deve manifestar-se nos últimos tempos.
6Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum
tempo aflitos, por causa de várias provações.

7Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira - mais preciosa que o ouro
perecível, que é provado no fogo - e alcançará louvor, honra e glória no dia da
manifestação de Jesus Cristo.

8Sem ter visto o Senhor, vós o amais.
Sem o ver ainda, nele acreditais.
Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa,
9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.
Palavra do Senhor.


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (20,19-31)


A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo, encontra-O em nós?


19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam,
Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 'A paz esteja convosco'.
20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio'.
22E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo.
23A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados;
a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio.
25Os outros discípulos contaram-lhe depois:
'Vimos o Senhor!'. Mas Tomé disse-lhes:
'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei'.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.
Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: 'A paz esteja convosco'.
27Depois disse a Tomé:
'Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.
E não sejas incrédulo, mas fiel'.
28Tomé respondeu: 'Meu Senhor e meu Deus!'
29Jesus lhe disse: 'Acreditaste, porque me viste?
Bem-aventurados os que creram sem terem visto!'
30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos,
que não estão escritos neste livro.
31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus,
e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Palavra da Salvação.


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Comentário
Tocar as feridas de nossos Irmãos


O Evangelho de hoje não é um relato pascal a mais. Não se trata só de contar como Jesus apareceu, após morto, aos discípulos de diversas maneiras. O Evangelho de hoje mostra-nos uma forma diferente de nos encontrar com Jesus ressuscitado, de chegar a sentir a esperança e a vida nova que sua Ressurreição representa para nós.  

A incredulidade de Tomé nos permite descobrir um caminho novo, com uma luz diferente que nos permite descobrir o verdadeiro ser de Deus, manifestado em Jesus de Nazaré. É um caminho que nos tira das veredas habituais e rotineiras para nos deslumbrar com a possibilidade de viver de outra maneira: ao modo de Deus.  

As palavras de Tomé “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”, estas palavras dão o motivo para Jesus nos lançar um desafio: “Traz teu dedo, aqui tem minhas mãos; traz tua mão e coloque-a em meu custado”. É o Ressuscitado que fala assim. Mas refere-se a seu corpo dolorido, torturado, sangrento. Refere-se a suas feridas abertas. Uma vez mais a cruz e o sofrimento cruzam-se no caminho do cristão que leva à ressurreição. Jesus Ressuscitado manifesta-se precisamente ao colocar a mão nas feridas do Jesus morto, do Jesus que recolheu em seu corpo torturado toda a dor do mundo e da história, daqueles aos quais tocou sempre a pior parte desta história nossa.  

Tocar as feridas de nossos Irmãos

Talvez esta seja a mensagem central do Evangelho deste segundo domingo de Páscoa. Ao Jesus Ressuscitado não o encontramos na paz das igrejas. Devemos sair pelo mundo. Devemos colocar a mão nas feridas da história. Devemos nos aproximar aos que lhes tocou a pior parte, aos pobres, aos marginados de todo tipo, aos que sofrem por qualquer razão. Aí, tocando a cruz, controlando a repulsão que podemos sentir, é como nos encontramos com o Senhor Ressuscitado, com o Jesus ao qual o Pai devolveu a vida. Aproximando-nos dos locais escuros da história, onde o pecado, a dor e a morte estão demasiado presentes, onde aparentemente não cabe a esperança, é como encontraremos ao que é a fonte de toda esperança, o que nos faz olhar para além da morte, com uma perspectiva que não é a dos homens senão a perspectiva de Deus.

Tocando as feridas de nossos irmãos e irmãs, será como poderemos escutar dos lábios do mesmo Jesus a palavra que curará nosso coração: “A paz esteja convosco”. No meio da dor de nossos irmãos, assumido como nossa, poderemos escutar a palavra de Pedro da segunda leitura. Saberemos que nascemos de novo para uma esperança viva, para uma herança incorruptível e nos sentiremos capazes de viver com alegria, embora soframos em provas diversas.

Escutar a Jesus, lá onde nos fala

Sentindo a todos os homens e mulheres como irmãos e irmãs no coração, seremos capazes de recriar aquela comunidade primeira na qual todos viviam unidos e tinham tudo em comum. Como nos diz a Gaudium et Spes em seu primeiro parágrafo: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”. E aí precisamente é onde experimentamos Jesus Ressuscitado e escutamos uma vez mais sua voz, que nos enche de esperança: “A paz esteja convosco”.


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Solenidade da Páscoa da Ressurreição do Senhor

A liturgia deste domingo de Páscoa celebra a Ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.
A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).
A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).



Primeira Leitura  
Salmo Responsorial

Segunda Leitura
Sequência Pascal
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos (
10,34a.37-43)


A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a “fazer o bem e a libertar os oprimidos”. Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, a mentira, a injustiça e por fazer triunfar o amor, está ressuscitando; significa que sempre que alguém – na linha de Jesus – se dá aos outros e manifesta em gestos concretos a sua entrega aos irmãos, está ressuscitando. Eu estou ressuscitando, porque caminho pelo mundo fazendo o bem, ou a minha vida é uma submissão ao egoísmo, ao orgulho, ao comodismo?


Naqueles dias:
34aPedro tomou a palavra e disse:
37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João:
38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder.
Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
39E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém.
Eles o mataram, pregando-o numa cruz.
40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se
41não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus,
depois que ressuscitou dos mortos.
42E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos.
43Todos os profetas dão testemunho dele:
'Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'.'
Palavra do Senhor


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Salmo Responsorial 
 Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)


Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'
casa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou,
Não morrerei, mas ao contrário, viverei
para cantar as grandes obras do Senhor!
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (
3,1-4)


O Batismo nos introduz em uma dinâmica de comunhão com Cristo ressuscitado. Tenho consciência de que o meu Batismo significou um compromisso com Cristo?


