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A Palavra

XII Domingo do Tempo Comum - 'A'

As leituras deste XII Domingo do Tempo Comum põem em destaque a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projeto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo… Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação.

A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de um profeta do Antigo Testamento - Jeremias. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar - com coerência e fidelidade - as propostas de Deus para os homens.

No Evangelho, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das perseguições e das incompreensões; mas acrescenta: “não temais”. Jesus garante aos seus a presença contínua, a solicitude e o amor de Deus, ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.

Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma como a fidelidade aos projetos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de autossuficiência gera morte.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Jeremias (20,10-13)


Ser profeta não é um caminho fácil: o exemplo de Jeremias é elucidativo (como também o é o testemunho de Óscar Romero, Luther King, Gandhi e tantos outros profetas do nosso tempo). O “mundo” não gosta de ver ser posta em causa a sua “paz podre”, não está disposto a aceitar que se questionem os esquemas de exploração e injustiça instituídos em favor dos poderosos, nem que se critiquem os “valores” de alguns “iluminados” fazedores da opinião pública. O “caminho do profeta” é, portanto, um caminho onde se lida permanentemente com a incompreensão, com a solidão, com o risco… É, no entanto, um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade à sua Palavra. Temos a coragem de seguir esse caminho? As “bocas” dos outros, as críticas injustas, a solidão que dói mais do que tudo, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que o nosso Deus nos confiou?


Jeremias disse:

10Eu ouvi as injúrias de tantos homens
e os vi espalhando o medo em redor:
'Denunciai-o, denunciemo-lo.'
Todos os amigos observavam minhas falhas:
'Talvez ele cometa um engano e nós poderemos apanhá-lo
e desforrar-nos dele.'
11Mas o Senhor está ao meu lado, como forte guerreiro;
por isso, os que me perseguem
cairão vencidos.
Por não terem tido êxito,
eles se cobrirão de vergonha.
Eterna infâmia, que nunca se apaga!
12O Senhor dos exércitos, que provas o homem justo
e vês os sentimentos do coração,
rogo-te me faças ver tua vingança sobre eles;
pois eu te declarei a minha causa.
13Cantai ao Senhor, louvai o Senhor,
pois ele salvou a vida de um pobre homem
das mãos dos maus.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 68,8-10.14.17.33-35 (R.14c)


Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!

8Por vossa causa é que sofri tantos insultos,
e o meu rosto se cobriu de confusão;
9eu me tornei como um estranho a meus irmãos,
como estrangeiro para os filhos de minha mãe.
10Pois meu zelo e meu amor por vossa casa
me devoram como fogo abrasador.

Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!

14Por isso elevo para vós minha oração,
neste tempo favorável, Senhor Deus!
Respondei-me pelo vosso imenso amor,
pela vossa salvação que nunca falha!
17Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça,
ponde os olhos sobre mim com grande amor!

Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!

33Humildes, vede isto e alegrai-vos: 
o vosso coração reviverá,
se procurardes o Senhor continuamente!
34Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres,
e não despreza o clamor de seus cativos.
35Que céus e terra glorifiquem o Senhor
com o mar e todo ser que neles vive!

Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (5,12-15)


A história do nosso tempo está cheia de exemplos de homens e mulheres que entregaram a vida para realizar o projeto libertador de Deus no mundo e que foram considerados pela cultura dominante gente vencida e fracassada (embora, com alguma frequência, depois de mortos sejam “recuperados” e apresentados como heróis). Jesus Cristo mostra, contudo, que fazer da vida um dom a Deus aos homens não é um caminho de fracasso e de morte, mas é um caminho libertador, que introduz no mundo dinamismos de vida nova, de vida autêntica, de vida definitiva. Eu estou disposto a arriscar, a fazer da minha vida um dom, para que a vida plena atinja e liberte os meus irmãos?


Irmãos:
12O pecado entrou no mundo por um só homem.
Através do pecado, entrou a morte.
E a morte passou para todos os homens,
porque todos pecaram.
13Na realidade, antes de ser dada a Lei,
já havia pecado no mundo.
Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei.
14No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés,
mesmo sobre os que não pecaram como Adão, - o qual -
era a figura provisória daquele que devia vir.
15Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus
seja comparável à falta de Adão!
A transgressão de um só levou a multidão humana à
morte,
mas foi de modo bem mais superior que a graça de Deus,
ou seja, o dom gratuito
concedido através de um só homem, Jesus Cristo,
se derramou em abundância sobre todos.
Palavra do Senhor.


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (10,26-33)


O projeto de Jesus, vivido com radicalidade e coerência, não é um projeto “simpático”, aclamado e aplaudido por aqueles que mandam no mundo ou que “fazem” a opinião pública; mas é um projeto radical, questionante, provocante, que exige a vitória sobre o egoísmo, o comodismo, a instalação, a opressão, a injustiça… É um projeto capaz de abalar os fundamentos dessa ordem injusta e alienante sobre a qual o mundo se constrói. Há um  “mundo” que se sente ameaçado nos seus fundamentos e que procura, todos os dias, encontrar formas para subverter e domesticar o projeto de Jesus. A nossa época inventou formas (menos sangrentas, mas certamente mais refinadas do que as de Domiciano) de reduzir ao silêncio os discípulos: ridiculariza-os, desautoriza-os, calunia-os, corrompe-os, massacra-os com publicidade enganosa de valores efémeros… Como a comunidade de Mateus, também nós andamos assustados, confusos, desorientados, interrogando-nos se vale a pena continuar a remar contra a maré… A todos nós, Jesus diz: “não temais”.


Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos:

26Não tenhais medo dos homens,
pois nada há de encoberto que não seja revelado,
e nada há de escondido que não seja conhecido.
27O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia;
o que escutais ao pé do ouvido,
proclamai-o sobre os telhados!
28Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,
mas não podem matar a alma!
Pelo contrário, temei aquele que pode destruir
a alma e o corpo no inferno!
29Não se vendem dois pardais por algumas moedas?
No entanto, nenhum deles cai no chão
sem o consentimento do vosso Pai.
30Quanto a vós,
até os cabelos da cabeça estão todos contados.
31Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos 
pardais.
32Portanto, todo aquele
que se declarar a meu favor diante dos homens,
também eu me declararei em favor dele
diante do meu Pai que está nos céus.
33Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também
eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.
Palavra da Salvação.


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Comentário
Do pessimismo à esperança


Alguns dizem que vivemos tempos difíceis, também pensam que a Igreja está ameaçada, que já não há liberdade para pregar o Evangelho nem viver a vida cristã. Nosso mundo está corrupto e incorrigível. Até vão além, e afirmam que Deus castigará a todos. Dizem que este mundo está perdido, que se não fizermos algo e rápido se autodestruirá.

