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XXVIII Domingo do Tempo Comum (Ano B)
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A Palavra

XXVIII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXVIII Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre as escolhas que fazemos; recorda-nos que nem sempre o que reluz é ouro e que é preciso, por vezes, renunciar a certos valores perecíveis, a fim de adquirir os valores da vida verdadeira e eterna.
Na primeira leitura, um “sábio” de Israel apresenta-nos um “hino à sabedoria”. O texto convida-nos a adquirir a verdadeira “sabedoria” (que é um dom de Deus) e a prescindir dos valores efêmeros que não realizam o homem. O verdadeiro “sábio” é aquele que escolheu escutar as propostas de Deus, aceitar os seus desafios, seguir os caminhos que Ele indica.
O Evangelho apresenta-nos um homem que quer conhecer o caminho para alcançar a vida eterna. Jesus convida-o renunciar às suas riquezas e a escolher “caminho do Reino” – caminho de partilha, de solidariedade, de doação, de amor. É nesse caminho – garante Jesus aos seus discípulos – que o homem se realiza plenamente e que encontra a vida eterna.
A segunda leitura convida-nos a escutar e a acolher a Palavra de Deus proposta por Jesus. Ela é viva, eficaz, atuante. Uma vez acolhida no coração do homem, transforma-o, renova-o, ajuda-o a discernir o bem e o mal e a fazer as opções correta, indica-lhe o caminho certo para chegar à vida plena e definitiva.



Primeira Leitura
Salmo
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro da Sabedoria
Sb 7,7-11


7Orei, e foi-me dada a prudência;
supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria.
8Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos
e em comparação com ela, julguei sem valor a riqueza;
9a ela não igualei nenhuma pedra preciosa,
pois, a seu lado, todo o ouro do mundo
é um punhado de areia
e diante dela, a prata, será como a lama.
10Amei-a mais que a saúde e a beleza,
e quis possuí-la mais que a luz,
pois o esplendor que dela irradia não se apaga.
11Todos os bens me vieram com ela,
pois uma riqueza incalculável está em suas mãos.

Palavra do Senhor.


início


Salmo
Sl 89,12-13.14-15.16-17 (R.Cf. 14)


Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor,
e exultaremos de alegria!
Ensinai-nos a contar os nossos dias,
e dai ao nosso coração sabedoria!
Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?
Tende piedade e compaixão de vossos servos!
Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor,
e exultaremos de alegria!
Saciai-nos de manhã com vosso amor,
e exultaremos de alegria todo o dia!
Alegrai-nos pelos dias que sofremos,
pelos anos que passamos na desgraça!
Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor,
e exultaremos de alegria!
Manifestai a vossa obra a vossos servos,
e a seus filhos revelai a vossa glória!
Que a bondade do Senhor e nosso Deus
repouse sobre nós e nos conduza!
Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.
Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor,
e exultaremos de alegria!


início


Segunda Leitura
Leitura da Carta aos Hebreus 

Hb 4,12-13


12A Palavra de Deus é viva, eficaz
e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes.
Penetra até dividir alma e espírito,
articulações e medulas.
Ela julga os pensamentos e as intenções do coração.

13E não há criatura que possa ocultar-se diante dela.
Tudo está nu e descoberto aos seus olhos,
e é a ela que devemos prestar contas.

Palavra do Senhor.


início


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos
Mc 10,17-30


Naquele tempo:
17Quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo,
ajoelhou-se diante dele, e perguntou:
'Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?'
18Jesus disse: 'Por que me chamas de bom?'
Só Deus é bom, e mais ninguém.
19Tu conheces os mandamentos:
não matarás; não cometerás adultério; não roubarás;
não levantarás falso testemunho;
não prejudicarás ninguém;
honra teu pai e tua mãe!'
20Ele respondeu: 'Mestre, tudo isso
tenho observado desde a minha juventude'.
21Jesus olhou para ele com amor, e disse:
'Só uma coisa te falta:
vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres,
e terás um tesouro no céu.
Depois vem e segue-me!'
22Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido
e foi embora cheio de tristeza,
porque era muito rico.
23Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos:
'Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!'
24Os discípulos se admiravam com estas palavras,
mas ele disse de novo:
'Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus!
25É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha
do que um rico entrar no Reino de Deus!'
26Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso,
e perguntavam uns aos outros:
'Então, quem pode ser salvo?'
27Jesus olhou para eles e disse:
'Para os homens isso é impossível, mas não para Deus.
Para Deus tudo é possível'.
28Pedro então começou a dizer-lhe:
'Eis que nós deixamos tudo e te seguimos'.
29Respondeu Jesus:
'Em verdade vos digo,
quem tiver deixado casa, 
irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos,
campos, por causa de mim e do Evangelho,
30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida
- casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos,
com perseguições -
e, no mundo futuro, a vida eterna.

Palavra da Salvação.


início


Comentário
O CAMINHO DA VERDADEIRA FELICIDADE


Basta ligar a televisão para ouvir que serei mais feliz se comprar um carro tal como sugerido, que será a solução de todos os meus problemas. Se fizéssemos caso do que nos dizem os meios de comunicação, a vida seria feliz e fácil para todos. Mas a realidade é diferente. Para muitas pessoas a vida é difícil, muito difícil. No trabalho e em casa. E, de vez em quando, chegam problemas acrescentados: uma doença, uma morte, um membro da família que se vai do lar... todos nos encantaria encontrar a resposta mágica que convertesse nossa vida em um refúgio de paz, sem nada de que nos preocupar, longe dos problemas.

A primeira leitura fala-nos de uma pessoa que se volta para Deus para pedir a sabedoria. Em vez de ligar a televisão ou o rádio, guarda silêncio, põe seu coração em Deus e suplica a sabedoria. Essa pessoa sabia o que se fazia. Sabia que a sabedoria é mais importante que o poder e a riqueza. Inclusive que a saúde e a beleza. Porque uma pessoa sábia sabe como ser feliz e viver em plenitude no meio dos acontecimentos da vida ordinária. O que para outros são graves problemas, para o sábio são ocasiões para amar mais, para melhorar suas relações, para se abrir a novas realidades, definitivamente, para viver melhor.

O Evangelho conta uma história que fala também da sabedoria. Um homem aproxima-se de Jesus. Está preocupado em alcançar a vida eterna. E pergunta a Jesus o que deve fazer. Já cumpre os mandamentos. Todos. Jesus, então, abre-lhe novos horizontes. Se quer para valer ser feliz, possuir a vida eterna, tem de deixar tudo, ficar sem nada e se centrar na única coisa que vale a pena: seguir a Jesus. É um grande desafio. Porque para alcançar a verdadeira sabedoria deve-se saber relativizar tudo o que se tem, tudo o que é demais. Não se encontra a vida nas coisas que se possuem nem quando cumprimos todos os mandamentos. A verdadeira sabedoria está em reconhecer que tudo é dom, um presente que Deus nos faz. E só quando nós voltamos a ele com as mãos vazias, somos capazes de acolher esse dom enorme que é a felicidade ou a vida eterna.

Os ricos acham difícil entrar por esse caminho. Eles estão muito preocupados com as coisas que têm. Eles passam o dia pensando em como ter mais e como defender o que já possuem. Os outros parecem ameaças. Eles os vêem como ladrões que querem tirar o que é deles. Somente se puderem libertar-se das coisas que possuem descobrirão no rosto do outro um irmão ou irmã, e perceberão que a felicidade está no encontro fraterno com os outros. Todos como irmãos e irmãs entre nós e como filhos e filhas de Deus..


início


 

 

XXVII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

As leituras do XXVII Domingo do Tempo Comum apresentam, como tema principal, o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher: formar uma comunidade de amor, estável e indissolúvel, que os ajude mutuamente a realizarem-se e a serem felizes. Esse amor, feito doação e entrega, será para o mundo um reflexo do amor de Deus.
A primeira leitura diz-nos que Deus criou o homem e a mulher para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. Unidos pelo amor, o homem e a mulher formarão “uma só carne”. Ser “uma só carne” implica viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo.
No Evangelho, Jesus, confrontado com a Lei judaica do divórcio, reafirma o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher: eles foram chamados a formar uma comunidade estável e indissolúvel de amor, de partilha e de doação. A separação não está prevista no projeto ideal de Deus, pois Deus não considera um amor que não seja total e duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projeto primordial de Deus para o homem e para a mulher.
A segunda leitura lembra-nos a “qualidade” do amor de Deus pelos homens… Deus amou de tal forma os homens que enviou ao mundo o seu Filho único “em proveito de todos”. Jesus, o Filho, solidarizou-Se com os homens, partilhou a debilidade dos homens e, cumprindo o projeto do Pai, aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a vida verdadeira está no amor que se dá até às últimas consequências. Ligando o texto da Carta aos Hebreus com o tema principal da liturgia deste domingo, podemos dizer que o casal cristão deve testemunhar, com a sua doação sem limites e com a sua entrega total, o amor de Deus pela humanidade.



