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A Palavra

II Domingo da Quaresma (Ano B)

No segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projetos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.
O Evangelho relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projeto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também.
Na primeira leitura apresenta-se a figura de Abraão como paradigma de uma certa atitude diante de Deus. Abraão é o homem de fé, que vive numa constante escuta de Deus, que aceita os apelos de Deus e que lhes responde com a obediência total Nesta perspectiva, Abraão é o modelo do crente que percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração.
A segunda leitura lembra aos crentes que Deus nos ama com um amor imenso e eterno. A melhor prova desse amor é Jesus Cristo, o Filho amado de Deus que morreu para ensinar ao homem o caminho da vida verdadeira. Sendo assim, o cristão nada tem a temer e deve enfrentar a vida com serenidade e esperança.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


PRIMEIRA LEITURA
O SACRIFÍCIO DE NOSSO PAI ABRAÃO.
LEITURA DO LIVRO DO GÊNESIS (22,1-2.9A.10-13.15-1)  


Naqueles dias:
1Deus pôs Abraão à prova.
Chamando-o, disse: 'Abraão!'
E ele respondeu: 'Aqui estou'.
2E Deus disse:
'Toma teu filho único, Isaac,
a quem tanto amas,
dirige-te à terra de Moriá,
e oferece-o ali em holocausto
sobre um monte que eu te indicar'.
9aChegados ao lugar indicado por Deus,
Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima,
amarrou o filho e o pôs sobre a lenha 
em cima do altar.
10Depois, estendeu a mão,
empunhando a faca para sacrificar o filho.
11E eis que o anjo do Senhor gritou do céu,
dizendo: 'Abraão! Abraão!'
Ele respondeu: 'Aqui estou!'.
12E o anjo lhe disse:
'Não estendas a mão contra teu filho
e não lhe faças nenhum mal!
Agora sei que temes a Deus,
pois não me recusaste teu filho único'.
13Abraão, erguendo os olhos,
viu um carneiro
preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo
e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho.
15O anjo do Senhor chamou Abraão,
pela segunda vez, do céu,
16e lhe disse:
'Juro por mim mesmo - oráculo do Senhor -,
uma vez que agiste deste modo
e não me recusaste teu filho único,
17eu te abençoarei
e tornarei tão numerosa tua descendência
como as estrelas do céu
e como as areias da praia do mar.
Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos.
18Por tua descendência serão abençoadas
todas as nações da terra,
porque me obedeceste'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - O comportamento de Abraão face a esta “crise” revela, antes de mais, o lugar absolutamente central que Deus ocupa na sua existência. Deus é, para Abraão, o valor máximo, a prioridade fundamental; por isso, Abraão mostra-se disposto a fazer a Deus um dom total e irrevogável de si próprio, da sua família, do seu futuro, dos seus sonhos, das suas aspirações, dos seus projetos, dos seus interesses. Para Abraão, nada mais conta quando estão em jogo os planos de Deus… Na vida do homem do nosso tempo, contudo, nem sempre Deus ocupa o lugar central que Lhe é devido.

2 - Com frequência, o dinheiro, o poder, a carreira profissional, o reconhecimento social, o sucesso, ocupam o lugar de Deus e condicionam as nossas opções, os nossos interesses, os valores que nos orientam. Abraão, o crente para quem Deus é a coordenada fundamental à volta da qual toda a vida se constrói convida-nos, nesta Quaresma, a rever as nossas prioridades e a dar a Deus o lugar que Ele merece.

3 - Na sua relação com Deus, o crente Abraão manifesta uma vasta gama de “qualidades” – a reverência, o respeito, a humildade, a disponibilidade, a obediência, a confiança, o amor, a fé – que o definem como o crente “ideal”, o modelo para os crentes de todas as épocas. Neste tempo de preparação para a Páscoa, são estas “qualidades” que nos são propostas, também. É preciso que realizemos um caminho de conversão que nos torne cada vez mais atentos e disponíveis para acolher e para viver na fidelidade aos planos de Deus.

4 - O crente Abraão ensina-nos, ainda, a confiar em Deus, mesmo quando tudo parece cair à nossa volta e quando os caminhos de Deus se revelam estranhos e incompreensíveis. Quando os nossos projetos se desmoronam, quando as nuvens negras da guerra, da violência, da opressão se acastelam no horizonte da nossa existência, quando o sofrimento nos leva ao desespero, é preciso continuar a caminhar serenamente, confiando nesse Deus que é a nossa esperança e que tem um projeto de vida plena para nós e para o mundo.

5 - A ideia de que a obediência de Abraão é fonte de vida para ele, para a sua família e para “todas as nações da terra”, deve ser uma espécie de “selo de garantia” que atesta a validade deste caminho. Fazer de Deus o centro da própria existência e renunciar aos próprios critérios e interesses para cumprir os planos de Deus não é uma escravidão, mas um caminho que nos garante (a nós e aos nossos irmãos) o acesso à vida plena e verdadeira.


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SALMO RESPONSORIAL
Caminharei na terra dos vivos na presença do Senhor.
Sl 115,10 15.16-17.18-19 (R. Sl 114,9)


Andarei na presença de Deus,
junto a ele na terra dos vivos.
10Guardei a minha fé, mesmo dizendo:
'É demais o sofrimento em minha vida!'
15É sentida por demais pelo Senhor
a morte de seus santos, seus amigos.

Andarei na presença de Deus,
junto a ele na terra dos vivos.

16Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,
vosso servo que nasceu de vossa serva;
mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
17Por isso oferto um sacrifício de louvor,
invocando o nome santo do Senhor.
Andarei na presença de Deus,
junto a ele na terra dos vivos.
18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido;
19nos átrios da casa do Senhor,
em teu meio, ó cidade de Sião!
Andarei na presença de Deus,
junto a ele na terra dos vivos.


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SEGUNDA LEITURA
DEUS NÃO POUPOU SEU PRÓPRIO FILHO.
LEITURA DA CARTA DE SÃO PAULO AOS ROMANOS (8,31B-34)


Irmãos:

31bSe Deus é por nós, quem será contra nós?
32Deus que não poupou seu próprio filho,
mas o entregou por todos nós,
como não nos daria tudo junto com ele?
33Quem acusará os escolhidos de Deus?
Deus, que os declara justos?
34Quem condenará?
Jesus Cristo, que morreu,
mais ainda, que ressuscitou,
e está, à direita de Deus, intercedendo por nós?
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - Para Paulo, há uma constatação incrível, que não cessa de o espantar: Deus ama-nos com um amor profundo, total, radical, que nada nem ninguém consegue apagar ou eliminar. Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa existência e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, é esta descoberta que Paulo nos convida a fazer… Nos momentos de crise, de desilusão, de perseguição, de orfandade, quando parece que todo o mundo está contra nós e que não entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: “não tenhais medo; Deus ama-vos”.

2- Descobrir esse amor dá-nos a coragem necessária para enfrentar a vida com serenidade, com tranquilidade e com o coração cheio de paz. O crente é aquele homem ou mulher que não tem medo de nada porque está consciente de que Deus o ama e que lhe oferece, aconteça o que acontecer, a vida em plenitude. Pode, portanto, entregar a sua vida como dom, correr riscos na luta pela paz e pela justiça, enfrentar os poderes da opressão e da morte, porque confia no Deus que o ama e que o salva.


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EVANGELHO
ESTE É MEU FILHO AMADO.
PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO MARCOS (9, 2 -10)


Naquele tempo:

2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João,
e os levou sozinhos a um lugar à parte
sobre uma alta montanha.
E transfigurou-se diante deles.
3Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas
como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar.
4Apareceram-lhe Elias e Moisés,
e estavam conversando com Jesus.
5Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus:
'Mestre, é bom ficarmos aqui.
Vamos fazer três tendas:
uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.'
6Pedro não sabia o que dizer,
pois estavam todos com muito medo.
7Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra.
E da nuvem saiu uma voz:
'Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!'
8E, de repente, olhando em volta,
não viram mais ninguém, 
a não ser somente Jesus com eles.
9Ao descerem da montanha,
Jesus ordenou que não contassem a ninguém
o que tinham visto,
até que o Filho do Homem 
tivesse ressuscitado dos mortos.
10Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si
o que queria dizer 'ressuscitar dos mortos'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1-  A questão fundamental expressa no episódio da transfiguração está na revelação de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projeto salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de Si próprio por amor. Pela transfiguração de Jesus, Deus demonstra aos crentes de todas as épocas e lugares que uma existência feita dom não é fracassada - mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de pôr a sua vida ao serviço dos irmãos.

