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A Palavra

VI Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo leva-nos a refletir sobre o protagonismo que Deus e as suas propostas têm na nossa existência.
A primeira leitura põe frente a frente a autossuficiência daqueles que prescindem de Deus e escolhem viver à margem das suas propostas, com a atitude dos que escolhem confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. O profeta Jeremias avisa que prescindir de Deus é percorrer um caminho de morte e renunciar à felicidade e à vida plenas.
O Evangelho proclama “felizes” esses que constroem a sua vida à luz dos valores propostos por Deus e infelizes os que preferem o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência. Sugere que os preferidos de Deus são os que vivem na simplicidade, na humildade e na debilidade, mesmo que, à luz dos critérios do mundo, eles sejam desgraçados, marginais, incapazes de fazer ouvir a sua voz diante do trono dos poderosos que presidem aos destinos do mundo.
A segunda leitura, falando da nossa ressurreição - consequência da ressurreição de Cristo -, sugere que a nossa vida não pode ser lida exclusivamente à luz dos critérios deste mundo: ela atinge o seu sentido pleno e total quando, pela ressurreição, desabrocharmos para o Homem Novo. Ora, isso só acontecerá se não nos conformarmos com a lógica deste mundo, mas apontarmos a nossa existência para Deus e para a vida plena que Ele tem para nós.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
MALDITO O HOMEM QUE CONFIA NO HOMEM;
FELIZ O HOMEM QUE CONFIA NO SENHOR.

Leitura do Livro do Profeta Jeremias (17,5-8)


5Isto diz o Senhor:
'Maldito o homem que confia no homem
e faz consistir sua força na carne humana,
enquanto o seu coração se afasta do Senhor;
6como os cardos no deserto,
ele não vê chegar a floração,
prefere vegetar na secura do ermo,
em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor,
cuja esperança é o Senhor;
8é como a árvore
plantada junto às águas,
que estende as raízes em busca de umidade,
por isso não teme a chegada do calor:
sua folhagem mantém-se verde,
não sofre míngua em tempo de seca
e nunca deixa de dar frutos.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - Todos conheceram a desilusão e a frustração que resultam da confiança traída. É uma experiência bem dolorosa confiar/esperar e receber traição/ingratidão. Em certos momentos extremos, parece que tudo se desmorona à nossa volta e que perdemos a vontade de continuar construindo a nossa vida. A primeira leitura de hoje nos coloca de sobreaviso: tudo o que é humano é efêmero, limitado, finito; só em Deus encontramos o rochedo seguro que não falha e que não nos decepciona.

02 - O nosso mundo conhece espantosas construções no domínio da arte e da técnica… Ficamos abismados com o progresso da medicina, com os avanços tecnológicos, com a parafernália imensa de instrumentos que nos facilitam a vida e nos permitem alcançar fronteiras nunca antes sonhadas, seja no domínio da conquista espacial, seja no domínio das novas técnicas de manipulação da vida... No entanto, o que fizemos de Deus? Ele continua a ser a nossa indicação fundamental? É n’Ele que colocamos a nossa esperança? As conquistas da vida moderna, por mais impressionantes que nos possam parecer, são algo de efêmero, de árido, de vazio e, às vezes, de monstruoso, se prescindimos dessa dimensão fundamental que é Deus.

03 - Quais são as referências fundamentais à volta das quais se constrói a nossa vida? Onde está a nossa segurança e a nossa esperança? Na conta que temos no banco? Nos amigos influentes? Na importância da nossa posição social ou profissional? Nas conquistas científicas ou técnicas? Ou nesse Deus que se compromete conosco e encontra mil formas de demonstrar, dia a dia, a sua fidelidade?


Iniico


Salmo Responsorial
É FELIZ QUEM A DEUS SE CONFIA!
Sl 1,1-2.3.4.6 (R. Sl 39,5a)


1Feliz é todo aquele que não anda
conforme os conselhos dos perversos;
que não entra no caminho dos malvados,
nem junto aos zombadores vai sentar-se;
2mas encontra seu prazer na lei de Deus
e a medita, dia e noite, sem cessar. 

É FELIZ QUEM A DEUS SE CONFIA!

3Eis que ele é semelhante a uma árvore,
que à beira da torrente está plantada;
ela sempre dá seus frutos a seu tempo,
e jamais as suas folhas vão murchar.
Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. 

É FELIZ QUEM A DEUS SE CONFIA!

4Mas bem outra é a sorte dos perversos.
Ao contrário, são iguais à palha seca
espalhada e dispersada pelo vento.
6Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,
mas a estrada dos malvados leva à morte. 

É FELIZ QUEM A DEUS SE CONFIA!


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Segunda Leitura
SE CRISTO NÃO RESSUSCITOU, A VOSSA FÉ É VÃ.
Leitura da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios (15,12.16-20)   


Irmãos:
12Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos,
como podem alguns dizer entre vós
que não há ressurreição dos mortos?
16Pois, se os mortos não ressuscitam,
então Cristo também não ressuscitou.
17E se Cristo não ressuscitou,
a vossa fé não tem nenhum valor
e ainda estais nos vossos pecados.
18Então, também os que morreram em Cristo pereceram.
19Se é para esta vida
que pusemos a nossa esperança em Cristo,
nós somos - de todos os homens - 
os mais dignos de compaixão.
20Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos
como primícias dos que morreram.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projeto está se realizando continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.

02 - A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante – ainda quando feita no sofrimento e na dor – em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.

03 - Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser - já neste mundo - uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última (a nós e a todos os homens nossos irmãos).

04 - Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos que estamos anunciando a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.


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Evangelho
BEM-AVENTURADOS OS POBRES.
AI DE VÓS RICOS.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (6,17.20-26)


Naquele tempo:
17Jesus desceu da montanha com os discípulos
e parou num lugar plano.
Ali estavam muitos dos seus discípulos
e grande multidão de gente
de toda a Judéia e de Jerusalém,
do litoral de Tiro e Sidônia.
20E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse:
'Bem-aventurados vós, os pobres,
porque vosso é o Reino de Deus!
21Bem-aventurados, vós que agora tendes fome,
porque sereis saciados!
Bem-aventurados vós, que agora chorais,
porque havereis de rir!
22Bem-aventurados, sereis, quando os homens vos odiarem,
vos expulsarem, vos insultarem
e amaldiçoarem o vosso nome,
por causa do Filho do Homem!
23Alegrai-vos, nesse dia, e exultai
pois será grande a vossa recompensa no céu;
porque era assim
que os antepassados deles tratavam os profetas.
24Mas, ai de vós, ricos,
porque já tendes vossa consolação!
25Ai de vós, que agora tendes fartura,
porque passareis fome!
Ai de vós, que agora rides,
porque tereis luto e lágrimas!
26Ai de vós quando todos vos elogiam!
Era assim que os antepassados deles
tratavam os falsos profetas.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01- A proposta de Jesus apresenta uma nova compreensão da existência, bem distinta da que predomina no nosso mundo. A lógica do mundo proclama “felizes” os que têm dinheiro, mesmo quando esse dinheiro resulta da exploração dos mais pobres, os que têm poder, mesmo que esse poder seja exercido com prepotência e arbitrariedade, os que têm influência, mesmo quando essa influência é obtida à custa da corrupção e dos meios ilícitos. Mas a lógica de Deus exalta os pobres, os desfavorecidos, os débeis: é a esses que Deus Se dirige com uma proposta libertadora e a quem convida a fazer parte da sua família. O anúncio libertador que Jesus traz é, portanto, uma Boa Nova que enche de alegria os corações amargurados, os marginalizados, os oprimidos. Com o “Reino” que Jesus propõe aos homens, anuncia-se um mundo novo, um mundo de irmãos, de onde a prepotência, o egoísmo, a exploração e a miséria serão definitivamente banidos e onde os pobres e marginalizados terão lugar como filhos iguais e amados de Deus.

