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A Palavra

XXIX Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A Palavra que a liturgia de hoje nos apresenta convida-nos a manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente: só dessa forma será possível ao crente aceitar os projetos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos, acreditar no seu amor.
O Evangelho sugere que Deus não está ausente nem fica insensível diante do sofrimento do seu Povo… Os crentes devem descobrir que Deus os ama e que tem um projeto de salvação para todos os homens; e essa descoberta só se pode fazer através da oração, de um diálogo contínuo e perseverante com Deus.
A primeira leitura dá a entender que Deus intervém no mundo e salva o seu Povo servindo-Se, muitas vezes, da ação do homem; mas, para que o homem possa ganhar as duras batalhas da existência, ele tem que contar com a ajuda e a força de Deus… Ora, essa ajuda e essa força brotam da oração, do diálogo com Deus.
A segunda leitura, sem se referir diretamente ao tema da relação do crente com Deus, apresenta uma outra fonte privilegiada de encontro entre Deus e o homem: a Escritura Sagrada… Sendo a Palavra com que Deus indica aos homens o caminho da vida plena, ela deve assumir um lugar preponderante na experiência cristã.


 

 

 


Primeira leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
Leitura
do Livro do Êxodo 17,8-13


A ajuda de Deus é decisiva na luta por um mundo mais livre e mais humano que os catequistas de Israel sublinham no papel da oração… Quem sonha com um mundo melhor e luta por ele, tem de viver num diálogo contínuo, profundo, com Deus: é nesse diálogo que se percebe o projeto de Deus para o mundo e se recebe d’Ele a força para vencer tudo o que oprime e escraviza o homem. A oração que dá sentido e conteúdo à intervenção no mundo faz parte da minha vida?


Naqueles dias:
8Os amalecitas vieram atacar Israel em Rafidim.
9Moisés disse a Josué:
'Escolhe alguns homens e vai combater
contra os amalecitas.
Amanhã estarei, de pé, no alto da colina,
com a vara de Deus na mão'.
10Josué fez o que Moisés lhe tinha mandado
e combateu os amalecitas.
Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo da colina.
11E, enquanto Moisés conservava a mão levantada,
Israel vencia;
quando abaixava a mão, vencia Amalec.
12Ora, as mãos de Moisés tornaram-se pesadas.
Pegando então uma pedra,
colocaram-na debaixo dele para que se sentasse,
e Aarão e Ur, um de cada lado
sustentavam as mãos de Moisés.
Assim, suas mãos não se fatigaram até ao pôr do sol,
13e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada.
Palavra do Senhor.

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Salmo Responsorial
Sl 120,1-2.3-4.5-6.7-8 (R. Cf. 2)


Do Senhor é que me vem o meu socorro,
do Senhor que fez o céu e fez a terra.

Eu levanto os meus olhos para os montes:
de onde pode vir o meu socorro?
Do Senhor é que me vem o meu socorro,
do Senhor que fez o céu e fez a terra!'

Do Senhor é que me vem o meu socorro,
do Senhor que fez o céu e fez a terra.

Ele não deixa tropeçarem os meus pés,
e não dorme quem te guarda e te vigia.
Oh! não! ele não dorme nem cochila,
aquele que é o guarda de Israel!

Do Senhor é que me vem o meu socorro,
do Senhor que fez o céu e fez a terra.

O Senhor é o teu guarda, o teu vigia,
é uma sombra protetora à tua direita.
6Não vai ferir-te o sol durante o dia,
nem a lua através de toda a noite.

Do Senhor é que me vem o meu socorro,
do Senhor que fez o céu e fez a terra.

O Senhor te guardará de todo o mal,
ele mesmo vai cuidar da tua vida!
Deus te guarda na partida e na chegada.
Ele te guarda desde agora e para sempre!

Do Senhor é que me vem o meu socorro,
do Senhor que fez o céu e fez a terra.


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Segunda Leitura
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo 3,14 - 4,2


A leitura que nos foi proposta chama a atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra: eles devem anunciá-la em todas as circunstâncias, sem respeito humano, sem jogos de conveniências, sem atenuarem a radicalidade da Palavra; e devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam… É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra?


Caríssimo:
14Permanece firme naquilo que aprendeste
e aceitaste como verdade;
tu sabes de quem o aprendeste.
15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras:
elas têm o poder de te comunicar a sabedoria
que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus.
16Toda a Escritura é inspirada por Deus
e útil para ensinar, para argumentar,
para corrigir e para educar na justiça,
17a fim de que o homem de Deus seja perfeito
e qualificado para toda boa obra.
4,1Diante de Deus e de Cristo Jesus,
que há de vir a julgar os vivos e os mortos,
e em virtude da sua manifestação gloriosa
e do seu Reino, eu te peço com insistência:
2proclama a palavra,
insiste oportuna ou importunamente,
argumenta, repreende, aconselha,
com toda paciência e doutrina.
Palavra do Senhor.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 18,1-8,5-10


Porque é que Deus permite que tantos milhões de homens sobrevivam em condições tão degradantes? Porque é que os maus e injustos praticam arbitrariedades sem conta sobre os mais débeis e nenhum mal lhes acontece? Como é que Deus não intervém quando certas doenças incuráveis ameaçam dizimar os pobres dos países do quarto mundo, perante a indiferença da comunidade internacional? É a isto que o Evangelho de hoje procura responder… Lucas está convicto de que Deus não é indiferente aos gritos de sofrimento dos pobres e que não desistiu de intervir no mundo, a fim de construir o novo céu e a nova terra de justiça, de paz e de felicidade para todos… Simplesmente, Deus tem projetos e planos que nós, na nossa ânsia e impaciência, não conseguimos perceber. Deus tem o seu ritmo, um ritmo que passa por não forçar as coisas, por respeitar a liberdade do homem… A nós resta-nos respeitar a lógica de Deus, confiar n’Ele, entregarmo-nos nas suas mãos.


Naquele tempo:
1Jesus contou aos discípulos uma parábola,
para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre,
e nunca desistir, dizendo:
2'Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus,
e não respeitava homem algum.
3Na mesma cidade havia uma viúva,
que vinha à procura do juiz, pedindo:
`Faze-me justiça contra o meu adversário!'
4Durante muito tempo, o juiz se recusou.
Por fim, ele pensou:
'Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum.
5Mas esta viúva já me está aborrecendo.
Vou fazer-lhe justiça,
para que ela não venha a agredir-me!''
6E o Senhor acrescentou:
'Escutai o que diz este juiz injusto.
7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos,
que dia e noite gritam por ele?
Será que vai fazê-los esperar?
8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa.
Mas o Filho do homem, quando vier,
será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?'
Palavra da Salvação.

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Comentário
SER FIEL


Queridos irmãos:

Estes últimos domingos estão sendo monotemáticos, nos falaram da fé, do passado, do agradecimento e neste domingo nos fala da ORAÇÃO. “Para explicar a seus discípulos como tinham que orar sempre sem desanimar-se, lhes propôs esta parábola”, Lucas, fala-nos da necessidade de ORAR CONSTANTEMENTE  e do poder da oração. Há que orar, por muito difícil que seja a situação de nosso presente, ou da Igreja ou da sociedade, orar na aridez, mesmo que não sintamos ouvidas as nossas suplicas ou pedidos.

