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A Palavra

XXVIII Domingo do Tempo Comum - 'A'

A liturgia do XXVIII Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem do “banquete” para descrever esse mundo de felicidade, de fraternidade, de misericórdia, de amor e de alegria sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos.
Na primeira leitura, Isaías anuncia o “banquete” que um dia Deus, na sua própria casa, vai oferecer a todos os Povos. Acolher o convite de Deus e participar nesse “banquete” é aceitar viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.
O Evangelho sugere que é preciso “agarrar” o convite de Deus. Os interesses e as conquistas deste mundo não podem distrair-nos dos desafios de Deus. A opção que fizemos no dia do nosso baptismo não é “conversa fiada”; mas é um compromisso sério, que deve ser vivido de forma coerente.
Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos um exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino: a comunidade cristã de Filipos. É uma comunidade generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar o Evangelho diante de todos os homens. A comunidade de Filipos constitui, verdadeiramente, um exemplo que as comunidades do Reino devem ter presente.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
leitura do Livro do Profeta Isaías (25, 6-10a)

6O Senhor dos exércitos dará
neste monte, para todos os povos,
um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro,
servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos.
7Ele removerá, neste monte,
a ponta da cadeia que ligava todos os povos,
a teia em que tinha envolvido todas as nações.
8O Senhor Deus eliminará para sempre a morte
e enxugará as lágrimas de todas as faces
e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra,
o Senhor o disse.
9Naquele dia, se dirá: 'Este é o nosso Deus,
esperamos nele, até que nos salvou;
este é o Senhor, nele temos confiado:
vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo'.
10aE a mão do Senhor repousará sobre este monte.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Primeira Leitura


A imagem do “banquete” para o qual Deus convida “todos os povos” aponta para essa realidade de comunhão, de festa, de amor, de felicidade que Deus, insistentemente nos oferece. Nunca será de mais recordar isto: Deus tem um projeto de vida, que quer oferecer a todos os homens, sem exceção. Não somos “filhos de um deus menor”, pobre humanidade abandonada à sua sorte, perdida num universo hostil e condenada ao nada; somos pessoas a quem Deus ama, a quem Ele convida para integrar a sua família e a quem Ele oferece a vida plena e definitiva. A consciência desta realidade deve iluminar a nossa existência e encher de serenidade, de esperança e de confiança a nossa caminhada nesta terra. Ao homem basta-lhe aceitar o convite de Deus para ter acesso a essa festa de vida eterna. Aceitar o convite de Deus significa renunciar ao egoísmo, ao orgulho e à autossuficiência e conduzir a existência de acordo com os valores de Deus; aceitar o convite de Deus implica dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, já aqui, uma nova terra de justiça, de solidariedade, de partilha, de amor. No dia do nosso Batismo, aceitamos o convite de Deus e comprometemo-nos com Ele… A nossa vida tem sido coerente com essa opção?


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Salmo Responsorial
Sl 22,1-3a.3b-4.5-6 (R. 6cd)


Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

1O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.
2Pelos prados e campinas verdejantes
ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha,
3e restaura as minhas forças.

Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

3bEle me guia no caminho mais seguro,
pela honra do seu nome.
4Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
nenhum mal eu temerei;
estais comigo com bastóo e com cajado;
eles me dão a segurança!

Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

5Preparais à minha frente uma mesa,
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça;
o meu cálice transborda.

Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

6Felicidade e todo bem hão de seguir-me
por toda a minha vida;
e na casa do Senhor, habitarei
pelos tempos infinitos.

Na casa do Senhor habitarei, eternamente.


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (4,12-14.19-20)


Irmãos:
12Sei viver na miséria e sei viver na abundância.
Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer
situação, estando farto ou passando fome,
tendo de sobra ou sofrendo necessidade.
13Tudo posso naquele que me dá força.
14No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas
dificuldades.
19O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza
a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus.
20Ao nosso Deus e Pai,
a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Segunda Leitura


O texto da Segunda Leitura apela a que os cristãos tenham o coração aberto à partilha e ao dom. Ser cristão implica a renúncia a uma vida de egoísmo e de fechamento em si próprio… Implica abrir o coração às necessidades dos irmãos carentes e desfavorecidos e uma partilha efetiva da vida e dos bens. Numa época em que os valores dominantes convidam continuamente ao egoísmo, à autossuficiência, à preocupação exclusiva com os próprios interesses, o gesto dos filipenses constitui uma poderosa interpelação. Também somos interpelados pelo sentido de despojamento de Paulo… Como Paulo, o apóstolo de Jesus deve saber “viver na pobreza” e deve saber “viver na abundância”; mas nunca pode colocar as comodidades materiais como prioridade ou como condição essencial para se empenhar na missão. O apóstolo de Jesus tem como prioridade o anúncio do Evangelho, em quaisquer circunstâncias e para além de todos os condicionalismos. Um “apóstolo” que se preocupa, antes de mais, com a sua comodidade ou com o seu bem-estar torna-se escravo das coisas materiais, passa a ser um “funcionário do Reino” com horário limitado e com trabalho limitado e rapidamente perde o sentido da sua entrega e do seu empenhamento. A solicitude dos filipenses por Paulo é sinal da vontade que eles têm de colaborar na expansão do Reino. Todas as comunidades cristãs deviam sentir este apelo a participar no testemunho de Evangelho de Jesus. Levar o Evangelho ao mundo não é uma missão que apenas diga respeito a um grupo “especial” dentro da Igreja; mas é uma missão que Jesus confiou a todos os discípulos, sem exceção. Todos os cristãos deviam sentir o imperativo de colaborar, na medida das suas possibilidades, no anúncio do Evangelho.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (22,1-14)


Naquele tempo:

Jesus voltou a falar em parábolas
aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo,
2dizendo: 'O Reino dos Céus é como a história do rei
que preparou a festa de casamento do seu filho.
3E mandou os seus empregados
para chamar os convidados para a festa,
mas estes não quiseram vir.
4O rei mandou outros empregados, dizendo:
`Dizei aos convidados: já preparei o banquete,
os bois e os animais cevados já foram abatidos
e tudo está pronto. Vinde para a festa!'
5Mas os convidados não deram a menor atenção:
um foi para o seu campo, outro para os seus negócios,
6outros agarraram os empregados,
bateram neles e os mataram.
7O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar
aqueles assassinos e incendiar a cidade deles.
8Em seguida, o rei disse aos empregados:
`A festa de casamento está pronta,
mas os convidados não foram dignos dela.
9Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos
e convidai para a festa todos os que encontrardes.'
10Então os empregados saíram pelos caminhos
e reuniram todos os que encontraram, maus e bons.
E a sala da festa ficou cheia de convidados.
11Quando o rei entrou para ver os convidados, observou
ali um homem que não estava usando traje de festa
12e perguntou-lhe: `Amigo,
como entraste aqui sem o traje de festa?'
Mas o homem nada respondeu.
13Então o rei disse aos que serviam:
`Amarrai os pés e as mãos desse homem
e jogai-o fora, na escuridão!
Ali haverá choro e ranger de dentes'.
14Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos.'
Palavra da Salvação.