2 - Os  homens do nosso tempo têm alguma dificuldade em perceber esta lógica… Para muitos dos nossos irmãos, a vida plena não está no amor levado até às últimas consequências, mas sim na preocupação egoísta com os seus interesses pessoais, com o seu orgulho, com o seu pequeno mundo privado; não está no serviço simples e humilde em favor dos irmãos, mas no assegurar para si próprio uma dose generosa de poder, de influência, de autoridade, de domínio, que dê a sensação de pertencer à categoria dos vencedores; não está numa vida vivida como dom, com humildade e simplicidade, mas numa vida feita um jogo complicado de conquista de honras, de glórias, de êxitos. Na verdade, onde é que está a realização plena do homem? Quem tem razão: Deus, ou os esquemas humanos que hoje dominam o mundo e que nos impõem uma lógica diferente da lógica do Evangelho?

3 - Por vezes somos tentados pelo desânimo, porque não percebemos o alcance dos esquemas de Deus; ou então, parece que, seguindo a lógica de Deus, seremos sempre perdedores e fracassados, que nunca integraremos a elite dos senhores do mundo e que nunca chegaremos a conquistar o reconhecimento daqueles que caminham ao nosso lado… A transfiguração de Jesus grita-nos, do alto daquele monte: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

3 - Os três discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem não ter muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga a “regressar ao mundo” para testemunhar aos homens - mesmo contra a corrente - que a realização autêntica está no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz. A religião não é um ópio que nos adormece, mas um compromisso com Deus, que se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.


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COMENTÁRIO
SUBIR À MONTANHA


Desde a cume de uma montanha tudo se vê melhor, o que está abaixo ou acima. Por isso, muitos santuários estão situados em colinas. E também muitos templos de outras religiões. Ali parece que Deus está mais perto, afastados do movimento e trabalhos do mundo, e onde somos mais capazes de ver com clareza o conjunto de nossa vida. Porque, quando estamos abaixo, as árvores não nos deixam ver o bosque.  

Nas leituras de hoje tanto a primeira leitura como o Evangelho acontecem no cume de uma montanha. No alto Abrahão encontra-se com o anjo do Senhor, isto é, o Senhor mesmo. Pediu-lhe total disponibilidade ante sua vontade. Não há que se deixar levar pela ideia de como Deus podia pedir o sacrifício de seu filho. É o estilo literário, a forma de falar da total disponibilidade de Abrahão que o escritor daquela época elegeu para que a gente de seu tempo entendesse a mensagem. Hoje teríamos expressado de outra forma. Por tanto, passemos da superfície ao conteúdo central da mensagem: Abrahão está totalmente disponível à vontade de Deus, confia totalmente nele e, por isso, Deus lhe dá sua bênção. Para ele, para seus descendentes e para todos os povos da terra. E a bênção de Deus não pode significar mais que a promessa da vida.

Também no alto de uma montanha tem local a transfiguração de Jesus ante seus apóstolos. Ali, longe das multidões, talvez em um momento de encontro e diálogo profundo, foi como os apóstolos foram capazes de ver com toda clareza quem era Jesus e sua relação com as tradições judias - daí a presença de Elias e Moisés -. E isso, quando o contaram anos mais tarde, o explicaram dizendo que Jesus se tinha transfigurado ante eles. Tinham-no contemplado iluminado por Deus mesmo e tinham escutado a voz de Deus que lhes disse: “Este é meu Filho amado; escutem-no”.  

A experiência de subir uma montanha foi definitiva. Para Abrahão e para os três apóstolos que subiram com Jesus.  Talvez esta Quaresma possa ser a oportunidade para subir também em alguma montanha, para buscar algum momento no qual possamos nós afastar do tráfego diário da vida. Ali encontraremos, antes de mais nada, silêncio. O silêncio de Deus que terminará por chegar ao nosso coração. Ali nós daremos conta, talvez, de que nossa vida não está como deveria estar. Ali encontraremos as forças para tentar uma mudança, porque contamos com a bênção e a graça e a força de Deus que não nos abandona nunca. Porque, como diz a segunda leitura, “Se Deus é por nós, quem será contra nós? ”. 


Para a reflexão


Teremos tempo nesta Quaresma para buscar um pouco de silêncio todos os dias ou uma vez na semana? Talvez isso possa ser nossa montanha particular na qual nos encontremos com a bênção de Deus e comecemos a escuta-lo em nossos caminhos.


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad Católica
Família Dehoniana


 

I Domingo da Quaresma (Ano B)

No I Domingo do Tempo da Quaresma, a liturgia garante-nos que Deus está interessado em destruir o velho mundo do egoísmo e do pecado e em oferecer aos homens um mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim.
A primeira leitura é um extrato da história do dilúvio. Diz-nos que Jahwéh, depois de eliminar o pecado que escraviza o homem e que corrompe o mundo, depõe o seu “arco de guerra”, vem ao encontro do homem, faz com ele uma Aliança incondicional de paz. A ação de Deus destina-se a fazer nascer uma nova humanidade, que percorra os caminhos do amor, da justiça, da vida verdadeira.
No Evangelho, Jesus mostra-nos como a renúncia a caminhos de egoísmo e de pecado e a aceitação dos projetos de Deus está na origem do nascimento desse mundo novo que Deus quer oferecer a todos os homens (o “Reino de Deus”). Aos seus discípulos Jesus pede - para que possam fazer parte da comunidade do “Reino” - a conversão e a adesão à Boa Nova que Ele próprio veio propor.
Na segunda leitura, o autor da primeira Carta de Pedro recorda que, pelo Baptismo, os cristãos aderiram a Cristo e à salvação que Ele veio oferecer. Comprometeram-se, portanto, a seguir Jesus no caminho do amor, do serviço, do dom da vida; e, envolvidos nesse dinamismo de vida e de salvação que brota de Jesus, tornaram-se o princípio de uma nova humanidade.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

PRIMEIRA LEITURA
ALIANÇA DE DEUS COM NOÉ, SALVO DAS ÁGUAS DO DILÚVIO.
LEITURA DO LIVRO DO GÊNESIS (9,8-15)


8Disse Deus a Noé e a seus filhos:
9'Eis que vou estabelecer minha aliança convosco
e com vossa descendência,
10com todos os seres vivos que estão convosco:
aves, animais domésticos e selvagens,
enfim, com todos os animais da terra,
que saíram convosco da arca.
11Estabeleço convosco a minha aliança:
nenhuma criatura será mais exterminada
pelas águas do dilúvio,
e não haverá mais dilúvio para devastar a terra'.
12E Deus disse:
'Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vós,
e todos os seres vivos que estão convosco,
por todas as gerações futuras.
13Ponho meu arco nas nuvens
como sinal de aliança entre mim e a terra.
14Quando eu reunir as nuvens sobre a terra,
aparecerá meu arco nas nuvens.
15Então eu me lembrarei de minha aliança convosco
e com todas as espécies de seres vivos.
E não tornará mais a haver dilúvio que faça
perecer nas suas águas toda criatura'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Evidentemente, não foi Deus que enviou o dilúvio para castigar os homens. Os catequistas de Israel apenas pegaram na velha lenda mesopotâmica para ensinar que o pecado é algo incompatível com Deus e com os projetos de Deus para o homem e para o mundo; por isso, quando o ódio, a violência, o egoísmo, o orgulho, a prepotência enche o mundo e trazem infelicidade aos homens, Deus tem de intervir para corrigir o rumo da humanidade. Esta catequese recorda-nos, no início da nossa caminhada quaresmal, que o pecado não é uma realidade que possa coexistir com essa vida nova que Deus nos quer oferecer e que é a nossa vocação fundamental. O pecado destrói a vida e assassina a felicidade do homem; por isso, tem de ser eliminado da nossa existência.