02 - Vinte e um séculos depois do nascimento de Jesus, que é feito da sua proposta? Ela mudou alguma coisa no nosso mundo? Às vezes, contemplando o mundo que nos rodeia, somos tentados a crer que a proposta de Jesus falhou; mas talvez seja mais correto colocar a questão nestes termos: nós, testemunhas de Jesus, conseguimos passar aos pobres e aos marginalizados esse projeto libertador? Teremos, com suficiente convicção e radicalidade, testemunhado esse projeto, de forma que ele tivesse um impacto real na história dos homens?


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Comentário
BENDITOS E MALDITOS!


Às vezes convém exagerar para que se entenda bem o que se deseja dizer. Assim faz a Primeira Leitura. Propõe duas formas de vida muito opostas. São tão opostas que na realidade não ocorrem na vida real. É de duvidar que existam os que confiam exclusivamente em si mesmos. E também é de duvidar que sejamos os que confiamos única e exclusivamente em Deus. Mas a oposição nos serve para compreender por onde deveríamos orientar nossa vida. Porque com cada um dos extremos se relacionam na leitura algumas ideias. Os que “confiam no homem” se parecem com um “deserto”, que é local de morte, estéril e vazio de Deus. Os que “confiam no Senhor” são como árvores plantadas em água que sempre dão fruto. É como se vivessem em um oásis, local de vida no meio da morte que é o deserto.

Algo parecido nos propõe Jesus no Evangelho de Lucas. Nesta versão das bem-aventuranças, diferente da de Mateus, as bênçãos apresentam-se em paralelo com as maldições. As maldições reúnem praticamente as mesmas ideias que comentamos da Primeira Leitura. Os que confiam em si mesmos, no homem, não têm muito futuro. Parece que estão condenados ao sofrimento e à morte. Confiam em si mesmos porque são ricos, porque comem em abundância, porque desfrutam e porque todos falam bem deles. No lado oposto estão os que são declarados “BEM-AVENTURADOS” ou “felizes” por Jesus.

Mas há um fato importante a ressaltar neste lado da oposição. Se na Primeira Leitura declarava-se “bendito” ao que confiava no Senhor, no Evangelho se declara “BEM-AVENTURADO” não ao que confia no Senhor senão simplesmente aos que neste mundo lhes tocou a pior parte. Jesus não diz “benditos os pobres que confiam em Deus”. Diz simplesmente “Bem-aventurados os pobres” e “os que têm fome” e “os que choram”. Sem mais. Não é necessário nenhum título mais para merecer ser declarados “BEM-AVENTURADOS” por Jesus e receber a promessa do reino. Só a última das bem-aventuranças se refere aos discípulos de Jesus, aos que serão perseguidos por causa de seu nome. Esses também são “BEM-AVENTURADOS”.

O amor e a misericórdia de Deus são para todos os homens e mulheres. Precisamente por isso se manifesta, em primeiro lugar, àqueles que não têm nada, aos que lhes tocou a pior parte neste mundo. A eles se dirige preferencialmente o amor Deus. A eles temos que amar preferencialmente porque são os “bem-aventurados” de Deus. Porque são nossos irmãos pobres e abandonados. Nós confiamos em que no reino nos encontraremos todos, eles e nós, compartilhando a mesa da “BEM-AVENTURANÇA”.


Quem é próximo de nós, os pobres, os que passam fome, os que choram? Que fazemos em nossa comunidade para que se sintam amados e preferidos de Deus? Ou preferimos olhar só por nosso bem e confiar em nós mesmos? Que poderíamos fazer?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

V Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo leva-nos a refletir sobre a nossa vocação: SOMOS TODOS CHAMADOS POR DEUS E D’ELE RECEBEMOS UMA MISSÃO PARA O MUNDO.

Na primeira leitura, encontramos a descrição plástica do chamamento de um profeta – Isaías. De uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado.

No Evangelho, Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram as propostas de Jesus, que souberam o reconhecer como seu “SENHOR”, que aceitaram o convite para serem “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus… Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer.

A segunda leitura propõe-nos refletir sobre a ressurreição: trata-se de uma realidade que deve dar forma à vida do discípulo e levá-lo a enfrentar sem medo as forças da injustiça e da morte. Com a sua ação libertadora - que continua a ação de Jesus e que renova os homens e o mundo - o discípulo sabe que está a dar testemunho da ressurreição de Cristo.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
AQUI ESTOU, ENVIA-ME.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (6,1-2a.3-8)


1No ano da morte do rei Ozias,
vi o Senhor sentado num trono de grande altura;
o seu manto estendia-se pelo templo.
2aHavia serafins de pé a seu lado;
cada um tinha seis asas.
3Eles exclamavam uns para os outros:
'Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos;
toda a terra está repleta de sua glória'.
4Ao clamor dessas vozes,
começaram a tremer as portas em seus gonzos
e o templo encheu-se de fumaça.
5Disse eu então: 'Ai de mim, estou perdido!
Sou apenas um homem de lábios impuros,
mas eu vi com meus olhos o rei,
o Senhor dos exércitos'.
6Nisto, um dos serafins voou para mim,
tendo na mão uma brasa,
que retirara do altar com uma tenaz,
7e tocou minha boca, dizendo:
'Assim que isto tocou teus lábios,
desapareceu tua culpa,
e teu pecado está perdoado'.
8Ouvi a voz do Senhor que dizia:
'Quem enviarei? Quem irá por nós?'
Eu respondi: 'Aqui estou! Envia-me'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - Cada um de nós tem a sua história de vocação: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta. Temos consciência de que Deus nos chama, às vezes de formas bem banais? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de nós?

02 - A missão que Deus propõe está frequentemente associada a dificuldades, a sofrimentos, a conflitos, a confrontos… Por isso, é um CAMINHO DE CRUZ que, às vezes, procuramos evitar. Será que eu consigo vencer o comodismo e a preguiça que me impedem de concretizar a missão?

03 - É preciso ter consciência, também, que as minhas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer confiar-me: se Ele me pede um serviço, me dá a força para superar os meus limites e para cumprir o que Ele me pede.

04 - Isaías aceita o envio, ainda antes de saber, em concreto, qual é a missão. É o exemplo de quem arrisca tudo e se dispõe, de forma absoluta, para o serviço de Deus. No entanto, é difícil arriscar tudo, sem cálculos nem garantias: é o pôr em causa os nossos projetos e esquemas para confiar apenas em Deus, de forma que Ele possa fazer de nós o que quiser. Qual a minha atitude em relação a isto?


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Salmo Responsorial
VOU CANTAR-VOS, ANTE OS ANJOS, Ó SENHOR,
E ANTE O VOSSO TEMPLO VOU PROSTRAR-ME.
Sl 137,1-2a.2bc.4-5.7c-8 (R. 1c.2a)


1Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,
porque ouvistes as palavras dos meus lábios!
Perante os vossos anjos vou cantar-vos
2ae ante o vosso templo vou prostrar-me.

VOU CANTAR-VOS, ANTE OS ANJOS, Ó SENHOR,
E ANTE O VOSSO TEMPLO VOU PROSTRAR-ME.