Se estivermos atentos às vezes ouvimos este discurso, ou palavras parecidas, na boca de alguns eclesiásticos, de sacerdotes e laicos. Não pregam um Evangelho de esperança nem de salvação senão de condenação e castigo. Não são profetas de vida, mais de morte.

O Evangelho é obra de Deus

O que deveríamos pensar primeiro é que não há tempos fáceis para o Evangelho. Nem no princípio, nem antes e nem agora. Não foi fácil para Jesus que terminou na cruz. Nem para seus seguidores que conheceram de muitas maneiras a perseguição e o martírio. Por outro lado, tão pouco os crentes foram sempre exemplos na vivência de sua fé. Mas nessas difíceis condições tem o Evangelho se estendendo por todo mundo.

Porque há uma verdade de fundo que não podemos esquecer: se o Evangelho chegou a nossas mãos foi porque é obra de Deus e não nossa.

Por muito que falem e preguem os profetas de desgraças, não é verdade que este mundo se afunda e que vamos para o pior. Não é verdade. Na realidade vamos para o melhor porque Deus, nosso Deus, o Abbá de Jesus é o que maneja os fios da história e nos vai guiando para o Reino. Não devemos ter medo. Não há razão para temer

Como dizia o grande poeta León Felipe:

enhor, eu te amo porque jogas limpo;
sem armadilhas - sem milagres -;
porque deixas que saia, passo a passo,
sem truques – sem utopias –,
carta a carta, sem mudanças,
teu formidável solitário.

Ou dito com a linguagem da sabedoria popular: “Deus escreve reto com linhas torcidas”. E isso é parte de nossa fé.

Uma chamada à esperança

As leituras de hoje são um chamado à esperança. Vem-nos dizer que o cristão pode ser qualquer coisa menos pessimista, que crer em Deus é crer no que está ao nosso lado, ao que realmente conta “até os cabelos de nossas cabeças”. Por isso, Jesus repete duas vezes no Evangelho: “NÃO TENHAIS MEDO”.

Naturalmente que sucedem coisas horríveis em nosso mundo. Todos, também os crentes, somos responsáveis, todos temos parte na culpa. Mas mesmo assim, como diz a carta aos Romanos, “não há proporção entre o delito e o dom”. A salvação que Deus nos oferece em Jesus, a graça, é tal que sobra para a multidão.

E terminar com o louvor

A atitude do cristão tem de ser a do profeta Jeremias que, ainda no meio das dificuldades, está seguro de que “O SENHOR ESTÁ COMIGO”, encomenda a Ele sua causa e entoa um canto de louvor ao Senhor, “que livrou a vida do pobre”.

Não há lugar na vida cristã para as atitudes pessimistas. O Evangelho não depende exclusivamente de nós (se assim fora...). O reino é vontade de Deus. É sua obra. Devemos levá-la adiante, mesmo que as vezes por caminhos que nos são misteriosos.

DEUS ESTÁ CONOSCO E NÃO NOS ABANDONA. Está no coração da cada homem e da cada mulher atuando em sua salvação, ainda que nós não o vejamos - talvez devêssemos mudar “os olhos” para perceber melhor essa presença de Deus entre nós, em nossa sociedade.

É tempo de assinalar com gozo, profeticamente, os sinais da presença salvadora de Deus em nossa comunidade, em nossa vida, em nosso mundo. É tempo de deixar de lado o pessimismo e cantar e louvar ao Senhor.


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XI Domingo do Tempo Comum – Ano A

Neste XI Domingo do Tempo Comum, a Palavra que vamos refletir recorda-nos a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer aos homens, a cada passo, a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.

A primeira leitura apresenta-nos o Deus da “aliança”, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Jahwéh confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Jahwéh, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.

O Evangelho traz-nos o “discurso da missão”. Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de “doze” discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o “Reino”. Esses “doze” serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.

A segunda leitura sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens - um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único.


 


Primeia Leitura   
Salmo Responsorial
Segunda Leitura 
Evangelho 


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Êxodo (19,2-6a)


Naqueles dias, os israelitas,
2partindo de Rafidim,
chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam.
Israel armou ali suas tendas, defronte da montanha.
3Moisés, então, subiu ao encontro de Deus.
O Senhor chamou-o do alto da montanha, e disse:
'Assim deverás falar à casa de Jacó
e anunciar aos filhos de Israel:
4Vistes o que fiz aos egípcios,
e como vos levei sobre asas de águia
e vos trouxe a mim.
5Portanto, se ouvirdes a minha voz
e guardardes a minha aliança,
sereis para mim a porção escolhida
dentre todos os povos,
porque minha é toda a terra.
6aE vós sereis para mim um reino de sacerdotes
e uma nação santa.
Palavra do Senhor.


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Reflitamos o texto da Primeira Leitura


Vivemos num tempo em que não é fácil - no meio do atropelo em que a vida decorre - reconhecer a presença, o amor e o cuidado de Deus com essa humanidade que Ele criou; alguns dos nossos contemporâneos chegam mesmo a falar da “morte de Deus”, para exprimir a realidade de uma história de onde Deus parece estar totalmente ausente. Este texto, no entanto, revela um Deus empenhado em caminhar ao lado dos homens, em estabelecer com eles laços de familiaridade e de comunhão, em apresentar-lhes propostas de salvação, de libertação, de vida definitiva.

É Deus que está ausente da história dos homens, ou são os homens que apostam noutros deuses e não têm tempo nem disponibilidade para encontrar o Deus da “aliança” e da comunhão?

Deus Se tornou indiferente e insensível ao destino dos homens, ou são os homens que preferem trilhar caminhos de orgulho e de autossuficiência à margem de Deus?

Deus terá renunciado a estabelecer laços familiares conosco, ou somos nós que, em nome de uma pretensa liberdade, preferimos construir a história do mundo longe de Deus e das suas propostas?


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Salmo Responsorial
Sl 99,2.3.5 (R.3c)   


Nós somos o povo e o rebanho do Senhor.

2Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a ele cantando jubilosos!

Nós somos o povo e o rebanho do Senhor.

3Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,
Ele mesmo nos fez, e somos seus,
nós somos seu povo e seu rebanho.

Nós somos o povo e o rebanho do Senhor.

5Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,
sua bondade perdura para sempre,
seu amor é fiel eternamente!

Nós somos o povo e o rebanho do Senhor.


