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Solenidade da Páscoa da Ressurreição do Senhor
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A Palavra

Solenidade da Páscoa da Ressurreição do Senhor

A liturgia deste domingo de Páscoa celebra a Ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.
A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, Se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida nunca podem ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).
A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).



Primeira Leitura  
Salmo Responsorial

Segunda Leitura
Sequência Pascal
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
COMEMOS E BEBEMOS COM ELE DEPOIS
QUE RESSUSCITOU DOS MORTOS.

Leitura dos Atos dos Apóstolos (10,34a.37-43)


A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a “fazer o bem e a libertar os oprimidos”. Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, a mentira, a injustiça e por fazer triunfar o amor, está ressuscitando; significa que sempre que alguém – na linha de Jesus – se dá aos outros e manifesta em gestos concretos a sua entrega aos irmãos, está ressuscitando. Eu estou ressuscitando, porque caminho pelo mundo fazendo o bem, ou a minha vida é uma submissão ao egoísmo, ao orgulho, ao comodismo?


Naqueles dias:
34aPedro tomou a palavra e disse:
37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João:
38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder.
Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
39E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém.
Eles o mataram, pregando-o numa cruz.
40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se
41não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus,
depois que ressuscitou dos mortos.
42E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos.
43Todos os profetas dão testemunho dele:
'Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'.'
Palavra do Senhor


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Salmo Resposorial 
ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS:
ALEGREMO-NOS E NELE EXULTEMOS!
Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)


Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'
casa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou,
Não morrerei, mas ao contrário, viverei
para cantar as grandes obras do Senhor!
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!
A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!


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Segunda Leitura
ESFORÇAI-VOS POR ALCANÇAR AS COISAS
DO ALTO, ONDE ESTÁ CRISTO.

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (3,1-4)


O Batismo nos introduz em uma dinâmica de comunhão com Cristo ressuscitado. Tenho consciência de que o meu Batismo significou um compromisso com Cristo?


Irmãos:
1Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
2onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.
3Pois vós morrestes,
e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo,
então vós aparecereis também com ele,
revestidos de glória.
Palavra do Senhor

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Sequência Pascal


1. Cantai, cristãos, afinal: “Salve,
ó vítima pascal!” / Cordeiro inocente,
o Cristo abriu-nos do Pai o aprisco.
2. Por toda ovelha imolado, do
mundo lava o pecado. / Duelam
forte e mais forte: é a vida que
vence a morte.
3. O Rei da vida, cativo, foi morto,
mas reina vivo! / Responde, pois,
ó Maria: no caminho o que havia?
4. “Vi Cristo ressuscitado, o túmulo
abandonado, os anjos da cor do
sol, dobrado no chão o lençol”.
5. O Cristo que leva aos céus, Caminha
à frente dos seus! Ressuscitou, de verdade
!Ó Cristo Rei, piedade!


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Evangelho
ELE DEVIA RESSUSCITAR DOS MORTOS.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (20,1-9)


A ressurreição de Jesus prova que a vida plena, a vida total, a libertação plena, a transfiguração total da nossa realidade e das nossas capacidades passam pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Tenho consciência disso? É nessa direção que conduzo a caminhada da minha vida?


1No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.'
3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo.
4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão
7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
9De fato, eles ainda não tinham compreendido a
Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação.

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Comentário
JÁ AMANHECE, EMBORA AINDA ESTEJA ESCURO.


Durante a vigília pascal milhões de cristãos, muitos de nós, permanecemos em vigília porque queríamos ver a luz, assistir ao amanhecer da nova criação. Mas, quem nos avisou que devíamos permanecer em vigília?

Nossa mente e nossos corações voltam-se agradecidos àqueles primeiros discípulos que viveram aquela noite e a anterior sob o peso insuportável da morte do Mestre, sem saber o que aconteceria naquele amanhecer do primeiro dia da semana. Mesmo assim, elas também não podiam dormir, sentiam que deviam permanecer em vigília, ir de madrugada ao sepulcro. Dentre todos eles, se destacam as mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, assinalava ontem à noite o evangelista Lucas; João, hoje, fixa-se só na primeira.

Maria Madalena vai ao sepulcro quando ainda estava escuro, mas já está amanhecendo. O poder da morte parece ainda dominar, mas, na realidade, embora não o percebamos, a Luz da Ressurreição já ilumina a noite. A lâmpada que guia Maria na noite de sua tristeza é o amor: o amor pelo Mestre, que sobrevive à morte. Temos a experiência de que, ao morrer um ser querido, o amor nos impulsiona a estar perto dele, embora esteja morto, como querendo reter sua presença entre nós. Maria, por puro amor, quer estar próxima de Jesus; ela e as outras mulheres querem se ocupar do cadáver de Cristo, sem saber como, pois o sepulcro está fechado hermeticamente.  

A morte é repudio e escuridão, são decomposição e caos. Mas Maria, e depois o discípulo amado e Pedro, encontram o sepulcro vazio, aberto, com luz, e em ordem (as vendas, o sudário dobrado em um local aparte). O primeiro na experiência da Ressurreição não é o aparecimento (de anjos, do mesmo Cristo), senão a ausência: não está o cadáver, e os sinais de morte, escuridão e caos se desvaneceram. E este “ver” a ausência é suficiente para começar a crer.

Desta maneira paradoxal e indireta os evangelhos vão indicando que os sinais do poder da morte, tão poderosa que nem o Filho de Deus pôde a superar, começam a esmaecer.

O fato de que não “vejam” o Senhor Ressuscitado, mais só a ausência de Jesus morto, e os sinais da morte recolhidos e ordenados, nos ilustram o que significa “ver” e “crer”. O primeiro diz que não se trata de relatos fantásticos, criados para surpreender, para suscitar credulidade, e produzir um alarde de imaginação e de recursos narrativos maravilhosos. Ao invés, destacam por sua austeridade e singeleza, quase por sua “normalidade”. Narra-se um desaparecimento.

O segundo elemento, continuamente presente a todos os relatos da Ressurreição, é a dificuldade que tiveram os discípulos para crer na Ressurreição. Não foi coisa de um momento, senão um processo longo e difícil de maturação na fé. Começando pela experiência do sepulcro vazio até “ver” o Senhor, tiveram de fazer todo um caminho. O evangelho de hoje nos diz bem: “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20, 9).

Assim como o processo de seguimento de Jesus, desde o primeiro encontro na Galiléia, momento de entusiasmo (queriam fazer-lhe rei?), mas também de imaturidade, requer ir entendendo que o messianismo de Jesus não é um caminho de rosas, requer ir a Jerusalém; do mesmo modo para “ver” ao ressuscitado deve-se fazer o caminho inverso: de Jerusalém a Galiléia, o local do primeiro amor, a recuperação da inocência depois da experiência terrível da frustração da morte, do fracasso e o abandono: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia, pois é lá que eles me verão” (Jo 20, 17; Mt 28, 10).

Em nosso descrente mundo e em nosso descrente modo de vida a ordem habitual é: ver - saber - crer. Costuma-se dizer: “eu só creio no que vejo”. Embora, precisamente o que se vê com os olhos do corpo não é necessário crer. Essa afirmação significa que, na realidade, não se crê em nada. É um saber dirigido ao domínio, ao poder, que busca garantias, e só desde aí pode ser aberto debilmente ao amor (uma forma verdadeira, mais inferior de amor, dominada pelo desejo, o “amor concupiscente” de que falavam os teólogos medievais). Só se aceita o que está submetido ao controle do próprio poder. Assim, em relação a Jesus, qualquer pode saber certas coisas: “Conhecem o que aconteceu na Judeia...”, diz Pedro, colocar ante os olhos de seus ouvidos informações controláveis que chega até a morte de Cristo. Esse saber de fatos relativos a Jesus é acessível a todos, mas não pressupõe nem o amor nem a fé.

O evangelho de hoje ensina-nos uma lógica completamente diferente. O que está possuído pela lógica do poder não pode a entender, por que aqui são inúteis as demonstrações. Aqui parte-se de um “não saber”: E “diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro?” (Mc 16, 3), “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!” (Jo 20, 2), que ele tinha que ressuscitar dentre os mortos (Jo 20, 9). Mas é um “não saber” que, pese ao desconcerto e a desolação, está iluminado pelo amor, pelo desejo de estar junto ao ser amado. Enquanto um olhar desorientado que permanece aqui cega, é o amor o que habilita para “ver”: nos sinais de morte (o sepulcro vazio, as vendas enroladas, o sudário dobrado), sinais de vida, e, a partir desses indícios, crer. O amor vai para além dos dados, vê em profundidade, é capaz de intuir. E só a partir deste crer guiado pelo amor é possível, agora sim, ver o Senhor Ressuscitado. Mas disto não se fala ainda no evangelho do dia de Páscoa. Hoje se sublinham só as condições (o amor e a fé) desta experiência.

Isto explica a ordem desta forma de “ver”: primeiro Maria Madalena, depois o discípulo “que Jesus amava”, por fim, Pedro, ao qual o discípulo cede o acesso ao sepulcro. A ordem do amor nem sempre coincide com a ordem hierárquica: o amor (e sua sabedoria) é um dom aberto a todos sem distinções, que não depende de cargos nem de títulos. Mas também, e isto é muito importante, o verdadeiro amor, embora corra mais, aceita essa ordem hierárquica como uma exigência sua e, por isso, João cede ante Pedro. E é que a fé e o encontro com o ressuscitado não são assuntos meramente privados e subjetivos, senão que estão vinculados a uma comunidade: a comunidade dos discípulos. Às vezes diz-se que Jesus não queria fundar uma Igreja (é surpreendente o muito que sabem alguns, que sabem até que não queria Jesus). Mas parece irrefutável que Jesus queria a seus discípulos, queria a sua comunidade, queria que se mantivesse unida e, ao mesmo tempo, aberta: porque a comunidade de discípulos é necessariamente uma comunidade de testemunhas.

