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A Palavra

Solenidade da Santíssima Trindade (Ano C)

A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar a mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para fazê-los comungar nesse mistério de amor.

A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é “sabedoria” de Deus e o grande revelador do amor do Pai).

 A segunda leitura convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos “justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus/Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.

O Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta “história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade.



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho 

Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro dos Provérbios 8,22-31


A referência ao Deus que tudo criou para nós com sabedoria faz-nos pensar num Pai providente e cuidadoso, que tem um projeto bem definido para os homens e para o mundo. Contemplar  a criação é descobrir, na beleza e na harmonia das obras criadas, esse Pai cheio de bondade e de amor. Somos capazes de nos sentirmos “provocados” pela criação de forma que, através dela, descubramos  o amor e a bondade de Deus?


Assim fala a Sabedoria de Deus:

22O Senhor me possuiu como primícia de seus caminhos,
antes de suas obras mais antigas;
23desde a eternidade fui constituída,
desde o princípio,
antes das origens da terra.
24Fui gerada quando não existiam os abismos,
quando não havia os mananciais das águas,
25antes que fossem estabelecidas as montanhas,
antes das colinas fui gerada.
26Ele ainda não havia feito as terras e os campos,
nem os primeiros vestígios de terra do mundo.
27Quando preparava os céus,
ali estava eu,
quando traçava a abóbada sobre o abismo,
28quando firmava as nuvens lá no alto
e reprimia as fontes do abismo,
29quando fixava ao mar os seus limites
- de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas -
e lançava os fundamentos da terra,
30eu estava ao seu lado como mestre-de-obras;
eu era seu encanto, dia após dia,
brincando, todo o tempo, em sua presença,
31brincando na superfície da terra,
e alegrando-me em estar com os filhos dos homens.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial  
Sl 8,4-5.6-7.8-9 (R. 2a) 


Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!

Contemplando estes céus que plasmastes
e formastes com dedos de artista;
vendo a lua e estrelas brilhantes,
perguntamos: 'Senhor, que é o homem,
para dele assim vos lembrardes
e o tratardes com tanto carinho?

Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!

Pouco abaixo de Deus o fizestes,
coroando-o de glória e esplendor;
vós lhe destes poder sobre tudo,
vossas obras aos pés lhe pusestes.

Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!

as ovelhas, os bois, os rebanhos,
todo o gado e as feras da mata;
passarinhos e peixes dos mares,
todo ser que se move nas águas.

Ó Senhor nosso Deus, como é grande
vosso nome por todo o universo!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 5,1-5 


Na Solenidade da Santíssima Trindade, somos convidados a contemplar o amor de um Deus que nunca desistiu dos homens e que sempre soube encontrar formas de vir ao nosso encontro, de fazer caminho conosco. Apesar de os homens insistirem, tantas vezes, no egoísmo, no orgulho, na autossuficiência, no pecado, Deus  continua  a amar  e a fazer-nos  propostas  de  vida.  Trata-se  de  um  amor gratuito e incondicional, que se traduz em dons não merecidos, mas que, uma vez acolhidos, nos conduzem à felicidade plena.


Irmãos:
1Justificados pela fé,
estamos em paz com Deus,
pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo.
2Por ele tivemos acesso,
pela fé, a esta graça,
na qual estamos firmes e nos gloriamos,
na esperança da glória de Deus.
3E não só isso,
pois nos gloriamos também de nossas tribulações,
sabendo que a tribulação gera a constância,
4a constância leva a uma virtude provada,
a virtude provada desabrocha em esperança;
5e a esperança não decepciona,
porque o amor de Deus
foi derramado em nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Palavra do Senhor.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 16,12-15


A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de “um em três”. Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família  (pai, mãe e filho)  é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é, também, negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, se expressa na nossa  linguagem  imperfeita  das  três  pessoas.  O Deus  família torna-se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue “dizer” o mistério de Deus.


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
12Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos,
mas não sois capazes de as compreender agora.
13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade,
ele vos conduzirá à plena verdade.
Pois ele não falará por si mesmo,
mas dirá tudo o que tiver ouvido;
e até as coisas futuras vos anunciará.
14Ele me glorificará,
porque receberá do que é meu
e vo-lo anunciará.
15Tudo o que o Pai possui é meu.
Por isso, disse que
o que ele receberá e vos anunciará, é meu.
Palavra da Salvação.


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Comentário - A Trindade e a relação entre as criaturas.


Queridos irmãos:

Em nome do Pai, o Filho e o Espírito Santo começamos todas nossas celebrações e na eucaristia que estamos celebrando, pedimos ao Pai por meio de Jesus nosso Senhor e com a força do Espírito, que nos congregue na unidade e santifique os dons, de maneira que sejam para nós Corpo e Sangue de Jesus Cristo. O Credo nos diz que Deus é uno e trino, um Deus em três pessoas, mas isto não é só uma fórmula teológica, deve ser uma experiência, então que significa esta festa?

A Trinidade é um mistério, de Deus só pode falar de forma aproximada e de sua experiência o mesmo. Sempre é difícil falar de Deus e sempre corremos o risco de terminar falando de nós mesmos como se fôssemos deuses, ou como se Deus fosse igual qualquer homem. Sabemos muito pouco de Deus... diz São Agostinho: “Se pensa que compreendeste, então não é Deus, ao que compreendeste”. Mas conhecemos o suficiente através do Filho, para não perder o tempo em discussões inúteis.

Deus é criador do céu e a terra, das criaturas e da natureza, falou-nos e fala na história, ama-nos e protege-nos. Fez-se historicamente homem em seu Filho Jesus Cristo, viveu em seu tempo, trabalhou, amou e padeceu, disse-nos como era o Pai, nos salvou com sua morte e ressurreição, fazendo de nós criaturas a imagem sua, por isso nos enviou a comunicar a outros a Boa Notícia. O Espírito dos dois, está em nós, e nos reúne no amor e na unidade da vida comunitária. Crer em Deus é fazer disto uma experiência, “experiência religiosa”, que é válida se é capaz de dar sentido à vida.

Nosso Deus é comunidade, é família, não está só: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele nos guiará até a plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido e até as coisas futuras vos comunicará. Ele me glorificará, por que receberá do que é meu e a vos anunciará. Todo o que tem o Pai é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”. Escutam, tomam, comunicam-se, tem em comum, o reflexo da Trinidade está na comunidade.

