Últimas
XXI Domingo Do Tempo Comum (Ano C)
A liturgia deste domingo propõe-nos o tema da “SALVAÇÃO”. Di
A missão do catequista
A Santa Igreja nos con
Bíblia: o livro da unidade
Os cristãos têm consciência de que a Bíblia é fundamental na b
Assunção de Nossa Senhora (Solenidade)
Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe n
De Maria, nunca se consegue dizer o suficiente
Todos os dias, dum extremo da terra ao outro, no mais alto dos céu
Mais Lidas

Destaque

Próximos Eventos

Sem eventos

A Palavra

XXI Domingo Do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo propõe-nos o tema da “SALVAÇÃO”. Diz-nos que o acesso ao “Reino” é um dom que Deus oferece a todos os homens e mulheres, sem exceção; mas, para lá chegar, é preciso renunciar a uma vida baseada nesses valores que nos tornam orgulhosos, egoístas, prepotentes, auto-suficientes, e seguir Jesus no seu caminho de amor, de entrega, de dom da vida.

Na primeira leitura, um profeta não identificado propõe-nos a visão da comunidade escatológica: uma comunidade universal, à qual terão acesso todos os povos da terra, sem exceção. Os próprios pagãos serão chamados a testemunhar a Boa Nova de Deus e serão convidados para o serviço de Deus, sem qualquer discriminação baseada na raça, na etnia ou na origem.

No Evangelho, Jesus – confrontado com uma pergunta acerca do número dos que se salvam – sugere que o banquete do “Reino” é para todos; no entanto, não há entradas garantidas, nem bilhetes reservados: é preciso fazer uma opção pela “porta estreita” e aceitar seguir Jesus no dom da vida e no amor total aos irmãos.

A segunda leitura parece, à primeira vista, apresentar um tema um tanto deslocado e marginal, em relação ao que nos é proposto pelas outras duas leituras; no entanto, as idéias propostas são outra forma de abordar a questão da “PORTA ESTREITA”: o verdadeiro crente enfrenta com coragem os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma, educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida nova do “REINO”.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
E RECONDUZIRÃO, DE TODA A PARTE, VOSSOS IRMÃOS.
Leitura do Livro do Profeta Isaías (66,18-21)


Assim diz o Senhor:
18Eu que conheço suas obras e seus pensamentos,
virei para reunir todos os povos e línguas;
eles virão e verão minha glória.
19Porei no meio deles um sinal,
e enviarei, dentre os que foram salvos,
mensageiros para os povos de Tarsis,
Fut, Lud, Mosoc, Ros, Tubal e Javã,
para as terras distantes,
e, para aquelas que ainda não ouviram falar em mim
e não viram minha glória.
Esses enviados anunciarão às nações minha glória,
20e reconduzirão, de toda parte,
até meu santo monte em Jerusalém,
como oferenda ao Senhor, irmãos vossos,
a cavalo, em carros e liteiras,
montados em mulas e dromedários,
- diz o Senhor -
e como os filhos de Israel, levarão sua oferenda
em vasos purificados para a casa do Senhor.
21Escolherei dentre eles alguns
para serem sacerdotes e levitas, diz o Senhor.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Não é novidade nenhuma dizer que “AO NOVO POVO DE DEUS, TODOS OS HOMENS SÃO CHAMADOS” (Concílio Vaticano II, LUMEN GENTIUM 13). No Povo de Deus não é decisivo nem a raça, nem o sexo, nem a posição social, nem a preparação intelectual, mas sim a adesão a Jesus e o compromisso com o projeto de salvação que o Pai oferece, em Jesus. As nossas comunidades são, não só em teoria, mas também na prática, espaços de igualdade e de fraternidade? Há algum tipo de discriminação na minha comunidade cristã, nomeadamente em relação a pessoas que se entende levarem vidas desregradas e moralmente fracassadas? Se há, que sentido é que isso faz?

02 - Que sentido é que fazem, neste contexto, certas afirmações e atitudes de cristãos empenhados que reflete, na prática, um entranhado racismo? A xenofobia é consentânea com a vida de um crente? Por exemplo, dizer que “Portugal é dos portugueses; os outros que voltem para a sua terra” é colaborar na construção dessa comunidade universal, que é o projeto de Deus?


Voltar


Salmo Responsorial
PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!
Sl 116,1.2 (R.Mc 16,15)


1Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes,*
povos todos, festejai-o! 

PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!

2Pois comprovado é seu amor para conosco,*
para sempre ele é fiel! 

PROCLAMAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!


Voltar


Segunda Leitura
O SENHOR CORRIGE A QUEM ELE AMA.
Leitura da Carta aos Hebreus (12,5-7.11-13)


Irmãos:
5Já esquecestes as palavras de encorajamento
que vos foram dirigidas como a filhos:
'Meu filho, não desprezes a educação do Senhor,
não te desanimes quando ele te repreende;
6pois o Senhor corrige a quem ele ama
e castiga a quem aceita como filho'.
7É para a vossa educação que sofreis,
e é como filhos que Deus vos trata.
Pois qual é o filho a quem o pai não corrige?
11No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar,
mas causa dor.
Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça
para aqueles que nela foram exercitados.
12Portanto,
'firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos;
13acertai os passos dos vossos pés',
para que não se extravie o que é manco,
mas antes seja curado.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Com frequência, encontramos pessoas que põem em duvida Deus, a partir da questão do sofrimento e do seu sentido: se Deus existe, porque é que deixa que o sofrimento marque a vida do homem, inclusive a vida dos justos e inocentes? Porque é que Deus prova o justo? O Povo de Deus formulou de várias formas estas questões e não encontrou respostas plenamente satisfatórias; mas uma das respostas passa pela constatação de que “DEUS ESCREVE DIREITO POR LINHAS TORTAS” e que Se serve dos acontecimentos mais dramáticos para nos ajudar a redescobrir o sentido da vida e das nossas opções. O sofrimento não é bom em si; mas ajuda-nos a perceber o sem sentido de certos caminhos que seguimos e a corrigir o rumo da nossa vida.

02 - No fundo, os sofrimentos e as provas que temos de enfrentar não põem em causa esta certeza fundamental: Deus ama-nos e quer salvar-nos; o sofrimento e as provas permitem-nos, muitas vezes, descobrir essa realidade.

03 - Apesar das crises, o cristão nunca deve esquecer o amor de Deus e agradecer por isso. Diante dos sofrimentos, resta-nos agradecer a preocupação que Deus, servindo-se dos dramas da vida, nos manifesta o seu amor e nos salva.


Voltar


Evangelho
E VIRÃO DO ORIENTE E DO OCIDENTE, E
TOMARÃO LUGAR À MESA NO REINO DE DEUS.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (13,22-30)


Naquele tempo:
22Jesus atravessava cidades e povoados,
ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém.
23Alguém lhe perguntou:
'Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?'
Jesus respondeu:
24'Fazei todo esforço possível
para entrar pela porta estreita.
Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar
e não conseguirão.
25Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a
porta, vós, do lado de fora,
começareis a bater, dizendo:
`Senhor, abre-nos a porta!'
Ele responderá: `Não sei de onde sois.'
26Então começareis a dizer:
`Nós comemos e bebemos diante de ti,
e tu ensinaste em nossas praças!'
27Ele, porém, responderá: `Não sei de onde sois.
Afastai-vos de mim
todos vós que praticais a injustiça!' 
28Ali haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes Abraão, Isaac e Jacó,
junto com todos os profetas no Reino de Deus,
e vós, porém, sendo lançados fora.
29Virão homens do oriente e do ocidente,
do norte e do sul,
e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus.
30E assim há últimos que serão primeiros,
e primeiros que serão últimos.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - Em primeiro lugar, é preciso ter a consciência de que o “Reino” não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto econômico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela “PORTA ESTREITA”. Tenho consciência de que a comunidade de Jesus é a comunidade onde todos cabem e onde ninguém é excluído e marginalizado?