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (5,6-11)


Irmãos:
6Quando éramos ainda fracos,
Cristo morreu pelos ímpios,
no tempo marcado.
7Dificilmente alguém morrerá por um justo;
por uma pessoa muito boa,
talvez alguém se anime a morrer.
8Pois bem, a prova de que Deus nos ama
é que Cristo morreu por nós,
quando éramos ainda pecadores.
9Muito mais agora,
que já estamos justificados pelo sangue de Cristo,
seremos salvos da ira por ele.
10Quando éramos inimigos de Deus,
fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho;
quanto mais agora, estando já reconciliados,
seremos salvos por sua vida!
11Ainda mais:
Nós nos gloriamos em Deus,
por nosso Senhor Jesus Cristo.
É por ele que, já desde o tempo presente,
recebemos a reconciliação.
Palavra do Senhor 


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Reflitamos o texto da SegundaLeitura


O cristão é fundamentalmente alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta cada dia com a serenidade, a alegria, a esperança que brotam dessa certeza fundamental. A certeza do amor de Deus condiciona a minha vida, a minha forma de enfrentar as dificuldades, o meu jeito de responder aos desafios que a vida me coloca?

O amor de Deus é totalmente gratuito, incondicional e eterno. Não espera nada em troca; não põe condições para se derramar sobre o homem; não é descartável… Numa época em que a cultura dominante vende a imagem do amor interesseiro, condicionado e efêmero, o amor de Deus constitui um tremendo desafio aos crentes.

O amor de Deus é universal. Não marginaliza nem discrimina ninguém, não distingue entre amigos e inimigos, e não condena irremediavelmente os que falharam nem os afasta do convívio de Deus. Nós, discípulos de Jesus, somos testemunhas deste amor? Como é que tratamos e acolhemos aqueles que não concordam conosco, que assumem atitudes problemáticas, que fracassaram no seu casamento, que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorretos?


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (9,36-10,8)


Naquele tempo:
36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas,
porque estavam cansadas e abatidas,
como ovelhas que não têm pastor.
Então disse a seus discípulos:
37'A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.
38Pedi pois ao dono da messe
que envie trabalhadores para a sua colheita!'
10,1Jesus chamou os doze discípulos
e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus
e para curarem todo tipo de doença e enfermidade.
2Estes são os nomes dos doze apóstolos:
primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão;
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João;
3Filipe e Bartolomeu;
Tomé e Mateus, o cobrador de impostos;
Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes,
que foi o traidor de Jesus.
5Jesus enviou estes Doze,
com as seguintes recomendações:
'Não deveis ir aonde moram os pagãos,
nem entrar nas cidades dos samaritanos!
6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!
7Em vosso caminho, anunciai:
O Reino dos Céus está próximo'.
8Curai os doentes, ressuscitai os mortos,
purificai os leprosos, expulsai os demônios.
De graça recebestes, de graça deveis dar!
Palavra da Salvação.


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Reflitamos o texto do Evangelho


Como cenário de fundo desta catequese sobre o envio dos discípulos está o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Não esqueçamos isto: Deus nunca Se ausentou da história dos homens; Ele continua a construir a história da salvação e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira liberdade, da verdadeira felicidade, da vida definitiva.

Como é que Deus age hoje no mundo?

A resposta que o Evangelho deste domingo dá é: através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam - com palavras e com gestos - esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.

Atenção: Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para O seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”. Tenho consciência de que isto me diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão?

Qual é a missão dos discípulos de Jesus?

É lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas econômicos geradores de bem-estar) que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. É isso que eu procuro fazer?

As obras que eu realizo são verdadeiramente um anúncio do mundo novo que está para chegar? Eu procuro transmitir alegria, coragem e esperança àqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero? Eu procuro ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos, abandonados, marginalizados?O nosso serviço ao “Reino” é um serviço totalmente gratuito, ou é um serviço que serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realização pessoal?


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Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - 'A'

No centro da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo está a celebração de Deus que alimenta a sua povo e que, no seu Filho, dá o alimento supremo e eterno. Para exprimir esta oração de louvor e de agradecimento, que dirigimos ao Senhor acolhendo o dom do seu amor, a Escritura emprega duas palavras: a bênção (primeira leitura) e a ação de graças (segunda leitura).

Estas duas dimensões de oração estão intimamente ligadas e devem habitar a nossa vida para além da missa, para testemunhar todo o amor com o qual Cristo ama os homens (Evangelho).

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo é a festa da Pessoa de Cristo. Ao levantarmos os olhos para o Pão e o Vinho consagrados, só podemos dizer: ”É mesmo Ele! Meu Senhor e meu Deus!”.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.” (João 6,56-57)



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Sequência
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Deuteronômio (8,2-3.14b-16a)


Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima, e te alimentou no deserto com maná, que teus pais não conheciam.


Moisés falou ao povo, dizendo:

2Lembra-te de todo o caminho
por onde o Senhor teu Deus te conduziu,
esses quarenta anos, no deserto,
para te humilhar e te pôr à prova,
para saber o que tinhas no teu coração,
e para ver se observarias ou não seus mandamentos.
3Ele te humilhou, fazendo-te passar fome
e alimentando-te com o maná
que nem tu nem teus pais conheciam,
para te mostrar que nem só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor.
14bNão te esqueças do Senhor teu Deus
que te fez sair do Egito da casa da escravidão,
15e que foi teu guia no vasto e terrível deserto,
onde havia serpentes abrasadoras,
escorpiões, e uma terra árida e sem água nenhuma.
Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima,
16ae te alimentou no deserto com maná,
que teus pais não conheciam.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 147,12-13.14-15.19-20 (R. 12)


Glorifica o Senhor, Jerusalém;
celebra teu Deus, ó Sião!

 12Glorifica o Senhor, Jerusalém!
 Sião, canta louvores ao teu Deus!
13Pois reforçou com segurança as tuas portas,
e os teus filhos em teu seio abençoou.

Glorifica o Senhor, Jerusalém;
celebra teu Deus, ó Sião!

14A paz em teus limites garantiu
e te dá como alimento a flor do trigo.
15Ele envia suas ordens para a terra,
e a palavra que ele diz corre veloz.

Glorifica o Senhor, Jerusalém;
celebra teu Deus, ó Sião!

19Anuncia a Jacó sua palavra,
seus preceitos suas leis a Israel.
20Nenhum povo recebeu tanto carinho,
a nenhum outro revelou os seus preceitos.

Glorifica o Senhor, Jerusalém;
celebra teu Deus, ó Sião!


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Segunda Leitura 
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (10,16-17)


Uma vez que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo.


Irmãos:

16O cálice da bênção, o cálice que abençoamos,
não é comunhão com o sangue de Cristo?
E o pão que partimos,
não é comunhão com o corpo de Cristo?
17Porque há um só pão,
nós todos somos um só corpo,
pois todos participamos desse único pão.
Palavra do Senhor.