Não é possível “demonstrar” a Ressurreição de Cristo, porque só pode a aceitar quem está bem disposto. Mas sim é possível testemunhá-la: não há provas, senão testemunhas, esta é a via para transmitir esta Boa Notícia, que não deve permanecer encerrada no círculo dos que fizeram esta experiência. O Ressuscitado mostra-se e aparece não a todos, senão às testemunhas que ele tinha designado: a nós, que comemos e bebemos com ele após sua Ressurreição. Estes são, somos os que amamos a Cristo, os que o buscamos entre os mortos, mas o encontramos vivo: em sua Palavra e em sua Eucaristia, na qual comemos e bebemos com Ele. E, se pelo Batismo e a Eucaristia ressuscitamos com ele, temos que buscar “os bens de lá acima”; e esses bens são os que estão contidos no amor, que guiou nossa busca, tem que guiar toda nossa vida: amar a Cristo, e por ele amar a todos. É nas obras do amor nas que sublinhamos o “vere” do surrexit! Não se trata de um slogan ou de um desejo piedoso. Ante o anúncio do “Ressuscitou!”, nos cristãos gritamos “Ele ressuscitou verdadeiramente” (surrexit vere).

Esse é o modo de mostrar que Cristo vive: no testemunho de uma vida baseada no amor. Os que pretendem somente crer no que veem, não podem aceitar “demonstrações”, mas talvez possam ser movidos pelo depoimento da fé encarnada nas boas obras.

Depois da catequese quaresmal, o tempo de Páscoa é tempo de mistagógica (de aprofundamento): os que receberam o Batismo como uma imersão na morte de Cristo estão iluminados sobre o processo da fé que nos permite ver Jesus. A liturgia, a palavra de Deus, Jesus que caminha conosco e nos acompanha em nossas alegrias e em nossas tristezas, nos vai explicando passo a passo, domingo a domingo, onde podemos o encontrar e “vê-lo”.

Porém hoje convida-nos a meditar sobre a própria fé, talvez morta, ou latente, ou adormecida, ou imatura, em todo caso sempre necessitada de novos impulsos. Desilusões, experiências vitais, incompreensões, puderam debilitar nossa fé, ou levaram-nos a nos afastar (voltar a Emaús), nos afastar de Jerusalém, nos esquecer da Galiléia. Pode ser que pareça que a fé foi uma formosa ilusão da juventude, mas os acontecimentos da vida nos ensinaram que isso que esperávamos tem sido frustrado pelo chato realismo da vida.

A mensagem da Páscoa nos diz: pese os muitos sinais de morte, é possível “compreender as Escrituras” (mas há que as escutar, Jesus as explica), “partir o pão” (devemos o compartilhar ali onde Jesus o parte para nós), “ver” a Jesus e crer nele, que caminha conosco apesar de que nossos olhos ofuscados não sejam capazes de lhe reconhecer. E isso é possível porque Ele está vivo! Maria Madalena, o discípulo amado, Pedro, milhares de gerações de cristãos transmitiram-nos a possibilidade de fazer também nós esta experiência vida.

Não há provas, mas há testemunhas. Você pode ser uns deles.


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Vigília Pascal na Noite Santa

“Jesus jaz na tumba e os apóstolos crêem que tudo terminou. Todo o dia de sábado seu corpo descansa no sepulcro. Porém, sua mãe, Maria, se lembra do que disse seu filho: Ao terceiro dia ressuscitarei. Os Apóstolos vão chegando a seu lado, e Ela lhes consola.”

O Sábado Santo é um dia de luto imenso, de silêncio e de espera vigilante da Ressurreição. A Igreja em particular recorda a dor, a valentia e a esp'erança da Virgem Maria.”

Ela representa a angústia de uma Mãe que tem entre seus braços seu Filho morto, porém não se pode esquecer neste momento, Ela é a única que conserva em seu coração as palavras do ancião Simeão, que bem profetizou que Cristo seria sinal de contradição e uma espada lhe transpassaria a alma, também indicou que Jesus seria sinal de ressurreição.

O que os discípulos tinham esquecido, Maria conservava no coração: a profecia da ressurreição ao terceiro dia. E Maria esperou até o terceiro dia.



Primeira Leitura (Gn 1,1-2,2)
Salmo - Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. 30)
Segunda Leitura (Gn 22,1-18)
Salmo - Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)
Terceira Leitura (Ex 14, 15 15,1)
Salmo - Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 15,1a)
Quarta Leitura (Is 54,5-14)
Salmo - Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)
Quinta Leitura (Is 55,1-11)
Salmo - Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)
Sexta Leitura (Br 3,9-15.32-4,4)
Salmo - Sl 18,8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)
Sétima Leitura (Ez 36,16-17a.18-28)
Salmo - Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2)
Oitava Leitura (Rm 6,3-11)

Evangelho (Lc 24,1-12)
Comentário


Primeira Leitura
DEUS VIU TUDO QUANTO HAVIA FEITO
E EIS QUE TUDO ERA MUITO BOM.
Leitura do Livro do Gênesis (1,1 - 2,2)


1No princípio Deus criou o céu e a terra.
2A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
3Deus disse: 'Faça-se a luz!' E a luz se fez.
4Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.
5E à luz Deus chamou 'dia' e às trevas, 'noite'. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.
6Deus disse: 'Faça-se um firmamento entre as águas, separando umas das outras'.
7E Deus fez o firmamento, e separou as águas que estavam embaixo, das que estavam em cima do firmamento. E assim se fez.
8Ao firmamento Deus chamou 'céu'. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.
9Deus disse: 'Juntem-se as águas que estão debaixo do céu num só lugar e apareça o solo enxuto!' E assim se fez.
10Ao solo enxuto Deus chamou 'terra' e ao ajuntamento das águas, 'mar'. E Deus viu que era bom.
11Deus disse: 'A terra faça brotar vegetação e plantas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, que tenham nele a sua semente sobre a terra'. E assim se fez.
12E a terra produziu vegetação e plantas que trazem semente segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto tendo nele a semente da sua espécie. E Deus viu que era bom.
13Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia.
14Deus disse: 'Façam-se luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite. Que sirvam de sinais para marcar as épocas, os dias e os anos,
15e que resplandeçam no firmamento do céu e iluminem a terra'. E assim se fez.
16Deus fez os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para presidir o dia, e o luzeiro menor para presidir à noite, e as estrelas.
17Deus colocou-os no firmamento do céu para alumiar a terra,
18para presidir ao dia e à noite e separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom.
19E houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.
20Deus disse: 'Fervilhem as águas de seres animados de vida e voem pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento do céu'.
21Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que nadam, em multidão, nas águas, segundo as suas espécies, e todas as aves, segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom.
22E Deus os abençoou, dizendo: 'Sede fecundos e multiplicai-vos e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra'.
23Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia.
24Deus disse: 'Produza a terra seres vivos segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies'. E assim se fez.
25Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos segundo as suas espécies e todos os répteis do solo segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom.
26Deus disse: 'Façamos o homem à nossa imagem e segundo à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra'.
27E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou.
28E Deus os abençoou e lhes disse: 'Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra'.
29E Deus disse: 'Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento.
30E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento'. E assim se fez.
31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom.
Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.
2,1E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército.
2No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera.

Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial 
ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO SENHOR,
E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI.
Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. 30)


Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
De majestade e esplendor vos revestis
e de luz vos envolveis como num manto.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

terra vós firmastes em suas bases,
ficará firme pelos séculos sem fim;
os mares a cobriam como um manto,
e as águas envolviam as montanhas.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Fazeis brotar em meio aos vales as nascentes
que passam serpeando entre as montanhas;
às suas margens vêm morar os passarinhos,
entre os ramos eles erguem o seu canto.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

De vossa casa as montanhas irrigais,
com vossos frutos saciais a terra inteira;
fazeis crescer os verdes pastos para o gado
e as plantas que são úteis para o homem.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras,
e que sabedoria em todas elas!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.


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Segunda Leitura
O SACRIFÍCIO DE NOSSO PAI ABRAÃO.
Leitura do Livro do Gênesis (22,1-18)


Naqueles dias:
1Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: 'Abraão!'
E ele respondeu: 'Aqui estou'.
2E Deus disse: 'Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirije-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um monte que eu te indicar'.
3Abraão levantou-se bem cedo, selou o jumento, tomou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaac.
Depois de ter rachado lenha para o holocausto, pôs-se a caminho, para o lugar que Deus lhe havia ordenado.
4No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar.
5Disse, então, aos seus servos: 'Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos até lá.
Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós'.
6Abraão tomou a lenha para o holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. E os dois continuaram caminhando juntos.
7Isaac disse a Abraão: 'Meu pai'.
- 'Que queres, meu filho?', respondeu ele.
E o menino disse: 'Temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?'
8Abraão respondeu: 'Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho'. E os dois continuaram caminhando juntos.
9Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar.
10Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho.
11E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: 'Abraão! Abraão!'
Ele respondeu: 'Aqui estou!'.
12E o anjo lhe disse: 'Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único'.
13Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho.
14Abraão passou a chamar aquele lugar: 'O Senhor providenciará'. Donde até hoje se diz: 'Sobre o monte o Senhor providenciará'.
15O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu,
16e lhe disse: 'Juro por mim mesmo - oráculo do Senhor -, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único,

17eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos.
18Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste'.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial 
GUARDAI-ME, Ó DEUS, PORQUE EM VÓS ME REFUGIO!
Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)  


Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
pois não haveis de me deixar entregue à morte,
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!