2bEu agradeço vosso amor, vossa verdade,
2cporque fizestes muito mais que prometestes;
3naquele dia em que gritei, vós me escutastes
e aumentastes o vigor da minha alma. 

VOU CANTAR-VOS, ANTE OS ANJOS, Ó SENHOR,
E ANTE O VOSSO TEMPLO VOU PROSTRAR-ME.

4Os reis de toda a terra hão de louvar-vos,
quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa.
5Hão de cantar vossos caminhos e dirão:
'Como a glória do Senhor é grandiosa!' 

VOU CANTAR-VOS, ANTE OS ANJOS, Ó SENHOR,
E ANTE O VOSSO TEMPLO VOU PROSTRAR-ME.

7cestendereis o vosso braço em meu auxílio
e havereis de me salvar com vossa destra.
8Completai em mim a obra começada;
ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
Eu vos peço: não deixeis inacabada
esta obra que fizeram vossas mãos! 

VOU CANTAR-VOS, ANTE OS ANJOS, Ó SENHOR,
E ANTE O VOSSO TEMPLO VOU PROSTRAR-ME.


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Segunda Leitura
É ISSO O QUE TEMOS PREGADOE É ISSO O QUE CRESTES.
Leitura da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios (15,1-11)   


1Quero lembrar-vos, irmãos,
o evangelho que vos preguei e que recebestes,
e no qual estais firmes.
2Por ele sois salvos,
se o estais guardando
tal qual ele vos foi pregado por mim.
De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão.
3Com efeito, transmití-vos em primeiro lugar,
aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber:
que Cristo morreu por nossos pecados,
segundo as Escrituras;
4que foi sepultado;
que, ao terceiro dia, ressuscitou,
segundo as Escrituras;
5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze.
6Mais tarde,
apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez.
Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram.
7Depois, apareceu a Tiago
e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos.
8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.
9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos,
nem mereço o nome de apóstolo,
porque persegui a Igreja de Deus.
10É pela graça de Deus que eu sou o que sou.
Sua graça para comigo não foi estéril: a prova é que
tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos
- não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.
11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado
e é isso o que crestes.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - Será um dado adquirido, para qualquer cristão, a ressurreição de Jesus. No entanto, essa ressurreição é, para nós, uma verdade abstrata que afirmamos no credo, ou algo que é vivo e dinâmico, presente todos os dias em nossa vida e na nossa história, gerando vida nova, libertação, amor, numa contínua manifestação de Primavera para nós e para o mundo?

02 - A ressurreição de Cristo garante-nos que não há morte para quem aceita fazer da sua vida uma luta pela justiça, pela verdade, pelo projeto de Deus. Temos consciência disso? A certeza da ressurreição encoraja-nos a lutar, sem a paralisia que vem do medo, por um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano?


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Evangelho
DEIXARAM TUDO E O SEGUIRAM.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (5,1-11)


Naquele tempo:
1Jesus estava na margem do lago de Genesaré,
e a multidão apertava-se ao seu redor
para ouvir a palavra de Deus.
2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago.
Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
3Subindo numa das barcas, que era de Simão,
pediu que se afastasse um pouco da margem.
Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão:
'Avança para águas mais profundas,
e lançai vossas redes para a pesca'.
5Simão respondeu:
'Mestre, nós trabalhamos a noite inteira
e nada pescamos.
Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes'.
6Assim fizeram,
e apanharam tamanha quantidade de peixes
que as redes se rompiam.
7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca,
para que viessem ajudá-los.
Eles vieram, e encheram as duas barcas,
a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus,
dizendo: 'Senhor, afasta-te de mim,
porque sou um pecador!'
9É que o espanto se apoderara de Simão
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca que acabavam de fazer.
10Tiago e João, filhos de Zebedeu,
que eram sócios de Simão, também ficaram espantados.
Jesus, porém, disse a Simão:
'Não tenhas medo!
De hoje em diante tu serás pescador de homens.'
11Então levaram as barcas para a margem,
deixaram tudo e seguiram a Jesus.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A reflexão deste texto deve pôr em paralelo o “caminho cristão”, tal como Lucas o descreve aqui, com esse caminho – às vezes não tão cristão como isso – que vamos percorrendo todos os dias. Considerar as seguintes questões:

A - O nosso caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarcamos noutros projetos onde Jesus não está e fazemos deles o objetivo da nossa vida?  Por outro lado, deixamos que Jesus viaje conosco ou, o obrigamos a desembarcar e continuamos viagem sem Ele?

C - Ao longo da viagem, somos sensíveis às palavras e propostas de Jesus? As suas indicações são para nós sinais obrigatórios a seguir, ou fazem mais sentido para nós os valores e a lógica do mundo?

D - Reconhecemos, de fato, que Jesus é o “SENHOR” que preside à nossa história e à nossa vida? Ele é o centro à volta do qual constituímos a nossa existência, ou deixamos que outros “senhores” nos manipulem e dominem?

02 - Chamados a sermos “PESCADORES DE HOMENS”, temos por missão combater o mal, a injustiça, o egoísmo, a miséria, tudo o que impede os homens nossos irmãos de viver com dignidade e de ser felizes. É essa a nossa luta? Sentimos que continuamos, dessa forma, o projeto libertador de Jesus? A nossa entrega é total, ou parcial e calculada? Deixamos tudo na praia para seguir Jesus, porque o seu projeto se tornou a prioridade da nossa vida?


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Comentário
DEUS NOS SALVA E NOS FAZ SEUS COLABORADORES


Nós, seguramente, já visitamos alguma dessas igrejas antigas onde se vê em cima do altar da pintura ou mosaico, a figura enorme de um Cristo. Não está crucificado senão sentado em um trono. Têm em suas mãos os sinais da realeza. E rodeiam-lhe os apóstolos, os anjos e os santos. É uma representação do corte celestial. Cristo em todo seu poder. Essa representação chama-se “Pantocrator”. Quer comunicar a solenidade, a majestade e a eternidade de Deus. Ante essa imagem, a resposta do homem é a que dá Isaías na primeira leitura: “Ai de mim, estou perdido!” A majestade e o poder de Deus são tão grandes que nos sentimos totalmente anulados ante ele.

Mas o Evangelho conta-nos outra história. Conta-nos uma história real. Algo que aconteceu em nosso mundo. Aquele Deus, que estava representado em todo seu poder e majestade, se baixou de seu trono, se aproximou de nós, se fez um de nós. Caminhou por nossas ruas e fala nosso idioma. Sentiu o frio e o calor. Chorou e riu conosco. Em Jesus Deus se fez carne, se encarnou. Essa é a história, a grande história, que nos conta o Evangelho.

O Evangelho de hoje nos aproxima a um momento da vida de Jesus. Está falando de Deus ao povo, próximo do lago. A multidão é grande, Jesus pede a Pedro que lhe deixe subir na sua barca para falar desde aí. Quando termina, lhe convida a remar mar adentro para jogar as redes. Aí se produz a confusão. Já tinham estado toda a noite trabalhando e não tinham pescado nada. Mas em seu nome voltam a jogar as redes. Produz-se o milagre. E, curiosamente a reação de Pedro é parecida à do profeta Isaías na primeira leitura: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”. Pedro dá-se conta de que Jesus é algo mais que um pregador, é um profeta. Jesus é Deus mesmo. Não é o Deus da primeira leitura, mas é Deus. É Deus próximo, feito homem, amável, cheio de compaixão e misericórdia.