02 - “Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus, fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam reivindicar lugares privilegiados no “Reino”, Jesus apressou-Se a dizer-lhes que era necessário primeiro partilhar o destino de Jesus e fazer da vida um dom (“beber o cálice”) e um serviço (“o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”). Jesus é, portanto, o modelo de todos os que querem “entrar pela porta estreita”. É o seu exemplo que é proposto a todos os discípulos.

03 - Para nós, assumidamente cristãos, onde está a salvação? Jesus dizia que, no banquete do “Reino”, muitos apareceriam para dizer: “comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças”; mas receberiam como resposta: “não sei de onde sois; afastai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade”. Este aviso toca de forma especial aqueles que conheceram bem Jesus, que se sentaram com Ele à mesa (da Eucaristia), que escutaram as suas palavras, que fizeram parte do conselho pastoral da paróquia, que foram fiéis guardiães das chaves da igreja ou dos cheques da conta bancária paroquial, se sentaram em tronos episcopais ou papais… mas que nunca se preocuparam em entrar pela “PORTA ESTREITA” do serviço, da simplicidade, do amor, do dom da vida. Para esses Jesus é perfeitamente claro e objetivo:  não terão lugar no “REINO”.


Voltar


ComentárioA FRATERNIDADE, CONDIÇÃO DE SALVAÇÃO


Aquele homem que se encontrou com JESUS estava preocupado com o número dos que iam se salvar. Se a cota dos que vão entrar no céu é limitada, é de supor que as provas de acesso serão mais complicadas. Para entrar no céu teríamos que passar por uma prova como a que se faz para entrar na Universidade. Só os melhores conseguiriam.

Porém, a resposta de JESUS não indica isso. Não fala de que seja necessário um grau de santidade especial para entrar no céu. Pela resposta de JESUS diríamos que quem perguntava não indagava pelo número, mais quem seriam esses poucos. E de alguma forma dava por suposto que os que se salvassem seriam os membros do povo eleito: o povo judeu. Entendendo assim a pergunta, se compreende perfeitamente a resposta de JESUS. Ninguém pode dar por suposto que está salvo por pertencer a um determinado grupo. Há que se esforçar pela salvação. Como nos diz na parábola do tesouro escondido no campo, há que vender tudo o que se tem para obter a salvação. Segundo JESUS, a porta da salvação é estreita e virão muitos, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul. Muitos que talvez achassem que não teriam direito serão os primeiros. E muitos dos que se acham com direito, ficarão fora.

Que significa isto para nós? Em princípio, não pertencemos ao povo eleito. Somos desses que vêm “do Oriente e Ocidente, do Norte e do Sul”. Mas também é verdade que somos cristãos já de muitas gerações. Podemos pensar que temos direito à salvação pela singela razão de que já nossos pais e avôs eram cristãos, participavam da missa todos os domingos e cumpriam os mandamentos. JESUS nos diz hoje que a salvação, nossa salvação, depende também de nosso esforço pessoal, que não podemos dormir nos louros. Mas, sobretudo nos diz que não podemos excluir ninguém da salvação. Isto é muito importante. Na salvação entramos assim que nos fazemos irmãos de todos. Se a mensagem fundamental de JESUS é nos dizer que todos somos filhos de Deus, como podemos pretender excluir alguém dessa fraternidade? Na medida em que excluímos alguém, nos excluímos a nós mesmos. Não é que Deus nos feche a porta do céu. Nos mesmo a fechamos. 

A porta do céu é estreita. Para passar por ela devemos cumprir com uma condição obrigatória: viver a fraternidade no dia-a-dia de nossa vida. É o que fazemos na Eucaristia, onde nos juntamos e compartilhamos o pão como irmãos. É o que deveríamos fazer todos os dias: VIVER COMO IRMÃOS.

Estamos preocupados com a nossa salvação ou nos sentimos muito bem como somos e não precisamos da salvação de Deus? O que significa viver a fraternidade em nossa vida cotidiana? Que detalhe de fraternidade posso ter esta semana com minha família e amigos?


Voltar


FONTES DE REFERÊNCIA

Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

Assunção de Nossa Senhora (Solenidade)

Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja.
Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria!

A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.
Segunda leitura: Maria, nova Eva.
Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. 
Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!



Primeira Leitura
Salmo
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
APARECEU NO CÉU UM GRANDE SINAL.
Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab))


19aAbriu-se o Templo de Deus que está no céu
e apareceu no Templo a arca da Aliança.
12,1Então apareceu no céu um grande sinal:
uma mulher vestida de sol,
tendo a lua debaixo dos pés
e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
2Estava grávida
e gritava em dores de parto,
atormentada para dar à luz.
3Então apareceu outro sinal no céu:
um grande Dragão, cor de fogo.
Tinha sete cabeças e dez chifres
e, sobre as cabeças, sete coroas.
4Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu,
atirando-as sobre a terra.
O Dragão parou diante da Mulher
que estava para dar à luz,
pronto para devorar o seu Filho,
logo que nascesse.
5E ela deu à luz um filho homem,
que veio para governar todas as naçðes
com cetro de ferro.
Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
6aA mulher fugiu para o deserto,
onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
10abOuvi então uma voz forte no céu, proclamando:
"Agora realizou-se a salvação,
a força e a realeza do nosso Deus,
e o poder do seu Cristo".
Palavra do Senhor.


Início


Salmo Responsorial
À VOSSA DIREITA SE ENCONTRA A RAINHA,
COM VESTE ESPLENDENTE DE OURO DE OFIR.
Sl 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)


À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.As filhas de reis vêm ao vosso encontro,
e à vossa direita se encontra a rainha
com veste esplendente de ouro de Ofir.
À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
“Esquecei vosso povo e a casa paterna!
Que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.
Entre cantos de festa e com grande alegria,
ingressam, então, no palácio real”.
À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.


Início


Segunda Leitura
ENTREGARÁ A REALEZA A DEUS-PAI,
PARA QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS.
Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,20-26.28)


Irmãos:
20Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos
como primícias dos que morreram.
21Com efeito, por um homem veio a morte e é também
por um homem que vem a ressurreição dos mortos.
22Como em Adão todos morrem,
assim também em Cristo todos reviverão.
23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada:
Em primeiro lugar, Cristo, como primícias;
depois, os que pertencem a Cristo,
por ocasião da sua vinda.
24A seguir, será o fim,
quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois
de destruir todo principado e todo poder e força.
25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus
inimigos estejam debaixo de seus pés.
26O último inimigo a ser destruído é a morte.
28E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele,
então o próprio Filho se submeterá
àquele que lhe submeteu todas as coisas,
para que Deus seja tudo em todos.
Palavra do Senhor.