Hoje é bom lembrar as palavras do Papa Francisco em Laudato Sí,  e 238 a 240 (A Trindade e a relação entre as criaturas), é uma citação um pouco longa mas resume o que queremos celebrar:

O Pai é a fonte última de tudo, fundamento amoroso e comunicativo de tudo o que existe. O Filho, que O reflete e por Quem tudo foi criado, uniu-Se a esta terra, quando foi formado no seio de Maria. O Espírito, vínculo infinito de amor, está intimamente presente no coração do universo, animando e suscitando novos caminhos. O mundo foi criado pelas três Pessoas como um único princípio divino, mas cada uma delas realiza esta obra comum segundo a própria identidade pessoal. Por isso, “quando, admirados, contemplamos o universo na sua grandeza e beleza, devemos louvar a inteira Trindade”.

Para os cristãos, acreditar num Deus único que é comunhão trinitária, leva a pensar que toda a realidade contém em si mesma uma marca propriamente trinitária. São Boaventura chega a dizer que o ser humano, antes do pecado, conseguia descobrir como cada criatura “testemunha que Deus é trino”. O reflexo da Trindade podia-se reconhecer na natureza, “quando esse livro não era obscuro para o homem, nem a vista do homem se tinha turvado”. Este santo franciscano ensina-nos que toda a criatura traz em si uma estrutura propriamente trinitária, tão real que poderia ser contemplada espontaneamente, se o olhar do ser humano não estivesse limitado, obscurecido e fragilizado. Indica-nos, assim, o desafio de tentar ler a realidade em chave trinitária.

As Pessoas divinas são relações subsistentes; e o mundo, criado segundo o modelo divino, é uma trama de relações. As criaturas tendem para Deus; e é próprio de cada ser vivo tender, por sua vez, para outra realidade, de modo que, no seio do universo, podemos encontrar uma série inumerável de relações constantes que secretamente se entrelaçam. Isto convida-nos não só a admirar os múltiplos vínculos que existem entre as criaturas, mas leva-nos também a descobrir uma chave da nossa própria realização. Na verdade, a pessoa humana cresce, amadurece e santifica-se tanto mais, quanto mais se relaciona, sai de si mesma para viver em comunhão com Deus, com os outros e com todas as criaturas. Assim assume na própria existência aquele dinamismo trinitário que Deus imprimiu nela desde a sua criação. Tudo está interligado, e isto convida-nos a maturar uma espiritualidade da solidariedade global que brota do mistério da Trindade.

É dia de agradecer, estamos a caminho e ainda temos muito que compreender, embora como diz a segunda leitura: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações com o Espírito Santo que nos foi dado”. Celebramos o mistério e como dizíamos ao princípio da eucaristia “Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam conosco hoje, manhã e sempre”.


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Domingo de Pentecostes (Ano C)

O tema deste domingo é, evidentemente, o ESPÍRITO SANTO. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o HOMEM NOVO.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até as últimas consequências.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, o que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que O ESPÍRITO É A FONTE DE ONDE BROTA A VIDA DA COMUNIDADE CRISTÃ. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Sequência do Pentecostes
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
TODOS FICARAM CHEIOS DO ESPÍRITO
SANTO E COMEÇARAM A FALAR.
Leitura dos Atos dos Apóstolos (2,1-11)


1Quando chegou o dia de Pentecostes,

os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2De repente, veio do céu um barulho 
como se fosse uma forte ventania, 
que encheu a casa onde eles se encontravam.
3Então apareceram línguas como de fogo
que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
4Todos ficaram cheios do Espírito Santo
e começaram a falar em outras línguas,
conforme o Espírito os inspirava.
5Moravam em Jerusalém judeus devotos,
de todas as nações do mundo.
6Quando ouviram o barulho,
juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos,
pois cada um ouvia os discípulos
falar em sua própria língua.
7Cheios de espanto e de admiração, diziam:'Esses
homens que estão falando não são todos galileus?
8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua?
9Nós que somos partos, medos e elamitas,
habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia,
do Ponto e da Ásia,
10da Frígia e da Panfília,
do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene,
também romanos que aqui residem;
11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós
os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus
na nossa própria língua!'
Palavra do Senhor


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 – Na primeira leitura estão presentes os elementos essenciais que definem a Igreja: uma comunidade de irmãos reunidos por causa deJESUS, animada pelo ESPÍRITO DO SENHOR RESSUSCITADO e que testemunha na história o PROJETO LIBERTADOR DE JESUS. Desse testemunho resulta a comunidade universal da salvação, que vive no amor e na partilha, apesar das diferenças culturais e étnicas. A Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e à volta de Jesus? Tem consciência de que o Espírito está presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?

02 - Devemos realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja… Antes do PENTECOSTES, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à ação do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?

03 - Para se tornar cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; pois todos são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de afastados dos irmão, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte é esse espaço de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta?


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Salmo Responsorial
ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO SENHOR
E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI.
Sl 103, 1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)


1aBendize, ó minha alma, ao Senhor!*
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
24aQuão numerosas, ó Senhor, são vossas obras*
24cEncheu-se a terra com as vossas criaturas!

ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO SENHOR
E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI.

29bSe tirais o seu respiro, elas perecem*
29ce voltam para o pó de onde vieram.
30Enviais o vosso espírito e renascem*
e da terra toda a face renovais.

ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO SENHOR
E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI.

31Que a glória do Senhor perdure sempre,*
e alegre-se o Senhor em suas obras!
34Hoje seja-lhe agradável o meu canto,*
pois o Senhor é a minha grande alegria!

ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO SENHOR
E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI.


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Segunda Leitura
FOMOS BATIZADOS NUM ÚNICO ESPÍRITO
PARA FORMARMOS UM ÚNICO CORPO.
Leitura do Apocalipse de São João (21,10-14.22-23)


Irmãos:
3bNinguém pode dizer: 
Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo.
4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.
5Há diversidade de ministérios,
mas um mesmo é o Senhor.
6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus
que realiza todas as coisas em todos.
7A cada um é dada a manifestação do Espírito
em vista do bem comum.
12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros,
e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos,
formam um só corpo,
assim também acontece com Cristo.
13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou
livres, fomos batizados num único Espírito,
para formarmos um único corpo,
e todos nós bebemos de um único Espírito.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Temos todos consciência de que somos membros de um único “CORPO”, o corpo de Cristo, e é o mesmo Espírito que nos alimenta, embora desempenhemos funções diversas (não mais dignas ou mais importantes, mas diversas). No entanto, encontramos, com alguma frequência, cristãos com uma consciência viva da sua superioridade e da sua situação “à parte” na comunidade, que gostam de mandar e de fazer-se notar, gerando conflitos e divisões. Estes “DONS” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha fraterna, ou são campos de batalha onde se digladiam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?

02 - É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo fato de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?


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Sequência do Pentecostes


Vinde, ó santo Espírito, vinde, Amor ardente,
acendei na terra vossa luz fulgente.