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Terceira Leitura
OS FILHOS DE ISRAEL ENTRARAM
PELO MEIO DO MAR A PÉ ENXUTO.
Leitura do Livro do Êxodo (14, 15 15,1)


Naqueles dias:
15O Senhor disse a Moisés: 'Por que clamas a mim por socorro? Dize aos filhos de Israel que se ponham em marcha.
16Quanto a ti, ergue a vara, estende o braço sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar.
17De minha parte, endurecerei o coração dos egípcios, para que sigam atrás deles, e eu seja glorificado às custas do Faraó, e de todo o seu exército, dos seus carros e cavaleiros.
18E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu for glorificado às custas do Faraó, dos seus carros e cavaleiros'.
19Então, o anjo do Senhor, que caminhava à frente do acampamento dos filhos de Israel, mudou de posição e foi para trás deles; e com ele, ao mesmo tempo, a coluna de nuvem, que estava na frente, colocou-se atrás,
20inserindo-se entre o acampamento dos egípcios e o acampamento dos filhos de Israel. Para aqueles a nuvem era tenebrosa, para estes, iluminava a noite. Assim, durante a noite inteira, uns não puderam aproximar-se dos outros.
21Moisés estendeu a mão sobre o mar, e durante toda a noite o Senhor fez soprar sobre o mar um vento leste muito forte; e as águas se dividiram.
22Então, os filhos de Israel entraram pelo meio do mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam como que uma muralha à direita e à esquerda.
23Os egípcios puseram-se a perseguí-los, e todos os cavalos do Faraó, carros e cavaleiros os seguiram mar adentro.
24Ora, de madrugada, o Senhor lançou um olhar, desde a coluna de fogo e da nuvem, sobre as tropas egípcias e as pôs em pânico.
25Bloqueou as rodas dos seus carros, de modo que só a muito custo podiam avançar. Disseram, então, os egípcios: 'Fujamos de Israel! Pois o Senhor combate a favor deles, contra nós'.
26O Senhor disse a Moisés: 'Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem contra os egípcios, seus carros e cavaleiros'.
27Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar voltou ao seu leito normal, enquanto os egípcios, em fuga, corriam ao encontro das águas, e o Senhor os mergulhou no meio das ondas.
28As águas voltaram e cobriram carros, cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinha entrado no mar em perseguição de Israel. Não escapou um só.
29Os filhos de Israel, ao contrário, tinham passado a pé enxuto pelo meio do mar, cujas águas lhes formavam uma muralha à direita e à esquerda.
30Naquele dia, o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios, e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar,

31e a mão poderosa do Senhor agir contra eles. O povo temeu o Senhor, e teve fé no Senhor e em Moisés, seu servo.
15,1Então, Moisés e os filhos de Israel cantaram ao Senhor este cântico.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
CANTEMOS AO SENHOR QUE FEZ BRILHAR A SUA GLÓRIA!
Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 15,1a)


Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória:
precipitou no Mar Vermelho o Cavalo e o cavaleiro!
O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar,
pois foi ele neste dia para mim libertação!
Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai e o honrarei.

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

O Senhor é um Deus guerreiro;
o seu nome é 'Onipotente'.

Os soldados e os carros do Faraó jogou no mar;
afogou no mar Vermelho a elite das tropas.

 Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

E as ondas os cobriram,
como pedra eles afundaram.
Vossa direita, ó Senhor, é terrível em poder.
Vossa direita, ó Senhor, aniquila o inimigo!

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

Vosso povo levareis e o plantareis em vosso Monte,
no lugar que preparastes para a vossa habitação,
no Santuário construído pelas vossas próprias mãos.
O Senhor há de reinar eternamente, pelos séculos!

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!


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Quarta Leitura
COM MISERICÓRDIA ETERNA, EU O
TEU SENHOR, COMPADECÍ-ME DE TI.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (54,5-14)


5Teu esposo é aquele que te criou, seu nome é Senhor dos exércitos; teu redentor, o Santo de Israel, chama-se Deus de toda a terra.
6O Senhor te chamou, como a mulher abandonada e de alma aflita; como a esposa repudiada na mocidade, falou o teu Deus.
7Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te.
8Num momento de indignação, por um pouco ocultei de ti minha face, mas com misericórdia eterna compadeci-me de ti, diz teu salvador, o Senhor.
9Como fiz nos dias de Noé, a quem jurei nunca mais inundar a terra, assim juro que não me irritarei contra ti nem te farei ameaças.
10Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor.
11Pobrezinha, batida por vendavais, sem nenhum consolo, eis que assentarei tuas pedras sobre rubis, e tuas bases sobre safiras;
12revestirei de jaspe tuas fortificações, e teus portões, de pedras preciosas, e todos os teus muros, de pedra escolhida.
13Todos os teus filhos serão discípulos do Senhor, teus filhos possuirão muita paz;
14terás a justiça por fundamento. Longe da opressão, nada terás a temer; serás livre do terror, porque ele não se aproximará de ti.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial 
EU VOS EXALTO, Ó SENHOR,
PORQUE VÓS ME LIVRASTES!
Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)


Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
Vós tirastes minha alma dos abismos
e me salvastes, quando estava já morrendo!

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
Pois sua ira dura apenas um momento,
mas sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,
de manhã vem saudar-nos a alegria.

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!
Transformastes o meu pranto em uma festa,
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!


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 Quinta Leitura
VINDE A MIM, OUVI E TEREIS VIDA;
FAREI CONVOSCO UM PACTO ETERNO.
Leitura do Livro Profeta Isaías (55,1-11)


Assim diz o Senhor:
1Â vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga.
2Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo.
3Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi.
4Eis que fiz dele uma testemunha para os povos, chefe e mestre para as nações.
5Eis que chamarás uma nação que não conhecias, e acorrerão a ti povos que não te conheciam, por causa do Senhor, teu Deus, e do Santo de Israel, que te glorificou.
6Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto.
7Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão.
8Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor.
9Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra.
10Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação,
11assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
COM ALEGRIA BEBEREIS DO MANANCIAL DA SALVAÇÃO.
Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)


Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo;
o Senhor é minha força, meu louvor e salvação.
Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Com alegria bebereis do manancial da salvação.

e direis naquele dia: 'Dai louvores ao Senhor,
invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas,
dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime

Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos,
publicai em toda a terra suas grandes maravilhas!
Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!'

Com alegria bebereis do manancial da salvação.


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Sexta Leitura
MARCHA PARA O ESPLENDOR DO SENHOR.
Leitura do Livro Profeta Baruc (3,9-15.32-4,4)


9Ouve, Israel, os preceitos da vida; presta atenção, para aprenderes a sabedoria.
10Que se passa, Israel?
Como é que te encontras em terra inimiga?
11Envelheceste num país estrangeiro, te contaminaste com os mortos, foste contado entre os que descem à mansão dos mortos.
12Abandonaste a fonte da sabedoria!
13Se tivesses continuado no caminho de Deus, viverias em paz para sempre.
14Aprende onde está a sabedoria, onde está a fortaleza e onde está a inteligência,
e aprenderás também onde está a longevidade e a vida, onde está o brilho dos olhos e a paz.
15Quem descobriu onde está a sabedoria?
Quem penetrou em seus tesouros?
32Aquele que tudo sabe, conhece-a, descobriu-a com sua inteligência; aquele que criou a terra para sempre e a encheu de animais e quadrúpedes;
33aquele que manda a luz, e ela vai, chama-a de volta, e ela obedece tremendo.
34As estrelas cintilam em seus postos de guarda e alegram-se;
35ele chamou-as, e elas respondem: 'Aqui estamos'; e alumiam com alegria o que as fez.
36Este é o nosso Deus, e nenhum outro pode comparar-se com ele.
37Ele revelou todo o caminho da sabedoria a Jacó, seu servo, e a Israel, seu bem-amado.
38Depois, ela foi vista sobre a terra e habitou entre os homens.
4,1A sabedoria é o livro dos mandamentos de Deus, é a lei, que permanece para sempre. Todos os que a seguem, têm a vida, e os que a abandonam, têm a morte.
2Volta-te, Jacó, e abraça-a; marcha para o esplendor, à sua luz.
3Não dês a outro a tua glória nem cedas a uma nação estranha teus privilégios.
4Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial 
SENHOR, TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA.
Sl 18,8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)


Senhor, tens palavras de vida eterna.
Alei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.
Senhor, tens palavras de vida eterna.