A parábola é bastante clara: “Tinha um juiz em uma cidade que nem temia a Deus nem se importava com os homens”, um juiz injusto, tendo em conta que os julgamentos e as leis estavam baseadas nas normas religiosas, e que estas estavam para favorecer aos homens e defender aos mais necessitados. ”Na mesma cidade tinha uma viúva que costumava lhe ir dizer: Faz-me justiça em frente a meu adversário”, as viúvas em toda a Bíblia são apresentadas como indefesas e expostas a todo tipo de abusos legais e judiciais.

O que parece incrível é o que o juiz diz: “Embora não temendo a Deus nem me importando com os homens, como esta viúva me está incomodando, lhe farei justiça” e sobretudo pela razão de que: “para que ela não venha a me agredir”. É de todo improvável que um juiz desta espécie tenha medo, que uma pobre viúva acabe lhe agredindo, o qual aumentaria sua impossibilidade de lhe fazer justiça ou implicaria uma condenação. Com este exagero, o texto parece nos dizer que a oração de súplica supera todo o imaginável e efetivamente, o pedido da viúva termina sendo escutado.

Pois, “Fixem-vos no que diz o Juiz injusto”, se não resiste à suplica insistente, quanto mais Deus, que por definição é Pai bondoso e justo: “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? ”; ou Será que vai fazê-los esperar? Digo-vos que lhes fará justiça sem demora. A proposta é se confiamos em Deus, nas situações difíceis que temos na vida, se seguíamos confiando e orando, embora não vejamos perto uma solução. Disto nos fala a primeira leitura do Êxodo, o povo combate na batalha e Moisés contínua orando durante todo o dia, persevera embora tenham que lhe sujeitar as mãos. Esta deve ser nossa experiência orante.

As velhas perguntas seguem presentes: se pode orar no meio da guerra da Síria, no meio da catástrofe que ocorreu outra vez com Haiti, quando morre alguém próximo a nós...? Deus faz justiça sem demora, a oração é confiar, por isso, é tão necessária como a respiração que nos permite seguir vivendo nos momentos que parecem não haver saída, orar é se pôr nas mãos de Deus. Como diz São Paulo a Timóteo, devemos orar todo o tempo, tempo que nos exorta à paciência para que nada se perca.

A última frase do evangelho, não é uma frase retórica: “Mas o Filho do homem, quando vier,seráque ainda vai encontrar fé sobre a terra? ” É fácil desistir e não ser constantes, cruzar os braços, quando somos apressados pela marcha e pela pressa quotidiana do trabalho, pela família, pelo lazer, e nos falta sempre tempo para as relações gratuitas, para estar diante de Deus. Se não temos momentos para estar com o Mestre, como se manteremos a fé? Se o desamino se multiplica e não achamos que Deus possa tornar tudo novo, onde fica a esperança?

É verdade que demora, mas na resistência, em nos confiar constantemente nele, está é a chave. Podemos dizer com o salmo responsorial: “Senhor é que me vem em teu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra! O Senhor é o teu guarda, o teu vigia, é uma sombra protetora à tua direita. Não vai ferir-te o sol durante o dia, nem a lua através de toda a noite. O Senhor te guardará de todo o mal, ele mesmo vai cuidar da tua vida! Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e para sempre! ”. Este é o desafio que marca a trajetória dos orantes de todos os tempos, SER FIEL


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XXVIII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo mostra-nos, com exemplos concretos, como Deus tem um projeto de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; reconhecer o dom de Deus, acolhê-lo com amor e gratidão, é a condição para vencer a alienação, o sofrimento, o afastamento de Deus e dos irmãos e chegar à vida plena.

A primeira leitura apresenta-nos a história de um leproso (o sírio Naamã). O episódio revela que só Jahwéh oferece ao homem a vida e a salvação, sem limites nem exceções; ao homem resta acolher o dom de Deus, reconhecê-l’O como o único salvador e manifestar-Lhe gratidão.

O Evangelho apresenta-nos um grupo de leprosos que se encontram com Jesus e que através de Jesus descobrem a misericórdia e o amor de Deus. Eles representam toda a humanidade, envolvida pela miséria e pelo sofrimento, sobre quem Deus derrama a sua bondade, o seu amor, a sua salvação. Também aqui se chama a atenção para a resposta do homem ao dom de Deus: todos os que experimentam a salvação que Deus oferece devem reconhecer o dom, acolhê-lo e manifestar a Deus a sua gratidão.

A segunda leitura define a existência cristã como identificação com Cristo. Quem acolhe o dom de Deus torna-se discípulo: identifica-se com Cristo, vive no amor e na entrega aos irmãos e chega à vida nova da ressurreição.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Referencias


Primeira Leitura
NAAMÃ VOLTOU PARA JUNTO DO HOMEM DE
DEUS' E FEZ SUA PROFISSÃO DE FÉ.
Leitura do Segundo Livro dos Reis (5,14-17)


Naqueles dias:
14Naamã, o sírio, desceu e mergulhou sete vezes no
Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado,
e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha,
e ele ficou purificado.
15Em seguida, voltou com toda a sua comitiva
para junto do homem de Deus.
Ao chegar, apresentou-se diante dele e disse:
'Agora estou convencido
de que não há outro Deus em toda a terra,
senão o que há em Israel!
Por favor, aceita um presente de mim, teu servo'.
16Eliseu respondeu:
'Pela vida do Senhor, a quem sirvo, nada aceitarei'.
E, por mais que Naamã insistisse,
ficou firme na recusa.
17Naamã disse estão: 'Seja como queres.
Mas permite que teu servo leve daqui a terra
que dois jumentos podem carregar.
Pois teu servo já não oferecerá
holocausto ou sacrifício a outros deuses,
mas somente ao Senhor'.
Palavra do Senhor


Referencias para reflexão da primeira leitura


01 - A leitura convida-nos, antes de mais, a tomar consciência de que é de Deus que recebemos a vida plena. A constatação desse fato atinge uma importância primordial, numa época em que somos diariamente convidados a colocar a nossa esperança e a nossa segurança em ídolos de pés de barro. É em Deus que eu coloco a minha esperança de vida plena, ou há outros deuses que me seduzem, que dirigem a minha vida e que são a minha esperança de realização e de felicidade?

02 - Convém também não esquecer que a proposta de salvação que Deus faz se destina a todos os homens e mulheres, sem exceção. O nosso Deus não é um Deus dos “bonzinhos”, dos bem comportados, dos brancos, dos politicamente corretos ou dos que têm o nome no livro de registos da paróquia… O nosso Deus é o Deus que oferece A VIDA A TODOS E QUE A TODOS AMA COMO FILHOS; o que é decisivo é aceitar a sua oferta de salvação e acolher o seu dom. Daqui resultam duas coisas importantes: a primeira é que não basta ser batizado; a segunda é que não podemos marginalizar ou excluir qualquer irmão nosso.