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Sequência 


1. Terra, exulta de alegria, louva teu pastor
e guia com teus hinos, tua voz!
2. Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo
não repouses: sempre excede o teu louvor!
3. Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que
dá vida vem com ela celebrar!
4. Este pão que o mundo o creia! por Jesus,
na santa ceia, foi entregue aos que escolheu.
5. Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos,
pois transborda o coração!
6. Quão solene a festa, o dia, que da santa
Eucaristia nos recorda a instituição!
7. Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e
realeza, foi-se a Páscoa dos judeus.
8. Era sombra o antigo povo, o que é velho
cede ao novo: foge a noite, chega a luz.
9. O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja
que o rodeia repeti-lo até voltar.
10. Seu preceito conhecemos: pão e vinho
consagremos para nossa salvação.
11. Faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue
o vinho amigo: deve-o crer todo cristão.
12. Se não vês nem compreendes, gosto e
vista tu transcendes, elevado pela fé.
13. Pão e vinho, eis o que vemos; mas ao Cristo
é que nós temos em tão ínfimos sinais...
14. Alimento verdadeiro, permanece o Cristo
inteiro quer no vinho, quer no pão.
15. É por todos recebido, não em parte ou
dividido, pois inteiro é que se dá!
16. Um ou mil comungam dele, tanto este
quanto aquele: multiplica-se o Senhor.
17. Dá-se ao bom como ao perverso, mas o
efeito é bem diverso: vida e morte traz em si... 
18. Pensa bem: igual comida, se ao que é bom
enche de vida, traz a morte para o mau.
19. Eis a hóstia dividida... Quem hesita, quem
duvida? Como é toda o autor da vida, a partícula também. 
20. Jesus não é atingido: o sinal é que é partido;
mas não é diminuído, nem se muda o que contém.
21. Eis o pão que os anjos comem transformado
em pão do homem; só os filhos o
consomem: não será lançado aos cães!
22. Em sinais prefigurado, por Abraão foi
imolado, no cordeiro aos pais foi dado, no deserto foi maná... 
23. Bom pastor, pão de verdade, piedade, ó
Jesus, piedade, conservai-nos na unidade,
extingui nossa orfandade, transportai-nos para o Pai!
24. Aos mortais dando comida, dais também
o pão da vida; que a família assim nutrida seja
um dia reunida aos convivas lá do céu!


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (6,51-58)


Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.


Naquele tempo:

disse Jesus às multidões dos judeus:
51'Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei
é a minha carne dada para a vida do mundo'.
52Os judeus discutiam entre si, dizendo:
'Como é que ele pode dar a sua carne a comer?'
53Então Jesus disse:
'Em verdade, em verdade vos digo,
se não comerdes a carne do Filho do Homem
e não beberdes o seu sangue,
não tereis a vida em vós.
54Quem come a minha carne
e bebe o meu sangue
tem a vida eterna,
e eu o ressuscitarei no último dia.
55Porque a minha carne é verdadeira comida
e o meu sangue, verdadeira bebida.
56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e eu nele.
57Como o Pai, que vive, me enviou,
e eu vivo por causa do Pai,
assim o que me come viverá por causa de mim.
58Este é o pão que desceu do céu.
Não é como aquele que os vossos pais comeram.
Eles morreram.
Aquele que come este pão viverá para sempre.'
Palavra da Salvação.


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Comentário
Bom Pastor, Pão verdadeiro. 


Queridos irmãos e irmãs!

A festa do Corpus Christi é inseparável da Quinta-Feira Santa, da Missa in Caena Domini, na qual se celebra solenemente a instituição da Eucaristia. Enquanto na tarde de Quinta-Feira Santa se revive o mistério de Cristo que se oferece a nós no pão partido e no vinho derramado, hoje, na celebração do Corpus Christi, este mesmo mistério é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, e o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas estradas das cidades e das aldeias, para manifestar que Cristo ressuscitado caminha no meio de nós e nos guia para o Reino do céu. O que Jesus nos doou na intimidade do Cenáculo, hoje manifestamo-lo abertamente, porque o amor de Cristo não está destinado a alguns, mas a todos. Na Missa in Caena Domini da passada Quinta-Feira Santa ressaltei que na Eucaristia se realiza a transformação dos dons desta terra - o pão e o vinho - finalizada a transformar a nossa vida e a inaugurar assim a transformação do mundo. Esta tarde gostaria de retomar esta perspectiva.

Poder-se-ia dizer que tudo parte do coração de Cristo, que na Última Ceia, na vigília da sua paixão, agradeceu e louvou a Deus e, deste modo, com o poder do seu amor, transformou o sentido da morte que se estava a aproximar. O fato que o Sacramento do altar tenha assumido o nome Eucaristia – “ação de graças” - expressa precisamente isto: que a transformação da substância do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo é fruto do dom que Cristo fez de si mesmo, dom de um amor mais forte do que a morte, Amor divino que o fez ressuscitar dos mortos. Eis por que a Eucaristia é alimento de vida eterna, Pão da vida. Do coração de Cristo, da sua “oração eucarística” na vigília da paixão, brota aquele dinamismo que transforma a realidade nas suas dimensões cósmica, humana e histórica. Tudo procede de Deus, da omnipotência do seu Amor Uno e Trino, encarnado em Jesus. Neste amor está imerso o coração de Cristo; por isso Ele sabe agradecer e louvar a Deus também perante a traição e a violência, e desta forma muda as coisas, as pessoas e o mundo.

Esta transformação é possível graças a uma comunhão mais forte que a divisão, a comunhão do próprio Deus. A palavra “comunhão”, que usamos também para designar a Eucaristia, resume em si a dimensão vertical e a horizontal do dom de Cristo. É bonita e muito eloquente a expressão “receber a comunhão” referida ao gesto de comer o Pão eucarístico. Com efeito, quando realizamos este gesto, entramos em comunhão com a própria vida de Jesus, no dinamismo desta vida que se doa a nós e por nós. De Deus, através de Jesus, até nós: é uma única comunhão que se transmite na sagrada Eucaristia. Ouvimo-lo há pouco, na segunda Leitura, das palavras do apóstolo Paulo, dirigidas aos cristãos de Corinto: “O cálice da bênção que benzemos não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão” (1 Cor 10, 16-17).