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Sétima Leitura
DERRAMAREI SOBRE VÓS UMA ÁGUA PURA

E DAR-VOS-EI UM CORAÇÃO NOVO.
Leitura da Profecia de Ezequiel (36,16-17a.18-28)


16A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
17a'Filho do homem, os da casa de Israel estavam morando em sua terra.
Mancharam-na com sua conduta e suas más ações.
18Então derramei sobre eles a minha ira, por causa do sangue que derramaram no país
e dos ídolos com os quais o mancharam.
19Eu dispersei-os entre as nações, e eles foram espalhados pelos países.
Julguei-os de acordo com sua conduta e suas más ações.
20Quando eles chegaram às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome; pois deles se comentava:
'Esse é o povo do Senhor; mas tiveram de sair do seu país!`
21Então eu tive pena do meu santo nome que a casa de Israel estava profanando
entre as nações para onde foi.
22Por isso, dize à casa de Israel:
Assim fala o Senhor Deus: Não é por causa de vós que eu vou agir, casa de Israel,
mas por causa do meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes.
23Vou mostrar a santidade do meu grande nome, que profanastes no meio das nações.
As nações saberão que eu sou o Senhor. - oráculo do Senhor Deus -
quando eu manifestar minha santidade à vista delas por meio de vós.
24Eu vos tirarei do meio das nações, vos reunirei de todos os países,
e vos conduzirei para a vossa terra.
25Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados.
Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos.
26Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós.
Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne;
27porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos.
28Habitareis no país que dei a vossos pais.
Sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial 
A MINH'ALMA TEM SEDE DE DEUS.
Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2)           


A minh'alma tem sede de Deus.
A minh'alma tem sede de Deus,
e deseja o Deus vivo.
Quando terei a alegria de ver
a face de Deus?
A minh'alma tem sede de Deus.
Peregrino e feliz caminhando
para a casa de Deus,
entre gritos, louvor e alegria
da multidão jubilosa.
A minh'alma tem sede de Deus.
Enviai vossa luz, vossa verdade:
elas serão o meu guia;
que me levem ao vosso Monte santo,
até a vossa morada!
A minh'alma tem sede de Deus.


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Oitava Leitura
CRISTO RESSUSCITADO DOS MORTOS NÃO MORRE MAIS.
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (6,3-11)


Irmãos:
3Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados?
4Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova.
5Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição.
6Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado.
7Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado.
8Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.
9Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais;a morte já não tem poder sobre ele.
10Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive.
11Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.


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Evangelho
POR QUE ESTAIS PROCURANDO ENTRE
OS MORTOS AQUELE QUE ESTÁ VIVO?
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (24,1-12)


1No primeiro dia da semana, bem de madrugada,
as mulheres foram ao túmulo de Jesus,
levando os perfumes que haviam preparado.
2Elas encontraram a pedra do túmulo removida.
3Mas ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus
4e ficaram sem saber o que estava acontecendo.
Nisso, dois homens com roupas brilhantes
pararam perto delas.
5Tomadas de medo, elas olhavam para o chão,
mas os dois homens disseram:
'Por que estais procurando entre os mortos
aquele que está vivo?
6Ele não está aqui. Ressuscitou!
Lembrai-vos do que ele vos falou,
quando ainda estava na Galiléia:
7'O Filho do Homem deve ser entregue
nas mãos dos pecadores, ser crucificado
e ressuscitar ao terceiro dia'.'
8Então as mulheres se lembraram das palavras de Jesus.
9Voltaram do túmulo
e anunciaram tudo isso aos Onze e a todos os outros.
10Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago.
Também as outras mulheres que estavam com elas
contaram essas coisas aos apóstolos.
11Mas eles acharam que tudo isso era desvairio,
e não acreditaram.
12Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo.
Olhou para dentro e viu apenas os lençóis.
Então voltou para casa,
admirado com o que havia acontecido.
Palavra da Salvação.


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Comentário
A RESSURREIÇÃO DO DESAPARECIDO


A celebração desta noite nos oferece uma perspectiva esplêndida da história. Fala-nos da origem do fogo, da luz, de nosso nascimento na água. Evocam-nos os grandes textos de nossa tradição que relatam a criação, o êxodo, as vozes proféticas que deram senso à história.

Porém, o mais surpreendente acaba se ser proclamada na leitura do evangelho. O texto nos comunicou o fenômeno mais surpreendente na história humana: o desaparecimento total do Corpo morto de Jesus

Em três dias um corpo morto não se dissolve totalmente. A hipótese de um roubo ou profanação da tumba foi desde o princípio descartado. O que aconteceu? 
Testemunhas do desaparecimento misterioso do corpo foram somente mulheres: Maria Madalena, Joana, Maria de Santiago e outras. Todas elas discípulas de Jesus que o haviam seguido desde a Galiléia e tinham chegado até o Calvário e assistido a sua execução, embora de longe. Estas mesmas mulheres queriam ungir o corpo de Jesus, mas quando chegaram de manhã ao sepulcro, o encontraram vazio.

Dois homens com vestidos luminosos - símbolos talvez dos primeiros evangelizadores da Ressurreição, como por exemplo, Paulo em 1 Cor 15, lhes anunciam o desaparecimento e a motivo: o corpo morto tinha sido ressuscitado por Deus; tinha assumido uma forma de vida muito superior a anterior, o Espírito de Deus o converteu em portador de vida eterna; mais real que o real! Mais vital que o vivente!

O corpo não desapareceu. Os olhos humanos já não podem perceber tanta densidade ontológica, uma realidade inimaginável, tão divina. Os sentidos colidem com os seus limites. Ante tanta visibilidade e luz, os sentidos se cegam, ante tanta realidade o tato se torna insensível, ante a voz tão esplendida e transformadora, o ódio se torna absolutamente surdo.

"Não está aqui!" os dois mensageiros nos indicam que somente a quem é concedido superar este nível, poderá reconhecê-lo e senti-lo. As mulheres são convidadas a recordar, como a Mãe de Jesus, as palavras do Senhor quando, vindo da Galiléia para Jerusalém lhes falou de sua morte e ressurreição. As discípulas recordaram e creram! Não buscaram Jesus. Creram Nele como vivente.

Os discípulos masculinos, por outro lado, se sobressaltaram ante o anúncio das mulheres. Eles não acreditaram. Pedro iniciou sua busca particular. Estranhou o que viu no sepulcro, porém o corpo de Jesus não estava lá.

Não deixa de ser uma ironia da vida que aqueles a quem - como dizemos - confiou Jesus seu corpo na “Última Ceia”, seja aos que perderam a perspectiva de sua fé; e aquelas a quem - segundo dissemos - Jesus não confiou seu corpo, sejam as que vão embalsamá-lo e depois as mais preocupadas em encontra-Lo, não têm dificuldade em crer em sua presença real embora invisível.

Esta noite celebramos a ressurreição, mas sem aparições. A Ressurreição do Desaparecido.
O relato de Lucas 
nos confronta com a qualidade de nossa fé e confiança. Cremos de verdade na realidade de Jesus e desconfiamos da capacidade de nossos sentidos para detectá-lo? Estamos convencidos de nossa necessidade de um “suplemento de fé”, dados os limites de nossa percepção sensorial. “Vem a fé por suplemento os sentidos completar” (praestet fides supplementum sensuum defectui).

Se nos é concedido crer na Ressurreição, translademos à região da vida; deixemos nossas tumbas e lamentações; não nos preocupemos tanto com os sepulcros. Todo corpo morto tem data de vencimento. Está ameaçado de vida. Deus Pai e seu Espírito estão vigilantes. A qualquer momento dirão a outros corpos aquelas palavras pascais: “Tu és meu filho, minha filha... eu te gerei hoje!”.

É esta noite o momento principal e fundamental da história. Nela somos convidados a entrar no limiar da Páscoa, onde tudo muda de sentido e a Esperança nos acolhe.


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Celebração da Paixão do Senhor

A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é tão digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto.

A Mãe estava ali, junto à Cruz, como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria contempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho. 



Primeira Leitura   
Salmo Responsorial  
Segunda Leitura 
Evangelho  
Comentário


Primeira Leitura
ELE APRENDEU A SER OBEDIENTE E TORNOU-SE CAUSA
DE SALVAÇÃO PARA TODOS OS QUE LHE OBEDECEM.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (52,13-53,1-12)


Ele foi ferido por causa de nossos pecados


13Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau.
14Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo - tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano -,
15do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos.
Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram.
53,1'Quem de nós deu crédito ao que ouvimos?
E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor?
2Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca.
Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse.
3Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.
4A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
5Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz,
e suas feridas, o preço da nossa cura.
6Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós'.
7Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.
8Foi atormentado pela angústia e foi condenado.
Quem se preocuparia com sua história de origem?
Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer.
9Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal nem se encontrou falsidade em suas palavras.
10O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos.
Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura,
e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.
11Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita.
Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.
12Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte,
sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores.

Palavra do Senhor.


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 Salmo Responsorial 
Ó PAI, EM TUAS MÃOS EU ENTREGO O MEU ESPÍRITO.
Sl 30,2.6.12-13.15-16.17.25 (R.Lc 23,46)


Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Senhor, eu ponho em vós minha esperança;
que eu não fique envergonhado eternamente!
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito,
porque vós me salvareis, ó Deus fiel.
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Tornei-me o opróbrio do inimigo,
o desprezo e zombaria dos vizinhos,
e objeto de pavor para os amigos;
fogem de mim os que me vêem pela rua.
Os corações me esqueceram como um morto,
e tornei-me como um vaso espedaçado.
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,
e afirmo que só vós sois o meu Deus!
Eu entrego em vossas mãos o meu destino;
libertai-me do inimigo e do opressor!
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!
Fortalecei os corações, tende coragem,
todos vós que ao Senhor vos confiais!
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.