03 - A história do sírio Naamã levanta, ainda, a questão da gratidão… É preciso que nos apercebamos que tudo é dom do amor de Deus e não uma conquista nossa ou a recompensa pelos nossos méritos ou pelas nossas boas obras. Estou consciente de que é de Deus que recebo tudo e manifesto-Lhe a minha gratidão pela sua presença, pelos seus dons, pelo seu amor?

04 - Aqueles que recebem de Deus carismas para se pôr a serviço dos irmãos: sentem-se apenas instrumentos de Deus e procuram dirigir os olhares e a gratidão dos irmãos para Deus, ou estão preocupados em sublinhar os seus méritos e em concentrar em si próprios a gratidão que brota dos corações daqueles a quem servem?


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Salmo Responsorial
O SENHOR FEZ CONHECER A SALVAÇÃO
E ÀS NAÇÕES REVELOU SUA JUSTIÇA.
Sl l 97,1.2-3ab.3cd-4 (R.cf 2b)


1Cantai ao Senhor Deus um canto novo,*
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo*
alcançaram-lhe a vitória. 

O SENHOR FEZ CONHECER A SALVAÇÃO
E ÀS NAÇÕES REVELOU SUA JUSTIÇA.

2O Senhor fez conhecer a salvação,*
e às nações, sua justiça;
3arecordou o seu amor sempre fiel*
3bpela casa de Israel.

O SENHOR FEZ CONHECER A SALVAÇÃO
E ÀS NAÇÕES REVELOU SUA JUSTIÇA.

3cOs confins do universo contemplaram*
3da salvação do nosso Deus.
4Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,*
alegrai-vos e exultai! 

O SENHOR FEZ CONHECER A SALVAÇÃO
E ÀS NAÇÕES REVELOU SUA JUSTIÇA.


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Segunda Leitura
SE COM CRISTO FICAMOS FIRMES, COM ELE REINAREMOS.
Leitura da Carta de São Paulo a Timóteo (2,8-13)


Caríssimo:
8Lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi,
ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu evangelho.
9Por ele eu estou sofrendo até às algemas,
como se eu fosse um malfeitor;
mas a palavra de Deus não está algemada.
10Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos,
para que eles também alcancem a salvação,
que está em Cristo Jesus,
com a glória eterna.
11Merece fé esta palavra:
se com ele morremos, com ele viveremos.
12Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos.
Se nós o negamos, também ele nos negará.
13Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel,
pois não pode negar-se a si mesmo.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da segunda leitura


01 - O autor da Segunda Carta a Timóteo recorda, aqui, algo de central para a experiência cristã: a essência do cristianismo é a identificação de cada crente com Cristo. Isto se traduz, concretamente, no entregar da própria vida em favor dos irmãos, se necessário até ao dom total. Identifico-me de tal forma com Cristo que sou capaz de segui-Lo no caminho do amor e da entrega?

02 - A opinião pública do nosso tempo está convencida de que uma vida gasta no serviço simples e humilde em favor dos irmãos é uma vida fracassada; mas o autor da Segunda Carta a Timóteo garante que uma vida de amor e de serviço é uma vida plenamente realizada, pois no final da caminhada espera-nos a ressurreição, a vida plena (são os efeitos da nossa identificação com Cristo). O que é que, para mim, faz mais sentido? No meu dia a dia domina o egoísmo e a auto-suficiência, ou o amor, a partilha, o dom da vida?


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Evangelho
NÃO HOUVE QUEM VOLTASSE PARA DAR GLÓRIA
A DEUS, A NÃO SER ESTE ESTRANGEIRO.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (17,11-19)


11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém,
Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia.
12Quando estava para entrar num povoado,
dez leprosos vieram ao seu encontro.
Pararam à distância,
13e gritaram: 'Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!'
14Ao vê-los, Jesus disse:
'Ide apresentar-vos aos sacerdotes.'
Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados.
15Um deles, ao perceber que estava curado,
voltou glorificando a Deus em alta voz;
16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra,
e lhe agradeceu.
E este era um samaritano.
17Então Jesus lhe perguntou:
'Não foram dez os curados?
E os outro nove, onde estão?
18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus,
a não ser este estrangeiro?'
19E disse-lhe: 'Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.'
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


01 -  A “lepra” que rouba a vida a esses “dez” homens que a leitura de hoje nos apresenta representa o infortúnio que atinge a totalidade da humanidade e que gera exclusão, marginalidade, opressão, injustiça. É a condição de uma humanidade marcada pelo sofrimento, pela miséria, pelo afastamento de Deus e dos irmãos, que aqui nos é pintada… Lucas garante, no entanto, que Deus tem um projeto de salvação para todos os homens, sem exceção; e que é em Jesus e através de Jesus que esse projeto atinge todos os que se sentem “leprosos” e os faz encontrar a vida plena, a reintegração total na família de Deus e na comunidade humana.

02 - É preciso ter uma resposta de gratidão e de adesão à proposta de salvação que Deus faz. Atenção: muitas vezes são aqueles que parecem mais fora da órbita de Deus que primeiro reconhecem o seu dom, que o acolhem e que aderem à proposta de vida nova que lhes é feita. Às vezes, aqueles que lidam diariamente com o mundo do sagrado estão demasiado cheios de autossuficiência e de orgulho para acolherem com humildade e simplicidade os dons de Deus, para manifestarem gratidão e para aceitarem ser transformados pela graça… Convém pensar na atitude que, dia a dia, eu assumo diante de Deus: se é uma atitude de autossuficiência, ou se é uma atitude de adesão humilde e de gratidão.

03 - Como lidamos com aqueles que a sociedade de hoje considera “leprosos” e que, muitas vezes, se encontram numa situação de exclusão e de marginalidade (os sem abrigo, os drogados, os deficientes, os doentes terminais, os idosos abandonados em lares, os analfabetos, os que vivem abaixo do limiar da pobreza...): com desprezo, com indiferença, com medo de ficar contaminados ou como testemunhas da bondade e do amor de Deus?

04 - Curiosamente, os dez “leprosos” não são curados imediatamente por Jesus, mas a “lepra” desaparece “no caminho”, quando iam mostrar-se aos sacerdotes. Isto sugere que a ação libertadora de Jesus não é uma ação mágica, caída repentinamente do céu, mas um processo progressivo (o “caminho” define, neste contexto, a caminhada cristã), no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, até à adesão plena às suas propostas e à efetiva transformação do coração. Assim, a nossa “CURA” não é um momento mágico que acontece quando somos batizados, ou fazemos a primeira comunhão ou nos crismamos; mas é uma caminhada progressiva, durante a qual descobrimos Cristo e nascemos para a vida nova.


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Comentário
A CHAVE DA VIDA É O AGRADECIMENTO 


A chave das leituras de hoje é o AGRADECIMENTO: do leproso no Evangelho e o de Naamã na primeira leitura. Agradecer também é a chave da vida cristã, de nossa relação com Deus, com Jesus e com os irmãos. DA FÉ NASCE O AGRADECIMENTO. É aí precisamente, como diz o Evangelho encontramos a salvação, a vida nova. Dito de outra maneira, a suposição de outro estilo de vida, mais plena, mais humana e, por isso, mais divina.