Reflitamos o texto do Evangelho


No Evangelho, a questão decisiva não é se Deus convida ou se não convida; mas é se se aceita ou se não se aceita o convite de Deus para o “banquete” do Reino. Os convidados que não aceitaram o convite representam aqueles que estão demasiado preocupados a dirigir uma empresa de sucesso, ou a escalar a vida a pulso, ou a conquistar os seus cinco minutos de fama, ou a impor aos outros os seus próprios esquemas e projetos, ou a explorar o bem estar que o dinheiro lhe proporciona e não têm tempo para os desafios de Deus. Também aqueles que estão instalados na sua autossuficiência, nas suas certezas, seguranças e preconceitos e não têm o coração aberto e disponível para as propostas de Deus. Trata-se, muitas vezes, de pessoas sérias e boas, que se empenham seriamente na comunidade cristã e que desempenham papéis fundamentais na estruturação dos organismos paroquiais… Mas “nunca se enganam e raramente têm dúvidas”; sabem tudo sobre Deus, já construíram um deus à medida dos seus interesses, desejos e projetos e não se deixam questionar nem interpelar. Os seus corações estão, também, fechados à novidade de Deus. Os convidados que aceitaram o convite representam todos os que, apesar dos seus limites e do seu pecado, têm o coração disponível para Deus e para os desafios que Ele faz. Percebem os limites da sua miséria e finitude e estão permanentemente à espera que Deus lhes ofereça a salvação. São humildes, pobres, simples, confiam em Deus e na salvação que Ele quer oferecer a cada homem e a cada mulher e estão dispostos a acolher os desafios de Deus.

A parábola do homem que não vestiu o traje apropriado convida-nos a considerar que a salvação não é uma conquista, feita de uma vez por todas, mas um sim a Deus sempre renovado, e que implica um compromisso real, sério e exigente com os valores de Deus. Implica uma opção coerente, contínua, diária com a opção que eu fiz no Batismo… A questão é: onde é que está a verdadeira felicidade? Nos valores do Reino, ou nesses valores efémeros que nos absorvem e nos dominam?


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Comentário
Pode-se ir a um banquete com cara de poucos amigos?


No outro dia um amigo me convidou para comer em sua casa. Quando cheguei, encontrei  alguns casais reunidos. Era um grupo de amigos e familiares. Todos compartilhavam a comida em amizade. Todos, menos uma mulher que permanecia em silêncio. Um pouco ausente e com cara de poucos amigos. Ao redor dela se notava que o ambiente estava um pouco mais frio. A parte mais animada da festa estava no lado oposto donde ela estava. E se ela se movia, parecia que levava consigo a frieza e o aborrecimento. Não era difícil se fixar nela. Certamente chamava a atenção. Não acabou com a festa, mas pouco faltou.

O Evangelho de hoje fala-nos também de uma festa. Um rei que organiza o casamento de seu filho. Isso sim que devia ser uma autêntica festa. Mas resulta que os convidados não querem ir. O primeiro inconveniente. Desprezam o banquete preparado pelo rei. Tanto que o rei decide buscar outros convidados. E vêm. Claro que sim. A gente não despreza um banquete nem uma festa. É a expressão da alegria e o desfruto, da abundância e a plenitude. O que nos surpreende é a atitude final do rei. Por que joga o convidado que tinha esquecido de levar um traje adequado? Isto que hoje nos relata o Evangelho é uma parábola de Jesus. Supõe-se que o rei é Deus que convida a todos os homens e mulheres a seu banquete. Entendemos que aqueles que não querem ir são deixados de fora, que rejeitam expressamente o convite. Mas como Deus pode lançar alguém? Não é isso contra a imagem de Deus Pai que recebe tudo e perdoa tudo?

A verdade é que Deus não joga a ninguém. Não expulsa a ninguém. Somos nós os que não entramos para valer na festa. Quando mostramos cara de poucos amigos, nós mesmos nos excluímos da festa. Passa como com aquela mulher da história. Em torno dela se criava um ambiente de frieza. Próximo dela não tinha festa. Era como uma espécie de vírus infeccioso que fazia com que os que estavam próximo dela não pudessem celebrar nem desfrutar.

Em nossas mãos está o entrar para participar no banquete da vida para o qual Deus nos convida. Mas temos que saber se vestir para a ocasião. A fraternidade, o sorriso, a justiça, são as roupas que nos enfeitarão e que farão a festa possível. Não seja o que perturbe a festa a Deus e a nossos irmãos.


Para a reflexão


Estamos sempre preparados para o banquete de Deus? Temos suficiente justiça, fraternidade, compaixão, misericórdia e alegria como para nos vestir, como para compartilhar? Que fazemos para que ninguém fique sem se vestir?


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida


No fundo negro do rio, no lodo, na lama, esperaste, com paciência histórica que nós não temos, o dia em que as rudes mãos de pescadores anônimos reinventassem a história, tecendo novo enredo, nova trama nas malhas da velha rede do humilde ofício.

Pequena, frágil, imagem destroçada do destroçado povo brasileiro, foste entronizada esperança negra que clareia a branca escuridão do túnel que atravessamos.

A ti acorremos, Senhora, Mãe, Rainha nossa! A teus pés depositamos o imenso rosário de nossas dores. Nossos filhos assassinados; nossas terras usurpadas, nosso trabalho negado por salário de mentira.

A casa que não temos; nosso minguado pão e a esperança - que ainda temos - que nos trouxe teu. Toma em tuas mãos esta esperança ferida, Maria, mulher do povo, da esquecida Nazaré, e transforma-a num canto, noutro Magnificat, grito profético, que cala os prepotentes e derruba os poderosos inaugurando o Reino, boa notícia para os pequenos. Sim, era necessário que aparecesses do fundo do nosso negro silêncio, do fundo da água dos nossos olhos cansados, nas malhas da rede que tece nossas vidas, para que te elegêssemos Senhora de nossa esperança, Mãe Imaculada da nossa maculada conceição, da nossa turva história manchada de mal.

Hoje, mais do que nunca, é necessário que apareças no meio do sono brasileiro o nos despertes para a vida, reacendas o nosso sonho, nossa vontade, nossa garra, nossa luta para fazer acontecer o Reino que teu Filho inaugurou entre nós.

Nossa Senhora Aparecida do Brasil, Roga por nós! Amém!


Primeira Leitura - Leitura do Livro do Livro de Ester (Est 5,1b-2; 7,2b-3)


Concede-me a vida do meu povo - eis o meu desejo!


1bEster revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei.
O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada.
2Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo,
olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
7,2bEntão, o rei lhe disse:
"O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça?
Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida".
3Ester respondeu-lhe:
"Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado,
concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!
Palavra do Senhor.


Salmo Responsorial - Salmo 44


Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
"Esquecei vosso povo e a casa paterna!
Que o Rei se encante com vossa beleza!

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
O povo de Tiro vos traz seus presentes,
os grandes do povo vos pedem favores.
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
Majestosa, a princesa real vem chegando,
vestida de ricos brocados de ouro,
Em vestes vistosas ao Rei se dirige,

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
e as virgens amigas lhe formam cortejo,
entre cantos de festa e com grande alegria,
ingressam, então, no palácio real".
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!


Segunda Leitura - Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 12,1.5.13a.15-16a)


Um grande sinal apareceu no céu.


1Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações
com cetro de ferro.
Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
13aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino.
15A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir.
16aA terra, porém, veio em socorro da mulher.
Palavra do Senhor.


Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 2,1-11)


Fazei o que ele vos disser.


Naquele tempo:
1Houve um casamento em Caná da Galiléia.
A mãe de Jesus estava presente.
2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.
3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse:
"Eles não têm mais vinho".
4"Mulher, por que dizes isto a mim?
Minha hora ainda não chegou."
5Sua mãe disse aos que estavam servindo:
"Fazei o que ele vos disser".
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer.
Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo:
"Enchei as talhas de água".
Encheram-nas até a boca.
8Jesus disse:
"Agora tirai e levai ao mestre-sala".
E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho.
Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse:
"Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom.
Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!"
11Este foi o início dos sinais de Jesus.
Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
Palavra da Salvação.


Comentário - A vinha do Senhor é a casa de Israel  


“Viva a Mãe de Deus e nossa / sem pecado concebida! / Viva a Virgem Imaculada, / a Senhora Aparecida!”.

Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com Aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da Sua vida (cf. Jo 19,26) para ser nossa Mãe.

Em nenhum outro lugar este canto adquire tanta significação e tem tanta intensidade quanto neste lugar onde a Virgem, há mais de dois séculos, marcou um encontro singular com a gente brasileira.

Com razão para aqui se voltam, desde então, os anseios desta gente, aqui pulsa, desde então, o coração católico do Brasil. Meta de incessantes peregrinações vindas de todo o País, está é, como já disse alguém, a “Capital espiritual do Brasil”.

É um momento particularmente emocionante e feliz em meu itinerário brasileiro, este em que convosco, representando aqui todo o povo brasileiro, tenho meu primeiro encontro com a Senhora Aparecida.

2. Li com religiosa atenção, preparando-me espiritualmente para esta romaria à Aparecida, a simples e encantadora narrativa da imagem que aqui veneramos. A inútil labuta dos três pescadores buscando o peixe nas águas do Paraíba, naquele longínquo 1717. O inesperado encontro do corpo e depois da cabeça da pequena imagem de cerâmica enegrecida pelo lodo. A pesca abundante que se seguiu ao achado. O culto, logo iniciado, a Nossa Senhora da Conceição sob as aparências daquela estátua trigueira, carinhosamente chamada “a Aparecida”. As graças de Deus abundantes em favor dos que aqui invocam a Mãe de Deus.

Do primitivo e tosco oratório – o “altar de paus” dos velhos documentos – à Capela que o substituiu e aos vários e sucessivos acréscimos, até à Basílica antiga de 1908, os templos materiais aqui erguidos são sempre obra e símbolo da fé do povo brasileiro e do seu amor para com a Santíssima Virgem.

Depois, são conhecidas as romarias, nas quais tomam parte, no decorrer dos séculos, pessoas de todas as classes sociais e das mais diversas e distantes regiões do País. Foram, no ano passado, mais de cinco milhões e quinhentos mil os peregrinos que por aqui passaram. O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje? Aquilo mesmo que buscavam no dia, mais ou menos remoto, do Batismo: a fé, e os meios de alimentá-la. Buscam os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora, Mãe de Deus e nossa.

3. Multiplicando-se neste lugar as graças e benefícios espirituais, Nossa Senhora da Conceição Aparecida é solenemente coroada em 1904, e, há exatamente 50 anos, em 1930, é declarada Padroeira principal do Brasil. Mais tarde, em 1967, cabe a meu venerável Predecessor Paulo VI conceder a este Santuário a Rosa de Ouro, querendo com tal gesto honrar a Virgem e este lugar sagrado e estimular o culto mariano.

E chegamos aos nossos dias: diante da necessidade de um templo maior e mais adequado ao atendimento de romeiros sempre mais numerosos, o audacioso projeto de uma nova Basílica.

Durante anos de incessante trabalho, a imensa e corajosa empresa que foi a construção do imponente edifício. E hoje, superadas não poucas dificuldades, a esplêndida realidade que podemos contemplar. A ela ficarão ligados muitos nomes de arquitetos e engenheiros, de humildes operários, de generosos benfeitores, de sacerdotes consagrados ao Santuário. Um nome avulsa entre todos e simboliza todos: o do meu irmão Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, grande incentivador deste novo templo, casa materna e solar da Rainha, Nossa Senhora Aparecida.

4. Venho, pois, consagrar esta Basílica, testemunho da fé e devoção mariana do povo brasileiro; e o farei com comovida alegria, após a celebração da Eucaristia.

Este templo é morada do “Senhor dos senhores e Rei dos reis”(cf. Ap 17, 14). Nele, tal a Rainha Ester, a Virgem Imaculada, que “conquistou o coração” de Deus e em quem “grandes coisas” fez o Onipotente (cf. Est 5, 5; Lc 1, 49), não cessará de acolher numerosos filhos e interceder por eles: “Salva meu povo, eis o meu desejo”(cf. Est 7, 3).

O edifício material, que abriga a presença real, eucarística do Senhor, e onde se reúne a família dos filhos de Deus a oferecer com Cristo os “sacrifícios espirituais”, feitos de alegrias e sofrimentos, de esperanças e lutas, é símbolo também de um outro edifício espiritual, em cuja construção somos convidados a entrar como pedras vivas (cf. 1Pd 2, 5). Como dizia Santo Agostinho, “esta é, de fato, a casa das nossas orações: mas nós próprios somos casa de Deus. Somos construídos como casa de Deus neste mundo e seremos dedicados solenemente no fim dos tempos. O edifício, ou melhor, a construção fez-se com fadiga; a dedicação realiza-se com alegria”(cf. S. Agostinho, Sermo 336,1.6: PL 38,1471-72). 

5. Este templo é imagem da Igreja. Igreja que, “à imitação da Mãe do seu Senhor, conserva pela graça do Espírito Santo virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança e sincera a caridade” (Lumen Gentium, 64).

Figura desta Igreja é a mulher que o vidante de Patmos contemplou e descreveu no texto do Apocalipse há pouco escutado na segunda leitura. Nesta mulher, coroada de doze estrelas, a piedade popular através dos tempos viu também Maria, a Mãe de Jesus. De resto, como lembrava Santo Ambrósio e como declara a “Lumen Gentium”, Maria é ela própria figura da Igreja.

Sim, amados irmãos e filhos, Maria – a Mãe de Deus – é modero para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que Lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor (cf. Lc 1,32), com uma participação íntima e toda especial na história da Salvação. Pelos méritos de Seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.

Diante da fome de Deus que hoje se adivinha em muitos homens, mas também diante do secularismo que, às vezes imperceptível como o orvalho, outras vezes violento como o ciclone, arresta a tantos, somos chamados a construir Igreja.

6. O pecado retira Deus do lugar centrai que Lhe é devido na história dos homens e na história pessoal de cada homem. Foi a tentação primeira: “E vos tornareis como Deus”(cf. Gen 3, 5). E depois do pecado original, prescindindo de Deus, o homem encontra-se submetido à tensão, esquartejado nas suas opções entre o Amor “que vem do Pai” e “o amor que não vem do Pai, mas do mundo”(cf. 1 Jo 2,15-16) e, pior ainda, o homem torna-se um estranho para si mesmo, optando pela “morte de Deus” que traz em si fatalmente também a morte do homem (cf. João Paulo II, Mensagem Urbi et Orbi para a Páscoa de 1980, 4).