Início


Evangelho
COMO POSSO MERECER QUE A MÃE DO MEU SENHOR VENHA VISITAR-ME?
Proclamação do Evangelho segundo Lucas (1,39-56)


39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito, exclamou:
"Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!"
43Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
45Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu".
46Maria disse:
"A minha alma engrandece o Senhor,
47e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,
48pois, ele viu a pequenez de sua serva,
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49O Poderoso fez por mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
50Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que o respeitam.
51Demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos.
52Derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou.
53De bens saciou os famintos
despediu, sem nada, os ricos.
54Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
55como havia prometido aos nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre".
56Maria ficou três meses com Isabel;
depois voltou para casa.
Palavra da Salvação.

Início


Comentário
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!


A hodierna Liturgia põe-nos diante do fúlgido ícone da Assunção da Virgem ao céu, na integridade da alma e do corpo. No esplendor da glória celeste brilha Aquela que, em virtude da sua humildade, se fez grande diante do Altíssimo, a ponto de todas as gerações a chamarem bem-aventurada (cf. Lc 1, 48). Agora senta-se como Rainha ao lado do Filho, na eterna bem-aventurança do paraíso e do Alto olha para os seus filhos.
Com esta consoladora certeza, dirigimo-nos a Ela e invocamo-la para aqueles que são os seus filhos: para a Igreja e para toda a humanidade, a fim de que todos, imitando-a no fiel seguimento de Cristo, possam alcançar a pátria definitiva do céu.
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!.
Primeira entre os remidos pelo sacrifício pascal de Cristo, hoje Maria resplandece como Rainha de todos nós, peregrinos rumo à vida imortal.
N'Ela, que foi elevada ao céu, é-nos manifestado o eterno destino que nos aguarda para além do mistério da morte: destino de felicidade total, na glória divina. Esta perspectiva sobrenatural sustém a nossa peregrinação quotidiana. Maria é a nossa Mestra de vida. Olhando para Ela, compreendemos melhor o valor relativo das grandezas terrenas e o pleno sentido da nossa vocação cristã.
Desde o nascimento até à gloriosa Assunção, a sua existência desenrolou-se ao longo do itinerário da fé, da esperança e da caridade. São estas as virtudes, florescidas em um coração humilde e abandonado à vontade de Deus, que adornam a sua preciosa e incorruptível coroa de Rainha. São estas as virtudes que o Senhor pede a cada fiel, para o admitir na glória da Sua própria Mãe.
O texto do Apocalipse, há pouco proclamado, fala do enorme dragão vermelho que representa a perene tentação que se apresenta ao homem: preferir o mal ao bem, a morte à vida, o prazer fácil do desempenho à exigente mas saciante via de santidade para a qual cada homem foi criado. Na luta contra «o grande Dragão... a antiga Serpente, o Diabo ou Satanás, como lhe chamam, o sedutor do mundo inteiro» (Ap 12, 9), aparece o grandioso sinal da Virgem vitoriosa, Rainha de glória, sentada à direita do Senhor.
E nesta luta espiritual, a sua ajuda à Igreja é determinante para alcançar a vitória definitiva contra o mal.
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!
Maria brilha sobre a terra, «enquanto não chegar o dia do Senhor... como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do povo peregrinante de Deus» (Lumen gentium, 68). Como Mãe solícita de todos, sustém o esforço dos crentes e encoraja-os a perseverar no empenhamento. Penso aqui de maneira muito particular nos jovens, que estão mais expostos ao fascínio e às tentações de mitos efémeros e de falsos mestres.
Queridos irmãos, olhai para Maria e invocai-a com confiança!  Maria ajudar-vos-á a sentir-vos parte integrante da Igreja, encorajando-vos a não ter medo de assumir as vossas responsabilidades de testemunhas credíveis do amor de Deus.
Hoje, a Virgem elevada ao céu mostra-vos aonde conduzem o amor e a plena fidelidade a Cristo na terra: até à alegria eterna do céu.
Maria, Mulher revestida de sol, diante dos inevitáveis sofrimentos e das dificuldades quotidianas, ajuda-nos a fixar o olhar em Cristo.
Ajuda-nos a não ter medo de O seguir até ao fim, mesmo quando o peso da Cruz nos parecer excessivo. Faz-nos compreender que só este é o caminho que leva ao ápice da salvação eterna.
E do céu, onde resplandeces como Rainha e Mãe de misericórdia, vela sobre cada um dos teus filhos.

Orienta-os a amar, adorar e servir a Jesus, o bendito fruto do teu seio, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!


Início


 

 

XIX Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A Palavra de Deus que a liturgia de hoje nos propõe convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o “REINO”.

A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um “SÁBIO” anônimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita - confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus - deve, portanto, ser uma comunidade “VIGILANTE”, que consegue discernir entre os valores efémeros e os valores duradouros.

A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos crentes, em geral.

O Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do “REINO”.


 

 

 

 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
AQUILO COM QUE PUNISTE NOSSOS ADVERSÁRIOS,
SERVIU TAMBÉM PARA GLORIFICAR-NOS.
Leitura do Livro do Eclesiastes (1,2; 2,21-23)


6A noite da libertação fora predita a 
nossos pais, para que,
sabendo a que juramento tinham dado crédito,
se conservassem intrépidos.
7Ela foi esperada por teu povo, 
como salvação para os justos e
como perdição para os inimigos.
8Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários,
serviu também para glorificar-nos,
chamando-nos a ti.
9Os piedosos filhos dos bons 
ofereceram sacrifícios secretamente e,
de comum acordo, fizeram este pacto divino:
que os santos participariam solidariamente 
dos mesmos bens e dos mesmos perigos.
Isto, enquanto entoavam antecipadamente 
os cânticos de seus pais.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - A leitura chama a atenção para a diferença que há entre o viver de acordo com os valores da fé e o viver de acordo com propostas ilusórias de felicidade e de bem-estar… O “sábio” que nos fala na primeira leitura assegura que só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que ceder aos deuses do egoísmo e da injustiça geram sofrimento e morte. Hoje, como ontem, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida… Na realidade, onde é que está o caminho da verdadeira felicidade? No ceder ao mais fácil, à moda, ao “politicamente correto”, ou na fidelidade aos valores duradouros, aos valores do Evangelho, ao projeto de Jesus? Como é que eu me situo face às pressões que, todos os dias, a opinião pública ou a moda me impõem?

02 - O tema da liturgia deste domingo gira à volta da “VIGILÂNCIA”. Não se trata de estar sempre com “a alminha em paz”, “na graça de Deus” para que a morte não me surpreenda e eu não seja atirado, sem querer, para o inferno; trata-se de eu saber o que quero, de ter idéias claras quanto ao sentido da minha vida e de, em cada instante, atuar em conformidade. É esta “vigilância” serena, de quem sabe o que quer e está atento ao caminho que percorre, que me é pedida. É esse o caminho que eu tenho percorrido? A minha vida tem sido uma busca atenta do que Deus quer de mim?


voltar


Salmo Responsorial
FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!
Sl 32,1.12.18-19.20.22 (R.12b)


1Ó justos, alegrai-vos no Senhor!*
aos retos fica bem glorificá-lo.
12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor*
e a nação que escolheu por sua herança!

FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!

18Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,*
e que confiam esperando em seu amor,
19para da morte libertar as suas vidas*
e alimentá-los quando é tempo de penúria. 

FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!

20No Senhor nós esperamos confiantes,*
porque ele é nosso auxílio e proteção!
22Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,*
da mesma forma que em vós nós esperamos!

FELIZ O POVO QUE O SENHOR ESCOLHEU POR SUA HERANÇA!


voltar


Segunda Leitura
ESPERAVA A CIDADE QUE TEM DEUS
MESMO POR ARQUITETO E CONSTRUTOR.
Leitura da Carta aos Hebreus (11,1-2.8-19)


Irmãos:
1A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera,
a convicção acerca de realidades que não se vêem.
2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho.
8Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir
para uma terra que devia receber como herança,
e partiu, sem saber para onde ia.
9Foi pela fé que ele residiu
como estrangeiro na terra prometida,
morando em tendas com Isaac e Jacó,
os co-herdeiros da mesma promessa.
10Pois esperava a cidade alicerçada
que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor.
11Foi pela fé também que Sara,
embora estéril e já de idade avançada,
se tornou capaz de ter filhos,
porque considerou fidedigno o autor da promessa.
12É por isso também que de um só homem,
já marcado pela morte,
nasceu a multidão 'comparável às estrelas do céu
e inumerável como a areia das praias do mar'.
13Todos estes morreram na fé.
Não receberam a realização da promessa,
mas a puderam ver e saudar de longe
e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra.
14Os que falam assim
demonstram que estão buscando uma pátria,
15e se se lembrassem daquela que deixaram,
até teriam tempo de voltar para lá.
16Mas agora, eles desejam uma pátria melhor,
isto é, a pátria celeste.
Por isto, Deus não se envergonha deles,
ao ser chamado o seu Deus.
Pois preparou mesmo uma cidade para eles.
17Foi pela fé que Abraão, posto à prova, ofereceu Isaac;
ele, o depositário da promessa,
sacrificava o seu filho único,
18do qual havia sido dito:
'É em Isaac que uma descendência levará o teu nome'.
19Ele estava convencido de que Deus tem poder
até de ressuscitar os mortos,
e assim recuperou o filho
- o que é também um símbolo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - O autor deste texto convida o crente a confiar firmemente na possessão dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis agora. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela FINITUDE, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver na fé é, apesar disso, caminhar para a vida plena que Deus nos prometeu, caminhando ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido?

02 - A nossa tendência vai, tantas vezes, do “oito aos oitenta”, da euforia ao desânimo total. Num dia, tudo faz sentido; no outro, a tristeza e a dúvida afogam-nos e deixam-nos mergulhados no mais escuro pessimismo… No entanto, o cristão deve ser o homem da serenidade e da paz; ele sabe que a sua existência não se conduz ao sabor das marés, mas que o sentido da vida está para além dos êxitos ou dos fracassos que o dia a dia traz. GUIADO PELA FÉ, ele tem sempre diante dos olhos essas realidades últimas, que dão sentido pleno àquilo que aqui acontece.


voltar


Evangelho
A QUEM MUITO FOI DADO, MUITO SERÁ PEDIDO;
A QUEM MUITO FOI CONFIADO, MUITO MAIS SERÁ EXIGIDO!

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (12,32-48)


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
32'Não tenhais medo, pequenino rebanho,
pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino.
33Vendei vossos bens e dai esmola.
Fazei bolsas que não se estraguem,
um tesouro no céu que não se acabe;
ali o ladrão não chega nem a traça corrói.
34Porque onde está o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.
35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.
36Sede como homens que estão esperando
seu senhor voltar de uma festa de casamento,
para lhe abrirem, imediatamente, a porta,
logo que ele chegar e bater.
37Felizes os empregados que o senhor
encontrar acordados quando chegar.
Em verdade eu vos digo:
Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa
e, passando, os servirá.
38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada,
felizes serão, se assim os encontrar!
39Mas ficai certos: se o dono da casa
soubesse a hora em que o ladrão iria chegar,
não deixaria que arrombasse a sua casa.
40Vós também ficai preparados!
Porque o Filho do Homem vai chegar
na hora em que menos o esperardes'.
41Então Pedro disse: 'Senhor,
tu contas esta parábola para nós ou para todos?'
42E o Senhor respondeu:
'Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor
vai colocar à frente do pessoal de sua casa
para dar comida a todos na hora certa?
43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar,
encontrar agindo assim!
44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a
administração de todos os seus bens.
45Porém, se aquele empregado pensar:
'Meu patrão está demorando',
e começar a espancar os criados e as criadas,
e a comer, a beber e a embriagar-se,
46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado
e numa hora imprevista,
ele o partirá ao meio
e o fará participar do destino dos infiéis.
47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor,
nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade,
será chicoteado muitas vezes.
48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade
e fez coisas que merecem castigo,
será chicoteado poucas vezes.
A quem muito foi dado, muito será pedido;
a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A vida dos discípulos de Jesus tem de ser uma espera vigilante e atenta, pois o Senhor está permanentemente vindo ao nosso encontro e a nos desafiar para nos despirmos das cadeias que nos escravizam e para percorrermos, com Ele, o caminho da libertação. O que é que nos distrai, que nos prende, que nos aliena e que nos impede de acolher esse dom contínuo de vida?

02 - Ser cristão não é um trabalho “das nove às dezoito”, ou um “hobby” de fim-de-semana; mas é um compromisso de tempo integral, que deve marcar cada pensamento, cada atitude, cada opção, vinte e quatro horas por dia… Estou consciente dessa exigência e suficientemente atento para marcar, com o selo do meu compromisso cristão, todas as minhas ações e palavras? Estou suficientemente atento e disponível para acolher e responder aos apelos que Deus me faz e aos desafios que Ele me apresenta através das necessidades dos irmãos?

03 - Por vezes, os discípulos de Jesus manifestam a convicção de que tudo vai de mal a pior, que esta “geração de contestação” está perdida e que não é possível fazer mais nada para tornar o mundo mais humano e mais feliz… Isso não será, apenas, uma forma de mascararmos o nosso egoísmo e comodismo e de recusarmos ser protagonistas empenhados na construção do “REINO” que é o tesouro mais valioso?

04 - A Palavra de Deus que hoje nos é proposta contém uma interpelação especial a todos aqueles que desempenham funções de responsabilidade, quer na Igreja, quer no governo, quer nas autarquias, quer nas empresas, quer nas repartições… Convida cada um a assumir as suas responsabilidades e a desempenhar, com atenção e empenho as funções que lhe foram confiadas. A todos aqueles a quem foi confiado o serviço da autoridade, a Palavra de Deus pergunta sobre o modo como nos comportamos: como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros a seu bel-prazer? Estamos atentos às necessidades – sobretudo dos pobres, dos pequenos e dos débeis – ou instalamo-nos no egoísmo e no comodismo e deixamos que as coisas se arrastem, sem entusiasmo, sem vida, sem desafios, sem esperança?


voltar


Comentário
VIVER ATENTOS


Pode parecer uma tolice, mais a única coisa que temos é o tempo. Melhor dizendo, o PRESENTE. É a única coisa de que dispomos: ESTE MOMENTO ATUAL QUE ESTAMOS VIVENDO. Isto é, a vida é nosso maior tesouro. Por isso devemos aproveitá-la. Minuto a minuto. Devemos desfrutá-la para que não nos escape nada do que nela nos acontece e o que fazemos que aconteça.