Em nossa cultura agradecemos quando nos fazem um favor ou quando recebemos algo. Quanto mais inesperado ou mais gratuito, mais agradecemos. Sempre é um reconhecimento de que recebemos algo de forma gratuita. O que se recebe dessa maneira adquire um valor tal que estabelece uma relação com o doador que vai além de qualquer consideração egoísta.  O favor não se devolve. Simplesmente se estabelece uma relação de gratidão, de carinho, entre as pessoas. Não há calculo de custos. Há uma relação pessoal, um laço que é difícil romper.

Há pessoas que, se esquecendo da gratuidade, tratam de converter essa relação em uma relação comercial. E o favor devolve-se calculando os custos do favor recebido. Porém, nesse caso a relação perde seu caráter de gratuidade e o agradecimento se deturpa. Não há agradecimento, somente pagamento. Nesse caso se perde a relação. Devolvido o favor, “se eu te vi eu não me lembro”, como diz o ditado.

Nossa relação com Deus é uma relação de AGRADECIMENTO. Dele recebemos tudo de graça: a vida, a liberdade, o amor, a criação... Não há medida que possa contar o que temos recebido. Os que pretendem fazer da relação com Deus uma relação contábil, de troca, “vou à missa para que Deus me salve” ou “para que me perdoe”, se perdem em um labirinto sem saída. Como Eliseu, Deus nada aceita, ele não precisa de nada. Em certo sentido, nada do que façamos pode lhe interessar. Ele nos deu o presente da vida e, em seu amor total por nós, só tem interesse que vivamos completamente nossa responsabilidade, que façamos realidade a fraternidade entre nós e com toda a criação. Mas, além da devolução do favor brota o agradecimento, a ação de graças. Agora encontramos com a salvação. O que vive em “ação de graças permanente” vive a salvação. Jesus cura os 10 leprosos. Porém, somente ao que volta diz “SUA FÉ TE SALVOU”.  Os outros estavam perdidos em seu labirinto. Felizmente, Deus os ama da mesma maneira.

É difícil para agradecer quando me fazem um favor? Calculo como vou devolvê-lo ou me empolgo pelo simples agradecimentos? Vivo meu relacionamento com Deus como ação de graças contínua? Por que se diz que a Eucaristia é uma ação de graças?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Fernando Torres - Missionários Claretianos (Ciudad Redonda)
Liturgia Diária – CNBB
Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


 

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida


No fundo negro do rio, no lodo, na lama, esperaste, com paciência histórica que nós não temos, o dia em que as rudes mãos de pescadores anônimos reinventassem a história, tecendo novo enredo, nova trama nas malhas da velha rede do humilde ofício.

Pequena, frágil, imagem destroçada do destroçado povo brasileiro, foste entronizada esperança negra que clareia a branca escuridão do túnel que atravessamos.

A ti acorremos, Senhora, Mãe, Rainha nossa! A teus pés depositamos o imenso rosário de nossas dores. Nossos filhos assassinados; nossas terras usurpadas, nosso trabalho negado por salário de mentira.

A casa que não temos; nosso minguado pão e a esperança - que ainda temos - que nos trouxe teu. Toma em tuas mãos esta esperança ferida, Maria, mulher do povo, da esquecida Nazaré, e transforma-a num canto, noutro Magnificat, grito profético, que cala os prepotentes e derruba os poderosos inaugurando o Reino, boa notícia para os pequenos. Sim, era necessário que aparecesses do fundo do nosso negro silêncio, do fundo da água dos nossos olhos cansados, nas malhas da rede que tece nossas vidas, para que te elegêssemos Senhora de nossa esperança, Mãe Imaculada da nossa maculada conceição, da nossa turva história manchada de mal.

Hoje, mais do que nunca, é necessário que apareças no meio do sono brasileiro o nos despertes para a vida, reacendas o nosso sonho, nossa vontade, nossa garra, nossa luta para fazer acontecer o Reino que teu Filho inaugurou entre nós.

Nossa Senhora Aparecida do Brasil, Roga por nós! Amém!


Primeira Leitura - Leitura do Livro do Livro de Ester (Est 5,1b-2; 7,2b-3)


Concede-me a vida do meu povo - eis o meu desejo!


1bEster revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei.
O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada.
2Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo,
olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
7,2bEntão, o rei lhe disse:
"O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça?
Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida".
3Ester respondeu-lhe:
"Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado,
concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!
Palavra do Senhor.


Salmo Responsorial - Salmo 44


Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
"Esquecei vosso povo e a casa paterna!
Que o Rei se encante com vossa beleza!

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
O povo de Tiro vos traz seus presentes,
os grandes do povo vos pedem favores.
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
Majestosa, a princesa real vem chegando,
vestida de ricos brocados de ouro,
Em vestes vistosas ao Rei se dirige,

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!
e as virgens amigas lhe formam cortejo,
entre cantos de festa e com grande alegria,
ingressam, então, no palácio real".
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!


Segunda Leitura - Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 12,1.5.13a.15-16a)


Um grande sinal apareceu no céu.


1Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações
com cetro de ferro.
Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
13aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino.
15A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir.
16aA terra, porém, veio em socorro da mulher.
Palavra do Senhor.


Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 2,1-11)


Fazei o que ele vos disser.


Naquele tempo:
1Houve um casamento em Caná da Galiléia.
A mãe de Jesus estava presente.
2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.
3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse:
"Eles não têm mais vinho".
4"Mulher, por que dizes isto a mim?
Minha hora ainda não chegou."
5Sua mãe disse aos que estavam servindo:
"Fazei o que ele vos disser".
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer.
Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo:
"Enchei as talhas de água".
Encheram-nas até a boca.
8Jesus disse:
"Agora tirai e levai ao mestre-sala".
E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho.
Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse:
"Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom.
Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!"
11Este foi o início dos sinais de Jesus.
Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
Palavra da Salvação.


Comentário - A vinha do Senhor é a casa de Israel  


“Viva a Mãe de Deus e nossa / sem pecado concebida! / Viva a Virgem Imaculada, / a Senhora Aparecida!”.

Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com Aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da Sua vida (cf. Jo 19,26) para ser nossa Mãe.

Em nenhum outro lugar este canto adquire tanta significação e tem tanta intensidade quanto neste lugar onde a Virgem, há mais de dois séculos, marcou um encontro singular com a gente brasileira.

Com razão para aqui se voltam, desde então, os anseios desta gente, aqui pulsa, desde então, o coração católico do Brasil. Meta de incessantes peregrinações vindas de todo o País, está é, como já disse alguém, a “Capital espiritual do Brasil”.

É um momento particularmente emocionante e feliz em meu itinerário brasileiro, este em que convosco, representando aqui todo o povo brasileiro, tenho meu primeiro encontro com a Senhora Aparecida.

