Últimas
Natividade de São João Batista (CIclo B)
João Batista, além da Virgem Maria, é o único santo de quem a L
Como escolher candidatos aos cargos de padrinho e madrinha de seus filhos
Se você decidiu batizar seu filho na Igreja Católica, você terá
24 de junho - Festa de São João Batista
Nestes dias o povo brasileiro festeja, com exuberância de folclo
Dízimo é Partilha
Dízimo é um ato de gratidão a Deus, do qual recebemos tudo o que
Angelus 17 de junho:
“Hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos
Mais Lidas

Destaque

Próximos Eventos

Qui Jun 28 @ 3:00PM -
Terço da Misericórdia
Qui Jun 28 @ 8:00PM -
Grupo de Oração
Qui Jul 05 @ 3:00PM -
Terço da Misericórdia
Qui Jul 05 @ 8:00PM -
Grupo de Oração
Qua Jul 11 @ 8:00PM -
Terço dos Homens

A Palavra

Natividade de São João Batista (CIclo B)

João Batista, além da Virgem Maria, é o único santo de quem a Liturgia celebra o nascimento para a terra. João, como “PRECURSOR” de Jesus teve, de fato, um papel único na História da Salvação. Filho de Zacarias e de Isabel, a sua vida não desabrochou por iniciativa humana, mas por dom de Deus a a pais de idade avançada e, por isso, já sem possibilidade de gerar filhos. Situado na charneira entre o Antigo e o Novo Testamento, como Precursor, João é considerado profeta de um e outro Testamento. O paralelismo estabelecido por Lucas entre a infância de Jesus e de João Batista levou a Liturgia a celebrar o nascimento de ambos: o de Jesus no solstício de Inverno e o de João no solstício de Verão.

A Palavra de Deus apresenta João Batista como o escolhido por Deus para ser profeta, ainda antes de nascer, ele é um “dom de Deus” ao seu Povo.

Sublinhando a importância de João na história da salvação, a liturgia não deixa, contudo, de mostrar que João não é “a salvação”; ele veio, apenas, dirigir o olhar dos homens para Cristo e preparar o coração dos homens para acolher “a salvação” que estava para chegar.

A primeira leitura apresenta-nos uma misteriosa figura profética, eleita por Deus desde o seio materno, a fim de ser a “luz das nações” e levar a Palavra ao coração e à vida de todos os homens. Impressiona especialmente a centralidade que Deus assume na vida do profeta: toda a missão profética brota de Deus e sustenta-se de Deus.

Na segunda leitura, Paulo fala aos judeus de Antioquia do profeta João. Na perspectiva de Paulo, a missão de João consistiu em convidar os homens a uma mudança de vida e de mentalidade, numa espécie de primeiro passo para acolher o “Reino” que Jesus veio, depois, propor. Paulo deixa claro que João não é o Messias libertador, mas sim aquele que vem preparar o coração dos homens para acolher o Messias.

O Evangelho relata o nascimento de João. Na perspectiva de Lucas, os acontecimentos ligados ao seu nascimento mostram como o profeta João é um “dom de Deus”. Começa, nessa altura, a tornar-se claro para todos que Deus está por detrás da existência de João, e que a sua missão é ser um sinal de Deus no meio dos homens.


 


Primeira Leitura 
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
EU TE FAREI LUZ DAS NAÇÕES, PARA QUE
MINHA SALVAÇÃO CHEGUE ATÉ AOS CONFINS DA TERRA.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (49,1-6)


1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção:
o Senhor chamou-me antes de eu nascer,
desde o ventre de minha mãe
ele tinha na mente o meu nome;
2fez de minha palavra uma espada afiada,
protegeu-me à sombra de sua mão
e fez de mim uma flecha aguçada,
escondida em sua aljava,
3e disse-me: 'Tu és o meu Servo,
Israel, em quem serei glorificado'.
4E eu disse: 'Trabalhei em vão,
gastei minhas forças sem fruto, inutilmente;
entretanto o Senhor me fará justiça
e o meu Deus me dará recompensa'.
5E agora diz-me o Senhor
- ele que me preparou desde o nascimento
para ser seu Servo - que eu recupere Jacó para ele
e faça Israel unir-se a ele;
aos olhos do Senhor esta é a minha glória.
6Disse ele: 'Não basta seres meu Servo
para restaurar as tribos de Jacó
e reconduzir os remanescentes de Israel:
eu te farei luz das nações,
para que minha salvação
chegue até aos confins da terra'.
Palavra do Senhor.


Referência para reflexão da Primeira Leitura


Como o Servo de Javé, João Batista foi chamado a uma especial missão, desde que foi concebido o seio de sua mãe. Como Ele, recebeu um nome, um chamamento e uma revelação. Como Ele, teve que enfrentar a dureza e o sofrimento no desempenho da missão. Por isso, o nosso texto, retirado dos “Cânticos do Servo de Javé” adequa-se a João Batista. O verdadeiro profeta realiza a missão, confiando unicamente n´Aquele que o escolheu, chamou e enviou. E só d´Ele espera recompensa


voltar


Salmo Responsorial
EU VOS LOUVO E VOS DOU GRAÇAS, Ó SENHOR,
PORQUE DE MODO ADMIRÁVEL ME FORMASTES!.
Sl 138(139),1-3.13-14ab.14c-15 (R. 14a)


Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!
1Senhor, vós me sondais e conheceis,
2sabeis quando me sento ou me levanto;
de longe penetrais meus pensamentos;
3percebeis quando me deito e quando eu ando,
os meus caminhos vos são todos conhecidos.

Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!

13Fostes vós que me formastes as entranhas,
e no seio de minha mãe vós me tecestes.
14aEu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
14bporque de modo admirável me formastes!

Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!

14cAté o mais íntimo, Senhor me conheceis;
15nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis,
quando eu era modelado ocultamente,
era formado nas entranhas subterrâneas.

Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!


voltar


Segunda Leitura
ANTES QUE JESUS CHEGASSE,
JOÃO PREGOU UM BATISMO DE CONVERSÃO.
Leitura dos Atos dos Apóstolos (13,22-26)


Naqueles dias, Paulo disse:

22Deus fez surgir Davi como rei
e assim testemunhou a seu respeito:
'Encontrei Davi, filho de Jessé,
homem segundo o meu coração,
que vai fazer em tudo a minha vontade'.
23Conforme prometera, da descendência de Davi
Deus fez surgir para Israel um Salvador,
que é Jesus.
24Antes que ele chegasse,
João pregou um batismo de conversão
para todo o povo de Israel.
25Estando para terminar sua missão, João declarou:
'Eu não sou aquele que pensais que eu seja!
Mas vede: depois de mim vem aquele,
do qual nem mereço desamarrar as sandálias'.
26Irmãos, descendentes de Abraão,
e todos vós que temeis a Deus,
a nós foi enviada esta mensagem de salvação.
Palavra do Senhor.


Referência para reflexão da Segunda Leitura


O discurso de Paulo em Antioquia, com explícita referência a João Batista, mostra a importância que o profeta tinha na primitiva comunidade cristã. Paulo refere-se também a Davi. Davi e João foram dois profetas que, de modo diferente, e em tempos distintos, prepararam a vinda do Messias: Davi recebeu a promessa do Messias; João preparou a vinda do mesmo, pregando um batismo de penitência. Impressiona, neste texto, a clareza com que João identifica Jesus, e se define a si mesmo. É este o primeiro dever do verdadeiro profeta.


voltar


Evangelho
NASCIMENTO DE JOÃO BATISTA.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo São Lucas (1,57-66)


57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel,
e ela deu à luz um filho.
58Os vizinhos e parentes ouviram dizer
como o Senhor tinha sido misericordioso
para com Isabel, e alegraram-se com ela.
59No oitavo dia, foram circuncidar o menino,
e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias.
60A mãe porém disse:
'Não! Ele vai chamar-se João.'
61Os outros disseram:
'Não existe nenhum parente teu com esse nome!'
62Então fizeram sinais ao pai,
perguntando como ele queria que o menino se chamasse.
63Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu:
'João é o seu nome.'
64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu,
sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus.
65Todos os vizinhos ficaram com medo,
e a notícia espalhou-se
por toda a região montanhosa da Judéia.
66E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando:
'O que virá a ser este menino?'
De fato, a mão do Senhor estava com ele.
Palavra da Salvação.