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
E ELES SERÃO UMA SÓ CARNE.
Leitura Livro do Gênesis (2,18-24)


18O Senhor Deus disse:
'Não é bom que o homem esteja só.
Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele'.
19Então o Senhor Deus formou da terra
todos os animais selvagens e todas as aves do céu,
e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria;
todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse.
20E Adão deu nome a todos os animais domésticos,
a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens;
mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele.
21Então o Senhor Deus fez cair
um sono profundo sobre Adão.
Quando este adormeceu,
tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne.
22Depois, da costela tirada de Adão,
o Senhor Deus formou a mulher
e conduziu-a a Adão.
23E Adão exclamou:
'Desta vez, sim, é osso dos meus ossos
e carne da minha carne!
Ela será chamada 'mulher'
porque foi tirada do homem'.
24Por isso, o homem deixará
seu pai e sua mãe
e se unirá à sua mulher,
e eles serão uma só carne.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


01 - “Não é bom que o homem esteja só”. Estas palavras, postas pelo autor na boca de Deus, sugerem que a realização plena do homem acontece na relação e não na solidão. O homem que vive fechado em si próprio, que escolhe percorrer caminhos de egoísmo e de autossuficiência, que recusa o diálogo e a comunhão com aqueles que caminham a seu lado, que tem o coração fechado ao amor e à partilha, é um homem profundamente infeliz, que nunca conhecerá a felicidade plena. Por vezes a preocupação com o dinheiro, com a realização profissional, com a posição social, com o êxito levam os homens a prescindir do amor, a renunciar a família, a não ter tempo para os amigos… E um dia, depois de terem acumulado muito dinheiro ou de terem alcançado o sucesso profissional, constatam que estão sozinhos e que a sua vida é estéril e vazia. A Palavra de Deus que nos é hoje proposta deixa um aviso claro: a vocação do homem é o amor; a solidão, mesmo quando compensada pela abundância de bens materiais, é um caminho de infelicidade.

02 - Por vezes, certos círculos religiosos mais fechados desvalorizam o amor humano, consideram o casamento como um estado inferior de realização da vocação cristã e veem na sexualidade algo de pecaminoso. Não é esta a perspectiva que a Palavra de Deus nos apresenta… No nosso texto, o amor aparece como algo que está, desde sempre, inscrito no projeto de Deus e que é querido por Deus. Deus criou o homem e a mulher para se ajudarem mutuamente e para partilharem, no amor, as suas vidas. É no amor e não na solidão que o homem encontra a sua realização plena e o sentido para a sua existência. Homem e mulher são, de acordo com o nosso texto, iguais em dignidade. Eles são “da mesma carne”, em igualdade de ser, partícipes do mesmo destino; completam-se um ao outro e ajudam-se mutuamente a atingir a realização. São, portanto, iguais em dignidade. Esta realidade exige que homem e mulher se respeitem absolutamente um ao outro; e exclui, naturalmente, qualquer atitude que signifique dominação, escravidão, prepotência, uso egoísta do outro.


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Salmo Responsorial
O SENHOR TE ABENÇOE DE SIÃO, CADA DIA DE TUA VIDA.
Sl 127,1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5) 


O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

1Feliz és tu se temes o Senhor
e trilhas seus caminhos!
2Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem!

O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

3A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.

O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

4Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
5O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida,
para que vejas prosperar Jerusalém,

O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

6E os filhos dos teus filhos.
 Senhor, que venha a paz a Israel,
que venha a paz ao vosso povo!

O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.


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Segunda Leitura 
TANTO O SANTIFICADOR, QUANTO OS
SANTIFICADOS DESCENDEM DO MESMO ANCESTRAL. 

Leitura da Carta aos Hebreus (2,9-11)


Irmãos:
9Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos,
nós o vemos coroado de glória e honra,
por ter sofrido a morte.
Sim, pela graça de Deus em favor de todos,
ele provou a morte.
10Convinha de fato que aquele,
por quem e para quem todas as coisas existem,
e que desejou conduzir muitos filhos à glória,
levasse o iniciador da salvação deles à consumação,
por meio de sofrimentos.
11Pois tanto Jesus, o Santificador,
quanto os santificados,
são descendentes do mesmo ancestral;
por esta razão,
ele não se envergonha de os chamar irmãos.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


01 - A encarnação, paixão e morte de Jesus atestam, antes de mais nada, o incrível amor de Deus pelos homens. É o amor de alguém que enviou o próprio Filho para fazer da sua vida um dom, até à morte na cruz, a fim de mostrar aos homens o caminho da vida plena e definitiva. Trata-se de uma realidade que a Palavra de Deus nos recorda a cada domingo; e trata-se de uma realidade que não deve cessar de nos espantar e de nos levar à gratidão e ao amor.

02 - A atitude de aceitação incondicional do projeto do Pai assumida por Cristo contrasta com o egoísmo e a autossuficiência de Adão face às propostas de Deus. A obediência de Cristo trouxe vida plena ao homem; a desobediência de Adão trouxe sofrimento e morte à humanidade. O exemplo de Cristo convida-nos a viver na escuta atenta e na obediência radical às propostas de Deus: esse caminho é gerador de vida verdadeira. Quando o homem prescinde de Deus e das suas propostas e decide que é ele quem define o caminho a seguir, fatalmente resvala para projetos de ambição, de orgulho, de injustiça, de morte; quando o homem escuta e acolhe os desafios de Deus, aprende a amar, a partilhar, a servir, a perdoar e torna-se uma fonte de bênção para todos aqueles que caminham ao seu lado.

3 - Jesus fez-Se homem, enfrentou a condição de debilidade dos homens e morreu na cruz. No entanto, a sua glorificação mostrou que a morte não é o final do caminho para quem faz da vida uma escuta atenta dos planos de Deus e uma doação de amor aos irmãos. Dessa forma, Ele libertou os homens do medo da morte. Agora, podemos enfrentar a injustiça, a opressão, as forças do mal que oprimem os homens, sem medo de morrer: sabemos que quem vive como Jesus não fica prisioneiro da morte, mas está destinado à vida verdadeira e eterna.


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Evangelho        
O QUE DEUS UNIU, QUE O HOMEM NÃO SEPARE!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (10,2-16)


Naquele tempo:
2Alguns fariseus se aproximaram de Jesus.
Para pô-lo à prova,
perguntaram se era permitido ao homem
divorciar-se de sua mulher.
3Jesus perguntou:
'O que Moisés vos ordenou?'
4Os fariseus responderam:
'Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio
e despedi-la'.
5Jesus então disse:
'Foi por causa da dureza do vosso coração
que Moisés vos escreveu este mandamento.
6No entanto, desde o começo da criação,
Deus os fez homem e mulher.
7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe
e os dois serão uma só carne.
8Assim, já não são dois, mas uma só carne.
9Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!'
10Em casa, os discípulos fizeram, novamente,
perguntas sobre o mesmo assunto.
11Jesus respondeu:
'Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra,
cometerá adultério contra a primeira.
12E se a mulher se divorciar de seu marido
e casar com outro, cometerá adultério'.
13Depois disso, traziam crianças
para que Jesus as tocasse.
Mas os discípulos as repreendiam.
14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse:
'Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais,
porque o Reino de Deus é dos que são como elas.
15Em verdade vos digo:
quem não receber o Reino de Deus como uma criança,
não entrará nele'.
16Ele abraçava as crianças
e as abençoava, impondo-lhes as mãos.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - O Evangelho deste domingo apresenta-nos o projeto ideal de Deus para o homem e para a mulher que se amam: eles são convidados a viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo. O fracasso dessa relação não está previsto nesse projeto ideal de Deus. O amor de um homem e de uma mulher que se comprometem diante de Deus e da sociedade deve ser um amor eterno e indestrutível, que é reflexo desse amor que Deus tem pelos homens. Este projeto de Deus não é uma realidade inatingível e impossível: há muitos casais que, dia a dia, no meio das dificuldades, lutam pelo seu amor e dão testemunho de um amor eterno e que nada consegue abalar.