2. Li com religiosa atenção, preparando-me espiritualmente para esta romaria à Aparecida, a simples e encantadora narrativa da imagem que aqui veneramos. A inútil labuta dos três pescadores buscando o peixe nas águas do Paraíba, naquele longínquo 1717. O inesperado encontro do corpo e depois da cabeça da pequena imagem de cerâmica enegrecida pelo lodo. A pesca abundante que se seguiu ao achado. O culto, logo iniciado, a Nossa Senhora da Conceição sob as aparências daquela estátua trigueira, carinhosamente chamada “a Aparecida”. As graças de Deus abundantes em favor dos que aqui invocam a Mãe de Deus.

Do primitivo e tosco oratório – o “altar de paus” dos velhos documentos – à Capela que o substituiu e aos vários e sucessivos acréscimos, até à Basílica antiga de 1908, os templos materiais aqui erguidos são sempre obra e símbolo da fé do povo brasileiro e do seu amor para com a Santíssima Virgem.

Depois, são conhecidas as romarias, nas quais tomam parte, no decorrer dos séculos, pessoas de todas as classes sociais e das mais diversas e distantes regiões do País. Foram, no ano passado, mais de cinco milhões e quinhentos mil os peregrinos que por aqui passaram. O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje? Aquilo mesmo que buscavam no dia, mais ou menos remoto, do Batismo: a fé, e os meios de alimentá-la. Buscam os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora, Mãe de Deus e nossa.

3. Multiplicando-se neste lugar as graças e benefícios espirituais, Nossa Senhora da Conceição Aparecida é solenemente coroada em 1904, e, há exatamente 50 anos, em 1930, é declarada Padroeira principal do Brasil. Mais tarde, em 1967, cabe a meu venerável Predecessor Paulo VI conceder a este Santuário a Rosa de Ouro, querendo com tal gesto honrar a Virgem e este lugar sagrado e estimular o culto mariano.

E chegamos aos nossos dias: diante da necessidade de um templo maior e mais adequado ao atendimento de romeiros sempre mais numerosos, o audacioso projeto de uma nova Basílica.

Durante anos de incessante trabalho, a imensa e corajosa empresa que foi a construção do imponente edifício. E hoje, superadas não poucas dificuldades, a esplêndida realidade que podemos contemplar. A ela ficarão ligados muitos nomes de arquitetos e engenheiros, de humildes operários, de generosos benfeitores, de sacerdotes consagrados ao Santuário. Um nome avulsa entre todos e simboliza todos: o do meu irmão Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, grande incentivador deste novo templo, casa materna e solar da Rainha, Nossa Senhora Aparecida.

4. Venho, pois, consagrar esta Basílica, testemunho da fé e devoção mariana do povo brasileiro; e o farei com comovida alegria, após a celebração da Eucaristia.

Este templo é morada do “Senhor dos senhores e Rei dos reis”(cf. Ap 17, 14). Nele, tal a Rainha Ester, a Virgem Imaculada, que “conquistou o coração” de Deus e em quem “grandes coisas” fez o Onipotente (cf. Est 5, 5; Lc 1, 49), não cessará de acolher numerosos filhos e interceder por eles: “Salva meu povo, eis o meu desejo”(cf. Est 7, 3).

O edifício material, que abriga a presença real, eucarística do Senhor, e onde se reúne a família dos filhos de Deus a oferecer com Cristo os “sacrifícios espirituais”, feitos de alegrias e sofrimentos, de esperanças e lutas, é símbolo também de um outro edifício espiritual, em cuja construção somos convidados a entrar como pedras vivas (cf. 1Pd 2, 5). Como dizia Santo Agostinho, “esta é, de fato, a casa das nossas orações: mas nós próprios somos casa de Deus. Somos construídos como casa de Deus neste mundo e seremos dedicados solenemente no fim dos tempos. O edifício, ou melhor, a construção fez-se com fadiga; a dedicação realiza-se com alegria”(cf. S. Agostinho, Sermo 336,1.6: PL 38,1471-72). 

5. Este templo é imagem da Igreja. Igreja que, “à imitação da Mãe do seu Senhor, conserva pela graça do Espírito Santo virginalmente íntegra a fé, sólida a esperança e sincera a caridade” (Lumen Gentium, 64).

Figura desta Igreja é a mulher que o vidante de Patmos contemplou e descreveu no texto do Apocalipse há pouco escutado na segunda leitura. Nesta mulher, coroada de doze estrelas, a piedade popular através dos tempos viu também Maria, a Mãe de Jesus. De resto, como lembrava Santo Ambrósio e como declara a “Lumen Gentium”, Maria é ela própria figura da Igreja.

Sim, amados irmãos e filhos, Maria – a Mãe de Deus – é modero para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que Lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor (cf. Lc 1,32), com uma participação íntima e toda especial na história da Salvação. Pelos méritos de Seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.

Diante da fome de Deus que hoje se adivinha em muitos homens, mas também diante do secularismo que, às vezes imperceptível como o orvalho, outras vezes violento como o ciclone, arresta a tantos, somos chamados a construir Igreja.

6. O pecado retira Deus do lugar centrai que Lhe é devido na história dos homens e na história pessoal de cada homem. Foi a tentação primeira: “E vos tornareis como Deus”(cf. Gen 3, 5). E depois do pecado original, prescindindo de Deus, o homem encontra-se submetido à tensão, esquartejado nas suas opções entre o Amor “que vem do Pai” e “o amor que não vem do Pai, mas do mundo”(cf. 1 Jo 2,15-16) e, pior ainda, o homem torna-se um estranho para si mesmo, optando pela “morte de Deus” que traz em si fatalmente também a morte do homem (cf. João Paulo II, Mensagem Urbi et Orbi para a Páscoa de 1980, 4).

Ao confessar-se “serva do Senhor” (cf. Lc 1,38)  e ao pronunciar o seu “sim”, acolhendo “em seu coração e em seu seio” (cf. S. Agostinho, De Virginitate, 6: PL 40,399). O mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da Salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.

Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia... e de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece” (Lumen Gentium, 60).

7. Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para Aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a “Estrela da Evangelização”, como lhe chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de Salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto inumano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história inumana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da Salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade salvífica.

Por tudo isso, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade (cf. Redemptor Hominis, 22). Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história inumana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria. E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos.

8. O amor e a devoção a Maria, elementos fundamentais na cultura latino-americana (cf. João Paulo II, Homilia no Santuário de Nossa Senhora de "Zapopán”, México, 30 de Janeiro de 1979), são um dos traços característicos da religiosidade do povo brasileiro. Estou certo de que os Pastores da Igreja saberão respeitar esse traço peculiar, cultivá-lo e ajudá-lo a encontrar a melhor expressão, a fim de realizar o rema: chegar “a Jesus por Maria”. Para isso não seria inútil ter presente que a devoção à Mãe de Deus contém uma alma, algo de essencial, encarnada em múltiplas formas externas. O que há de essencial é permanente e inalterável, permanece elemento intrínseco do culto cristão e, se retamente entendido e realizado, constitui na Igreja, como frisava meu Predecessor Paulo VI, “um excelente testemunho de suanorma de ação (lex orandi) e um convite a reavivar nas consciências a sua norma de fé (lex credendi). As formas externas são, por natureza, sujeitas ao desgaste do tempo e, como declarava o mesmo saudoso Paulo VI, precisam de uma constante renovação e atualização, realizadas aliás em total respeito à Tradição”(Paulo VI, Marialis Cultus, 24).