Curiosamente, Deus atua do mesmo modo tanto na primeira leitura como no Evangelho: salva, purifica, perdoa e envia. O profeta sentia-se perdido e impuro, Pedro sentia-se pecador. Deus recolhe os dois, os levanta, tornando-os colaboradores de seu plano de salvação. Não temas, a partir de agora serás pescador de homens”. Para Isaías e para Pedro, e também para nós que escutamos hoje estas leituras, se abre um novo futuro para além de nossas limitações, de nossos pecados. Deus chama-nos a colaborar com Ele, a sermos mensageiros e testemunhas de seu amor e de sua misericórdia para todos os homens e mulheres. E tudo isso por pura graça e amor de Deus (segunda leitura).


Quando entro na Igreja e me coloco na presença de Deus, me sinto perdido como Isaias e pecador no Pedro? E experiência do Deus que perdoa, levanta-me e faz-me seu colaborador? O que significa em minha vida concretamente ser mensageiro do amor e da misericórdia de Deus?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

IV Domingo do Tempo Comum (Ano C)

O tema da liturgia deste IV Domingo do Tempo Comum convida a refletir sobre o “caminho do profeta”: caminho de sofrimento, de solidão, de risco, mas também caminho de paz e de esperança, porque é um caminho onde Deus está. A liturgia de hoje assegura ao “profeta” que a última palavra será sempre de Deus: “não temas, porque Eu estou contigo para te salvar”.

A primeira leitura apresenta a figura do profeta Jeremias. Escolhido, consagrado e constituído profeta por Jahwéh, Jeremias vai arrostar com todo o tipo de dificuldades; mas não desistirá de concretizar a sua missão e de tornar uma realidade viva no meio dos homens a Palavra de Deus.

O Evangelho apresenta-nos o profeta Jesus, desprezado pelos habitantes de Nazaré (eles esperavam um Messias espetacular e não entenderam a proposta profética de Jesus). O episódio anuncia a rejeição de Jesus pelos judeus e o anúncio da Boa Nova a todos os que estiverem dispostos a acolhê-la – sejam pagãos ou judeus.

A segunda leitura parece um tanto desenquadrada desta temática: fala do amor - o amor desinteressado e gratuito - apresentando-o como a essência da vida cristã. Pode, no entanto, ser entendido como um aviso ao “profeta” no sentido de se deixar guiar pelo amor e nunca pelo próprio interesse… Só assim a sua missão fará sentido.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
EU TE CONSAGREI E TE FIZ PROFETA DAS NAÇÕES.

Leitura do Livro do Profeta Jeremias (1,4-5.17-19)


Nos dias de Josias, rei de Judá,
4Foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo:
5'Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci;
antes de saíres do seio de tua mãe,
eu te consagrei e te fiz profeta das nações'.
17Vamos, põe a roupa e o cinto,
levanta-te e comunica-lhes
tudo que eu te mandar dizer:
não tenhas medo,
senão, eu te farei tremer na presença deles.
18Com efeito, eu te transformarei hoje
numa cidade fortificada,
numa coluna de ferro,
num muro de bronze
contra todo o mundo,
frente aos reis de Judá e seus príncipes,
aos sacerdotes e ao povo da terra;
19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão,
porque eu estou contigo
para defender-te',
diz o Senhor.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - Os “profetas” não são uma classe de animais extintos há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles?

02 - No Batismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus a todos nos convocou? Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?

03 - O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo. Vivendo em comunhão com Deus e intuindo o projeto que Ele tem para o mundo, e confrontando esse projeto com a realidade humana, o profeta percebe a distância que vai do sonho de Deus à realidade dos homens. É aí que ele intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. Somos estas pessoas, simultaneamente em comunhão com Deus e atentas às realidades que adulteram o nosso mundo?

04 - A denúncia profética implica, tantas vezes, a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, em tantos casos, a própria morte… Como lidamos com a injustiça e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens? O medo, o comodismo, a preguiça, alguma vez nos impediram de sermos profetas?


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Salmo Responsorial
MINHA BOCA ANUNCIARÁ TODOS OS DIAS,
VOSSAS GRAÇAS INCONTÁVEIS, Ó SENHOR.
Sl 70,1-2.3-4a.5-6ab.15ab.17 (R.15ab)


Minha boca anunciará todos os dias, 
vossas graças incontáveis, ó Senhor.

1Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:
que eu não seja envergonhado para sempre!
2Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!
Escutai a minha voz, vinde salvar-me! 

Minha boca anunciará todos os dias, 
vossas graças incontáveis, ó Senhor.

3Sede uma rocha protetora para mim,
um abrigo bem seguro que me salve!
Porque sois a minha força e meu amparo,
o meu refúgio, proteção e segurança!
4aLibertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

Minha boca anunciará todos os dias, 
vossas graças incontáveis, ó Senhor.

5Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,
em vós confio desde a minha juventude!
6aSois meu apoio desde antes que eu nascesse, 
6bdesde o seio maternal, o meu amparo. 

Minha boca anunciará todos os dias, 
vossas graças incontáveis, ó Senhor.

15aMinha boca anunciará todos os dias
15bvossa justiça e vossas graças incontáveis.
17Vós me ensinastes desde a minha juventude,
e até hoje canto as vossas maravilhas.

Minha boca anunciará todos os dias, 
vossas graças incontáveis, ó Senhor.


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Segunda Leitura
PERMANECEM A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE.
MAS A MAIOR DELAS É A CARIDADE.

Leitura da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios (12,31-13,13)


Irmãos:
31Aspirai aos dons mais elevados.
Eu vou ainda mostrar-vos um caminho
incomparavelmente superior.
13,1Se eu falasse todas as línguas,
as dos homens e as dos anjos,
mas não tivesse caridade,
eu seria como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.
2Se eu tivesse o dom da profecia,
se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,
se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas,
mas se não tivesse caridade,
eu não seria nada.
3Se eu gastasse todos os meus bens
para sustento dos pobres,
se entregasse o meu corpo às chamas,
mas não tivesse caridade,
isso de nada me serviria.
4A caridade é paciente, é benigna;
não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece;
5não faz nada de inconveniente, não é interesseira,
não se encoleriza, não guarda rancor;
6não se alegra com a iniqüidade,
mas se regozija com a verdade.
7Suporta tudo, crê tudo,
espera tudo, desculpa tudo.
8A caridade não acabará nunca.
As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência desaparecerá.
9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado
e a nossa profecia é imperfeita.
10Mas, quando vier o que é perfeito,
desaparecerá o que é imperfeito.
11Quando eu era criança, falava como criança,
pensava como criança, raciocinava como criança.
Quando me tornei adulto,
rejeitei o que era próprio de criança.
12Agora nós vemos num espelho, confusamente,
mas, então, veremos face a face.
Agora, conheço apenas de modo imperfeito,
mas, então, conhecerei como sou conhecido.
13Atualmente permanecem estas três coisas:
fé, esperança, caridade.
Mas a maior delas é a caridade.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - O amor cristão – isto é, o amor desinteressado que leva, por pura gratuidade, a procurar o bem do outro – é, de acordo com Paulo, a essência da experiência cristã. É esse o amor que me move? Quando faço algo, partilho algo, presto algum serviço, é com essa atitude desinteressada, de puro dom?

02 - Desse amor partilhado nasce a comunidade de irmãos a qual chamamos Igreja. O amor que une os vários membros da nossa comunidade cristã é esse amor generoso e desinteressado de que Paulo fala? Quando a comunidade cristã é palco de lutas de interesses, de ciúmes, de rivalidades egoístas, que testemunho de amor está dando?