02 - As telenovelas, os valores da moda, a opinião pública, têm-se esforçado por apresentar o fracasso do amor como uma realidade normal, banal, que pode acontecer a qualquer instante e que resolve facilmente as dificuldades que duas pessoas têm em partilhar o seu projeto de amor. Para os casais cristãos, o fracasso do amor não é uma normalidade, mas uma situação extrema, uma realidade excepcional. Para os casais cristãos, o divórcio não deve ser um remédio simples e sempre à mão para resolver as pequenas dificuldades que a vida todos os dias apresenta. À partida, o compromisso de amor não deve ser uma realidade efémera, sujeito a projetos egoístas e a planos superficiais, que terminam quando surgem dificuldades ou quando um dos dois é confrontado com outras propostas. Para o casal que quer viver na dinâmica do Reino, a separação não deve ser uma proposta sempre em cima da mesa. Marido e esposa têm que esforçar-se por realizar a sua vocação de amor, apesar das dificuldades, das crises, das divergências e dos problemas que, dia a dia, a vida lhes vai colocando. A Igreja é chamada a ser no mundo, mesmo contra a corrente, testemunha do projeto ideal de Deus.

03 - Apesar de tudo, a vida dos homens e das mulheres é marcada pela debilidade própria da condição humana. Nem sempre as pessoas, apesar do seu esforço e da sua boa vontade, conseguem ser fiéis aos ideais que Deus propõe.  Nessas circunstâncias, a comunidade cristã deve usar de muita compreensão para aqueles que falharam (muitas vezes sem culpa) na vivência do seu projeto de amor. Em nenhuma circunstância as pessoas divorciadas devem ser marginalizadas ou afastadas da vida da comunidade cristã. A comunidade deve, em todos os instantes, acolher, integrar, compreender, ajudar aqueles a quem as circunstâncias da vida impediram de viver o tal projeto ideal de Deus. Não se trata de renunciar ao “ideal” que Deus propõe; trata-se de testemunhar a bondade e a misericórdia de Deus para com todos aqueles a quem a partilha de um projeto comum fez sofrer e que, por diversas razões, não puderam realizar esse ideal que um dia, diante de Deus e da comunidade, se comprometeram a viver.

04 – As crianças que Jesus nos apresenta no Evangelho deste domingo como modelos do discípulo convidam-nos à simplicidade, à humildade, à sinceridade, ao acolhimento humilde dos dons de Deus. De acordo com as palavras de Jesus, não pode integrar o Reino quem se coloca numa atitude de orgulho, de autossuficiência, de autoritarismo, de superioridade sobre os irmãos. A dinâmica do Reino exige pessoas dispostas a acolher e a escutar as propostas de Deus e dispostas a servir os irmãos com humildade e simplicidade.


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Comentário
TRATA-A COMO A TUA PRÓPRIA CARNE!


A primeira leitura lembra o que foi o começo de todas as coisas. Ele conta isso de uma maneira romântica. Talvez não tenha sido exatamente assim, mas a coisa mais importante está reunida nessa história: homem e mulher se conheceram e se reconheceram. O olhar não parou nos olhos. Chegou ao coração. Então começou uma história que dura até hoje. Ambos se sentiram chamados a formar uma só carne, não apenas para procriar, mas, além disso, para viver unidos no amor e assim se tornar um sinal do amor com o qual Deus nos ama.

Mas a realidade nem sempre foi assim ao longo da história. A realidade é que o homem maltratou as mulheres muitas vezes. Durante séculos, o homem não considerou as mulheres como iguais. No máximo, um parceiro de cama, mas não alguém digno de ser colocado no mesmo nível, com quem poder falar. O homem se sentiu dominante e viu a mulher como um de seus pertences, um dos objetos à sua disposição. Em nossos dias, há muitos homens que ainda tratam as mulheres como objetos de prazer ou como escravas que devem limpar a casa e preparar a comida, mas que não devem ser deixadas para decidir, pensar ou tomar decisões por si mesmas. Isso acontece em muitos países, mas também no nosso. Os maus-tratos, os abusos, as violações, os assassinatos são sinais dessa realidade. Há muito sofrimento, às vezes quieto e silencioso, mas sempre demais, nas mulheres de muitas famílias.

Jesus nos convida em seu evangelho a voltar para a mesma criação. Para perceber que a princípio não foi assim. Deus criou homens e mulheres iguais. Eles são carne da mesma carne. É por isso que uma mulher não pode ser outra possessão do homem como um carro ou uma casa. Na primeira leitura, ouvimos como o homem recebe a ordem de Deus para nomear os animais. E ele faz, mas ele percebe que eles não estão no seu nível. Eles são animais, não pessoas. É quando encontra a mulher, formada de si mesmo, quando ele diz: Isto é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne! Nas mulheres, os homens se reconhecem e nos homens as mulheres se reconhecem. Ambos precisam um do outro para ter filhos, mas também para serem felizes, para viverem na plenitude do amor para o qual Deus nos chamou.


PARA REFLEXÃO


Você conhece casos de violência familiar perto de você? O que você fez para tentar ajudar esses casais a se respeitarem mutuamente? Em sua casa, você trata o marido e a esposa com respeito o devido amor? Você é um sinal do amor de Deus para quem te vê?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf 
Liturgia Diária - CNBB 
Dehonianos


 

 

 

XXV Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXV Domingo do Comum convida os crentes a prescindir da “sabedoria do mundo” e a escolher a “sabedoria de Deus”. Só a “sabedoria de Deus” - dizem os textos bíblicos deste domingo - possibilitará ao homem o acesso à vida plena, à felicidade sem fim.
O Evangelho apresenta-nos uma história de confronto entre a “sabedoria de Deus” e a “sabedoria do mundo”. Jesus, imbuído da lógica de Deus, está disposto a aceitar o projeto do Pai e fazer da sua vida um dom de amor aos homens; os discípulos, imbuídos da lógica do mundo, não têm dificuldade em entender essa opção e em comprometer-se com esse projeto. Jesus avisa-os, contudo, de que só há lugar na comunidade cristã para quem escuta os desafios de Deus e aceita fazer da vida um serviço aos irmãos, particularmente aos humildes, aos pequenos, aos pobres.
A segunda leitura exorta os crentes a viverem de acordo com a “sabedoria de Deus”, pois só ela pode conduzir o homem ao encontro da vida plena. Ao contrário, uma vida conduzida segundo os critérios da “sabedoria do mundo” irá gerar violência, divisões, conflitos, infelicidade, morte.
A primeira leitura avisa os crentes de que escolher a “sabedoria de Deus” provocará o ódio do mundo. Contudo, o sofrimento não pode desanimar os que escolhem a “sabedoria de Deus”: a perseguição é a consequência natural da sua coerência de vida.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
VAMOS CONDENÁ-LO À MORTE VERGONHOSA.
Leitura do Livro da Sabedoria (2,12.17-20)


Os ímpios dizem:
12Armemos ciladas ao justo,
porque sua presença nos incomoda:
ele se opõe ao nosso modo de agir,
repreende em nós as transgressões da lei
e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina.
17Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz,
e comprovemos o que vai acontecer com ele.
18Se, de fato, o justo é 'filho de Deus', Deus o
defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos.
19Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas,
para ver a sua serenidade
e provar a sua paciência;
20vamos condená-lo à morte vergonhosa,
porque, de acordo com suas palavras,
virá alguém em seu socorro'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Por detrás do confronto entre o “ímpio” e o “justo”, está o confronto entre a “sabedoria do mundo” e a “sabedoria de Deus”. Trata-se de duas realidades em permanente choque de interesses e diante das quais temos, tantas vezes, de fazer a nossa opção. Para mim, qual destas duas realidades faz mais sentido? Por qual delas costumo optar? 

2 - O que é a “sabedoria do mundo”? A “sabedoria do mundo” é a atitude de quem, fechado no seu orgulho e autossuficiência, resolve prescindir de Deus e dos seus valores, de quem vive para o “ter”, de quem põe em primeiro lugar o dinheiro, o poder, o êxito, a fama, a ambição, os valores efêmeros. Trata-se de uma “sabedoria” que, em lugar de conduzir o homem à sua plena realização, o torna vazio, frustrado, deprimido, escravo. Pode apresentar-se com as cores sedutoras da felicidade efêmera, com as exigências da filosofia da moda, com a auréola brilhante da intelectualidade, ou com o brilho passageiro dos triunfos humanos; mas nunca dará ao homem uma felicidade duradoura.