Santo Agostinho ajuda-nos a compreender a dinâmica da comunhão eucarística, quando faz referência a uma espécie de visão que teve, na qual Jesus lhe disse: “Eu sou o alimento dos fortes. Cresce e receber-me-ás. Tu não me transformarás em ti, como o alimento do corpo, mas és tu que serás transformado em mim” (Confissões VII, 10, 18). Portanto, enquanto o alimento corporal é assimilado pelo nosso organismo e contribui para o seu sustento, no caso da Eucaristia trata-se de um Pão diferente: não somos nós que o assimilamos, mas é ele que nos assimila a si, de tal modo que nos tornamos conformes com Jesus Cristo, membros do seu corpo, um só com Ele. Esta passagem é decisiva. Com efeito, precisamente porque é Cristo que, na comunhão eucarística, nos transforma em si, neste encontro a nossa individualidade é aberta, libertada do seu egocentrismo e inserida na Pessoa de Jesus, que por sua vez está imersa na comunhão trinitária. Assim a Eucaristia, enquanto nos une a Cristo, abre-nos também aos outros, tornando-nos membros uns dos outros: já não estamos divididos, mas somos um só nele. A comunhão eucarística une-me à pessoa que está ao meu lado e com a qual, talvez, eu nem sequer tenho um bom relacionamento, mas também aos irmãos distantes, em todas as regiões do mundo. Portanto daqui, da Eucaristia, deriva o profundo sentido da presença social da Igreja, como testemunham os grandes santos sociais, que foram sempre grandes almas eucarísticas. Quem reconhece Jesus na Hóstia sagrada, reconhece-O no irmão que sofre, que tem fome e sede, que é estrangeiro, está nu, doente, prisioneiro; e está atento a cada pessoa, empenha-se de modo concreto por todos aqueles que se encontram em necessidade. Portanto, do dom de amor de Cristo provém a nossa especial responsabilidade de cristãos na construção de uma sociedade solidária, justa e fraterna. Especialmente no nosso tempo, em que a globalização nos torna cada vez mais dependentes uns dos outros, o Cristianismo pode e deve fazer com que esta unidade não se edifique sem Deus, ou seja, sem o verdadeiro Amor, o que daria espaço à confusão, ao individualismo e à prepotência de todos contra todos. O Evangelho visa desde sempre a unidade da família humana, uma unidade não imposta do alto, nem por interesses ideológicos ou econômicos, mas sim a partir do sentido de responsabilidade recíproca, porque nos reconhecemos membros de um único corpo, do corpo de Cristo, porque aprendemos e continuamos a aprender constantemente do Sacramento do Altar, que a partilha, o amor é o caminho da verdadeira justiça.

Voltemos agora ao gesto de Jesus na Última Ceia. O que aconteceu naquele momento? Quando Ele disse: isto é o meu corpo, que é entregue por vós; isto é o meu sangue, derramado por vós e pela multidão, o que acontece? Neste gesto, Jesus antecipa o acontecimento do Calvário. Por amor, Ele aceita toda a paixão, com a sua dificuldade e a sua violência, até à morte de cruz; aceitando-a deste modo, transforma-a num gesto de doação. Esta é a transformação de que o mundo tem mais necessidade, porque o redime a partir de dentro, abrindo-o às dimensões do Reino dos céus. Mas esta renovação do mundo, Deus quer realizá-la sempre através do mesmo caminho percorrido por Cristo, aliás, o caminho que é Ele mesmo. Não há nada de mágico no Cristianismo. Não existem atalhos, mas tudo passa através da lógica humilde e paciente do grão de trigo que se abre para dar vida, a lógica da fé que move as montanhas com a força mansa de Deus. Por isso, Deus quer continuar a renovar a humanidade, a história e o cosmos através desta cadeia de transformações, cujo sacramento é a Eucaristia. Mediante o pão e o vinho consagrados, nos quais estão realmente presentes o seu Corpo e o seu Sangue, Cristo transforma-nos, assimilando-nos a Ele: compromete-nos na sua obra de redenção tornando-nos capazes, pela graça do Espírito Santo, de viver segundo a sua própria lógica de entrega, como grãos de trigo unidos a Ele e nele. É assim que se semeiam e amadurecem nos sulcos da história a unidade e a paz, que constituem o fim para o qual tendemos, segundo o desígnio de Deus.

Sem ilusões, sem utopias ideológicas, nós caminhos pelas veredas do mundo, trazendo dentro de nós o Corpo do Senhor, como a Virgem Maria no mistério da Visitação. Com a humildade de saber que somos simples grãos de trigo, conservemos a certeza firme de que o amor de Deus, encarnado em Cristo, é mais forte que o mal, a violência e a morte. Sabemos que Deus prepara para todos os homens céus novo e uma nova terra, onde reinam a paz e a justiça - e na fé entrevemos o mundo novo, que é a nossa verdadeira pátria. Também esta tarde, enquanto o sol se põe sobre esta nossa amada cidade de Roma, pomo-nos a caminho: conosco está Jesus-Eucaristia, o Ressuscitado, que disse: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20). Obrigado, Senhor Jesus! Obrigado pela vossa fidelidade, que sustém a nossa esperança. Permanecei conosco, porque está a anoitecer. “Bom Pastor, Pão verdadeiro, ó Jesus, tende piedade de nós; alimentai-nos, defendei-nos e conduzi-nos para os bens eternos, na terra dos vivos!». Amém.


Homilia de Bento XVI para a Solenidade do Corpo de Deus em 2011


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Solenidade da Santíssima Trindade - ‘A’

A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de um Deus em três pessoas; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, auto-apresenta-Se: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia.
Na segunda leitura, Paulo expressa - através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” - a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor.
No Evangelho, João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), plasma-se a grandeza do coração de Deus


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Êxodo (34,4b-6.8-9)

Deus é sempre, para o homem, o mistério que a “nuvem” esconde e revela: detectamos a sua presença, mas sem O ver; percebemos a sua proximidade, sem conseguirmos definir os contornos do seu rosto. A ânsia do homem em penetrar o mistério de Deus leva-o, com frequência, a inventar rostos de Deus; mas, muitas vezes, esses rostos são apenas a projeção dos sonhos, dos anseios, das necessidades e até dos defeitos dos homens e têm pouco a ver com a realidade de Deus. Para entrarmos no mistério de Deus, é preciso estabelecer com Ele uma relação de proximidade, de comunhão, de intimidade que nos leve ao encontro da sua voz, dos seus valores, dos seus desafios (“subir ao monte”).