2 - O sentido geral do texto que nos é proposto aponta, contudo, no sentido da esperança. A Aliança que Deus faz com Noé e com toda a humanidade é uma Aliança totalmente gratuita e incondicional, que não depende do arrependimento do homem ou das contrapartidas que o homem possa oferecer a Deus… Nos termos desta Aliança revela-se um Deus que Se recusa a fazer guerra ao homem, que abençoa e abraça o homem, que ama o homem mesmo quando ele continua a trilhar caminhos de pecado e de infidelidade. Nesta Quaresma, somos convidados a fazer esta experiência de um Deus que nos ama apesar das nossas infidelidades; e somos convidados, também, a deixar que o amor de Deus nos transforme e nos faça renascer para a vida nova.

3 -  A lógica do amor de Deus - amor incondicional, total, universal, que se derrama até sobre os que o não merecem - convida-nos a repensar a nossa forma de abordar a vida e de tratar os nossos irmãos. Podemos sentir-nos filhos deste Deus quando utilizamos uma lógica de vingança, de intolerância, de incompreensão perante as fragilidades e limitações dos irmãos? Podemos sentir-nos filhos deste Deus quando respondemos com uma violência maior àqueles que consideramos maus e violentos? Talvez este tempo de Quaresma que nestes dias iniciamos seja um tempo propício para repensarmos as nossas atitudes e para nos convertermos à lógica do amor incondicional, à lógica de Deus.


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SALMO RESPONSORIAL
VERDADE E AMOR, SÃO OS CAMINHOS DO SENHOR.
SL 24,4BC-5AB.6-7BC.8-9 (R. CF. 10)


Verdade e amor, são os caminhos do Senhor

4bMostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,
4ce fazei-me conhecer a vossa estrada!
5aVossa verdade me oriente e me conduza,
5bporque sois o Deus da minha salvação.

Verdade e amor, são os caminhos do Senhor.

6Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão que são eternas!
7bDe mim lembrai-vos, porque sois misericórdia
7ce sois bondade sem limites, ó Senhor!

Verdade e amor, são os caminhos do Senhor.

8O Senhor é piedade e retidão,              
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
9Ele dirige os humildes na justiça,
e aos pobres ele ensina o seu caminho.

Verdade e amor, são os caminhos do Senhor.


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SEGUNDA LEITURA
O BATISMO AGORA VOS SALVA.
LEITURA DA PRIMEIRA CARTA DE SÃO PEDRO (3,18-22)


Caríssimos:
18Cristo morreu, uma vez por todas,
por causa dos pecados, o justo, pelos injustos,
a fim de nos conduzir a Deus.
Sofreu a morte, na sua existência humana,
mas recebeu nova vida pelo Espirito.
19No Espírito,
ele foi também pregar aos espíritos na prisão,
20a saber, aos que foram desobedientes antigamente,
quando Deus usava de longanimidade,
nos dias em que Noé construía a arca.
Nesta arca, umas poucas pessoas - oito -
foram salvas por meio da água.
21É arca corresponde o batismo,
que hoje é a vossa salvação.
Pois o batismo não serve para limpar o corpo da
imundície, mas é um
pedido a Deus para obter uma boa consciência,
em virtude da ressurreição de Jesus Cristo.
22Ele subiu ao céu e está à direita de Deus,
submetendo-se a ele anjos, dominações e potestades.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - Mais uma vez, nos é colocado o problema do sentido de uma vida feita dom e entrega aos outros, até à morte (sobretudo se esses “outros” são os nossos perseguidores e detratores). É possível “dar o braço a torcer” e triunfar? O amor e o dom da vida não serão esquemas de fragilidade, que não conduzem senão ao fracasso? Esta história de o amor ser o caminho para a felicidade e para a vida plena não será uma desculpa dos fracos? Não - responde a Palavra de Deus que nos é proposta. Reparemos no exemplo de Cristo: Ele deu a vida pelos pecadores e pelos injustos e encontrou, no final do caminho, a ressurreição, a vida plena.

2 - Diante das dificuldades, das propostas contrárias aos valores cristãos, é em Cristo que colocamos a nossa confiança e a nossa esperança? Ou é noutros esquemas mais materiais, mais imediatos, mais lógicos, do ponto de vista humano?

3 - Diante dos ataques daqueles que não concordam com os valores de Jesus, como nos comportamos? Com a mesma agressividade com que nos tratam? Com a mesma intolerância dos nossos adversários? Tratando-os com a lógica do “olho por olho, dente por dente”? Como é que Jesus tratou aqueles que O condenaram e mataram?


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EVANGELHO
FOI TENTADO POR SATANÁS, E OS ANJOS O SERVIAM.
PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO MARCOS (1,12-15)


Naquele tempo:
12O Espírito levou Jesus para o deserto.
13E ele ficou no deserto durante quarenta dias,
e ali foi tentado por Satanás.
Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.
14Depois que João Batista foi preso,
Jesus foi para a Galileia,
pregando o Evangelho de Deus e dizendo:
15'O tempo já se completou
e o Reino de Deus está próximo.
Convertei-vos e crede no Evangelho!'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O quadro da “tentação no deserto” nos diz que Jesus, ao longo do caminho que percorreu no meio dos homens, foi confrontado com opções. Ele teve de escolher entre viver na fidelidade aos projetos do Pai e fazer da sua vida um dom de amor, ou frustrar os planos de Deus e enveredar por um caminho de egoísmo, de poder, de autossuficiência. Jesus escolheu viver - de forma total, absoluta, até ao dom da vida - na obediência às propostas do Pai. Os discípulos de Jesus são confrontados a todos os instantes com as mesmas opções. Seguir Jesus é perceber os projetos de Deus e cumpri-los fielmente, fazendo da própria vida uma entrega de amor e um serviço aos irmãos. Estou disposto a percorrer este caminho?

2 - Ao dispor-se a cumprir integralmente o projeto de salvação que o Pai tinha para os homens, Jesus começou a construir um mundo novo, de harmonia, de justiça, de reconciliação, de amor e de paz. A esse mundo novo, Jesus chamava “Reino de Deus”. Nós aderimos a esse projeto e comprometemo-nos com ele, no dia em que escolhemos ser seguidores de Jesus. O nosso empenho na construção do “Reino de Deus” tem sido coerente e consequente? Mesmo contra a corrente, temos procurado ser profetas do amor, testemunhas da justiça, servidores da reconciliação, construtores da paz?

3 - Para que o “Reino de Deus” se torne uma realidade, o que é necessário fazer? Na perspectiva de Jesus, o “Reino de Deus” exige, antes de mais, a “conversão”. “Converter-se” é, antes de mais, renunciar a caminhos de egoísmo e de autossuficiência e centrar a própria vida em Deus, de forma a que Deus e os seus projetos sejam sempre a nossa prioridade máxima. Implica, naturalmente, modificar a nossa mentalidade, os nossos valores, as nossas atitudes, a nossa forma de encarar Deus, o mundo e os outros. Exige que sejamos capazes de renunciar ao egoísmo, ao orgulho, à autossuficiência, ao comodismo e que voltemos a escutar Deus e as suas propostas. O que é que temos de “converter” para que se manifeste, realmente, esse Reino de Deus tão esperado?


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COMENTÁRIO
LEMBREMOS A ALIANÇA


No primeiro domingo da Quaresma a Igreja nos convida a meditar nas tentações de Jesus. O relato das tentações na versão de Marcos, é o mais breve de todos os evangelhos. Mas o mais interessante é sublinhar que a ideia central das leituras deste dia não são as tentações de Jesus, mas, as consequências, as nossas próprias tentações. A ideia central é maior que a Aliança de Deus com a humanidade.