3 - O que é a “sabedoria de Deus”? A “sabedoria de Deus” é a atitude daqueles que assumiram e interiorizaram as propostas de Deus e se deixam conduzir por elas. Atentos à vontade e aos desafios de Deus, procuram seguir os seus caminhos; tendo como modelo de vida Jesus Cristo, vivem a sua existência no amor e no serviço aos irmãos; comprometem-se com a construção de um mundo mais fraterno e lutam pela justiça e pela paz. Trata-se de uma “sabedoria” que nem sempre é entendida pelos homens e que, tantas vezes, é considerada um refúgio para os simples, os incapazes, os pouco ambiciosos, os vencidos, aqueles que nunca moldarão o edifício social. Parece, muitas vezes, apenas gerar sofrimento, perseguição, incompreensão, dor, fracasso. No entanto, trata-se de uma “sabedoria” que leva o homem ao encontro da verdadeira felicidade, da verdadeira realização, da vida plena. Quem escolhe a “sabedoria de Deus”, não tem uma vida fácil. Será incompreendido, caluniado, desautorizado, perseguido, torturado… Contudo, o sofrimento não pode desanimar os que escolhem a “sabedoria de Deus”: a perseguição é a consequência natural da sua coerência de vida. Não devemos ficar preocupados quando o mundo nos persegue; devemos ficar preocupados quando somos aplaudidos e adulados por aqueles que escolheram a “sabedoria do mundo”.


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Salmo Responsorial
É O SENHOR QUEM SUSTENTA MINHA VIDA!
Sl 53,3-4.5.6.8 (R. 6b)


É o Senhor quem sustenta minha vida!

3Por vosso nome, salvai-me, Senhor;
e dai-me a vossa justiça!
4Ó meu Deus, atendei minha prece
e escutai as palavras que eu digo!

É o Senhor quem sustenta minha vida!
5Pois contra mim orgulhosos se insurgem,
e violentos perseguem-me a vida:
não há lugar para Deus aos seus olhos.
6Quem me protege e me ampara é meu Deus;
é o Senhor quem sustenta minha vida!

É o Senhor quem sustenta minha vida!

8Quero ofertar-vos o meu sacrifício
de coração e com muita alegria;
quero louvar, ó Senhor, vosso nome,
quero cantar vosso nome que é bom!

É o Senhor quem sustenta minha vida!


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Segunda Leitura
O FRUTO DA JUSTIÇA É SEMEADO NA PAZ,
PARA AQUELES QUE PROMOVEM A PAZ.

Leitura da Carta de São Tiago (3,16-4,3)


Caríssimos:
3,16Onde há inveja e rivalidade,
aí estão as desordens e toda espécie de obras más.
17Por outra parte, a sabedoria que vem do alto
é, antes de tudo, pura,
depois pacífica, modesta, conciliadora,
cheia de misericórdia e de bons frutos,
sem parcialidade e sem fingimento.
18O fruto da justiça é semeado na paz,
para aqueles que promovem a paz.
4,1De onde vêm as guerras?
De onde vêm as brigas entre vós?
Não vêm, justamente, das paixões
que estão em conflito dentro de vós?
2Cobiçais, mas não conseguis ter.
Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito.
Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir.
E a razão está em que não pedis.
3Pedis, sim, mas não recebeis,
porque pedis mal.
Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O Batismo é, para todos os crentes, o momento da opção por Cristo e pela proposta de vida nova que Ele veio apresentar; é o momento em que os crentes escolhem a “sabedoria de Deus” e passam a conduzir a sua vida pelos critérios de Deus. A partir desse momento, a vida dos crentes deve ser expressão da vida de Deus, dos valores de Deus, do amor de Deus. Num mundo que é edificado, tantas vezes, à margem de Deus, os cristãos devem ser os rostos dessa vida nova que Deus quer oferecer ao mundo. Estou consciente desta realidade? Tenho vivido de forma coerente com os compromissos que assumi no dia do meu Batismo? Os valores que conduzem a minha vida são os valores que brotam da “sabedoria de Deus”?

2 - No entanto, muitos batizados continuam conduzindo a sua vida de acordo com a “sabedoria do mundo”. Passam, com indiferença, ao lado dos desafios que Deus propõe, instalam-se no egoísmo e na autossuficiência, vivem para o “ter”, deixam que a sua existência seja dirigida por critérios de ambição e de ganância, recusam-se a fazer da sua vida uma partilha generosa com os irmãos… O autor da Carta de Tiago avisa: cuidado, pois a opção pela “sabedoria do mundo” não é um caminho para a realização plena do homem; só gera infelicidade, desordem, guerras, rivalidades, conflitos, morte. Nós, os cristãos, temos de estar permanentemente num processo de conversão para que a “sabedoria do mundo” não ocupe todo o nosso coração e não nos impeça de atingir a vida plena.

3 - Quando pautamos a nossa vida pela “sabedoria do mundo”, isso tem consequências nas relações que estabelecemos com aqueles que caminham ao nosso lado. A ambição, a inveja, o orgulho, a competição, o egoísmo, criam divisões e destroem a comunidade. As nossas comunidades cristãs dão testemunho da “sabedoria de Deus” ou da “sabedoria do mundo”? As rivalidades, os ciúmes, as críticas destrutivas, a indiferença, as palavras que magoam, as lutas pelo poder, as tentativas de afirmação pessoal à custa do irmão, são compatíveis com a “sabedoria de Deus” que escolhemos no dia do nosso Batismo?

3 - Uma palavra para o tema da oração, abordado no último versículo da segunda leitura… Quando o nosso coração está cheio da “sabedoria do mundo”, a nossa oração não faz sentido; torna-se um monólogo egoísta, uma pedinchice (importunar com pedidos) de coisas que se destinam a satisfazer as nossas “paixões”, as nossas ambições, os nossos interesses pessoais. Antes de falar com Deus, precisamos mudar o nosso coração, equacionar os nossos valores e as nossas prioridades, aprender a ver o mundo e a vida com os olhos de Deus. Só então a nossa oração fará sentido: será um diálogo de amor e de comunhão, através do qual escutamos Deus, percebemos os seus planos, acolhemos essa vida que Ele nos quer oferecer.


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Evangelho
O FILHO DO HOMEM VAI SER ENTREGUE...

SE ALGUÉM QUISER SER O PRIMEIRO,
QUE SEJA AQUELE QUE SERVE A TODOS!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (9,30-37)


Naquele tempo:
30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galiléia.
Ele não queria que ninguém soubesse disso,
31pois estava ensinando a seus discípulos.
E dizia-lhes:
'O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens,
e eles o matarão.
Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará'.
32Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras
e tinham medo de perguntar.
33Eles chegaram a Cafarnaum.
Estando em casa, Jesus perguntou-lhes:
'O que discutíeis pelo caminho?'
34Eles, porém, ficaram calados,
pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior.
35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse:
'Se alguém quiser ser o primeiro,
que seja o último de todos
e aquele que serve a todos!'
36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles,
e abraçando-a disse:
37'Quem acolher em meu nome uma destas crianças,
é a mim que estará acolhendo.
E quem me acolher, está acolhendo, não a mim,
mas àquele que me enviou'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Os anúncios da paixão testemunham que Jesus, desde cedo, teve consciência de que a missão que o Pai Lhe confiara ia passar pela cruz. Por outro lado, a serenidade e a tranquilidade com que Ele falava do seu destino de cruz mostram uma perfeita conformação com a vontade do Pai e a vontade de cumprir à risca os projetos de Deus. A postura de Jesus é a postura de alguém que vive segundo a “sabedoria de Deus”… Ele nunca conduziu a vida ao sabor dos interesses pessoais, nunca pôs em primeiro lugar esquemas de egoísmo ou de autossuficiência, nunca Se deixou tentar por sonhos humanos de poder ou de riqueza… Para Ele, o fator decisivo, o valor supremo, sempre foi a vontade do Pai, o projeto de salvação que o Pai tinha para os homens. Nós, cristãos, um dia aderimos a Jesus e aceitamos percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu. Que valor e que significado tem, para nós, essa vontade de Deus que dia a dia descobrimos nos pequenos acidentes da nossa vida? Temos a mesma disponibilidade de Jesus para viver na fidelidade aos projetos do Pai? O que é que dirige e condiciona o nosso percurso: os nossos interesses pessoais, ou os projetos de Deus?

2 – No Evangelho, os discípulos são o exemplo clássico de quem raciocina segundo a “sabedoria do mundo”. Quando Jesus fala em servir e dar a vida, eles não concordam e fecham-se num silêncio carrancudo; e logo a seguir, discutem uns com os outros por causa da satisfação dos seus apetites de poder e de domínio. Aquilo que os preocupa não é o cumprimento da vontade de Deus, mas a satisfação dos seus interesses próprios, dos seus sonhos pessoais. A atitude dos discípulos mostra a dificuldade que os homens têm em entender e acolher a lógica de Deus. Contudo, a reação de Jesus diante de tudo isto é clara: quem quer seguir Jesus tem de mudar a mentalidade, os esquemas de pensamento, os valores egoístas e abrir o coração à vontade de Deus, às propostas de Deus, aos desafios de Deus. Não é possível fazer parte da comunidade de Jesus, se não estivermos dispostos a realizar este processo.