Referência para reflexão do Evangelho


O paralelismo estabelecido por Lucas, ao narrar a infância do Batista e a de Jesus é rico sob os pontos de vista literário e teológico. O nascimento de João preanuncia o de Jesus. João, ainda no ventre materno, anuncia outro Menino. O nome de João é anuncio do de Jesus. O extraordinário evento da maternidade de Isabel prepara outro, o da maternidade de Maria. A missão de João nos faz refletyir sobre a missão de Jesus. Trata-se de uma única missão, em dois tempos; dois tempos de uma única história que se desenrola em ritmos alternos, mas sincronizados. Não devemos contrapor a missão do Batista e a de Jesus.


voltar


Comentário
QUE VAI SER DESTA CRIANÇA?


A festa de hoje está marcada pela alegria. Quem não se alegra com o nascimento de uma criança? Pela simples razão de que uma criança recém-nascida é sinal de esperança. É a vida que brota nova. É a primavera. É a promessa de futuro tornada realidade. A criança recém-nascida, sem fazer nada, muda as relações dos esposos, insufla nova vida aos avôs, gera uma nova forma de estar nos outros irmãos. E todos celebram essa alegria. O Batizado não é mais que a expressão e a celebração em cristo dessa alegria vital que se origina em todos os que vivem próximos, familiares e amigos, a experiência da vida que oferta por seguir, por crescer, da vida que quer viver. E o que é melhor expressão de vida que a criatura recém-nascida!

Celebramos o nascimento de João Batista. A alegria é maior, porque a mãe por sua idade já não era fértil. Também o pai era idoso. Não tinham sido abençoados com outros filhos. Com eles se esgotava a família, a estirpe. A morte ameaçava àquela família. Por isso a alegria daquele nascimento foi maior do que o normal. A celebração seria por todo o alto. Não era para menos. Todos se sentiam cheios de esperança. Podiam olhar o futuro com tranquilidade. Tinha uma criança que estenderia a vida da família, que levaria seu nome.

E, então, surge a pergunta. O que será essa criança quando for maior? Uma criança é sempre uma pergunta aberta. A resposta será dada com o passar do tempo. Quando crescer, quando amadurecer, quando formar ele mesmo uma família, quando com seu trabalho contribuir para o bem comum. Que será desta criança?

O futuro de uma criança é sempre uma surpresa. E João foi uma surpresa para seus familiares. Sua vida não o levou a fazer um trabalho normal, mais a alentar a esperança do povo. Que trabalho melhor que alentar a esperança dos demais?

Não se colocou a si mesmo como líder, mais convidou a todos para olhar para o que viria depois dele, o que ia encher de esperanças e desejos a todos. João converteu-se no precursor, no que anunciou a chegada iminente do Salvador. Não disse às pessoas que o olhasse nem que o seguissem, senão mostrou Jesus e convidou a todos a que o seguissem.

Assim se converteu em modelo do evangelizador cristão. Não se trata de nos colocar no meio e dizer que nos olhem e nos sigam, mais de ajudar a todos que se encontrem com Jesus, que descubram o Evangelho. Devemos nos colocar ao lado de todos para que Jesus seja o protagonista. Como fez João.


Para a reflexão


Temos claro que Jesus é a fonte de nossa esperança e de nossa alegria? Evangelizamos com nossas obras, atitudes, forma de falar, damos esperança às pessoas com as quais nos encontramos? Ou nos deixamos levar pelo pessimismo?


 voltar


FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad Católica  - Fernando Torres, cmf
Família Dehoniana


 

 

XI Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XI Domingo do Tempo Comum convida-nos a olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança. Deus, fiel ao seu plano de salvação, continua, hoje como sempre, conduzindo a história humana para uma meta de vida plena e de felicidade sem fim.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel assegura ao Povo de Deus, exilado na Babilônia, que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que fez no passado. Apesar das vicissitudes, dos desastres e das crises que as voltas da história comportam, Israel deve continuar a confiar nesse Deus que é fiel e que não desistirá nunca de oferecer ao seu Povo um futuro de tranquilidade, de justiça e de paz sem fim.
O Evangelho apresenta uma catequese sobre o Reino de Deus – essa realidade nova que Jesus veio anunciar e propor. Trata-se de um projeto que, avaliado à luz da lógica humana, pode parecer condenado ao fracasso; mas ele encerra em si o dinamismo de Deus e acabará por chegar a todo o mundo e a todos os corações. Sem alarde, sem pressa, sem publicidade, a semente lançada por Jesus fará com que esta realidade velha que conhecemos vá, aos poucos, dando lugar ao novo céu e à nova terra que Deus quer oferecer a todos.
A segunda leitura recorda-nos que a vida nesta terra, marcada pela finitude e pela transitoriedade, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus, da vida definitiva. O cristão deve estar consciente de que o Reino de Deus, embora já presente na nossa atual caminhada pela história, só atingirá a sua plena maturação no final dos tempos, quando todos os homens e mulheres se sentarem à mesa de Deus e receberem de Deus a vida que não acaba. É para aí que devemos caminhar, é essa a visão que deve animar a nossa caminhada.



Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário 
Fontes de Referência

Primeira Leitura
E TODAS AS ÁRVORES DO CAMPO
SABERÃO QUE EU SOU O SENHOR.

Leitura da Profecia de Ezequiel (17,22-24)

22Assim diz o Senhor Deus:
'Eu mesmo tirarei um galho da copa do cedro,
do mais alto de seus ramos arrancarei um broto
e o plantarei sobre um monte alto e elevado.
23Vou plantá-lo sobre o alto monte de Israel.
Ele produzirá folhagem, dará frutos
e se tornará um cedro majestoso.
Debaixo dele pousarão todos os pássaros,
à sombra de sua ramagem as aves farão ninhos.
24E todas as árvores do campo saberão
que eu sou o Senhor,
que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa;
faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca.
Eu, o Senhor, digo e faço'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Essencialmente, o texto de Ezequiel que a liturgia deste domingo nos propõe, garante que Deus conduz sempre a história humana de acordo com o seu projeto de salvação e mantém-se fiel às promessas feitas ao seu Povo. Esta “lição” não pode ser esquecida e essa certeza deve levar-nos a encarar os dramas e desafios do tempo atual com confiança e esperança. Não estamos abandonados à nossa sorte; Deus não desistiu desta humanidade que Ele ama e continua a querer salvar. É verdade que a hora atual que a humanidade atravessa está marcada por sombras e graves inquietações; mas também é verdade que Deus continua a acompanhar cada passo que damos e a nos apontar caminhos de vida. A última palavra, uma palavra que não pode deixar de ser de salvação e de graça, será sempre de Deus. Apoiados nessa certeza, temos de vencer o medo e o pessimismo que, por vezes, nos paralisam e dar aos homens nossos irmãos um testemunho de esperança, de serena confiança.