Irmãos:
1Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
2onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.
3Pois vós morrestes,
e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo,
então vós aparecereis também com ele,
revestidos de glória.
Palavra do Senhor

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Sequência Pascal


1. Cantai, cristãos, afinal: “Salve,
ó vítima pascal!” / Cordeiro inocente,
o Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.
2. Por toda ovelha imolado, do
mundo lava o pecado. / Duelam
forte e mais forte: é a vida que
vence a morte.
3. O Rei da vida, cativo, foi morto,
mas reina vivo! / Responde, pois,
ó Maria: no caminho o que havia?
4. “Vi Cristo ressuscitado, o túmulo
abandonado, os anjos da cor do
sol, dobrado no chão o lençol”.
5. O Cristo que leva aos céus, Caminha
à frente dos seus! Ressuscitou, de verdade
!Ó Cristo Rei, piedade!


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Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (20,1-9)


A ressurreição de Jesus prova que a vida plena, a vida total, a libertação plena, a transfiguração total da nossa realidade e das nossas capacidades passam pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Tenho consciência disso? É nessa direção que conduzo a caminhada da minha vida?


1No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.'
3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo.
4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão
7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
9De fato, eles ainda não tinham compreendido a
Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação.

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Comentário
Já amanhece, embora ainda esteja escuro.


Durante a vigília pascal milhões de cristãos, muitos de nós, permanecemos em vigília porque queríamos ver a luz, assistir ao amanhecer da nova criação. Mas, quem nos avisou que devíamos permanecer em vigília?

Nossa mente e nossos corações voltam-se agradecidos àqueles primeiros discípulos que viveram aquela noite e a anterior sob o peso insuportável da morte do Mestre, sem saber o que aconteceria naquele amanhecer do primeiro dia da semana. Mesmo assim, elas também não podiam dormir, sentiam que deviam permanecer em vigília, ir de madrugada ao sepulcro. Dentre todos eles, se destacam as mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, assinalava ontem à noite o evangelista Lucas; João, hoje, fixa-se só na primeira.

Maria Madalena vai ao sepulcro quando ainda estava escuro, mas já está amanhecendo. O poder da morte parece ainda dominar, mas, na realidade, embora não o percebamos, a Luz da Ressurreição já ilumina a noite. A lâmpada que guia Maria na noite de sua tristeza é o amor: o amor pelo Mestre, que sobrevive à morte. Temos a experiência de que, ao morrer um ser querido, o amor nos impulsiona a estar perto dele, embora esteja morto, como querendo reter sua presença entre nós. Maria, por puro amor, quer estar próxima de Jesus; ela e as outras mulheres querem se ocupar do cadáver de Cristo, sem saber como, pois o sepulcro está fechado hermeticamente.  

A morte é repudio e escuridão, são decomposição e caos. Mas Maria, e depois o discípulo amado e Pedro, encontram o sepulcro vazio, aberto, com luz, e em ordem (as vendas, o sudário dobrado em um local aparte). O primeiro na experiência da Ressurreição não é o aparecimento (de anjos, do mesmo Cristo), senão a ausência: não está o cadáver, e os sinais de morte, escuridão e caos se desvaneceram. E este “ver” a ausência é suficiente para começar a crer.

Desta maneira paradoxal e indireta os evangelhos vão indicando que os sinais do poder da morte, tão poderosa que nem o Filho de Deus pôde a superar, começam a esmaecer.

O fato de que não “vejam” o Senhor Ressuscitado, mais só a ausência de Jesus morto, e os sinais da morte recolhidos e ordenados, nos ilustram o que significa “ver” e “crer”. O primeiro diz que não se trata de relatos fantásticos, criados para surpreender, para suscitar credulidade, e produzir um alarde de imaginação e de recursos narrativos maravilhosos. Ao invés, destacam por sua austeridade e singeleza, quase por sua “normalidade”. Narra-se um desaparecimento.

O segundo elemento, continuamente presente a todos os relatos da Ressurreição, é a dificuldade que tiveram os discípulos para crer na Ressurreição. Não foi coisa de um momento, senão um processo longo e difícil de maturação na fé. Começando pela experiência do sepulcro vazio até “ver” o Senhor, tiveram de fazer todo um caminho. O evangelho de hoje nos diz bem: “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20, 9).

Assim como o processo de seguimento de Jesus, desde o primeiro encontro na Galiléia, momento de entusiasmo (queriam fazer-lhe rei?), mas também de imaturidade, requer ir entendendo que o messianismo de Jesus não é um caminho de rosas, requer ir a Jerusalém; do mesmo modo para “ver” ao ressuscitado deve-se fazer o caminho inverso: de Jerusalém a Galiléia, o local do primeiro amor, a recuperação da inocência depois da experiência terrível da frustração da morte, do fracasso e o abandono: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia, pois é lá que eles me verão” (Jo 20, 17; Mt 28, 10).

Em nosso descrente mundo e em nosso descrente modo de vida a ordem habitual é: ver - saber - crer. Costuma-se dizer: “eu só creio no que vejo”. Embora, precisamente o que se vê com os olhos do corpo não é necessário crer. Essa afirmação significa que, na realidade, não se crê em nada. É um saber dirigido ao domínio, ao poder, que busca garantias, e só desde aí pode ser aberto debilmente ao amor (uma forma verdadeira, mais inferior de amor, dominada pelo desejo, o “amor concupiscente” de que falavam os teólogos medievais). Só se aceita o que está submetido ao controle do próprio poder. Assim, em relação a Jesus, qualquer pode saber certas coisas: “Conhecem o que aconteceu na Judeia...”, diz Pedro, colocar ante os olhos de seus ouvidos informações controláveis que chega até a morte de Cristo. Esse saber de fatos relativos a Jesus é acessível a todos, mas não pressupõe nem o amor nem a fé.

O evangelho de hoje ensina-nos uma lógica completamente diferente. O que está possuído pela lógica do poder não pode a entender, por que aqui são inúteis as demonstrações. Aqui parte-se de um “não saber”: E “diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro?” (Mc 16, 3), “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!” (Jo 20, 2), que ele tinha que ressuscitar dentre os mortos (Jo 20, 9). Mas é um “não saber” que, pese ao desconcerto e a desolação, está iluminado pelo amor, pelo desejo de estar junto ao ser amado. Enquanto um olhar desorientado que permanece aqui cega, é o amor o que habilita para “ver”: nos sinais de morte (o sepulcro vazio, as vendas enroladas, o sudário dobrado), sinais de vida, e, a partir desses indícios, crer. O amor vai para além dos dados, vê em profundidade, é capaz de intuir. E só a partir deste crer guiado pelo amor é possível, agora sim, ver o Senhor Ressuscitado. Mas disto não se fala ainda no evangelho do dia de Páscoa. Hoje se sublinham só as condições (o amor e a fé) desta experiência.