Ao confessar-se “serva do Senhor” (cf. Lc 1,38)  e ao pronunciar o seu “sim”, acolhendo “em seu coração e em seu seio” (cf. S. Agostinho, De Virginitate, 6: PL 40,399). O mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da Salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.

Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia... e de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece” (Lumen Gentium, 60).

7. Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para Aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a “Estrela da Evangelização”, como lhe chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de Salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto inumano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história inumana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da Salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade salvífica.

Por tudo isso, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade (cf. Redemptor Hominis, 22). Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história inumana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria. E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos.

8. O amor e a devoção a Maria, elementos fundamentais na cultura latino-americana (cf. João Paulo II, Homilia no Santuário de Nossa Senhora de "Zapopán”, México, 30 de Janeiro de 1979), são um dos traços característicos da religiosidade do povo brasileiro. Estou certo de que os Pastores da Igreja saberão respeitar esse traço peculiar, cultivá-lo e ajudá-lo a encontrar a melhor expressão, a fim de realizar o rema: chegar “a Jesus por Maria”. Para isso não seria inútil ter presente que a devoção à Mãe de Deus contém uma alma, algo de essencial, encarnada em múltiplas formas externas. O que há de essencial é permanente e inalterável, permanece elemento intrínseco do culto cristão e, se retamente entendido e realizado, constitui na Igreja, como frisava meu Predecessor Paulo VI, “um excelente testemunho de suanorma de ação (lex orandi) e um convite a reavivar nas consciências a sua norma de fé (lex credendi). As formas externas são, por natureza, sujeitas ao desgaste do tempo e, como declarava o mesmo saudoso Paulo VI, precisam de uma constante renovação e atualização, realizadas aliás em total respeito à Tradição”(Paulo VI, Marialis Cultus, 24).

9. E vós, devotos de Nossa Senhora e romeiros de Aparecida, aqui presentes e os que nos acompanham pela rádio e pela televisão: conservai zelosamente este terno e confiante amor à Virgem, que vos caracteriza. Não o deixeis nunca arrefecer! Não seja um amor abstrato, mas incarnado. Sede fiéis àqueles exercícios de piedade mariana tradicionais na Igreja: a oração do Angelus, o mês de Maria e, de maneira toda especial, o Rosário. Quem dera renascesse o belo costume – outrora tão difundido, hoje ainda presente em algumas famílias brasileiras – da reza do terço em família.

Sei que, há pouco tempo, em lamentável incidente, despedaçou-se a pequenina imagem de Nossa Senhora Aparecida. Contaram-me que entre os mil fragmentos foram encontradas intactas as duas mãos da Virgem unidas em oração. O fato vale como um símbolo: as mãos postas de Maria no meio das ruínas são um convite a seus filhos a darem espaço em suas vidas à oração, ao absoluto de Deus, sem o qual tudo o mais perde sentido, valor e eficácia. O verdadeiro filho de Maria é um cristão que reza.

A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escuta) a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galiléia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo d’Ele as graças desejadas.


HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II 
DURANTE A SANTA MISSA NA BASÍLICA NACIONAL DE APARECIDA


 

XXVII Domingo do Tempo Comum - 'A'

A liturgia do XXVII Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem da “vinha de Deus” para falar desse Povo que aceita o desafio do amor de Deus e que se coloca ao serviço de Deus. Desse Povo, Deus exige frutos de amor, de paz, de justiça, de bondade e de misericórdia.

Na primeira leitura, o profeta Isaías dá conta do amor e da solicitude de Deus pela sua “vinha”. Esse amor e essa solicitude não podem, no entanto, ter como contrapartida frutos de egoísmo e de injustiça… O Povo de Jahwéh tem de deixar-se transformar pelo amor sempre fiel de Deus e produzir os frutos bons que Deus aprecia - a justiça, o direito, o respeito pelos mandamentos, a fidelidade à Aliança.

No Evangelho, Jesus retoma a imagem da “vinha”. Critica fortemente os líderes judaicos que se apropriaram em benefício próprio da “vinha de Deus” e que se recusaram sempre a oferecer a Deus os frutos que Lhe eram devidos. Jesus anuncia que a “vinha” vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera.

Na segunda leitura, Paulo exorta os cristãos da cidade grega de Filipos - e todos os que fazem parte da “vinha de Deus” - a viverem na alegria e na serenidade, respeitando o que é verdadeiro, nobre, justo e digno. São esses os frutos que Deus espera da sua “vinha”.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías (5,1-7)


1Vou cantar para o meu amado
o cântico da vinha de um amigo meu:
Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta.
2Cercou-a, limpou-a de pedras, 
plantou videiras escolhidas,
edificou uma torre no meio e construiu um lagar;
esperava que ela produzisse uvas boas,
mas produziu uvas selvagens.
3Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá,
julgai a minha situação e a de minha vinha.
4O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha
e não fiz?
Eu contava com uvas de verdade,
mas por que produziu ela uvas selvagens?
5Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha:
vou desmanchar a cerca, e ela será devastada;
vou derrubar o muro, e ela será pisoteada.
6Vou deixá-la inculta e selvagem:
ela não terá poda nem lavra,
espinhos e sarças tomarão conta dela;
não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela.
7Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos
é a casa de Israel,
e o povo de Judá, sua dileta plantação;
eu esperava deles frutos de justiça - e eis injustiça;
esperava obras de bondade - e eis iniquidade.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Primeira Leitura


A “parábola da vinha” é uma história de amor. Fala-nos do amor de um Deus que liberta o seu Povo da escravidão, que o conduz para a liberdade, que estabelece com ele laços de família, que oferece indicações seguras para caminhar em direção à justiça, à harmonia, à felicidade, que o protege nos caminhos da história… É preciso termos consciência de que esta história de amor não terminou e que o mesmo Deus continua a derramar sobre nós, todos os dias, o seu amor, a sua bondade, a sua misericórdia. Tenho consciência desse fato? Tenho o coração aberto aos seus dons? Encontro tempo e disponibilidade para lhe agradecer e para louva-lo?

O texto da Segunda Leitura identifica os “frutos bons” que Deus espera da sua “vinha” com o direito e a justiça e afirma que Deus não tolera uma “vinha” que produza “sangue derramado” e “gritos de horror”. Nos nossos dias, o “sangue derramado” das vítimas da violência, do terrorismo, das guerras religiosas, dos sistemas que geram morte e sofrimento continua manchando a nossa história; os “gritos de horror” de tantos homens e mulheres privados dos direitos mais elementares, torturados, marginalizados, excluídos, impedidos de ter acesso a uma vida minimamente humana, continuam são ouvidos em todas as partes do mundo...  Qual o nosso papel, no meio de tudo isto? Podemos calar-nos, num silêncio cúmplice e alienado, diante do drama de tantos irmãos condenados à morte? O que podemos fazer para que a “vinha” de Deus produza outros frutos?


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Salmo Responsorial
Sl 79,9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5,7a)


A vinha do Senhor é a casa de Israel.

9Arrancastes do Egito esta videira,
e expulsastes as nações para plantá-la;
12até o mar se estenderam seus sarmentos,
até o rio os seus rebentos se espalharam.

A vinha do Senhor é a casa de Israel.

13Por que razão vós destruístes sua cerca,
para que todos os passantes a vindimem,
14o javali da mata virgem a devaste,
e os animais do descampado nela pastem?