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Segunda Leitura
ELE APRENDEU A SER OBEDIENTE E TORNOU-SE CAUSA
DE SALVAÇÃO PARA TODOS OS QUE LHE OBEDECEM.
Leitura da Carta aos Hebreus (4,14-16; 5,7-9)  


Ele aprendeu a ser obediente e tornou-se causa de salvação para todos os que lhe obedecem.


Irmãos:
14Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu,
Jesus, o Filho de Deus.
Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos.
15Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós,
com exceção do pecado.
16Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça,
para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.
5,7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas,
com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte.
E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu.
9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna
para todos os que lhe obedecem.

Palavra do Senhor.


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Evangelho
DISSE PILATOS: EU NÃO ENCONTRO NENHUMA CULPA NELE.
Evangelho de Jesus Cristo segundo João (18,1-19,42)


Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo.


Naquele tempo:
1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron.
Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos.
2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos.
3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas.
4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: 'A quem procurais?'
5Responderam: 'A Jesus, o nazareno'.
Ele disse: 'Sou eu'.
Judas, o traidor, estava junto com eles.
6Quando Jesus disse: 'Sou eu', eles recuaram e caíram por terra.
7De novo lhes perguntou:
'A quem procurais?'
Eles responderam: 'A Jesus, o nazareno'.
8Jesus respondeu: 'Já vos disse que sou eu.
Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem'.
9Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:
'Não perdi nenhum daqueles que me confiaste'.
10Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
O nome do servo era Malco.
11Então Jesus disse a Pedro:
'Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?'

Conduziram Jesus primeiro a Anás.

12Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram.
13Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano.
14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho:
'É preferível que um só morra pelo povo'.
15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus.
Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdotee entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote.
16Pedro ficou fora, perto da porta.
Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro.
17A criada que guardava a porta disse a Pedro:
'Não pertences também tu aos discípulos desse homem?'
Ele respondeu: 'Não'.
18Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam-se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se.
19Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento.
20Jesus lhe respondeu:
'Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas.
21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse.'
22Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo:
'É assim que respondes ao sumo sacerdote?'
23Respondeu-lhe Jesus: 'Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?'
24Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.

Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: 'Não!

25Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se.
Disseram-lhe:
'Não és tu, também, um dos discípulos dele?'
Pedro negou: 'Não!'
26Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: 'Será que não te vi no jardim com ele?'
27Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.

O meu reino não é deste mundo.

28De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador.
Era de manhã cedo.
Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa.
29Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse:
'Que acusação apresentais contra este homem?'
30Eles responderam: 'Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!'
31Pilatos disse: 'Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei.'
Os judeus lhe responderam:
'Nós não podemos condenar ninguém à morte'.
32Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.
33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe:
'Tu és o rei dos judeus?'
34Jesus respondeu:'Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?'
35Pilatos falou: 'Por acaso, sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim.
Que fizeste?'.
36Jesus respondeu: 'O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui.'
37Pilatos disse a Jesus: 'Então tu és rei?'
Jesus respondeu: 'Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.'
38Pilatos disse a Jesus: 'O que é a verdade?'
Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: 'Eu não encontro nenhuma culpa nele.
39Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso.
Quereis que vos solte o rei dos Judeus?'
40Então, começaram a gritar de novo:
'Este não, mas Barrabás!' Barrabás era um bandido.

Viva o rei dos judeus!

19,1Então Pilatos mandou flagelar Jesus.
2Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus.
Vestiram-no com um manto vermelho,
3aproximavam-se dele e diziam:'Viva o rei dos judeus!'
E davam-lhe bofetadas.
4Pilatos saíu de novo e disse aos judeus: 'Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum.'
5Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho.
Pilatos disse-lhes: 'Eis o homem!'
6Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:
'Crucifica-o! Crucifica-o!'
Pilatos respondeu: 'Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum.'
7Os judeus responderam: 'Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus'.
8Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda.
9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: 'De onde és tu?'
Jesus ficou calado.
10Então Pilatos disse: 'Não me respondes?
Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?'
11Jesus respondeu:
'Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto.
Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.'

Fora! Fora! Crucifica-o!

12Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus.
Mas os judeus gritavam:
'Se soltas este homem, não és amigo de César.
Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César'.
13Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado 'Pavimento', em hebraico 'Gábata'.
14Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia.
Pilatos disse aos judeus: 'Eis o vosso rei!'
15Eles, porém, gritavam: 'Fora! Fora! Crucifica-o!'
Pilatos disse: 'Hei de crucificar o vosso rei?'
Os sumos sacerdotes responderam:
'Não temos outro rei senão César'.
16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

Ali o crucificaram, com outros dois.

17Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado 'Calvário',
em hebraico 'Gólgota'.
18Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio.
19Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito:
'Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus'.
20Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade.
O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego.
21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: 'Não escrevas 'O Rei dos Judeus', mas sim o que ele disse: 'Eu sou o Rei dos judeus'.'
22Pilatos respondeu: 'O que escrevi, está escrito'.

Repartiram entre si as minhas vestes.

23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado.
Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo.
24Disseram então entre si: 'Não vamos dividir a túnica.
Tiremos a sorte para ver de quem será'.
Assim se cumpria a Escritura que diz: 'Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica'.
Assim procederam os soldados.

Este é o teu filho. Esta é a tua mãe.

25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmó da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.
26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: 'Mulher, este é o teu filho'.
27Depois disse ao discípulo: 'Esta é a tua mãe'.
Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

Tudo está consumado.

28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: 'Tenho sede'.
29Havia ali uma jarra cheia de vinagre.
Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus.
30Ele tomou o vinagre e disse: 'Tudo está consumado'.
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

E logo saiu sangue e água.

31Era o dia da preparação para a Páscoa.
Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene.
Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz.
32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro
que foram crucificados com Jesus.
33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas;
34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis.
36Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: 'Não quebrarão nenhum dos seus ossos'.
37E outra Escritura ainda diz: 'Olharão para aquele que transpassaram'.

Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho.

38Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus - pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus.
Pilatos consentiu.
Então José veio tirar o corpo de Jesus.
39Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido a Jesus de noite.
Trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés.
40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.
41No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
42Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus. 

Palavra da Salvação.


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Comentário 
MORREU POR TI...


Hoje o Senhor morre por nós. Celebramos o mistério de amor de sua Paixão. Proponho que vocês celebrem este mistério não como espectadores alheios, mais como atores unidos a estas  “Paixões” populares ou procissões de várias localidades e que acompanhem Jesus em silêncio. O melhor modo de contemplar a Paixão é o silêncio ativo. Proponho a vocês alguns caminhos simples os quais ajudaram a contemplar os três tipos de Paixão que vive o Senhor.

Paixão interna. É a dor interna de Jesus, a dor do coração.
Jesus sente angústia, medo, tristeza, solidão, traição, rejeição, abandono. Em sua oração em Getsêmani  contemplamos Jesus exausto que grita as frases mais duras e desesperadas. Vive a oração da desolação, não pode mais, não resiste à solidão, precisa da companhia dos discípulos que estão dormindo. Experimenta a tentação do Maligno, que o tenta com toda sua força. Grita ao Pai: aparta de mim! Acaba obedecendo: não a minha vontade, senão a tua.

Paixão externa. É a terrível dor física.
Bofetadas, cusparadas, espinhas, flagelos, chicotes, quedas, asfixia, a humilhação da desnudes, da exibição em público como um criminoso, a dor fria dos pregos, a lenta agonia na cruz. A execução na morte mais cruel, lenta e dolorosa.

Paixão social.
Cristo segue sofrendo hoje em todos os crucificados da história, nas vítimas da fome, da guerra, da violência, do ódio... Sempre é “sexta-feira santa” em algum local do mundo. Sempre há irmãos e irmãs que estão experimentando paixões internas e/ou externas. É a dor de tantos seres humanos que devemos acompanhar, redimir, denunciar, combater.

O que nos ensina Jesus na Sexta-feira Santa? Ensina-nos a enfrentar a dor sem que ela nos derrote, a carregar a cruz com ele sem que nos vença; porque Jesus, que suportou a dor até o limite, não foi derrotado pelo mal, mais morreu perdoando, sem amaldiçoar, sem desejos de vingança. A dor não acabou com seu amor. Por isso, quando chega a dor na tua vida em forma de paixão interna, externa ou social, devemos olhar para cruz, como fazemos hoje, para pedir ao Senhor que ajude a levar a nossa cruz com dignidade; isto é, que o mal que em nossa vida, não nos derrote. Isto, só pode acontecer com a força da Graça que Jesus nos presenteia hoje na cruz: morreu por nós. Ele sabe acompanhar nossas dores internas e externas porque passou por elas. Nunca estamos só nestes momentos tão trágicos. Ele nós sustenta, nós ajuda a levar nossa cruz, enche nossa dor de amor para fazê-la mais leve.

Apresente a Jesus tuas dores, tuas cruzes e se comprometa a ajudar a outros a carregar suas cruzes para que sejam mais leves. Ele, hoje, faz isso por nós. Contempla em silêncio e acompanha Jesus neste dia, não o deixe só.


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Quinta-feira Santa - "A Ceia do Senhor"

Jesus está ao lado dos discípulos em torno da mesa. Conhece profundamente cada um deles e com eles celebra a Ceia Pascal. Seu gesto profundo de amor e de entrega orienta os discípulos em sua missão e dá ao homem e à mulher uma nova orientação de vida.

Marcados por essa atitude de infinito amor de Cristo pela humanidade, amor que salva e que liberta, só poderemos, como cristãos, também ser sinais vivos desse seu amor. Cabe, pois, a cada um de nós estender nossas mãos para que o outro possa se levantar e caminhar junto.