Isto explica a ordem desta forma de “ver”: primeiro Maria Madalena, depois o discípulo “que Jesus amava”, por fim, Pedro, ao qual o discípulo cede o acesso ao sepulcro. A ordem do amor nem sempre coincide com a ordem hierárquica: o amor (e sua sabedoria) é um dom aberto a todos sem distinções, que não depende de cargos nem de títulos. Mas também, e isto é muito importante, o verdadeiro amor, embora corra mais, aceita essa ordem hierárquica como uma exigência sua e, por isso, João cede ante Pedro. E é que a fé e o encontro com o ressuscitado não são assuntos meramente privados e subjetivos, senão que estão vinculados a uma comunidade: a comunidade dos discípulos. Às vezes diz-se que Jesus não queria fundar uma Igreja (é surpreendente o muito que sabem alguns, que sabem até que não queria Jesus). Mas parece irrefutável que Jesus queria a seus discípulos, queria a sua comunidade, queria que se mantivesse unida e, ao mesmo tempo, aberta: porque a comunidade de discípulos é necessariamente uma comunidade de testemunhas.

Não é possível “demonstrar” a Ressurreição de Cristo, porque só pode a aceitar quem está bem disposto. Mas sim é possível testemunhá-la: não há provas, senão testemunhas, esta é a via para transmitir esta Boa Notícia, que não deve permanecer encerrada no círculo dos que fizeram esta experiência. O Ressuscitado mostra-se e aparece não a todos, senão às testemunhas que ele tinha designado: a nós, que comemos e bebemos com ele após sua Ressurreição. Estes são, somos os que amamos a Cristo, os que o buscamos entre os mortos, mas o encontramos vivo: em sua Palavra e em sua Eucaristia, na qual comemos e bebemos com Ele. E, se pelo Batismo e a Eucaristia ressuscitamos com ele, temos que buscar “os bens de lá acima”; e esses bens são os que estão contidos no amor, que guiou nossa busca, tem que guiar toda nossa vida: amar a Cristo, e por ele amar a todos. É nas obras do amor nas que sublinhamos o “vere” do surrexit! Não se trata de um slogan ou de um desejo piedoso. Ante o anúncio do “Ressuscitou!”, nos cristãos gritamos “Ele ressuscitou verdadeiramente” (surrexit vere).

Esse é o modo de mostrar que Cristo vive: no testemunho de uma vida baseada no amor. Os que pretendem somente crer no que veem, não podem aceitar “demonstrações”, mas talvez possam ser movidos pelo depoimento da fé encarnada nas boas obras.

Depois da catequese quaresmal, o tempo de Páscoa é tempo de mistagógica (de aprofundamento): os que receberam o Batismo como uma imersão na morte de Cristo estão iluminados sobre o processo da fé que nos permite ver Jesus. A liturgia, a palavra de Deus, Jesus que caminha conosco e nos acompanha em nossas alegrias e em nossas tristezas, nos vai explicando passo a passo, domingo a domingo, onde podemos o encontrar e “vê-lo”.

Porém hoje convida-nos a meditar sobre a própria fé, talvez morta, ou latente, ou adormecida, ou imatura, em todo caso sempre necessitada de novos impulsos. Desilusões, experiências vitais, incompreensões, puderam debilitar nossa fé, ou levaram-nos a nos afastar (voltar a Emaús), nos afastar de Jerusalém, nos esquecer da Galiléia. Pode ser que pareça que a fé foi uma formosa ilusão da juventude, mas os acontecimentos da vida nos ensinaram que isso que esperávamos tem sido frustrado pelo chato realismo da vida.

A mensagem da Páscoa nos diz: pese os muitos sinais de morte, é possível “compreender as Escrituras” (mas há que as escutar, Jesus as explica), “partir o pão” (devemos o compartilhar ali onde Jesus o parte para nós), “ver” a Jesus e crer nele, que caminha conosco apesar de que nossos olhos ofuscados não sejam capazes de lhe reconhecer. E isso é possível porque Ele está vivo! Maria Madalena, o discípulo amado, Pedro, milhares de gerações de cristãos transmitiram-nos a possibilidade de fazer também nós esta experiência vida.

Não há provas, mas há testemunhas. Você pode ser uns deles.


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Vigília Pascal na Noite Santa

“Jesus jaz na tumba e os apóstolos crêem que tudo terminou. Todo o dia de sábado seu corpo descansa no sepulcro. Porém, sua mãe, Maria, se lembra do que disse seu filho: Ao terceiro dia ressuscitarei. Os Apóstolos vão chegando a seu lado, e Ela lhes consola.”

O Sábado Santo é um dia de luto imenso, de silêncio e de espera vigilante da Ressurreição. A Igreja em particular recorda a dor, a valentia e a esperança da Virgem Maria.”

Ela representa a angústia de uma Mãe que tem entre seus braços seu Filho morto, porém não se pode esquecer neste momento, Ela é a única que conserva em seu coração as palavras do ancião Simeão, que bem profetizou que Cristo seria sinal de contradição e uma espada lhe transpassaria a alma, também indicou que Jesus seria sinal de ressurreição.

O que os discípulos tinham esquecido, Maria conservava no coração: a profecia da ressurreição ao terceiro dia. E Maria esperou até o terceiro dia.



