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A Palavra

II Domingo do Advento - Ciclo B

A liturgia do segundo domingo de Advento constitui um veemente apelo ao reencontro do homem com Deus, à conversão. Por sua parte, Deus está sempre disposto a oferecer ao homem um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz; mas esse mundo só se tornará uma realidade quando o homem aceitar reformar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.
Na primeira leitura, um profeta anónimo da época do exílio garante aos exilados a fidelidade de Jahwéh e a sua vontade de conduzir o Povo, através de um caminho fácil e direito, em direção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que deixassem seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de autossuficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus.

No Evangelho, João Batista convida os seus contemporâneos a acolher o Messias libertador. A missão do Messias, diz João, será oferecer a todos os homens esse Espírito de Deus que gera vida nova e permite ao homem viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, de transformação, de mudança de vida e de mentalidade.
A segunda leitura aponta para a parúsia, a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância, isto é, a vivermos dia a dia de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. Se os crentes pautarem a sua vida por esta dinâmica de contínua conversão, encontrarão no final da sua caminhada terrena “os novos céus e a nova terra onde habita a justiça”.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías (40,1-5.9-11)


1Consolai o meu povo, consolai-o! - diz o vosso Deus -.
2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida;
ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados.
3Grita uma voz:
'Preparai no deserto o caminho do Senhor,
aplainai na solidão a estrada de nosso Deus.
4Nivelem-se todos os vales,
rebaixem-se todos os montes e colinas;
endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas:
5a glória do Senhor então se manifestará,
e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou'.
9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa nova a Sião;
levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa nova a Jerusalém,
ergue a voz, não temas;
dize às cidades de Judá: 'Eis o vosso Deus,
10eis que o Senhor Deus vem com poder,
seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, 
eis à sua frente a vitória.
11Como um pastor, ele apascenta o rebanho,
reúne, com a força dos braços, os cordeiros
e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães'.
Palavra do Senhor.


Para ajudar na reflexão da Primeira Leitura


A mensagem de “consolação” que a primeira leitura nos apresenta anuncia a esse povo amargurado, desiludido e frustrado que Deus não o abandonou nem esqueceu e que vai atuar no sentido de oferecer-lhe de novo a vida e a liberdade. Hoje, sentimo-nos esmagados e frustrados porque a violência e o terrorismo marcam com sangue e sofrimento a vida de tantos dos nossos irmãos, ou porque os pobres e os fracos são esquecidos e colocados à margem da história, ou porque parece que a sociedade global se constrói com egoísmo, com indiferença e com exclusão… O profeta garante-nos que Deus – esse Deus que é eternamente fiel aos compromissos que assumiu para com os seus filhos – não está alheado da nossa história, que Ele continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-Se para nos conduzir com amor e solicitude ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira liberdade. A mensagem do profeta é particularmente questionadora para esses exilados que já não pensavam em regressar à sua terra nem se esforçavam minimamente por escutar os apelos e os desafios de Deus. Instalados e acomodados, eles haviam perdido a capacidade de arriscar e a vontade de começar um novo caminho com Deus. A mesma mensagem interpela todos os homens e mulheres que vivem acomodados nos seus espaços seguros e protegidos ou resignados a uma vida banal, vazia, cinzenta, insípida, e convida-os a abrir o coração à novidade de Deus. É necessário correr riscos, aceitar despojar-se do egoísmo, do comodismo, do materialismo, da escravidão dos bens, dos preconceitos para percorrer, com Deus, esse caminho de regresso à vida nova da liberdade.

Concretamente, o que é que nos impede de percorrer o caminho que Deus nos propõe e de nascer para uma vida mais livre e mais feliz? Os bens materiais? A posição social? O comodismo? O medo? O Advento é o tempo favorável para limparmos os caminhos da nossa vida, de forma a que Deus possa nascer em nós e, através de nós, libertar o mundo… Quais são os vales que precisam ser alteados, os montes que precisam ser abatidos, os caminhos que precisam ser endireitados para que Deus possa vir ao nosso encontro?


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Salmo Responsorial
Sl 84,9ab-10.11-12.13-14 (R.8)


Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!

9aQuero ouvir o que o Senhor irá falar:
é a paz que ele vai anunciar;
9ba paz para o seu povo e seus amigos,
para os que voltam ao Senhor seu coração.
10Está perto a salvação dos que o temem,
e a glória habitará em nossa terra. 

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!

11A verdade e o amor se encontrarão,
a justiça e a paz se abraçarão;
12da terra brotará a fidelidade,
e a justiça olhará dos altos céus.
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,
 e a vossa salvação nos concedei!

13O Senhor nos dará tudo o que é bom,                   
e a nossa terra nos dará suas colheitas;
14a justiça andará na sua frente
e a salvação há de seguir os passos seus.

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!


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Segunda Leitura
Leitura da Segunda Carta de São Pedro (3,8-14)


8Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos:

para o Senhor, um dia é como mil anos
e mil anos como um dia.
9O Senhor não tarda a cumprir sua promessa,
como pensam alguns, achando que demora.
Ele está usando de paciência para convosco.
Pois não deseja que alguém se perca.
ao contrário, quer que todos venham a converter-se.
10O dia do Senhor chegará como um ladrão,
e então os céus acabarão com barulho espantoso;
os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão,
e a terra será consumida com tudo o que nela se fez.
11Se deste modo tudo se vai desintegrar,
qual não deve ser o vosso empenho
numa vida santa e piedosa,
12enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus,
quando os céus em chama se vão derreter,
e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão?
13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa,
são novos céus e uma nova terra,
onde habitará a justiça.
14Caríssimos, vivendo nesta esperança,
esforçai-vos para que ele vos encontre
numa vida pura e sem mancha e em paz.
Palavra do Senhor.


Para ajudar na reflexão da Segunda Leitura


A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projeto está se realizando continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo.

A questão fundamental que os cristãos devem pôr, a propósito da segunda vinda do Senhor, não é a questão da data, mas é a questão de como esperar e preparar esse momento. O autor da segunda leitura deixa claro que o que é o necessário é estar vigilante. “Estar vigilante” não significa ficar olhando para o céu à espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as questões do mundo e os problemas dos homens; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino.

Esta certeza da segunda vinda do Senhor dá aos crentes uma perspectiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade… Para os que não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é necessário viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores efémeros, os valores deste mundo que devem constituir a prioridade e que devem dominar a existência, mas sim os valores de Deus. Quais são os valores que eu considero prioritários e que condicionam as minhas opções?

A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da ESPERANÇA. Os cristãos esperam, em serena expectativa, a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro a conquistar, já nesta terra, com fé e com amor, mas, sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (1,1-8)


1Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
2Está escrito no livro do profeta Isaías:
'Eis que envio meu mensageiro à tua frente,
para preparar o teu caminho.
3Esta é a voz daquele que grita no deserto:
'Preparai o caminho do Senhor,
endireitai suas estradas!''
4Foi assim que João Batista apareceu no deserto,
pregando um batismo de conversão
para o perdão dos pecados.
5Toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro.
Confessavam os seus pecados
e João os batizava no rio Jordão.
6João se vestia com uma pele de camelo
e comia gafanhotos e mel do campo.
7E pregava, dizendo:
'Depois de mim virá alguém mais forte do que eu.
Eu nem sou digno de me abaixar
para desamarrar suas sandálias.
8Eu vos batizei com água,
mas ele vos batizará com o Espírito Santo.'
Palavra da Salvação.