Vinde, Pai dos pobres:
na dor e aflições, vinde encher de gozo nossos corações.
Benfeitor supremo em todo o momento,
habitando em nós sois o nosso alento.
Descanso na luta e na paz encanto,
no calor sois brisa, conforto no pranto.
Luz de santidade, que no Céu ardeis,
abrasai as almas dos vossos fiéis.
Sem a vossa força e favor clemente,
nada há no homem que seja inocente.
Lavai nossas manchas, a aridez regai,
sarai os enfermos e a todos salvai.
Abrandai durezas para os caminhantes,
animai os tristes, guiai os errantes.
Vossos sete dons concedei à alma
do que em Vós confia:
Virtude na vida,
amparo na morte, no Céu alegria.


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Evangelho
ASSIM COMO O PAI ME ENVIOU TAMBÉM EU
VOS ENVIO: RECEBEI O ESPÍRITO SANTO!
Evangelho de Jesus Cristo segundo João (20,19-23)


19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam,
Jesus entrou e pondo-se no meio deles,
disse: 'A paz esteja convosco'.
20Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio'.
22E depois de ter dito isto,
soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo.
23A quem perdoardes os pecados,
eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes,
eles lhes serão retidos'. 
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos para a aventura de testemunhar a vida nova do HOMEM NOVO. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e se estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes?

02 - Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “SINAIS” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os “sinais” do amor de Jesus?

03 - As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço simples e humilde… É Ele que nos faz vencer os medos, superar as covardias e fracassos, derrotar o ceticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. É preciso ter consciência da presença contínua do Espírito em nós e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, às suas indicações, aos seus questionamentos.


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Comentário
A HARMONIA DA COISA DIVERSA, OU A FESTA DA BELEZA


A beleza não é o resultado das paisagens uniformes, da repetição da mesma coisa. A beleza é modulação, surpresa, harmonia, eco, equilíbrio no aparente desequilíbrio. O Espírito é a Beleza ativa e criadora de Deus. Desde Ele ou Ela se derrama sobre o mundo a harmonia. Por isso, hoje é a festa da Beleza.

CONHECEMOS O ESPÍRITO SAGRADO? Com esta pergunta nos confronta a festividade de Pentecostes. Jesus é o Senhor da história e do universo. Essa é a Fé que confessamos! Mas, ao mesmo tempo vemos que a história e o universo estão aos pedaços, quebrados em fragmentos. Há muita divisão para confessar alegremente que estamos no Reino da Unidade, da Paz, da grande Reconciliação. Há divisões religiosas (religiões diversas, confissões diversas cristãs, tendências diversas e contrárias na mesma confissão...), divisões políticas (causas de guerras frias e quentes), divisões que nos fazem viver a relação com a natureza de um modo tenso, problemático, dramático (tufões, terremotos, infortúnios ecológicos...).

Há divisões que vêm do diabólico, desse poder misterioso que nos divide e enfrenta. Há unidades que são, igualmente, diabólicas, porque estão baseadas na imposição de um poder sobre os demais. O mesmo podemos dizer do Espírito. É o GRANDE DISTRIBUIDOR e o GRANDE UNIFICADOR. Do Espírito procede a variedade, a diferença, a pluralidade. Do mesmo Espírito procede a força da unidade, da comunhão. Tanto a disseminação como a comunhão podem ser experimentadas como ação do Espírito Sagrado. Paulo nos fala hoje que são muitos os carismas, muitos os serviços, muitas as energias das quais dispomos. Porém, um só é o Espírito!

O Espírito gera a diversidade e a comunhão da coisa diversa. Não anseia uma unidade na qual a coisa diversa seja triturada, apagada. O ponto alto do Reino não consistirá na vitória de uma religião sobre as demais, de uma confissão cristã sobre as demais, de uma visão política sobre as demais. Será o momento da grande comunhão, a comunhão da coisa plural, a comunhão das diferenças. Isto não se consegue senão através de processos de longo discernimento, de diálogo, de contemplação e mútua estima. Por isso, a etapa prévia, o tempo das divisões tem que ver, não só com o espírito da injustiça, mas também com o Espírito de Deus!

Jesus - falando com Nicodemos - comparou o Espírito ao vento: "O vento sopra para onde quer, e você ouve sua voz, mas você não sabe donde vem nem para onde vai. Assim é tudo o que nasce do Espírito". O Espírito não tem origem, nem tem fim. Por isso é muito difícil de entender a originalidade de seu movimento neste mundo. A metáfora da instabilidade e da fantasia do vento evoca o Espírito. Este Espírito misterioso dá testemunho de Jesus e faz eficaz o seu querer. É invisível, porém move poderosamente o mundo, sem fazer barulho e sem espetáculo.

O Espírito não tem genealogia, nem morte, nem princípio nem fim. O Espírito não aspira o repouso. O Espírito é liberdade absoluta: não deve ser aprisionado em uma origem, nem em um destino final. O Espírito vai pôr um caminho que não vem de nenhuma parte, nem vai a nenhuma parte. A única coisa que podemos perceber do Espírito é o seu movimento contínuo, incessante, eterno. Assim como um vento invisível que desdobra uma força considerável e arranca as árvores, como um tufão incontrolável, como um mar embravecido... Não obstante, o Espírito não é uma força cega, é uma força do Reino de Deus, que completa sua vontade. O Espírito é a força da vida, não da morte. O movimento perene do Espírito tem um efeito no mundo: a VIDA... 

O Espírito é dinamismo para a vida. O Espírito libera as criaturas da dureza mecânica das leis cósmicas e dá autonomia aos seres de forma que se autogerem e se reproduzam. O Espírito é como a Água, em cujo ambiente a vida se reproduz. A vida é múltipla. O Espírito torna possível a vida abundante, plural. Receber a "VIDA DO ESPÍRITO" é ter o poder de transgredir o ciclo imperativo da natureza. O Espírito não é somente a Vida, é a liberdade. "Vai onde quer", tão pouco a liberdade tem origem, nem fim. A liberdade é a última realização da vida. 

A liberdade do Espírito - "onde o Espírito está, ali está a liberdade" - não é nenhuma arbitrariedade. O Espírito é o promotor de liberdades que se completam umas com as outras no movimento que Ele protagoniza. O importante não é ser livre, mas sê-lo na sinfonia de liberdades. A experiência concreta da liberdade cristã é o amor. Os carismas do Espírito têm sido concedidos "para uso comum". O carisma dos carismas, o que sobre passa a todos, é o amor. O amor é o Espírito derramado em nossos corações. Deus Pai nos deu o penhor do Espírito de forma que possamos glorifica-lo em suas imagens vivas que são as mulheres e os homens. Quem reconhece a seus irmãos e irmãs, esse conhece Deus!