É exatamente o que nos diz Jesus no Evangelho. Não podemos viver dormido, distraídos. Devemos viver atentos porque a qualquer momento chega o Senhor, está chegando, e não estivermos atentos pode passar a melhor oportunidade de nossa vida. Jesus põe o exemplo dos criados que esperam a chegada de seu amo. Nós poderíamos pôr o exemplo do jovem que tem que estar atento porque em qualquer momento pode passar a seu lado o amor de sua vida e ele pode perdê-lo.

O que nos podemos perder e o que não deveríamos perder de nenhum modo? Ao que se refere Jesus quando nos pede que estejamos atentos? A resposta está na fraternidade. Contaram-me de um jovem, filho de família rica em um país pobre, que durante anos não teve a mínima consciência da pobreza em que viviam muitas pessoas ao seu redor. Movia-se sempre em ambientes de luxo e, quando saía de casa, o fazia sempre no carro de seu pai ou dos pais de seus amigos que tinham sempre os vidros bem filmados. Oficialmente era pára que não entrasse o sol, mais também tornava mais difícil ver o exterior. Seus irmãos que sofriam se convertiam mal em sombras sem consistência. Até que um dia saiu do carro e viu a realidade. Deu-se conta de que eram pessoas como ele. Então, sua vida tranquila viu-se envolvida em uma tormenta. Já não pôde seguir vivendo da mesma maneira. A isso é o que Jesus quer que estejamos atentos: AOS IRMÃOS E IRMÃS.

O tipo de atenção que nos pede Jesus não é a que tem o homem de negócios para ganhar dinheiro. Jesus quer que estejamos atentos aos irmãos e irmãs. Viver de uma forma que valha a pena só tem um significado para Jesus: CONSTRUIR A FAMÍLIA DE DEUS. Só assim encontraremos a verdadeira felicidade. Essa é a fé de que nos fala a segunda leitura. Crer em Jesus é achar que Ele está no meio de nós construindo seu Reino, nos fazendo irmãos. Na medida em que somos capazes de ver os que nos rodeiam, o rosto de um irmão, nosso coração será capaz de amar. E AMAR É VIVER. E criar fraternidade. Esse é o tipo de vida que Jesus quer para nós. Esse é o tipo de vida para o qual vale a pena estar atento. O resto, é só resto, é perder o tempo. E perder a vida.

Que faço com meu tempo? Como o aproveito? Esforço-me para viver desde a fé todas as horas de minha vida? Sou capaz de olhar com olhos de fé aos que vivem comigo, aos que encontro pela rua, no trabalho, na escola? São irmãos que vejo ou são inimigos que me ameaçam e dos quais tenho que me defender?


voltar


FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda) 
Liturgia Diária – CNBB 
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

 

 

XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo nos questiona acerca da atitude que assumimos face aos bens deste mundo. Sugere que eles não podem ser os deuses que dirigem a nossa vida; e convida-nos a descobrir e a amar esses outros bens que dão verdadeiro sentido à nossa existência e que nos garantem a vida em plenitude.

No Evangelho, através da “parábola do rico insensato”, Jesus denuncia a falência de uma vida voltada apenas para os bens materiais: o homem que assim procede é um “louco”, que esqueceu aquilo que, verdadeiramente, dá sentido à existência.

Na primeira leitura, temos uma reflexão do Eclesiastes (qohélet) sobre o sentido de uma vida voltada para acumular bens… Embora a reflexão do “qohélet” não vá mais além, ela constitui um patamar para partirmos para descobrir de Deus quais são os seus valores, para encontramos aí o sentido último da nossa existência.

A segunda leitura convida-nos à identificação com Cristo: isso significa deixarmos os “deuses” que nos escravizam e renascermos continuamente, até que em nós se manifeste o HOMEM NOVO, que é “imagem de Deus”.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
QUE RESTA AO HOMEM DE TODOS OS SEUS TRABALHOS?
Leitura do Livro do Eclesiastes (1,2; 2,21-23)


2'Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes,
vaidade das vaidades!
Tudo é vaidade.'
2,21Por exemplo: um homem que trabalhou com inteligência,
competência e sucesso,
vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro
que em nada colaborou.
Também isso é vaidade e grande desgraça.
22De fato, que resta ao homem
de todos os trabalhos e preocupações
que o desgastam debaixo do sol?
23Toda a sua vida é sofrimento,
sua ocupação, um tormento.
Nem mesmo de noite repousa o seu coração.
Também isso é vaidade.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - Quase poderíamos dizer que o “qohélet” é o precursor desses filósofos existencialistas modernos que refletem sobre o sentido da vida, e constatam a futilidade da existência, a náusea que acompanha a vida do homem, a inutilidade da busca da felicidade, o fracasso que é a vida condenada à morte (Jean Paul Sartre, Albert Camus, André Malraux…). As conclusões,  do “qohélet”, quer das filosofias existencialistas agnósticas, seriam desesperantes se não existisse a fé. Para nós, os crentes, a vida não é absurda porque ela não termina nem se encerra neste mundo… A nossa caminhada nesta terra está, na verdade, cheia de limitações, de desilusões, de imperfeições; mas nós sabemos que esta vida caminha para a sua realização plena, para a vida eterna: só aí encontraremos o sentido pleno do nosso ser e da nossa existência.

02 - A reflexão do “qohélet” convida-nos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança em coisas falíveis e passageiras. Quem vive, apenas, para trabalhar e para acumular, pode encontrar aí aquilo que dá pleno significado à vida? Quem vive obcecado com a conta bancária, com o carro novo, ou com a casa com piscina num empreendimento de luxo, encontrará aí aquilo que o realiza plenamente? Para mim, o que é que dá sentido pleno à vida? Para que é que eu vivo?


Voltar


Salmo Responsorial
VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.
Sl 89,3-4.5-6.12-13.14.17 (R.1)


3Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,*
quando dizeis: 'Voltai ao pó, filhos de Adão!'
4Pois mil anos para vós são como ontem,*
qual vigília de uma noite que passou. 

VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.

5Eles passam como o sono da manhã,*
6são iguais à erva verde pelos campos:
De manhã ela floresce vicejante,*
mas à tarde é cortada e logo seca. 

VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.

12Ensinai-nos a contar os nossos dias,*
e dai ao nosso coração sabedoria!
13Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? 
Tende piedade e compaixão de vossos servos! 

VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.

14Saciai-nos de manhã com vosso amor,*
e exultaremos de alegria todo o dia!
17Que a bondade do Senhor e nosso Deus
repouse sobre nós e nos conduza!*
Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

 VÓS FOSTES Ó SENHOR, UM REFÚGIO PARA NÓS.