Para ajudar na reflexão do Evangelho


Antes de mais, temos de considerar a mensagem principal do nosso texto… João, o Batista, afirma claramente que preparar a vinda do Messias passa pela “metanoia” (transformação espiritual), isto é, por uma transformação total do homem, por uma nova atitude de base, por outra escala de valores, por uma radical mudança de pensamento, por uma postura vital inteiramente nova, por um movimento radical que leve o homem a reavaliar a sua vida e colocar Deus no centro da sua existência e dos seus interesses. Neste tempo de Advento, trata-se de uma proposta com sentido de preparar a vinda de Jesus exige de nós uma transformação radical da nossa vida, dos nossos valores, da nossa mentalidade… Concretamente, o que é que nos meus pensamentos, nos meus comportamentos, na minha mentalidade, nos valores que dirigem a minha vida, é egoísmo, orgulho e autossuficiência, impedem o nascimento de Jesus no meu coração e na minha vida? Deus convida o homem à transformação e à mudança através desses profetas a quem Ele chama e a quem confia a missão de questionar o mundo e os homens. Estamos suficientemente atentos aos profetas que questionam o nosso estilo de vida e os nossos valores? Damos crédito às suas interpelações, ou consideramo-los figuras incomodativas, ultrapassadas e dispensáveis? E nós, constituídos profetas desde o nosso batismo, sentimo-nos enviados por Deus a interpelar e a questionar o mundo e os nossos irmãos? 

O “estilo de vida” de João constitui uma interpelação pelo menos tão forte como as suas palavras. É o testemunho vivo de um homem que está consciente das prioridades e não dá importância aos aspectos secundários da vida. A nossa vida também está marcada por valores, nos quais apostamos e à volta dos quais construímos toda a nossa existência… Quais são os valores fundamentais para mim, os valores que marcam as minhas decisões e opções? São valores importantes, decisivos, eternos, capazes de me dar vida e felicidade, ou são valores efêmeros, particulares, egoístas e geradores de dependência e escravidão? Como nos situamos frente a valores e a um estilo de vida que contradiz, claramente, os valores do Evangelho?


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Comentário
Igreja, profeta da esperança.


O Evangelho deste domingo apresenta a figura de um profeta, o último dos profetas do Antigo Testamento: JOÃO BATISTA. Ele era o precursor de Jesus. Ele colocou toda a sua vida ao serviço de uma missão específica: anunciar aos homens da época que o Messias, o Salvador, estava prestes a chegar, que as estradas e os corações tinham que estar preparados para sua chegada. O que João esperava e anunciava era algo tão novo que todo o resto tinha envelhecido. E nada mais valia a pena. É por isso ele se retirou para o deserto e viveu na pobreza. Seu olhar e sua vida estavam no futuro. Naquele que estava por vir. João nunca esteve no centro. Ele não disse aos que o escutavam que o seguissem ou para fazer o que ele fazia. Somente os avisava para que eles estivessem atentos, para que eles se preparassem. João era um profeta: porta-voz de Deus para os homens.

A figura de João Batista nos dá algumas das chaves que devem caracterizar a vida da igreja em todos os momentos e lugares. A igreja, cada comunidade cristã, cada paróquia, deve ser um profeta de Deus em nosso mundo. Como João, a igreja não está no mundo para se anunciar, mas para anunciar a presença salvadora de Deus entre os homens. A Igreja não existe para si mesma, para se perpetuar. O seu centro é o Evangelho. Sua missão é levar o Evangelho aos corações de todos os homens e mulheres e fazer do Reino de Deus uma realidade em nosso mundo. Nossa vida e obras devem dar testemunho de que Deus chega e quer alcançar os corações de todos os homens e mulheres. Como João, a igreja deve saber usar palavras e trabalhar para dar esperança e vida aos homens e mulheres do nosso mundo.

No Advento, João Batista é um modelo para a comunidade cristã. Como ele, temos que saber que, atrás de nós, vem aquele que pode mais do que nós. Que somos apenas seus porta-vozes e anunciadores. A única missão da Igreja é evangelizar. O único motivo para a sua existência é anunciar aos homens que a salvação vem, e que já está presente em nosso mundo.


Para reflexão


Como anunciamos que o Messias, o Salvador, já está presente em nosso mundo? Talvez nós sejamos tão bons em nossa comunidade, nos amamos tanto, que nos esquecemos das pessoas que aguardam nossa mensagem? Que gestos, ou sinais, usamos para dar esperança aos que não o têm ou aos que a perderam? Quais as palavras que usamos?


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB     
Ciudad Redonda: Comunidad católica    
Família Dehoniana


 

I Domingo do Advento – Ciclo B

A liturgia do primeiro Domingo do Advento convida-nos a equacionar a nossa caminhada pela história à luz da certeza de que “o Senhor vem”. Apresenta também indicações concretas acerca da forma que os crentes devem viver esse tempo de espera.
A primeira leitura é um apelo dramático a Jahwéh, o Deus que é “pai” e “redentor”, no sentido de vir mais uma vez ao encontro de Israel para o libertar do pecado e para recriar um Povo de coração novo. O profeta não tem dúvidas: a essência de Deus é amor e misericórdia; essas “qualidades” de Deus são a garantia da sua intervenção salvadora em cada passo da caminhada histórica do Povo de Deus.
O Evangelho convida os discípulos a enfrentar a história com coragem, determinação e esperança, animados pela certeza de que “o Senhor vem”. Ensina, ainda, que esse tempo de espera deve ser um tempo de “vigilância” – isto é, um tempo de compromisso ativo e efetivo com a construção do Reino.
A segunda leitura mostra como Deus Se faz presente na história e na vida de uma comunidade crente, através dos dons e carismas que gratuitamente derrama sobre o seu Povo. Sugere também aos crentes que se mantenham atentos e vigilantes, a fim de acolherem os dons de Deus.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías (63,16b-17.19b;64,2b-7)


16bSenhor, tu és nosso Pai, nosso redentor;
eterno é o teu nome.
17Como nos deixaste andar longe de teus caminhos
e endureceste nossos corações 
para não termos o teu temor?
Por amor de teus servos,
das tribos de tua herança, volta atrás.
19bAh! se rompesses os céus e descesses!
As montanhas se desmanchariam diante de ti.
64,2bDesceste, pois, e as montanhas se derreteram diante de ti.
3Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém,
jamais olhos viram que um Deus, exceto tu,
tenha feito tanto pelos que nele esperam.
4Vens ao encontro de quem pratica a justiça com alegria,
de quem se lembra de ti em teus caminhos.
Tu te irritaste, porque nós pecamos;
é nos caminhos de outrora que seremos salvos.
5Todos nós nos tornamos imundície,
e todas as nossas boas obras são como um pano sujo;
murchamos todos como folhas,
e nossas maldades empurram-nos como o vento.
6Não há quem invoque teu nome,
quem se levante para encontrar-se contigo,
escondeste de nós tua face
e nos entregaste à mercê da nossa maldade.
7Assim mesmo, Senhor, tu és nosso pai,
nós somos barro; tu, nosso oleiro,
e nós todos, obra de tuas mãos.
Palavra do Senhor.


Para os ajudar a refletir a Primeira Leitura


O texto da primeira leitura apresenta em pano de fundo um Povo de coração endurecido, rebelde, indiferente, que há muito prescindiu de Deus e deixou de se preocupar em viver de forma coerente os compromissos assumidos no âmbito da Aliança. É um quadro que não difere significativamente daquilo que é a vida de tantos homens e mulheres dos nossos dias.