Primeira Leitura (Gn 1,1-2,2)
Salmo - Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. 30)
Segunda Leitura (Gn 22,1-18)
Salmo - Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)
Terceira Leitura (Ex 14, 15 15,1)
Salmo - Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 15,1a)
Quarta Leitura (Is 54,5-14)
Salmo - Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)
Quinta Leitura (Is 55,1-11)
Salmo - Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)
Sexta Leitura (Br 3,9-15.32-4,4)
Salmo - Sl 18,8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)
Sétima Leitura (Ez 36,16-17a.18-28)
Salmo - Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2)
Oitava Leitura (Rm 6,3-11)
Salmo -
Sl 117,1-2.16ab-17.22-23
Evangelho (
Mt 28,1-10)

Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Gênesis

Gn 1,1 - 2,2


1No princípio Deus criou o céu e a terra.
2A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
3Deus disse: 'Faça-se a luz!' E a luz se fez.
4Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.
5E à luz Deus chamou 'dia' e às trevas, 'noite'. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.
6Deus disse: 'Faça-se um firmamento entre as águas, separando umas das outras'.
7E Deus fez o firmamento, e separou as águas que estavam embaixo, das que estavam em cima do firmamento. E assim se fez.
8Ao firmamento Deus chamou 'céu'. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.
9Deus disse: 'Juntem-se as águas que estão debaixo do céu num só lugar e apareça o solo enxuto!' E assim se fez.
10Ao solo enxuto Deus chamou 'terra' e ao ajuntamento das águas, 'mar'. E Deus viu que era bom.
11Deus disse: 'A terra faça brotar vegetação e plantas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, que tenham nele a sua semente sobre a terra'. E assim se fez.
12E a terra produziu vegetação e plantas que trazem semente segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto tendo nele a semente da sua espécie. E Deus viu que era bom.
13Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia.
14Deus disse: 'Façam-se luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite. Que sirvam de sinais para marcar as épocas, os dias e os anos,
15e que resplandeçam no firmamento do céu e iluminem a terra'. E assim se fez.
16Deus fez os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para presidir o dia, e o luzeiro menor para presidir à noite, e as estrelas.
17Deus colocou-os no firmamento do céu para alumiar a terra,
18para presidir ao dia e à noite e separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom.
19E houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.
20Deus disse: 'Fervilhem as águas de seres animados de vida e voem pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento do céu'.
21Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que nadam, em multidão, nas águas, segundo as suas espécies, e todas as aves, segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom.
22E Deus os abençoou, dizendo: 'Sede fecundos e multiplicai-vos e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra'.
23Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia.
24Deus disse: 'Produza a terra seres vivos segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies'. E assim se fez.
25Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos segundo as suas espécies e todos os répteis do solo segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom.
26Deus disse: 'Façamos o homem à nossa imagem e segundo à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra'.
27E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou.
28E Deus os abençoou e lhes disse: 'Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra'.
29E Deus disse: 'Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento.
30E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento'. E assim se fez.
31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom.
Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.
2,1E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército.
2No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera.

Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. 30)


Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
De majestade e esplendor vos revestis
e de luz vos envolveis como num manto.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

terra vós firmastes em suas bases,
ficará firme pelos séculos sem fim;
os mares a cobriam como um manto,
e as águas envolviam as montanhas.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Fazeis brotar em meio aos vales as nascentes
que passam serpeando entre as montanhas;
às suas margens vêm morar os passarinhos,
entre os ramos eles erguem o seu canto.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

De vossa casa as montanhas irrigais,
com vossos frutos saciais a terra inteira;
fazeis crescer os verdes pastos para o gado
e as plantas que são úteis para o homem.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras,
e que sabedoria em todas elas!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.


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Segunda Leitura
Leitura do Livro do Gênesis

Gn 22,1-18


Naqueles dias:
1Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: 'Abraão!'
E ele respondeu: 'Aqui estou'.
2E Deus disse: 'Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirije-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um monte que eu te indicar'.
3Abraão levantou-se bem cedo, selou o jumento, tomou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaac.
Depois de ter rachado lenha para o holocausto, pôs-se a caminho, para o lugar que Deus lhe havia ordenado.
4No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar.
5Disse, então, aos seus servos: 'Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos até lá.
Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós'.
6Abraão tomou a lenha para o holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. E os dois continuaram caminhando juntos.
7Isaac disse a Abraão: 'Meu pai'.
- 'Que queres, meu filho?', respondeu ele.
E o menino disse: 'Temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?'
8Abraão respondeu: 'Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho'. E os dois continuaram caminhando juntos.
9Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar.
10Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho.
11E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: 'Abraão! Abraão!'
Ele respondeu: 'Aqui estou!'.
12E o anjo lhe disse: 'Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único'.
13Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho.
14Abraão passou a chamar aquele lugar: 'O Senhor providenciará'. Donde até hoje se diz: 'Sobre o monte o Senhor providenciará'.
15O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu,
16e lhe disse: 'Juro por mim mesmo - oráculo do Senhor -, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único,

17eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos.
18Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste'.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a) 


Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
pois não haveis de me deixar entregue à morte,
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!


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Terceira Leitura
Leitura do Livro do Êxodo

Ex 14, 15 15,1


Naqueles dias:
15O Senhor disse a Moisés: 'Por que clamas a mim por socorro? Dize aos filhos de Israel que se ponham em marcha.
16Quanto a ti, ergue a vara, estende o braço sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar.
17De minha parte, endurecerei o coração dos egípcios, para que sigam atrás deles, e eu seja glorificado às custas do Faraó, e de todo o seu exército, dos seus carros e cavaleiros.
18E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu for glorificado às custas do Faraó, dos seus carros e cavaleiros'.
19Então, o anjo do Senhor, que caminhava à frente do acampamento dos filhos de Israel, mudou de posição e foi para trás deles; e com ele, ao mesmo tempo, a coluna de nuvem, que estava na frente, colocou-se atrás,
20inserindo-se entre o acampamento dos egípcios e o acampamento dos filhos de Israel. Para aqueles a nuvem era tenebrosa, para estes, iluminava a noite. Assim, durante a noite inteira, uns não puderam aproximar-se dos outros.
21Moisés estendeu a mão sobre o mar, e durante toda a noite o Senhor fez soprar sobre o mar um vento leste muito forte; e as águas se dividiram.
22Então, os filhos de Israel entraram pelo meio do mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam como que uma muralha à direita e à esquerda.
23Os egípcios puseram-se a perseguí-los, e todos os cavalos do Faraó, carros e cavaleiros os seguiram mar adentro.
24Ora, de madrugada, o Senhor lançou um olhar, desde a coluna de fogo e da nuvem, sobre as tropas egípcias e as pôs em pânico.
25Bloqueou as rodas dos seus carros, de modo que só a muito custo podiam avançar. Disseram, então, os egípcios: 'Fujamos de Israel! Pois o Senhor combate a favor deles, contra nós'.
26O Senhor disse a Moisés: 'Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem contra os egípcios, seus carros e cavaleiros'.
27Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar voltou ao seu leito normal, enquanto os egípcios, em fuga, corriam ao encontro das águas, e o Senhor os mergulhou no meio das ondas.
28As águas voltaram e cobriram carros, cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinha entrado no mar em perseguição de Israel. Não escapou um só.
29Os filhos de Israel, ao contrário, tinham passado a pé enxuto pelo meio do mar, cujas águas lhes formavam uma muralha à direita e à esquerda.
30Naquele dia, o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios, e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar,