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Evangelho
JESUS, ASSIM COMO ELIAS E ELISEU,

NÃO É ENVIADO SÓ AOS JUDEUS.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (4,21-30)


Naquele tempo:
Entrando Jesus na sinagoga disse:
21'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura
que acabastes de ouvir.'
22Todos davam testemunho a seu respeito,
admirados com as palavras cheias de encanto
que saíam da sua boca.
E diziam: 'Não é este o filho de José?'
23Jesus, porém, disse:
'Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio:
Médico, cura-te a ti mesmo.
Faze também aqui, em tua terra,
tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.'
24E acrescentou:
'Em verdade eu vos digo que nenhum profeta
é bem recebido em sua pátria.
25De fato, eu vos digo:
no tempo do profeta Elias,
quando não choveu durante três anos e seis meses
e houve grande fome em toda a região,
havia muitas viúvas em Israel.
26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias,
senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
27E no tempo do profeta Eliseu,
havia muitos leprosos em Israel.
Contudo, nenhum deles foi curado,
mas sim Naamã, o sírio.'
28Quando ouviram estas palavras de Jesus,
todos na sinagoga ficaram furiosos.
29Levantaram-se e o expulsaram da cidade.
Levaram-no até ao alto do monte
sobre o qual a cidade estava construída,
com a intenção de lançá-lo no precipício.
30Jesus, porém, passando pelo meio deles,
continuou o seu caminho.
Palavra da Salvação. 


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - “Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”. Os habitantes de Nazaré julgam conhecer Jesus, viram-n’O crescer, sabem identificar a sua família e os seus amigos, mas, na realidade, não perceberam a profundidade do seu mistério. Trata-se de um conhecimento superficial, teórico, que não leva a uma verdadeira adesão à proposta de Jesus. Na realidade, é uma situação que pode não nos ser totalmente estranha: lidamos todos os dias com Jesus, somos capazes de falar algumas horas sobre Ele; mas a sua proposta tem impacto em nós e transforma a nossa existência?

02 - “Faz também aqui na terra o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum” – pedem os habitantes de Nazaré. Esta é a atitude de quem procura Jesus para ver o seu espetáculo ou para resolver os seus problemazinhos pessoais. Supõe a perspectiva de um Deus comerciante, de quem nos aproximamos para fazer negócio. Qual é o nosso Deus? O Deus de quem esperamos espetáculos em nosso favor, ou o Deus que em Jesus nos apresenta uma proposta séria de salvação que é preciso concretizar na vida do dia a dia?

03 - Como na primeira leitura, o Evangelho propõe-nos uma reflexão sobre o “caminho do profeta”: é um caminho onde se lida, permanentemente, com a incompreensão, com a solidão, com o risco… É, no entanto, um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade à sua Palavra. Temos a coragem de seguir este caminho? As “bocas” dos outros, as críticas que magoam, a solidão e o abandono, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que o nosso Deus nos confiou?


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Comentário
UM PROFETA POSITIVO


Inicialmente nos parece que todos os profetas são sempre de desgraças. Anunciam-nos um futuro incerto e entre as sombras que vislumbram nos falam de ameaças, cataclismos, guerras, epidemias e tantas outras desgraças. Suas palavras convertem-se em ameaças que chegam até dentro de nós e rompem a pouca harmonia e paz que, talvez, tivéssemos conseguido estabelecer em nossa vida.

JESUS É UM PROFETA. Mas não é desses a que estamos acostumados. É muito diferente. Não faz ruído. Não entra em nossa vida com gritos e nem excessos. Apenas com palavras simples. No Evangelho, continuação do domingo passado, faz uma das homilias mais breves da história. Não faz mais que recolher o que leu em um texto do profeta Isaías e dizer que tudo isso já se cumpriu. Era um texto que falava de libertação para os oprimidos, de consolação para os aflitos, de saúde para os doentes, de liberdade para todos. Era o anúncio da boa nova de Deus para todos.     

Na segunda leitura, Paulo explica também o núcleo da mensagem de Jesus. É um texto já conhecido, mais que vale a pena voltar ao ler e reler. Muitas vezes. E levar na carteira. E na mente e no coração. Diz que a melhor forma de um cristão viver é no amor. Esse é o carisma melhor. Explica o que é amar. É um amar como o de Jesus, que dá a vida por todos, sem medida, sem condições. É o mesmo amor de Deus. Porque o cristão é chamado a viver o amor de Deus. Paulo explica o que é e o que não é o amor. Lembra-nos que sem esse amor nada faz sentido. Podemos trabalhar muito, dar muito dinheiro aos pobres, rezar horas e horas, ajudar na paróquia e muitas outras coisas. Se tudo isso se faz sem amor, não vale nada. É pura perda de tempo.     

Esse é o centro da mensagem do profeta Jesus. Como se vê, não contém ameaças senão um convite a viver no amor. Não fala de um futuro tenebroso senão de um presente cheio de luz e de sentido. No amor descobrimos a presença de Deus perto de nós. No amor, torna-se transparente para nós que aqueles que nos rodeiam são nossos irmãos e irmãs, embora às vezes pareçamos agir como se não fossem. No amor, a vida faz-se mais habitável e somos mais felizes. O curioso é que a reação ante a mensagem de Jesus foi de total oposição. Se os tivesse ameaçado com o dilúvio final, eles poderiam tê-lo ouvido mais.  Mas a mensagem de Jesus tirou da zona de conforto seus ouvintes e os convidou a mudar de vida. Nós somos hoje ao mesmo tempo ouvintes da mensagem de Jesus e porta-voz para o mundo dessa mensagem. Com nossa vida demonstraremos que viver o amor abre um futuro melhor para a humanidade e para o mundo. 


Somos cristãos profetas em nossa sociedade? Qual é o conteúdo de nossa profecia? Qual mensagem transmitimos com nossa vida? E com nossas palavras? 


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

III Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste III Domingo do Tempo Comum coloca no centro da nossa reflexão a Palavra de Deus: ela é, verdadeiramente, o centro à volta do qual se constrói a experiência cristã. Essa Palavra não é uma doutrina abstrata, para deleite dos intelectuais; mas é, primordialmente, um anúncio libertador que Deus dirige a todos os homens e que encarna em Jesus e nos cristãos.

Na primeira leitura, exemplifica-se como a Palavra deve estar no centro da vida comunitária e como ela, uma vez proclamada, é geradora de alegria e de festa.

No Evangelho, apresenta-se Cristo como a Palavra que se faz pessoa no meio dos homens, a fim de levar a libertação e a esperança às vítimas da opressão, do sofrimento e da miséria. Sugere-se, também, que a comunidade de Jesus é a comunidade que anuncia ao mundo essa Palavra libertadora.