Também somos convidados a reconhecer que só Deus é fonte de salvação e de redenção. Nós, por nós próprios, somos incapazes de superar essa rotina de indiferença, de egoísmo, de violência, de mentira, de injustiça que tantas vezes caracteriza a nossa caminhada pela vida. Deus, o nosso “Pai” e o nosso “redentor”, é sempre fiel às suas “obrigações” de amor e de justiça e está sempre disposto a nos oferecer, gratuitamente e incondicionalmente, a salvação. A nós, resta-nos acolher o dom de Deus com humildade e com um coração agradecido.

Que lugar ocupa Deus na nossa vida? Que importância damos às suas propostas? As sugestões e os apelos de Deus têm algum impacto sério nas nossas opções e prioridades? A ação de Deus, o seu papel de “redentor” concretiza-se através de Jesus e das propostas que Ele veio fazer aos homens e ao mundo? Neste Advento, estou disposto a acolher Jesus e a abraçar as propostas que Deus, através d’Ele, me faz?


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Salmo Responsorial
Is 79 2ac.3b.15-16.18-19(R.4)


Iluminai a vossa face sobre nós,
convertei-nos, para que sejamos salvos!

2aAo Pastor de Israel, prestai ouvidos. 
2cVós que sobre os querubins vos assentais,
aparecei cheio de glória e esplendor! 
3bDespertai vosso poder, ó nosso Deus
e vinde logo nos trazer a salvação! 

Iluminai a vossa face sobre nós,
convertei-nos, para que sejamos salvos!

15Voltai-vos para nós, Deus do universo!
Olhai dos altos céus e observai.
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
16Foi a vossa mão direita que a plantou;
protegei-a, e ao rebento que firmastes!

Iluminai a vossa face sobre nós,
convertei-nos, para que sejamos salvos!

18Pousai a mão por sobre o vosso Protegido,
o filho do homem que escolhestes para vós!
19E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome! 

Iluminai a vossa face sobre nós,
convertei-nos, para que sejamos salvos!


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1,3-9)


Irmãos: 
3Para vós, graça e paz,
da parte de Deus, nosso Pai,
e do Senhor Jesus Cristo.
4Dou graças a Deus sempre a vosso respeito,
por causa da graça que Deus vos concedeu
em Cristo Jesus:
5Nele fostes enriquecidos em tudo,
em toda palavra e em todo conhecimento,
6à medida que o testemunho sobre Cristo
se confirmou entre vós.
7Assim, não tendes falta de nenhum dom, vós que
aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo.
8É ele também que vos dará perseverança
em vosso procedimento irrepreensível,
até ao fim, até ao dia de nosso Senhor, Jesus Cristo.
9Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão
com seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso.
Palavra do Senhor.


Para os ajudar a refletir a Segunda Leitura


O texto da segunda leitura deixa claro que a comunidade cristã é uma realidade continuamente enriquecida pela vida de Deus. Através dos seus dons, Deus vem continuamente ao encontro dos homens e manifesta-lhes o seu amor. Os crentes devem viver numa permanente atitude de escuta e de acolhimento desses dons. A comunidade de que faço parte está consciente de que Deus vem continuamente ao encontro dos homens através dos dons que Ele oferece? Acolhe os dons de Deus como sinais vivos do seu amor?

Qual o objetivo dos dons de Deus? Segundo Paulo, é “tornar firme nos crentes o testemunho de Cristo”. Os dons de Deus destinam-se a promover a fidelidade das pessoas e das comunidades ao Evangelho, de forma a que todos se identifiquem cada vez mais com Cristo. Os dons que Deus concedeu destinam-se sempre a potencializar a minha fidelidade e a fidelidade dos meus irmãos às propostas de Jesus, ou servem, às vezes, para concretizar objetivos mais egoístas, como sejam a minha promoção pessoal ou a satisfação de certos interesses e anseios?

Neste possui um apelo implícito à VIGILÂNCIA. O cristão tem de estar sempre vigilante e preparado para acolher o Deus que vem ao seu encontro e lhe manifesta o seu amor através dos seus dons… E tem também de estar sempre vigilante para que os dons de Deus não sejam desvirtuados e utilizados para fins egoístas.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (13,33-37)


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

33Cuidado! Ficai atentos,
porque não sabeis quando chegará o momento.
34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro,
deixou sua casa sob a responsabilidade de seus
empregados, distribuindo a cada um sua tarefa.
E mandou o porteiro ficar vigiando.
35Vigiai, portanto, porque não sabeis
quando o dono da casa vem:
à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer.
36Para que não suceda que, vindo de repente,
ele vos encontre dormindo.
37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!'
Palavra da Salvação.


Para os ajudar a refletir o Evangelho


O Evangelho deste domingo coloca-nos diante de uma certeza fundamental: “o Senhor vem”. A nossa caminhada humana não é um avançar sem sentido ao encontro do nada, mas uma caminhada feita na alegria ao encontro do Senhor que vem. Não se trata de uma vaga esperança, mas de uma certeza baseada na palavra infalível de Jesus. O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim, também, é um tempo da espera do Senhor. O Evangelho deste domingo diz-nos como deve ser essa espera… A palavra mágica é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “VIGILANTE”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “VIGILANTE” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alma” limpa para que a morte não o apanhe com pecados por perdoar; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz. Significa cumprir, com coerência e sem meias tintas, os compromissos assumidos no dia do baptismo e ser um sinal vivo do amor e da bondade de Deus no mundo. É dessa forma que eu tenho procurado viver?

Estar “VIGILANTE” significa não viver de braços cruzados, fechado num mundo de alienação e de egoísmo, deixando que sejam os outros a tomar as decisões e a escolher os valores que devem governar a humanidade; significa não me demitir das minhas responsabilidades e da missão que Deus me confiou quando me chamou à existência… Estar “VIGILANTE” é ser uma voz ativa e questionante no meio dos homens, levando-os a confrontarem-se com os valores do Evangelho; é lutar de forma decidida e corajosa contra a mentira, o egoísmo, a injustiça, tudo aquilo que rouba a vida e a felicidade a qualquer irmão que caminhe ao meu lado… Como me situo face a isto?


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Comentário
Vigiai, porque Deus está próximo


No mercado em que se converteu nosso mundo, há muitos que oferecem a preço barato a salvação. Uns nos oferecem uma salvação que se baseia em consumir. “Compre o produto ta”, “Use isto ou o outro” e nos diz que assim seremos mais felizes. Tudo ao alcance da mão... com a condição que se tenha, claro, o suficiente dinheiro no banco ou na carteira. Basta olhar os anúncios que nos rodeiam por todas as partes: televisão, jornais, rádio, painéis de anúncios... Mas essa, o sabemos, não é a verdadeira salvação.

Outros nos falam de Deus. “Dê um donativo”, “Reze isto ou aquilo”, “Vá a esta peregrinação ou celebração”. Pedro foi e ficou curado do câncer que tinha. Miguel não teve mais problemas com a bebida. Também está o outro lado, o da ameaça. Porque também nos dizem que José não rezou ou não foi e todos os problemas pioraram. Esse Deus do que falam se parece à medicina mágica com que tantos sonham. Uma pastilha “uma oração” e tudo resolvido. O céu a nosso alcance. Os que assim falam parecem magos que com sua força controlam Deus e o faz trabalhar a seu serviço. Mas aí também não está a salvação.

A realidade é bastante mais complicada. Deus não é um mago que solucione tudo. Nosso mundo vai fazendo seu próprio caminho. Deus se encontra a nosso lado, animando-nos a tomar as rédeas de nossa vida, a sermos responsáveis pelo que fazemos, pelas nossas decisões. Sua presença a encontramos na vida a cada dia, nas pessoas com que nos encontramos, nos acontecimentos. Deus sempre esta presente em nossa vida, de graça sem preço algum.