A vinha do Senhor é a casa de Israel.

15Voltai-vos para nós, Deus do universo!
Olhai dos altos céus e observai.
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
16Foi a vossa mão direita que a plantou;
protegei-a, e ao rebento que firmastes!

A vinha do Senhor é a casa de Israel.

19E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!
20Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo,
e sobre nós iluminai a vossa face!
Se voltardes para nós, seremos salvos!

A vinha do Senhor é a casa de Israel.


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (4,6-9)


Irmãos:
6Não vos inquieteis com coisa alguma,
mas apresentai as vossas necessidades a Deus,
em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças.
7E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento,
guardará os vossos corações e pensamento
em Cristo Jesus.
8Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos
com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo,
puro, amável, honroso,
tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.
9Praticai o que aprendestes e recebestes de mim,
ou que de mim vistes e ouvistes.
Assim o Deus da paz estará convosco.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Segunda Leitura


As palavras de Paulo aos filipenses definem alguns dos elementos concretos que devem marcar a caminhada do Povo de Deus.

Primeiro - Paulo convida os crentes a não viverem inquietos e preocupados. Os cristãos estão “enxertados” em Cristo e têm a garantia de com Ele ressuscitar para a vida definitiva. Eles sabem que as dificuldades, as incompreensões são apenas acidentes de percurso, que não conseguirão afasta-los da vida verdadeira. Os cristãos não são pessoas fracassadas, alienadas, são pessoas com um objetivo final bem definido e bem sugestivo. O caminho de Cristo é um caminho de dom e de entrega da vida; não é um caminho de tristeza e de frustração.

Segundo - Paulo convida os crentes a terem na sua vida, os valores humanos que todos os homens apreciam e amam: a verdade, a justiça, a honradez, a amabilidade, a tolerância, a integridade… Um cristão tem de ser, antes de mais, uma pessoa íntegra, verdadeira, leal, honesta, responsável, coerente.... Ouvimos, algumas vezes, dizer que “os que vão à igreja são piores do que os outros”. Em parte, a expressão serve, sobretudo, a muitos dos chamados “cristãos não praticantes” para justificar o fato de não irem à igreja.

A forma como Paulo propõe aos seus cristãos os mesmos valores que constavam das listas de valores dos moralistas gregos da sua época, deve convidar-nos a refletir sobre a nossa relação com os valores do mundo que nos rodeia e sobre a forma como os aceitamos e integramos na nossa vida. Não podemos nos esconder atrás da nossa muralha fortificada e rejeitar, em bloco, tudo aquilo que o mundo de hoje nos proporciona, como se fosse algo de mau e pecaminoso. O mundo em que vivemos tem valores muito bonitos e sugestivos, que nos ajudam a crescer de uma forma sã e equilibrada e a integrar uma realidade rica em desafios e esperanças. O que é necessário é saber discernir, de entre todos os valores que o mundo nos apresenta, aquilo que nos torna mais livres e mais felizes e aquilo que nos torna mais escravos e infelizes, aquilo que não belisca a nossa fé e aquilo que ameaça a essência do Evangelho…

Porquê, então, a tristeza, a inquietação, o desânimo com que, tantas vezes, enfrentamos as vicissitudes e as dificuldades da nossa caminhada? Porque é que, tantas vezes, saímos das nossas celebrações eucarísticas cabisbaixos, intranquilos, de semblantes tristonhos e ar irritado? Os irmãos que nos rodeiam e que nos olham nos olhos recebem de nós um testemunho de paz, de serenidade, de tranquilidade?


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas (10,13-16)


Naquele tempo, disse Jesus:
13Ai de ti, Corazim! Aí de ti, Betsaida!
Porque se em Tiro e Sidônia
tivessem sido realizados os milagres
que foram feitos no vosso meio,
há muito tempo teriam feito penitência,
vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas.
14Pois bem: no dia do julgamento,
Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós.
15Ai de ti, Cafarnaum!
Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno.
16Quem vos escuta, a mim escuta;
e quem vos rejeita, a mim despreza;
mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
Palavra da Salvação.


Reflitamos o texto do Evangelho


O problema fundamental exposto no Evangelho de hoje é o da coerência com que vivemos o nosso compromisso com Deus e com o Reino. Deus não obriga ninguém a aceitar a sua proposta de salvação e a envolver-se com o Reino; mas uma vez que aceitamos trabalhar na sua “vinha”, temos de produzir frutos de amor, de serviço, de doação, de justiça, de paz, de tolerância, de partilha… O nosso Deus não está disposto a pactuar com situações dúbias, descaracterizadas, incoerentes, mentirosas; mas exige coerência, verdade e compromisso. A parábola convida-nos, antes de mais, a não nos deixarmos cair em esquemas de comodismo, de facilidade, de “deixa rolar”, mas levarmos a sério o nosso compromisso com Deus e com o Reino e a darmos frutos consequentes. A parábola fala de trabalhadores da “vinha” de Deus que rejeitam o “filho” de forma absoluta e radical. É provável que nenhum de nós, por um ato de vontade consciente, se coloque numa atitude semelhante e rejeite Jesus. No entanto, prescindir dos valores de Jesus e deixar que sejam o egoísmo, o comodismo, o orgulho, a arrogância, o dinheiro, o poder, a fama, a condicionar as nossas opções é, na mesma, rejeitar Jesus, colocá-l’O à margem da nossa existência.

O meu compromisso com o Reino é sincero e empenhado? Quais são os frutos que eu produzo? Quando se trata de fazer opções, ganha o meu comodismo e instalação, ou a minha vontade de servir a construção do Reino? Como é que, no dia a dia, acolhemos e inserimos na nossa vida os valores de Jesus? As propostas de Jesus são, para nós, valores consistentes, que procuramos integrar na nossa existência e que servem de alicerce à construção da nossa vida, ou são valores dos quais nos descartamos com facilidade, sob pressão de interesses egoístas e comodistas?

As nossas comunidades cristãs e religiosas são constituídas por homens e mulheres que se comprometeram com o Reino e que trabalham na “vinha” do Senhor. Deviam, portanto, produzir frutos bons e testemunhar diante do mundo, em gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, a realidade do Reino que Jesus Cristo veio propor. É isso que acontece, ou limitamo-nos a ter muitos grupos paroquiais, a preparar organogramas impressionantes da dinâmica comunitária, a construir espaços físicos amplos e confortáveis, a recitar a liturgia das horas, a produzir liturgias solenes, faustosas, imponentes… e completamente desligadas da vida?