2 - A referência – mil vezes repetida ao longo da Bíblia – à tal “estranha lógica” de Deus, que se serve do que é débil e frágil para concretizar os seus projetos de salvação, convida-nos a mudar os nossos critérios de avaliação e a nossa atitude face ao mundo e face aos que nos rodeiam. Por um lado, nos ensina a valorizar aquilo e aquelas pessoas que o mundo, por vezes, marginaliza ou despreza; ensina-nos, por outro lado, que as grandes realizações de Deus não estão dependentes das grandes capacidades dos homens, mas antes da vontade amorosa de Deus; ensina-nos ainda que o fundamental, para sermos agentes de Deus, não é possuir brilhantes qualidades humanas, mas uma ATITUDE DE DISPONIBILIDADE HUMILDE QUE NOS LEVE A ACOLHER OS APELOS E DESAFIOS DE DEUS.


voltar


Salmo Responsorial
COMO É BOM AGRADECERMOS AO SENHOR.
Sl 91,2-3.13-14.15-16 (R. Cf. 2a)


Como é bom agradecermos ao Senhor.

2Como é bom agradecermos ao Senhor
e cantar salmos de louvor ao Deus Altíssimo!
3Anunciar pela manhã vossa bondade,
e o vosso amor fiel, a noite inteira.
Como é bom agradecermos ao Senhor.

13O justo crescerá como a palmeira,
florirá igual ao cedro que há no Líbano;
14na casa do Senhor estão plantados,
nos átrios de meu Deus florescerão.
Como é bom agradecermos ao Senhor.

15Mesmo no tempo da velhice darão frutos,
cheios de seiva e de folhas verdejantes;
16e dirão: 'É justo mesmo o Senhor Deus:
meu Rochedo, não existe nele o mal!'

Como é bom agradecermos ao Senhor.


voltar


Segunda Leitura
E QUER ESTEJAMOS NO CORPO,
QUER JÁ TENHAMOS DEIXADO ESSA
MORADA, NOS EMPENHAMOS EM SER AGRADÁVEIS AO SENHOR.

Leitura da Leitura da Carta de Paulo aos Coríntios (5,6-10)


Irmãos:
6Estamos sempre cheios de confiança
e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo,
somos peregrinos longe do Senhor;
7pois caminhamos na fé e não na visão clara.
Mas estamos cheios de confiança
e preferimos deixar a moradia do nosso corpo,
para ir morar junto do Senhor.
9Por isso, também nos empenhamos em ser agradáveis a
ele, quer estejamos no corpo,
quer já tenhamos deixado essa morada.
10Aliás, todos nós temos de comparecer às claras
perante o tribunal de Cristo,
para cada um receber a devida recompensa
- prêmio ou castigo -
do que tiver feito ao longo de sua vida corporal.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - A cultura atual é uma cultura do provisório, que dá prioridade ao que é efêmero sobre as realidades perenes com a marca da eternidade: propõe que se viva ao sabor do imediato e do momento, e subalterna às opções definitivas e os valores duradouros. É também uma cultura do bem-estar material: ao seduzir os homens com o brilho dos bens perecíveis, ao potenciar o reinado do “TER” sobre o “SER”, escraviza o homem e relativiza a sua busca de eternidade. É ainda uma cultura da facilidade, que ensina como evitar tudo o que exige esforço, sofrimento e luta: produz pessoas incapazes de lutar por objetivos exigentes e por realizar projetos que exijam esforço, fidelidade, compromisso, sacrifício. Neste contexto, a palavra de Paulo aos cristãos de Corinto soa a desafio profético: é necessário que tenhamos sempre diante dos olhos a nossa condição de “PEREGRINOS” nesta terra e que aprendamos a dar valor àquilo que tem a marca da eternidade. É nos valores duradouros, e não nos valores efêmeros e passageiros, que encontramos a vida plena. O final da nossa existência não está nesta terra; o nosso horizonte e as nossas apostas devem apontar sempre para o mais além, para a VIDA PLENA E DEFINITIVA.

2 - Contudo, o fato de vivermos olhando para o mais “distante” não pode levar-nos a ignorar as realidades terrenas e os compromissos com a construção da cidade dos homens. O Reino de Deus – que atingirá a sua plena maturação quando tivermos ultrapassado o transitório e o efêmero da vida presente – começa a ser construído nesta terra e exige o nosso compromisso pleno com a construção de um mundo mais justo, mais fraterno, mais verdadeiro. Não há comunhão com Cristo se não assumimos as nossas responsabilidades em testemunhar os gestos e os valores de Cristo.


voltar


Evangelho
É A MENOR DE TODAS AS SEMENTES,
E SE TORNA MAIOR DO QUE TODAS AS HORTALIÇAS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Marcos (4,26-34)


Naquele tempo:
26Jesus disse à multidão:
'O Reino de Deus
é como quando alguém espalha a semente na terra.
27Ele vai dormir e acorda, noite e dia,
e a semente vai germinando e crescendo,
mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto:
primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga
e, por fim, os grãos que enchem a espiga.
29Quando as espigas estão maduras,
o homem mete logo a foice,
porque o tempo da colheita chegou'.
30E Jesus continuou:
'Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus?
Que parábola usaremos para representá-lo?
31O Reino de Deus é como um grão de mostarda
que, ao ser semeado na terra,
é a menor de todas as sementes da terra.
32Quando é semeado, cresce
e se torna maior do que todas as hortaliças,
e estende ramos tão grandes,
que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra'.
33Jesus anunciava a Palavra
usando muitas parábolas como estas,
conforme eles podiam compreender.
34E só lhes falava por meio de parábolas,
mas, quando estava sozinho com os discípulos,
explicava tudo.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O Evangelho deste domingo garante-nos que Deus tem em marcha um projeto destinado a oferecer aos homens a vida e a salvação. Pode parecer que a nossa história caminha entregue ao acaso ou aos caprichos dos líderes; pode parecer que a história humana entrou em derrapagem e que, no final do caminho, nos espera o abismo; mas é Deus que conduz a história, que lhe imprime o seu dinamismo, que está presente em todos os passos do nosso caminho. Deus caminha conosco e, seguramente, leva-nos pela mão ao encontro de um final feliz. Num tempo histórico como o nosso, marcado por “SOMBRAS”, por crises e por graves inquietações, este é um dos testemunhos mais importantes que podemos, como crentes, oferecer aos nossos irmãos escravizados pelo desespero e pelo medo.

2 - O projeto de salvação que Deus tem para a humanidade revela-se no anúncio do Reino, feito por Jesus de Nazaré. Nas suas palavras, nos seus gestos, Jesus propôs um caminho novo, uma nova realidade; LANÇOU A SEMENTE DA TRANSFORMAÇÃO DOS CORAÇÕES, das mentes e das vontades, de forma a que a vida dos homens e das sociedades se construa de acordo com os esquemas de Deus. Essa semente não foi lançada em vão: está entre nós e cresce por ação de Deus. Resta-nos acolher essa semente e deixar que Deus realize a sua ação. Resta-nos também, como discípulos de Jesus, continuar a lançar essa semente do Reino, a fim de que ela encontre lugar no coração de cada homem e de cada mulher.

3 - Os que, continuando a missão de Jesus, anunciam a Palavra (que lançam a semente) não devem preocupar-se com a forma como ela cresce e se desenvolve. Devem, apenas, confiar na eficácia da Palavra anunciada, conformar-se com o tempo e o ritmo de Deus, confiar na ação de Deus e no dinamismo intrínseco da Palavra semeada. Isso equivale a respeitar o crescimento de cada pessoa, o seu processo de maturação, a sua busca de caminhos de vida e de plenitude. Não nos compete exigir que os outros “caminhem” no nosso ritmo, que pensem como nós, que passem pelas mesmas experiências e exigências que para nós são válidas. Deve-se respeitar a consciência e o ritmo de caminhada de cada homem ou mulher – como Deus sempre faz.