Com este domingo começamos o tempo do Advento. É tempo de preparação para a celebração da vinda do Senhor. A Palavra de Deus convida-nos a VIGIAR. Devemos estar atentos, porque em nossas ruas, em nossas famílias, em nosso mundo, se sente uma presença nova, nascente. As comunidades cristãs são já um sinal dessa nova realidade. Há muita gente boa trabalhando para ajudar aos demais. Esses são os sinais da presença de Deus. Deus está conosco! Sua presença está crescendo! Advento é nossa oportunidade para vigiar e estar atentos, para descobrir os sinais da autêntica presença de Deus e celebrar em nossa liturgia e em nossa oração. VIGIEM, pois, Deus esta a seu lado, em vossa vida e não pode passar despercebido... VIGIAI


Para a reflexão


Vigiar supõe estar vivo e atento às grandes e pequenas coisas que passam a nosso arredor. Importamo-nos com tudo o que passa ou vivemos tão encerrados em nossos problemas que nosso mundo termina em nosso próprio nariz? Onde e quando descobrimos que Deus está próximo de nós?


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB    
Ciudad Redonda: Comunidad católica  
Família Dehoniana


 

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo 'A'

No XXXIV Domingo do Tempo Comum, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. As leituras deste domingo falam-nos do Reino de Deus (esse Reino do qual Jesus é rei). Apresentam-no como uma realidade que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história (através do amor) e que terá o seu tempo definitivo no mundo que virá.
A primeira leitura utiliza a imagem do Bom Pastor para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. A imagem sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; e sublinha, por outro lado, a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo.
O Evangelho apresenta-nos, num quadro dramático, o “rei” Jesus interpelar os seus discípulos acerca do amor que partilharam com os irmãos, sobretudo com os pobres, os débeis, os desprotegidos. A questão é esta: o egoísmo, o fechamento em si próprio, a indiferença para com o irmão que sofre, não tem lugar no Reino de Deus. Quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios ficará à margem do Reino.
Na segunda leitura, Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-Se-á em tudo e atuará como Senhor de todas as coisas.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura da Profecia de Ezequiel (34,11-12.15-17)


11Assim diz o Senhor Deus:
Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas
e tomar conta deles.
12Como o pastor toma conta do rebanho, de dia,
quando se encontra no meio das ovelhas dispersas,
assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las
de todos os lugares em que foram dispersadas
num dia de nuvens e escuridão.
15Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas
e fazê-las repousar - oráculo do Senhor Deus - .
16Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada,
enfaixar a da perna quebrada,
fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte.
Vou apascentá-las conforme o direito.
17Quanto a vós, minhas ovelhas
- assim diz o Senhor Deus -
eu farei justiça entre uma ovelha e outra,
entre carneiros e bodes.
Palavra do Senhor.


Para ajudar na reflexão da Primeira Leitura


A imagem bíblica do Bom Pastor é uma imagem privilegiada para apresentar Deus e para definir a sua relação com os homens. Sublinha a sua autoridade e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história; mas, sobretudo, sublinha a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo. Na nossa cultura, nem todos entendem a figura do “pastor”; mas todos são convidados a entregar-se nas mãos de Deus, a confiar totalmente n’Ele, a deixar-se conduzir por Ele, a fazer a experiência do seu amor e da sua bondade.  A questão não é se Deus é ou não “pastor”; mas é se estamos ou não dispostos a segui-lo, a nos deixar conduzir por Ele, a confiar n’Ele para atravessar vales sombrios, a deixar-nos levar no colo por Ele para que os nossos pés não se firam nas pedras do caminho. Uma certa cultura contemporânea assegura-nos que só nos realizaremos se nos libertarmos de Deus e formos os guias de nós próprios. O que escolhemos para nos conduzir à felicidade e à vida plena: Deus ou o nosso orgulho e autossuficiência? É uma experiência tranquilizante e libertadora, que nos traz serenidade e paz. Fugindo de Deus, agarramo-nos a outros “pastores” e fazemos deles a nossa referência, o nosso líder, o nosso ídolo. O que é que nos conduz e condiciona as nossas opções: a riqueza e o poder? Os valores ditados por aqueles que têm a pretensão de saber tudo? A política e socialmente correto? A opinião pública? O presidente do partido? O comodismo e a instalação? A preservação dos nossos esquemas egoístas e dos nossos privilégios? O êxito e o triunfo a qualquer custo? O herói mais giro da telenovela? O programa de maior audiência da estação televisiva de maior audiência?


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Salmo Responsorial
Sl 22,1-2a.2b-3.5-6 (R.1)


O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.

2Pelos prados e campinas verdejantes
ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha,
3e restaura as minhas forças.

O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.

5Preparais à minha frente uma mesa,
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça;
o meu cálice transborda.

O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.

6Felicidade e todo bem hóo de seguir-me
por toda a minha vida;
e, na casa do Senhor, habitarei
pelos tempos infinitos.

O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (15,20-26.28)


Irmãos:
20Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos
como primícias dos que morreram.
21Com efeito, por um homem veio a morte e é também
por um homem que vem a ressurreição dos mortos.
22Como em Adão todos morrem,
assim também em Cristo todos reviverão.
23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada:
Em primeiro lugar, Cristo, como primícias;
depois, os que pertencem a Cristo,
por ocasião da sua vinda.
24A seguir, será o fim,
quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois
de destruir todo principado e todo poder e força.
25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus
inimigos estejam debaixo de seus pés.
26O último inimigo a ser destruído é a morte.
28E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele,
então o próprio Filho se submeterá
àquele que lhe submeteu todas as coisas,
para que Deus seja tudo em todos.
Palavra do Senhor.


Para ajudar na reflexão da Segunda Leitura


O texto proposto na Segunda Leitura garante-nos que a meta final da nossa caminhada é o Reino de Deus, isto é, uma realidade de vida plena e definitiva, onde estarão ausentes: a doença, a tristeza, o sofrimento, a injustiça, a prepotência, a morte... Convém ter sempre presente esta realidade, ao longo da nossa peregrinação pela terra… A nossa vida presente não é um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante na direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total que Deus nos reserva. Como é que aí chegamos? Paulo responde: identificando-nos com Cristo. A ressurreição de Cristo é o “selo de garantia” de Deus para uma vida oferecida ao projeto do Reino… Demonstra que uma vida vivida na escuta atenta dos projetos do Pai e no amor e no serviço aos homens conduz à vida plena; demonstra que uma vida gasta na luta contra o egoísmo, a opressão e o pecado conduz à vida definitiva; demonstra que uma vida gasta ao serviço da construção do Reino conduz à vida verdadeira… Se a nossa vida for gasta do mesmo jeito, seguiremos Cristo na ressurreição, atingiremos a vida nova do Homem Novo e estaremos para sempre com Ele nesse Reino livre do sofrimento, do pecado e da morte que Deus reserva para os seus filhos. Descobrir que o Reino da vida definitiva é a nossa meta final significa eliminar definitivamente o medo que nos impede de atuar e de assumir um papel de protagonismo na construção de um mundo novo. Quem tem no horizonte final da sua vida o Reino de Deus, pode comprometer-se na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça, a opressão, a oposição dos poderosos, a morte não pode pôr fim à vida que o anima. Ter como meta final o Reino significa libertarmo-nos do medo que nos paralisa e encontrarmos razões para um compromisso mais consequente com Deus, com o mundo e com os homens.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (25,31-46)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
31Quando o Filho do Homem vier em sua glória,
acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso.
32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele,
e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
33E colocará as ovelhas à sua direitae os cabritos à sua esquerda.
34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:
`Vinde benditos de meu Pai!
Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou
desde a criação do mundo!
35Pois eu estava com fome e me destes de comer;eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa;
36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim;
eu estava na prisão e fostes me visitar'.
37Então os justos lhe perguntarão:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer?
com sede e te demos de beber?
38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa,
e sem roupa e te vestimos?
39Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?'
40Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso
a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!'
41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda:
`Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno,
preparado para o diabo e para os seus anjos.
42Pois eu estava com fome e não me destes de comer;
eu estava com sede e não me destes de beber;
43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa;
eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar'.
44E responderão também eles:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede,
como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?'
45Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso
a um desses pequeninos,foi a mim que não o fizestes!'
46Portanto, estes irão para o castigo eterno,enquanto os justos irão para a vida eterna'.
Palavra da Salvação.