E assim podemos nesse dia celebrar a Eucaristia e o mandamento do Amor instituídos por Cristo. Ele é continuamente amor-presença no meio de nós.



Primeira Leitura
Salmo
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura 
ESTE DIA SERÁ PARA VÓS UMA
FESTA MEMORÁVEL EM HONRA DO SENHOR.
Leitura do Livro do Êxodo (12,1-8.11-14)


A celebração da primeira Páscoa, a de Moisés, foi a festa familiar de um povo que não queria esquecer a história de sua libertação.


Naqueles dias:
1 O Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito:
2 "Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3 Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: ‘No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa.
4 Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro.
5 O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito:
6 e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde.
7 Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem.
8 Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas.
11 Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘Passagem' do Senhor!
12 E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor.
13 O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito.
14 Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua”.
Palavra do Senhor.


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Salmo Resposorial (115) 


O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
Que poderei retribuir ao Senhor Deus
por tudo aquilo que ele fez em meu favor?
Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o nome santo do Senhor.
O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
É sentida por demais pelo Senhor
a morte de seus santos, seus amigos.
Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,
mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
Por isso oferto um sacrifício de louvor,
invocando o nome santo do Senhor.
Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido.
O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.


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Segunda Leitura 
O QUE EU RECEBI DO SENHOR
FOI ISSO QUE EU VOS TRANSMITI.
Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (11,23-26)


O altar é fonte de vida e de redenção, pois ele é o próprio Cristo que em cada Eucaristia se doa plenamente para nossa redenção.


Irmãos:
23 O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão
24 e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”.
25 Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”.
26 Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.
Palavra do Senhor.


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Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (13,1-15)
VÓS ME CHAMAIS MESTRE E SENHOR,
E DIZEIS BEM, POIS EU O SOU.


No gesto inesquecível do lava-pés, Jesus nos deixa sua herança de amor e de serviço.


1 Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
2 Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus.
3 Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava,
4 levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura.
5 Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.
6 Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?”
7 Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”.
8 Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”.
9 Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.
10 Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”.
11 Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”.
12 Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer?
13 Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou.
14 Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.
15 Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.

Palavra da Salvação.


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Comentário
VIVE A EUCARISTIA QUEM REPRODUZ A VIDA DE JESUS.  


Compartilhar o pão e beber do mesmo cálice eram gestos muito eloqüentes no tempo de Jesus. Através deles se estabelecia uma profunda comunhão com os demais e com a natureza. O pão e o vinho, frutos da terra e do trabalho dos homens, convertem-se em alimento depois de um processo de transformação.

Têm que morrer os grãos de trigo e as uvas para que nasça o pão branco e o vinho vermelho. Quando Jesus entrega a seus discípulos estes dons, está-lhes antecipando seu final e, ao mesmo tempo, está-lhes oferecendo um programa de vida: “Vocês podeis ser alimento para os demais se aceitais ser moídos (como os grãos) ou triturados (como as espigas)”. Isto consiste a Eucaristia. Por isso, como nos recorda a carta aos Coríntios, cada vez que comemos deste pão e bebemos deste cálice proclamamos a morte do Senhor até que ele volte, reproduzimos o sentido de sua vida entregue.

Entendemos isto quando celebramos a Eucaristia? Se o entendêssemos, como podemos perguntar, uma e outra vez, “para que serve a Eucaristia”? Serve para viver! É o símbolo e a fonte da vida. Sem entrar em comunhão com o Cristo que se dá, somos incapazes de deixar-nos triturar no lagar da vida, resistimos a todas as mortes e não encontramos sentido em nada do que fazemos. Sem a Eucaristia, nossa existência se reduz a uma exibição estéril.

Como hoje não estamos muito treinados em decifrar símbolos, o evangelho de João nos oferece uma tradução eucarística apta para todos os públicos.

Vive a Eucaristia quem reproduz a vida de Jesus, que não veio ser servido senão para servir. Por isso, na Quinta-feira Santa, coloca-se ante nossos olhos o ícone do Jesus que lava os pés de seus discípulos. O Senhor se converte em servo e os servos em senhores. A conclusão é clara: Também vocês deveis lavar-vos os pés uns dos outros.

Proponho-vos uma parábola composta por um irmão meu.

Num encontro comunitário, o Abade confessou com singeleza aos monges: Quando eu era adolescente, tinha a ambição de ser o primeiro em tudo: queria ser o mais belo, o mais pronto, o mais alto, o mais rico, o mais jovem, o melhor, o mais sábio.

Cedo descobri que esta ambição me tirava a vida, mas não sabia o que fazer, porque via que não é possível renunciar ao ideal sem trair-se e me parecia que ser o primeiro era, sem dúvida, o ideal.

Demorei muito em compreender que o ideal está em ocupar o último posto, que é o posto do serviço e, pelo mesmo, do amor. Isto deu um sentido novo a minha vida.

Agora caio na conta de que pretender o último posto é demasiado para mim, porque esse lugar se reservou para o Senhor, e Ele não o cede, ainda que o compartilhe com quem o pede. Eu peço, muito consciente de que não o mereço, e me sinto feliz. Agora, vivo!


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Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (Ano C)

A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.



Evangelho - Procissão
Primeira Leitura 

Salmo Responsorial  
Segunda Leitura 
Evangelho 
Comentário


Evangelho - Procissão 
BENDITO E O QUE VEM EM NOME DO SENHOR.

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (19,28-40) 


Naquele tempo:28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém.
29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo:
30'Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado.
Desamarrai-o e trazei-o aqui.
31Se alguém, por acaso, vos perguntar:
'Por que desamarrais o jumentinho?', respondereis assim: 'O Senhor precisa dele'.'
32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito.
33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram:
'Por que estais desamarrando o jumentinho?'
34Eles responderam: 'O Senhor precisa dele.'
35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar.
36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho.
37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria,
começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 
38Todos gritavam: 'Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!
Paz no céu e glória nas alturas!'
39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus:
'Mestre, repreende teus discípulos!'
40Jesus, porém, respondeu: 'Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão.'
Palavra do Senhor


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Primeira Leitura 
NÃO DESVIEI MEU ROSTO DAS BOFETADAS E
CUSPARADAS; SEI QUE NÃO SEREI HUMILHADO.
Leitura do Profeta Isaías  (Is 50, 4-7)


Jesus, o “servo” sofredor que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido.


4O Senhor Deus deu-me língua adestrada,
para que eu saiba dizer
palavras de conforto à pessoa abatida;
ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido,
para prestar atenção como um discípulo.
5O Senhor abriu-me os ouvidos;
não lhe resisti nem voltei atrás.
6Ofereci as costas para me baterem e
as faces para me arrancarem a barba;
não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.
7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador,
por isso não me deixei abater o ânimo,
conservei o rosto impassível como pedra,
porque sei que não sairei humilhado.

Palavra do Senhor


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Salmo Responsorial 
MEU DEUS, MEU DEUS, POR QUE ME ABANDONASTES?

Sl 21,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a)


Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Riem de mim todos aqueles que me vêem,
torcem os lábios e sacodem a cabeça:
Ao Senhor se confiou, ele o liberte
e agora o salve, se é verdade que ele o ama!'
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Cães numerosos me rodeiam furiosos,
e por um bando de malvados fui cercado.
Transpassaram minhas mãos e os meus pés
e eu posso contar todos os meus ossos.
Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Eles repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam entre si a minha túnica.
Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe,
ó minha força, vinde logo em meu socorro!
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Anunciarei o vosso nome a meus irmãos
e no meio da assembleia hei de louvar-vos!
Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores,
glorificai-o, descendentes de Jacó,
e respeitai-o toda a raça de Israel!
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?


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Segunda Leitura 
HUMILHOU-SE A SI MESMO; POR ISSO, 
DEUS O EXALTOU ACIMA DE TUDO. 

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fi 2,6-11)


Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados em muitos dos nossos ambientes contemporâneos. De acordo com os critérios que presidem ao nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossuficiência e fazem por serem os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. 


6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação,
7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano, 
8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.
9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra,
11e toda lingua proclame : 'Jesus Cristo é o Senhor', para a glória de Deus Pai.

Palavra do Senhor


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Evangelho 
DESEJEI ARDENTEMENTE COMER CONVOSCO
ESTA CEIA PASCAL, ANTES DE SOFRER.