3 - Devemos repensar a nossa forma de nos situarmos, quer na sociedade, quer dentro da própria comunidade cristã. A instrução de Jesus aos discípulos que o Evangelho deste domingo nos apresenta é uma denúncia dos jogos de poder, das tentativas de domínio sobre os irmãos, dos sonhos de grandeza, das manobras para conquistar honras e privilégios, da busca desenfreada de títulos, da caça às posições de prestígio… Esses comportamentos são ainda mais graves quando acontecem dentro da comunidade cristã: trata-se de comportamentos incompatíveis com o seguimento de Jesus. Nós, seguidores de Jesus, não podemos, de forma alguma, pactuar com a “sabedoria do mundo”; e uma Igreja que se organiza e estrutura tendo em conta os esquemas do mundo não é a Igreja de Jesus.

4 - Na nossa sociedade, os primeiros são os que têm dinheiro, os que têm poder, os que frequentam as festas badaladas nas revistas da sociedade, os que vestem segundo as exigências da moda, os que têm sucesso profissional, os que sabem colar-se aos valores politicamente corretos… E na comunidade cristã? Quem são os primeiros? As palavras de Jesus não deixam qualquer dúvida: “quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos”. Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos. Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados, nem pessoas mais importantes do que as outras, nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social… Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu. A atitude de serviço que Jesus pede aos seus discípulos deve manifestar-se, de forma especial, no acolhimento dos pobres, dos débeis, dos humildes, dos marginalizados, dos sem direitos, daqueles que não nos trazem o reconhecimento público, daqueles que não podem retribuir-nos… Seremos capazes de acolher e de amar os que levam uma vida pouco exemplar, os marginalizados, os estrangeiros, os doentes incuráveis, os idosos, os difíceis, os que ninguém quer e ninguém ama?


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Comentário 
VIVER O QUE JESUS NOS ENSINOU


Os discípulos não se tonaram santos inesperadamente. Na realidade, ninguém na história da Igreja foi um perfeito cristão desde o princípio de seus dias. Ser cristão é ser seguidor de Jesus, e para ser seguidor de Jesus só se aprende seguindo o caminho da vida com Jesus. É um caminho longo, às vezes complicado. Nele há momentos de desfruto e alegria e também momentos difíceis. Mas há algo que deve estar claro desde o princípio: no seguimento de Jesus todos somos irmãos, estamos todos no mesmo nível, todos compartilhamos tudo. O mesmo que Jesus compartilhou todo conosco. Inclusive a seu Pai do céu. Inclusive seu Espírito.    

Ao longo do caminho, Jesus vai ensinando aos discípulos. Como qualquer estudante em qualquer colégio do mundo, os discípulos não o entendem na primeira explicação. Às vezes, nem na segunda. Mas Jesus, o bom mestre, não perde a calma. E repete a explicação. Isso é o que se vê no Evangelho de hoje. Após terem andado juntos todo o caminho juntos - já estão perto do final porque Jesus lhes está anunciando sua morte -, os discípulos discutem entre si quem é o mais importante entre eles. Vê-se que não entenderam nada. Não importa. Jesus com toda paciência repete a explicação: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!”.

Não devemos supor que os discípulos o entendessem completamente. Lembremos que no momento da cruz todos saíram correndo cheios de medo. Mas certamente ocorreram outras repetições. Na carta de São Tiago, vemos que a lição é aprendida e transmitida às gerações seguintes de fiéis. É claro que não significa que a lição aprendida se torne uma realidade na vida das pessoas. Na comunidade de São Tiago, eles possivelmente ouviram a lição mais de uma vez. Eles já "sabiam". Mas na prática, a inveja e rivalidade, discórdia e conflito ainda estavam presentes. São Tiago tem que lembrar mais uma vez uma lição de fraternidade.

Hoje nós seguimos necessitando escutar essa lição de vez em quando. Porque em nossa vida, em nossas famílias, em nossas comunidades, de vez em quando há lampejos de violência, de inveja, há rancores que não nos deixam viver em paz e que amarguram nossa existência, há demasiadas aspirações aos primeiros postos, de sermos importantes. No Evangelho de hoje vemos que Jesus nos repita a lição: “Se alguém quiser ser...”.


 Para a reflexão


Tenho rancores, invejas, conflitos, guardados em meu coração? Que consequências trazem para minha vida pessoal, para minha família, para minha comunidade? Boas ou más? O que aconteceria se seguisse para valer o conselho de Jesus sobre o serviço? Viveria melhor e mais feliz?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf  
Liturgia Diária - CNBB  
Dehonianos  


 

XXIV Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXIV Domingo do Tempo Comum diz-nos que o caminho da realização plena do homem passa pela obediência aos projetos de Deus e pelo dom total da vida aos irmãos. Ao contrário do que o mundo pensa, esse caminho não conduz ao fracasso, mas à vida verdadeira, à realização plena do homem.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar a Palavra da salvação e que, para cumprir essa missão, enfrenta a perseguição, a tortura, a morte. Contudo, o profeta está consciente de que a sua vida não foi um fracasso: quem confia no Senhor e procura viver na fidelidade ao seu projeto, triunfará sobre a perseguição e a morte. Os primeiros cristãos viram neste “servo de Jahwéh” a figura de Jesus.

No Evangelho, Jesus é apresentado como o Messias libertador, enviado ao mundo pelo Pai para oferecer aos homens o caminho da salvação e da vida plena. Cumprindo o plano do Pai, Jesus mostra aos discípulos que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus percorrerá esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.

A segunda leitura lembra aos crentes que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos.


 


Primeira Leitura  
Salmo Responsorial  
Segunda Leitura   
Evangelho  
Comentário  
Fontes de Referência


Primeira Leitura
OFERECI MINHAS COSTAS AOS QUE ME BATIAM.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (50,5-9a)


5O Senhor abriu-me os ouvidos;
não lhe resisti nem voltei atrás.
6Ofereci as costas para me baterem
e as faces para me arrancarem a barba:
não desviei o rosto
de bofetões e cusparadas.
7Mas, o Senhor Deus é meu Auxiliador,
por isso não me deixei abater o ânimo,
conservei o rosto impassível como pedra,
porque sei que não sairei humilhado.
8A meu lado está quem me justifica;
alguém me fará objeções? Vejamos.
Quem é meu adversário? Aproxime-se.
9aSim, o Senhor Deus é meu Auxiliador;
quem é que me vai condenar?
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Não sabemos, efetivamente, quem é este “servo de Jahwéh”; no entanto, os primeiros cristãos vão utilizar este texto como grade para interpretar o mistério de Jesus: Ele foi esse “Servo de Deus” que veio ao mundo para dizer aos homens a Palavra do Pai, que entrou em choque com as forças da opressão e da injustiça, que foi torturado e maltratado porque a sua proposta incomodava os poderosos, que ofereceu a sua vida para trazer a salvação (libertação) aos homens… E a história de Jesus - morto pelos homens, mas que Deus ressuscitou e glorificou - confirma a esperança do “Servo de Jahwéh”: quem confia em Deus e vive na fidelidade às suas propostas, não sairá decepcionado. O exemplo de Jesus mostra que uma vida colocada ao serviço dos projetos de Deus não termina no fracasso, mas na ressurreição que gera vida nova.

2 - Nesta “partilha de vida” que o “Servo de Jahwéh” faz conosco, sobressai a forma absoluta como ele se entrega aos projetos de Deus e a sua total confiança em Deus. Diante do chamamento de Deus, ele não resiste, não discute, “não recua um passo”; mas assume, com total obediência e fidelidade, os desafios que Deus lhe faz, mesmo quando tem de percorrer um caminho de sofrimento e de morte. Para nós que vivemos envolvidos pela cultura da facilidade e do comodismo, para nós que temos medo de arriscar, para nós que preferimos fechar-nos no nosso “cantinho” protegido, arrumado e seguro, o “Servo de Jahwéh” constitui uma poderosa interpelação… É preciso abraçar, com coragem e coerência o projeto que Deus nos confia, mesmo quando esse projeto se cumpre no meio da oposição do mundo; é preciso nos deixar desafiar por Deus e acolher, com generosidade, as propostas que Ele nos faz; é preciso assumir o papel que Deus nos chama a desempenhar e nos empenharmos na transformação do mundo.