Para ajudar na reflexão do Evangelho


Quem é que a nossa sociedade considera uma “pessoa de sucesso”? Qual o perfil do homem “importante”? Quais são os padrões usados pela nossa cultura para aferir a realização ou a não realização de alguém? No geral, o “homem de sucesso”, que todos reconhecem como importante e realizado, é aquele que tem dinheiro suficiente para concretizar todos os sonhos e fantasias, que tem poder suficiente para ser temido, que tem êxito suficiente para juntar à sua volta multidões de aduladores, que tem fama suficiente para ser invejado, que tem talento suficiente para ser admirado, que tem a pouca vergonha suficiente para dizer ou fazer o que lhe apetece, que tem a vaidade suficiente para se apresentar aos outros como modelo de vida… No entanto, de acordo com a parábola que o Evangelho propõe, o critério fundamental usado por Jesus para definir quem é uma “pessoa de sucesso” é a capacidade de amar o irmão, sobretudo o mais pobre e desprotegido. Para mim, o que é que faz mais sentido: o critério do mundo ou o critério de Deus? Na minha perspectiva, qual é mais útil e necessário: o “homem de sucesso” do mundo ou o “homem de sucesso” de Deus? O amor ao irmão é, portanto, uma condição essencial para fazer parte do Reino. Nós cristãos, cidadãos do Reino, temos consciência disso e sentimo-nos responsáveis por todos os irmãos que sofrem? Os que não têm trabalho, nem pão, nem casa, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os imigrantes, e também os migrantes, perdidos numa realidade cultural e social estranha, vítimas de injustiças e violências, condenados a um trabalho escravo e que, tantas vezes, não respeita a sua dignidade, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os pobres, vítimas de injustiças, que nem sequer têm a possibilidade de recorrer aos tribunais para que lhes seja feita justiça, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que sobrevivem com pensões de miséria, sem possibilidades de comprar os medicamentos necessários para aliviar os seus padecimentos, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que estão sozinhos, abandonados por todos, sem amor nem amizade, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que estão presos a um leito de hospital ou a uma cela de prisão, marginalizados e condenados em vida, podem contar com a nossa solidariedade ativa?

O Reino de Deus, isto é, esse mundo novo onde reinam os critérios de Deus e que se constrói de acordo com os valores de Deus, é uma semente que Jesus semeou, que os discípulos são chamados a edificar na história e que terá o seu tempo definitivo no mundo que virá. Não esqueçamos, no entanto, este fato essencial: o Reino de Deus está no meio de nós; a nossa missão é fazer com que ele seja uma realidade bem viva e bem presente no nosso mundo. Depende de nós fazer com que o Reino deixe de ser uma miragem, para passar a ser uma realidade a crescer e a transformar o mundo e a vida dos homens.


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Comentário
Jesus Cristo Rei


Queridos irmãos,

Durante todo este ciclo "A" do tempo litúrgico e todo este ano, os Evangelhos do domingo nos convidaram a repensar as mil facetas do Reino de Deus. Hoje é uma boa oportunidade para fechar o ano nos centrando em Jesus Cristo Rei, máxima manifestação com sua pessoa e suas obras desse Reino. As leituras nos situam ante o final dos tempos e na hora última de nossa vida, momentos em que cada um poderá olhar para atrás e se ver tal qual é. Adiante de nós estará o Filho do Homem, sentado para o julgamento. O original é que o critério para se sentir salvos ou não, serão as obras, nossa atitude para os pobres, os necessitados, os marginalizados sociais, os “descartados” como gosta de dizer a nosso Papa Francisco. Curioso que não exista uma só alusão a condutas especificamente religiosas ou culturais. E mais: Jesus identifica-se com estes homens afirmando que todo ato a favor do que passa fome, do imigrante, do migrante, o que está no cárcere..., deve ser aceito como se fosse para Ele mesmo.

Os verdadeiros juízes são os que passam fome, sede, são forasteiros, nus, doentes, estão no cárcere, medem nossa capacidade de amor e de entrega e verificam se nosso seguimento de Jesus Cristo foi autêntico ou não. Nada de novo; é o que fez Jesus durante toda sua vida, estar atento aos mais débeis e abandonados. Seu Reino não tem que ver com o poder, o prestígio e a ideologia. É uma pena que hoje muitos cristãos anteponham sua ideologia ao Evangelho, em uma sociedade que considera que a Igreja é muito próxima a uma determinada maneira de pensar ideológica. Escutemos o que diz o Papa:

“Isto não responde a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias, trabalham com realidades, têm os pés no barro e as mãos na carne. Tem cheiro de barro, a povo, a luta! Queremos que se escute sua voz que, de modo geral, se escuta pouco. Talvez porque molesta, talvez porque seu grito incomoda, talvez porque tenhamos medo. É estranho que se falo de terra, teto e trabalho, para alguns resulta que o Papa é comunista. Não se entende que o amor aos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho, isso pelo que vocês lutam, são direitos sagrados. Reclamar isto não é nada raro, é a Doutrina Social da Igreja”.

Está claro; nas leituras deste domingo não necessitam de matizações: e os presos? E os estrangeiros? ... Não pretendamos emendar o plano de Jesus com nossas ideias: “hospedaram-me”, “vieram me ver”, “visitaram-me”... são suas palavras. O Evangelho de hoje resume a vida de cada um e tudo o que vimos refletindo sobre o Reino, é a exaltação do reinado do amor sobre todas as coisas. Ante ele se reúne “todos os povos, todas as nações”, o decisivo na vida não é o que confessamos a cada povo. Jesus parece abrir uma via de acesso ao Pai diferente do sagrado: a ajuda ao irmão necessitado. Por essa via caminham muitos homens e mulheres que não confessam ou não conhecem a Jesus, isso não significa que a adesão a Jesus Cristo fique anulada. Ao invés, a fé em Jesus sempre conduz ao amor e isto é o decisivo. Não devemos esperar ao último dia. Hoje estamos nos aproximando ou nos afastando dos mais afetados pela crise econômica, os mais necessitados… Com o nosso comportamento estamos nos afastando ou nos aproximando de Deus?


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

XXXIII Domingo do Tempo Comum - 'A'

A liturgia do XXXIII Domingo do Tempo Comum recorda a cada cristão a grave responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, ativa e comprometida desse projeto de salvação/libertação que Deus Pai tem para os homens.

O Evangelho apresenta-nos dois exemplos opostos de como esperar e preparar a última vinda de Jesus. Louva o discípulo que se empenha em fazer frutificar os “bens” que Deus lhe confia; e condena o discípulo que se instala no medo e na apatia e não põe a render os “bens” que Deus lhe entrega (dessa forma, ele está a desperdiçar os dons de Deus e a privar os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito).

Na segunda leitura, Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projetos, empenhando-se ativamente na construção do Reino.

A primeira leitura apresenta, na figura da mulher virtuosa, alguns dos valores que asseguram a felicidade, o êxito, a realização. O “sábio” autor do texto propõe, sobretudo, os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do “temor de Deus”. Não são só valores da mulher virtuosa: são valores de que deve revestir-se o discípulo que quer viver na fidelidade aos projetos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.