A segunda leitura apresenta a comunidade gerada e alimentada pela Palavra libertadora de Deus: é uma família de irmãos, onde os dons de Deus são repartidos e postos ao serviço do bem comum, numa verdadeira comunhão e solidariedade.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
LERAM O LIVRO DA LEI DE DEUS
E EXPLICARAM SEU SENTIDO.
Leitura do Livro de Neemias (8,2-4a.5-6.8-10)


Naqueles dias:

2O sacerdote Esdras apresentou a Lei
diante da assembleia de homens, de mulheres
e de todos os que eram capazes de compreender.
Era o primeiro dia do sétimo mês.
3Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas,
Esdras fez a leitura do livro,
desde o amanhecer até ao meio-dia,
na presença dos homens, das mulheres
e de todos os que eram capazes de compreender.
E todo o povo escutava com atenção
a leitura do livro da Lei.
4aEsdras, o escriba,
estava de pé sobre um estrado de madeira,
erguido para esse fim.
5Estando num lugar mais alto,
ele abriu o livro à vista de todo o povo.
E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé.
6Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus,
e todo o povo respondeu, levantando as mãos:
'Amém! Amém!'
Depois inclinaram-se
e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra.
8E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus
e explicaram seu sentido,
de maneira que se pudesse compreender a leitura.
9O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba,
e os levitas que instruíam o povo,
disseram a todos:
'Este é um dia consagrado ao senhor, vosso Deus!
Não fiqueis tristes nem choreis',
pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei.
10E Neemias disse-lhes:
'Ide para vossas casas e comei carnes gordas,
tomai bebidas doces
e reparti com aqueles que nada prepararam,
pois este dia é santo para o nosso Senhor.
Não fiqueis tristes,
porque a alegria do Senhor será a vossa força'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - Que lugar ocupa a Palavra de Deus na vida de cada um de nós e na vida das nossas comunidades? A Palavra é o centro de qual tudo se articula? Encontramos espaço para ler, para refletir, para partilhar a Palavra?

02 - Aqueles a quem é confiada a missão de proclamar a Palavra: preparam convenientemente o ambiente? Proclamam a Palavra clara e distintamente? Refletem a Palavra e explicam-na de forma acessível, de forma que ela toque a assembleia que escuta? Têm a preocupação de adaptá-la à vida?

03 - Nas nossas assembleias comunitárias, a Palavra é acolhida com veneração e respeito, ou aproveitamos o momento em que ela é proclamada para acender velinhas ao santo da nossa devoção, para rezar o terço ou para “controlar” quem está ao nosso lado?

04 - A Palavra interpela-nos, leva-nos à conversão, à mudança de vida, ou a Palavra é só para os outros?


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Salmo Responsorial
VOSSA LEI É PERFEITA, Ó SENHOR,
VOSSAS PALAVRAS SÃO ESPÍRITO E VIDA!
Sl 18,8.9.10.15 (R. Jo 6,63c)


Vossa Lei é perfeita, ó Senhor,
vossas palavras são espírito e vida!

8A lei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes. 

Vossa Lei é perfeita, ó Senhor,
vossas palavras são espírito e vida!

9Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz. 

Vossa Lei é perfeita, ó Senhor,
vossas palavras são espírito e vida!

10É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente. 

Vossa Lei é perfeita, ó Senhor,
vossas palavras são espírito e vida!

15Que vos agrade o cantar dos meus lábios
e a voz da minha alma;
que ela chegue até vós, ó Senhor,
meu Rochedo e Redentor! 

Vossa Lei é perfeita, ó Senhor,

vossas palavras são espírito e vida!


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Segunda Leitura
VÓS, TODOS JUNTOS, SOIS O CORPO DE CRISTO E,
INDIVIDUALMENTE, SOIS MEMBROS DESSE CORPO.
Leitura da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios (12,12-30)


Irmãos:

12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros,
e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos,
formam um só corpo,
assim também acontece com Cristo.
13De fato, todos nós,
judeus ou gregos, escravos ou livres,
fomos batizados num único Espírito,
para formarmos um único corpo,
e todos nós bebemos de um único Espírito.
14Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas,
mas de muitos membros.
15Se o pé disser:
'Eu não sou mão, portanto não pertenço ao corpo',
nem por isso deixa de pertencer ao corpo.
16E se o ouvido disser:
'Eu não sou olho, portanto não pertenço ao corpo',
nem por isso deixa de pertencer ao corpo.
17Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido?
Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
18De fato, Deus dispôs os membros
e cada um deles no corpo, como quis.
19Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo?
20Há muitos membros, e, no entanto, um só corpo.
21O olho não pode, pois, dizer à mão:
'Não preciso de ti'.
Nem a cabeça pode dizer aos pés:
'Não preciso de vós'.
22Antes pelo contrário,
os membros do corpo que parecem ser mais fracos
são muito mais necessários do que se pensa.
23Também os membros que consideramos menos honrosos,
a estes nós cercamos com mais honra,
e os que temos por menos decentes,
nós os tratamos com mais decência.
24Os que nós consideramos decentes
não precisam de cuidado especial.
Mas Deus, quando formou o corpo,
deu maior atenção e cuidado
ao que nele é tido como menos honroso,
25para que não haja divisão no corpo
e, assim, os membros zelem igualmente uns pelos outros.
26Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele;
se é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
27Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo
e, individualmente, sois membros desse corpo.
28E, na Igreja, Deus colocou,
em primeiro lugar, os apóstolos;
em segundo lugar, os profetas;
em terceiro lugar, os que têm o dom
e a missão de ensinar;
depois, outras pessoas com dons diversos, a saber:
dom de milagres, dom de curas,
dom para obras de misericórdia,
dom de governo e direção, dom de línguas.
29Acaso todos são apóstolos?
Todos são profetas?
Todos ensinam?
Todos realizam milagres?
30Todos têm o dom das curas?
Todos falam em línguas?
Todos as interpretam?
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - A Igreja é o corpo de Cristo onde se manifesta, na diversidade de membros e de funções, a unidade, a partilha, a solidariedade, o amor, que são inerentes à proposta salvadora que Cristo nos apresentou. A nossa comunidade cristã é, para nós, uma família de irmãos, que vivem em comunhão, que se respeitam e que se amam, ou é o campo onde se enfrentam as invejas e os interesses egoístas e mesquinhos?

02 - Usamos os “carismas” que Deus nos confia para o serviço dos irmãos e para o crescimento do corpo, ou para a nossa promoção pessoal e social?

03 - Nesse corpo, os vários membros vivem em interdependência. É efetiva a nossa solidariedade com os membros da comunidade? Os dramas e os sofrimentos, as alegrias e as esperanças dos nossos irmãos são sentidos por todos os membros desse corpo?

04 - Sentimo-nos co-responsáveis na construção dessa comunidade da qual somos membros e desempenhamos, com sentido de responsabilidade, o nosso papel, ou remetemo-nos a uma situação de passividade e de comodismo, esperando que sejam os outros a fazer tudo?


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Evangelho
HOJE SE CUMPRIU ESTA PASSAGEM DA ESCRITURA.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (1,1-4;4,14-21)


1Muitas pessoas já tentaram escrever a história
dos acontecimentos que se realizaram entre nós,
2como nos foram transmitidos
por aqueles que, desde o princípio,
foram testemunhas oculares e ministros da palavra.
3Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso
de tudo o que aconteceu desde o princípio,
também eu decidi escrever de modo ordenado
para ti, excelentíssimo Teófilo.
4Deste modo, poderás verificar
a solidez dos ensinamentos que recebeste.
Naquele tempo:
4,14Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito,
e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.
15Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam.
16E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado.
Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado,
e levantou-se para fazer a leitura.
17Deram-lhe o livro do profeta Isaías.
Abrindo o livro,
Jesus achou a passagem em que está escrito:
18'O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque ele me consagrou com a unção
para anunciar a Boa Nova aos pobres;
enviou-me para proclamar a libertação aos cativos
e aos cegos a recuperação da vista;
para libertar os oprimidos
19e para proclamar um ano da graça do Senhor.'
20Depois fechou o livro,
entregou-o ao ajudante, e sentou-se.
Todos os que estavam na sinagoga
tinham os olhos fixos nele.x
21Então começou a dizer-lhes:
'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura
que acabastes de ouvir.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - No Evangelho de Lucas e neste texto em particular, Jesus manifesta de forma bem nítida a consciência de que foi investido do Espírito de Deus e enviado para pôr fim a tudo o que rouba a vida e a dignidade do homem. A nossa civilização, há mais vinte e um séculos conhece Cristo e a essência da sua proposta. No entanto, o nosso mundo continua a multiplicar e a refinar as cadeias opressoras. Porque é que a proposta libertadora de Jesus ainda não chegou a todos? Que situações hoje, à minha volta, me parecem mais dramáticas e exigem uma ação imediata (pensar na situação de tantos imigrantes e migrantes; pensar na situação de tantos idosos, sem amor e sem cuidados, que sobrevivem com pensões de miséria; pensar nas crianças de rua e nos sem abrigo que dormem nos recantos das nossas cidades; pensar na situação de tantas famílias, destruídas pela droga e pelo álcool…)?