9. E vós, devotos de Nossa Senhora e romeiros de Aparecida, aqui presentes e os que nos acompanham pela rádio e pela televisão: conservai zelosamente este terno e confiante amor à Virgem, que vos caracteriza. Não o deixeis nunca arrefecer! Não seja um amor abstrato, mas incarnado. Sede fiéis àqueles exercícios de piedade mariana tradicionais na Igreja: a oração do Angelus, o mês de Maria e, de maneira toda especial, o Rosário. Quem dera renascesse o belo costume – outrora tão difundido, hoje ainda presente em algumas famílias brasileiras – da reza do terço em família.

Sei que, há pouco tempo, em lamentável incidente, despedaçou-se a pequenina imagem de Nossa Senhora Aparecida. Contaram-me que entre os mil fragmentos foram encontradas intactas as duas mãos da Virgem unidas em oração. O fato vale como um símbolo: as mãos postas de Maria no meio das ruínas são um convite a seus filhos a darem espaço em suas vidas à oração, ao absoluto de Deus, sem o qual tudo o mais perde sentido, valor e eficácia. O verdadeiro filho de Maria é um cristão que reza.

A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escuta) a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galiléia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo d’Ele as graças desejadas.


HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II 
DURANTE A SANTA MISSA NA BASÍLICA NACIONAL DE APARECIDA


 

XXVII Domingo do Tempo Comum (Ano C)

Na Palavra de Deus que hoje nos é proposta, cruzam-se vários temas (a fé, a salvação, a radicalidade do “caminho do Reino”, etc.); mas sobressai a reflexão sobre a atitude correta que o homem deve assumir face a Deus. As leituras convidam-nos a reconhecer, com humildade, a nossa pequenez e finitude, a comprometer-nos com o “Reino” sem cálculos nem exigências, a acolher com gratidão os dons de Deus e a entregar-nos confiantes nas suas mãos.
Na primeira leitura, o profeta Habacuc interpela Deus, convoca-o para intervir no mundo e para pôr fim à violência, à injustiça, ao pecado… Deus, em resposta, confirma a sua intenção de atuar no mundo, no sentido de destruir a morte e a opressão; mas dá a entender que só o fará quando for o momento oportuno, de acordo com o seu projeto; ao homem, resta confiar e esperar pacientemente o “tempo de Deus”.
O Evangelho convida os discípulos a aderir, com coragem e radicalidade, a esse projeto de vida que, em Jesus, Deus veio oferecer ao homem… A essa adesão chama-se “fé”; e dela depende a instauração do “Reino” no mundo. Os discípulos, comprometidos com a construção do “Reino” devem, no entanto, ter consciência de que não agem por si próprios; eles são, apenas, instrumentos através dos quais Deus realiza a salvação. Resta-lhes cumprir o seu papel com humildade e gratuidade, como “servos que apenas fizeram o que deviam fazer”. A segunda leitura convida os discípulos a renovar cada dia o seu compromisso com Jesus Cristo e com o “Reino”. De forma especial, o autor exorta os animadores cristãos a que conduzam com fortaleza, com equilíbrio e com amor as comunidades que lhes foram confiadas e a que defendam sempre a verdade do Evangelho.



Primeira leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura 
O JUSTO VIVERÁ POR SUA FÉ
.

Leitura da Profecia de Habacuc (1,2-3; 2,2-4)


Com frequência encontramos pessoas que nos questionam acerca da relação entre Deus, a sua justiça e a situação do mundo: se Deus existe, como é que Ele pode pactuar com a injustiça e a opressão? Se Deus existe, porque é que há crianças morrendo de câncer ou de fome? Se Deus existe, porque é que os bons sofrem e os maus são compensados com glória, honras e triunfos? Se Deus existe, porquê o sofrimento do inocente? Estas são as questões que, hoje, mais obstaculizam a crença em Deus… A nossa resposta tem de ser o reconhecimento humilde de que os planos de Deus ultrapassam infinitamente a nossa pequenez e finitude e que nós nunca conseguiremos explicar e abarcar os esquemas de Deus…


2Senhor, até quando clamarei,
sem me atenderes?
Até quando devo gritar a ti: 'Violência!',
sem me socorreres?
3Por que me fazes ver iniquidades,
quando tu mesmo vês a maldade?
Destruições e prepotência estão à minha frente;
reina a discussão, surge a discórdia.
2,2Respondeu-me o Senhor, dizendo:
'Escreve esta visão,
estende seus dizeres sobre tábuas,
para que possa ser lida com facilidade.
3A visão refere-se a um prazo definido,
mas tende para um desfecho, e não falhará;
se demorar, espera,
pois ela virá com certeza, e não tardará.
4Quem não é correto, vai morrer,
mas o justo viverá por sua fé'.

 Palavra do Senhor .


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Salmo Responsorial
Sl 94,1-2.6-7.8-9 (R. 8)


Não fecheis o coração, ouvi, hoje, a voz de Deus!

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos o Rochedo que nos salva!
Ao seu encontro caminhemos com louvores,
e com cantos de alegria o celebremos!

Não fecheis o coração, ouvi, hoje, a voz de Deus!

Vinde adoremos e prostremo-nos por terra,
e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!
Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor,
e nós somos o seu povo e seu rebanho,
as ovelhas que conduz com sua mão.

Não fecheis o coração, ouví, hoje, a voz de Deus!

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:
'Não fecheis os corações como em Meriba,
como em Massa, no deserto, aquele dia,
em que outrora vossos pais me provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras'.

Não fecheis o coração, ouvi, hoje, a voz de Deus!


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Segunda Leitura 
NÃO TE ENVERGONHES DE DAR TESTEMUNHO DE NOSSO SENHOR.

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo (1,6-8.13-14)


A interpelação do autor da Segunda Carta a Timóteo dirige-se, antes de mais, a todos aqueles que um dia aceitaram o Batismo e optaram por Cristo… Na verdade, o mundo que nos rodeia apresenta imensos desafios que, muitas vezes, nos desmobilizam do serviço do Evangelho e dos valores de Jesus. É por isso que é preciso redescobrir os fundamentos do nosso compromisso. Quais são os interesses que influenciam a minha vida e que condicionam as minhas opções: os meus gostos pessoais, as indicações da moda, as sugestões da sociedade, ou as exigências e os valores do Evangelho de Jesus?


Caríssimo:
6Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus
que recebeste pela imposição das minhas mãos.
7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez
mas de fortaleza, de amor e sobriedade.
8Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor
nem de mim, seu prisioneiro,
mas sofre comigo pelo Evangelho,
fortificado pelo poder de Deus.
13Usa um compêndio das palavras sadias que de mim ouviste
em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus.
14Guarda o precioso depósito,
com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós.
Palavra do Senhor.