31e a mão poderosa do Senhor agir contra eles. O povo temeu o Senhor, e teve fé no Senhor e em Moisés, seu servo.
15,1Então, Moisés e os filhos de Israel cantaram ao Senhor este cântico.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 15,1a)


Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória:
precipitou no Mar Vermelho o Cavalo e o cavaleiro!
O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar,
pois foi ele neste dia para mim libertação!
Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai e o honrarei.

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

O Senhor é um Deus guerreiro;
o seu nome é 'Onipotente'.

Os soldados e os carros do Faraó jogou no mar;
afogou no mar Vermelho a elite das tropas.

 Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

E as ondas os cobriram,
como pedra eles afundaram.
Vossa direita, ó Senhor, é terrível em poder.
Vossa direita, ó Senhor, aniquila o inimigo!

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

Vosso povo levareis e o plantareis em vosso Monte,
no lugar que preparastes para a vossa habitação,
no Santuário construído pelas vossas próprias mãos.
O Senhor há de reinar eternamente, pelos séculos!

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!


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Quarta Leitura
Leitura do Livro do
Profeta Isaías

Is 54,5-14


5Teu esposo é aquele que te criou, seu nome é Senhor dos exércitos; teu redentor, o Santo de Israel, chama-se Deus de toda a terra.
6O Senhor te chamou, como a mulher abandonada e de alma aflita; como a esposa repudiada na mocidade, falou o teu Deus.
7Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te.
8Num momento de indignação, por um pouco ocultei de ti minha face, mas com misericórdia eterna compadeci-me de ti, diz teu salvador, o Senhor.
9Como fiz nos dias de Noé, a quem jurei nunca mais inundar a terra, assim juro que não me irritarei contra ti nem te farei ameaças.
10Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor.
11Pobrezinha, batida por vendavais, sem nenhum consolo, eis que assentarei tuas pedras sobre rubis, e tuas bases sobre safiras;
12revestirei de jaspe tuas fortificações, e teus portões, de pedras preciosas, e todos os teus muros, de pedra escolhida.
13Todos os teus filhos serão discípulos do Senhor, teus filhos possuirão muita paz;
14terás a justiça por fundamento. Longe da opressão, nada terás a temer; serás livre do terror, porque ele não se aproximará de ti.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)


Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
Vós tirastes minha alma dos abismos
e me salvastes, quando estava já morrendo!

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
Pois sua ira dura apenas um momento,
mas sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,
de manhã vem saudar-nos a alegria.

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!
Transformastes o meu pranto em uma festa,
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!


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Quinta Leitura
Leitura do Livro Profeta Isaías

Is 55,1-11


Assim diz o Senhor:
1Â vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga.
2Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo.
3Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi.
4Eis que fiz dele uma testemunha para os povos, chefe e mestre para as nações.
5Eis que chamarás uma nação que não conhecias, e acorrerão a ti povos que não te conheciam, por causa do Senhor, teu Deus, e do Santo de Israel, que te glorificou.
6Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto.
7Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão.
8Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor.
9Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra.
10Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação,
11assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)


Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo;
o Senhor é minha força, meu louvor e salvação.
Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Com alegria bebereis do manancial da salvação.

e direis naquele dia: 'Dai louvores ao Senhor,
invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas,
dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime

Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos,
publicai em toda a terra suas grandes maravilhas!
Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!'

Com alegria bebereis do manancial da salvação.


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Sexta Leitura
Leitura do Livro Profeta Baruc

Br 3,9-15.32-4,4


9Ouve, Israel, os preceitos da vida; presta atenção, para aprenderes a sabedoria.
10Que se passa, Israel?
Como é que te encontras em terra inimiga?
11Envelheceste num país estrangeiro, te contaminaste com os mortos, foste contado entre os que descem à mansão dos mortos.
12Abandonaste a fonte da sabedoria!
13Se tivesses continuado no caminho de Deus, viverias em paz para sempre.
14Aprende onde está a sabedoria, onde está a fortaleza e onde está a inteligência,
e aprenderás também onde está a longevidade e a vida, onde está o brilho dos olhos e a paz.
15Quem descobriu onde está a sabedoria?
Quem penetrou em seus tesouros?
32Aquele que tudo sabe, conhece-a, descobriu-a com sua inteligência; aquele que criou a terra para sempre e a encheu de animais e quadrúpedes;
33aquele que manda a luz, e ela vai, chama-a de volta, e ela obedece tremendo.
34As estrelas cintilam em seus postos de guarda e alegram-se;
35ele chamou-as, e elas respondem: 'Aqui estamos'; e alumiam com alegria o que as fez.
36Este é o nosso Deus, e nenhum outro pode comparar-se com ele.
37Ele revelou todo o caminho da sabedoria a Jacó, seu servo, e a Israel, seu bem-amado.
38Depois, ela foi vista sobre a terra e habitou entre os homens.
4,1A sabedoria é o livro dos mandamentos de Deus, é a lei, que permanece para sempre. Todos os que a seguem, têm a vida, e os que a abandonam, têm a morte.
2Volta-te, Jacó, e abraça-a; marcha para o esplendor, à sua luz.
3Não dês a outro a tua glória nem cedas a uma nação estranha teus privilégios.
4Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 18,8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)


Senhor, tens palavras de vida eterna.
Alei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.
Senhor, tens palavras de vida eterna.