O dom do Espírito não se adapta. É uma espada que separa. Quando o Espírito toca o coração, gera disfunções institucionais e sociais. A conversão que o Espírito provoca não se identifica com a conformidade, com a lei. O Espírito devolve uma vida perigosa para o "status quo". Isso foi o que aconteceu no dia de Pentecostes! Isto acontece em todo o Pentecostes! 

A divisão não é necessariamente um processo negativo. É uma garantia contra a impaciência. Os discípulos de Jesus queriam que fosse estabelecido o Reino de Deus o mais cedo possível. Jesus lhes pede paciência. Nossa impaciência nos levaria assumir funções que não nos correspondem. Somente aos anjos de Deus, como diz o Apocalipse, realizarão esta tarefa. Deus é um "deus paciente". A paciência gera esperança em Jesus. A ESPERA É UMA ARTE. A inspiração resulta depois da espera. Os tiramos, porém, são aqueles que "perdem a paciência". Agem sem inspiração. A espera humilde, é paciente. O Espírito conforta esta atitude. Por isso, o Espírito abre a tolerância. Esse é o caminho da liberdade plena!

Há beleza em nosso mundo, quando se recompõem o projeto original de Deus da variedade unificada! Há beleza que salva o mundo das hostilidades e violências. O Espírito da Beleza se derrama continuamente e faz com que o Amor vença.


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FONTES DE REFERÊNCIA


Jose Cristo Rey Garcia Paredes - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

Solenidade da Ascensão do Senhor (Ano C)

A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de Jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projeto salvador de Deus e resulta do facto de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projeto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projeto de Jesus.
A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”.



"Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos"


Primeira Leitura 
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos
At 1,1-11


A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo caminho de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.


1No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo,
2até ao dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido.
3Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas.
Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus.
4Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem:
'Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar:
5'João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo,
dentro de poucos dias`.'
6Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus:
'Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?'
7Jesus respondeu:
'Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade.
8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra.'
9Depois de dizer isto, Jesus foi levado ao céu, à vista deles.
Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não mais podiam vê-lo.
10Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia.
Apareceram então dois homens vestidos de branco,
11que lhes disseram: 'Homens da Galiléia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?
Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu.'
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial
Sl 46,2-3.6-7.8-9(R.6) 


Batei palmas, povos todos,
o Senhor subiu ao toque da trombeta!

Povos todos do universo, batei palmas,
gritai a Deus aclamações de alegria!
Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo,
o soberano que domina toda a terra.

Batei palmas, povos todos,
o Senhor subiu ao toque da trombeta!

Por entre aclamações Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa,
salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei!

Batei palmas, povos todos,
o Senhor subiu ao toque da trombeta!

Porque Deus é o grande Rei de toda a terra,
ao som da harpa acompanhai os seus louvores!
Deus reina sobre todas as nações,
está sentado no seu trono glorioso.

Batei palmas, povos todos,
o Senhor subiu ao toque da trombeta!


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Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios 

 Ef 1,17-23  


Na nossa peregrinação pelo mundo, convêm termos sempre presentes “a esperança a que fomos chamados”. A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição. Formamos com Ele um “corpo”, destinados à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar – apesar das dificuldades – nesse caminho do amor e da entrega total que Cristo percorreu.


Irmãos:
17O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer.
18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos,
19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente.
20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus,
21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro.
22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja,
23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.
Palavra do Senhor.


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Proclamação do Evangelho segundo Lucas 
Lc 24,46-53


A ressurreição/ascensão de Jesus convida-nos a ver a vida com outros olhos – os olhos da esperança. Diz-nos que o sofrimento, a perseguição, o ódio, a morte, não são a última palavra para definir o quadro do nosso caminho; diz-nos que no final de um caminho percorrido na doação, na entrega, no amor vivido até às últimas consequências, está a vida definitiva, a vida de comunhão com Deus. Esta esperança permite-nos enfrentar o medo, os nossos limites humanos, o fanatismo, o egoísmo dos fazedores de pecado e permite-nos olhar com serenidade para esse qualquer coisa de novo que nos espera, para esse futuro de vida plena que é o nosso destino final.


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
46'Assim está escrito:
O Cristo sofrerá
e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia
47e no seu nome, serão anunciados
a conversão e o perdão dos pecados
a todas as nações, começando por Jerusalém.
48Vós sereis testemunhas de tudo isso.
49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu.
Por isso, permanecei na cidade,
até que sejais revestidos da força do alto'.
50Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia.
Ali ergueu as mãos e abençoou-os.
51Enquanto os abençoava,
afastou-se deles e foi levado para o céu.
52Eles o adoraram.
Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria.
53E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.
Palavra da Salvação.

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Comentário
Misteriosa Ausência e Presença


Como difícil compreender o mistério da fé que celebramos no tempo da Páscoa e em especial o mistério da Ascensão de Jesus! Como esquecemos, às vezes, da força critica e da energia que esta misteriosa celebração acarreta.

O evangelista Lucas, em contraposição a outros autores do Novo Testamento, insiste na realidade corporal (somática) de Jesus ressuscitado. Quando os discípulos recebem a visita do Ressuscitado, sofrem um sobressalto e se assustam, pois “acreditavam ver um espírito”. Jesus lhes mostra as mãos e pés; e lhes disse: "apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho”. E para ratificar isto, comeu parte de um peixe assado (Lc 24,37-43). Algo  parecido nos diz João na aparição de Jesus a Tomé (Jn 20,27).

Lucas nos fala também de uma permanência temporal do Ressuscitado de 40 dias entre seus discípulos. E nos diz também que esse corpo que tem carne e ossos ascende ao céu, quer dizer para um local espacial diferente. Lucas explica a Ressurreição e Ascensão recorrendo às categorias do tempo e espaço. Indica-nos deste modo que tudo foi “muito real”. Para os seres humanos é real aquilo que está entre nas coordenadas do espaço e tempo!

Jesus ascende ao céu, ao trono de Deus, para à direita do Pai. Essa localização celestial é inacessível para nós. Os verbos “ascender" e “baixar", com os quais confessamos no Credo nossa fé, se referem a uma desconhecida forma de movimento espacial?

Uma resposta adequada para esta explicação é dizer que Lucas fala “metaforicamente” e por tanto é necessário evitar uma interpretação literal. A questão esta até onde chega a metáfora, porque se pode esvaziar de realidade tanto da ressurreição como da ascensão de Jesus.

O grande teólogo reformado Karl Barth - que poderia ser classificado como “teólogo da Ascensão” - dizia acertadamente que para os primeiros cristãos a ressurreição e a ascensão de Jesus eram dois momentos de um mesmo e único acontecimento. Assim o proclamava a Igreja apostólica quando dizia que o Ressuscitado é o Exaltado. A exaltação era entendida como a resposta de Deus Pai à morte, humilhação e condenação de seu Filho. Ao ressuscitá-lo e exalta-lo o Abbá o introduziu na nova dimensão (no espaço físico) que Lhe é própria; isto é, na mesma realidade misteriosa em que nos movemos, somos e existimos como humanos. Essa misteriosa dimensão é a realidade de todo realidade! Desde ela deveríamos entender o que é o espaço e o tempo, e não ao contrario!