A primeira leitura lembra-nos a história de Noé. Ocorrida no diluvio. A história do mundo está a ponto de começar de novo. E Deus quer que o primeiro ato dessa nova etapa seja a Aliança definitiva entre Deus e a humanidade. Não se fala de nenhum povo em concreto. É a humanidade a que se encontra diretamente com Deus. Não se faz distinção de raças nem de povos, não há idiomas nem fronteiras. Deus acerca-se e faz a oferta de uma Aliança definitiva e para sempre. Com os que estão vivos nesse momento e com seus descendentes. Quase poderíamos dizer que é uma Aliança com toda a criação, já que a leitura diz expressamente que é uma Aliança com todos os seres vivos.

A Aliança tem um conteúdo claro: “nenhum ser vivo voltará a ser exterminado pelas águas do diluvio”. Dito em outras palavras, Deus compromete-se com a vida e a favor da vida. Terá um sinal dessa Aliança. Será o arco-íris que podemos ver de vez em quando no céu após as tormentas. O arco-íris não é mais que um sinal da beleza da criação. Toda a criação, toda a vida, se converte agora em sinal da Aliança, porque toda ela é criada, cuidada e amada por Deus.

A Aliança renova-se no Evangelho. Nele Jesus anuncia a presença do Reino de Deus. Já está perto. O Reino é a nova Aliança, a plenitude daquela primeira Aliança firmada por Moisés. A plenitude de todas as Alianças. O novo sinal será o mesmo Jesus, o Filho, o que morreu por nós dará sua vida e inaugurará com sua ressurreição a nova vida para todos. Uma vida em plenitude.

Ao começar a Quaresma, encontramo-nos com Deus o que faz uma Aliança conosco. Convida-nos a participar na vida. Convida-nos a abandonar os caminhos de morte. Convida-nos a nos converter, a crer no Evangelho, porque só aí encontraremos a felicidade, o bem-estar, a liberdade e a Vida a que tanto aspiramos. Agora depende da cada um de nós entrar nessa nova Aliança. A mão de Deus está tendida para nós. TEMOS 50 DIAS PARA PENSAR QUAL SERÁ NOSSA RESPOSTA.


PARA A REFLEXÃO


Acaba de começar a Quaresma e é tempo de nos converter e firmar de novo a Aliança com nosso Deus. Realmente acho que a Aliança é melhor opção para minha vida, para nossa vida? Estou disposto a renunciar a meus caminhos de morte para entrar na Aliança? Em que consistem concretamente em minha vida esses caminhos de morte?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

 

Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas - (Ano B)

Iniciamos hoje a Quaresma, que é tempo de escuta da Palavra, de oração, de jejum, e da prática da caridade como caminho de conversão, tendo como horizonte a celebração do Mistério Pascal de nosso Senhor Jesus Cristo, queremos com Jesus realizar nossa passagem da morte para a vida plena. Este tempo de graça e reconciliação se inicia com a celebração das Cinzas: apelo para a conversão e convite à revisão de nossas atitudes.

Durante a Quaresma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade é ajudar-nos a assumir a dimensão pessoal, comunitária e social da Quaresma. Neste ano, o tema é “FRATERNIDADE E A SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA”. E o lema, “VÓS SOIS TODOS IRMÃOS” Mateus (23,8). A CF contempla sete objetivos específicos: ANUNCIAR a Boa Nova da fraternidade e da paz, estimulando ações concretas que expressem a conversão e a reconciliação no espírito quaresmal; ANALISAR as múltiplas formas de violência, considerando suas causas e consequências na sociedade brasileira, especialmente as provocadas pelo tráfico de drogas; IDENTIFICAR o alcance da violência nas realidades urbana e rural de nosso país, propondo caminhos de superação a partir do diálogo, da misericórdia e da justiça em sintonia com o Ensino Social da Igreja; VALORIZAR a família e a escola e como espaços de convivência fraterna, de educação para a paz e de testemunho do amor e do perdão; IDENTIFICAR, ACOMPANHAR E REIVINDICAR políticas públicas de superação da desigualdade social e da violência; ESTIMULAR as comunidades cristãs, pastorais, associações religiosas e movimentos eclesiais ao compromisso com ações que levem à superação da violência; APOIAR os centros de direitos humanos, comissões de justiça e paz, conselhos paritários de direitos e organizações da sociedade civil que trabalham para a superação da violência.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Homília

Primeira Leitura
Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes.

Leitura Profecia de Joel (2,12-18)


12'Agora, diz o Senhor,
voltai para mim com todo o vosso coração,
com jejuns, lágrimas e gemidos;
13rasgai o coração, e não as vestes;
e voltai para o Senhor, vosso Deus;
ele é benigno e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia,
inclinado a perdoar o castigo'.
14Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa,
e deixa atrás de si a bênção,
oblação e libação
para o Senhor, vosso Deus?
15Tocai trombeta em Sião,
prescrevei o jejum sagrado,
convocai a assembleia;
16congregai o povo,
realizai cerimônias de culto,
reuni anciãos,
ajuntai crianças e lactentes;
deixe o esposo seu aposento,
e a esposa, seu leito.
17Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar,
os ministros sagrados do Senhor, e digam:
'Perdoa, Senhor, a teu povo,
e não deixes que esta tua herança sofra infâmia
e que as nações a dominem.'
Por que se haveria de dizer entre os povos:
'Onde está o Deus deles?'
18Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra
e perdoou ao seu povo.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.
Sl 50 (51), 3-4. 5-6a. 12-13. 14.17 (R.Cf.3a)


Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.
3Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
4Lavai-me todo inteiro do pecado,
e apagai completamente a minha culpa!
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.
5Eu reconheço toda a minha iniquidade,
o meu pecado está sempre à minha frente.
6aFoi contra vós, só contra vós, que eu pequei,
pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.
12Criai em mim um coração que seja puro,
dai-me de novo um espírito decidido.
13Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.
14Dai-me de novo a alegria de ser salvo
e confirmai-me com espírito generoso!
17Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,
e minha boca anunciará vosso louvor!
Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.


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Segunda Leitura
Reconciliai-vos com Deus. É agora o momento favorável.
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios (5,20 - 6,2)


Irmãos:
20Somos embaixadores de Cristo,
e é Deus mesmo que exorta através de nós.
Em nome de Cristo, nós vos suplicamos:
deixai-vos reconciliar com Deus.
21Aquele que não cometeu nenhum pecado,
Deus o fez pecado por nós,
para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.
6,1Como colaboradores de Cristo,
nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus,
2pois ele diz: 'No momento favorável, eu te ouvi
e no dia da salvação, eu te socorri'.
É agora o momento favorável,
é agora o dia da salvação.

Palavra do Senhor.


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Evangelho
E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Mateus (6,1-6.16-18)


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
1'Ficai atentos
para não praticar a vossa justiça na frente dos homens,
só para serdes vistos por eles.
Caso contrário, não recebereis a recompensa
do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola,
não toques a trombeta diante de ti,
como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
3Ao contrário, quando deres esmola,
que a tua mão esquerda não saiba
o que faz a tua mão direita,
4de modo que, a tua esmola fique oculta.
E o teu Pai, que vê o que está oculto,
te dará a recompensa.
5Quando orardes,
não sejais como os hipócritas,
que gostam de rezar em pé,
nas sinagogas e nas esquinas das praças,
para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
6Ao contrário, quando tu orares,
entra no teu quarto, fecha a porta,
e reza ao teu Pai que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
16Quando jejuardes,
não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas.
Eles desfiguram o rosto,
para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo:
Eles já receberam a sua recompensa.
17Tu, porém, quando jejuares,
perfuma a cabeça e lava o rosto,
18para que os homens não vejam
que tu estás jejuando,
mas somente teu Pai, que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
Palavra da Salvação.


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Homilia na Liturgia das Cinzas


Como povo de Deus, começamos o caminho da Quaresma, tempo em que procuramos unir-nos mais intimamente ao Senhor, para compartilhar o mistério da sua paixão e da sua ressurreição.

A liturgia de hoje propõe-nos antes de tudo o trecho do profeta Joel, enviado por Deus para chamar o povo à penitência e à conversão, por causa de uma calamidade (uma invasão de gafanhotos) que devasta a Judeia. Unicamente o Senhor pode salvar do flagelo e, por conseguinte, é necessário suplicá-lo com orações e jejuns, confessando o próprio pecado.