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 Evangelho 
SE VÓS TIVÉSSEIS FÉ.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (17,5-10)


Nós, homens, somos, com frequência, muito cuidados dos nossos direitos, dos nossos créditos, daquilo que nos devem pelas nossas boas ações. Quando transportamos isto para a relação com Deus, construímos um deus que não é mais do que um contabilista, que escreve nos seus livros os nossos créditos e os nossos débitos, a fim de nos pagar religiosamente, de acordo com os nossos merecimentos… Na realidade - diz-nos o Evangelho de hoje - não podemos exigir nada de Deus: existimos para cumprir, humildemente, o papel que Ele nos confia, para acolher os seus dons e para O louvar pelo seu amor. É nesta atitude que o discípulo de Jesus deve estar sempre.


Naquele tempo:
5Os apóstolos disseram ao Senhor:
'Aumenta a nossa fé!'
6O Senhor respondeu:
'Se vós tivésseis fé,
mesmo pequena como um grão de mostarda,
poderíeis dizer a esta amoreira:
`Arranca-te daqui e planta-te no mar',
e ela vos obedeceria.
7Se algum de vós tem um empregado
que trabalha a terra ou cuida dos animais,
por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo:
'Vem depressa para a mesa?'
8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado:
'Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me,
enquanto eu como e bebo;
depois disso tu poderás comer e beber?'
9Será que vai agradecer ao empregado,
porque fez o que lhe havia mandado?
10Assim também vós:
quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram,
dizei: 'Somos servos inúteis;
fizemos o que devíamos fazer'.'
Palavra da Salvação.


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Comentário
SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ


Quando era pequeno, me disseram que fé é “CRER NO QUE NÃO SE VÊ”. Então, como podiam falar os apóstolos de fé? Como podiam pedir a Jesus que lhes “aumentasse a fé”? Eles viam Jesus. Não precisavam da fé para crer que Jesus era Jesus. Além disso, viam Jesus fazer milagres, escutavam suas palavras. SERÁ QUE NÃO PRECISAVAM DA FÉ?

A realidade é muito diferente. A fé é precisamente “CRER NO QUE NÃO SE VÊ”. E os apóstolos não viam para além de um homem que fazia coisas extraordinárias, algumas das quais não eram capazes de entender. A fé os convidava para ir para além, para experimentar a presença de Deus naquele homem. O mesmo passa com as relações humanas. Podemos demonstrar que dois e dois são quatro, mas como demonstrar a amizade ou o amor entre duas pessoas? Aí não nos podemos servir mais do que de indícios, de pistas, a maneira como se tratam, a forma como atuam, a persistência no tempo da relação, a superação das dificuldades... Dito com um exemplo, quando dois apaixonados se olham nos olhos e se dizem que se querem, cada um deles crê no outro porque a verdade é que não têm uma prova confiável de que essas palavras sejam algo mais que palavras. Desgraçadamente não seria a primeira vez que uma pessoa engana a outra. Por isso, primeiramente toda relação humana é sempre uma relação de fé, de confiança. Confiamos em que o outro não nos engana. Cremos nele.

O mesmo pode ser dito da fé em Deus. Não se trata de aceitar umas verdades impossíveis de compreender e dizer “vale, aceito”. Não se trata de conversar com as rodas do moinho. Trata-se de experimentar a presença de Deus, de sentir presente na minha vida, na vida dos irmãos e irmãs, na vida da Igreja, no mundo, na criação, e confiar que essa presença é uma presença bondosa, feita de amor e misericórdia, que deseja nossa liberdade, nosso bem, nossa felicidade.

Mas às vezes nossa fé decai. Essa relação de confiança conhece momentos de debilidade, de receio, de suspeita. Então sentimo-nos desanimados, sem forças. O amor de Deus que sentíamos que enchia nosso coração de força e entusiasmo se desvanece. O compromisso por ser melhores, por ajudar aos necessitados, por amar aos que vivem conosco, por perdoar sem medida, como Deus nos perdoa, fraqueja. Todos nós experimentamos alguma vez esses sentimentos de dúvida, de perda da confiança.

Aí vem o pedido dos apóstolos. “SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ”. É o texto de Paulo que nos diz: “Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste... Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade”.

Senti-me alguma vez desanimado em minha vida cristã? Orei nesse momento pedindo a Deus que me “aumente a fé”? Confio realmente em Deus, em que ele me oferece seu perdão e seu amor para mim e para meus irmãos e irmãs?


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XXVI DOMINGO Tempo Comum (Ano C)

A liturgia deste domingo propõe-nos, de novo, a reflexão sobre a nossa relação com os bens deste mundo… Convida-nos a vê-los, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.
Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo à custa da exploração dos pobres e que não se preocupa minimamente com o sofrimento e a miséria dos humildes. O profeta anuncia que Deus não vai pactuar com esta situação, pois este sistema de egoísmo e injustiça não tem nada a ver com o projeto que Deus sonhou para os homens e para o mundo.
O Evangelho apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens… Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens… Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado.
A segunda leitura não apresenta uma relação direta com o tema deste domingo… Traça o perfil do “homem de Deus”: deve ser alguém que ama os irmãos, que é paciente, que é brando, que é justo e que transmite fielmente a proposta de Jesus. Poderíamos, também, acrescentar que é alguém que não vive para si, mas que vive para partilhar tudo o que é e que tem com os irmãos?


 


Primeira Leitura  
Salmo Responsorial    
Segunda Leitura   
Evangelho   
Comentário


Primeira Leitura  
Leitura da Profecia de Amós 6,1a.4-7


Convém aplicarmos o questionamento que a mensagem de Amós exige a nós próprios… Muito provavelmente, não frequentamos as festas do jet-set, nem usamos dinheiros públicos para pagar os nossos divertimentos e esbanjamentos… Mas, em uma escala muito menor, não teremos os mesmos vícios que Amós denuncia nesta classe rica e ociosa? Não nos deixamos, às vezes, arrastar pelo desejo de ter, comprando coisas supérfluas e impondo sacrifícios à família para pagar as nossas manias de grandeza? Não gastamos, às vezes, de forma descontrolada, para pagar os nossos pequenos vícios, sem pensar nas necessidades daqueles que dependem de nós? )


Assim diz o Senhor todo-poderoso:

1aAi dos que vivem despreocupadamente em Sião,
os que se sentem seguros nas alturas de Samaria!
4Os que dormem em camas de marfim,
deitam-se em almofadas,
comendo cordeiros do rebanho
e novilhos do seu gado;
5os que cantam ao som das harpas,
ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais;
6os que bebem vinho em taças,
e se perfumam com os mais finos ungüentos
e não se preocupam com a ruína de José.
7Por isso, eles irão agora
para o desterro, na primeira fila,
e o bando dos gozadores será desfeito.
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial 
Sl 145,7.8-9a.9bc-10 (R.1)


Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!

 O Senhor é fiel para sempre,
faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos,
é o Senhor quem liberta os cativos.

Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!