 


Primeira Leitura
Salmo Resposorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
Leitura do Livro dos Provérbios (31,10-13.19-20.30-31)


10Uma mulher forte, quem a encontrará?
Ela vale muito mais do que as joias.
11Seu marido confia nela plenamente,
e não terá falta de recursos.
12Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto,
todos os dias de sua vida.
13Procura ló e linho,
e com habilidade trabalham as suas mãos.
19Estende a mão para a roca e seus dedos seguram o fuso.
20Abre suas mãos ao necessitado
e estende suas mãos ao pobre.
30O encanto é enganador e a beleza é passageira;
a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor.
31Proclamem o êxito de suas mãos,
e na praça louvem-na as suas obras!
Palavra do Senhor.


Para ajudar na reflexão da Primeira Leitura


Mais do que uma mulher virtuosa ideal, o “sábio” autor do texto que nos é proposto exalta todos aqueles que conduzem a sua vida de acordo com os valores do trabalho, do empenho, do compromisso, da generosidade, do “temor de Deus”. São estes valores, na opinião do autor, que nos asseguram uma vida feliz, tranquila e próspera. Numa época em que a cultura do “deixa andar”, da falta de responsabilidade com o outro, do egoísmo se afirmam cada vez mais, este texto constitui uma poderosa interpelação… Na verdade, por que caminhos é que chegamos à vida e à felicidade? Devemos refletir também sobre as nossas prioridades… Da mulher virtuosa diz-se que ela não se preocupa com os valores efémeros (a aparência), mas que se
preocupa com os valores eternos (o “temor de Deus”). Quais são as prioridades da nossa vida? Quais são os valores em que apostamos a nossa existência? Os nossos valores fundamentais são valores que nos trazem felicidade duradoura?

A referência à GENEROSIDADE para com o pobre e o necessitado é nos questiona… Como é que consideramos e tratamos aqueles irmãos que nos batem à porta, e pedem um pedaço de pão, um pouco de atenção, ou ajuda para deslindar um qualquer problema burocrático? Temos o coração aberto aos irmãos e pronto para ajudar, ou fechamo-nos à caridade, à partilha, ao dom?

A referência ao “TEMOR DE DEUS” como valor primordial na vida da mulher ou do homem “sábio” e virtuoso também merece a nossa consideração. No Antigo Testamento, o “temor de Deus” é a qualidade do homem ou da mulher que ama Deus, que procura conhecer os seus planos e projetos e que cumpre a vontade de Deus. Esta dependência de Deus não diminui a nossa liberdade, nem atenta contra a nossa realização; pelo contrário, é condição essencial para a realização plena do homem.


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Salmo Responsorial
Sl 127,1-2.3.4-5 (R. 1a)


Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

1Feliz és tu se temes o Senhor
e trilhas seus caminhos!
2Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem!

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

3A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

4Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
5O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida;
para que vejas prosperar Jerusalém.

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (5,1-6)


1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos,
não há por que vos escrever.
2Vós mesmos sabeis perfeitamente
que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite.
3Quando as pessoas disserem: 'Paz e segurança!',
então de repente sobrevirá a destruição,
como as dores de parto sobre a mulher grávida.
E não poderão escapar.
4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo
que esse dia vos surpreenda como um ladrão.
5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia.
Não somos da noite, nem das trevas.
6Portanto, não durmamos, como os outros,
mas sejamos vigilantes e sóbrios.
Palavra do Senhor.


Para ajudar na reflexão da Segunda Leitura


A questão fundamental que os cristãos devem pôr, a propósito da segunda vinda do Senhor, não é a questão da data, mas é a questão de como esperar e preparar esse momento. Paulo deixa claro que o que é preciso é estar vigilante. “Estar vigilante” não significa ficar a olhar para o céu à espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as questões do mundo e os problemas dos homens; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transformação do mundo e na construção do Reino. A certeza da segunda vinda do Senhor dá aos crentes uma perspectiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade… Para os não crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, só interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, está para além dos horizontes da história e, por isso, é preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspectiva dos crentes, não são os valores efémeros, os valores deste mundo que devem constituir a prioridade e que devem dominar a existência, mas sim os valores de Deus. Quais são os valores que eu considero prioritários e que condicionam as minhas opções? A certeza da segunda vinda do Senhor aponta também no sentido da esperança. Os cristãos esperam, em serena expectativa, a salvação que já receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que irá consumar-se no “dia do Senhor”. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro – um futuro a conquistar, já nesta terra, com fé e com amor, mas sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (25,14-30)


Naquele tempo,
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
14Um homem ia viajar para o estrangeiro.
Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens.
15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um;
a cada qual de acordo com a sua capacidade.
Em seguida viajou.
16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo,
trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.
17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois.
18Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra,
e escondeu o dinheiro do seu patrão.
19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados.
20O empregado que havia recebido cinco talentos
entregou-lhe mais cinco, dizendo:
`Senhor, tu me entregaste cinco talentos.
Aqui estão mais cinco que lucrei'.
21O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse:
`Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'.
23O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento,
e disse: `Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste.
25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão.
Aqui tens o que te pertence'.
26O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso!
Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei?
27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco,
para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence.'
28Em seguida, o patrão ordenou:
`Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez!
29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância,
mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão.
Ali haverá choro e ranger de dentes!'
Palavra da Salvação.


Para ajudar na reflexão do Evangelho


Antes de mais, é preciso ter presente que nós, os cristãos, somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salvação/libertação que o Pai tem para os homens. É com o nosso coração que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo; é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados; é com os nossos braços abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes, e migrantes,  que fogem da miséria e da degradação; é com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos; é com os nossos pés que Jesus continua a caminhar ao encontro de cada irmão que está sozinho e abandonado; é com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multidões famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada têm… Nós, cristãos, membros do “corpo de Cristo”, que nos identificamos com Cristo, temos a responsabilidade dar testemunho de Jesus e de deixar que, através de nós, Ele continue a amar os homens e as mulheres que caminham ao nosso lado pelos caminhos do mundo.

Os dois “servos” da parábola que, talvez correndo riscos, fizeram frutificar os “bens” que o “senhor” lhes deixou, mostram como devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Eles tiveram a ousadia de não se contentar com o que já tinham; não se deixaram dominar pelo comodismo e pela apatia… Lutaram, esforçaram-se, arriscaram, ganharam. Todos os dias, há cristãos que têm a coragem de arriscar. Não aceitam a injustiça e lutam contra ela; não pactuam com o egoísmo, o orgulho, a prepotência e propõem, em troca, os valores do Evangelho; não aceitam que os grandes e poderosos decidam os destinos do mundo e têm a coragem de lutar objetivamente contra os projetos desumanos que desfeiam esta terra; não aceitam que a Igreja se identifique com a riqueza, com o poder, com os grandes e esforçam-se por torná-la mais pobre, mais simples, mais humana, mais evangélica; não aceitam que a liturgia tenha de ser sempre tão solene que assuste os mais simples, nem tão etérea que não tenha nada a ver com a vida do dia a dia… Muitas vezes, são perseguidos, condenados, desautorizados, reduzidos ao silêncio, incompreendidos; muitas vezes, no seu excesso de zelo, cometem erros de avaliação, fazem opções erradas… Apesar de tudo, Jesus diz-lhes: “muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”.