O profeta insiste sobre a conversão interior: «Voltai para mim com todo o vosso coração» (2, 12).

Voltar para o Senhor «com todo o vosso coração» significa empreender o caminho de uma conversão não superficial nem transitória, mas sim um itinerário espiritual que diz respeito ao lugar mais íntimo da nossa pessoa. Com efeito, o coração é a sede dos nossos sentimentos, o centro no qual amadurecem as nossas escolhas e as nossas atitudes. Aquele «voltai para mim com todo o vosso coração» não se refere unicamente aos indivíduos, mas estende-se à comunidade inteira, é uma convocação dirigida a todos: «reuni o povo; santificai a assembleia, agrupai os anciãos, congregai as crianças e os lactentes; saia o recém-casado dos seus aposentos, e a esposa da sua câmara nupcial» (vv. 15-16).

O profeta medita de maneira particular sobre a prece dos sacerdotes, observando que ela deve ser acompanhada de lágrimas. Far-nos-á bem a todos, mas especialmente a nós sacerdotes, no início desta Quaresma, pedir o dom das lágrimas, de modo a tornar a nossa oração e o nosso caminho de conversão cada vez mais autênticos e sem hipocrisia. Far-nos-á bem interrogar-nos: «Eu choro? O Papa chora? Os cardeais choram? Os bispos choram? Os consagrados choram? Os sacerdotes choram? Há pranto nas nossas orações? ». É precisamente esta a mensagem do Evangelho deste dia. No trecho de Mateus, Jesus volta a ler as três obras de piedade previstas na lei mosaica: a esmola, a oração e o jejum. E distingue a situação exterior da interior, daquele chorar com o coração. Ao longo do tempo, estas prescrições foram corroídas pela ferrugem do formalismo exterior, ou até se transformaram num sinal de superioridade social. Jesus põe em evidência uma tentação comum nestas três obras, que se pode resumir precisamente na hipocrisia (que é mencionada três vezes): «Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes admirados por eles... Quando, pois, deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas... Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé... para serem vistos pelos homens... E quando jejuardes, não tenhais um ar triste, como os hipócritas» (Mt 6, 1.2.5.16). Irmãos, estai conscientes de que os hipócritas não sabem chorar, já se esqueceram de como se chora, não pedem o dom das lágrimas.

Quando realizamos algo de bom, quase instintivamente nasce em nós o desejo de sermos estimados e até admirados por esta boa ação, para recebermos uma satisfação. Mas Jesus convida-nos a realizar as boas obras sem qualquer ostentação, confiando unicamente na recompensa do Pai, «que vê o segredo» (Mt 6, 4.6 e 18).

Estimados irmãos e irmãs, o Senhor nunca se cansa de ter misericórdia de nós, e deseja oferecer-nos mais uma vez o seu perdão — todos nós temos necessidade disto - convidando-nos a voltar para Ele com um coração novo, livres do mal e purificados pelas lágrimas, para participar na sua alegria. Como responder a este convite? É são Paulo quem sugere: «Rogamos-vos, em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus!» (2 Cor 5, 20). Este esforço de conversão não é apenas uma obra humana, mas significadeixar-se reconciliar. A reconciliação entre nós e Deus é possível graças à misericórdia do Pai que, por amor a nós, não hesitou em santificar o seu único Filho. Com efeito Cristo, que era justo e não conhecia o pecado, fez-se pecado por nós (cf. v. 21), quando na cruz assumiu os nossos pecados, e deste modo nos resgatou e justificou diante de Deus. «Nele» nós podemos tornar-nos justos, nele nós podemos mudar, se acolhermos a graça de Deus e não deixarmos passar em vão este «momento favorável» (6, 2). Por favor, paremos, detenhamo-nos um pouco, para nos deixarmos reconciliar com Deus!

Com esta consciência, comecemos confiantes e jubilosamente o itinerário quaresmal. Maria Mãe Imaculada, sem pecado, sustente o nosso combate espiritual contra o pecado, acompanhando-nos neste momento favorável, a fim de que possamos entoar juntos a exultação da vitória no dia da Páscoa. E como sinal da vontade de nos deixarmos reconciliar com Deus, além das lágrimas que estarão «no segredo», em público também realizaremos o gesto da imposição das Cinzas sobre a cabeça. O celebrante pronuncia as seguintes palavras: «Porque és pó, e pó te hás de tornar» (cf.Gn 3, 19), ou então repete a exortação de Jesus: «Convertei-vos e crede no Evangelho» (cf.Mc 1, 15). Ambas as fórmulas constituem uma evocação da verdade acerca da existência humana: somos criaturas limitadas, pecadores sempre necessitados de penitência e de conversão. Como é importante ouvir e aceitar tal exortação nesta nossa época! Por isso, o convite à conversão constitui um impulso a voltar, como fez o filho da parábola, aos braços de Deus, Pai terno e misericordioso, a chorar naquele abraço, a confiar nele e a entregar-se a Ele.


HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015


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VI Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do VI Domingo do Tempo Comum apresenta-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que convida todos os homens e todas as mulheres a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos a legislação que definia a forma de tratar com os leprosos. Impressiona como, a partir de uma imagem deturpada de Deus, os homens são capazes de inventar mecanismos de discriminação e de rejeição em nome de Deus.
O Evangelho diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projetos todos os mecanismos de opressão dos irmãos.
A segunda leitura convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projetos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.


 


PRIMEIRA LEITURA  
SALMO RESPONSORIAL  
SEGUNDA LEITURA
EVANGELHO
COMENTÁRIO


PRIMEIRA LEITURA
O LEPROSO DEVE FICAR ISOLADO E MORAR FORA DO ACAMPAMENTO.
Leitura do Livro do Levítico (13,1-2.44-46)


1O Senhor falou a Moisés e Aarão, dizendo:
2'Quando alguém tiver na pele do seu corpo
alguma inflamação, erupção ou mancha branca,
com aparência do mal da lepra,
será levado ao sacerdote Aarão,
ou a um dos seus filhos sacerdotes.
44Se o homem estiver leproso é impuro,
e como tal o sacerdote o deve declarar.
45O homem atingido por este mal
andará com as vestes rasgadas,
os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando:
'Impuro! Impuro!'
46Durante todo o tempo em que estiver leproso
será impuro;
e, sendo impuro,
deve ficar isolado e morar fora do acampamento'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - O texto da primeira leitura não contém propriamente um ensinamento claro e direto acerca de Deus ou acerca do comportamento da homem face a Deus. No entanto, ela tem o seu valor e a sua importância: prepara-nos para entender a novidade de Jesus, essa novidade que o Evangelho de hoje nos apresenta. Jesus virá demonstrar que Deus não marginaliza nem exclui ninguém e que todos os homens são chamados a integrar a família dos filhos de Deus.

2 – Indiretamente o texto da primeira leitura denuncia a atitude daqueles que, instalados nas suas certezas e seguranças, constroem um Deus à medida do homem e que atua segundo uma lógica humana, injusta, prepotente, criadora de exclusão e de marginalização. NÃO TEMOS QUE CRIAR UM DEUS que atue de acordo com os nossos esquemas mentais, com as nossas lógicas e preconceitos; o que temos é de tentar perceber e acolher a lógica de Deus.

3 – Indiretamente o texto da primeira leitura nos convida a repensar as nossas atitudes e comportamentos face aos nossos irmãos. Não será possível que os nossos preconceitos, a nossa preocupação com o legalismo, a nossa obsessão pelo politicamente correto estejam criando marginalização e exclusão para os nossos irmãos? Não pode acontecer que, em nome de Deus, dos “princípios”, da “verdadeira doutrina”, das exigências de radicalidade, estejamos afastando as pessoas, as condenando, as impedindo de fazer uma verdadeira experiência de Deus e de comunidade?


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SALMO RESPONSORIAL
SOIS, SENHOR, PARA MIM, ALEGRIA E REFÚGIO.
Sl 31,1-2.5.11 (R.7)


Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

1Feliz o homem que foi perdoado
e cuja falta já foi encoberta!
2Feliz o homem a quem o Senhor 
não olha mais como sendo culpado,
e em cuja alma não há falsidade!