Por isso, o “subir" da Ascensão é movimento de ausência, porém também de presença, é partir e voltar. A ascensão nos fala de uma dinâmica de presença e ausência de Jesus. Se aceita assim um tempo e um espaço intermediário, que é o tempo e o espaço da Igreja, de nosso mundo redimido. É o espaço do "já sim", porém “todavia não”.

Devemos ser realistas na hora de sublinhar tanto a presença, como a ausência.

 

Há pessoas na Igreja que somente enfatizam a Presença. Por isso, o Reino está entre nós, os Sacramentos, especialmente na Eucaristia, são Presença real, os ministros ordenados (bispos, presbíteros, diáconos) são autênticos representantes e suas decisões são tomadas em nome do que está presente; por isso, ai esta há verdade. Têm o perigo de negar que "Jesus ascendeu para o céu e está à direita do Pai”. Não esqueçamos que também o Pai está no céu! Pedimos-lhe que venha seu Reino, que se faça sua vontade aqui na terra, como se esta fazendo no céu.

   
 

Há as pessoas na Igreja que somente enfatizam a Ausência. Jesus está lá, mas não aqui. Jesus atua lá, mas não aqui. E se o faz é através de uma presença dinâmica, mas não pessoal, como dizia Calvino. Os sacramentos são então sinais que antecipam o que virá; a organização eclesial é um mero serviço, que não deveria atribuir-se nenhum tipo de representação transcendente.

Esta “dificilmente compreensível festa da Ascensão” nos coloca ante a necessidade de um árduo equilíbrio intelectual, porém sobre tudo, vivencial: como viver desde a ausência e presença? Como manter vital e pastoralmente está tensão? Pois, ante tudo, não permitindo que nada suplante o Senhor ausente; que os ministros ordenados saibam ser servidores do “posto que o Senhor deixou vazio”, sendo pura referencia a Ele. Porém também, reconhecendo que quando partimos o pão,quando nos perdoamos, quando atuamos “em seu nome”, ou quando se aproxima de nos um necessitado, um marginalizado, uma criança... Ele se faça misteriosamente presente.

Quando olhamos para o céu descobrimos que Jesus está lá intercedendo por nos (Hebreus 7,25) e aperfeiçoando nossas orações, dando-nos acesso a Deus Pai, como único, sumo e eterno Sacerdote (Hebreus 4,14-16). Quando olhamos para o céu o que nós aparece é Jesus junto ao trono de Deus como leão e como cordeiro (Apocalipse 5): como aquele que é ao mesmo tempo o Senhor dos cosmos (Colossenses 1) e também como o que está sentado no todo, exatamente como nós (Hebreus 4,15) e que tira o pecado do mundo. 
Como celebraremos hoje a Ascensão? Prestemos muita atenção a este acontecimento, sintamos a nostalgia do Ausente olhando o que nos rodeia, o que somos e a Igreja em que vivemos. Sintamos o consolo do misteriosamente Presente que nos envolve desde outra dimensão, que faz santo nosso espaço e nosso tempo através dos sacramentos nos quais o seu Espírito atua.


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VI Domingo da Páscoa (Ano C)

Na liturgia deste domingo sobressai a promessa de Jesus de acompanhar de forma permanente a caminhada da sua comunidade em marcha pela história: não estamos sozinhos; Jesus ressuscitado vai sempre ao nosso lado.
No Evangelho, Jesus diz aos discípulos como se devem manter em comunhão com Ele e reafirma a sua presença e a sua assistência através do “paráclito” – o Espírito Santo.
A primeira leitura apresenta-nos a Igreja de Jesus se confrontando com os desafios dos novos tempos. Animados pelo Espírito, os crentes aprendem a discernir o essencial do acessório e atualizam a proposta central do Evangelho, de forma que a mensagem libertadora de Jesus possa ser acolhida por todos os povos.
Na segunda leitura, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, essa cidade nova da comunhão com Deus, da vida plena, da felicidade total.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias

Primeira Leitura
DECIDIMOS, O ESPÍRITO SANTO E NÓS, NÃO VOS IMPOR
NENHUM FARDO, ALÉM DAS COISAS INDISPENSÁVEIS.
Leitura dos Atos dos Apóstolos (15,1-2.22-29)


Naqueles dias:
1Chegaram alguns da Judéia
e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo:
'Vós não podereis salvar-vos,
se não fordes circuncidados,
como ordena a Lei de Moisés.'
2Isto provocou muita confusão, e houve
uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles.
Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé
e alguns outros fossem a Jerusalém,
para tratar dessa questão
com os apóstolos e os anciãos.
22Então os apóstolos e os anciãos,
de acordo com toda a comunidade de Jerusalém,
resolveram escolher alguns da comunidade
para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé.
Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas,
que eram muito respeitados pelos irmãos.
23Através deles enviaram a seguinte carta:
'Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos,
saudamos os irmãos vindos do paganismo
e que estão em Antioquia
e nas regiões da Síria e da Cilícia.
24Ficamos sabendo que alguns dos nossos
causaram perturbações com palavras
que transtornaram vosso espírito.
Eles não foram enviados por nós.
25Então decidimos, de comum acordo,
escolher alguns representantes
e mandá-los até vós,
junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo,
26homens que arriscaram suas vidas
pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
27Por isso, estamos enviando Judas e Silas,
que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem.
28Porque decidimos, o Espírito Santo e nós,
não vos impor nenhum fardo,
além destas coisas indispensáveis:
29abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos,
do sangue, das carnes de animais sufocados
e das uniões ilegítimas.
Vós fareis bem se evitardes essas coisas.
Saudações!'
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - A questão de cumprir ou não os ritos da Lei de Moisés é uma questão ultrapassada, que hoje não preocupa nenhum cristão; mas este episódio vale, sobretudo, pelo seu valor exemplar. Faz-nos pensar, por exemplo, em rituais ultrapassados, em práticas de piedade vazias e estéreis, em fórmulas obsoletas, que exprimiram num certo contexto, mas já não exprimem o essencial da proposta cristã. Faz-nos pensar na imposição de esquemas culturais que muitas vezes não têm nada a ver com a forma de expressão de certas culturas… O essencial do cristianismo não pode ser vivido sem o concretizar em formas determinadas, humanas e, por isso, condicionadas e finitas. Mas é necessário distinguir o essencial do acessório; o essencial deve ser preservado e o acessório deve ser constantemente atualizado. Quais são os ritos e as práticas decididamente obsoletos, que impedem o homem de hoje de redescobrir o núcleo central da mensagem cristã? Será que hoje não estamos impedindo, como outrora, o nascimento de Cristo para o mundo, mantendo-nos presos a esquemas e modos de pensar e de viver que têm pouco a ver com a realidade do mundo que nos rodeia?