Voltar


Segunda Leitura

ESFORÇAI-VOS POR ALCANÇAR AS COISAS
DO ALTO, ONDE ESTÁ CRISTO.
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (3,1-5.9-11)


Irmãos:
1Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
2aspirai às coisas celestes
e não às coisas terrestres.
3Pois vós morrestes,
e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo,
então vós aparecereis também com ele,
revestidos de glória.
5Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra:
imoralidade, impureza,
paixão, maus desejos
e a cobiça, que é idolatria.
9Não mintais uns aos outros.
Já vos despojastes do homem velho
e da sua maneira de agir
10e vos revestistes do homem novo,
que se renova segundo a imagem do seu Criador,
em ordem ao conhecimento.
11Aí não se faz distinção entre grego e judeu,
circunciso e incircunciso,
inculto, selvagem, escravo e livre,
mas Cristo é tudo em todos.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Ser batizado é, na perspectiva de Paulo, identificar-se com Cristo e, portanto, renunciar aos mecanismos que geram egoísmo, ambição, injustiça, orgulho, morte... Tudo isto foi Jesus rejeitou como diabólicos; e é, em contrapartida, escolheu uma vida de doação, de entrega, de serviço, de amor... Mecanismos que levaram Jesus à cruz, mas que também o levaram à ressurreição. Eu estou sendo coerente com as exigências do meu Batismo? Na minha vida há uma opção clara pelas “coisas do alto”, ou essas “coisas da terra” (brilhantes, sugestivas, mas efêmeras) têm prioridade e condicionam a minha ação?

02 - O objetivo da nossa vida é, de acordo com Paulo, a renovação contínua da nossa vida, a fim de que nos tornemos “imagem de Deus”. Aqueles que me rodeiam conseguem detectar em mim algo de Deus? Que “imagem de Deus” é que eu transmito a quem, diariamente, entra em contato comigo?

03 - Convém não esquecer que a construção do “Homem Novo” é uma tarefa que exige uma renovação constante, uma atenção constante, um compromisso constante. Enquanto estamos neste mundo, nunca podemos cruzar os braços e dar a nossa caminhada para a perfeição por terminada: cada instante apresenta-nos novos desafios, que podem ser vencidos ou que podem vencer-nos.


Voltar


Evangelho
E PARA QUEM FICARÁ O QUE TU ACUMULASTE?
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (12,13-21)


Naquele tempo:

13Alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: 'Mestre,
dize ao meu irmão que reparta a herança comigo.'
14Jesus respondeu:
'Homem, quem me encarregou de julgar
ou de dividir vossos bens?'
15E disse-lhes:
'Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância,
porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas,
a vida de um homem não consiste na abundância de bens.'
16E contou-lhes uma parábola:
'A terra de um homem rico deu uma grande colheita.
17Ele pensava consigo mesmo:
'O que vou fazer?
Não tenho onde guardar minha colheita'.
18Então resolveu: 'Já sei o que fazer!
Vou derrubar meus celeiros e construir maiores;
neles vou guardar todo o meu trigo,
junto com os meus bens.
19Então poderei dizer a mim mesmo:
- Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos.
Descansa, come, bebe, aproveita!'
20Mas Deus lhe disse: 'Louco!
Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida.
E para quem ficará o que tu acumulaste?'
21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo,
mas não é rico diante de Deus.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 - A Palavra de Deus que aqui nos é servida questiona fortemente alguns dos fundamentos sobre os quais a nossa sociedade se constrói. O capitalismo selvagem que, por amor ao lucro, escraviza e obriga a trabalhar até à exaustão homens, mulheres e crianças, continua vivo em tantos cantos do nosso planeta… Podemos tranquilamente, comprar e consumir produtos que são fruto da escravidão de tantos irmãos nossos? Devemos consentir, com a nossa indiferença e passividade, em aumentar os lucros imoderados desses empresários (sanguessugas) que vivem do sangue dos outros?

02 - Qualquer trabalhador – muitos de nós, provavelmente – passa a vida numa escravatura do trabalho e dos bens, que não deixa tempo nem disponibilidade para as coisas importantes – Deus, a família, os irmãos que nos rodeiam. Muitas vezes, o mercado de trabalho não nos dá outra hipótese (se não produzimos de acordo com a planificação da empresa, outro ocupará, rapidamente, o nosso lugar); outras vezes, essa escravatura do trabalho resulta de uma opção consciente… Quantas pessoas escolhem prescindir dos filhos, para poder dedicar-se

a uma carreira de êxito profissional que as torne milionárias antes dos quarenta anos… Quantas pessoas esquecem as suas responsabilidades familiares, porque é mais importante assegurar o dinheiro suficiente para as férias em lugares paradisíacos… Quantas pessoas renunciam à sua dignidade e aos seus direitos, para aumentar a conta bancária… Tornamo-nos, assim, mais felizes e mais humanos? É aí que está o verdadeiro sentido da vida?

03 - O que Jesus denuncia aqui não é a riqueza, mas a DEIFICAÇÃO DA RIQUEZA. Até alguém que fez “voto de pobreza” pode deixar-se tentar pelo apelo dos bens e colocar neles o seu interesse fundamental… A todos Jesus recomenda: “CUIDADO COM OS FALSOS DEUSES; NÃO DEIXEM QUE O ACESSÓRIO VOS DISTRAIA DO FUNDAMENTAL”.


Voltar


Comentário
SER RICOS ANTE DEUS


Há quem pense que “buscar as coisas do alto”, como diz são Paulo na segunda leitura consiste em passar todo o dia na Igreja, acendendo velas a todos os santos, rezando terços e rosários, ajoelhado diante do Santíssimo. Tudo isso é bom, mas não vem a ser mais que um treinamento. Como os esportistas que treinam para ganhar a corrida, nós temos que treinar também para ganhar. Qual é nossa corrida? A vida diária, a vida em família, a vida no trabalho. Aí é onde temos que “buscar as coisas do alto”.

Essas ”coisas do alto” são muito importantes. São as únicas que nos levaremos quando chegar a nossa hora. O resto é lastro inútil. O Evangelho nos deixa isto muito claro. Podemos acumular todas as riquezas que possamos imaginar. Tudo será inútil porque a única coisa que vale a pena é “SER RICO ANTE DEUS”. Todo o resto é “vaidade de vaidades”, como diz a primeira leitura. Isto é, temos que “buscar as coisas do alto” e “ser ricos ante Deus” e o resto não interessa. Aí temos definido um bom objetivo para nossa vida. Há pessoas que se preocupam de ser famosas, de fazer uma boa carreira ou de acumular muito dinheiro. Mas nós, os cristãos, temos outro objetivo: “buscar as coisas do alto” e “ser ricos ante Deus”.

Mas, em que consiste esse “buscar as coisas do alto” e “ser ricos ante Deus”? De pronto, temos já uma resposta negativa. Não consiste em nos entregar a todas essas imoralidades de que fala a segunda leitura. Melhor esquecer-nos da fornicação, da impureza, da paixão, da cobiça, da avareza... Tudo isso não tem nada que ver com “buscar as coisas do alto”. O Evangelho enfatiza a idéia de que a cobiça, viver só tratando de acumular dinheiro, não vale para nada. Já sabemos, então, o que não temos que fazer.