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

5Eu confessei, afinal, meu pecado,
e minha falta vos fiz conhecer.
Disse: 'Eu irei confessar meu pecado!'
E perdoastes, Senhor, minha falta.

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

11Regozijai-vos, ó justos, em Deus,
e no Senhor exultai de alegria!
Corações retos, cantai jubilosos!

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.


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SEGUNDA LEITURA
SEDE MEUS IMITADORES, COMO TAMBÉM EU O SOU DE CRISTO.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (10,31-11,1)


Irmãos:
10,31Quer comais, quer bebais,
quer façais qualquer outra coisa,
fazei tudo para a glória de Deus.
32Não escandalizeis ninguém, nem judeus, nem gregos,
nem a igreja de Deus.
33Fazei como eu,
que procuro agradar a todos, em tudo,
não buscando o que é vantajoso para mim mesmo,
mas o que é vantajoso para todos,
a fim de que sejam salvos.
11,1 Sede meus imitadores,
como também eu o sou de Cristo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - A liberdade é um valor absoluto? Devemos defender e afirmar intransigentemente os nossos direitos em todas as circunstâncias? A realização dos nossos projetos pessoais deve ser a nossa principal prioridade? Paulo deixa claro que, para o cristão, o valor absoluto ao qual todo o resto se deve subordinar é o AMOR. O cristão sabe que, em certas circunstâncias, pode ser convidado a renunciar aos próprios direitos, à própria liberdade, aos próprios projetos porque a caridade ou o bem dos irmãos assim o exigem. Mesmo que um determinado comportamento seja legítimo, o cristão deve evitá-lo se esse comportamento faz mal a alguém.

2 - A propósito, Paulo se refere ao exemplo de Cristo, a quem todo o cristão deve imitar. Na verdade, Cristo colocou sempre como prioridade absoluta os planos de Deus, apesar de ser “mestre” e “Senhor”, multiplicou os gestos de serviço e fez da sua vida uma entrega total aos homens, até à morte. É este mesmo caminho que nos é proposto… Cada cristão deve ser capaz de prescindir dos seus interesses e esquemas pessoais, a fim de dar prioridade aos projetos de Deus; cada cristão deve ser capaz de ultrapassar o egoísmo e o comodismo, a fim de fazer da sua própria vida um serviço e um dom de amor aos irmãos.


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EVANGELHO
A LEPRA DESAPARECEU E O HOMEM FICOU CURADO.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (1,40-45)


Naquele tempo:
40Um leproso chegou perto de Jesus,
e de joelhos pediu:
'Se queres tens o poder de curar-me'.
41Jesus, cheio de compaixão,
estendeu a mão, tocou nele, e disse:
'Eu quero: fica curado!'
42No mesmo instante a lepra desapareceu
e ele ficou curado.
43Então Jesus o mandou logo embora,
44falando com firmeza:
'Não contes nada disso a ninguém!
Vai, mostra-te ao sacerdote
e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou,
como prova para eles!'
45Ele foi e começou a contar
e a divulgar muito o fato.
Por isso Jesus não podia mais
entrar publicamente numa cidade:
ficava fora, em lugares desertos.
E de toda parte vinham procurá-lo.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O Evangelho nos fala de um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que Se faz pessoa e que desce ao encontro dos seus filhos, que lhes apresenta propostas de vida nova e que os convida a viver em comunhão com Ele e a integrar a sua família. É um Deus que não exclui ninguém e que não aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos. Às vezes há pessoas, as vezes bem-intencionadas, inventam mecanismos de exclusão, de segregação, de sofrimento, em nome de um Deus severo, intolerante, distante, incapaz de compreender os limites e as fragilidades do homem. TRATA-SE DE UM ATENTADO CONTRA DEUS. O Deus que somos convidados a descobrir, a amar, a testemunhar no mundo, é o Deus de Jesus Cristo, um Deus que vem ao encontro de cada homem, que Se compadece do seu sofrimento, que estende a mão com ternura, que o purifica, que oferece uma nova vida e que o integra na comunidade do “REINO”, que é a família onde todos têm lugar e onde todos são filhos amados de Deus.

2 - A atitude de Jesus em relação ao leproso é uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceitação. Jesus não está preocupado com o que é política ou religiosamente correto, ou com a indignidade das pessoas, ou com o perigo que representa para uma certa ordem social… Ele apenas vê em cada pessoa um irmão que Deus ama e a quem é preciso estender a mão e amar, também. Como é que lidamos com os excluídos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher, os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os “diferentes”... ou ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclusão e de discriminação?

3 - O gesto de Jesus de estender a mão e tocar o leproso é um gesto provocador, que denuncia uma Lei geradora de discriminação, de exclusão e de sofrimento. Com a autoridade de Deus, Ele retira qualquer valor a essa Lei e sugere que, do ponto de vista de Deus, essa Lei não tem qualquer significado. Hoje temos leis (umas escritas nos nossos códigos legais civis ou religiosos, outras que não estão escritas, mas que são consagradas pela moda e pelo politicamente correto) que são geradoras de marginalização e de sofrimento. Como Jesus, não podemos nos conformar com essas leis e muito menos pautar por elas os nossos comportamentos para com os nossos irmãos.

4 - O leproso, apesar da proibição de Jesus, “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”. Marcos sugere, desta forma, que o encontro com Jesus transforma de tal forma a vida do homem que ele não pode calar a alegria pela novidade que Cristo introduziu na sua vida e tem de dar testemunho. Somos capazes de testemunhar, no meio dos nossos irmãos, a libertação que Cristo nos trouxe?


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COMENTÁRIO
JESUS NOS CURA-NOS E NOS FAZ IRMÃOS


A lepra é uma doença que faz que a aparência externa da pessoa seja repugnante. Em tempos antigos, a lepra era uma doença temida. Temia-se seu aspecto, mas temia-se mais o contágio. O leproso era expulso da sociedade. Era melhor não o tocar. Corria-se o perigo de contaminar-se e tornar-se também um leproso. O círculo fecha-se sobre o leproso que não tem escapatória. Ninguém quer aproximar-se dele, ninguém o ajudará. É impuro e contamina aos demais. Qualquer que se aproxime dele será também colocado à parte. A sociedade primitiva mostrava assim seu temor ante uma doença para qual não tinha meios de com se defender.

Hoje sabemos que podemos curar a lepra. Mas há outras “lepras”, outras realidades sociais, frente às quais nos sentimos mal e preferimos olhar para o outro lado, expulsar da sociedade os que sofrem, os marginalizados e abandona-los na valeta. Leprosos são agora os imigrantes e migrantes, os que saem do cárcere, os pobres... Leprosos são todos os que são diferentes de nossa raça, cultura, religião ou língua. De todos eles nos separamos.... Marcamos fronteiras e limites que não devem ser ultrapassados. Sua presença próxima de nós faz com que nos sintamos mal (impuros). Por isso os mantemos longe e afastados.

Jesus rompe essas barreiras artificiais. Cura o leproso. Assim demonstra que sua doença não é fonte de impureza, não mata. E o faz tocando-o. É um momento “chave” porque Jesus, ao tocar o leproso, faz-se oficialmente impuro. Faz-se a si mesmo marginalizado. Assim é como Deus que nos cura e nos salva. Faz-se um conosco. Toca-nos e, ao nos tocar rompe as barreiras que a sociedade estabeleceu entre os bons e os maus, os puros e os impuros, os justos e os injustos. Deus aproxima e une, junta e não divide, convoca a todos a formar a única família de Deus.

É necessário entender que o leproso não obedeceu a Jesus e contou a todos que tinha sido curado, sabendo disso as pessoas procurarão por Jesus. Hoje nos aproximamos de Jesus para curar nossa lepra. E ele nos cura. Mas, ao mesmo tempo, nos lembra que, assim como nos cura, não há razão para marginalizar os outros, que não há casos perdidos, que para Deus todos nós temos um futuro. É como na segunda leitura, devemos fazer tudo para a glória de Deus, que não é senão o bem para a pessoa humana. Para isso, o melhor que podemos fazer é, como Paulo, seguir o exemplo de Cristo e abordar todos os leprosos do nosso mundo para curá-los e convidá-los a fazer parte da família humana. Isso nada mais é do que estar com Jesus, filho de Deus.