3 - O “Servo” sofredor que põe a sua vida, integralmente, ao serviço do projeto de Deus e da salvação dos homens mostra-nos o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Temos a coragem de fazer da nossa vida uma entrega radical ao projeto de Deus e à libertação dos nossos irmãos? O que é que ainda bloqueia a nossa aceitação de uma opção deste tipo? Temos consciência de que, ao escolher este caminho, estamos gerando vida nova, para nós e para todos aqueles com quem cruzamos nos caminhos deste mundo?


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Salmo Responsorial
ANDAREI NA PRESENÇA DE DEUS,
JUNTO A ELE, NA TERRA DOS VIVOS.

Sl 114,1-2.3-4.5-6.8-9 (R. 9) 


Andarei na presença de Deus,
junto a ele, na terra dos vivos.

1Eu amo o Senhor, porque ouve
o grito da minha oração.
2Inclinou para mim seu ouvido,
no dia em que eu o invoquei.
Andarei na presença de Deus,
junto a ele, na terra dos vivos.

3Prendiam-me as cordas da morte,
apertavam-me os laços do abismo;
invadiam-me angústia e tristeza: 
4eu então invoquei o Senhor
'Salvai, ó Senhor, minha vida!'

Andarei na presença de Deus,
junto a ele, na terra dos vivos.

5O Senhor é justiça e bondade,
nosso Deus é amor-compaixão.
6É o Senhor quem defende os humildes:
eu estava oprimido, e salvou-me.

Andarei na presença de Deus,
junto a ele, na terra dos vivos.

8Libertou minha vida da morte, 
enxugou de meus olhos o pranto
e livrou os meus pés do tropeço.
9Andarei na presença de Deus,
junto a ele na terra dos vivos.
Andarei na presença de Deus,
junto a ele, na terra dos vivos.


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Segunda Leitura 
A FÉ SE NÃO SE TRADUZ EM  
OBRAS, POR SI SÓ ESTÁ MORTA. 
Leitura da Carta de São Tiago (2,14-18)


14Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé, 
quando não a põe em prática?
A fé seria então capaz de salvá-lo?
15Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir
e que lhes falta a comida de cada dia;
16se então alguém de vós lhes disser:
'Ide em paz, aquecei-vos',
e: 'Comei à vontade',
sem lhes dar o necessário para o corpo,
que adiantará isso?
17Assim também a fé:
se não se traduz em obras,
por si só está morta.
18Em compensação, alguém poderá dizer:
'Tu tens a fé e eu tenho a prática!
Tu, mostra-me a tua fé sem as obras,
que eu te mostrarei a minha fé pelas obras!
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O que é ser cristão? O nosso compromisso cristão é algo que se vive na teoria, ou do compromisso vital? O que caracteriza um cristão não é o conhecimento de belas fórmulas que expressam uma determinada ideologia, nem o cumprimento exato de ritos vazios e estéreis, nem uma assinatura feita no livro de registros de batismo da paróquia, mas é a adesão a Cristo. Ora, aderir a Cristo (fé), significa conformar, a cada instante, a própria vida com os valores de Cristo, seguir Cristo é caminhar no amor a Deus e na entrega total aos irmãos. Não se pode fugir a isto: a  nossa caminhada cristã não é um processo teórico e abstrato concretizado num reino de belas palavras; mas é um compromisso efetivo com Cristo que tem de se traduzir, a cada instante, em gestos concretos em favor dos irmãos .

2 - Que gestos são esses? São os gestos que Cristo realizou e que o tornaram, aos olhos dos seus concidadãos, um sinal de Deus. Ora, Cristo lutou pela justiça e pela verdade, denunciou tudo o que escravizava o homem e o impedia de ser feliz, foi ao encontro dos marginalizados e manifestou-lhes o amor de Deus, realizou gestos de serviço e de partilha, distribuiu o perdão e a paz, ofereceu a sua própria vida para salvar os seus irmãos. Assim, quem segue a Cristo tem de lutar, objetivamente, contra as estruturas que geram injustiça e opressão; tem de acolher e amar aqueles que a sociedade marginaliza e rejeita; tem de denunciar uma sociedade construída sobre esquemas de egoísmo e de mostrar, com o seu testemunho, que só a partilha e o amor tornam o homem feliz; tem de quebrar a espiral da violência e do ódio e propor a tolerância e o amor…

3 - Por vezes há uma profunda dicotomia, nas nossas comunidades cristãs, entre a fé e a vida. O nosso compromisso religioso traduz-se em liturgias solenes, em procissões suntuosas, na construção de igrejas esplendorosas, em rituais fascinantes… e mais nada. Depois, na vida da comunidade, há desunião, há conflito, há falta de solidariedade, há indiferença para com as necessidades do irmão, há críticas destrutivas, há palavras que ferem e afastam os outros, há gestos de arrogância, há falta de amor… De acordo com os ensinamentos da Carta de Tiago, a nossa religião será verdadeira se não se traduzir em gestos concretos de amor e de fraternidade?


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Evangelho        
TU ÉS O MESSIAS...O FILHO DO HOMEM DEVE SOFRER MUITO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (8,27-35)


Naquele tempo: 
27Jesus partiu com seus discípulos
para os povoados de Cesaréia de Filipe.
No caminho perguntou aos discípulos:
'Quem dizem os homens que eu sou?'
28Eles responderam:
'Alguns dizem que tu és João Batista;
outros que és Elias;
outros, ainda, que és um dos profetas'.

29Então ele perguntou:
'E vós, quem dizeis que eu sou?'
Pedro respondeu:
'Tu és o Messias'.
30Jesus proibiu-lhes severamente
de falar a alguém a seu respeito.
31Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo
que o Filho do Homem devia sofrer muito,
ser rejeitado pelos anciãos,
pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei;
devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias.
32Ele dizia isso abertamente.
Então Pedro tomou Jesus à parte
e começou a repreendê-lo.
33Jesus voltou-se, olhou para os discípulos
e repreendeu a Pedro, dizendo:
'Vai para longe de mim, Satanás!'
Tu não pensas como Deus,
e sim como os homens'.
34Então chamou a multidão com seus discípulos
e disse: 'Se alguém me quer seguir,
renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.
35Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la;
mas quem perder a sua vida por causa de mim
e do Evangelho, vai salvá-la.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Quem é Jesus? O que é que “os homens” dizem de Jesus? Muitos dos nossos conterrâneos enxergam em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros enxergam em Jesus um admirável “mestre” de moral, que tinha uma proposta de vida “interessante”, mas que não conseguiu impor os seus valores; alguns enxergam em Jesus um admirável condutor de massas, que acendeu a esperança nos corações das multidões carentes e órfãs, mas que passou de moda quando as multidões deixaram de se interessar pelo fenômeno; outros, ainda, enxergam em Jesus um revolucionário, ingênuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o “status quo”. Estas visões apresentam Jesus como “um homem” - embora “um homem excepcional”, que marcou a história e deixou uma recordação imorredoura. Jesus foi apenas um “homem” que deixou a sua pegada na história, como tantos outros que a história absorveu e digeriu?

2 - “E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão não significa papaguear lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência… Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para segui-lo… Quem é Cristo para mim? Ele é o Messias libertador, que o Pai enviou ao meu encontro com uma proposta de salvação e de vida plena?

3 – o Evangelho deste domingo coloca a lógica dos homens (Pedro) e a lógica de Deus (Jesus). A lógica dos homens aposta no poder, no domínio, no triunfo, no êxito; garante-nos que a vida só tem sentido se estivermos do lado dos vencedores, se tivermos dinheiro em abundância, se formos reconhecidos e incensados pelas multidões, se tivermos acesso às festas onde se reúne a alta sociedade, se tivermos lugar no conselho de administração da empresa. A lógica de Deus aposta na entrega da vida a Deus e aos irmãos; garante-nos que a vida só faz sentido se assumirmos os valores do Reino e vivermos no amor, na partilha, no serviço, na solidariedade, na humildade, na simplicidade. Na minha vida de cada dia, estas duas perspectivas confrontam-se... Qual é a minha escolha? Na minha perspectiva, qual destas duas propostas apresenta um caminho de felicidade seguro e duradouro?

4 - Jesus tornou-se um de nós para concretizar os planos do Pai e propor aos homens, através do amor, do serviço, do dom da vida, o caminho da salvação, da vida verdadeira. Neste texto, fica claramente expressa a fidelidade radical de Jesus a esse projeto. Por isso, Ele não aceita que nada nem ninguém O afaste do caminho do dom da vida: dar ouvidos à lógica do mundo e esquecer os planos de Deus é, para Jesus, uma tentação diabólica que Ele rejeita duramente. Que significado e que lugar ocupam na minha vida os projetos de Deus? Sou capaz de acolher e de viver com fidelidade e radicalidade as propostas de Deus, mesmo quando elas são exigentes e vão contra os meus interesses e projetos pessoais?