 

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XXVI Domingo do Tempo Comum - 'A'

A liturgia do XXVI Domingo do Tempo Comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer “sim” a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e nos demitir do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus – um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilônia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus… O “SIM” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projetos.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


 

Primeira Leitura
Leitura da Profecia de Ezequiel (18,25-28)

 

Assim diz o Senhor:
25Vós andais dizendo:
`A conduta do Senhor não é correta`.
Ouví, vós da casa de Israel:
É a minha conduta que não é correta,
ou antes é a vossa conduta que não é correta?
26Quando um justo se desvia da justiça,
pratica o mal e morre,
é por causa do mal praticado que ele morre.
27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou
e observa o direito e a justiça,
conserva a própria vida.
28Arrependendo-se de todos os seus pecados,
com certeza viverá;
não morrerá.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Primeira Leitura


A Primeira Leitura convida-nos a tomar consciência de que um compromisso com Deus é algo que nos implica profundamente e que devemos sentir pessoalmente, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. No nosso tempo há alguma tendência a não assumir responsabilidades, a não tornar absoluto os compromissos. Mas, com Deus, não há meias tintas: ou se assume, ou não se assume. Como é que eu sinto esses compromissos que assumi com Deus no dia do meu Batismo e que ao longo da vida, nas mais diversas circunstâncias, confirmei? Trata-se de algo que eu levo a sério e que eu aplico coerentemente a toda a minha existência e às opções que faço, ou de algo que eu só me lembro quando se trata de fazer uma bonita festa de casamento na igreja ou de cumprir a tradição e batizar os filhos? O profeta Ezequiel convida-nos também a assumir, com verdade e coerência, a nossa responsabilidade pelos nossos gestos de egoísmo e de autossuficiência em relação a Deus e em relação aos irmãos. Entre nós, no entanto, muitas vezes “a culpa morre solteira”. Há homens e mulheres que não têm o mínimo para viver dignamente? A culpa é da conjuntura econômica internacional… Há situações de violência extrema e de injustiça? A culpa é do governo que não legisla nem coloca suficientes polícias nas ruas… A minha comunidade cristã está dividida, estagnada e não testemunha suficientemente o amor de Jesus? A culpa é do Papa, ou do bispo, ou do padre… E A MINHA CULPA? Eu não terei, muitas vezes, a minha quota de responsabilidades em tantas situações negativas com que, dia a dia, convivo pacificamente? Eu não precisarei de me “converter”?


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Salmo Responsorial
Sl 24,4bc-5.6-7.8-9 (R. 6a)


Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

4bMostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,
4ce fazei-me conhecer a vossa estrada!
5Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação;
em vós espero, ó Senhor, todos os dias!

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

6Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão que são eternas!
7Não recordeis os meus pecados quando jovem,
nem vos lembreis de minhas faltas e delitos!
De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia
e sois bondade sem limites, ó Senhor!

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

8O Senhor é piedade e retidão,
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
9Ele dirige os humildes na justiça,
e aos pobres ele ensina o seu caminho.

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (2,1-11)


Irmãos:

1Se existe consolação na vida em Cristo,
se existe alento no mútuo amor,
se existe comunhão no Espírito,
se existe ternura e compaixão,
2tornai então completa a minha alegria:
aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor;
vivei em harmonia, procurando a unidade.
3Nada façais por competição ou vanglória,
mas, com humildade, cada um julgue
que o outro é mais importante,
4e não cuide somente do que é seu,
mas também do que é do outro.
5Tende entre vós o mesmo sentimento
que existe em Cristo Jesus.
6Jesus Cristo, existindo em condição divina,
não fez do ser igual a Deus uma usurpação,
7mas ele esvaziou-se a si mesmo,
assumindo a condição de escravo
e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano,
8humilhou-se a si mesmo,
fazendo-se obediente até a morte,
e morte de cruz.
9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo
e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10Assim, ao nome de Jesus,
todo joelho se dobre no céu,
na terra e abaixo da terra,
11e toda língua proclame : 'Jesus Cristo é o Senhor'
- para a glória de Deus Pai.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Segunda Leitura


Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser apreciados em muitos dos nossos ambientes contemporâneos. De acordo com os critérios que presidem ao nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossuficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. Como pode um cristão conviver com estes valores? Paulo tem consciência de que está pedindo aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (21,28-32)


Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes
e anciãos do povo:
28Que vos parece?
Um homem tinha dois filhos.
Dirigindo-se ao primeiro, ele disse:
`Filho, vai trabalhar hoje na vinha!'
29O filho respondeu: `Não quero'.
Mas depois mudou de opinião e foi.
30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa.
Este respondeu: `Sim, senhor, eu vou'.
Mas não foi.
31Qual dos dois fez a vontade do pai?'
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam:
'O primeiro.'
Então Jesus lhes disse: 'Em verdade vos digo,
que os publicanos e as prostitutas
vos precedem no Reino de Deus.
32Porque João veio até vós, num caminho de justiça,
e vós não acreditastes nele.
Ao contrário,
os publicanos e as prostitutas creram nele.
Vós, porém, mesmo vendo isso,
não vos arrependestes para crer nele.
Palavra da Salvação.


Reflitamos o texto do Evangelho


A parábola dos dois filhos chamados para trabalhar “na vinha” do pai sugere que, na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos – sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, de formação intelectual – implicados na concretização desse projeto. Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consciência de que também eu sou chamado a trabalhar na vinha de Deus? Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta… Há aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a preguiça, o comodismo, o egoísmo, a autossuficiência e não vão trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito “sim” a Deus e tenham sido batizados); e há aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel ativo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo? Façamos uma análise do que é que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus? É ser batizado ou crismado? É casar na igreja? É fazer parte de uma pastoral qualquer da paróquia? É ir todos os dias à missa e rezar diariamente a Liturgia das Horas? Atenção: na parábola apresentada por Jesus, não chega dizer um “sim” inicial a Deus; mas é preciso que esse “SIM” inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na “vinha” do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz. Como me situo face a isto: sou um cristão “de registro”, que tem o nome nos livros da paróquia, ou sou um cristão “de fato”, que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens? Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irmãos que não têm um comportamento “religiosamente correto” ou que não cumprem estritamente as regras do “bom comportamento” cristão… Atenção: não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar… Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar “na vinha”. A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos “santos” príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: “os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus”. Hoje, que é que isto significa? Hoje, quem são os “vós”? Hoje, quem são os “publicanos e mulheres de má vida”?


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Comentário
Livres no amor


Após alguns domingos nos quais as leituras acentuavam o aspecto da misericórdia de Deus, de seu acolhimento e perdão, nos pedindo a fazer outro tanto, neste domingo a leitura do Evangelho nos faz pensar em nossa responsabilidade. A conhecida parábola dos dois filhos, o que diz que não vai e depois vai e o que diz que vai e depois não vai, nos faz lembrar um conhecido provérbio: “Obras são amores, e não boas razões”.

Alguns pensam que a bondade, misericórdia e amor de Deus são razões que justificam qualquer coisa que façamos. Se Deus é assim, se dizem, então dá o mesmo que nos comportemos bem ou mal, dá o mesmo que trabalhemos na vinha ou que a deixemos abandonada. Os que assim pensam não saíram ainda de uma mentalidade ajustada à lei. Os que vivem abaixo da lei, se veem forçados a cumpri-la. A polícia e os juízes encarregam-se de vigiar para que todos cumpram a lei e de castigar aos que não a cumprem. Mas quando o vigilante olha para outro lado, então os que vivem abaixo da lei se sentem livres. Pensam que podem fazer o que quiserem. E nesta situação se dedicam a fazer o que está proibido. Não pensa muito no que é o que se está fazendo. O mais importante é o prazer de burlar norma, de debochar do vigilante. A consideração do que fazem nesse momento é bom ou mal não tem nenhuma importância. Embora às vezes isso que fazem seja prejudicial para eles mesmos. Jesus nos convida a dar um passo adiante. Os cristãos não estão abaixo a lei senão abaixo o amor. Deus não é um vigilante atento a que cumpramos a lei senão um pai que nos acolhe e nos empurra a tomar as rédeas de nossa vida. O que devemos fazer o faremos por nossa vontade não por que alguém nos controla. No contexto do amor de Deus é onde nossa liberdade e nossa responsabilidade cobram sentido. Não há ninguém que meça e conte nossas falhas para nos castigar, mas se há alguém que com todo o carinho imaginável, Deus nosso Pai, nos anima a que cresçamos e mudemos como pessoas.