 Mas, que devemos fazer para “ser ricos ante Deus”? De novo a resposta vem-nos da segunda leitura e do Evangelho. De acordo com Paulo, temo que nos revestir da nova condição do cristão. Aí não há diferenças entre as pessoas: todos somos irmãos e irmãs. Agora sabemos que “buscar as coisas do alto” é buscar a fraternidade e vivê-la no dia-a-dia. Somos irmãos e irmãs e Cristo é o irmão maior que nos convoca a viver em família. Por isso foi dito no princípio que o que fazemos na Igreja é só um treinamento. O amor fraterno deve ser vivido na família, na rua, no trabalho. Aí é onde se faz a fraternidade, onde conseguimos as “coisas do alto” e nos fazemos “ricos ante Deus”.

Quais são os objetivos de minha vida? Trato de não fazer essas coisas que vão na contramão de “buscar coisas do alto” De que forma tento viver o amor fraterno com minha família, com meus amigos, no trabalho? Quando vou à Igreja, peço a Deus que me ajude a ser mais irmão ou irmã de meus irmãos?


Voltar


FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

XVII Domingo doTempo Comum (Ano C)

O tema fundamental que a liturgia nos convida a refletir, neste domingo, é o tema da ORAÇÃO. Ao colocar diante dos nossos olhos os exemplos de Abraão e de Jesus, a Palavra de Deus mostra-nos a importância da oração e ensina-nos a atitude que os crentes devem assumir no seu diálogo com Deus.

A primeira leitura sugere que a verdadeira oração é um diálogo “FACE A FACE”, no qual o homem – com humildade, reverência, respeito, mas também com ousadia e confiança – apresenta a Deus as suas inquietações, as suas dúvidas, os seus anseios e tenta perceber os projetos de Deus para o mundo e para os homens.

O Evangelho senta-nos no banco da “ESCOLA DE ORAÇÃO” de Jesus. Ensina que a oração do crente deve ser um diálogo confiante de uma criança com o seu “PAPAI”. Com Jesus, o crente é convidado a descobrir em Deus “o Pai” e a dialogar frequentemente com Ele acerca desse mundo novo que o Pai/Deus quer oferecer aos homens.

A segunda leitura, sem aludir diretamente ao tema da oração, convida a fazer de Cristo a referência fundamental. Neste contexto de reflexão sobre a oração, podemos dizer que Cristo tem de ser a referência e o modelo do crente que reza: quer na frequência com que se dirige ao Pai, quer na forma como dialoga com o Pai.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
QUE O MEU SENHOR NÃO SE IRRITE, SE EU FALAR.
Leitura do Livro do Gênesis (18,20-32)


Naqueles dias:
20O Senhor disse a Abraão:
'O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu,
e agravou-se muito o seu pecado.
21Vou descer para verificar
se as suas obras correspondem ou não
ao clamor que chegou até mim'.
22Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma,
enquanto Abraão ficou na presença do Senhor.
23Então, aproximando-se, disse Abraão:
'Vais realmente exterminar o justo com o ímpio?
24Se houvesse cinqüenta justos na cidade,
acaso iríeis exterminá-los?
Não pouparias o lugar
por causa dos cinqüenta justos que ali vivem?
25Longe de ti agir assim,
fazendo morrer o justo com o ímpio,
como se o justo fosse igual ao ímpio.
Longe de ti!
O juiz de toda a terra não faria justiça?'
26O Senhor respondeu:
'Se eu encontrasse em Sodoma cinqüenta justos,
pouparia por causa deles a cidade inteira'.
27Abraão prosseguiu dizendo:
'Estou sendo atrevido em falar a meu Senhor,
eu que sou pó e cinza.
28Se dos cinqüenta justos faltassem cinco,
destruirias por causa dos cinco a cidade inteira?'
O Senhor respondeu:
'Não destruiria,
se achasse ali quarenta e cinco justos'.
29Insistiu ainda Abraão e disse:
'E se houvesse quarenta?'
Ele respondeu:
'Por causa dos quarenta, não o faria'.
30Abraão tornou a insistir:
'Não se irrite o meu Senhor, se ainda falo.
E se houvesse apenas trinta justos?'.
Ele respondeu:
'Também não o faria, se encontrasse trinta'.
31Tornou Abraão a insistir:
'Já que me atrevi a falar a meu Senhor,
e se houver vinte justos?'
Ele respondeu:
'Não a iria destruir por causa dos vinte'.
32Abraão disse:
'Que o meu Senhor não se irrite,
se eu falar só mais uma vez:
e se houvesse apenas dez?'
Ele respondeu:
'Por causa dos dez, não a destruiria'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - O diálogo entre Abraão e Deus a propósito de Sodoma confirma esse Deus da comunhão, que vem ao encontro do homem, que entra na sua casa, que Se senta à mesa com ele, que escuta os seus anseios e que lhes dá resposta; e mostra, além disso, um Deus cheio de bondade e de misericórdia, cuja vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de condenar. É esse Deus “PRÓXIMO”, cheio de amor, que quer vir ao nosso encontro e partilhar a nossa vida que temos de encontrar: só será possível rezar, se antes tivermos descoberto este “rosto” de Deus.

02 - A “ORAÇÃO” de Abraão é paradigmática da “oração” do crente: é um diálogo com Deus, um diálogo humilde, reverente, respeitoso, mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança. Não é uma repetição de palavras ocas, gravadas e repetidas por um gravador ou um papagaio, mas um diálogo espontâneo e sincero, no qual o crente se expõe e coloca diante de Deus tudo aquilo que lhe enche o coração. A minha oração é este diálogo espontâneo, vivo, confiante com Deus, ou é uma repetição fastidiosa de fórmulas feitas, mastigadas à pressa e sem significado?


Voltar


Salmo Responsorial
NAQUELE DIA EM QUE GRITEI, VÓS ME ESCUTASTES, Ó SENHOR!
Sl 137,1-2a.2bc-3.6-7ab.7c.8 (R. 3a)


1Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, *
porque ouvistes as palavras dos meus lábios!
Perante os vossos anjos vou cantar-vos *
2ae ante o vosso templo vou prostrar-me. 

NAQUELE DIA EM QUE GRITEI, VÓS ME ESCUTASTES, Ó SENHOR!

2bEu agradeço vosso amor, vossa verdade,*
2cporque fizestes muito mais que prometestes;
3naquele dia em que gritei, vós me escutastes*
e aumentastes o vigor da minha alma. 

NAQUELE DIA EM QUE GRITEI, VÓS ME ESCUTASTES, Ó SENHOR!

6Altíssimo é o Senhor, mas olha os pobres,*
e de longe reconhece os orgulhosos.
7aSe no meio da desgraça eu caminhar,*
vós me fazeis tornar à vida novamente;
7bquando os meus perseguidores me atacarem*
e com ira investirem contra mim,
estendereis o vosso braço em meu auxílio. 

NAQUELE DIA EM QUE GRITEI, VÓS ME ESCUTASTES, Ó SENHOR!

7cE havereis de me salvar com vossa destra.
8Completai em mim a obra começada;*
ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
Eu vos peço: não deixeis inacabada*
esta obra que fizeram vossas mãos! 

NAQUELE DIA EM QUE GRITEI, VÓS ME ESCUTASTES, Ó SENHOR!