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Sétima Leitura
Leitura da Profecia de Ezequiel

Ez 36,16-17a.18-28


16A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
17a'Filho do homem, os da casa de Israel estavam morando em sua terra.
Mancharam-na com sua conduta e suas más ações.
18Então derramei sobre eles a minha ira, por causa do sangue que derramaram no país
e dos ídolos com os quais o mancharam.
19Eu dispersei-os entre as nações, e eles foram espalhados pelos países.
Julguei-os de acordo com sua conduta e suas más ações.
20Quando eles chegaram às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome; pois deles se comentava:
'Esse é o povo do Senhor; mas tiveram de sair do seu país!`
21Então eu tive pena do meu santo nome que a casa de Israel estava profanando
entre as nações para onde foi.
22Por isso, dize à casa de Israel:
Assim fala o Senhor Deus: Não é por causa de vós que eu vou agir, casa de Israel,
mas por causa do meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes.
23Vou mostrar a santidade do meu grande nome, que profanastes no meio das nações.
As nações saberão que eu sou o Senhor. - oráculo do Senhor Deus -
quando eu manifestar minha santidade à vista delas por meio de vós.
24Eu vos tirarei do meio das nações, vos reunirei de todos os países,
e vos conduzirei para a vossa terra.
25Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados.
Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos.
26Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós.
Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne;
27porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos.
28Habitareis no país que dei a vossos pais.
Sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2)


A minh'alma tem sede de Deus.
A minh'alma tem sede de Deus,
e deseja o Deus vivo.
Quando terei a alegria de ver
a face de Deus?
A minh'alma tem sede de Deus.
Peregrino e feliz caminhando
para a casa de Deus,
entre gritos, louvor e alegria
da multidão jubilosa.
A minh'alma tem sede de Deus.
Enviai vossa luz, vossa verdade:
elas serão o meu guia;
que me levem ao vosso Monte santo,
até a vossa morada!
A minh'alma tem sede de Deus.


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Oitava Leitura
Leitura
da Carta de São Paulo aos Romanos

Rm 6,3-11


Irmãos:
3Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados?
4Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova.
5Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição.
6Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado.
7Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado.
8Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.
9Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais;a morte já não tem poder sobre ele.
10Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive.
11Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.


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Salmo Resposorial
Sl 117,1-2.16ab-17.22-23


Aleluia, Aleluia, Aleluia
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'
casa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
Aleluia, Aleluia, Aleluia
A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou,
a mão direita do Senhor fez maravilhas!'
Não morrerei, mas ao contrário, viverei
para cantar as grandes obras do Senhor!
Aleluia, Aleluia, Aleluia
'A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
Aleluia, Aleluia, Aleluia


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Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus
Mt 28,1-10


1Depois do sábado,
ao amanhecer do primeiro dia da semana,
Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
2De repente, houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu
e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela.
3Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve.
4Os guardas ficaram com tanto medo do anjo, que tremeram, e ficaram como mortos.
5Então o anjo disse às mulheres:
'Não tenhais medo!
Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.
6Ele não está aqui!
Ressuscitou, como havia dito!
Vinde ver o lugar em que ele estava.
7Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos,
e que vai à vossa frente para a Galiléia.
Lá vós o vereis. É o que tenho a dizer-vos.'
8As mulheres partiram depressa do sepulcro.
Estavam com medo, mas correram com grande alegria,
para dar a notícia aos discípulos.
9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse:
'Alegrai-vos!' As mulheres aproximaram-se,
e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés.
10Então Jesus disse a elas: 'Não tenhais medo.
Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia.
Lá eles me verão.'
Palavra da Salvação.


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Comentário
A Ressurreição do Desaparecido


A celebração desta noite nos oferece uma perspectiva esplêndida da história. Fala-nos da origem do fogo, da luz, de nosso nascimento na água. Evocam-nos os grandes textos de nossa tradição que relatam a criação, o êxodo, as vozes proféticas que deram senso à história.

Porém, o mais surpreendente acaba se ser proclamada na leitura do evangelho. O texto nos comunicou o fenômeno mais surpreendente na história humana: o desaparecimento total do Corpo morto de Jesus

Em três dias um corpo morto não se dissolve totalmente. A hipótese de um roubo ou profanação da tumba foi desde o princípio descartado. O que aconteceu? 
Testemunhas do desaparecimento misterioso do corpo foram somente mulheres: Maria Madalena, Joana, Maria de Santiago e outras. Todas elas discípulas de Jesus que o haviam seguido desde a Galiléia e tinham chegado até o Calvário e assistido a sua execução, embora de longe. Estas mesmas mulheres queriam ungir o corpo de Jesus, mas quando chegaram de manhã ao sepulcro, o encontraram vazio.

Dois homens com vestidos luminosos - símbolos talvez dos primeiros evangelizadores da Ressurreição, como por exemplo, Paulo em 1 Cor 15, lhes anunciam o desaparecimento e a motivo: o corpo morto tinha sido ressuscitado por Deus; tinha assumido uma forma de vida muito superior a anterior, o Espírito de Deus o converteu em portador de vida eterna; mais real que o real! Mais vital que o vivente!

O corpo não desapareceu. Os olhos humanos já não podem perceber tanta densidade ontológica, uma realidade inimaginável, tão divina. Os sentidos colidem com os seus limites. Ante tanta visibilidade e luz, os sentidos se cegam, ante tanta realidade o tato se torna insensível, ante a voz tão esplendida e transformadora, o ódio se torna absolutamente surdo.

"Não está aqui!" os dois mensageiros nos indicam que somente a quem é concedido superar este nível, poderá reconhecê-lo e senti-lo. As mulheres são convidadas a recordar, como a Mãe de Jesus, as palavras do Senhor quando, vindo da Galiléia para Jerusalém lhes falou de sua morte e ressurreição. As discípulas recordaram e creram! Não buscaram Jesus. Creram Nele como vivente.