5 – Para sermos verdadeiros cristãos e seguidores de Jesus, podemos nos perguntar:

Quem são os verdadeiros discípulos de Jesus? Muitos de nós receberam uma catequese que insistia em ritos, em fórmulas, em práticas de piedade, em determinadas obrigações legais, mas que deixou para segundo plano o essencial: o seguimento de Jesus. A identidade cristã constrói-se à volta de Jesus e da sua proposta de vida. Que nenhum de nós tenha dúvidas: ser cristão é bem mais do que ser batizado, ter casado na igreja, organizar a festa do santo padroeiro da paróquia, ou dar-se bem com o padre… Ser cristão é, essencialmente, seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. O cristão é aquele que faz de Jesus a referência fundamental à volta da qual constrói toda a sua existência; e é aquele que renuncia a si mesmo e que toma a mesma cruz de Jesus.
O que é “renunciar a si mesmo”? É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a autossuficiência dominem a vida. O seguidor de Jesus não vive fechado no seu cantinho, olhando para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheio as lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.
O que é “tomar a cruz”? É amar até às últimas consequências, até à morte. O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos.


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Comentário
É TEMPO DE NOS DECIDIR POR JESUS. 


Na vida há tempos e momentos que exigem decisões sérias, que depois devem ser assumidas com todas suas consequências. Jesus pôs aos apóstolos ante eles uma dessas decisões, naquele diálogo que teve com eles próximo de Cesaréia de Filipe. Pediu-lhes, nem mais nem menos, que se definissem ante ele. Hoje a pergunta ressoa também para nós. “E vocês, quem dizem que sou eu?” Não é simples a questão. Pedro dá a impressão de que é capaz de responder de bate pronto. Porém, não é difícil se dar conta de que sua resposta não tem muito peso. Na realidade Pedro não tinha entendido nada ou quase nada. Quando Jesus começa a explicar o que significa que ele é o Messias, então Pedro se empenha em tratar de repreendê-lo. Mas Jesus se desentende com Pedro e segue propondo o que vai ser sua vida e a vida de seus seguidores. “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga...”.     

É que o cristão pode ser que encontre resistência nos que lhe rodeiam ou na sociedade. O ambiente pode-lhe fazer mais difícil ser cristão. É verdade. Mas há outra resistência que provem de dentro da pessoa. É a resistência à Palavra de Deus. A ela alude a leitura do profeta Isaías: “O Senhor fez-me ouvir suas palavras e eu não opus resistência.”. O profeta não se opôs, mais nós talvez sim. Talvez tenhamos medo assumir as consequências de seguir a Jesus, de nos comportar como cristãos, em nossa família ou em nossa comunidade, de nos aproximar aos mais fracos e necessitados e compartilhar com eles nosso tempo ou nossos bens, de perdoar generosamente como Deus... Devemos ser fortes para sermos cristão e amar a todos como Deus nos amou em Cristo. Em nossos ouvidos voltam a ressoar as palavras de Jesus: “Se alguém me quer seguir...”.

Porque ser cristão não é questão de soltar um grito em um momento determinado, e dizer “Sim, eu quero seguir a Jesus”, e depois esquecer-se do dito e seguir como se nada mudasse em nossa vida. Ser cristão significa comportar-se como tal não só aos domingos, mais em todos os dias da semana. Não vá ser que se nos apresente o apóstolo São Tiago e nos pergunte (segunda leitura): “que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática?” Pode ser dito mais alto, mas não mais claro. Além disso, sabemos que é verdade. A fé demonstra-se nas obras, na forma de se relacionar com nossos irmãos e irmãs, em nossa capacidade para compartilhar a nossa vida e o que temos, na capacidade de amar sem medida e perdoar generosamente. Decidir-nos por Jesus não só é confessar como Pedro em Cesaréia de Filipe que é o “MESSIAS”. Decidir-nos por Jesus é viver as consequências de ser cristão a cada dia de nossa vida. 


Para a reflexão


O que acreditamos que nos pede Jesus que façamos para lhe seguir? Custa-nos escutar sua Palavra? Comportamo-nos sempre como cristãos? Em que poderíamos melhorar para ser mais coerentes entre nosso ir a missa nos domingos e o que fazemos no resto dos dias?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda  - Fernando Torres, cmf  
Liturgia Diária   
Dehonianos


 

XXIII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXIII Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade do homem, continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar o homem, de modo a fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo.
Na primeira leitura, um profeta da época do exílio na Babilónia garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para libertá-lo e para conduzi-lo à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.
No Evangelho, Jesus, cumprindo o mandato que o Pai Lhe confiou, abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo… No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na autossuficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão. O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem exceção.
A segunda leitura dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-l’O no caminho do amor, da partilha, da doação. Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
OS OUVIDOS DOS SURDOS SE ABRIRÃO E
A BOCA DO MUDO GRITARÁ DE ALEGRIA.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (35,4-7a)


4Dizei às pessoas deprimidas:
'Criai ânimo, não tenhais medo!
Vede, é vosso Deus,
é a vingança que vem, é a recompensa de Deus;
é ele que vem para vos salvar'.
5Então se abrirão os olhos dos cegos
e se descerrarão os ouvidos dos surdos.
6O coxo saltará como um cervo
e se desatará a língua dos mudos,
assim como brotarão águas no deserto
e jorrarão torrentes no ermo.
7aA terra árida se transformará em lago,
e a região sedenta, em fontes d'água.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Para os otimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes descobertas, em que se abre um mundo de possibilidades para o homem; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozônio, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear… Para uns e para outros, é um tempo de desafios, de interpelações, de procura, de risco… Como é que nós nos relacionamos com este mundo? O vemos com os olhos da esperança, ou com os óculos negros do desespero?

2 - Os crentes não podem esquecer que “DEUS ESTÁ AÍ”: a sua intervenção faz com que o deserto se revista de vida e que na planície árida do desespero brote a flor da esperança. Aos cegos, que caminham pela vida e que têm dificuldade em descobrir o rumo e o sentido para a sua existência, Deus irá oferecer a luz que lhes indica o caminho seguro para a realização e para a felicidade; aos surdos, fechados no seu egoísmo e na sua autossuficiência, Deus irá abrir os ouvidos para que escutem os gritos de sofrimento dos pobres e para que se comprometam na transformação do mundo; aos coxos, que não conseguem caminhar livremente e estão presos por cadeias de opressão, de injustiça, de pecado, Deus vai oferecer a liberdade; aos mudos, cuja língua está paralisada pelo medo, pelo comodismo, pela preguiça, pela passividade, Deus vai convocá-los e enviá-los como mensageiros da justiça, do amor e da paz. É com a certeza da presença salvadora e amorosa de Deus e com a convicção de que Ele não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte que somos convidados a caminhar pela vida e a enfrentar a história.

3 - O profeta é o homem que rema contra a maré… Quando todos cruzam os braços e se afundam no desespero, o profeta é capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver, para lá do horizonte do sol poente, um amanhã novo. Ele vai então gritar aos quatro ventos a esperança, fazer com que o desespero se transforme em alegria e que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor. É este testemunho de esperança que procuramos dar?


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Salmo Responsorial
BENDIZE, Ó MINHA ALMA AO SENHOR.
BENDIREI AO SENHOR TODA A VIDA!
Sl 145,7.8-9a.9bc-10 (R.1.2a)         


Bendize, ó minha alma ao Senhor.

Bendirei ao Senhor toda a vida!

O Senhor é fiel para sempre,
7faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos,
é o Senhor quem liberta os cativos.

Bendize, ó minha alma ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

8O Senhor abre os olhos aos cegos
o Senhor faz erguer-se o caído;
o Senhor ama aquele que é justo
9aÉ o Senhor quem protege o estrangeiro.

Bendize, ó minha alma ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

9bcEle ampara a viúva e o órfão
mas confunde os caminhos dos maus.
10O Senhor reinará para sempre!
Ó Sião, o teu Deus reinará
para sempre e por todos os séculos!