4 - A referência à pequenez da semente (segunda parábola) convida-nos a rever os nossos critérios de atuação e a nossa forma de olhar o mundo e os nossos irmãos. Por vezes, é naquilo que é pequeno, débil e aparentemente insignificante que Deus Se revela. Deus está nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostentação; e é deles que Deus Se serve para transformar o mundo. Atitudes de arrogância, de ambição desmedida, de poder a qualquer custo, não são sinais do Reino. Sempre que nos deixamos levar por tentações de grandeza, de orgulho, de prepotência, de vaidade, estamos frustrando o projeto de Deus, estamos impedindo Reino de Deus se torne realidade no mundo e nas nossas vidas.


voltar


Comentário
O REINO DE DEUS SE PARECE COM ...


Jesus não foi um teólogo no sentido em que hoje entendemos essa palavra. Mas isso não quer dizer que não tivesse as ideias claras sobre o que queria transmitir aos que lhe escutavam. E para isso escolheu uma linguagem que sugeria mais que dizia, que abria pistas para que as pessoas pensassem por si mesmas embora não oferecesse um sistema fechado de pensamento. Sua mensagem fundamental foi o anúncio do Reino de Deus.
Mas, que é o Reino? Surpreendentemente, Jesus não o diz nunca. Costuma falar do Reino através de comparações e parábolas. São comparações simples, facilmente compreensíveis para os que escutavam, camponeses pobres em sua maioria, mas também juristas e estudiosos da lei. Suas parábolas aludem a diversos aspectos do Reino. Mas nunca o definem de todo. Seus ouvintes vão entendendo pouco a pouco. Quase poderíamos dizer que na medida em que querem entender. Porque seguramente alguns dos que o foram escutar se afastaram dele pensando que aquele homem não fazia mais que contar historietas para crianças.

Hoje o Evangelho nos traz à memória duas parábolas de Jesus. Uma acentua o aspecto misterioso do crescimento. O Reino se parece com a semente que o camponês semeia e que depois cresce sem que ninguém saiba como, na escuridão da terra. Mas cresce e termina dando seu fruto. Dá o fruto mesmo que o camponês durma ou esteja acordado. Chegará o momento em que a única coisa que terá que fazer será recolher a colheita. A outra diz que o Reino se assemelha ao grão de mostarda, a menor das sementes, mas que se torna tão grande que até os pássaros do céu se abrigam na planta gerada a partir da semente de mostarda.  Também o Reino crescerá até acolher a todos os filhos de Deus sem exceção.

É que o Reino é a obra de Deus que completa misteriosamente sua criação, contando certamente com a colaboração do homem certamente, mas não só. Porque a graça de Deus atua inclusive quando o homem dorme. Assim é o Reino, bem maior que a Igreja, que é apenas seu sinal visível. Nós os cristãos nos comprometemos a trabalhar a serviço do Reino, a preparar o campo para que receba a semente do Reino. E Deus será o que,fará com que cresça em locais e formas que não podemos imaginar. Porque o campo de Deus é o mundo e a semente é semeada nos corações de todas as pessoas que são seus filhos e filhas. Por isso, nós os cristãos vivemos guiados pela fé, como diz Paulo na leitura da segunda carta aos coríntios. Hoje, talvez, não vemos o resultado da obra de Deus que constrói o Reino, mas estamos seguros de que ele levará a bom termo sua obra. Até que chegue a sua plenitude.


voltar


Para a reflexão


Por que não dedico um tempo para contemplar o campo do mundo e tratar de ver onde está crescendo o Reino de Deus, a fraternidade, a liberdade, a justiça...


FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB   
Ciudad Redonda: Comunidad Católica  - Fernando Torres, cmf 
Família Dehoniana


voltar


 

X Domingo do Tempo Comum (Ano B)

O tema deste X Domingo do Tempo Comum gravita à volta da identidade de Jesus e da comunhão que Ele deseja estabelecer com aqueles que se colocam à disposição de o seguir: fica claro que Jesus não tem qualquer aliança com o Demônio e com o poder do mal e que se quer definir pela sua relação de obediência com Deus Pai, el convida todos aqueles que se querem sentir parte da sua família.
No Evangelho, Jesus demonstra que, na sua atividade de libertação do poder do mal, não pode pactuar com o Demônio, mas vem para libertar os homens e as mulheres de todos os tempos. Também nisso está fazendo a vontade de Deus e convida todos a fazer uma comunidade centrada na sua pessoa e decidida a construir um mundo que se baseie neste desejo de fazer a vontade de Deus.
A primeira leitura traz-nos o diálogo de Deus com as figuras poéticas do primeiro homem e da primeira mulher, depois da queda. Este texto procura nos chamar ao sentido da existência, deixando claro que todos somos chamados a não pactuar com o mal e estar de sobreaviso diante das tentações do Maligno.
Na segunda leitura, São Paulo mostra como as tribulações que sofre não abrandam o seu ardor missionário, que se caracteriza pela grande confiança em Deus e na vida eterna que há de conceder; duas grandes atitudes qualificam o ministério de Paulo: esperança de estar unido com Jesus na ressurreição tal como o está na tribulação terrena e o desejo íntimo de estar em comunhão com os cristãos a quem anuncia o Evangelho de Jesus Cristo.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
POREI INIMIZADE ENTRE A TUA DESCENDÊNCIA
E A DESCENDÊNCIA DA MULHER.
Leitura do Livro do Gênesis (3,9-15)

Depois que o homem comeu da fruta da árvore,
9o Senhor Deus chamou Adão, dizendo:
'Onde estás?'
10E ele respondeu:
'Ouvi tua voz no jardim,
e fiquei com medo,
porque estava nu;
e me escondi'.
11Disse-lhe o Senhor Deus:
'E quem te disse que estavas nu?
Então comeste
da árvore,
de cujo fruto te proibi comer?'
12Adão disse:
'A mulher que tu me deste por companheira,
foi ela que me deu
do fruto da árvore,
e eu comi'.
13Disse o Senhor Deus à mulher:
'Por que fizeste isso?'
E a mulher respondeu:
'A serpente enganou-me e eu comi'.
14Então o Senhor Deus disse à serpente:
'Porque fizeste isso, serás maldita
entre todos os animais domésticos
e todos os animais selvagens!
Rastejarás sobre o ventre
e comerás pó todos os dias da tua vida!
15Porei inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a dela.
Esta te ferirá a cabeça
e tu lhe ferirás o calcanhar'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - O estilo do texto da primeira leitura, de diálogo entre Deus e os personagens deste relato, ajuda a colocar-se na narrativa, escutando as perguntas de Deus ao homem: “Onde estás? ”, “Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer? ”, e à mulher: “Que fizeste? ”. Uma vez que todas estas questões têm um sentido existencial, seria bom voltar às origens, poder localizar-nos no espaço de Deus, responder pelas nossas ações e verificar se as nossas respostas diferem das dos personagens deste relato.

2 - Diz-se que é comum a tendência para desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar-se; também neste relato se vê um contínuo passar da culpa para os outros personagens. Retomando as questões anteriores, poderá ser hora de assumir as nossas responsabilidades diante de Deus, sabendo que, como dirá o Salmo 129 (130), “no Senhor está a misericórdia e a abundante redenção”. A autojustificação não é caminho; o caminho passa pela justificação trazida por Cristo na sua morte de cruz, para nos reconciliar com o Pai.