Os discípulos masculinos, por outro lado, se sobressaltaram ante o anúncio das mulheres. Eles não acreditaram. Pedro iniciou sua busca particular. Estranhou o que viu no sepulcro, porém o corpo de Jesus não estava lá.

Não deixa de ser uma ironia da vida que aqueles a quem - como dizemos - confiou Jesus seu corpo na “Última Ceia”, seja aos que perderam a perspectiva de sua fé; e aquelas a quem - segundo dissemos - Jesus não confiou seu corpo, sejam as que vão embalsamá-lo e depois as mais preocupadas em encontra-Lo, não têm dificuldade em crer em sua presença real embora invisível.

Esta noite celebramos a ressurreição, mas sem aparições. A Ressurreição do Desaparecido.
O excelente relato de Mateus nesta primeira parte - antes de qualquer aparição do Ressuscitado - nos confronta com a qualidade de nossa fé e confiança. Cremos de verdade na realidade de Jesus e desconfiamos da capacidade de nossos sentidos para detectá-lo? Estamos convencidos de nossa necessidade de um “suplemento de fé”, dados os limites de nossa percepção sensorial. “Vem a fé por suplemento os sentidos completar” (praestet fides supplementum sensuum defectui).

Se nos é concedido crer na Ressurreição, translademos à região da vida; deixemos nossas tumbas e lamentações; não nos preocupemos tanto com os sepulcros. Todo corpo morto tem data de vencimento. Está ameaçado de vida. Deus Pai e seu Espírito estão vigilantes. A qualquer momento dirão a outros corpos aquelas palavras pascais: “Tu és meu filho, minha filha... eu te gerei hoje!”.

É esta noite o momento principal e fundamental da história. Nela somos convidados a entrar no limiar da Páscoa, onde tudo muda de sentido e a Esperança nos acolhe.


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Celebração da Paixão do Senhor

A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é tão digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto.

A Mãe estava ali, junto à Cruz, como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria contempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho. 



Primeira Leitura   
Salmo Responsorial  
Segunda Leitura 
Evangelho  
Comentário


Primeira Leitura - Leitura do Livro do Profeta Isaías
(Is 52,13-53,1-12)


Ele foi ferido por causa de nossos pecados


13Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau.
14Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo - tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano -,
15do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos.
Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram.
53,1'Quem de nós deu crédito ao que ouvimos?
E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor?
2Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca.
Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse.
3Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.
4A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
5Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz,
e suas feridas, o preço da nossa cura.
6Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós'.
7Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.
8Foi atormentado pela angústia e foi condenado.
Quem se preocuparia com sua história de origem?
Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer.
9Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal nem se encontrou falsidade em suas palavras.
10O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos.
Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura,
e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.
11Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita.
Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.
12Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte,
sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores.

Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial 
Sl 30,2.6.12-13.15-16.17.25 (R.Lc 23,46)


Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Senhor, eu ponho em vós minha esperança;
que eu não fique envergonhado eternamente!
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito,
porque vós me salvareis, ó Deus fiel.
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Tornei-me o opróbrio do inimigo,
o desprezo e zombaria dos vizinhos,
e objeto de pavor para os amigos;
fogem de mim os que me vêem pela rua.
Os corações me esqueceram como um morto,
e tornei-me como um vaso espedaçado.
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,
e afirmo que só vós sois o meu Deus!
Eu entrego em vossas mãos o meu destino;
libertai-me do inimigo e do opressor!
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!
Fortalecei os corações, tende coragem,
todos vós que ao Senhor vos confiais!
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.


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Segunda Leitura - Leitura da Carta aos Hebreus 
(Hb 4,14-16; 5,7-9) 


Ele aprendeu a ser obediente e tornou-se causa de salvação para todos os que lhe obedecem.


Irmãos:
14Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu,
Jesus, o Filho de Deus.
Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos.
15Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós,
com exceção do pecado.
16Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça,
para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.
5,7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas,
com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte.
E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu.
9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna
para todos os que lhe obedecem.

Palavra do Senhor.


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Evangelho de Jesus Cristo, segundo João
(Jo 18,1-19,1-42)


Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo.


Naquele tempo:
1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron.
Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos.
2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos.
3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas.
4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: 'A quem procurais?'
5Responderam: 'A Jesus, o nazareno'.
Ele disse: 'Sou eu'.
Judas, o traidor, estava junto com eles.
6Quando Jesus disse: 'Sou eu', eles recuaram e caíram por terra.
7De novo lhes perguntou:
'A quem procurais?'
Eles responderam: 'A Jesus, o nazareno'.
8Jesus respondeu: 'Já vos disse que sou eu.
Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem'.
9Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:
'Não perdi nenhum daqueles que me confiaste'.
10Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
O nome do servo era Malco.
11Então Jesus disse a Pedro:
'Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?'

Conduziram Jesus primeiro a Anás.

12Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram.
13Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano.
14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho:
'É preferível que um só morra pelo povo'.
15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus.
Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdotee entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote.
16Pedro ficou fora, perto da porta.
Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro.
17A criada que guardava a porta disse a Pedro:
'Não pertences também tu aos discípulos desse homem?'
Ele respondeu: 'Não'.
18Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam-se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se.
19Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento.
20Jesus lhe respondeu:
'Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas.
21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse.'
22Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo:
'É assim que respondes ao sumo sacerdote?'
23Respondeu-lhe Jesus: 'Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?'
24Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.

Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: 'Não!

25Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se.
Disseram-lhe:
'Não és tu, também, um dos discípulos dele?'
Pedro negou: 'Não!'
26Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: 'Será que não te vi no jardim com ele?'
27Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.

O meu reino não é deste mundo.

28De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador.
Era de manhã cedo.
Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa.
29Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse:
'Que acusação apresentais contra este homem?'
30Eles responderam: 'Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!'
31Pilatos disse: 'Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei.'
Os judeus lhe responderam:
'Nós não podemos condenar ninguém à morte'.
32Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.
33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe:
'Tu és o rei dos judeus?'
34Jesus respondeu:'Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?'
35Pilatos falou: 'Por acaso, sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim.
Que fizeste?'.
36Jesus respondeu: 'O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui.'
37Pilatos disse a Jesus: 'Então tu és rei?'
Jesus respondeu: 'Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.'
38Pilatos disse a Jesus: 'O que é a verdade?'
Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: 'Eu não encontro nenhuma culpa nele.
39Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso.
Quereis que vos solte o rei dos Judeus?'
40Então, começaram a gritar de novo:
'Este não, mas Barrabás!' Barrabás era um bandido.