Naqueles dias:

4bMoisés levantou-se, quando ainda fazia noite,
e subiu ao monte Sinai,
como o Senhor lhe havia mandado,
levando consigo as duas tábuas de pedra.
5O Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés,
e este invocou o nome do Senhor.
6Enquanto o Senhor passava diante dele
Moisés gritou:
'Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente,
paciente, rico em bondade e fiel'.
8Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão
9e, prostrado por terra, disse:
'Senhor, se é verdade que gozo de teu favor,
peço-te, caminha conosco;
embora este seja um povo de cabeça dura,
perdoa nossas culpas e nossos pecados
e acolhe-nos como propriedade tua'.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Dn 3, 52.53.54-55.56 (R.52b)


A vós louvor, honra e glória eternamente!

52Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais.
Sede bendito, nome santo e glorioso.

A vós louvor, honra e glória eternamente!

53No templo santo onde refulge a vossa glória.

A vós louvor, honra e glória eternamente!

54E em vosso trono de poder vitorioso. 

A vós louvor, honra e glória eternamente!

55Sede bendito, que sondais as profundezas
e superior aos querubins vos assentais.

A vós louvor, honra e glória eternamente!

56Sede bendito no celeste firmamento. 

A vós louvor, honra e glória eternamente!


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Segunda Leitura
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios (13,11-13)


Os membros da comunidade cristã, que pelo baptismo aderiram ao projeto de salvação que Deus apresentou aos homens em Jesus e cuja caminhada é animada pelo Espírito, são convidados a integrarem esta comunidade de amor. O fim último da nossa caminhada é a pertença à família trinitária.


11Irmãos:
Alegrai-vos,
trabalhai no vosso aperfeiçoamento,
encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz,
e o Deus do amor e da paz estará convosco.
12Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo.
Todos os santos vos saúdam.
13A graça do Senhor Jesus Cristo,
o amor de Deus
e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.
Palavra do Senhor.


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (3,16-18)


João é o evangelista abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu único Filho, para apresentar aos homens uma proposta de felicidade plena, de vida definitiva; e Jesus, o Filho, cumprindo o mandato do Pai, fez da sua vida um dom, até à morte na cruz, para mostrar aos homens o “caminho” da vida eterna… No dia em que celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, somos convidados a contemplar, com João, esta incrível história de amor e a espantar-nos com o peso que nós – seres limitados e finitos, pequenos grãos de pó na imensidão das galáxias – adquirimos nos esquemas, nos projetos e no coração de Deus.


16Deus amou tanto o mundo,
que deu o seu Filho unigênito,
para que não morra todo o que nele crer,
mas tenha a vida eterna.
17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por ele.
18Quem nele crê, não é condenado,
mas quem não crê, já está condenado,
porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
Palavra da Salvação.


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Comentário 
Para compreender o mistério


Ao pensar no mistério da Santíssima Trindade podemos ter a ideia de que para entender algo a respeito se precisamos de grandes conhecimentos sobre teologia, acessível só para grandes especialistas. E, no entanto, as leituras com as que hoje a Igreja nos convida a meditar neste mistério se distinguem por sua brevidade, pelo suscito e lacônico de seu conteúdo. Pode ser um bom indicativo de que ante este mistério, que é o mistério mesmo de Deus, há que começar por renunciar a “explicá-lo”, isto é, a entrar nele para decifrar seus “elementos” e pôr adiante de nosso olhar. Não podemos “entrar” no mistério de Deus, em primeiro lugar, porque Deus não se deixa manipular e manipular por nós. Além disso, porque Deus não é “problema” que requeira uma solução com a força (nisto, mais bem escassa) de nossa razão, ao estilo dos problemas matemáticos; menos ainda é um enigma que pode ser desvelado a base de imaginação ou agudeza.

Mas nada disto significa que tenhamos que “cortarmos a cabeça” e aceitar sem crítica afirmações sem sentido, que só serviriam para pôr à prova nossa credulidade ou nossa docilidade... Apesar do dito ao princípio, os grandes conhecimentos de teologia para especialistas também são necessários. Só que também eles não são suficientes se não vão precedidos de disposições pessoais que não são coisa exclusiva de especialistas, senão questão de fé e necessárias para todo crente. Destas disposições fala hoje a Palavra de Deus, e a elas nos convida.

A primeira de todas é a abertura de espírito: temos que nos abrir à contemplação do mistério (e não havendo explicação ou a solução do problema). Não podemos entrar no mistério de Deus, mas é Deus mesmo o que se adianta a sair de si, a se revelar, a dizer, a se dar. É o Senhor o que “baixa da nuvem” e fica conosco, como ficou com Moisés; é Deus quem se manifesta, e seu mostrar-se consiste em revelar-se como misericórdia e compaixão, rico em clemência e lealdade, disposto a caminhar conosco.

O que nos diz Deus de si mesmo está admiravelmente resumido nas palavras de Jesus a Nicodemos: “Tanto amou Deus ao mundo que entregou seu Filho único para que aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. ” O mistério da Trindade, isto é, da vida interna de Deus, é um mistério de amor, e de um amor extremo, difícil de compreender, porque é um amor até a morte, mas que salva e dá vida, e uma vida plena, que é o que significa a vida eterna. Pode-se “explicar” o amor, isto é, decifra-lo e expor seus “elementos”? É evidente que nos encontramos em outra dimensão, que transcende a pura objetividade teórica. Compreender um amor assim, até o extremo, significa se deixar surpreender por ele, o acolher, o assimilar, o fazer próprio, isto é começar a compreender o mistério da Trindade. Porque este mistério é o de um Deus amor que se entrega totalmente, sem reservas, com uma pureza total. Mas se Deus “amou tanto ao mundo” como para lhe entregar seu próprio Filho (e é o Filho que se entrega que o diz), é que essa entrega é a essência mesma de Deus, de maneira que já sua vida interna consiste nesse se entregar mutuamente em amor puro. Isto é, compreendemos que a vida interna de Deus é relação, comunicação e, por isso, diferença pessoal e, ao mesmo tempo, perfeita unidade. Isso é o amor: unidade na diferença, relação que supera a diferença, mas sem a anular. Agora, este entendimento não significa que “deciframos” o mistério de Deus. Porque, repitamos de novo, nós não podemos entrar nele, mas Deus pode nos revelar quem é: e não só teoricamente, senão precisamente nos comunicando seu amor, um amor extremo, até a morte, nos fazendo partícipes dele, nos dando vida, nos salvando de perecer. Embora não possamos encerrar este entendimento de Deus em um conceito, nem sequer em todo um sistema de filosofia, ao menos evitamos identificar ao Deus cristão com o ser imutável de Parmênides ou o Motor imóvel do pensamento de Aristóteles: conceitos de Deus que, ainda reconhecendo seu valor teórico, não nos servem, nem nos consolam, nem nos salvam, porque estão encerrados em si mesmos, e são incapazes de sair de si ao encontro do homem com misericórdia e compaixão. Na realidade, olhar este mistério trinitário do Deus amor ajuda-nos a compreender que nem sequer o monoteísmo por si mesmo é suficiente para uma adequada imagem de Deus. Pois o monoteísmo sem mais nada pode significar uma espécie de monarquismo teológico no qual Deus se comporta só como um legislador (inclusive como um tirano) que estabelece relações verticais com os homens, ante as quais só cabem à submissão temerosa e servil.