3 - A origem última de toda a complicação remonta ao fato de se ter dado ouvidos à serpente. Se vemos na serpente uma imagem do diabo e do poder do mal, é importante estar de sobreaviso diante da tentação do maligno. Como várias vezes tem ensinado o Papa Francisco: “Não se dialoga com o demónio”. Ainda o Papa Francisco: “A vida cristã é uma luta permanente. Se requer força e coragem para resistir às tentações do demônio e anunciar o Evangelho. […]. Não pensemos que é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a nos descuidar e a ficar mais expostos. O demônio não precisa nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar"  (1Pd 5,8) ” (Gaudete et Exsultate 158-161).


voltar


Salmo Responsorial
NO SENHOR TODA GRAÇA E REDENÇÃO!
Sl 129,1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)


No Senhor toda graça e redenção!

1Das profundezas eu clamo a vós, Senhor,
2escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos
ao clamor da minha prece!

No Senhor toda graça e redenção!
3Se levardes em conta nossas faltas,
quem haverá de subsistir?
4Mas em vós se encontra o perdão,
eu vos temo e em vós espero.

No Senhor toda graça e redenção!

5No Senhor ponho a minha esperança,
espero em sua palavra.
6A minh'alma espera no Senhor*
mais que o vigia pela aurora.

No Senhor toda graça e redenção!

7Espere Israel pelo Senhor,
pois no Senhor se encontra toda graça
e copiosa redenção.
8Ele vem libertar a Israel
de toda a sua culpa.

No Senhor toda graça e redenção!


voltar


Segunda Leitura
NÓS TAMBÉM CREMOS E, POR ISSO, FALAMOS.
Leitura da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (4,13-18-5,1)


Irmãos:
13Sustentados pelo mesmo espírito de fé,
conforme o que está escrito:
'Eu creio e, por isso, falei',
nós também cremos e, por isso, falamos,
14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus
nos ressuscitará também com Jesus
e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco.
15E tudo isso é por causa de vós, para que
a abundância da graça em um número maior de pessoas
faça crescer a ação de graças para a glória de Deus.
16Por isso, não desanimamos.
Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando,
o nosso homem interior, pelo contrário,
vai-se renovando, dia a dia.
17Com efeito, o volume insignificante
de uma tribulação momentânea
acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável.
18E isso acontece,
porque voltamos os nossos olhares para as coisas 
invisíveis e não para as coisas visíveis.
Pois o que é visível é passageiro,
mas o que é invisível é eterno.
5,1De fato, sabemos que,
se a tenda em que moramos neste mundo for destruída,
Deus nos dá uma outra moradia no céu
que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - A atitude de Paulo diante das tribulações serve de modelo para os cristãos de todos os tempos, como atitude a conservar diante das provas e tribulações, quer derivem do exercício dos diversos ministérios na comunidade eclesial, quer se refiram a tantas outras situações que derivam do próprio “ser cristãos” no mundo contemporâneo. É antes de mais uma atitude de fé e de confiança que tem a eternidade como fim bem visível. A ressurreição de Cristo abriu caminho, para mostrar que a vida humana não se confina à vida terrena, mas é chamada à vida de comunhão com Jesus ressuscitado, sentado à direita do Pai. A fé na vida eterna deve continuar a iluminar o momento presente dos cristãos.

2 - A comunhão eclesial é certamente uma das marcas distintivas do que significa ser cristãos. Jesus chama a essa comunhão o mandamento novo do amor e reza para que a comunhão eclesial se mantenha e seja imagem da sua comunhão com o Pai. Paulo dá mostras de como viver, porque espera continuar unido aos cristãos, a quem se dirige, também na vida eterna. Além disso, todo o seu ministério apostólico se destina a gerar novos cristãos. Paulo é exemplo do desempenho do ministério como serviço à Igreja, não para a sua glória pessoal, não para se servir, mas verdadeiramente para servir.


voltar


Evangelho
SATANÁS SERÁ DESTRUÍDO

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Marcos (3,20-35)


Naquele tempo:
20Jesus voltou para casa com os seus discípulos.
E de novo se reuniu tanta gente
que eles nem sequer podiam comer.
21Quando souberam disso,
os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo,
porque diziam que estava fora de si.
22Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém,
diziam que ele estava possuído por Belzebu,
e que pelo príncipe dos demônios
ele expulsava os demônios.
23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas:
'Como é que Satanás pode expulsar a Satanás?
24Se um reino se divide contra si mesmo,
ele não poderá manter-se.
25Se uma família se divide contra si mesma,
ela não poderá manter-se.
26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e
se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído.
27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte
para roubar seus bens, sem antes o amarrar.
Só depois poderá saquear sua casa.
28Em verdade vos digo:
tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, 
como qualquer blasfêmia que tiverem dito.
29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo,
nunca será perdoado,
mas será culpado de um pecado eterno'.
30Jesus falou isso, porque diziam:
'Ele está possuído por um espírito mau'.
31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos.
Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo.
32Havia uma multidão sentada ao redor dele.
Então lhe disseram:
'Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura'.
33Ele respondeu:
'Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?'
34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor,
disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos.
35Quem faz a vontade de Deus,
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - O tema principal do texto do Evangelho deste domingo mostra que desde os inícios do cristianismo os cristãos sentiram necessidade de responder à pergunta: “Quem é Jesus?”. Ainda hoje, na ação pastoral da Igreja, sobretudo nas catequeses, é importante que todos os cristãos conheçam a identidade de Jesus, até mesmo para poderem estabelecer com ele uma relação personalizada.

2 - Fazer parte da família de Jesus é a vocação fundamental dos cristãos de todos os tempos. Por isso, são chamados a formar comunidade, que está centrada na pessoa de Jesus e que tem como única missão fazer a vontade de Deus em todas as circunstâncias da vida. É a isso que chama o Evangelho quando Jesus apresenta a sua verdadeira família: é quem faz a vontade de Deus e toma lugar ao redor de Jesus.

3 - O método para estabelecer uma relação de familiaridade com Jesus passa necessariamente por seguir o seu exemplo: é Ele o primeiro a fazer a vontade de Deus, mesmo quando isso acarreta incompreensão e rejeição do seu ministério. O cristão continua no mundo a missão de Jesus e tem como único horizonte fazer a vontade de Deus; esta é uma das petições do Pai Nosso, a oração que Jesus ensina a rezar: «Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu».

4 - Quando o cristão se decide seguir Jesus, isso implica necessariamente que renuncie ao mal e ao demônio. Tal como Jesus estabelece uma clara separação entre o seu serviço e o poder de Satanás, desde o primeiro momento da vida cristã, os cristãos são chamados a renunciar a Satanás e a fazer a sua profissão de fé em Deus. Na vida ordinária, isso implica que se tenha claro que algumas práticas de bruxaria, feitiçaria e cartomancia não são práticas próprias de um cristão, mas aprisionam; Jesus vem libertar-nos desse aprisionamento de Satanás e é necessário deixar-se libertar.


voltar


Comentário
O ESPÍRITO DA LIBERDADE


Jesus é um homem radicalmente livre. Manifestou-o passo a passo em sua vida. E também na forma que teve de enfrentar a sua própria morte. Hoje nosso mundo tem também sede de liberdade. Os povos querem ser libertados da opressão, que vem de seus próprios governantes e que vem do domínio de outros povos. Os jovens querem ser livres da autoridade de seus pais para poder fazer sua vontade. O slogan da liberdade é uma das poucas coisas que ainda são capazes de fazer com que as pessoas de todas as classes e ideologias saiam às ruas e defendam o direito sagrado da liberdade.