Nesse contexto entende-se as palavras finais do Evangelho, que dizem que os publicanos e as prostitutas antes de nós no Reino de Deus. Porque eles se converteram. Eles entenderam o amor de Deus, o acolheram e responderam generosamente a seu chamado. Eles começaram a viver de acordo com a nova justiça do Reino. Ali onde o mais importante é, como diz Paulo, ter “os sentimentos próprios de uma vida em Cristo Jesus”.


Para a reflexão


Vivo abaixo da lei ou vivo abaixo do amor? Estou ainda pensando em como fazer armadilhas a Deus? Aprendi em minha vida e ensino a meus filhos a viver de acordo com a lei do amor de Deus? Trato de assumir minha responsabilidade e de cumprir com minha obrigação embora ninguém me controle e vigie?


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

 

XXV Domingo do Tempo Comum 'A'

A liturgia do XXV Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir um Deus cujos caminhos e cujos pensamentos estão acima dos caminhos e dos pensamentos dos homens, quanto o céu está acima da terra. Sugere-nos, em consequência, a renúncia aos esquemas do mundo e a conversão aos esquemas de Deus.
A primeira leitura pede aos crentes que voltem para Deus. “Voltar para Deus” é um movimento que exige uma transformação radical do homem, de forma a que os seus pensamentos e ações reflitam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus.
O Evangelho nos diz que Deus chama à salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, os créditos, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos. A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos uma transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Deus não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de um cristão (Paulo) que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e aos esquemas de egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projeto.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías (55,6-9)


6Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado;
invocai-o, enquanto ele está perto.
7Abandone o ímpio seu caminho,
e o homem injusto, suas maquinaçðes;
volte para o Senhor, que terá piedade dele,
volte para nosso Deus, que é generoso no perdão.
8Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos
e vossos caminhos
não são como os meus caminhos, diz o Senhor.
9Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos
e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos,
quanto está o céu acima da terra.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Primeira Leitura


O texto da Primeira Leitura apela à conversão. O “voltar para Deus” significa, neste contexto, reavaliar a vida, de modo que Deus passe a ser o centro da existência do homem. Isto significa mudar o sentido da existência, de forma a que Deus (e não o dinheiro, o poder, o sucesso, os amigos, a família) ocupe sempre, na vida do homem, o primeiro lugar. A cultura pós-moderna prescindiu de Deus… Considerou que o homem é o único senhor do seu destino e que cada pessoa tem o direito de construir a sua felicidade à margem de Deus e dos seus valores; considerou que os valores de Deus não permitem ao homem potencializar as suas capacidades e ser verdadeiramente livre e feliz…

No entanto, o homem só poderá converter-se a Deus e abraçar os seus esquemas e valores, se estiver em comunhão com Ele. É na escuta e na reflexão da Palavra de Deus, na oração frequente, na atitude de disponibilidade para acolher a vida de Deus, na entrega confiada nas mãos de Deus, que o crente descobrirá os valores de Deus e os assumirá. Aos poucos, a ação de Deus irá transformando a mentalidade desse crente, de forma a que ele viva e testemunhe Deus e as suas propostas para os homens.

A conversão é um processo nunca acabado. Todos os dias o crente terá de optar entre os valores de Deus e os valores do mundo, entre conduzir a sua vida de acordo com a lógica de Deus ou de acordo com a lógica dos homens. Por isso, o verdadeiro crente nunca cruza os braços, instalado em certezas definitivas ou em conquistas absolutas, mas esforça-se por viver cada instante em fidelidade dinâmica a Deus e às suas propostas.

Finalmente, o nosso texto sugere uma reflexão sobre a imagem que temos de Deus. Não podemos construir e testemunhar diante dos outros homens um Deus à nossa imagem, que funcione de acordo com os nossos esquemas mentais e que assuma comportamentos parecidos com os nossos. Temos de descobrir, no diálogo pessoal com Ele, esse Deus que nos transcende infinitamente. Sem preconceitos, sem certezas absolutas, temos de mergulhar no infinito de Deus, e deixarmo-nos surpreender pela sua lógica, pela sua bondade, pelo seu amor.

Afinal, o que é que nos faz passar da terra da escravidão para a terra da liberdade, isto o que nos leva à conversão: amor, a partilha, o serviço, o dom da vida, ou o egoísmo, o orgulho, a arrogância, a autossuficiência?


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Salmo Responsorial
Sl 144,2-3.8-9.17-18 (R. 18a)


O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

2Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.
3Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir sua grandeza.

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

8Misericórdia e piedade é o Senhor,
ele é amor, é paciência, é compaixão.
9O Senhor é muito bom para com todos,
sua ternura abraça toda criatura.

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

17É justo o Senhor em seus caminhos,
é santo em toda obra que ele faz.
18Ele está perto da pessoa que o invoca,
de todo aquele que o invoca lealmente.

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (1,20c-24.27ª)


Irmãos:
20cCristo vai ser glorificado no meu corpo,
seja pela minha vida, seja pela minha morte.
21Pois para mim, o viver é Cristo
e o morrer é lucro.
22Entretanto, se o viver na carne significa
que meu trabalho será frutuoso,
neste caso, não sei o que escolher.
23Sinto-me atraído para os dois lados:
tenho o desejo de partir, para estar com Cristo
- o que para mim seria de longe o melhor -
24mas para vós é mais necessário
que eu continue minha vida neste mundo.
27aSó uma coisa importa:
vivei à altura do Evangelho de Cristo.
Palavra do Senhor.


Reflitamos o texto da Segunda Leitura


Um dos elementos que mais impressionam e questionam neste testemunho é a centralidade de Cristo na vida de Paulo. Diante de Cristo, todos os interesses pessoais e materiais do apóstolo passam a um plano absolutamente secundário. O apóstolo vive de Cristo e para Cristo; nada mais lhe interessa. Paulo aparece, neste aspecto, como o perfeito modelo do cristão: para os batizados, Cristo deveria ser o centro de todas as referências e interesses, a “pedra angular” à volta da qual se constrói a existência cristã. Que significa Cristo para mim? Ele é a referência fundamental à volta da qual tudo se articula, ou é apenas mais um entre muitos interesses a partir dos quais eu vou construindo a minha vida? Quando tenho de optar, para que lado cai a minha escolha: para o lado de Cristo, ou para o lado dos meus interesses pessoais?