Um Deus único, mas habitado interiormente por relações pessoais de mútua entrega e amor é um Deus que tende a se expressar, a se revelar, a se dar pessoalmente, e, ao o fazer, não só não nos submete à condição de servos, senão que, ao invés, nos liberta, nos põe a seu nível, pois já na encarnação se pôs Ele ao nosso: “despojou-se de si mesmo tomando a condição de servo” (Flp 2, 7), de maneira que nos converte em amigos: “não vos chamo servos,,,; chamo-vos amigos” (Jn 15, 15); e irmãos seus: “vai-te onde meus irmãos e lhes diga: Subo a meu Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus” (Jn 20, 17).

É evidente que estamos falando de um modo de compreender que transcende com muito o plano intelectual. Por isso a preparação para o acolhimento do mistério tem conotações próprias, práticas, existenciais, das quais nos adverte Paulo em sua carta aos Corintios; em primeiro lugar, a alegria: o comunicar-se e dar-se de Deus é uma boa notícia que não deve gerar temor; em segundo lugar, a vontade de mudar de vida, de emendar-se, de melhorar: o Deus que vem nos visitar e que nos comunica seu amor extremo nos convida a nos mover na linha do melhor, a dar o melhor de nós mesmos e, por tanto, reconhecer as porções do mal que convivem conosco; trata-se às vezes de uma batalha árdua, porque temos a experiência de que o mal tem raízes resistentes inclusive na nossa boa vontade; mas nem por isso devemos cair no desanimo. Ao invés, sabendo que Deus não vem em plano punitivo ou censor, senão a nos dar vida, que não nos julga (somos nós os que nos julgamos a nós mesmos, nos abrindo ou nos fechando à visita de Deus), estes são motivos para nos animar, alargar a alma e respirar. E todas estas atitudes não podem não reverter nos demais: Paulo chama-nos à unanimidade e a paz; mas não em um sentido romântico ou fácil: todos sabem o muito que custa harmonizar os ânimos e superar os conflitos. Mas é que Deus mesmo nos mostrou o caminho: o verdadeiro amor, o que compõe a essência e a vida de Deus, consiste na disposição de dar a vida. E nós, alcançados por esse amor e essa vida, vivemos a imagem da Trindade quando tratamos de reproduzir em nossa vida essa mesma medida de amor.

Quando acolhemos esta revelação de Deus e participamos deste modo na mesma vida divina, que se substância no mandamento do amor, se nos iluminam todas essas expressões que continuamente escutamos e dizemos em nossa oração: “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, que “abençoe-vos Deus Pai, Filho e Espírito Santo”, ou, como conclui hoje Paulo e começamos nós a Eucaristia: “graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo esteja sempre com todos vocês”.


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Domingo de Pentecostes - 'A'

O tema deste Domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Sequência do Pentecostes
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
Atos dos Apóstolos (2,1-11)


Nunca será demais realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja… Antes do Pentecostes, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à ação do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?


1Quando chegou o dia de Pentecostes,
os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2De repente, veio do céu um barulho 
como se fosse uma forte ventania, 
que encheu a casa onde eles se encontravam.
3Então apareceram línguas como de fogo
que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
4Todos ficaram cheios do Espírito Santo
e começaram a falar em outras línguas,
conforme o Espírito os inspirava.
5Moravam em Jerusalém judeus devotos,
de todas as nações do mundo.
6Quando ouviram o barulho,
juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos,
pois cada um ouvia os discípulos
falar em sua própria língua.
7Cheios de espanto e de admiração, diziam:'Esses
homens que estão falando não são todos galileus?
8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua?
9Nós que somos partos, medos e elamitas,
habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia,
do Ponto e da Ásia,
10da Frígia e da Panfília,
do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene,
também romanos que aqui residem;
11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós
os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus
na nossa própria língua!'
Palavra do Senhor


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Salmo Responsorial
Sl 103,1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)


Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.

1aBendize, ó minha alma, ao Senhor!
1bÓ meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
24ªQuão numerosas, ó Senhor, são vossas obras
24cEncheu-se a terra com as vossas criaturas!

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.

29bSe tirais o seu respiro, elas perecem
29ce voltam para o pó de onde vieram.
30Enviais o vosso espírito e renascem
e da terra toda a face renovais.

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.

31Que a glória do Senhor perdure sempre,
e alegre-se o Senhor em suas obras!
34Hoje seja-lhe agradável o meu canto,
pois o Senhor é a minha grande alegria!

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.


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Segunda Leitura
Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (12,3b-7.12-13)


Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha fraterna, ou são campos de batalha onde se digladiam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?


Irmãos:

3bNinguém pode dizer: 
Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo.
4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.
5Há diversidade de ministérios,
mas um mesmo é o Senhor.
6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus
que realiza todas as coisas em todos.
7A cada um é dada a manifestação do Espírito
em vista do bem comum.
12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros,
e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos,
formam um só corpo,
assim também acontece com Cristo.
13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou
livres, fomos batizados num único Espírito,
para formarmos um único corpo,
e todos nós bebemos de um único Espírito.
Palavra do Senhor.


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Sequência do Pentecostes


Vinde, ó santo Espírito,
vinde, Amor ardente,
acendei na terra
vossa luz fulgente.

Vinde, Pai dos pobres:
na dor e aflições,
vinde encher de gozo
nossos corações.

Benfeitor supremo
em todo o momento,
habitando em nós
sois o nosso alento.

Descanso na luta
e na paz encanto,
no calor sois brisa,
conforto no pranto.

Luz de santidade,
que no Céu ardeis,
abrasai as almas
dos vossos fiéis.

Sem a vossa força
e favor clemente,
nada há no homem
que seja inocente.

Lavai nossas manchas,
a aridez regai,
sarai os enfermos
e a todos salvai.

Abrandai durezas          
para os caminhantes,
animai os tristes,
guiai os errantes.

Vossos sete dons
concedei à alma
do que em Vós confia:

Virtude na vida,
amparo na morte,
no Céu alegria.


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+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,19-23


A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes?