02 - A fidelidade ao “caminho” percorrido por Cristo é a exigência fundamental do ser cristão. Ao longo dos séculos, tem sido a defesa da dignidade do homem a preocupação fundamental da Igreja de Jesus? Preocupa-nos a libertação dos nossos irmãos escravizados? Que posso eu fazer, em concreto, para continuar no meio deles a missão libertadora de Cristo?

03 – Neste texto, podemos ver como Jesus “atualiza” a Palavra de Deus proclamada e a torna um anúncio de libertação que toca de muito perto a vida dos homens. Os que proclamam a Palavra, que a explicam nas homilias, têm esta preocupação de torná-la uma realidade “tocante” e um anúncio verdadeiramente transformador e libertador, que atinge a vida daqueles que os escutam?


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Comentário
DA LEI ANTIGUA A LEI NOVA


Neste domingo, entre a Primeira Leitura e o Evangelho, há uma distância enorme. A Primeira Leitura conta um momento na história de Israel quando o povo, uma vez retornado do exílio, ouve novamente a proclamação da lei. É a lei de Deus. São as normas que Deus deu a seus pais no passado e que devem ser obedecidas, por todos e em todos os momentos. Em troca, o povo terá vida. Se o povo foi derrotado por seus inimigos e teve que ir para o exílio, foi precisamente porque eles não obedeceram a essas normas como deveriam.

No Evangelho nos encontramos com uma situação muito diferente. Jesus voltou para sua cidade natal depois de um tempo fora. Sua vida pública já começou e sua fama chegou aos seus concidadãos. Ele se sente enviado por Deus para pregar o Reino de Deus. Estamos diante de uma nova proclamação da lei? Jesus dará novas normas em oposição àquelas que o povo recebeu por muito tempo? Possivelmente seus concidadãos também se fizeram estas perguntas. Quando ele entra na sinagoga ele é convidado a ler os profetas e a falar com eles.

Surpreendentemente, Jesus escolhe um texto que não fala de regras ou leis. Fala mais de si mesmo e de sua missão. Jesus usa um texto do profeta Isaías para explicar aos seus concidadãos, e também a nós, qual é o conteúdo de sua missão, por que ele está pregando para os povos e nas estradas da Galiléia. É que Jesus se sente dominado, possuído pelo Espírito de Deus. Esse espírito não o torna superior aos outros. Não faz dele um rei que, como o resto dos reis da terra, usa sua autoridade para dominar, oprimir e escravizar. Ele foi enviado para anunciar boas novas aos pobres, libertar os cativos e devolver a visão aos cegos. Essa é a sua missão.

Não se trata, portanto, que Deus, através de Jesus, nos dará novas normas, talvez mais fáceis, talvez mais difíceis, que temos que obedecer. Em absoluto. Jesus vem falar de um Deus que nos traz salvação, que quer que sejamos livres, para que deixemos de sofrer, para sermos felizes. Essa é a missão de Jesus. Aqueles de nós que fazem parte de sua comunidade hoje estão encarregados de levar essas boas novas àqueles que sofrem, aos oprimidos, aos cativos, aos pobres. Para que todos conheçam o Deus que nos ama e nos salva.


Para reflexão


Há pessoas perto de você que precisam ser libertadas de alguma opressão? Você mesmo, talvez? Como Jesus te liberta? Como você libera sua família? Você se deixa ser libertado?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

II Domingo Do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia do II Domingo do Tempo Comum apresenta a imagem do casamento como imagem que exprime de forma privilegiada a relação de amor que Deus (o marido) estabeleceu com o seu Povo (a esposa). A questão fundamental é, portanto, a revelação do amor de Deus.

A primeira leitura define o amor de Deus como um amor inquebrável e eterno, que continuamente renova a relação e transforma a esposa, sejam quais forem as suas falhas passadas. Nesse amor nunca desmentido, reside a alegria de Deus.

O Evangelho apresenta, no contexto de um casamento (cenário da “aliança”), um “sinal” que aponta para o essencial do “programa” de Jesus: apresentar aos homens o Pai que os ama, e que com o seu amor os convoca para a alegria e a felicidade plena.

A segunda leitura fala dos “carismas” – dons, através dos quais continua a manifestar-se o amor de Deus. Como sinais do amor de Deus, eles destinam-se ao bem de todos; não podem servir para uso exclusivo de alguns, mas têm de serem postos ao serviço de todos com simplicidade. É essencial que na comunidade cristã se manifeste, apesar da diversidade de membros e de carismas, o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
A NOIVA É A ALEGRIA DO NOIVO.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (62,1-5)


1Por amor de Sião não me calarei,
por amor de Jerusalém não descansarei,
enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça
e não se acender nela, como uma tocha, a salvação.
2As nações verão a tua justiça,
todos os reis verão a tua glória;
serás chamada com um nome novo,
que a boca do Senhor há de designar.
3E serás uma coroa de glória na mão do Senhor,
um diadema real nas mãos de teu Deus.
4Não mais te chamarão Abandonada,
e tua terra não mais será chamada Deserta;
teu nome será Minha Predileta
e tua terra será a Bem-Casada,
pois o Senhor agradou-se de ti
e tua terra será desposada.
5Assim como o jovem desposa a donzela,
assim teus filhos te desposam;
e como a noiva é a alegria do noivo,
}assim também tu és a alegria de teu Deus.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - O amor de Deus pelo seu Povo é um amor que nada consegue quebrar: nem o nosso afastamento, nem o nosso egoísmo, nem as nossas recusas. Ele está sempre lá, à espera, de forma gratuita, convidando ao reencontro, ao refazer da relação; e esse amor gera vida nova, alegria, festa, felicidade em todos aqueles que são atingidos por ele. Como lidamos com um Deus cuja “alegria” é amar e cujo amor, quando é acolhido, nos renova continuamente?

02 - Viver em relação com o Deus-amor implica também dar testemunho, ser “profeta do amor”. Somos sinais vivos de Deus, com o amor que transparece nos nossos gestos? As nossas famílias são um reflexo do amor de Deus? As nossas comunidades anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem pelos homens?


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Salmo Responsorial
CANTAI AO SENHOR DEUS UM CANTO NOVO,
MANIFESTAI OS SEUS PRODÍGIOS ENTRE OS POVOS!
Sl 95,1-2a.2b-3.7-8a.9-10a.c (R. 1a.3b)


Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
manifestai os seus prodígios entre os povos!

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, 
cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!*
2aCantai e bendizei seu santo nome! 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
manifestai os seus prodígios entre os povos!

2bDia após dia anunciai sua salvação, 
3manifestai a sua glória entre as nações,
e entre os povos do universo seus prodígios! 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
manifestai os seus prodígios entre os povos!