O servo que escondeu os “bens” que o Senhor lhe confiou mostra como não devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Esse servo contentou-se com o que já tinha e não teve a ousadia de querer mais; entregou-se sem luta, deixou-se dominar pelo comodismo e pela apatia… Não lutou, não se esforçou, não arriscou, não ganhou. Todos os dias há cristãos que desistem por medo e cobardia e se demitem do seu papel na construção de um mundo melhor. Limitam-se a cumprir as regras, ou a refugiar-se no seu cantinho cómodo, sem força, sem vontade, sem coragem de ir mais além. Não falham, não cometem “pecados graves”, não fazem mal a ninguém, não correm riscos; limitam-se a repetir sempre os mesmos gestos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar; não fazem, nem deixam fazer e limitam-se a criticar asperamente aqueles que se esforçam por mudar as coisas… Não põem a render os “bens” que Deus lhes confiou e deixam-nos secar sem dar frutos. Jesus diz-lhes: “servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não lancei; devias, portanto, depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu”. E nós, em qual dos servos nos espelhamos na nossa caminhada?


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Comentário
Que significam os talentos?


De quando eu era pequeno recordo que os professores usavam esta parábola para me dizer que deveria estudar mais. Usar nossos talentos significa empregá-los em estar mais atentos, fazer melhor nosso trabalho e, em definitivo, obter melhores avaliações. Nos diziam que, às vezes, inclusive no caso de que fôssemos bons estudantes e conseguíssemos passar o curso folgadamente, talvez mesmo assim não usávamos bem nossos talentos. Tínhamos que estudar essa capacidade. E faziam-nos olhar para os que conseguiam fazer o justo com dificuldade, para que víssemos como trabalhavam seus talentos, os poucos que tinham recebido, talvez melhor que nós, que tínhamos recebido muito, mas não o aproveitávamos bem.

Meus professores não se equivocaram. A vida, nosso caráter, nossas habilidades, a família em que nascemos, as condições econômicas de que desfrutamos, de alguma maneira tudo o que recebemos, tudo foi dom. Nem todos no mundo tiveram a mesma sorte que nós. Inclusive entre os membros de nossa comunidade há muitas diferentes sortes, habilidades e capacidades.

Hoje Jesus lembra-nos que não podemos enterrar nossos talentos debaixo. Isso é uma espécie de suicídio. Temos que os pôr a trabalhar. Mas, para que? Para conseguir uma vida melhor para mim? Para ter mais dinheiro em minha conta corrente? Para ser feliz e aproveitar desses dons que eu recebi e os outros não? Se lêssemos assim a parábola é como se a separássemos do resto do Evangelho. Isso não pode ser feito. Devemos lembrar que para Jesus o mais importante é o Reino de Deus. Jesus quer que todos cheguemos a viver juntos como irmãos. Os talentos de cada um estão, devem estar, ao serviço da fraternidade. Qualquer outra coisa é “enterrá-los”.

Você notaria em coisas boas que tivemos em uma dessas festas onde todos contribuir com alguma coisa? Da cada família levam algo diferente de comer, outros cuidam da música, outros dispõem do local, aqueles cuidam das bebidas e estes da limpeza. Todos desfrutamos de tudo. E cada um contribui com o que tem ou sabem fazer. Isso é pôr os talentos ao serviço da fraternidade. Isso é o que Jesus nos pede que façamos em nossa família, em nossa comunidade... Esse é o significado desta parábola.


Para a reflexão


Quais são meus talentos, minhas qualidades? Os guardo somente para mim só? Como poderia os colocar a serviço do bem-estar dos que vivem a meu ao redor? Não será que às vezes sou egoísta, pretendo só receber e não fazer nada?


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Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB  
Ciudad Redonda: Comunidad católica 
Família Dehoniana


 

 

XXXII Domingo do Tempo Comum - 'A'

A liturgia do XXXII Domingo do Tempo Comum convida-nos à vigilância. Recorda-nos que a segunda vinda do Senhor Jesus está no horizonte final da história humana; devemos, portanto, caminhar pela vida sempre atentos ao Senhor que vem e com o coração preparado para o acolher.
Na segunda leitura, Paulo garante aos cristãos de Tessalônica que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre.
O Evangelho lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver dia a dia na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com os valores do Reino. Com o exemplo das cinco jovens “insensatas” que não levaram azeite suficiente para manter as suas lâmpadas acesas enquanto esperavam a chegada do noivo, avisa-nos que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino.

A primeira leitura apresenta-nos a “sabedoria”, dom gratuito e incondicional de Deus para o homem. É um caso paradigmático da forma como Deus se preocupa com a felicidade do homem e põe à disposição dos seus filhos a fonte de onde jorra a vida definitiva. Ao homem resta estar atento, vigilante e disponível para acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus lhe oferece.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
Leitura do Livro da Sabedoria (6,12-16)

12A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa.
Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam,
e é encontrada por aqueles que a procuram.
13Ela até se antecipa,
dando-se a conhecer aos que a desejam.
14Quem por ela madruga não se cansará,
pois a encontrará sentada à sua porta.
15Meditar sobre ela é a perfeição da prudência;
e quem ficar acordado por causa dela
em breve há de viver despreocupado.
16Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem,
cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas
e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.
Palavra do Senhor


Para os ajudar a refletir a Primeira Leitura


A “sabedoria” de que o autor da primeira leitura fala é um dom de Deus para que o homem saiba conduzir a sua vida ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira felicidade. Deus não é um adversário do homem, com ciúmes do homem, preocupado em impedir a felicidade e a realização do homem; mas é um Deus cheio de amor, preocupado em proporcionar ao homem todas as possibilidades de ser feliz e de se realizar plenamente. A nossa leitura convida-nos a ver em Deus esse Pai cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, sempre disposto a oferecer-lhes os seus dons e a conduzi-los para a vida e para a salvação; e convida-nos a uma atenção contínua, a fim de detectarmos e acolhermos esses dons que, a cada instante, Deus nos oferece.  O que é decisivo para que o homem tenha acesso pleno aos dons de Deus é a sua disponibilidade para acolher e para aceitar esses dons… Deus coloca os seus dons à disposição do homem, de forma gratuita e incondicional; ao homem é pedido apenas que não se feche no seu egoísmo e na sua autossuficiência, mas abra o seu coração à graça que Deus lhe oferece.


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Salmo Responsorial
Sl 62,2.3-4.5-6.7-8 (R. 2b)


A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

2Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso vos busco!
A minha alma tem sede de vós, 
minha carne também vos deseja,
como terra sedenta e sem água!

 A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

3Venho, assim, contemplar-vos no templo,
para ver vossa glória e poder.
4Vosso amor vale mais do que a vida:
e por isso meus lábios vos louvam.

A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

5Quero, pois vos louvar pela vida,
e elevar para vós minhas mãos!
6A minha alma será saciada,
como em grande banquete de festa;
cantará a alegria em meus lábios.

A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.

7Penso em vós no meu leito, de noite,
nas vigílias suspiro por vós!
8Para mim fostes sempre um socorro;
de vossas asas à sombra eu exulto!

A minha alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor.


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Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (4,13-18)


3Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza
a respeito dos mortos,
para que não fiqueis tristes
como os outros, que não têm esperança.
14Se Jesus morreu e ressuscitou - e esta é nossa fé -
de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo,
os que através dele entraram no sono da morte.
15Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor:
nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor
não levaremos vantagem em relação aos que morreram.
16Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem,
à voz do arcanjo e ao som da trombeta,
descerá do céu
e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
17Em seguida, nós que formos deixados com vida
seremos arrebatados com eles nas nuvens,
para o encontro com o Senhor, nos ares.
E assim estaremos sempre com o Senhor.
18Exortai-vos, pois, uns aos outros,
com estas palavras.
Palavra do Senhor.