02 - É necessário ter presente que o essencial é Cristo e a sua proposta de salvação.

Essa é que é a proposta revolucionária que temos para apresentar ao mundo. O resto são questões cuja importância não nos deve distrair do essencial. Devemos também ter consciência da presença do Espírito na caminhada da Igreja de Jesus. No entanto, é preciso escutar, estar atento às interpelações que Ele lança, saber ler as suas indicações nos sinais dos tempos e nas questões que o mundo nos apresenta… Estamos verdadeiramente atentos aos apelos do Espírito?

03 - É preciso aprender com a forma como os Apóstolos responderam aos desafios dos tempos: com audácia, com imaginação, com liberdade, com desprendimento e, acima de tudo, com a escuta do Espírito. É assim que a Igreja de Jesus deve enfrentar hoje os desafios do mundo.


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Salmo Responsorial
QUE AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM, Ó SENHOR,
QUE TODAS AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM!
Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 4)


2Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,*
e sua face resplandeça sobre nós!
3Que na terra se conheça o seu caminho*
e a sua salvação por entre os povos.

QUE AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM, Ó SENHOR,
QUE TODAS AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM!

 5Exulte de alegria a terra inteira,*
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão,*
e guiais, em toda a terra, as nações.

QUE AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM, Ó SENHOR,
QUE TODAS AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM!

6Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,*
que todas as nações vos glorifiquem!
8Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe,*
e o respeitem os confins de toda a terra!

QUE AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM, Ó SENHOR,
QUE TODAS AS NAÇÕES VOS GLORIFIQUEM!


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Segunda Leitura
MOSTROU-ME A CIDADE SANTA DESCENDO DO CÉU.
Leitura do Apocalipse de São João (21,10-14.22-23)


10Um anjo me levou em espírito
a uma montanha grande e alta.
Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém,
descendo do céu, de junto de Deus,
11brilhando com a glória de Deus.
Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima,
como o brilho de jaspe cristalino.
12Estava cercada por uma muralha maciça e alta,
com doze portas.
Sobre as portas estavam doze anjos,
e nas portas estavam escritos os nomes
das doze tribos de Israel.
13Havia três portas do lado do oriente,
três portas do lado norte,
três portas do lado sul
e três portas do lado do ocidente.
14A muralha da cidade tinha doze alicerces,
e sobre eles estavam escritos
os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
22Não vi templo na cidade,
pois o seu Templo é o próprio Senhor,
o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro.
23A cidade não precisa de sol,
nem de lua que a iluminem,
pois a glória de Deus é a sua luz
e a sua lâmpada é o Cordeiro.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Já dissemos a propósito da segunda leitura do passado domingo: o profeta João garante-nos que as limitações impostas pela nossa finitude, as perseguições que temos de enfrentar por causa da verdade e da justiça, os sofrimentos que resultam dos nossos limites, não são a última palavra; espera-nos, para além desta terra, a vida plena, face a face com Deus. Esta certeza tem de dar um sentido novo à nossa caminhada e alimentar a nossa esperança.

02 -A Igreja em marcha pela história não é, ainda, essa comunidade messiânica da vida plena de que fala esta leitura; mas tem de apontar nesse sentido e procurar ser, apesar do pecado e das limitações dos homens, um anúncio e uma prefiguração dessa comunidade escatológica da salvação, que dá testemunho da utopia e que acende no mundo a luz de Deus. A humanidade necessita desse testemunho.

03 -Ainda que esta realidade de vida plena, de felicidade total, só aconteça na “nova Jerusalém”, ela tem de começar a ser construída desde já nesta terra. Deve ser essa a tarefa que nos motiva, que nos empenha e que nos compromete: a construção de um mundo de justiça, de amor e de paz, que seja cada vez mais um reflexo do mundo futuro que nos espera.


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Evangelho
O ESPÍRITO SANTO VOS RECORDARÁ
TUDO O QUE EU VOS TENHO DITO.
Evangelho de Jesus Cristo segundo João (14,23-29)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:

23'Se alguém me ama,
guardará a minha palavra,
e o meu Pai o amará,
e nós viremos e faremos nele a nossa morada.
24Quem não me ama,
não guarda a minha palavra.
E a palavra que escutais não é minha,
mas do Pai que me enviou.
25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco.
26Mas o Defensor, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome,
ele vos ensinará tudo
e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.
27Deixo-vos a paz,
a minha paz vos dou;
mas não a dou como o mundo.
Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.
28Ouvistes que eu vos disse:
'Vou, mas voltarei a vós`.
Se me amásseis,
ficaríeis alegres porque vou para o Pai,
pois o Pai é maior do que eu.
29Disse-vos isto, agora,
antes que aconteça,
para que, quando acontecer,
vós acrediteis.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Falar do “CAMINHO” de Jesus é falar de uma vida gasta em favor dos irmãos, numa doação total e radical, até à morte. Os discípulos são convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo “caminho”. Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o Homem Novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu até ao extremo todas as suas potencialidades.É esse “caminho” que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido doação, entrega, dom, amor até ao extremo? Tenho procurado despir-me do egoísmo e do orgulho que impedem o Homem Novo de aparecer?

02 - A comunhão do crente com o Pai e com Jesus não é resultado de momentos mágicos nos quais, através da recitação de certas fórmulas, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunhão com Jesus e com o Pai estabelecem-se percorrendo o caminho do amor e da entrega, numa doação total aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do egoísmo e aprender a fazer da sua vida um dom aos homens.

03 - É impressionante essa pedagogia de um Deus que nos deixa ser os construtores da nossa própria história, mas não nos abandona. De forma discreta, respeitando a nossa liberdade, Ele encontrou formas de continuar conosco, de nos animar, de nos ajudar a responder aos desafios, de nos recordar que só nos realizaremos plenamente na fidelidade ao “caminho” de Jesus.

04 - O cristão tem de estar, no entanto, atento à voz do Espírito, sensível aos apelos do Espírito; tem de procurar detectar os novos caminhos que o Espírito propõe; tem de estar na disposição de se deixar questionar e de refazer a sua vida, sempre que o Espírito lhe dá a entender que ela está a afastar-se do “caminho” de Jesus. Estamos sempre atentos aos sinais do Espírito e disponíveis para enfrentar os seus desafios?