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Luca (22,14-23,56)


14Quando chegou a hora, Jesus pôs-se à mesa com os apóstolos
15e disse: 'Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer.
16Pois eu vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus'.
17Então Jesus tomou um cálice, deu graças e disse: 'Tomai este cálice e reparti entre vós;
18pois eu vos digo que, de agora em diante, não mais bebereis do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus'. Fazei isto em memória de mim.
19A seguir, Jesus tomou um pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim'.
20Depois da ceia, Jesus fez o mesmo com o cálice, dizendo:
'Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós'.
Mas ai daquele por meio de quem o Filho do Homem é entregue.
21'Todavia, a mão de quem me vai entregar está comigo, nesta mesa.
22Sim, o Filho do Homem vai morrer, como está determinado. Mas ai daquele homem por meio de quem ele é entregue.'
23Então os apóstolos começaram a perguntar uns aos outros qual deles haveria de fazer tal coisa.
Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve.
24Houve também uma discussão entre eles sobre qual deles deveria ser considerado o maior.
25Jesus, porém, lhes disse: 'Os reis das nações dominam sobre elas,  e os que têm poder se fazem chamar benfeitores.
26Entre vós, não deve ser assim. Pelo contrário, o maior entre vós seja como o mais novo,
e o que manda, como quem está servindo.
27Afinal, quem é o maior: quem está sentado à mesa, ou quem está servindo?
Não é quem está sentado à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve.
28Vós ficastes comigo em minhas provações.
29Por isso, assim como o meu Pai me confiou o Reino, eu também vos confio o Reino.
30Vós havereis de comer e beber à minha mesa no meu  Reino, e sentar-vos em tronos
para julgar as doze tribos de Israel.
Tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.
31Simão, Simão! Olha que Satanás pediu permissóo para vos peneirar como trigo.
32Eu, porém, rezei por ti, para que tua fé não se apague.
E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.'
33Mas Simão disse: 'Senhor, eu estou pronto para ir contigo até mesmo à prisão e à morte!'
34Jesus, porém, respondeu: 'Pedro, eu te digo que hoje, antes que o galo cante,
três vezes tu negarás que me conheces.'  É preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura.
35E Jesus lhes perguntou: 'Quando vos enviei sem bolsa, sem sacola, sem sandálias, faltou-vos alguma coisa?'
Eles responderam: 'Nada.'
36Jesus continuou: 'Agora, porém, quem tiver bolsa, deve pegá-la; do mesmo modo, quem tiver uma sacola; e quem não tiver espada, venda o manto para comprar uma.
37Porque eu vos digo: É preciso que se cumpra em mim a palavra da Escritura:
`Ele foi contado entre os malfeitores'.  Pois o que foi dito a meu respeito tem de se realizar.'
38Mas eles disseram: 'Senhor, aqui estão duas espadas.'  Jesus respondeu: 'Basta.'
Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência.
39Jesus saiu e, como de costume, foi para o monte das Oliveiras.
Os discípulos o acompanharam.
40Chegando ao lugar, Jesus lhes disse: 'Orai para não entrardes em tentação.'
41Então afastou-se a uma certa distância e, de joelhos, começou a rezar:
42'Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua!'
43Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava.
44Tomado de angústia, Jesus rezava com mais insistência.
Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão.
45Levantando-se da oração, Jesus foi para junto dos discípulos e encontrou-os dormindo, de tanta tristeza.
46E perguntou-lhes: 'Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai para não entrardes em tentação.'
udas, com um beijo tu entregas o Filho do Homem?
47Jesus ainda falava, quando chegou uma multidão. Na frente, vinha um dos Doze, chamado Judas, que se aproximou de Jesus para beijá-lo.
48Jesus lhe disse: 'Judas, com um beijo tu entregas o Filho do Homem?'
49Vendo o que ia acontecer, os que estavam com Jesus disseram:
'Senhor, vamos atacá-los com a espada?'
50E um deles feriu o empregado do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
51Jesus, porém, ordenou: 'Deixai, basta!' E tocando a orelha do homem, o curou.
52Depois Jesus disse aos sumos sacerdotes, aos chefes dos guardas do templo e aos ancióos,
que tinham vindo prendê-lo: 'Vós saístes com espadas e paus, como se eu fosse um ladrão?
53Todos os dias eu estava convosco no templo, e nunca levantastes a mão contra mim.
Mas esta é a vossa hora, a hora do poder das trevas.'
Pedro saiu para fora e chorou amargamente.
54Eles prenderam Jesus e o levaram, conduzindo-o à casa do Sumo Sacerdote.
Pedro acompanhava de longe.
55Eles acenderam uma fogueira no meio do pátio e sentaram-se ao redor.
Pedro sentou-se no meio deles.
56Ora, uma criada viu Pedro sentado perto do fogo encarou-o bem e disse:
'Este aqui também estava com ele!'
57Mas Pedro negou: 'Mulher, eu nem o conheço!'
58Pouco depois, um outro viu Pedro e disse: 'Tu também és um deles.'
Mas Pedro respondeu: 'Homem, não sou .'
59Passou mais ou menos uma hora, e um outro insistia:
'Certamente, este aqui também estava com ele, porque é galileu!'
Mas Pedro respondeu:
60'Homem, não sei o que estás dizendo!' Nesse momento, enquanto Pedro ainda falava, um galo cantou.
61Então o Senhor se voltou e olhou para Pedro.
E Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe tinha dito:
'Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás.'
62Então Pedro saiu para fora e chorou amargamente Profetiza quem foi que te bateu?
63Os guardas caçoavam de Jesus e espancavam-no;
64cobriam o seu rosto e lhe diziam: 'Profetiza quem foi que te bateu?'
65E o insultavam de muitos outros modos. Levaram Jesus ao tribunal deles 
66Ao amanhecer, os anciãos do povo, os sumos sacerdotes e os mestres da Lei
reuniram-se em conselho  e levaram Jesus ao tribunal deles.
67E diziam: 'Se és o Cristo, dize-nos!' Jesus respondeu:
'Se eu vos disser, não me acreditareis, 68e, se eu vos fizer perguntas, não me respondereis.
69Mas, de agora em diante, o Filho do Homem estará sentado à direita do Deus Poderoso.'
70Então todos perguntaram:
'Tu és, portanto, o Filho de Deus?'
Jesus respondeu: 'Vós mesmos estais dizendo que eu sou!'
71Eles disseram: 'Será que ainda precisamos de testemunhas?
Nós mesmos o ouvimos de sua própria boca!'
23,1Em seguida, toda a multidóo se levantou e levou Jesus a Pilatos. Não encontro neste homem nenhum crime.
2Começaram então a acusá-lo, dizendo: 'Achamos este homem  fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei.'
3Pilatos o interrogou: 'Tu és o rei dos judeus?' Jesus respondeu, declarando: 'Tu o dizes!'
4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão: 'Não encontro neste homem nenhum crime.'
5Eles, porém, insistiam: 'Ele agita o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui. '
6Quando ouviu isto, Pilatos perguntou:
'Este homem é galileu?'
7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes,
Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus,
pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito  esperava vê-lo fazer algum milagre.
9Ele interrogou-o com muitas perguntas.
Jesus, porém, nada lhe respondeu.
10Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência.
11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos.
12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.
Pilatos entregou Jesus à vontade deles.
13Entóo Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse:
14'Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo.
Pois bem! Já o interroguei diante de vós e nóo encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais;
15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte.
16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei.
18Toda a multidão começou a gritar:
'Fora com ele! Solta-nos Barrabás!'
19Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio.
20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus.
21Mas eles gritavam: 'Crucifica-o! Crucifica-o!'
22E Pilatos falou pela terceira vez: 'Que mal fez este homem? 
Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte.
Portanto, vou castigá-lo e o soltarei.'
23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado.
E a gritaria deles aumentava sempre mais.
24Então Pilatos decidiu  que fosse feito o que eles pediam.
25Soltou o homem que eles queriam - aquele que fora preso por revolta e homicídio -
e entregou Jesus à vontade deles.
Filhas de Jerusalém, não choreis por mim!
26Enquanto levavam Jesus,  pegaram um certo Simão, de Cirene,
que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus.
27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele.
28Jesus, porém, voltou-se e disse:
'Filhas de Jerusalém, nóo choreis por mim!
Chorai por vós mesmas e por vossos filhos!
29Porque dias virão em que se dirá:
'Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz
e os seios que nunca amamentaram'.
30Entóo começarão a pedir às montanhas: 'Caí sobre nós! e às colinas: 'Escondei-nos!'
31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?'
32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus.
Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!
33Quando chegaram ao lugar chamado 'Calvário', ali crucificaram Jesus e os malfeitores:
um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia: 'Pai, perdoa-lhes!
Eles não sabem o que fazem!' Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus.
Este é o Rei dos Judeus.
35O povo permanecia lá, olhando.
E até os chefes zombavam, dizendo:
'A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!'
36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre,
37e diziam: 'Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!'
38Acima dele havia um letreiro: 'Este é o Rei dos Judeus.' Hoje estarás comigo no Paraíso.
39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo:
'Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!' 40Mas o outro o repreendeu, dizendo:
'Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação?
41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos;
mas ele não fez nada de mal. 
42E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado.'
43Jesus lhe respondeu: 'Em verdade eu te digo:ainda hoje estarás comigo no Paraíso.'
Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. 44Já era mais ou menos meio-dia  e uma escuridão cobriu toda a terra até às três horas da tarde,
45pois o sol parou de brilhar.
A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito:
'Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.' Dizendo isso, expirou.
Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
47O oficial do exército romano viu o que acontecera glorificou a Deus dizendo:
'De fato! Este homem era justo!'
48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido,
e voltaram para casa, batendo no peito.
49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galiléia,
ficaram à distância, olhando essas coisas. José colocou o corpo de Jesus num túmulo escavado na rocha.
50Havia um homem bom e justo, chamado José, membro do Conselho,
51o qual não tinha aprovado a decisão nem a ação dos outros membros.
Ele era de Arimatéia, uma cidade da Judéia, e esperava a vinda do Reino de Deus.
52José foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 
53Desceu o corpo da cruz, enrolou-o num lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha,
onde ninguém ainda tinha sido sepultado.
54Era o dia da preparação da Páscoa, e o sábado já estava começando.
55As mulheres, que tinham vindo da Galiléia com Jesus, foram com José, para ver o túmulo
e como o corpo de Jesus ali fora colocado.
56Depois voltaram para casa e prepararam perfumes e bálsamos.
E, no sábado, elas descansaram,  conforme ordenava a Lei.