Para a reflexão


Cura-nos Jesus de nossas lepras? Há outras lepras que vemos nos outros que nos dão medo e que nos fazem nos afastar deles? Que podemos fazer para que não se sintam marginalizados? Para que se sintam membros da família de Deus?


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Fontes de referência


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB         
Ciudad Redonda: Comunidad católica    
Família Dehoniana


 

 

V Domingo do Tempo Comum (Ano B)

Que sentido têm o sofrimento e a dor que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a “posição” de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? A liturgia do V Domingo do Tempo Comum reflete sobre estas questões fundamentais. Garante-nos que o projeto de Deus para o homem não é um projeto de morte, mas é um projeto de vida verdadeira, de felicidade sem fim.
Na primeira leitura, um crente chamado Jó comenta, com amargura e desilusão, o fato de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre… Apesar disso, é a Deus que Jó se dirige, pois sabe que Deus é a sua única esperança e que fora d’Ele não há possibilidade de salvação.
No Evangelho manifesta-se a eterna preocupação de Deus com a felicidade dos seus filhos. Na ação libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os homens. O texto sugere, ainda, que a ação de Jesus tem de ser continuada pelos seus discípulos.
A segunda leitura sublinha, especialmente, a obrigação que os discípulos de Jesus assumiram no sentido de testemunhar diante de todos os homens a proposta libertadora de Jesus. Na sua ação e no seu testemunho, os discípulos de Jesus não podem ser GUIADOS por interesses pessoais, mas sim PELO AMOR A DEUS, AO EVANGELHO E AOS IRMÃOS.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

PRIMEIRA LEITURA
ENCHO-ME DE SOFRIMENTOS.

Leitura do Livro de Jó (7,1-4.6-7)


E Jó disse:
1'Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra?
Seus dias não são como dias de um mercenário?
2Como um escravo suspira pela sombra,
como um assalariado aguarda sua paga,
3assim tive por ganho meses de decepção,
e couberam-me noites de sofrimento.
4Se me deito, penso:
Quando poderei levantar-me?
E, ao amanhecer, espero novamente a tarde
e me encho de sofrimentos até ao anoitecer.
6Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do
tear e se consomem sem esperança.
7Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro
e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - O sofrimento – sobretudo o sofrimento do inocente – é, talvez, o drama mais inexplicável que atinge o homem ao longo da sua caminhada pela história. Que razões há para o sofrimento de uma criança ou de uma pessoa boa e justa? Porque é que algumas vidas estão marcadas por um sofrimento atroz e sem esperança? Como é que um Deus bom, cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, Se situa face ao drama do sofrimento humano? A única resposta honesta é dizer que não temos uma resposta clara e definitiva para esta questão. O “sábio” autor do livro de Jó lembra-nos, contudo, a nossa pequenez, os nossos limites, a nossa finitude, a nossa incapacidade para entender os mistérios de Deus e para compreender os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus. De uma coisa podemos estar certos: Deus nos ama com amor de pai e de mãe e quer nos conduzir ao encontro da vida verdadeira e definitiva, da felicidade sem fim…Talvez nem sempre sejamos capazes de entender os caminhos de Deus e a sua lógica… Mas, mesmo quando as coisas não fazem sentido do ponto de vista da nossa humana lógica, nos resta confiar no amor e na bondade do nosso Deus e nos entregar confiadamente nas suas mãos.

2 - Ao longo do livro de Jó, multiplicam-se os desabafos magoados de um homem a quem o sofrimento tornou duro, exigente, amargo, agressivo, inconformado, revoltado até. No entanto, Deus nunca condena o seu amigo Jó pela violência das suas palavras e das suas exigências… Deus sabe que as vicissitudes da vida podem levar o homem ao desespero; por isso, entende o seu drama e não leva demasiado a sério as suas expressões menos próprias e menos respeitosas. A atitude compreensiva e tolerante de Deus convida-nos a uma atitude semelhante face aos lamentos de revolta e de incompreensão vindos do coração daqueles irmãos que a vida maltratou… Que ressonância tem no nosso coração o lamento sentido dos nossos irmãos, mesmo quando esse lamento assume expressões mais contundentes e mais chocantes?

3 - Jó é, também, o crente honesto e livre, que não aceita certas imagens pré-fabricadas de Deus, apresentadas pelos profissionais do sagrado. Recusa-se a acreditar num Deus construído à imagem dos esquemas mentais do homem, que funciona de acordo com a lógica humana da recompensa e do castigo, que Se limita a fazer a contabilidade do bem e do mal do homem e a responder com a mesma lógica. Com coragem, correndo o risco de não ser compreendido, Jó recusa esse Deus e parte à procura do verdadeiro rosto de Deus – esse rosto que não se descobre nos livros ou nas discussões teológicas abstratas, mas apenas no encontro “face a face”, na aventura da procura arriscada, na novidade infinita do mistério. É esse mesmo percurso que Jó, o protótipo do verdadeiro crente, nos convida a percorrer.


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SALMO RESPONSORIAL
LOUVAI A DEUS, PORQUE ELE É BOM E CONFORTA OS CORAÇÕES.
Sl 146,1-2.3-4.5-6 (R. Cf. 3a)


Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.

1Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom,
cantai ao nosso Deus, porque é suave:
ele é digno de louvor, ele o merece!
2O Senhor reconstruiu Jerusalém,
e os dispersos de Israel juntou de novo.

Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.

3ele conforta os corações despedaçados,
ele enfaixa suas feridas e as cura;
4fixa o número de todas as estrelas
e chama a cada uma por seu nome.

Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.

5É grande e onipotente o nosso Deus,
seu saber não tem medida nem limites.
6O Senhor Deus é o amparo dos humildes,
mas dobra até o chão os que são ímpios.

Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.


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SEGUNDA LEITURA
AI DE MIM, SE EU NÃO PREGAR O EVANGELHO.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (9,16-19.22-23)


Irmãos:
16Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória.
É antes uma necessidade para mim, uma imposição.
Ai de mim se eu não pregar o evangelho!
17Se eu exercesse minha função de pregador
por iniciativa própria,
eu teria direito a salário.
Mas, como a iniciativa não é minha,
trata-se de um encargo que me foi confiado.
18Em que consiste então o meu salário?
Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça,
sem usar os direitos que o evangelho me dá.
19Assim, livre em relação a todos,
eu me tornei escravo de todos,
a fim de ganhar o maior número possível.
22Com os fracos, eu me fiz fraco,
para ganhar os fracos.
Com todos, eu me fiz tudo,
para certamente salvar alguns.
23Por causa do evangelho eu faço tudo,
para ter parte nele.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - A expressão “ai de mim se não anunciar o Evangelho” traduz a atitude de quem descobriu Jesus Cristo e a sua proposta e sente a responsabilidade por passar essa proposta libertadora aos outros homens. Implica o dom de si, o esquecimento dos seus interesses e esquemas pessoais, para fazer da sua vida um dom a Cristo, ao Reino e aos outros irmãos. Que eco é que esta exigência encontra no nosso coração? O amor a Cristo e aos nossos irmãos sobrepõe-se aos nossos esquemas e programas pessoais e obriga-nos a sentirmo-nos comprometidos com o Evangelho e com o testemunho do Reino proposto por Jesus?

2 - Em geral, a nossa sociedade é muito sensível aos direitos individuais e valoriza muito a liberdade. Trata-se, sem dúvida, de uma das dimensões mais significativas e mais positivas da cultura do nosso tempo… Contudo, os próprios direitos ou a própria liberdade não são valores absolutos… Aliás, a afirmação intransigente dos próprios direitos e da própria liberdade pode resultar, por vezes, em prejuízo para os outros irmãos… Para o cristão, o valor realmente absoluto e ao qual tudo o resto se deve subordinar é o amor. O cristão sabe que, em certas circunstâncias, pode ser convidado a renunciar aos próprios direitos e à própria liberdade, porque a caridade ou o bem dos irmãos assim o exigem. O amor é, para o cristão, o “bem maior”, em vista do qual ele pode renunciar a “bens menores”. O discípulo de Jesus não pode impor os seus direitos a qualquer preço, sobretudo quando esse preço implica desprezar os irmãos.