Porem ser livre continua sendo uma aventura difícil, um caminho arriscado. Significa assumir a responsabilidade de tomar as rédeas da própria vida. Implica assumir também os erros sem buscar desculpas, sem colocar a culpa aos outros. Isso é difícil. Isso custa. A primeira leitura é um exemplo claríssimo de que não se nasce livre mais que se aprende a ser livre com esforço. Adão e Eva não souberam assumir sua própria responsabilidade. O que fizeram foi jogar a culpa um no outro. O castigo sobrou para a serpente porque já não tinha a ninguém a quem jogar a culpa. Pelo contrário, o Evangelho evidencia a soberana liberdade de Jesus. Para defender sua própria opção não tem medo a se enfrentar não só à sociedade mais a sua própria família. Sente-se livre dos laços sociais e dos laços familiares. A tal ponto que declara que sua família não é a do sangue senão a dos que obedecem a vontade de Deus. E Deus não tem outra vontade que nossa salvação e nossa liberdade. Porque “para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. ” (Ga 5,1). Essa liberdade levou Jesus ao confronto com a sociedade de seu tempo. Levou à morte. Mas não renunciou a ela pela vida. Jesus disse com sua vida “antes morto que ajoelhado”. Puderam tirar-lhe a vida, mas não a liberdade.

O pecado maior de que fala Jesus no Evangelho não é outro que a renúncia à liberdade. A liberdade é o dom maior que Deus nos presenteou. Renunciar a ela significa renunciar a ser filhos, renunciar a ser pessoas. Hoje o Evangelho convida-nos a seguir nosso caminho. Seguir a Jesus não é outra coisa que viver a fundo nossa liberdade e tomar nossas decisões conscientes de que não há mais que uma realidade: que todos somos irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai. E assumir a responsabilidade de nossas ações deve ter como objetivo construir fraternidade e não a destruir. Porque a glória de Deus não é senão o bem do homem. Essa é a vontade de Deus. Esse é a mensagem que Paulo pregou sempre: livra-nos de toda opressão para viver na liberdade dos filhos. Que nunca pequemos contra o Espírito da liberdade!


Para a reflexão


O que significa para mim a liberdade? Quais são as escravaturas que me atam? Assumo responsavelmente as consequências de meus atos? Ponho minha liberdade a serviço da fraternidade, da liberdade dos demais?


voltar


FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad Católica
Família Dehoniana


 

IX Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do IX Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre a celebração do Dia do Senhor, sábado para os judeus, domingo para os cristãos, fazendo memória da ação criadora e redentora de Deus para com o seu Povo.

A primeira leitura recorda-nos o preceito do terceiro mandamento, de guardar o sábado para santificá-lo, sugerindo que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

O Evangelho, retomando a mesma temática, mostra que, quando se faz uma interpretação demasiadamente rigorosa s preceitos da Lei, ela deixa de cumprir a sua missão de estar a serviço do homem de cada tempo. Jesus convida-nos, por isso, a posicionar-nos a serviço dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem, não para fazer do homem um escravo. É um convite a vivermos não do preceito, mas da Lei que assumimos no nosso coração.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de ardor apostólico de São Paulo, para quem ser evangelizador equivale a ser prolongamento da vida de Cristo que deve ser visível naqueles que a anunciam. Apesar das fragilidades humanas, a mensagem evangélica não fica comprometida, porque é um tesouro precioso, sinal de que a obra evangelizadora é obra do poder de Deus.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
Lembra-te de que foste escravo no Egito.
Leitura do Livro do Deuteronômio (5,12-15)

Assim fala o Senhor:
12'Guarda o dia de sábado, para o santificares,
como o Senhor teu Deus te mandou.
13Trabalharás seis dias
e neles farás todas as tuas obras.
14O sétimo dia é o do sábado,
o dia do descanso dedicado ao Senhor teu Deus.
Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho,
nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava,
nem teu boi, nem teu jumento,
nem algum de teus animais,
nem o estrangeiro que vive em tuas cidades,
para que assim teu escravo e tua escrava
repousem da mesma forma que tu.
15Lembra-te de que foste escravo no Egito
e que de lá o Senhor teu Deus te fez sair
com mão forte e braço estendido.
É por isso que o Senhor teu Deus
te mandou guardar o sábado.
Palavra do Senhor. 


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


 1 - Uma compreensão anárquica da realidade poderia relativizar os preceitos do Decálogo do Deuteronômio e, mais concretamente, de “guardar o dia de sábado para santificá-lo”. Há que ter em conta que a Lei é instrução paternal de Deus, uma oferta para o seu Povo, para regular as relações em sociedade. A primeira leitura convida-nos a regressar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, tomando a sério o valor do verbo “santificar”.

2 - Destacamos para o sábado e podemos fazê-lo para o domingo cristão as duas fundamentações teológicas expressas no livro do Êxodo e do Deuteronômio, respectivamente, fazendo memória do repouso do Senhor, depois da obra da criação, e da sua obra de libertação da escravidão do Egito. É importante voltar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, vivendo-o como memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.

3 - Notamos que a celebração do Dia do Senhor (sábado para os judeus e domingo para os cristãos) tem uma grande dimensão social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito, sobretudo aos pobres que se vêem assim protegidos pela Lei divina. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica: “O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus descansou no sétimo dia (Ex 31, 17), o homem deve também descansar e deixar que os outros, sobretudo os pobres, tomem fôlego. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro” (n. 2172).


voltar


Salmo Responsorial
Exultai no Senhor, a nossa força!
Sl 80,3-4.5-6ab.6c-8a.10-11b (R. 2a)


Exultai no Senhor, a nossa força!

3Cantai salmos, tocai tamborim,
harpa e lira suaves tocai!
4Na lua nova soai a trombeta,
na lua cheia, na festa solene!

Exultai no Senhor, a nossa força!

5Porque isto é costume em Jacó,
um preceito do Deus de Israel;
6auma lei que foi dada a José,
6bquando o povo saiu do Egito.

Exultai no Senhor, a nossa força!

6cEis que ouço uma voz que não conheço: 
7'Aliviei as tuas costas de seu fardo,
cestos pesados eu tirei de tuas mãos.
8aNa angústia a mim clamaste, e te salvei.

Exultai no Senhor, a nossa força!

10Em teu meio não exista um deus estranho
nem adores a um deus desconhecido!
11Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor,
que da terra do Egito te arranquei.

Exultai no Senhor, a nossa força!


voltar


Segunda Leitura
A vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos.
Leitura da Leitura da Carta de Paulo aos Coríntios (4,6-11)


Irmãos:
6Deus que disse:
'Do meio das trevas brilhe a luz',
é o mesmo que fez brilhar a sua luz em nossos corações,
para tornar claro o conhecimento da sua glória
na face de Cristo.
7Ora, trazemos esse tesouro em vasos de barro,
para que todos reconheçam
que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós.
8Somos afligidos de todos os lados,
mas não vencidos pela angústia;
postos entre os maiores apuros,
mas sem perder a esperança;
9perseguidos, mas não desamparados;
derrubados, mas não aniquilados;
10por toda parte e sempre levamos em nós mesmos
os sofrimentos mortais de Jesus,
para que também a vida de Jesus 
seja manifestada em nossos corpos.
11De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à
morte, por causa de Jesus,
para que também a vida de Jesus
seja manifestada em nossa natureza mortal.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - São Paulo é um modelo de servidor do Evangelho para todos os que, na Igreja, se posicionam ao serviço humilde do Povo de Deus. Dele aprendemos que a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações sofridas por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se encara na própria vida aquilo que se ensina.

2 - Para se exercer um serviço na Igreja, mais concretamente ao serviço do anúncio e da evangelização, sem excluir nenhum dos outros serviços e ministérios, é necessário colocar de lado todo e qualquer desejo de ser protagonista, para dar protagonismo ao Evangelho, verdadeiro tesouro que transportamos “em vasos de barro”, frágeis, da nossa fragilidade humana. Mesmo quando o Senhor fortalece a nossa fragilidade, é importante que seja claro para nós, como era para Paulo, que o verdadeiro tesouro é o Evangelho que não depende de nós, mas de Deus que nos deu a conhecer na pessoa de Jesus Cristo.