7A família das nações, dai ao Senhor,
ó nações, dai ao Senhor poder e glória,
8dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!
Oferecei um sacrifício nos seus átrios. 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
manifestai os seus prodígios entre os povos!

9Adorai-o no esplendor da santidade,
terra inteira, estremecei diante dele!
10Publicai entre as nações: 'Reina o Senhor!'
pois os povos ele julga com justiça. 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
manifestai os seus prodígios entre os povos!


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Segunda Leitura
ESTAS COISAS AS REALIZA UM E O MESMO ESPÍRITO,
QUE DISTRIBUI A CADA UM CONFORME SEU QUERER.
Leitura da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios (12,4-11)


Irmãos:
4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.
5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor.
6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus
que realiza todas as coisas em todos.
7A cada um é dada a manifestação do Espírito
em vista do bem comum.
8A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria.
A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito.
9A outro, a fé no mesmo Espírito.
A outro, o dom de curas no mesmo Espírito.
10A outro, o poder de fazer milagres.
A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos.
A outro, falar línguas estranhas.
A outro, interpretação de línguas.
11Todas estas coisas as realiza um e o mesmo Espírito,
que distribui a cada um conforme quer.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - A comunidade cristã tem de ser o reflexo da comunidade trinitária, dessa comunidade de amor que une o Pai, o Filho e o Espírito. As nossas comunidades paroquiais, as nossas comunidades religiosas são espaços de comunhão e de fraternidade, onde o amor e a solidariedade dos diversos membros refletem o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito?

02 - Como cristãos, somos todos membros de um único corpo, com diversidade de funções e de ministérios. A diversidade de “dons” não pode ser um fator de divisão ou de conflito, mas de riqueza para todos. Os “dons” que Deus nos concede são sempre postos ao serviço do bem comum, ou servem para nos autopromover, para ganharmos prestígio aos olhos dos outros?

03 - Como consideramos “os outros”,  aqueles que têm “dons” diferentes ou, até, aqueles que se apresentam de forma discreta, sem se imporem, sem “darem nas vistas”? Eles são vistos como membros legítimos do mesmo corpo que é a comunidade, ou como cristãos de segunda, massa amorfa a que não damos muita importância?

04 - A consciência de que determinado dom que possuímos é fundamental na estruturação da vida comunitária pode degenerar em arrogância e em abuso de poder. É necessário ter bem presente que os “carismas” são sempre um dom gratuito de Deus, que não depende dos nossos méritos pessoais. É necessário, também, ter consciência de que o mais importante, aquilo a que devem subjugar-se os interesses pessoais é sempre o bem da comunidade.


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Evangelho    
JESUS REALIZOU ESTE INÍCIO DOS SINAIS EM CANÁ DA GALILÉIA.
Evangelho de Jesus Cristo segundo João (2,1-11)


Naquele tempo:
1Houve um casamento em Caná da Galiléia.
A mãe de Jesus estava presente.
2Também Jesus e seus discípulos
tinham sido convidados para o casamento.
3Como o vinho veio a faltar,
a mãe de Jesus lhe disse:
'Eles não têm mais vinho'.
4Jesus respondeu-lhe:
'Mulher, por que dizes isto a mim?
Minha hora ainda não chegou.'
5Sua mãe disse aos que estavam servindo:
'Fazei o que ele vos disser'.
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí
para a purificação que os judeus costumam fazer.
Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo:
'Enchei as talhas de água'.
Encheram-nas até a boca.
8Jesus disse:
'Agora tirai e levai ao mestre-sala'.
E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água,
que se tinha transformado em vinho.
Ele não sabia de onde vinha,
mas os que estavam servindo sabiam,
pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse:
'Todo mundo serve primeiro o vinho melhor
e, quando os convidados já estão embriagados,
serve o vinho menos bom.
Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!'
11Este foi o início dos sinais de Jesus.
Ele o realizou em Caná da Galiléia
e manifestou a sua glória,
e seus discípulos creram nele.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Quando a relação com Deus se baseia num jogo intrincado de ritos externos, de regras e de obrigações que devem ser cumpridas, a religião torna-se um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime. Ora, Jesus veio revelar-nos Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o “vinho” que Jesus veio trazer para alegrar a “aliança”: o “vinho” do amor de Deus, que produz alegria e que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos. A nossa “religião” é isto mesmo – o encontro com o Jesus que nos dá o vinho do amor?

02 - O que é que os nossos olhos e os nossos lábios revelam aos outros: a alegria que brota de um coração cheio de amor, ou o medo e a tristeza que brotam de uma religião de pesadelo, de leis e de medo?

03 - Com qual das personagens que participam da “boda” nos identificamos: com o chefe de mesa, comodamente instalado numa religião estéril, vazia e hipócrita, com a “mulher” -  mãe - que pede a Jesus que resolva a situação, ou com os “serventes” que vão fazer “tudo o que Ele disser” e colaborar com Jesus no estabelecimento da nova realidade?


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Comentário
A ALEGRIA DA FAMÍLIA DE DEUS


A celebração de um casamento é um os momentos mais esperados nas famílias. Supõe na vida da família o começo de uma nova etapa. Um homem e uma mulher deixam suas famílias para formar uma nova. Não é motivo para tristeza senão o contrário. A família se engrandece e, o mais importante, abre-se à vida. O casamento de um dos filhos ou filhas significa que virão novos membros a enriquecer a vida da família. Ao casar-se um de seus membros, a família inteira celebra que a vida não termina mais se abre ao futuro com esperança. O sobrenome familiar seguirá vivo. A vida segue e recria-se.

Um matrimônio também supõe uma promessa de amor entre os que se esposam. É um amor para sempre e para tudo. Sem limites. Fato de total generosidade e entrega mútua. Gratuito e sem pedir nada em troca. É um amor capaz de criar vida. Os demais membros da família talvez vivessem mais, têm mais experiência, sabem que esse amor às vezes perde força, comete erros, não sempre é fiel ao impulso primeiro. Mas a promessa dos esposos é um sinal de que vale a pena seguir perseguindo esse ideal tão difícil de conseguir. Por isto pára todos os que participam em um casamento, esta é sempre uma celebração da vida e o amor.

Não é casualidade que Jesus comece sua vida pública participando em um casamento e prolongando sem limites a alegria dos participantes. Não outra coisa pode significar a exorbitante quantidade de água que Jesus converte em vinho. Além disso, segundo a opinião do mordomo, é o melhor vinho. A presença de Jesus traz ao casamento “a festa humana por excelência, a festa da vida” a presença do melhor vinho. É a melhor bênção para a vida e o amor que celebravam aquelas famílias. O melhor vinho é o sinal de que a vida que nos traz Jesus vence a morte.

Os casamentos, a alegria, o vinho melhor, são sinais que nos falam de que o encontro entre Deus e a humanidade que se produz em Jesus é o encontro com a verdadeira Vida, com a que não se termina; é o encontro que dará lugar à família definitiva, na qual todos nos reconheceremos como irmãos e irmãs reunidos na mesa do pai de todos, Deus, lá onde não terá mais morte nem tristeza. Como nos casamentos, esta celebração não é mais que o começo de uma nova família. Não é mais uma promessa, mas é uma promessa de vida em plenitude. Viver em cristo é viver na esperança e na alegria.


Venho à missa a cada domingo com a alegria de encontrar com meus irmãos e irmãs para celebrar a vida que Deus nos dá? Ser cristão é para mim motivo de alegria? Como isso é notado? Como isso se mostra na minha família?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

 

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