Voltar


Segunda Leitura
DEUS VOS TROUXE PARA A VIDA, JUNTO COM
CRISTO, E A TODOS NÓS PERDOOU OS PECADOS.
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (2,12-14)


Irmãos:
12Com Cristo fostes sepultados no batismo;
com ele também fostes ressuscitados
por meio da fé no poder de Deus,
que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.
13Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados,
e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão,
até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo,
e a todos nós perdoou os pecados.
14Existia contra nós uma conta a ser paga,
mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais,
e a eliminou, pregando-a na cruz.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - Mais uma vez, a Palavra de Deus afirma a absoluta centralidade de Cristo na nossa experiência cristã. É por Ele - e apenas por Ele - que o nosso pecado e o nosso egoísmo são saneados e que temos acesso à salvação - quer dizer, à vida nova do Homem Novo. É nisto que reside o fundamental da nossa fé e é à volta de Cristo (da sua vida feita doação, entrega, amor até a morte) que se deve centralizar a nossa existência de cristãos. Ao denunciar a atitude dos Colossenses, Paulo adverte-nos para não nos deixarmos afastar do essencial por aspectos secundários. O critério fundamental, no que diz respeito à vivência da nossa fé, deve ser este: TUDO O QUE CONTRIBUI PARA NOS LEVAR ATÉ CRISTO É BOM; TUDO O QUE NOS DISTRAI DE CRISTO É DISPENSÁVEL.

02 - É necessário ter consciência de que o Batismo, identificando-nos com Jesus, constitui um ponto de partida para uma vida vivida ao jeito de Jesus, na doação, no serviço, na entrega da vida por amor. É este “caminho” que temos percorrido? A minha vida caminha, decisivamente, em direção ao Homem Novo, ou mantém-me fossilizado no homem velho do egoísmo, do orgulho e do pecado?


Voltar


Evangelho
PEDI E RECEBEREIS.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (11,1-13)


1Jesus estava rezando num certo lugar.
Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe:
'Senhor, ensina-nos a rezar,
como também João ensinou a seus discípulos.'
2Jesus respondeu: 'Quando rezardes, dizei:
`Pai, santificado seja o teu nome.
Venha o teu Reino.
3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos,
4e perdoa-nos os nossos pecados,
pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores;
e não nos deixes cair em tentação'.'
5E Jesus acrescentou:
'Se um de vós tiver um amigo
e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser:
`Amigo, empresta-me três póes,
6porque um amigo meu chegou de viagem
e nada tenho para lhe oferecer',
7e se o outro responder lá de dentro:
'Não me incomoda! Já tranquei a porta,
e meus filhos e eu já estamos deitados;
não me posso levantar para te dar os póes';
8eu vos declaro:
mesmo que o outro não se levante
para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se
ao menos por causa da impertinência dele
e lhe dará quanto for necessário.
9Portanto, eu vos digo:
pedi e recebereis; procurai e encontrareis;
batei e vos será aberto.
10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra;
e, para quem bate, se abrirá.
11Será que algum de vós que é pai,
se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
13Ora, se vós que sois maus,
sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,
quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo
aos que o pedirem! '
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01- O Evangelho de Lucas sublinha o espaço significativo que Jesus dava, na sua vida, ao diálogo com o Pai, antes de certos momentos determinantes, nos quais se tornava particularmente importante o cumprimento do projeto do Pai. Na minha vida, encontro espaço para esse diálogo com o Pai? Na oração, procuro “SENTIR O PULSO” de Deus a propósito dos acontecimentos com que me deparo, de forma a conhecer o seu projeto para mim, para a Igreja e para o mundo?

02 - A forma como Jesus Se dirige a Deus mostra a existência de uma relação de intimidade, de amor, de confiança, de comunhão entre Ele e o Pai (de tal forma que Jesus chama a Deus “PAPÁ”); e Ele convida os seus discípulos a assumirem uma atitude semelhante quando se dirigem a Deus… É essa a atitude que eu assumo na minha relação com Deus? Ele é o “PAPÁ” a quem amo, em quem confio, a quem recorro, com quem partilho a vida, ou é o Deus distante, inacessível, indiferente?

03 -  A minha oração é uma “NEGOCIATA” entre dois parceiros comerciais (“TE DOU ISTO, SE ME DERES AQUILO”) ou é um encontro com um amigo de quem preciso, a quem amo e com quem partilho as preocupações, os sonhos e as esperanças?


Voltar


Comentário
DEFENSORES DE NOSSOS IRMÃOS


O Evangelho deste domingo tem para os crentes uma importância especial. Reuni o momento no qual Jesus ensina aos discípulos a oração que hoje em dia seguimos rezando e que nos identifica como discípulos de Jesus: o PAI NOSSO. É importante sublinhar o contexto no qual o evangelho situa esta oração. Ela e acompanhada de uma catequese na qual Jesus ilumina os discípulos sobre a insistência na oração. É por isso que a parábola ou a história do senhor, que vai pedir pão a seu amigo, porque teve uma visita. E sobre a confiança com qual devemos rogar a Deus. Por isso a parábola que compara a bondade de um pai dos nossos e a bondade do Pai celestial.

Além disso, a Igreja em sua liturgia faz com que este Evangelho esteja precedido pela leitura do Gênese na qual Abraão intercede ante Deus pelos habitantes de Sodoma e Gomorra aos que Deus quer castigar por suas iniquidades (associada ao ato de ser mau, injusto e perverso). Aí diria que está é a chave com a qual devemos nos fixar neste domingo. A oração que nos propõe Jesus não é a do que pede de forma egoísta para seu próprio bem senão a do que intercede por seus irmãos. Abraão participa nessa espécie de leilão com Deus para tentar encontrar uma razão que salve a seus irmãos, os habitantes de Sodoma e Gomorra, do castigo e da morte que se aproxima. Em princípio, Abraão não tem nada que ver com eles. Em Sodoma tem um sobrinho mas esse vai ser salva por Deus. Com o resto dos habitantes dessas cidades não lhe une nenhum laço para além de pertencer à mesma humanidade. Eles são maus, por isso vão ser castigados, e ele é o eleito de Deus para ser pai de um povo e depositário da promessa. Abraão podia ter dado a volta e não olhar ao que ia acontecer. Ou ter comentado com Deus como é necessário, embora triste, tomar decisões radicais e extirpar o mal da sociedade humana. Mas faz exatamente o contrário. Trata desesperadamente de salvar aos que se tinham condenado por suas próprias ações. E Deus cede ante ele. A cifra de justos necessária para salvar a cidade baixa de 50 a 10 ante a insistência de Abrahão. Algo parecido pode ser dito do Evangelho, onde o que vai pedir os pães não o faz para si senão para dar de comer a um amigo que lhe chegou a casa.

Poderíamos dizer que a chave da oração está na intercessão. Pedir a Deus por nossos irmãos e irmãs. Para isso temos de sentir uma grande solidariedade. E que realmente somos irmãos e irmãs. Sua morte ou seu fracasso é nossa morte ou nosso fracasso. Oremos intercedendo por eles e elas, porque, sendo maus, damos coisas boas a nossos filhos, como não nos vai dar o Espírito de Vida o Pai do céu que tanto nos ama.

Nós sempre rezamos? Fazemos isso com as palavras do PAI NOSSO? Temos em mente as necessidades de nossos irmãos e irmãs? Eu sinto que suas necessidades são realmente minhas? Ou apenas procuramos "minhas" necessidades?


Voltar


FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres, cmf - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)  
Liturgia Diária – CNBB  
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)