19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam,
Jesus entrou e pondo-se no meio deles,
disse: 'A paz esteja convosco'.
20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio'.
22E depois de ter dito isto,
soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo.
23A quem perdoardes os pecados,
eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes,
eles lhes serão retidos'. 
Palavra da Salvação


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Comentário
A harmonia da coisa diversa, ou a festa da Beleza


A beleza não é o resultado das paisagens uniformes, da repetição da mesma coisa. A beleza é modulação, surpresa, harmonia, eco, equilíbrio no aparente desequilíbrio. O Espírito é a Beleza ativa e criadora de Deus. Desde Ele ou Ela se derrama sobre o mundo a harmonia. Por isso, hoje é a festa da Beleza.

Conhecemos o Espírito Sagrado? Com esta pergunta nos confronta a festividade de Pentecostes. Jesus é o Senhor da história e do universo. Essa é a fé que confessamos! Mas, ao mesmo tempo nós vemos que a história e o universo estão aos pedaços, quebrados em fragmentos. Há muita divisão como para confessar alegremente que estamos no Reino da Unidade, da Paz, da grande Reconciliação. Há divisões religiosas (religiões diversas, confissões diversas cristãs, tendências diversas e contrárias na mesma confissão...), divisões políticas (causas de guerras frias e quentes), divisões que nos fazem viver a relação com a natureza de um modo tenso, problemático, dramático (tufões, terremotos, infortúnios ecológicos...).

Há divisões que vêm do diabólico, desse poder misterioso que nos divide e enfrenta. Há unidades que são, igualmente, diabólicas, porque estão baseadas na imposição de um poder sobre os demais. O mesmo podemos dizer do Espírito. É o Grande Distribuidor e o Grande Unificador. Do Espírito procede a variedade, a diferença, a pluralidade. Do mesmo Espírito procede a força da unidade, da comunhão. Tanto a disseminação como a comunhão podem ser experimentadas como ação do Espírito Sagrado. Paulo nos fala hoje que são muitos os carismas, muitos os serviços, muitas as energias das quais dispomos. Porém, em um só é o Espírito!

O Espírito gera a diversidade e a comunhão da coisa diversa. Não anseia uma unidade na qual a coisa diversa seja triturada, apagada. O ponto alto do Reino não consistirá na vitória de uma religião sobre as demais, de uma confissão cristã sobre as demais, de uma visão política sobre as demais. Será o momento da grande comunhão, a comunhão da coisa plural, a comunhão das diferenças. Isto não se consegue senão através de processos de longo discernimento, de diálogo, de contemplação e mútua estima. Por isso, a etapa prévia, o tempo das divisões tem que ver, não só com o espírito da injustiça, mas também com o Espírito de Deus!  

Jesus - falando com Nicodemos - comparou o Espírito ao vento: "O vento sopra para onde quer, e você ouve sua voz, mas você não sabe donde vem nem para onde vai. Assim é tudo o que nasce do Espírito". O Espírito não tem origem, nem tem fim. Por isso é muito difícil de entender a originalidade de seu movimento neste mundo. A metáfora da instabilidade e da fantasia do vento evoca o Espírito. Este Espírito misterioso dá testemunho de Jesus e faz eficaz o seu querer. É invisível, porém move poderosamente o mundo, sem fazer barulho e sem espetáculo.

O Espírito não tem genealogia, nem morte, nem princípio nem fim. O Espírito não aspira o repouso. O Espírito é liberdade absoluta: não deve ser aprisionado em uma origem, nem em um destino final. O Espírito vai pôr um caminho que não vem de nenhuma parte, nem vai a nenhuma parte. A única coisa que nós podemos perceber do Espírito é o seu movimento contínuo, incessante, eterno. Assim como um vento invisível que desdobra uma força considerável e arranca as árvores, como um tufão incontrolável, como um mar embravecido... Não obstante, o Espírito não é uma força cega, é uma força do Reino de Deus, que completa sua vontade. O Espírito é a força da vida, não da morte. O movimento perene do Espírito tem um efeito no mundo: a Vida..  

Frank Wesley representou o Espírito com a imagem mostrada acima. Santa Ruah é seu nome feminino em hebreu. O Espírito é dinamismo para a vida. O Espírito libera as criaturas da dureza mecânica das leis cósmicas e dá autonomia aos seres de forma que se autogerem e se reproduzam. O Espírito é como a Água, em cujo ambiente a vida se reproduz. A vida é múltipla. O Espírito torna possível a vida abundante, plural. Receber a "vida do Espírito" é ter o poder de transgredir o ciclo imperativo da natureza. O Espírito não é somente a Vida, é a liberdade. "Vai onde quer", tão pouco a liberdade tem origem, nem fim. A liberdade é a última realização da vida.  

A liberdade do Espírito - "onde o Espírito está, ali está a liberdade" - não é nenhuma arbitrariedade. O Espírito é o promotor de liberdades que se completam umas com as outras no movimento que Ele protagoniza. O importante não ser livre, mas sê-lo na sinfonia de liberdades. A experiência concreta da liberdade cristã é o amor. Os carismas do Espírito têm sido concedidos "para uso comum". O carisma dos carismas, o que sobre passa a todos, é o amor. O amor é o Espírito derramado em nossos corações. Deus Pai nos deu o penhor do Espírito de forma que possamos glorifica-lo em suas imagens vivas que são as mulheres e os homens. Quem reconhece a seus irmãos e irmãs, esse conhece Deus!

O dom do Espírito não se adapta. É uma espada que separa. Quando o Espírito toca o coração, gera disfunções institucionais e sociais. A conversão que o Espírito provoca não se identifica com a conformidade, com a lei. O Espírito devolve uma vida perigosa para o "statu quo". Isso foi o que aconteceu no dia de Pentecostes! Isto acontece em todo o Pentecostes!  

A divisão não é necessariamente um processo negativo. É uma garantia contra a impaciência. Os discípulos de Jesus queriam que fosse estabelecido o Reino de Deus o mais cedo possível. Jesus lhes pede paciência. Nossa impaciência nos levaria assumir funções que não nos correspondem. Somente aos anjos de Deus, como diz o Apocalipse, realizarão esta tarefa. Deus é um "deus paciente" (Rom 15,5). A paciência gera esperança em Jesus. A espera é uma arte. A inspiração resulta depois da espera. Os tiramos, porém, são aqueles que "perdem a paciência". Agem sem inspiração. A espera humilde, é paciente. O Espírito conforta esta atitude. Por isso, o Espírito abre a tolerância. Esse é o caminho da liberdade plena!

Há beleza em nosso mundo, quando se recompõem o projeto original de Deus da variedade unificada! Há beleza que salva o mundo das hostilidades e violências. O Espírito da Beleza se derrama continuamente e faz com que o Amor vença. 


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