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Comentário
ENTRE A IGREJA E O REINO


A Igreja é a comunidade dos que creem em Jesus. Por isso, porque cremos em Jesus estamos convencidos de que ao final dos tempos a humanidade se converterá nessa cidade de que nos fala a segunda leitura. É uma formosa visão: a humanidade habitando em uma cidade cheia de luz, rodeada de uma muralha que está aberta a todos os caminhos, a todos os povos. Nessa cidade não há templo, simplesmente porque não é necessário. Seu Templo é Deus mesmo que habita no meio dela. Também não é necessária nenhuma luz, nem sol nem lua, porque a glória do Senhor é a luz que ilumina todos os que vivem na cidade. É um formoso sonho.

Mas esse sonho não é ainda realidade. A realidade de nossa comunidade cristã é outra. Não temos toda essa luz. Andamos às apalpadelas. Às vezes há conflitos. Não sabemos bem como nem para onde nos dirigir. Não temos as ideias claras. Surgem discussões. Brotam as divisões. Magoamos-nos mutuamente. Precisamos nos reconciliar. Até precisamos de templos para sentir mais viva a presença de Deus.

Assim foi sempre na história da Igreja. Porque estamos em “caminho”. Poderíamos dizer que estamos no processo de construir aquela cidade harmoniosa de que nos fala a segunda leitura. Ainda estamos pondo os alicerces. Assim podemos descrever a história da Igreja. Desde o princípio, os crentes esforçaram-se por construir aqui e agora essa cidade harmoniosa na qual, todos seremos chamados a viver algum dia. Essa construção não se faz sem conflitos. É normal. O que os cristãos têm que saber é que os conflitos somente se resolvem na base de diálogo, entendimento, amor e reconciliação. A leitura dos Atos dos Apóstolos fala-nos de um dos primeiros conflitos que surgiram na Igreja, já em tempos de Pedro e Paulo (para que não pensemos que nossa comunidade é muito má porque há conflitos e problemas). Mas também nos mostra como, desde o princípio, a Igreja resolveu esses problemas através do diálogo.

Mas para poder dialogar, é necessário aprofundar cada vez mais em nossa fé e em nosso amor a Jesus. Mantendo essa relação profunda com Jesus teremos em nosso coração sua paz. Essa paz nos permitirá passar através de todos os conflitos buscando sempre não nosso interesse egoísta, mais o bem da comunidade, de nossa família e de nossa sociedade. Essa paz, a paz de Jesus, nos permitirá dialogar com os irmãos e irmãs buscando a verdade. Fortalecidos no amor de Jesus, com sua paz dentro do coração, construiremos juntos a cidade de Deus, lá onde todos nos possamos nos  sentir em casa, em torno de nosso Pai.

 

Que fazemos quanto sentimos que se produz um conflito em nossa família ou em nossa comunidade? Fazemos o possível para que todos os interessados no assunto sem exceção possam participar no diálogo ou preferimos formas impositivas? Dialogamos desde a paz de Jesus ou desde nosso egoísmo?

 


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

 

V Domingo da Páscoa (Ano C)

O tema fundamental da liturgia deste domingo é o do AMOR: o que identifica os seguidores de Jesus é a capacidade de amar até ao dom total da vida.

No Evangelho, Jesus despede-Se dos seus discípulos e deixa-lhes em testamento o “mandamento novo”: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI”. É nessa entrega radical da vida que se cumpre a vocação cristã e que se dá testemunho no mundo do amor materno e paterno de Deus.

Na primeira leitura apresenta-se a vida dessas comunidades cristãs chamadas a viver no amor. No meio das vicissitudes e das crises, são comunidades fraternas, onde os irmãos se ajudam, se fortalecem uns aos outros nas dificuldades, se amam e dão testemunho do amor de Deus. É esse projeto que motiva Paulo e Barnabé e é essa proposta  que eles levam, com a generosidade  de quem ama, aos confins  da Ásia Menor.

A segunda leitura apresenta-nos a meta final para onde caminhamos: o novo céu e a nova terra, a realização da utopia, o rosto final dessa comunidade de chamados a viver no amor.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
CONTARAM À COMUNIDADE TUDO O
QUE DEUS FIZERA POR MEIO DELES.
Leitura dos Atos dos Apóstolos (14,21b-27)


Naqueles dias: Paulo e Barnabé,
21bvoltaram para as cidades de Listra, Icônio e Antioquia.
22Encorajando os discípulos,
eles os exortavam a permanecerem firmes na fé,
dizendo-lhes: 'É preciso
que passemos por muitos sofrimentos
para entrar no Reino de Deus'.
23Os apóstolos designaram presbíteros para cada
comunidade.
Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor,
em quem haviam acreditado.
24Em seguida, atravessando a Pisídia,
chegaram à Panfília.
25Anunciaram a palavra em Perge,
e depois desceram para Atália.
26Dali embarcaram para Antioquia,
de onde tinham saído, entregues à graça de Deus,
para o trabalho que haviam realizado.
27Chegando ali, reuniram a comunidade.
Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles
e como havia aberto a porta da fé para os pagãos.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Como é que vivem as nossas comunidades cristãs?  Há partilha fraterna e preocupação em ir ao encontro dos mais débeis, em apoiá-los e ajudá-los a superar as crises e as angústias?  São comunidades que se fortalecem com uma vida de oração e de diálogo com Deus?

02 -Temos consciência de que por detrás do nosso trabalho e do nosso testemunho está Deus? Temos consciência de que o anúncio do Evangelho não é uma obra nossa, na qual expomos  as nossas  ideias e a nossa ideologia,  mas é obra de Deus? Temos consciência de que não nos pregamos a nós próprios, mas a Cristo libertador?

03 - Para aqueles que têm responsabilidades de direção ou de animação das comunidades: a missão que lhes foi confiada não é um privilégio, mas um serviço que está subordinado à construção da própria comunidade.  A comunidade não existe para servir quem preside; quem preside é que existe em função da comunidade e do serviço comunitário.


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Salmo Responsorial
BENDIREI ETERNAMENTE VOSSO SANTO NOME, Ó SENHOR.
Sl 144,8-9.10-11.12-13ab (R.cf.1)


8Misericórdia e piedade é o Senhor,*
ele é amor, é paciência, é compaixão.
9O Senhor é muito bom para com todos,*
sua ternura abraça toda criatura.

BENDIREI ETERNAMENTE VOSSO SANTO NOME, Ó SENHOR.

10Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,*
e os vossos santos com louvores vos bendigam!
11Narrem a glória e o esplendor do vosso reino*
e saibam proclamar vosso poder!

BENDIREI ETERNAMENTE VOSSO SANTO NOME, Ó SENHOR.

12Para espalhar vossos prodígios entre os homens*
e o fulgor de vosso reino esplendoroso.
13aO vosso reino é um reino para sempre,*
13bvosso poder, de geração em geração.

BENDIREI ETERNAMENTE VOSSO SANTO NOME, Ó SENHOR.


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Segunda Leitura
DEUS ENXUGARÁ TODA LÁGRIMA DOS SEUS OLHOS.
Leitura do Apocalipse de São João (21,1-5a)


Eu, João,
1Vi um novo céu e uma nova terra.
Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram,
e o mar já não existe.
2Vi a cidade santa, a nova Jerusalém,
que descia do céu, de junto de Deus,
vestida qual esposa enfeitada para o seu marido.
3Então, ouvi uma voz forte
que saía do trono e dizia:
'Esta é a morada de Deus entre os homens.
Deus vai morar no meio deles.
Eles serão o seu povo,
e o próprio Deus estará com eles.
4Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos.
A morte não existirá mais,
e não haverá mais luto, nem choro, nem dor,
porque passou o que havia antes.'
5Aquele que está sentado no trono disse:
'Eis que faço novas todas as coisas.'
Depois, ele me disse: 'Escreve,
porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras.'
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - O testemunho profético de João garante-nos que não estamos destinados ao fracasso, mas sim à vida plena, ao encontro com Deus, à felicidade sem fim. Esta esperança tem de iluminar a nossa caminhada e dar-nos a coragem de enfrentar os dramas e as crises que dia a dia se nos apresentam.

02 - A Igreja de que fazemos parte tem de procurar ser um anúncio dessa comunidade escatológica, uma “noiva” bela e que caminha com amor ao encontro de Deus, o amado. Isto significa que o egoísmo, as divisões, os conflitos, as lutas pelo poder, têm de ser banidos da nossa experiência eclesial: eles são chagas que desfiguram o rosto da Igreja e a impedem de dar testemunho do mundo novo que nos espera.

03 - É verdade que a instauração plena do “novo céu e da nova terra” só acontecerá quando  o mal for vencido  em definitivo;  mas essa nova realidade pode e deve começar  desde já: a ressurreição  de Cristo convoca-nos  para a renovação  das nossas vidas, da nossa comunidade cristã ou religiosa, da sociedade e das suas estruturas.


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Evangelho
EU VOS DOU UM NOVO MANDAMENTO:
AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.
Evangelho de Jesus Cristo segundo João (13,31-33a.34-35)


31Depois que Judas saiu, do cenáculo
disse Jesus:
'Agora foi glorificado o Filho do Homem,
e Deus foi glorificado nele.
32Se Deus foi glorificado nele,
também Deus o glorificará em si mesmo,
e o glorificará logo.
33aFilhinhos,
por pouco tempo estou ainda convosco.
34Eu vos dou um novo mandamento:
amai-vos uns aos outros.
Como eu vos amei,
assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos,
se tiverdes amor uns aos outros.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A proposta cristã resume-se no amor.  É o amor que nos distingue, que nos identifica; quem não aceita o amor, não pode ter qualquer pretensão de integrar a comunidade de Jesus. O que é que está no centro da nossa experiência cristã? A nossa religião é a religião do amor, ou é a religião das leis, das exigências, dos ritos externos?

02 - Falar de amor hoje pode ser equívoco… A palavra “AMOR” é, tantas vezes, usada para definir comportamentos egoístas, interesseiros, que usam o outro, que fazem mal, que limitam horizontes, que roubam a liberdade… Mas o amor de que Jesus fala é o amor que acolhe, que se  faz  serviço,  que  respeita  a dignidade  e a liberdade do outro, que não discrimina nem marginaliza, que se faz dom total (até à morte) para que o outro tenha mais vida. É este o amor que vivemos e que partilhamos?

03 - Por um lado, a comunidade de Jesus tem de testemunhar, com gestos concretos, o amor de Deus; por outro, ela tem de demonstrar que a utopia é possível e que os homens podem ser irmãos. É esse o nosso testemunho de comunidade cristã ou religiosa?  


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Comentário
AMAR COMO ELE NOS AMA


A comunidade cristã é sinal do céu novo e da terra nova de que fala a segunda leitura. Mas, que tipo de sinal? Em que devemos ser notado que somos a semente da nova criação? O Evangelho de João nos dá a chave. Jesus está prestes de se despedir de seus discípulos e deixa-lhes um mandamento novo que é como seu testamento. Diz-lhes que SE AMEM UNS A OUTROS COMO ELE LHES AMOU. Essa será o sinal pelo qual saberão que somos discípulos de Jesus. Por conseguinte, o que diferencia os cristãos não é o fato de nos reunirmos aos domingos para celebrar a Santa Missa. Também não porque tenhamos uma hierarquia com um papa, bispos e sacerdotes. Nem sequer nos diferencia porque celebremos os Sete Sacramentos. Jesus não desejava que fôssemos conhecidos por nenhuma dessas coisas. Jesus desejava que os que não pertencessem a nossa comunidade nos conhecessem por outro sinal, mais humilde e mais importante e bem mais humano:pelo modo como nos tratamos uns a outros, pelo modo como nos amamos e amamos a todos sem distinção. Jesus queria que nos amássemos como ele nos tinha amado.

Esse é o sinal que fará descobrir os que não são cristãos que a comunidade cristã é a semente de um novo mundo. Porque só Deus é capaz de dar vida a esse amor fraterno que faz com que tudo se compartilhe e que todos vivam mais em plenitude. Quando os que não são cristãos nos vejam amar para valer, necessariamente têm de pensar que Deus está presente em nossa comunidade, porque as pessoas, somente por nossas forças, não podemos amar dessa maneira.

É que os cristãos são feitos de outra madeira? É que somos superiores aos demais?EM ABSOLUTO, SOMOS TODOS IGUAIS. Mas a presença de Deus está conosco. E quando O deixamos atuar em nossos corações, experimentamos que um amor maior que nossas forças brotam de dentro de nós. É O AMOR DE DEUS. É o amor que é sinal da terra nova e do céu novo. É, por exemplo, o amor com que a mãe Teresa de Calcutá amou aos doentes e moribundos. É o amor com que muitos pais amam a seus filhos. Sem medida, sem tempo, sem limite, com absoluta generosidade.

Mas como não somos superiores aos demais, aos que não são cristãos, como cometemos erros e às vezes fazemos mal uns a outros, há uma dimensão do amor que a comunidade cristã deve saber viver de uma maneira especial. É a dimensão do PERDÃO, da RECONCILIAÇÃO. Perdoar aos irmãos “e perdoar-me” é uma forma de amar que reconhece a limitação própria e a supera porque o amor vai para além dos limites que marca nossa debilidade. Viver o perdão e a reconciliação na comunidade cristã é a melhor forma de dar depoimento do amor que nos une.

Que sinal nos distingue como cristãos? Que teríamos que fazer em nossa comunidade para dar melhor testemunho? E em nossa família? E no trabalho?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

 
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