Palavra da Salvação.


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Comentário 
AS TREVAS E A LUZ 


No pórtico da Páscoa a liturgia põe ante nossos olhos dois quadros contrapostos, quase contraditórios. Por um lado a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que dá nome à solenidade de hoje, “domingo de Ramos”; pelo outro, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. O faz para nos lembrar de que o triunfo de Jesus não é um triunfo segundo os critérios humanos. Ao contrario, trata-se do ingresso triunfal que precede ao que, segundo esses critérios, é uma completa derrota. Tratou, talvez, só de um formoso sonho, outro mais, corrompido pela crueldade da história? A liturgia está-nos dizendo também que esta morte ignominiosa é o prelúdio de uma vitória que supera toda medida. Por isso, faz sentido a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, na qual é aclamado e confessado por seus discípulos como o verdadeiro Rei dos tempos messiânicos, o Messias enviado por Deus, ao mesmo tempo em que, à luz da leitura da Paixão, nos revela, antecipando a Sexta-feira da Paixão, o sentido do messianismo e a realeza de Cristo.

Os dois textos que a cada ano emolduram a leitura dramatizada da Paixão (neste ano, ciclo C, segundo são Lucas) nos ajudam também a descobrir o sentido dos acontecimentos que vamos contemplar. Por mais que muitos dos discípulos que acompanhavam a Jesus a Jerusalém, se não todos, esperavam outro desfecho dessa entrada, o que aconteceu depois estava antecipado pelos textos proféticos. Como dizer ao abatido uma palavra de esperança, se não participando realmente desse abatimento? Se Jesus triunfasse humanamente, se tivesse se convertido em um líder, dos que prometem o paraíso na terra aos pobres e marginalizados, aos doentes e aos que sofrem, mas que não conhecem na primeira pessoa essas situações, senão que, em nome de sua importante missão, vive afastado delas e, de passagem, leva uma boa vida... Não, Jesus é um Rei e Messias que toma sobre si o abatimento e o sofrimento humano, e se faz companheiro na caminhada de todos os que sofrem (e quem não sofre de um modo ou outro?), para que sintam a ajuda de Deus, para que saibam que não ficarão sós. Também Paulo nos ajuda a entender esta derrota que se converte em vitória: Jesus é o Cristo que renunciou voluntariamente a sua glória para compartilhar toda nossa condição humana. Assim, aquilo que Adão (o homem) quis arrebatar de Deus para ocupar seu posto, a isso renunciou Cristo para compartilhar com o homem. Só à luz desta extrema liberdade e generosidade podemos entender o que aos olhos humanos é uma tragédia, só sim podemos não só contemplar, senão também entrar e participar na Paixão de Cristo Jesus, Senhor nosso.

Cada um deve fazer seu este caminho cheio de sugestões e matizes. No que segue, sem pretender ser exaustivos, nos limitamos a fazer alguns sublinhados.

Instituição da Eucaristia.
Lucas abre o relato da Paixão com a instituição da Eucaristia. É um chamado a tomar consciência do que significa participar no sacramento eucarístico. Não é “cumprir um rito litúrgico”, “ir à missa” ou como possa ser chamado. É entrar em comunhão vital com a Paixão de Cristo, receber seus frutos para podermos nos entregar como Ele o fez por nós. Isto nos pede abandonar os interesses bastardos, a escolha aberta do mal em benefício próprio (como Judas), mas também a escolha do bem por mero interesse subjetivo (como os outros discípulos, que discutem sobre quem é o primeiro. Um modo bem concreto e realista de participar na Paixão de Cristo é viver em atitude de serviço: como Cristo, se fazer livremente escravo dos demais.

O papel de Pedro.
Pedro aparece duas vezes neste relato da paixão, durante a última Ceia e durante o processo contra Jesus. Destaca a debilidade do homem encarregado por Cristo para sustentar a seus irmãos. Como pode os sustentar quem, cheio de temor, negou ao Mestre? Vemos aqui o grande mistério do Deus que confia nos homens, que não perde neles a esperança, que põe em suas débeis mãos o destino da grande obra da salvação. Se Deus confia assim em nós, não devemos nós confiar em Deus? Não teremos que confiar naqueles aos quais Deus confiou o ministério de pastorear? Não é uma confiança cega, senão iluminada por essa oração de Jesus pelo débil Pedro para que sua fé (e a de todos nós) não se apague. As lágrimas amargas de arrependimento e o fato de que Pedro realmente acabou dando sua vida em testemunho da fé nos falam da eficácia da oração de Cristo, da força de seu olhar.

A oração em Getsêmani

Jesus, homem de oração, ora também no momento supremo da prova. E dá-nos uma grande lição sobre como temos de orar quando a desgraça espreita. Podemos e devemos orar para que Deus nos livre da doença e da morte, e de todo mal. Mas, como Jesus antes da Paixão, nossa oração deve estar carregada da entrega confiada à vontade de Deus: “Pai, se quer, aparta de mim esse cálice; mas que não se faça minha vontade, senão a tua”. Aparentemente, Deus não escutou na oração de Jesus, não lhe poupou o amargo cálice da morte. Mas, nossa fé nos diz que Deus nos escuta sempre, que nenhuma oração cai por água abaixo, embora às vezes pareça. Na realidade, sua resposta supera toda medida, toda esperança humana. No caso de Jesus, a resposta do Pai está na Ressurreição. A nós corresponde vivermos vigiando, orando continuamente para não cair em tentação.

Vencer o mal com o bem.

Embora Jesus avise-nos de que temos de nos preparar para enfrentar lutas e contradições, nos exorta também a nos armar só com as armas da justiça e do bem. No momento do aprisionamento, “a hora do poder das trevas” (expressa no cinismo do beijo de Judas), Jesus proíbe a violência e, inclusive, faz o bem a quem o prende, curando ao que foi ferido pela espada. Jesus tem o poder de curar àqueles que foram feridos pelo medo, a ira, a debilidade ou o pecado de seus próprios discípulos. Daí a grande importância para nós de não defender a Jesus “por nossa conta”, com um ciúme mal entendido, precisamente caindo na tentação (do poder ou a violência), senão de reproduzir em nós os mesmos sentimentos de Cristo, conforme o texto da Carta de São Paulo aos Filipenses 2, 5: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus”.

O testemunho da verdade no meio da humilhação

O processo contra Jesus é uma sucessão de humilhações, mentiras, conluios e atos covardes. Neste quadro descobrimos descarnadamente o deboche ante o mais sagrado. Algo que se repete diariamente no mundo de múltiplas formas: o homem atreve-se a encarar-se com Deus, a desafiá-lo, a rir dele: de sua autoridade profética, de seu poder para realizar milagres como sinais de salvação, de seu caráter régio. Quantas vezes Deus é escarnecido, desafiado, negado diretamente, seja porque se faz da religião objeto de deboche; seja porque homens ditos religiosos apresentam uma imagem monstruosa de um deus cruel inimigo dos homens; seja porque, atenta-se impunemente contra o grande sacramento de Deus na terra que é sua imagem viva, a dignidade de cada ser humano. Neste contexto de humilhação se destaca precisamente a dignidade deste homem, perfeita imagem de Deus (conforme Colossenses 1, 15: Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação.), que confessa sem arranjos nem compromissos a verdade perigosa que sabe que lhe atrairá a condenação: testemunha sua filiação divina ante os sumos sacerdotes, sua realeza ante Pilatos, cala quando o repudio a verdade é completada, como em Herodes, por fim, encarna a verdade que testemunha na palavra de perdão inclusive para seus verdugos, desculpando sua ignorância e alimentando assim a esperança de salvação para além do imaginável e da estrita justiça. Só olhando a Cristo descobrimos o autêntico rosto de Deus, e a verdade do homem como imagem sua.

Luzes que iluminam a escuridão.

No meio da hora do poder das trevas é Jesus a luz que ilumina a escuridão, como anunciado na noite de Natal (conforme Is 9, 2: “Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos”). Mas junto a Ele descobrimos muitos outros pontos de luz, luzes que nos ajudam a fazer este caminho, esta via dolorosa que conduz ao Calvário: Simão de Cirene, ao qual impuseram a cruz para carregá-la atrás de Jesus; as santas mulheres de Jerusalém, que choram com compaixão pela lenha verde arrancada da raiz; o bom ladrão, que nos diz que até o último momento há esperança de conversão, para estar “hoje” com Cristo em seu reino; o centurião romano, pagão e o primeiro em confessar a este estranho Deus e Messias crucificado; também a multidão que, nos diz Lucas, foi ver um espetáculo, voltou dando golpes no peito, um detalhe que nos diz que a fé não é coisa de um seleto grupo de eleitos; José de Arimatéia, que ao pedir o corpo de um condenado à cruz está confessando sua fé neste homem derrotado e morto; por fim, as mulheres que o acompanharam desde a Galileia, cuja fé e esperança atravessam o muro da morte, a grande pedra do sepulcro, e querem vigiar junto a ele.

Tudo isto nos fala de que neste mundo terrível e cheio de sofrimento, há também muito bem, muitas luzes que se alimentam do fogo e da Luz de Cristo. Todo o relato da Paixão nos está chamando a vencer nossos medos e nossas indiferenças, a nos aproximar sem temor a este Messias derrotado, a tomar partido, a nos converter também nós em luzes que iluminam a paixão de Cristo, a paixão de Deus a favor do homem, e que alimentam assim a esperança da humanidade.


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