Neste texto, impressiona também a liberdade total de Paulo face à morte. Essa liberdade resulta do fato da fé que anima o apóstolo lhe permitir encarar a morte, não como o mais terrível e assustador de todos os males, mas como a possibilidade do encontro definitivo e pleno com Cristo. Dessa forma, Paulo pode entregar-se tranquilamente ao exercício do seu ministério, sem deixar que o medo trave o seu empenho e o seu testemunho. Também aqui a atitude de Paulo interpela e questiona os crentes… Para um cristão, a morte é o momento da realização plena, do encontro com a vida definitiva. Não é um drama sem sentido, sem remédio e sem esperança. Para um cristão, não faz sentido que o medo da perseguição ou da morte impeça o compromisso com os valores de Deus e com o compromisso profético diante do mundo.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (20,1-16a)


Naquele tempo:
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
1'O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha.
2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha.
3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo,
viu outros que estavam na praça, desocupados,
4e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha!
E eu vos pagarei o que for justo'.
5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia
e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa.
6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde,
encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse:
`Por que estais aí o dia inteiro desocupados?'
7Eles responderam:
`Porque ninguém nos contratou'.
O patrão lhes disse:
`Ide vós também para a minha vinha'.
8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador:
`Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos,
começando pelos últimos até os primeiros!'
9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde
e cada um recebeu uma moeda de prata.
10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro,
e pensavam que iam receber mais.
Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.
11Ao receberem o pagamento,
começaram a resmungar contra o patrão:
12`Estes últimos trabalharam uma hora só,
e tu os igualaste a nós,
que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'.
13Então o patrão disse a um deles:
`Amigo, eu não fui injusto contigo.
Não combinamos uma moeda de prata?
14Toma o que é teu e volta para casa!
Eu quero dar a este que foi contratado por último
o mesmo que dei a ti.
15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero
com aquilo que me pertence?
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?'
16aAssim, os últimos serão os primeiros,
e os primeiros serão os últimos.'
Palavra da Salvação.


Reflitamos o texto do Evangelho


Antes de mais, o texto do Evangelho deixa claro que o Reino de Deus é para todos sem exceção. Para Deus não há marginalizados, excluídos, indignos, desclassificados… Para Deus, há homens e mulheres - todos seus filhos, independentemente da cor da pele, da nacionalidade, da classe social - a quem Ele ama, a quem Ele quer oferecer a salvação e a quem Ele convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa verdadeiramente decisiva é se os interpelados aceitam ou não trabalhar na vinha de Deus. Fazer parte da Igreja de Jesus é fazer uma experiência radical de comunhão universal.

Todos têm lugar na Igreja de Jesus… Mas todos terão a mesma dignidade e importância? Jesus garante que sim. Não há trabalhadores mais importantes do que os outros, não há trabalhadores de primeira e de segunda classe. O que há são homens e mulheres que aceitaram o convite do Senhor – tarde ou cedo, não interessa – e foram trabalhar para a sua vinha. Dentro desta lógica, que sentido é que fazem certas atitudes de quem se sente dono da comunidade porque “estou aqui há mais tempo do que os outros”, ou porque “tenho contribuído para a comunidade mais do que os outros”? Na comunidade de Jesus, a idade, o tempo de serviço, a cor da pele, a posição social, a posição hierárquica, não servem para fundamentar qualquer tipo de privilégios ou qualquer superioridade sobre os outros irmãos. Embora com funções diversas, todos são iguais em dignidade e todos devem ser acolhidos, amados e considerados de igual forma.

O nosso texto denuncia a concepção de Deus como um “negociante”, que contabiliza os créditos dos homens e lhes paga em consequência. Deus não faz negócio com os homens: Ele não precisa da mercadoria que temos para Lhe oferecer. O Deus que Jesus anuncia é o Pai que quer ver os seus filhos livres e felizes e que, por isso, derrama o seu amor, de forma gratuita e incondicional, sobre todos eles. Sendo assim que sentido fazem certas expressões da vivência religiosa que são autênticas negociatas com Deus (“se tu me fizeres isto, prometo-te aquilo”; “se tu me deres isto, te pago com aquilo”)?

Entender que Deus não é um negociante, mas um Pai cheio de amor pelos seus filhos significa também renunciar a uma lógica interesseira no nosso relacionamento com ele. O cristão não faz as coisas por interesse, ou de olhos postos numa recompensa (o céu, a “sorte” na vida, a eliminação da doença, o adivinhar a chave da lotaria), mas porque está convicto de que esse comportamento que Deus lhe propõe é o caminho para a verdadeira vida. Quem segue o caminho certo, é feliz, encontra a paz e a serenidade e colhe, logo aí, a sua recompensa.

Com alguma frequência encontramos cristãos que não entendem porque é que Deus ama e aceita na sua família, em pé de igualdade com os filhos da primeira hora, esses que só tardiamente responderam ao apelo do Reino. Sentem-se injustiçados, incompreendidos, ciumentos, invejosos e condenam, mais ou menos veladamente, essa lógica de misericórdia que, à luz dos critérios humanos, lhes parece muito injusta. Na sua perspectiva, a fidelidade a Deus e aos seus mandamentos merece uma recompensa e esta deve ser tanto maior quanto maior a antiguidade e a qualidade dos “serviços” prestados a Deus. Que sentido faz esta lógica à luz dos ensinamentos de Jesus?


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Comentário
O Deus surpreendente


Aos leitores principiantes da Bíblia esta parábola costuma surpreender. Não entendem como Jesus pode dar como exemplo de comportamento a injustiça patente em que incorre o proprietário da vinha. É uma norma aceita em nossos dias que o salário deve corresponder ao trabalho realizado. Mas a parábola não fala disso senão de Deus e de seu modo de ser. Então, Deus é injusto? Não paga a cada um segundo suas obras?

Há umas palavras ao final da parábola que nos facilitam entender o sentido do conjunto. São as que o dono da vinha dirige aos trabalhadores que protestam por ter recebido menos do esperado: “estás com inveja, porque estou sendo bom?”. De alguma maneira são palavras que Deus dirige a cada um de nós. É uma frase que vai desde a imensidão do ser de Deus à pequenez de nosso ser criaturas, a nossa miopia. Denuncia nosso afã de manipular Deus, de querer que Deus atue e seja como nós pensamos que deve atuar e ser. Quantas vezes na história não fizemos a Deus abençoar guerras e vinganças?

Esta parábola insinua que não temos muita ideia de como é Deus. O pouco que sabemos dele é porque nos tem revelado Jesus. E o que Jesus nos diz é que é um Pai, ou melhor, um “papai” (isso é o que significa “Abbá”). Que nos quer e que nos olha sempre com olhos de carinho e misericórdia. Para, além disso, sabemos muito pouco ou nada. Como diz a primeira leitura, “como o céu é mais alto que a terra, meus caminhos são mais altos que os vossos”. Não há forma de que possamos entender a Deus, introduzir em nossa mente e expressar em nossas categorias e formas de falar. Deus sempre nos surpreenderá com a infinitude de seu amor. Por isso, Jesus não encontrou modo melhor de falar dele que usar estas histórias. Assim, por comparação, poderíamos olhar um pouco o que é Deus, o amor que tem por nós, sua capacidade de acolhimento, sua vontade de nos dar a vida plena. Por isso Paulo, que tinha aberto totalmente seu coração a Deus, pôde dizer: “Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Melhor é que não tratemos de manipular a Deus e que simplesmente aceitemos tal e como nos revelou em Jesus.


Para a reflexão


Quantas vezes usamos Deus para justificar nossas decisões? E na comunidade? O verdadeiro é que seria melhor abrir bem os olhos à surpresa de Deus. Lendo mais a Bíblia compreenderemos que só estaremos em sintonia com Deus quando amamos, perdoamos e acolhemos a nossos irmãos como ele o faz.


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

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