Bendize, ó minha alma ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

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Segunda Leitura
NÃO ESCOLHEU DEUS OS POBRES DESTE
MUNDO PARA SEREM HERDEIROS DO REINO?
Leitura da Carta de São Tiago (2,1-5)


1Meus irmãos,
a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado
não deve admitir acepção de pessoas.
2Pois bem, imaginai que na vossa reunião
entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida,
e também um pobre, com sua roupa surrada,
3e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe:
'Vem sentar-te aqui, à vontade',
enquanto dizeis ao pobre:
'Fica aí, de pé', ou então:
'Senta-te aqui no chão, aos meus pés' -
4não fizestes, então, discriminação entre vós?
E não vos tornastes juízes com critérios injustos?
5Meus queridos irmãos, escutai:
não escolheu Deus os pobres deste mundo
para serem ricos na fé
e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O cristão é, alguém que aderiu a Jesus Cristo, que assumiu os valores que Ele veio propor e que procura concretizar, dia a dia, essa proposta de vida que Ele veio fazer. Ora, Jesus Cristo nunca discriminou nem nunca marginalizou ninguém; sentou-se à mesa com os desclassificados, acolheu os doentes, estendeu a mão aos leprosos, chamou um publicano para fazer parte do seu grupo, teve gestos de bondade e de misericórdia para com os pecadores, disse que os pobres eram os filhos queridos de Deus, amou aqueles que a sociedade religiosa do tempo considerava amaldiçoados e condenados… A comunidade cristã é o rosto de Cristo para os homens; por isso, não faz sentido qualquer acepção de pessoas na comunidade cristã. Naturalmente, isto é uma evidência que ninguém contesta… Mas, na prática, todos são acolhidos na nossa comunidade cristã com respeito e amor? Tratamos com a mesma delicadeza e com o mesmo respeito quem é rico e quem é pobre, quem tem uma posição social relevante e quem a não tem, quem tem um título universitário e quem é analfabeto, quem tem um comportamento religiosamente correto e quem tem um estilo de vida que não se coaduna com as nossas perspectivas, quem se dá bem com o padre e quem tem uma atitude crítica diante de certas opções dos responsáveis da comunidade? Não esqueçamos: a comunidade cristã é chamada a testemunhar o amor, a bondade, a misericórdia, a tolerância de Cristo para com todos os irmãos, sem exceção.

2 -  A segunda leitura revela-nos que Deus prefere os pobres, os humildes, os simples. Isto não quer dizer, contudo, que Deus tenha uma opção de classe e que privilegie uns em detrimento de outros… Deus oferece o seu amor, a sua graça e a sua vida a todos; contudo, uns acolhem os seus dons e outros não… O que é decisivo, na perspectiva de Deus, é a disponibilidade para acolher a sua proposta e os seus dons, Ele nos convida a nos despir do orgulho, da autossuficiência, dos preconceitos, para acolher com humildade e simplicidade os dons de Deus.


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Evangelho
AOS SURDOS FAZ OUVIR E AOS MUDOS FALAR.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (7,31-37)


Naquele tempo:
31Jesus saiu de novo da região de Tiro,
passou por Sidônia
e continuou até o mar da Galiléia,
atravessando a região da Decápole.
32Trouxeram então um homem surdo,
que falava com dificuldade,
e pediram que Jesus lhe impusesse a mão.
33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão;
em seguida colocou os dedos nos seus ouvidos,
cuspiu e com a saliva tocou a língua dele.
34Olhando para o céu, suspirou e disse:
'Efatá!', que quer dizer: 'Abre-te!'
35Imediatamente seus ouvidos se abriram,
sua língua se soltou
e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência
que não contassem a ninguém.
Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam.
37Muito impressionados, diziam:
'Ele tem feito bem todas as coisas:
Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O Evangelho deste domingo garante-nos, uma vez mais, que o Deus em quem acreditamos é um Deus comprometido conosco, comprometido em renovar o homem, em transformá-lo, em recriá-lo, em fazê-lo chegar à vida plena do Homem Novo. Este Deus que abre os ouvidos dos surdos e solta a língua dos mudos é um Deus cheio de amor, que não abandona os homens à sua sorte nem os deixa adormecer em esquemas de comodismo e de instalação; mas, a cada instante, vem ao seu encontro, desafiando os homens a irem mais além, para atingirem a plenitude das suas possibilidades e das suas potencialidades. Não esqueçamos esta realidade: na nossa viagem pela vida, não caminhamos sozinhos, arrastando sem objetivo a nossa pequenez, a nossa miséria, a nossa debilidade; mas ao longo de todo o nosso percurso pela história, o nosso Deus vai ao nosso lado, apontando-nos, com amor, os caminhos que nos conduzem à felicidade e à vida verdadeira.

2 - O surdo-mudo, incapaz de escutar a Palavra de Deus, representa esses homens que vivem fechados aos projetos e aos desafios de Deus, ocupados em construir a sua vida de acordo com esquemas de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, que não precisam de Deus nem das suas propostas. O homem do nosso tempo já nem gasta tempo a negar Deus; limita-se a ignorá-l’O, surdo aos seus desafios e às suas indicações. O que é que as propostas de Deus significam para mim? Dou ouvidos aos apelos e desafios de Deus, ou aos valores e propostas que o mundo me apresenta? Quando tenho que fazer opções, o que é que conta: as propostas de Deus ou as propostas do mundo?

3 - Antes de curar o surdo-mudo, Jesus “ergueu os olhos ao céu”. O gesto de Jesus recorda-nos que é preciso manter sempre, no meio da ação, a referência a Deus. É necessário dialogarmos continuamente com Deus para descobrir os seus projetos, para perceber as suas propostas, para ser fiel aos seus planos; é preciso tomar continuamente consciência de que é Deus que age no mundo através dos nossos gestos; é preciso que toda a nossa ação encontre em Deus a sua razão última: se isso não acontecer, rapidamente a nossa ação perde todo o sentido.


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COMENTÁRIO
ANIMO, NÃO TEMAS!


Tinha um homem surdo e gago, falava com dificuldade. Isto é, não tinha comunicação possível. Nem dele para a sociedade nem da sociedade para ele. Por isso, o surdo-mudo não foi até Jesus, mais o levaram-no até Jesus. Na realidade não era mais que uma espécie de uma coisa inútil. Mas Jesus faz o milagre. Cura-lhe, abre-lhe à realidade que lhe circunda. De repente, a comunicação restabelece-se. Aquele homem, que pela falta de comunicação se tinha convertido praticamente em uma coisa, voltava a ser pessoa, membro da sociedade, irmão de seus irmãos. Como não se iam alegrar e admirar os que o viam!

Jesus cumpre assim as expectativas do povo, representadas nas palavras do profeta Isaías na primeira leitura. Nelas está o título desta homilia. São palavras que podemos sentir como dirigidas a cada um de nós por parte de Deus: “ÂNIMO. NÃO TEMAM!” Porque Deus está conosco. Porque o Deus de Jesus é Pai e não quer que nenhum de seus filhos fique convertido em um traste inútil, que se despreza e se deixa de lado. Deus quer seus filhos sentados todos à mesma mesa, ao mesmo nível, compartilhando juntos o pão das alegrias e as penas, dos gozos e as penalidades que implica sempre a vida humana. Deus quer seus filhos vivendo juntos no amor e na esperança. Porque ele é pai e mãe que cuida sempre de seus filhos. E seus filhos, o que não podem fazer é perder a esperança e a confiança em seu Pai. Por isso, não devemos nada temer. Deus vem em pessoa para nos salvar.

Nesta perspectiva, a dos filhos e filhas de um só Pai, entendemos melhor as palavras da carta de são Tiago. Como é possível que na comunidade cristã se faça acepção de pessoas? Como é possível que siga havendo títulos, distinções e privilégios? Como é possível que se siga tendo lutas pelo poder e pelos primeiros postos? Tenhamos muito cuidado para colocar esses problemas apenas nas grandes alturas da Igreja. Isso acontece também nas comunidades paroquiais, nos grupos e movimentos, nas comunidades religiosas. Todos o sabemos por experiência. Por isso, devemos estar muito vigilantes. Não devemos pensar que o que diz Tiago é para outros. Ele fala para a sua comunidade daqueles tempos e o diz também para a nossa comunidade de hoje. A tentação do poder sempre estará presente no coração humano e é uma ameaça forte e permanente para a fraternidade do Reino. Faz exatamente o contrário do que fez Jesus ao curar ao surdo-mudo. Exclui, divide e separa em vez de unir e juntar.


Para a reflexão   


Há lutas pelo poder e os privilégios em minha comunidade? Que fazemos para nos defender dessa tentação? Como se trata aos marginalizados em minha comunidade? Talvez a resposta a esta última pergunta seja a chave para libertar da luta pelo poder.


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FONTES DE REFERÊNCIA

Ciudadredonda  - Fernando Torres, cmf 
Liturgia Diária  
Dehonianos


 

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