O Senhor abre os olhos aos cegos
o Senhor faz erguer-se o caído;
o Senhor ama aquele que é justo
É o Senhor quem protege o estrangeiro.

Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!

Ele ampara a viúva e o órfão
mas confunde os caminhos dos maus.
O Senhor reinará para sempre!
Ó Sião, o teu Deus reinará
para sempre e por todos os séculos!

Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!


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Segunda leitura 
Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo 6,11-16


O retrato aqui esboçado do “homem de Deus” define os traços do verdadeiro crente: ele é alguém que vive com entusiasmo a sua fé, que ama os irmãos (que trata todos com doçura, com paciência, com mansidão) e que dá testemunho da verdadeira doutrina de Jesus, sem se deixar seduzir e desviar pelas modas ou pelos interesses próprios. Identificamo-nos com este modelo?


 11Tu que és um homem de Deus,
foge das coisas perversas,
procura a justiça, a piedade, a fé,
o amor, a firmeza, a mansidão.
12Combate o bom combate da fé,
conquista a vida eterna,
para a qual foste chamado
e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé
diante de muitas testemunhas.
13Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas,
e de Cristo Jesus,
que deu o bom testemunho da verdade
perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno:
14guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até
à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo.
15Esta manifestação será feita no tempo oportuno
pelo bendito e único Soberano,
o Rei dos reis e Senhor dos senhores,
16o único que possui a imortalidade
e que habita numa luz inacessível,
que nenhum homem viu, nem pode ver.
A ele, honra e poder eterno. Amém.
Palavra do Senhor.


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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 16,19-31


Por muito pobres que sejamos, devemos continuamente interrogar-nos para perceber se não temos um “coração de rico” – isto é, para perceber se a nossa relação com os bens não é uma relação egoísta, açambarcadora, exclusivista (há “pobres” cujo sonho é, apenas, levar uma vida igual à dos ricos). E não esqueçamos: é a Palavra de Deus que nos questiona continuamente e que nos permite a mudança de um coração egoísta para um coração capaz de amar e de partilhar.


Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus:
19'Havia um homem rico,
que se vestia com roupas finas e elegantes
e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas,
estava no chão à porta do rico.
21Ele queria matar a fome
com as sobras que caíam da mesa do rico.
E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu,
os anjos levaram-no para junto de Abraão.
Morreu também o rico e foi enterrado.
23Na região dos mortos, no meio dos tormentos,
o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão,
com Lázaro ao seu lado.
24Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim!
Manda Lázaro molhar a ponta do dedo
para me refrescar a língua,
porque sofro muito nestas chamas'.
25Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te
que tu recebeste teus bens durante a vida
e Lázaro, por sua vez, os males.
Agora, porém, ele encontra aqui consolo
e tu és atormentado.
26E, além disso, há um grande abismo entre nós:
por mais que alguém desejasse,
não poderia passar daqui para junto de vós,
e nem os daí poderiam atravessar até nós'.
27O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico,
manda Lázaro à casa do meu pai,
28porque eu tenho cinco irmãos.
Manda preveni-los, para que não venham também eles
para este lugar de tormento'.
29Mas Abraão respondeu:
'Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!'
30O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão,
mas se um dos mortos for até eles,
certamente vão se converter'.
31Mas Abraão lhe disse:
`Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas,
eles não acreditarão,
mesmo que alguém ressuscite dos mortos'.'
Palavra da Salvação.


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Comentário
Aconteceu que morreu o mendigo


Queridos irmãos:

Há um mendigo na porta, (da paróquia, do supermercado…), tem nome, chama-se Lázaro. O chamar pelo nome é muito, suponho que alguma vez parei, não só lhe joguei umas moedas distraidamente, mais aprendi o seu nome. É verdade que dar uma esmola ao que está na rua, não faz senão reproduzir a mendicidade, mas também é verdade que se aproximar, perguntar por suas chagas, é iniciar um caminho em busca da dignidade.

O rico (ao qual chamamos Epulón, embora o evangelista não lhe de nome, coisas de São Lucas), não faz mal algum, ainda que pense que os bens de que desfruta, são sinal da bênção de Deus para os justos e a pobreza é a doença, são sinais da maldição de Deus para os pecadores. A parábola fala-nos de algo mais forte, primeiro da insensibilidade ante o sofrimento. A boa vida, a abundância: “o linho e o púrpura”, costumam-nos fazer cegos ante a dor alheia.

O segundo, é que Jesus conta a parábola no enquadramento do Julgamento de Deus, na mesma linha da primeira leitura de Amós: “Pois encabeçarão a corda de cativos e se acabará a orgia dos dissolutos”. Visto como se propõe, parece que a pobreza salva automaticamente e a riqueza condena: “Aconteceu que morreu o mendigo, e os anjos o levaram ao seio de Abraham. Morreu o rico e enterraram-no. E, estando no inferno...”. Mas o Julgamento de Deus, não é um julgamento para a outra vida (esta é a acusação que se faz aos cristãos, de se alienar com as promessas para o outro mundo), é para aqui e agora.

Se Jesus põe este exemplo, é porque quer a justiça já, por isso seu constante chamado à conversão. Esta não chegará se os ricos, não mudarem de conduta, não se escapem, somos todos nós, embora não tenhamos grandes contas no banco. Por isso devemos nos lembrar, que Deus, é o Deus dos pobres e que terá um Julgamento final, (ler Mateus 25), para a salvação e a condenação. Não vale dizer é inevitável, sempre teve ricos e pobres, não pode ser feito nada, a igualdade é impossível, essas justificativas não servem.

Diz um refrão: “Dize-me com quem anda e te direi quem és”, acho que não é preciso lembrar, que o Julgamento de Deus, não são nossos julgamentos de homem, nem inclusive os da Igreja. Em demasiadas ocasiões somos muito benevolentes com os corruptos, defraudadores, exploradores e pouco com os homossexuais, ou divorciados que voltam a casar, a estes negamos a comunhão e aos outros não. Jesus no evangelho, costumava andar com estes que nós consideramos que mancham nossos princípios sagrados, com os Lázaros.

Cada Eucaristia, como a que estamos celebrando hoje, é um banquete, onde devem caber todos aqueles com os quais se juntava o Mestre. As coisas são muito simples: pão e vinho e uma comunidade a seu redor. Mas seu sentido é precioso, é o sinal da família de Deus. Em um dia terá mesa, sítio, pão, alegria e desfruto para todos. Os mendigos não estarão sentados na porta e se lutará para que todos tenham trabalho e dignidade. Não é nada evidente, que o Reino, nos reúna a todos nesta mesa, mas é o que Deus quer, nos pede e espera.

A Palavra de Deus é clara: “Se não escutam a Moisés e aos profetas, não farão caso nem embora ressuscite um morto”, o morto ressuscitou: é Jesus. Ele não quer a injustiça, a exploração, a desigualdade, o domínio de uns sobre outros. Lutar pela igualdade, por encurtar as diferenças entre ricos e pobres, estar com os excluídos, os descartados, é a tarefa de nossas paroquias. Tudo é desafio para o exercício da caridade na Igreja.


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