Para os ajudar a refletir a Segunda Leitura


A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida para cada homem; e que esse projeto está se realizando continuamente em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. A nossa vida presente não é, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; é uma caminhada tranquila, confiante e em direção a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelará o Homem Novo. Isso não quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas à espera da recompensa futura, no céu; quer dizer que a nossa existência deve ser uma busca da vida e da felicidade; isso implicará uma não conformação com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcançar a felicidade plena, a perfeição última.  Não é possível viver com medo, depois desta descoberta: podemos os comprometer na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima; e é na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o construímos com gestos concretos, que estamos a anunciar a ressurreição plena do mundo, dos homens e das coisas.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (25,1-13)

Naquele tempo,
disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola:
1'O Reino dos Céus é como a história das dez jovens
que pegaram suas lâmpadas de óleo
e saíram ao encontro do noivo.
2Cinco delas eram imprevidentes,
e as outras cinco eram previdentes.
3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas,
mas não levaram óleo consigo.
4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo
junto com as lâmpadas.
5O noivo estava demorando
e todas elas acabaram cochilando e dormindo.
6No meio da noite, ouviu-se um grito:
`O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!'
7Então as dez jovens se levantaram
e prepararam as lâmpadas.
8As imprevidentes disseram às previdentes:
`Dai-nos um pouco de óleo,
porque nossas lâmpadas estão se apagando.'
9As previdentes responderam:
`De modo nenhum,
porque o óleo pode ser insuficiente
para nós e para vós.
É melhor irdes comprar aos vendedores'.
10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou,
e as que estavam preparadas
entraram com ele para a festa de casamento.
E a porta se fechou.
11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram:
`Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!'
12Ele, porém, respondeu:
`Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!'
13Portanto, ficai vigiando,
pois não sabeis qual será o dia, nem a hora.
Palavra da Salvação.


Para os ajudar a refletir o Evangelho


Nós, os cristãos do tempo de hoje, não somos tão diferentes dos cristãos que integravam a comunidade de Mateus… Também percorremos um caminho de altos e baixos, em que os momentos de entusiasmo e de compromisso alternam com os momentos de insatisfação, de comodismo, de adormecimento... As dificuldades da caminhada, os apelos do mundo, a monotonia, a nossa fragilidade levam-nos, frequentemente, a esquecer os valores do Reino e os faz correr atrás de valores efémeros, que parecem os trazer a felicidade e só nos arrastam para caminhos de escravidão e de frustração. O Evangelho deste domingo lembra-nos que a segunda vinda do Senhor deve estar sempre no horizonte final da nossa existência e que não podemos esquecer os valores do Evangelho, pois só eles nos mantêm identificados com esse Senhor Jesus que voltará para nos oferecer a vida plena e definitiva. Enquanto caminhamos nesta terra devemos, pois, nos manter atentos e vigilantes, fiéis aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com esse Reino que Ele nos mandou construir.

Estar preparado” não significa, contudo, ter a “alminha” limpa e sem mancha, para que, quando aos nos encontrarmos com o Senhor, não tenhamos nenhuma falta não confessada, e que sejamos para o céu… Mas significa, sobretudo, vivermos dia a dia, de forma comprometida e entusiasta, o nosso compromisso batismal. “Estar preparado” passa por descobrirmos dia a dia o Plano de Deus para nós e para o mundo e procurar concretizá-lo, com alegria e entusiasmo; “estar preparado” passa por fazermos da nossa vida, a cada instante, um dom aos irmãos, no serviço, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus.

Embora o Engelho de hoje os fale do nosso encontro final com Jesus, devemos ter consciência de que esse momento não será o nosso único encontro com o Senhor… Jesus vem ao nosso encontro todos os dias e reclama o nosso empenho e o nosso compromisso na construção de um mundo novo... o mundo do Reino. Ele faz ecoar o seu apelo na Palavra de Deus que nos questiona, na miséria de um pobre que nos interpela, no pedido de socorro de um homem escravizado, na solidão de um velho carente de amor e de afeto, no sofrimento de um doente terminal abandonado por todos, no grito aflito de quem sofre a injustiça e a violência, no olhar dolorido de um imigrante, no corpo esquelético de uma criança com fome, nas lágrimas do oprimido… O Evangelho deste domingo avisa-nos que não podemos permanecer no nosso egoísmo e na nossa autossuficiência e recusar escutar os apelos do Senhor.

A parábola das jovens “insensatas” que se esqueceram do essencial nos faz pensar na questão das prioridades… É fácil irmos “na onda”, nos preocupar com o imediato, o visível, o efémero, e negligenciarmos os valores autênticos. Mateus, com algum dramatismo, nos avisa que só os valores do Evangelho nos asseguram a participação no banquete do Reino. O objetivo da catequese de Mateus não é nos dizer que, se não nos portarmos bem, Deus nos castiga com o inferno; mas é nos alertar para a seriedade com que devemos avaliar as nossas opções, de forma a não perdermos oportunidades para nos realizarmos e para chegarmos à felicidade plena e definitiva.


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 Comentário
Vigiai e orai

Uma vez mais, Jesus conta aos discípulos uma parábola. É apenas uma história. Como as que às vezes contamos às crianças para que durmam. Porém, todos sabemos que as histórias podem levar dentro muitas coisas. Falar mediante parábolas é uma forma de falar. Para que os que queiram entender, entendam. Nesta ocasião, Jesus contou aos discípulos. Eles seguramente entenderam que a parábola não era uma pura história. Jesus queria-lhes dizer algo mediante a história daquelas dez virgens encarregadas de preparar a festa dos casamentos e de esperar o noivo. Das dez, cinco foram o suficientemente prudente para dispor o que precisavam para a espera. Tomaram consigo suficiente azeite como para poder acender suas lamparinas. Assim estariam dispostas, embora o noivo chegasse à meia-noite. As outras cinco não pensaram, não se preocuparam. E a chegada do noivo as pegou desprevenidas. Ficaram fora da festa. Dentro estava a luz, fora a escuridão. As cinco virgens néscias ficaram envolvidas na escuridão da noite.     

Há pessoas que deixam sempre para amanhã o que podem fazer hoje. Exatamente o contrário do que diz o refrão: “Não deixe para amanhã o que possa fazer hoje”. São pessoas que estão muito seguras de que vão dispor de manhã para se reconciliar com seu irmão, visitar àquele amigo doente, devolver o que roubaram, deixar de beber, começar a ser honestos no trabalho ou começar a se preocupar com seus filhos. Esquecem-se de que o amanhã é aquilo do que certamente não estamos seguros. O que temos como seguro é o agora, o presente. Nada mais. Há alguém que saiba com segurança que amanhã vai estar vivo? Não será melhor começar a fazer hoje todas essas coisas? Assim, em caso que não disponhamos de manhã, ao menos começaremos a nos reconciliar, a viver uma vida mais feliz, a amar mais aos que vivem conosco, a ser mais honrados. Ao menos, poderemos dizer ao Senhor que talvez não terminamos de fazer tudo o que tínhamos que fazer, mas não foi porque não começássemos senão porque nos faltou tempo.

Isso é o que nos pede Jesus: que estejamos atentos, despertos a nossa vida, que façamos o que temos que fazer para que quando chegar o momento de “prestar” contas não nos encontremos sem azeite nos lustres e com as mãos vazias. 


Para a reflexão


Que temos pendente para fazer? Poderia enumerar todas aquelas coisas que, como cristão, achamos que deveríamos fazer e que até hoje não fizemos por preguiça, por negligência, por abandono, porque os parece difícil? Revisa a lista e decide-te a fazer uma ou duas delas.


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 Fontes de referencia


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

 

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