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EVANGELHO
CUROU MUITAS PESSOAS DE DIVERSAS DOENÇAS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (1,29-39)


Naquele tempo:
29Jesus saiu da sinagoga
e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André.
30A sogra de Simão estava de cama, com febre,
e eles logo contaram a Jesus.
31E ele se aproximou, segurou sua mão
e ajudou-a a levantar-se.
Então, a febre desapareceu;
e ela começou a servi-los.
32É tarde, depois do pôr-do-sol,
levaram a Jesus todos os doentes
e os possuídos pelo demônio.
33A cidade inteira se reuniu em frente da casa.
34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças
e expulsou muitos demônios.
E não deixava que os demônios falassem,
pois sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro,
Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.
36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus.
37Quando o encontraram, disseram:
'Todos estão te procurando'.
38Jesus respondeu:
'Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza!
Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim'.
39E andava por toda a Galileia,
pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - As ações de Jesus em favor dos homens que o Evangelho deste domingo nos apresenta mostram a eterna preocupação de Deus com a vida e a felicidade dos seus filhos. O projeto de Deus para os homens e para o mundo não é um projeto de morte, mas de vida; o objetivo de Deus é conduzir os homens ao encontro desse mundo novo (Reino de Deus) de onde estão ausentes o sofrimento, a maldição e a exclusão, e onde cada pessoa tem acesso à vida verdadeira, à felicidade definitiva, à salvação. Talvez nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da vida; talvez nem sempre sejam claros, para nós, os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus… Mas Jesus veio garantir-nos absolutamente o empenho de Deus na felicidade e na libertação do homem. Resta-nos confiar em Deus e entregarmo-nos ao seu amor.

2 - O encontro com Jesus e com o “Reino” é sempre uma experiência libertadora. Aceitar o convite de Jesus para segui-Lo e para se tornar “discípulo” significa a ruptura com as cadeias de egoísmo, de orgulho, de comodismo, de autossuficiência, de injustiça, de pecado que impedem a nossa felicidade e que geram sofrimento, opressão e morte nas nossas vidas e nas vidas dos nossos irmãos. Quem se encontra com Jesus, escuta e acolhe a sua mensagem e adere ao “Reino”, assume o compromisso de conduzir a sua vida pelos valores do Evangelho e passa a viver no amor, no perdão, na tolerância, no serviço aos irmãos. É – na perspectiva da catequese que o Evangelho de hoje nos apresenta – um “levantar-se”, um ressuscitar para a vida nova e eterna. O meu encontro com Jesus constituiu, verdadeiramente, uma experiência de libertação e levou-me a optar pelos valores do Evangelho?

3 - A história da sogra de Pedro que, depois do encontro com Jesus, “começou a servir” os que estavam na casa, lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar o compromisso com a libertação dos nossos irmãos. Quem encontra Jesus e aceita inserir-se na dinâmica do “Reino”, compromete-se com a transformação do mundo… Compromete-se a realizar, em favor dos irmãos, os mesmos “milagres” de Jesus e a levar vida, paz e esperança aos doentes, aos marginalizados, aos oprimidos, aos injustiçados, aos perseguidos, aos que sofrem. Os meus gestos são sinais da vida de Deus para os irmãos que caminham ao meu lado?

4 - Na multidão que se concentra à porta da “casa de Pedro” podemos ver essa humanidade que anseia pela sua libertação e que grita, dia a dia, a sua frustração pela guerra, pela violência, pela injustiça, pela miséria, pela exclusão, pela marginalização, pela falta de amor… A Igreja de Jesus Cristo (a “casa de Pedro”) tem uma proposta libertadora que vem do próprio Jesus e que deve ser oferecida a todos estes irmãos que vivem prisioneiros do sofrimento… O que é que nós, discípulos de Jesus, temos feito no sentido de oferecer a proposta libertadora de Jesus aos nossos irmãos oprimidos? Ao olhar para a Igreja de Jesus, eles encontram solidariedade, ajuda, fraternidade, preocupação real com os seus dramas e misérias, ou apenas discursos teológicos abstratos e virados para o céu? Os nossos irmãos idosos, doentes, marginalizados, esquecidos encontram nos nossos gestos o amor libertador de Jesus que dá esperança e que aponta no sentido de um mundo novo, ou encontram egoísmo, indiferença, marginalização?

5 - O exemplo de Jesus mostra que o aparecimento do “Reino de Deus” está ligado a uma vida de comunhão e de diálogo com Deus. Rezar não é fugir do mundo ou alienar-se dos problemas do mundo e dos dramas dos homens… Mas é uma tomada de consciência dos projetos de Deus para o mundo e um ponto de partida para o compromisso com o “Reino”. Só na comunhão e no diálogo íntimo com Deus percebemos os seus projetos e recebemos a força de Deus para nos empenharmos na transformação do mundo. É preciso, portanto, que o discípulo encontre espaço, na sua vida, para a oração, para o diálogo com Deus.


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COMENTÁRIO
MENSAGEIROS DE VIDA E SALVAÇÃO


Não é difícil relacionar a primeira leitura (Jó) com o texto do Evangelho. As frases da primeira leitura podem ser ditas em um momento ou outro da vida por qualquer de um de nós. Todos temos a experiência de sentir que a vida não é mais que uma luta, esforço, sofrimento, angústia, cansaço.... e tudo envolvido em um turbilhão do tempo que nos arrasta sem nos deixar parar para pensar nem desfrutar. Basta que consigamos superar um problema, uma dificuldade, para que outra apareça no horizonte. Jogamos o olhar para trás e vemos o tempo passado. Sempre passou muito rapidamente. Esperamos uma alegria incerta que não sabemos se chegaremos a possuir.  

Para certa parte da humanidade, aqueles aos quais lhes tocou a pior parte, esta é sua experiência básica da vida. Mas nem sequer aos quais lhes tocou a melhor parte estão isentos de dores e sofrimentos. E ao final a morte iguala a todos. Sem piedade. Sem contemplações.

A partir desta experiência profundamente humana, a passagem de Jesus é uma espécie de alívio infinito, de consolo, de alegria para a alma. Não é de estranhar que os que tiveram a oportunidade de se encontrar diretamente com Jesus, ou singelamente de conhecer sua existência, se acercassem a ele com a esperança de que lhes curasse de suas doenças. De todas suas doenças. As do corpo e da alma, que não se sabe qual mais causa mais sofrimento. Jesus segurou a mão da sogra de Simão e curou-a. Mais tarde, talvez,  inteirados do acontecido, uma multidão de doentes se amontoaram na porta da casa onde estava hospedado Jesus. Todos esperavam ser curados. Todos viram confirmadas suas esperanças. E o demônio do mal os abandonava para sempre. As pessoas estavam desesperadas, mais por fim tinham encontrado alguém que as libertava do mal. O mesmo Jesus tem consciência de que essa libertação do mal é parte fundamental de sua missão. Quer chegar a todos: “Vamos a outros lugares, porque foi para isso que Eu vim”.  

Hoje somos nós essa presença salvadora de Deus no mundo. Foi colocada em nossas mãos a missão de dar esperança e vida aos homens e mulheres de nosso tempo que vivem pressionados pela dor, pela pobreza ou pela injustiça. Hoje, nós os cristãos temos que dizer como Paulo (segunda leitura): “Ai de mim se não anuncio o Evangelho!


Para a reflexão


Sinto-me enviado por Jesus para libertar meus irmãos da dor e o sofrimento de todo tipo?
Sou capaz de aproximar-me dos que sofrem sem medo?
Que faço para lhes ajudar a sair dessas situações de morte?


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Fontes de referência


Ciudad Redonda: Comunidad católica
Família Dehoniana


 

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