3  - A vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se podem ler os sinais da vida oferecida de Jesus. Só uma grande intimidade com Jesus Cristo, como a que teve Paulo, poderá dar-nos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos.


voltar


Evangelho
O Filho do homem é Senhor também do sábado.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Marcos (2,23-3,6)


23Jesus estava passando por uns campos de trigo,
em dia de sábado.
Seus discípulos começaram a arrancar espigas,
enquanto caminhavam.
24Então os fariseus disseram a Jesus:
'Olha! Por que eles fazem em dia de sábado
o que não é permitido?'
25Jesus lhes disse:
'Por acaso, nunca lestes
o que Davi e seus companheiros fizeram
quando passaram necessidade e tiveram fome?
26Como ele entrou na casa de Deus,
no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote,
comeu os pães oferecidos a Deus,
e os deu também aos seus companheiros?
No entanto, só aos sacerdotes é permitido 
comer esses pães'.
27E acrescentou:
'O sábado foi feito para o homem,
e não o homem para o sábado.
28Portanto, o Filho do Homem
é senhor também do sábado'.
3,1Jesus entrou de novo na sinagoga.
Havia ali um homem com a mão seca.
2Alguns o observavam
para ver se haveria de curar em dia de sábado,
para poderem acusá-lo.
3Jesus disse ao homem da mão seca:
'Levanta-te e fica aqui no meio!'
4E perguntou-lhes:
'É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?
Salvar uma vida ou deixá-la morrer?'
Mas eles nada disseram.
5Jesus, então, olhou ao seu redor,
cheio de ira e tristeza,
porque eram duros de coração;
e disse ao homem:
'Estende a mão'.
Ele a estendeu e a mão ficou curada.
6Ao sairem, os fariseus com os partidários de Herodes,
imediatamente tramaram, contra Jesus,
a maneira como haveriam de matá-lo.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Jesus nos ensina a nos posicionar com liberdade diante da Lei de Moisés, ou melhor, diante da Lei de Deus, que nos chegou por Moisés, sem perder nunca de vista o seu objetivo de regular a nossa vida em sociedade e em Igreja, protegendo os mais frágeis e evitando toda e qualquer opressão por parte de quem exerce o poder. Interpretações rigorosas da Lei (como são as dos fariseus no nosso texto) cegam e não deixam ver as necessidades humanas que, na perspectiva de Jesus, são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei.

2 - O Evangelho não coloca em causa a celebração do culto no dia de sábado, mas reposiciona-a de modo a que possa coabitar com o serviço dos necessitados, na pessoa dos discípulos com fome e de uma pessoa com uma mão atrofiada. A celebração do Dia do Senhor, no domingo, pode ser cada vez mais expressão desta dupla faceta do sábado reinterpretado com Jesus que, em dia de sábado entra na sinagoga, lugar onde se realiza o culto, mas não pactua com a necessidade de quem sofre, indo em auxílio, dando conforto e, no caso, mesmo a cura. Se o cristão prolonga na existência a vida de Cristo, é importante que no dia maior, a Ele consagrado, não se perca de vista aqueles que foram os seus prediletos.

3 - A regra de interpretação que Jesus dá para saber o que se pode fazer ou não no domingo pode ser transposta para outros campos da nossa vida: é importante saber que queremos estar a serviço do bem e da salvação da vida humana, em linha com o desejo de Deus, tal como se manifesta na vida e mensagem de Jesus; a par disso, sabemos que as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar a serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram.


voltar


Comentário
DIA DO SENHOR.


O Evangelho deste domingo é composto por dois episódios que colocam Jesus em confronto com a instituição do sábado judaico: os discípulos colhendo espigas para comer e um homem com uma mão atrofiada que nos coloca, com Jesus e os seus interlocutores, diante do dilema de curar ou não esse homem; ambos os episódios no dia de sábado. No que ao primeiro episódio diz respeito, o problema de colher espigas talvez seja o problema de se entender como colheita.
De qualquer forma, Marcos convida-nos a nos centrar nas palavras de Jesus que ajudam a interpretar a sua liberdade diante da instituição do sábado judaico: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado” Marcos (2,27-28); “Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?” Marcos (3,4). Estas palavras de Jesus dão a interpretação para os dois episódios, bem como da forma como Jesus se posiciona diante da instituição de sábado em geral.
Já na controvérsia de Marcos (2,1-12) sobre o perdão dos pecados, a questão era do “poder” ou “autoridade” para fazê-lo. Da mesma forma, agora apenas nas palavras de Jesus, a relação de Jesus com o sábado exprime-se em chave de poder e autoridade, uma vez que Ele, “o Filho do homem, é também Senhor do sábado” Marcos (2,28).
A segunda linha de argumentação é a da total precedência das necessidades humanas, mesmo em relação ao sagrado: isto vale para a fome dos discípulos diante do sábado que é sagrado, como valeu para a fome de Davi e dos seus homens diante dos pães sagrados da proposição e valerá também para a cura do homem com a mão atrofiada diante da instituição do sábado. Diante do poder de Jesus e das necessidades humanas, as coisas sagradas não têm um valor próprio (nem o pão do santuário, no caso de Davi, nem o sábado, no caso dos discípulos de Jesus ou do homem com a mão atrofiada), mas existem para o bem da humanidade (os pães da proposição para alimentar Davi e os seus homens, o sábado para o homem e para Jesus); na interpretação de Jesus, é fundamental que o que é sagrado esteja ao serviço do homem. A par deste critério, se partir da formulação da pergunta retórica de Marcos (3,4), na perspectiva de Jesus não há um agir neutro e ainda menos decisivo são as instituições: a lei é a da atenção ao outro, a quem sou chamado a fazer bem, salvando-lhe a vida, ou então me posiciono diante dele para lhe fazer mal, causando-lhe a morte. Em ambos os momentos, Jesus escolheu fazer o bem e colocar-se ao serviço das necessidades humanas, satisfazendo-as, mesmo se isso lhe acarreta a decisão do conluio das autoridades políticas e religiosas contra Ele, para o condenarem à morte.
É importante ter em conta que Jesus não retira qualquer importância do sábado, enquanto dia consagrado a Deus, mas redireciona-o de modo a voltar à intuição inicial da Lei de Moisés, uma vez que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, Marcos (2,27). Não está em causa uma interpretação libertina ou relativista do sábado, mas fazer dele o dia da relação com Deus que vem em auxílio de quem está em necessidade. Uma boa interpretação lê todos estes aforismos de Jesus em relação entre eles, de modo que o sábado esteja sempre ao serviço do homem, para fazer bem e salvar a vida; se, de fato, Jesus é o senhor do sábado, é para recolocá-lo ao serviço do homem e da salvação da vida.


voltar


FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB 
Ciudad Redonda: Comunidad Católica 
Família Dehoniana


 

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - Ano B

No centro da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo está a celebração do Deus que alimenta a seu povo e que, no seu Filho, dá o alimento supremo e eterno. Para exprimir esta oração de louvor e de agradecimento, que dirigimos ao Senhor acolhendo o dom do seu amor, a Escritura emprega duas palavras: a bênção (primeira leitura) e a ação de graças (segunda leitura).

 Estas duas dimensões de oração estão intimamente ligadas e devem habitar a nossa vida para além da missa, para testemunhar todo o amor com o qual Cristo ama os homens (Evangelho).

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo é a festa da Pessoa de Cristo. Ao levantarmos os olhos para o Pão e o Vinho consagrados, só podemos dizer: ”É mesmo Ele! Meu Senhor e meu Deus!”.