Viva o rei dos judeus!

19,1Então Pilatos mandou flagelar Jesus.
2Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus.
Vestiram-no com um manto vermelho,
3aproximavam-se dele e diziam:'Viva o rei dos judeus!'
E davam-lhe bofetadas.
4Pilatos saíu de novo e disse aos judeus: 'Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum.'
5Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho.
Pilatos disse-lhes: 'Eis o homem!'
6Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:
'Crucifica-o! Crucifica-o!'
Pilatos respondeu: 'Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum.'
7Os judeus responderam: 'Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus'.
8Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda.
9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: 'De onde és tu?'
Jesus ficou calado.
10Então Pilatos disse: 'Não me respondes?
Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?'
11Jesus respondeu:
'Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto.
Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.'

Fora! Fora! Crucifica-o!

12Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus.
Mas os judeus gritavam:
'Se soltas este homem, não és amigo de César.
Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César'.
13Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado 'Pavimento', em hebraico 'Gábata'.
14Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia.
Pilatos disse aos judeus: 'Eis o vosso rei!'
15Eles, porém, gritavam: 'Fora! Fora! Crucifica-o!'
Pilatos disse: 'Hei de crucificar o vosso rei?'
Os sumos sacerdotes responderam:
'Não temos outro rei senão César'.
16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

Ali o crucificaram, com outros dois.

17Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado 'Calvário',
em hebraico 'Gólgota'.
18Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio.
19Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito:
'Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus'.
20Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade.
O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego.
21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: 'Não escrevas 'O Rei dos Judeus', mas sim o que ele disse: 'Eu sou o Rei dos judeus'.'
22Pilatos respondeu: 'O que escrevi, está escrito'.

Repartiram entre si as minhas vestes.

23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado.
Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo.
24Disseram então entre si: 'Não vamos dividir a túnica.
Tiremos a sorte para ver de quem será'.
Assim se cumpria a Escritura que diz: 'Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica'.
Assim procederam os soldados.

Este é o teu filho. Esta é a tua mãe.

25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmó da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.
26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: 'Mulher, este é o teu filho'.
27Depois disse ao discípulo: 'Esta é a tua mãe'.
Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

Tudo está consumado.

28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: 'Tenho sede'.
29Havia ali uma jarra cheia de vinagre.
Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus.
30Ele tomou o vinagre e disse: 'Tudo está consumado'.
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

E logo saiu sangue e água.

31Era o dia da preparação para a Páscoa.
Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene.
Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz.
32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro
que foram crucificados com Jesus.
33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas;
34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis.
36Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: 'Não quebrarão nenhum dos seus ossos'.
37E outra Escritura ainda diz: 'Olharão para aquele que transpassaram'.

Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho.

38Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus - pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus.
Pilatos consentiu.
Então José veio tirar o corpo de Jesus.
39Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido a Jesus de noite.
Trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés.
40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.
41No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
42Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus. 

Palavra da Salvação.


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Comentário - Morreu por ti...


Hoje o Senhor morre por nós. Celebramos o mistério de amor de sua Paixão. Proponho que vocês celebrem este mistério não como espectadores alheios, mais como atores unidos a estas  “Paixões” populares ou procissões de várias localidades e que acompanhem Jesus em silêncio. O melhor modo de contemplar a Paixão é o silêncio ativo. Proponho a vocês alguns caminhos simples os quais ajudaram a contemplar os três tipos de Paixão que vive o Senhor.

Paixão interna. É a dor interna de Jesus, a dor do coração.
Jesus sente angústia, medo, tristeza, solidão, traição, rejeição, abandono. Em sua oração em Getsêmani  contemplamos Jesus exausto que grita as frases mais duras e desesperadas. Vive a oração da desolação, não pode mais, não resiste à solidão, precisa da companhia dos discípulos que estão dormindo. Experimenta a tentação do Maligno, que o tenta com toda sua força. Grita ao Pai: aparta de mim! Acaba obedecendo: não a minha vontade, senão a tua.

Paixão externa. É a terrível dor física.
Bofetadas, cusparadas, espinhas, flagelos, chicotes, quedas, asfixia, a humilhação da desnudes, da exibição em público como um criminoso, a dor fria dos pregos, a lenta agonia na cruz. A execução na morte mais cruel, lenta e dolorosa.

Paixão social.
Cristo segue sofrendo hoje em todos os crucificados da história, nas vítimas da fome, da guerra, da violência, do ódio... Sempre é “sexta-feira santa” em algum local do mundo. Sempre há irmãos e irmãs que estão experimentando paixões internas e/ou externas. É a dor de tantos seres humanos que devemos acompanhar, redimir, denunciar, combater.

O que nos ensina Jesus na Sexta-feira Santa? Ensina-nos a enfrentar a dor sem que ela nos derrote, a carregar a cruz com ele sem que nos vença; porque Jesus, que suportou a dor até o limite, não foi derrotado pelo mal, mais morreu perdoando, sem amaldiçoar, sem desejos de vingança. A dor não acabou com seu amor. Por isso, quando chega a dor na tua vida em forma de paixão interna, externa ou social, devemos olhar para cruz, como fazemos hoje, para pedir ao Senhor que ajude a levar a nossa cruz com dignidade; isto é, que o mal que em nossa vida, não nos derrote. Isto, só pode acontecer com a força da Graça que Jesus nos presenteia hoje na cruz: morreu por nós. Ele sabe acompanhar nossas dores internas e externas porque passou por elas. Nunca estamos só nestes momentos tão trágicos. Ele nós sustenta, nós ajuda a levar nossa cruz, enche nossa dor de amor para fazê-la mais leve.

Apresente a Jesus tuas dores, tuas cruzes e se comprometa a ajudar a outros a carregar suas cruzes para que sejam mais leves. Ele, hoje, faz isso por nós. Contempla em silêncio e acompanha Jesus neste dia, não o deixe só.


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