 “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.” (João 6,56-57)


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
O ESTE É O SANGUE DA ALIANÇA QUE O SENHOR FEZ CONVOSCO
Leitura do Livro do Êxodo (24,3-8)


Naqueles dias:
3Moisés veio e transmitiu ao povo
todas as palavras do Senhor e todos os decretos.
O povo respondeu em coro:
'Faremos tudo o que o Senhor nos disse'.
4Então Moisés escreveu todas as palavras do Senhor.
Levantando-se na manhã seguinte,
ergueu ao pé da montanha
um altar e doze marcos de pedra
pelas doze tribos de Israel.
5Em seguida, mandou alguns jovens israelitas
oferecer holocaustos e imolar novilhos
como sacrifícios pacíficos ao Senhor.
6Moisés tomou metade do sangue e o pôs em vasilhas,
e derramou a outra metade sobre o altar.
7Tomou depois o livro da aliança
e o leu em voz alta ao povo, que respondeu:
'Faremos tudo o que o Senhor disse e lhe obedeceremos'.
8Moisés, então, com o sangue separado,
aspergiu o povo, dizendo:
'Este é o sangue da aliança, que o Senhor fez convosco,
segundo todas estas palavras'.
Palavra do Senhor.


voltar


Salmo Responsorial
ELEVO O CÁLICE DA MINHA SALVAÇÃO,
INVOCANDO O NOME SANTO DO SENHOR.
Sl 115,12-13.15.16bc.17-18 (R. 13)


12Que poderei retribuir ao Senhor Deus
por tudo aquilo que ele fez em meu favor?
13Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o nome santo do Senhor.

ELEVO O CÁLICE DA MINHA SALVAÇÃO,
INVOCANDO O NOME SANTO DO SENHOR.

15É sentida por demais pelo Senhor

a morte de seus santos, seus amigos.
16bEis que sou o vosso servo, ó Senhor,
que nasceu de vossa serva;
16cmas me quebrastes os grilhões da escravidão!

ELEVO O CÁLICE DA MINHA SALVAÇÃO,
INVOCANDO O NOME SANTO DO SENHOR.

17Por isso oferto um sacrifício de louvor,

invocando o nome santo do Senhor.
18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido.

ELEVO O CÁLICE DA MINHA SALVAÇÃO,
INVOCANDO O NOME SANTO DO SENHOR.


voltar


Segunda Leitura
O SANGUE DE CRISTO PURIFICARÁ A NOSSA CONSCIÊNCIA!
Leitura da Carta aos Hebreus (9,11-15)


Irmãos:

11Cristo veio como sumo-sacerdote dos bens futuros.
Através de uma tenda maior e mais perfeita,
que não é obra de mãos humanas,
isto é, que não faz parte desta criação,
12e não com o sangue de bodes e bezerros,
mas com o seu próprio sangue,
ele entrou no Santuário uma vez por todas,
obtendo uma redenção eterna.
13De fato, se o sangue de bodes e touros,
e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros
os santifica e realiza a pureza ritual dos corpos,
14quanto mais o Sangue de Cristo,
purificará a nossa consciência das obras mortas,
para servirmos ao Deus vivo,
pois, em virtude do espírito eterno,
Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus
como vítima sem mancha.
15Por isso, ele é mediador de uma nova aliança.
Pela sua morte, ele reparou as transgressões
cometidas no decorrer da primeira aliança.
E, assim, aqueles que são chamados
recebem a promessa da herança eterna.
Palavra do Senhor.


voltar


Evangelho 
ISTO É MEU CORPO. ISTO É MEU SANGUE.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (
14,12-16.22-26)


12No primeiro dia dos Ázimos,
quando se imolava o cordeiro pascal,
os discípulos disseram a Jesus:
'Onde queres que façamos os preparativos
para comeres a Páscoa?'
13Jesus enviou então dois dos seus discípulos
e lhes disse: 'Ide à cidade.
Um homem carregando um jarro de água
virá ao vosso encontro. Segui-o
14e dizei ao dono da casa em que ele entrar:
'O Mestre manda dizer: onde está a sala
em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?'
15Então ele vos mostrará, no andar de cima,
uma grande sala, arrumada com almofadas.
Ali fareis os preparativos para nós!'
16Os discípulos saíram e foram à cidade.
Encontraram tudo como Jesus havia dito,
e prepararam a Páscoa.
22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão
e, tendo pronunciado a bênção,
partiu-o e entregou-lhes, dizendo:
'Tomai, isto é o meu corpo'.
23Em seguida, tomou o cálice, deu graças,
entregou-lhes e todos beberam dele.
24Jesus lhes disse:
'Isto é o meu sangue, o sangue da aliança,
que é derramado em favor de muitos.
25Em verdade vos digo,
não beberei mais do fruto da videira,
até o dia em que beberei o vinho novo 
no Reino de Deus'.
26Depois de terem cantado o hino,
foram para o monte das Oliveiras.
Palavra da Salvação.


voltar


Comentário
A EUCARISTIA, SINAL DA NOVA ALIANÇA.


Desde o primeiro momento, os discípulos de Jesus compreenderam que as ceias que tinham celebrado com Jesus não tinham sido simples ceias. Tinham sido algo mais. Especialmente, a Última Ceia na qual Jesus tinha celebrado com eles teve um significado especial. Não só porque foi um momento de despedida. Além disso, Jesus, ao repartir o pão e o vinho entre os discípulos, tinha feito daquele compartilhar, o sinal de seu sangue e de seu corpo. E disse-lhes que a entrega de sua vida, que ia ser uma realidade pouco depois, seria o sinal da Nova Aliança que Deus ia fazer com a humanidade. Aquela entrega simbolizava-se na entrega do pão e o vinho a todos os comensais.

Os discípulos já tinham ouvido falar da aliança entre Deus e seu povo. Abraão tinha sido o primeiro. Depois, Moisés e o povo resgatado da escravidão. Mas todas aquelas alianças tinham sido rompidas pela infidelidade do povo. Agora ouviam falar Jesus de uma Nova Aliança que se assinaria sobre o sangue de Jesus. E deram-se conta de que aquele última Ceia com Jesus era um momento chave na vida de Jesus e das suas. Aquela Ceia era importante para toda a humanidade. Por isso, quando após a ressurreição de Jesus se voltaram a reunir, celebraram uma ceia parecida àquela. Lembraram a presença de Jesus e repetiram suas palavras quando repartiram entre todos o “pão e o vinho”. Aquele pão e aquele vinho fizeram-se sinal da presença real de Jesus  entre eles. Aquele pão e aquele vinho foram e continuam sendo sinal da Nova Aliança, a aliança do amor e da fidelidade de Deus que vai sempre para além de nossa infidelidades, limitações e pecados.

Hoje, os cristãos, seguem celebrando aquele Ceia. Chamamo-la Missa ou Eucaristia. Nela lembramos Jesus e repetimos suas palavras sobre o pão e o vinho que se convertem em sinal vivo de sua presença entre nós e em sinal da Aliança, do amor de Deus para nós. Na Missa juntamo-nos a pessoas de diversas procedências e, em nome do Senhor Jesus, descobrimos que Deus nos faz irmãos a todos, que nos convida a viver em amor e justiça, que nos convida a fazer a paz entre nós e a trabalhar pela paz no mundo. Escutamos a Palavra de Deus e, ao comungar o pão e o vinho, recebemos em nosso coração a presença viva de Jesus que nos anima a nos compromete para fazer deste mundo um única Ceia onde todos nós encontremos como irmãos e ninguém se sinta excluído, porque todos somos filhos. Na Missa rezamos junto o Pai-Nosso, a oração que Jesus nos presenteou e que nos faz nos dar conta de que Deus é pai de todos. E damos obrigado porque em Jesus, Deus libertou-nos da morte e do pecado.


voltar


 

: