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Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe n
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A Palavra

Assunção de Nossa Senhora (Solenidade)

Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja.
Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria!

A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.
Segunda leitura: Maria, nova Eva.
Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. 
Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!



Primeira Leitura
Salmo
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
APARECEU NO CÉU UM GRANDE SINAL.
Leitura do Livro do Apocalipse de São João (Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab))


19aAbriu-se o Templo de Deus que está no céu
e apareceu no Templo a arca da Aliança.
12,1Então apareceu no céu um grande sinal:
uma mulher vestida de sol,
tendo a lua debaixo dos pés
e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
2Estava grávida
e gritava em dores de parto,
atormentada para dar à luz.
3Então apareceu outro sinal no céu:
um grande Dragão, cor de fogo.
Tinha sete cabeças e dez chifres
e, sobre as cabeças, sete coroas.
4Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu,
atirando-as sobre a terra.
O Dragão parou diante da Mulher
que estava para dar à luz,
pronto para devorar o seu Filho,
logo que nascesse.
5E ela deu à luz um filho homem,
que veio para governar todas as naçðes
com cetro de ferro.
Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
6aA mulher fugiu para o deserto,
onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
10abOuvi então uma voz forte no céu, proclamando:
"Agora realizou-se a salvação,
a força e a realeza do nosso Deus,
e o poder do seu Cristo".
Palavra do Senhor.


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Salmo Responsorial

À VOSSA DIREITA SE ENCONTRA A RAINHA,
COM VESTE ESPLENDENTE DE OURO DE OFIR.

Sl 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)


À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.As filhas de reis vêm ao vosso encontro,
e à vossa direita se encontra a rainha
com veste esplendente de ouro de Ofir.
À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
“Esquecei vosso povo e a casa paterna!
Que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.
Entre cantos de festa e com grande alegria,
ingressam, então, no palácio real”.
À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir.


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Segunda Leitura

ENTREGARÁ A REALEZA A DEUS-PAI,
PARA QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS.

Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,20-26.28)


Irmãos:
20Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos
como primícias dos que morreram.
21Com efeito, por um homem veio a morte e é também
por um homem que vem a ressurreição dos mortos.
22Como em Adão todos morrem,
assim também em Cristo todos reviverão.
23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada:
Em primeiro lugar, Cristo, como primícias;
depois, os que pertencem a Cristo,
por ocasião da sua vinda.
24A seguir, será o fim,
quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois
de destruir todo principado e todo poder e força.
25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus
inimigos estejam debaixo de seus pés.
26O último inimigo a ser destruído é a morte.
28E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele,
então o próprio Filho se submeterá
àquele que lhe submeteu todas as coisas,
para que Deus seja tudo em todos.
Palavra do Senhor.


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Evangelho
COMO POSSO MERECER QUE A MÃE DO MEU SENHOR VENHA VISITAR-ME?
Proclamação do Evangelho segundo Lucas (1,39-56)


39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito, exclamou:
"Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!"
43Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
45Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu".
46Maria disse:
"A minha alma engrandece o Senhor,
47e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,
48pois, ele viu a pequenez de sua serva,
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49O Poderoso fez por mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
50Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que o respeitam.
51Demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos.
52Derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou.
53De bens saciou os famintos
despediu, sem nada, os ricos.
54Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
55como havia prometido aos nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre".
56Maria ficou três meses com Isabel;
depois voltou para casa.
Palavra da Salvação.

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Comentário
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!


A hodierna Liturgia põe-nos diante do fúlgido ícone da Assunção da Virgem ao céu, na integridade da alma e do corpo. No esplendor da glória celeste brilha Aquela que, em virtude da sua humildade, se fez grande diante do Altíssimo, a ponto de todas as gerações a chamarem bem-aventurada (cf. Lc 1, 48). Agora senta-se como Rainha ao lado do Filho, na eterna bem-aventurança do paraíso e do Alto olha para os seus filhos.
Com esta consoladora certeza, dirigimo-nos a Ela e invocamo-la para aqueles que são os seus filhos: para a Igreja e para toda a humanidade, a fim de que todos, imitando-a no fiel seguimento de Cristo, possam alcançar a pátria definitiva do céu.
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!.
Primeira entre os remidos pelo sacrifício pascal de Cristo, hoje Maria resplandece como Rainha de todos nós, peregrinos rumo à vida imortal.
N'Ela, que foi elevada ao céu, é-nos manifestado o eterno destino que nos aguarda para além do mistério da morte: destino de felicidade total, na glória divina. Esta perspectiva sobrenatural sustém a nossa peregrinação quotidiana. Maria é a nossa Mestra de vida. Olhando para Ela, compreendemos melhor o valor relativo das grandezas terrenas e o pleno sentido da nossa vocação cristã.
Desde o nascimento até à gloriosa Assunção, a sua existência desenrolou-se ao longo do itinerário da fé, da esperança e da caridade. São estas as virtudes, florescidas em um coração humilde e abandonado à vontade de Deus, que adornam a sua preciosa e incorruptível coroa de Rainha. São estas as virtudes que o Senhor pede a cada fiel, para o admitir na glória da Sua própria Mãe.
O texto do Apocalipse, há pouco proclamado, fala do enorme dragão vermelho que representa a perene tentação que se apresenta ao homem: preferir o mal ao bem, a morte à vida, o prazer fácil do desempenho à exigente mas saciante via de santidade para a qual cada homem foi criado. Na luta contra «o grande Dragão... a antiga Serpente, o Diabo ou Satanás, como lhe chamam, o sedutor do mundo inteiro» (Ap 12, 9), aparece o grandioso sinal da Virgem vitoriosa, Rainha de glória, sentada à direita do Senhor.
E nesta luta espiritual, a sua ajuda à Igreja é determinante para alcançar a vitória definitiva contra o mal.
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!
Maria brilha sobre a terra, «enquanto não chegar o dia do Senhor... como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do povo peregrinante de Deus» (Lumen gentium, 68). Como Mãe solícita de todos, sustém o esforço dos crentes e encoraja-os a perseverar no empenhamento. Penso aqui de maneira muito particular nos jovens, que estão mais expostos ao fascínio e às tentações de mitos efémeros e de falsos mestres.
Queridos irmãos, olhai para Maria e invocai-a com confiança!  Maria ajudar-vos-á a sentir-vos parte integrante da Igreja, encorajando-vos a não ter medo de assumir as vossas responsabilidades de testemunhas credíveis do amor de Deus.
Hoje, a Virgem elevada ao céu mostra-vos aonde conduzem o amor e a plena fidelidade a Cristo na terra: até à alegria eterna do céu.
Maria, Mulher revestida de sol, diante dos inevitáveis sofrimentos e das dificuldades quotidianas, ajuda-nos a fixar o olhar em Cristo.
Ajuda-nos a não ter medo de O seguir até ao fim, mesmo quando o peso da Cruz nos parecer excessivo. Faz-nos compreender que só este é o caminho que leva ao ápice da salvação eterna.
E do céu, onde resplandeces como Rainha e Mãe de misericórdia, vela sobre cada um dos teus filhos.

Orienta-os a amar, adorar e servir a Jesus, o bendito fruto do teu seio, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!


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XIX Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XIX Domingo do Tempo Comum mostra, uma vez mais, a preocupação de Deus em oferecer aos homens o “PÃO” da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da autossuficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.
A primeira leitura mostra como Deus Se preocupa em oferecer aos seus filhos o alimento que dá vida. No “pão cozido sobre pedras quentes” e na “bilha de água” com que Deus retempera as forças do profeta Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo.
O Evangelho apresenta Jesus como o “PÃO” vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse “PÃO” sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é necessário “acreditar”, isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projeto, segui-l’O no “SIM” a Deus e no amor aos irmãos.
A segunda leitura mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o “PÃO” da vida… Quando alguém acolhe Jesus como o “PÃO” que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver na caridade, a exemplo de Cristo.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência 

Primeira Leitura
O COM A FORÇA QUE LHE DEU AQUELE ALIMENTO,
CAMINHOU ATÉ AO MONTE DE DEUS.
Leitura do Primeiro Livro dos Reis (19,4-8)

Naqueles dias:
4Elias entrou deserto adentro e caminhou o dia todo.
Sentou-se finalmente debaixo de um junípero
e pediu para si a morte, dizendo:
'Agora basta, Senhor! Tira a minha vida,
pois não sou melhor que meus pais'.
5E, deitando-se no chão, adormeceu à sombra do junípero.
De repente, um anjo tocou-o e disse:
'Levanta-te e come!'
6Ele abriu os olhos e viu junto à sua cabeça
um pão assado debaixo da cinza e um jarro de água.
Comeu, bebeu e tornou a dormir
7Mas o anjo do Senhor veio pela segunda vez,
tocou-o e disse:
'Levanta-te e come!
Ainda tens um caminho longo a percorrer'.
8Elias levantou-se, comeu e bebeu,
e, com a força desse alimento,
andou quarenta dias e quarenta noites,
até chegar ao Horeb, o monte de Deus.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - No quadro que o texto nos apresenta, Elias aparece como um homem vencido pelo medo e pela angústia, marcado pela decepção e pelo desânimo, que experimentou dramaticamente a sua impotência no sentido de mudar o coração do seu Povo e que, por isso, desistiu de lutar; a sua desilusão é de tão grande, que ele prefere morrer a ter de continuar. “Este” Elias testemunha essa condição de fragilidade e de debilidade que está sempre presente na experiência profética. É um quadro que todos nós conhecemos bem… A nossa experiência profética está, muitas vezes, marcada pelas incompreensões, pelas calúnias, pelas perseguições; outras vezes, é o sentimento da nossa impotência no sentido de mudar o mundo que nos angustia e desanima; outras vezes ainda, é a constatação da nossa fragilidade, dos nossos limites, da nossa finitude que nos assusta… Como responder a um quadro deste tipo e como encarar esta experiência de fragilidade e de debilidade? A solução será cruzar os braços e abandonar a luta? Quem pode ajudar-nos a enfrentar o drama da desilusão e da decepção?

2 -  Como nota periférica, atentemos na forma de atuar de Deus: Ele não resolve magicamente os problemas do profeta, nem Se coloca como profeta… O profeta deve continuar a sua missão, enfrentando os mesmos problemas de sempre; mas Deus “apenas” alimenta o profeta, dando-lhe a coragem para continuar a sua missão. Por vezes, pedimos a Deus que nos resolva milagrosamente os problemas, com um golpe mágico, enquanto nós ficamos de braços cruzados, olhando para o céu… O nosso Deus não Se coloca no lugar do homem, não ocupa o nosso lugar, não estimula com a sua ação a nossa preguiça e a nossa acomodação; mas está ao nosso lado sempre que precisamos d’Ele, dando-nos a força para vencer as dificuldades e indicando-nos o caminho a seguir.

3 - A “peregrinação” de Elias ao Horeb para se reencontrar com as origens da fé israelita e para recarregar as baterias espirituais, sugere-nos a necessidade de, por vezes, encontrarmos momentos de “paragem”, de reflexão, de “RETIRO”, de reencontro com Deus, de redescoberta dos fundamentos da nossa missão… Essa “paragem” não será nunca um tempo perdido; mas será uma forma de centrar a nossa vida em Deus e de redescobrirmos os desafios que Deus nos faz, no âmbito da missão que nos confiou.


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Salmo Responsorial
PROVAI E VEDE QUÃO SUAVE É O SENHOR! 
Sl 33,2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a)


Provai e vede quão suave é o Senhor!

2Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,
seu louvor estará sempre em minha boca.
3Minha alma se gloria no Senhor;
que ouçam os humildes e se alegrem!

Provai e vede quão suave é o Senhor!

4Comigo engrandecei ao Senhor Deus,
exaltemos todos juntos o seu nome!
5Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,
e de todos os temores me livrou.

Provai e vede quão suave é o Senhor!

6Contemplai a sua face e alegrai-vos,
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
7Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,
e o Senhor o libertou de toda angústia.

Provai e vede quão suave é o Senhor!

8O anjo do Senhor vem acampar
ao redor dos que o temem, e os salva.
9Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

Provai e vede quão suave é o Senhor!


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Segunda Leitura
VIVEI NO AMOR, A EXEMPLO DE CRISTO.
Leitura da Leitura da Carta de Paulo aos (Efésios 4,30 – 5,2)


Irmãos:
30Não contristeis o Espírito Santo
com o qual Deus vos marcou como com um selo
para o dia da libertação.
31Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias,
tudo isso deve desaparecer do meio de vós,
como toda espécie de maldade.
32Sede bons uns para com os outros,
sede compassivos;
perdoai-vos mutuamente,
como Deus vos perdoou por meio de Cristo.
5,1Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama.
2Vivei no amor, como Cristo nos amou
e se entregou a si mesmo a Deus por nós,
em oblação e sacrifício de suave odor.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - Pelo Batismo, os cristãos tornam-se filhos amados de Deus e passam a integrar a comunidade de Deus. O Batismo não é, portanto, uma tradição familiar, um rito cultural, ou uma obrigação social; mas é um momento sério de opção por Deus e de compromisso com os valores de Deus. Tenho consciência de que me comprometi com a família de Deus e que devo viver como filho de Deus? Tenho consciência de que assumi o compromisso de testemunhar no mundo, com os meus gestos e atitudes, os valores de Deus? Tenho consciência de que devo, portanto, procurar ser perfeito “como o Pai do céu é perfeito” (cf. Mt 5,48)?

2 - Para os batizados, o modelo do “Filho amado de Deus” que cumpre absolutamente os planos do Pai, é Jesus… A vida de Jesus concretizou-se na contínua escuta dos projetos do Pai e no amor total aos homens. Esse amor (que teve a sua expressão máxima na cruz) expressou-se sempre em gestos de entrega aos homens, de serviço humilde aos irmãos, de dom de Si próprio, de acolhimento de todos os marginalizados, de bondade sem fronteiras, de perdão sem limites… Dessa forma, Jesus foi o paradigma do Homem Novo, o modelo que Deus propõe a todos os outros seus filhos. Como é que me situo frente a esse “modelo” que é Jesus? Como Ele, vivo numa atenção constante às propostas de Deus e disposto a responder positivamente aos seus desafios? Como Ele, estou disposto a despir-me do egoísmo, a caminhar na caridade e a fazer da minha vida um dom total aos irmãos?

3 - Seguir Cristo e ser um Homem Novo implica, na perspectiva de Paulo, assumir uma nova atitude nas relações com os irmãos. O apóstolo chega a especificar que o azedume, a irritação, os rancores, os insultos, as violências, a inveja, os orgulhos mesquinhos devem ser totalmente banidos da vida dos cristãos. Esses “vícios” são manifestações do “homem velho” que não cabem na existência de um “FILHO DE DEUS”, cuja vida foi marcada com o selo do Espírito. É necessário que estejamos cientes desta realidade: quando na nossa vida pessoal ou comunitária nos deixamos levar pelo rancor, pelo ciúme, pelo ódio, pela violência, pela mesquinhez e magoamos os irmãos que nos rodeiam, estamos sendo incoerentes com o compromisso que assumimos no dia do nosso Batismo e cortando a nossa relação com a família de Deus.


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Evangelho
EU SOU O PÃO QUE DESCEU DO CÉU.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (6,41-51


Naquele tempo:

41Os judeus começaram a murmurar
a respeito de Jesus, porque havia dito:
'Eu sou o pão que desceu do céu'.
42Eles comentavam:
'Não é este Jesus, o filho de José?
Não conhecemos seu pai e sua mãe?
Como então pode dizer que desceu do céu?'
Jesus respondeu:
'Não murmureis entre vós.
44Ninguém pode vir a mim,
se o Pai que me enviou não o atrai.
E eu o ressuscitarei no último dia.
45Está escrito nos Profetas:
`Todos serão discípulos de Deus.'
Ora, todo aquele que escutou o Pai
e por ele foi instruído, vem a mim.
46Não que alguém já tenha visto o Pai.
Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai.
47Em verdade, em verdade vos digo,
quem crê, possui a vida eterna.
48Eu sou o pão da vida.
49Os vossos pais comeram o maná no deserto
e, no entanto, morreram.
50Eis aqui o pão que desce do céu:
quem dele comer, nunca morrerá.
51Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei
é a minha carne dada para a vida do mundo'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Repetindo o tema central do texto que refletimos no domingo passado, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o “PÃOde Deus que desceu do céu para dar a vida aos homens… Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um fato que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d’Ele que construímos a nossa existência? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?

2 - “Quem acredita em Mim, tem a vida eterna”, no diz Jesus. “Acreditar” não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, ou conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem… “ACREDITAR” é aderir, de fato, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l’O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida – como Ele fez da sua – uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objetividade, que “acredito” em Jesus?

3 - No seu discurso, Jesus faz referência ao maná como um alimento que matou a fome física dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que não lhes deu a vida definitiva, não lhes transformou os corações, não lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (só o “PÃO” que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O maná pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa atenção e o nosso interesse, mas que se revelam falíveis, ilusórias, parciais, porque não nos libertam da escravidão nem geram vida plena. É preciso aprendermos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança no “pão” que não sacia a nossa fome de vida definitiva; é necessário aprendermos a discernir entre o que é ilusório e o que é eterno; é preciso aprendermos a não nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realização e de felicidade; é necessário aprendermos a não nos deixarmos manipular, aceitando como “pão” verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opinião pública dominante continuamente nos oferecem…

4 - Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-l’O como “o pão que desceu do céu”? Porque vivem instalados nas suas certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta “doença” de que padecem os líderes e “fazedores” de opinião do mundo judaico não é assim tão rara… Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.


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Comentário
A SURPRESA DE DEUS


Jesus não só oferece aos judeus o pão para se alimentar fisicamente. Fala-lhes do pão que dá a verdadeira vida. Jesus está oferecendo a ressurreição. Dizendo que o antigo anseio de toda pessoa de viver e viver para sempre e em plenitude não é só um sonho. É uma promessa real para os que creem e O aceitam como enviado de Deus.

Mas Jesus é barrado por um muro difícil de ultrapassar: a incredulidade dos judeus. Eles já o conhecem. Sabem perfeitamente que é o filho de José, o carpinteiro. Conhecem seu povo e sua família. Não há nada que fazer. Eles já sabem como vai ser o Messias que Deus enviou. Seus longos momentos de estudo sobre as Escrituras Santas deram seu fruto. Não há surpresas possíveis. Deus tem seus caminhos marcados e eles já os conhecem. Por isso são incapazes de aceitar a novidade que está presente em Jesus. Jesus não se adapta ao modelo que eles conhecem. Jesus não cumpre todos os requisitos necessários para ser o Messias.

No fundo, os judeus aos que Jesus se dirige neste Evangelho não deixam resquício para a suprema liberdade de Deus. As Escrituras não eram para eles um caminho que lhes abrisse à imensidão do mistério senão um manual que Deus mesmo se via obrigado a obedecer.

Mas resulta que Deus é imensamente livre. E sua vontade de salvar os homens manifesta-se de muitos modos e maneiras. Quase sempre de modos diferentes aos quais nós esperamos ou desejamos. Mas em todo caso testemunhando seu amor infinito por cada um de nós.  

A fé podia ser imaginada como um rosto com os olhos bem abertos e cheios de surpresa. Com o olhar voltado em direção ao horizonte, além do que é fisicamente visível. A pessoa que vive na fé assemelha-se ao vigia que continuamente observa o horizonte na expectativa da próxima novidade. Nós não encontramos o nosso Deus no passado, mas ele se aproxima de nós no futuro, no nosso futuro. Lá encontramos o procurado. Mas devemos estar com os olhos bem abertos, porque talvez não o reconheçamos da primeira vez. E há o perigo de que sua presença passe despercebida. A vida que Jesus nos oferece está além de nossas possibilidades. Como os judeus, poderíamos rejeitá-lo como impossível, mas, para aqueles que, baseados na fé, vivem na esperança, a salvação de Deus torna-se uma experiência diária e cotidiana.


Para a reflexão


Onde temos posto o olhar? Ficamos na pequenez de nossos problemas e de nossa vida cotidiana? Ou somos capazes de abrir os olhos e nos deixar surpreender pela presença salvadora de Deus em tantos momentos e em tantas pessoas com quais nos encontramos?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf
Liturgia Diária - CNBB
Dehonianos  


 

 

XVIII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XVIII Domingo do Tempo Comum repete, no essencial, a mensagem das leituras do domingo passado. Assegura-nos que Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva.

A primeira leitura dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A ação de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores.

No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “PÃO” da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “PÃO” - isto é, que escutem as palavras que Ele diz e que as acolham no coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta.

A segunda leitura nos diz que a adesão a Jesus implica em deixar de ser homem velho e passar a ser homem novo. Aquele que aceita Jesus como o “PÃO” que dá vida e adere a Ele, passa a ser outra pessoa. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar frente a Deus, frente aos irmãos, frente a si próprio e frente ao mundo.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência

 

Primeira Leitura
EU FAREI CHOVER PARA VÓS O PÃO DO CÉU.
Leitura do
Livro do Êxodo (16,2-4.12-16)


Naqueles dias:
2A comunidade dos filhos de Israel pôs-se a
murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo:
3'Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor
no Egito, 
quando nos sentávamos junto às panelas de carne
e comíamos pão com fartura!
Por que nos trouxestes a este deserto
para matar de fome a toda esta gente?'
4O Senhor disse a Moisés:
'Eis que farei chover para vós o pão do céu.
O povo sairá diariamente
e só recolherá a porção de cada dia
a fim de que eu o ponha à prova,
para ver se anda ou não na minha lei.
12'Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel.
Dize-lhes, pois:
'Ao anoitecer, comereis carne,
e pela manhã vos fartareis de pão.
Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus' '.
13Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes
e cobriu o acampamento;
e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho
ao redor do acampamento.
14Quando se evaporou o orvalho que caíra,
apareceu na superfície do deserto
uma coisa miúda, em forma de grãos,
fina como a geada sobre a terra.
15Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si:
'Que é isto?' Porque não sabiam o que era.
Moisés respondeu-lhes:
'Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - Mais uma vez, a Palavra de Deus que nos é proposta nos mostra a preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A ação de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores. Para Deus, “ALIMENTAR” o Povo é ajudá-lo a descobrir os caminhos que conduzem à felicidade e à vida verdadeira. O Deus em quem acreditamos é o mesmo Deus que, no deserto, ofereceu a Israel a possibilidade de libertar-se de uma mentalidade de escravo e de descobrir o caminho para a vida nova da liberdade e da felicidade… Ele vai conosco ao longo da nossa caminhada pelo deserto da vida, vê as nossas necessidades, conhece os nossos limites, percebe a nossa tendência para o egoísmo e o comodismo e, em cada dia, aponta-nos caminhos novos, convida-nos a ir mais além, mostra-nos como podemos chegar à terra da liberdade e da vida verdadeira.

2 - As “saudades” que os israelitas sentem do Egito, onde estavam “sentados junto de panelas de carne” e tinham “pão com fartura”, revela a realidade de um Povo acomodado à escravidão, instalado tranquilamente numa vida sem perspectivas e sem saída, incapaz de arriscar, de enfrentar o novo, de saia da zona de conforto e aceitar a liberdade que se constrói na luta e no risco. Esta mentalidade de escravidão continua bem viva no nosso mundo… É a mentalidade daqueles que vivem obcecados pelo “ter” e que são capazes de renunciar à sua própria dignidade para acumular bens materiais; é a mentalidade daqueles que trocam valores importantes pelos “cinco minutos de fama” e de exposição mediática; é a mentalidade daqueles que têm como único objetivo na vida a satisfação das suas necessidades mais básicas; é a mentalidade daqueles que se instalam nos seus preconceitos e se recusam a ir mais além, a deixarem-se interpelar pela novidade e pelos desafios de Deus; é a mentalidade daqueles que vivem voltados para o passado, recusando-se a enfrentar os desafios da história e a descobrir o que há de positivo e de desafiante nos novos tempos; é a mentalidade daqueles que se resignam à mediocridade e que não fazem nenhum esforço para que a sua vida faça sentido… A Palavra de Deus que nos é proposta diz-nos: o nosso Deus não Se conforma com a resignação, o comodismo,  a mediocridade que fazem de nós escravos e que nos impedem de chegar à vida verdadeira, plenamente vivida e assumida; Ele vem ao nosso encontro, desafia-nos a ir mais além, aponta-nos caminhos, convida-nos a crescer e a dar passos firmes e seguros em direção à liberdade e à vida nova… E, durante o caminho, nunca estaremos sozinhos, pois Ele vai ao nosso lado.

3 - A ideia de que Deus dá ao seu Povo, dia a dia, o pão necessário para a subsistência (proibindo “juntar” mais do que o necessário para cada dia) pretende ajudar o Povo a libertar-se da tentação do “ter”, da ganância, da ambição desmedida. É um convite, também a nós, a não nos deixarmos dominar pelo desejo descontrolado de posse dos bens, a libertarmos o nosso coração da ganância que nos torna escravos das coisas materiais, a não vivermos obcecados e angustiados com o futuro, a não colocarmos na conta bancária a nossa segurança e a nossa esperança. Só Deus é a nossa segurança, pois só Ele nos liberta e nos leva ao encontro da vida definitiva.


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Salmo Responsorial
O SENHOR DEU A COMER O PÃO DO CÉU.
Sl 77,3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b)


O Senhor deu a comer o pão do céu.

3Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,
e transmitiram para nós os nossos pais,
4bnão haveremos de ocultar a nossos filhos,
mas à nova geração nós contaremos:
4cAs grandezas do Senhor e seu poder.

O Senhor deu a comer o pão do céu.

23Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,
e as comportas das alturas fez abrir;
24fez chover-lhes o maná e alimentou-os,
e lhes deu para comer o pão do céu.
O Senhor deu a comer o pão do céu.

25O homem se nutriu do pão dos anjos,
e mandou-lhes alimento em abundância;
54Conduziu-os para a Terra Prometida,
para o Monte que seu braço conquistou;

O Senhor deu a comer o pão do céu.


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Segunda Leitura
REVESTI O HOMEM NOVO, CRIADO À IMAGEM DE DEUS.
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios (4,17.20-24)


Irmãos:
17Eis pois o que eu digo e atesto no Senhor:
não continueis a viver como vivem os pagãos,
cuja inteligência os leva para o nada.
20Quanto a vós,
não é assim que aprendestes Cristo,
21se ao menos foi bem ele que ouvistes falar,
e se é ele que vos foi ensinado,
em conformidade com a verdade que está em Jesus.
22Renunciando à vossa existência passada,
despojai-vos do homem velho,
que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras,
23e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade.
24Revesti o homem novo,
criado à imagem de Deus,
em verdadeira justiça e santidade.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 -  O cristão é alguém que encontrou Cristo, que escutou o seu chamamento, que aderiu à sua proposta. A consequência dessa adesão é viver de uma forma diferente, de acordo com valores diferentes, e com uma outra mentalidade. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo. Devemos tomar consciência que também nós encontrámos Cristo, fomos chamados por Ele, aderimos à sua proposta e assumimos com Ele um compromisso. O momento do nosso Batismo não foi um momento para cumprir um rito cultural qualquer; mas é um verdadeiro momento de encontro com Cristo, de compromisso com Ele e o início de uma caminhada para qual Deus nos chama a percorrer, com coerência, pela vida fora, até chegarmos ao homem novo.

2 - Paulo convida insistentemente os crentes a deixar a vida do homem velho… O homem velho é o homem dominado pelo egoísmo, pelo orgulho, que vive de coração fechado a Deus e aos irmãos, que vive instalado em esquemas de opressão e de injustiça, que gasta a vida correndo atrás dos deuses errados, que se deixa dominar pela cobiça, pela corrupção, pela ira, pela maldade e se recusa escutar a proposta libertadora que Deus apresenta. Provavelmente, não nos vemos na totalidade deste quadro;mas não teremos momentos em que construímos a nossa vida à margem das propostas de Deus e em que negligenciamos os valores de Deus para abraçar outros valores que nos escravizam?

3 - Paulo apela para que os crentes vivam a vida do homem novo. O homem novo é o homem continuamente atento às propostas de Deus, que aceita integrar a família de Deus, que não se conforma com a maldade, a injustiça, a exploração, a opressão, que procura viver na verdade, no amor, na justiça, na partilha, no serviço, que pratica obras de misericórdia, de humildade, que dia a dia dá testemunho, com alegria e simplicidade, dos valores de Deus. É este o meu “projeto” de vida? Os meus gestos e atitudes de cada dia manifestam a realidade de um homem novo, que vive em comunhão com Deus e no amor aos irmãos?

4 - Todos nós, no dia do nosso Batismo, optámos pelo homem novo… É preciso, no entanto, termos consciência que a construção do homem novo nunca é um processo acabado… A monotonia, o cansaço, os problemas da vida, as influências do mundo, a nossa preguiça e o nosso comodismo levam-nos, muitas vezes, a nos instalar na mediocridade, na não exigência, na acomodação; então, o homem velho espreita-nos a cada esquina e toma conta de nós… Precisamos ter consciência de que em cada minuto que passa tudo começa outra vez; precisamos renovar continuamente as nossas opções e o nosso compromisso, numa atenção constante ao chamamento de Deus. O cristão não cruza os braços considerando que já atingiu um nível satisfatório de perfeição; mas está sempre numa atitude de vigilância e de conversão, para poder responder adequadamente, em cada instante, aos desafios sempre novos de Deus.


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Evangelho
QUEM VEM A MIM NÃO TERÁ MAIS FOME E
QUEM CRÊ EM MIM NUNCA MAIS TERÁ SEDE.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo João (6,24-35)


Naquele tempo:
24Quando a multidão viu
que Jesus não estava ali,
nem os seus discípulos,
subiram às barcas 
e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum.
25Quando o encontraram no outro lado do mar,
perguntaram-lhe:
'Rabi, quando chegaste aqui?'
26Jesus respondeu:
'Em verdade, em verdade, eu vos digo:
estais me procurando não porque vistes sinais,
mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos.
27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde,
mas pelo alimento que permanece até a vida eterna,
e que o Filho do Homem vos dará.
Pois este é quem o Pai marcou com seu selo'.
28Então perguntaram:
'Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?'
29Jesus respondeu:
'A obra de Deus é que acrediteis
naquele que ele enviou'.
30Eles perguntaram:
'Que sinal realizas, 
para que possamos ver e crer em ti?'
Que obra fazes?
31Nossos pais comeram o maná no deserto,
como está na Escritura:
'Pão do céu deu-lhes a comer'.
32Jesus respondeu:
'Em verdade, em verdade vos digo,
não foi Moisés quem vos deu
o pão que veio do céu.
É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu.
33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu
e dá vida ao mundo'.
34Então pediram:
'Senhor, dá-nos sempre desse pão'.
35Jesus lhes disse:
'Eu sou o pão da vida.
Quem vem a mim não terá mais fome
e quem crê em mim nunca mais terá sede.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Jesus é o Deus que Se revestiu da nossa humanidade e veio ao nosso encontro para nos revelar o seu amor. O seu projeto consiste em libertar os homens de tudo aquilo que os oprime e que rouba a vida. O nosso texto mostra Jesus atento às necessidades da multidão, empenhado em saciar a fome de vida dos homens, preocupado em apontar o caminho que conduz da escravidão à liberdade. A atitude de Jesus é, para nós, uma expressão clara do amor e da bondade de um Deus sempre atento às necessidades do seu Povo. Garante-nos que, ao longo do caminho da vida, Deus vai ao nosso lado, atento aos nossos dramas e as nossas misérias, empenhado em satisfazer as nossas necessidades, preocupado em nos da o “pão” que sacia a nossa fome de vida. A nós, compete abrir o coração ao seu amor e acolher as propostas libertadoras que Ele nos faz.

2 - A “fome” de pão que a multidão sente e que Jesus quer saciar é um símbolo da fome de vida que faz sofrer tantos dos nossos irmãos… Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; são os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor; são os que têm que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma língua, um ambiente estranho para poderem oferecer condições de subsistência à sua família; são os marginalizados, abandonados, segregados por causa da cor da sua pele, por causa do seu estatuto social ou econômico, ou por não terem acesso à educação e aos bens culturais de que a maioria desfruta; são as crianças vítimas da violência e da exploração; são as vítimas da economia global, cuja vida dança ao sabor dos interesses das multinacionais; são as vítimas do imperialismo e dos interesses dos grandes do mundo… É a esses e a todos os outros que têm “fome” de vida e de felicidade, que a proposta de Jesus se dirige.

3 - No nosso Evangelho, Jesus dirige-Se aos seus discípulos e diz-lhes: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos de Jesus são convidados a continuar a missão de Jesus e a distribuírem o “pão” que mata a fome de vida, de justiça, de liberdade, de esperança, de felicidade de que os homens sofrem. Depois disto, nenhum discípulo de Jesus pode olhar tranquilamente os seus irmãos com “fome” e dizer que não tem nada com isso… Os discípulos de Jesus são convidados a responsabilizarem-se pela “fome” dos homens e a fazerem tudo o que está ao seu alcance para devolver a vida e a esperança a todos aqueles que vivem na miséria, no sofrimento, no desespero.

4 - No nosso Evangelho, os discípulos constatam que, recorrendo ao sistema econômico vigente, é impossível responder à “fome” dos necessitados. O sistema capitalista vigente será sempre um sistema que se apoia na lógica egoísta do lucro e que só cria mais opressão, mais dependência, mais necessidade. Não chega criar melhores programas de assistência social ou programas de rendimento mínimo garantido, ou outros sistemas que apenas perpetuam a injustiça… Os discípulos de Jesus têm de encontrar outros caminhos e de propor ao mundo que adote outros valores. Quais? Jesus propõe algo de realmente novo: propõe uma lógica de partilha.

5 - Os discípulos de Jesus são convidados a reconhecer que os bens são um dom de Deus para todos os homens e que pertencem a todos; são convidados a quebrar a lógica do acumulo de bens e pôr os dons de Deus ao serviço de todos. Como resultado um novo relacionamento fraterno entre quem dá e quem recebe, feito de reconhecimento e harmonia que enriquece ambos e é o pressuposto de uma nova ordem, de um novo relacionamento entre os homens. É esta a proposta de Deus; é isto que os discípulos são chamados a dar testemunho. Os discípulos de Jesus não podem, contudo, dirigir-se aos irmãos necessitados olhando-os “de cima”, instalados nos seus esquemas de poder e autoridade, usando a caridade como instrumento de apoio aos seus projetos pessoais, ou exigindo algo em troca… Os discípulos de Jesus devem ser um grupo humilde, sem pretensão alguma de poder e de domínio, e que apenas está preocupado em servir os irmãos com “fome”.

6 - O que resulta da proposta de Jesus é uma humanidade totalmente livre da escravidão dos bens. Os necessitados tornam-se livres porque têm o necessário para viver uma vida digna e humana; os que repartem os bens libertam-se da lógica egoísta dos bens e da escravidão do dinheiro e descobrem a liberdade do amor e do serviço. No final, os discípulos são convidados a recolher os restos, que devem servir para outras “multiplicações”. A tarefa dos discípulos de Jesus é uma tarefa nunca acabada, que deverá recomeçar em qualquer tempo e em qualquer lugar onde haja um irmão “com fome”.


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Comentário
O PÃO QUE DÁ A VIDA


Há muitas classes de pão. Talvez porque haja muitas classes de fome. Há pessoas que vivem pensando e querendo tanto o pão de amanhã que não desfrutam do pão que têm à frente agora. Ou talvez chorem porque ontem não tiveram pão, sem ver o banquete que está preparado diante deles. Há também aqueles que só são capazes de se preocupar com o seu estomago, são incapazes de se dar conta de que há irmãos e irmãs perto que não tem o pão necessário.

E a maioria da humanidade trabalha duramente todos os dias para conseguir pão, arroz ou milho, necessários para sobreviver, para poder chegar ao dia seguinte. Só eles sabem o quão é necessário "nosso pão de cada dia". E geralmente são eles que melhor sabem desfrutar, agradecer e saborear o pão que têm à mesa todos os dias, seja fruto do trabalho ou doação. Quando a vida é vivida por um fio, tudo o que você tem é pura graça e é recebido como um presente.

 Aqueles que haviam comido o pão que Jesus lhes dera foram procurá-lo quando perceberam que ele havia desaparecido. Eles tinham desfrutado tanto. O pão estava tão delicioso. Para aqueles cuja vida significava apenas luta e sofrimento, o fato de terem recebido tal banquete, um pouco de pão e um peixinho, era motivo suficiente para buscar aquele que os havia presenteado. Por isso, buscam Jesus.

Certamente, aqueles que procuraram Jesus, de quem o Evangelho fala hoje, não entenderam a princípio o que significava que Jesus era o "pão da vida". O que eles entendiam com total clareza era sobre o pão e o peixe que comiam, que Jesus lhes dera, que os faziam sentir-se satisfeitos e talvez lhes possibilitassem tirar uma boa soneca. E eles entenderam isso simplesmente porque estavam com fome. Levará um longo processo até que eles passem da fome física para a fome de vida que Jesus lhes oferecia para satisfazer. Mas, pelo menos, o primeiro passo já foi dado. Pelo contrário, aqueles que não estão com fome desprezam o pão, aqueles que se sentem saciados não precisam de nada. Jesus pode estar em sua vida, mas não passará de um adorno.


Para a reflexão


Que tipos de fomes há em nosso mundo? Em nossa comunidade? Em nossa família? Em nós mesmos? É Jesus só um adorno em nossa vida ou em nossa família ou realmente encontramos nele o “pão de vida”? Que significa para nós que Jesus seja o “pão de vida”?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda  - Fernando Torres, cmf
Liturgia Diária
Dehonianos


 

 

 

 

 

XVII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XVII Domingo Comum dá-nos conta da preocupação de Deus em saciar a “fome” de vida dos homens. De forma especial, as leituras deste domingo dizem-nos que Deus conta conosco para repartir o seu “pão” com todos aqueles que têm “fome” de amor, de liberdade, de justiça, de paz, de esperança.
Na primeira leitura, o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar.
O Evangelho repete o mesmo tema. Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo.
Na segunda leitura, Paulo lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de preconceito em relação aos irmãos.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referências

Primeira Leitura 
COMERÃO E AINDA SOBRARÁ.
Leitura do Segundo Livro dos Reis (4,42-44)


Naqueles dias:
42Veio também um homem de Baal-Salisa,
trazendo em seu alforje para Eliseu,
o homem de Deus,
pães dos primeiros frutos da terra:
eram vinte pães de cevada e trigo novo.
E Eliseu disse: 'Dá ao povo para que coma'.
43Mas o seu servo respondeu-lhe:
'Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?'
Eliseu disse outra vez: 'Dá ao povo para que coma;
pois assim diz o Senhor: 'Comerão e ainda sobrará`.
44O homem distribuiu e ainda sobrou,
conforme a palavra do Senhor.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - O “profeta” é um homem chamado por Deus e enviado para ser o rosto de Deus no meio do mundo. Nas palavras e nos gestos do “profeta”, é Deus que Se manifesta aos homens e que indica a sua vontade e as suas propostas. No gesto de repartir o pão para saciar a fome das pessoas, o “profeta” manifesta a eterna preocupação de Deus com a “fome” do mundo (fome de pão, fome de liberdade, fome de dignidade, fome de realização plena, fome de amor, fome de paz…) e a sua vontade de dar aos homens vida em abundância… Não tenhamos dúvidas: Deus preocupa-Se, todos os dias, em oferecer aos seus filhos vida em abundância. É Deus que nos dá, dia a dia, o pão que mata a nossa fome de vida.

2 - Como é que Deus atua para saciar a fome de vida dos homens? É fazendo chover do céu, milagrosamente, o “pão” de que o homem necessita? A nossa primeira leitura sugere que Deus atua de forma mais simples e normal… É através da generosidade e da partilha dos homens (primeiro do homem que decide oferecer o fruto do seu trabalho; depois, do profeta que manda distribuir o alimento) que o “pão” chega aos necessitados. Normalmente, Deus serve-Se dos homens para intervir no mundo e para fazer chegar ao mundo os seus dons. Muitas vezes sonhamos com gestos espetaculares de Deus e vivemos de olhos fixos no céu à espera que Deus Se digne intervir no mundo; e acabamos por não perceber que Deus já veio ao nosso encontro e que Ele Se manifesta na ação generosa de tantos homens e mulheres que praticam, sem publicidade, gestos de partilha, de solidariedade, de doação, de entrega. É preciso aprendermos a detectar a presença e o amor de Deus nesses gestos simples que todos os dias testemunhamos e que ajudam a construir um mundo mais justo, mais fraterno e mais solidário.

3 -  Ao mostrar que é através das ações dos homens que Deus sacia a fome do mundo, o nosso texto convida-nos ao compromisso. Deus precisa de nós, da nossa generosidade e bondade, para ir ao encontro dos nossos irmãos necessitados e para lhes oferecer vida em abundância. Nós, os crentes, somos chamados a ser testemunhas desse Deus que quer partilhar com os homens o seu “pão”; e esse “pão” de Deus deve derramar-se sobre os nossos irmãos nos nossos gestos de partilha, de generosidade, de solidariedade, de amor sem limites.


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Salmo Responsorial
SACIAI OS VOSSOS FILHOS, Ó SENHOR!
Sl 144,10-11.15-16.17-18 (R. cf.16) 


Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

10Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,
e os vossos santos com louvores vos bendigam!
11Narrem a glória e o esplendor do vosso reino
e saibam proclamar vosso poder!

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

15Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam
e vós lhes dais no tempo certo o alimento;
16vós abris a vossa mão prodigamente
e saciais todo ser vivo com fartura.

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!

17É justo o Senhor em seus caminhos,
é santo em toda obra que ele faz.
18Ele está perto da pessoa que o invoca,
de todo aquele que o invoca lealmente.

Saciai os vossos filhos, ó Senhor!


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Segunda Leitura
HÁ UM SÓ CORPO, UM SÓ SENHOR,
UMA SÓ FÉ, UM SÓ BATISMO.

Leitura da Leitura da Carta de Paulo aos (Efésios 4,1-6)


Irmãos:
1Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto
a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes:
2Com toda a humildade e mansidão,
suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor.
3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito
pelo vínculo da paz.
4Há um só Corpo e um só Espírito,
como também é uma só a esperança
à qual fostes chamados.
5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo,
6um só Deus e Pai de todos,
que reina sobre todos,
age por meio de todos e permanece em todos.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - A Igreja é um “corpo” – o “Corpo de Cristo”. Naturalmente, esse “corpo” é formado por muitos membros, todos eles diversos; mas todos eles dependem de Cristo (a “cabeça” desse “corpo”) e recebem d’Ele a mesma vida. Formam, portanto, uma unidade… Têm o mesmo Pai (Deus), têm um projeto comum (o projeto de Jesus), têm o mesmo objetivo (fazer parte da família de Deus e encontrar a vida em plenitude), caminham na mesma direção animados pelo mesmo Espírito, têm a mesma missão (dar testemunho no mundo do projeto de amor que Deus tem para os homens). Neste esquema, não fazem qualquer sentido as divisões, os ciúmes, as rivalidades, as invejas, os ódios, as divergências que tantas vezes dividem os irmãos da mesma comunidade. Quando os irmãos não se esforçam por caminhar unidos, provavelmente ainda não descobriram os fundamentos da sua fé. A minha comunidade é uma comunidade que caminha unida e solidária, partilhando a vida e o amor, apesar das diferenças legítimas dos seus membros? Em termos pessoais, sinto-me um construtor de unidade, ou um fator de divisão?

2 - Para que a unidade seja possível, Paulo recomenda aos destinatários da Carta aos Efésios a humildade, a mansidão e a paciência. São atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de preconceito em relação aos irmãos. Como é que eu me situo face aos outros? A minha relação com os irmãos é marcada pelo egoísmo ou pela disponibilidade para servir e partilhar? Procuro estar atento às necessidades dos outros e ir ao seu encontro, ou levanto muros de orgulho e de autossuficiência que impedem a relação, a comunhão, a comunicação? Estou aberto às diferenças e disposto a dialogar, ou vivo entrincheirado nos meus preconceitos, catalogando e marginalizando aqueles que não concordam comigo?

3 -  A Igreja é uma unidade; mas é também uma comunidade de pessoas muito diferentes, em termos de raça, de cultura, de língua, de condição social ou econômica.... As diferenças legítimas nunca devem ser vistas como algo negativo, mas como uma riqueza para a vida da comunidade; não devem levar ao conflito e à divisão, mas a uma unidade cada vez mais estreita, construída no respeito e na tolerância. A diversidade é um valor, que não pode nem deve anular a unidade e o amor dos irmãos.


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Evangelho

DISTRIBUIU-OS AOS QUE ESTAVAM
SENTADOS, TANTO QUANTO QUERIAM.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo João (6, 1-15)


Naquele tempo:
1Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia,
também chamado de Tiberíades.
2Uma grande multidão o seguia,
porque via os sinais que ele operava
a favor dos doentes.
3Jesus subiu ao monte
e sentou-se aí, com os seus discípulos.
4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
5Levantando os olhos,
e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro,
Jesus disse a Filipe:
'Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?'
6Disse isso para pô-lo à prova,
pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer.
7Filipe respondeu:
'Nem duzentas moedas de prata bastariam
para dar um pedaço de pão a cada um'.
8Um dos discípulos,
André, o irmão de Simão Pedro, disse:
9'Está aqui um menino com
cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas o que é isso para tanta gente?'
10Jesus disse:
'Fazei sentar as pessoas'.
Havia muita relva naquele lugar,
e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.
11Jesus tomou os pães,
deu graças
e distribuiu-os aos que estavam sentados,
tanto quanto queriam.
E fez o mesmo com os peixes.
12Quando todos ficaram satisfeitos,
Jesus disse aos discípulos:
'Recolhei os pedaços que sobraram,
para que nada se perca!'
13Recolheram os pedaços
e encheram doze cestos
com as sobras dos cinco pães,
deixadas pelos que haviam comido.
14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado,
aqueles homens exclamavam:
'Este é verdadeiramente o Profeta,
aquele que deve vir ao mundo'.
15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo
para proclamá-lo rei,
Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Jesus é o Deus que Se revestiu da nossa humanidade e veio ao nosso encontro para nos revelar o seu amor, em um projeto que Ele concretizou em cada palavra e em cada gesto enquanto percorreu, com os seus discípulos, as vilas e aldeias da Palestina. O nosso texto mostra Jesus atento às necessidades da multidão, empenhado em saciar a fome de vida dos homens, preocupado em apontar-lhes o caminho que conduz da escravidão à liberdade. A atitude de Jesus é, para nós, uma expressão clara do amor e da bondade de um Deus sempre atento às necessidades do seu Povo. Garante-nos que, ao longo do caminho da vida, Deus vai ao nosso lado, atento aos nossos dramas e misérias, empenhado em satisfazer as nossas necessidades, preocupado em dar-nos o “pão” que sacia a nossa fome de vida. A nós, compete-nos abrir o coração ao seu amor e acolher as propostas libertadoras que Ele nos faz.

2 - A “fome” de pão que a multidão sente e que Jesus quer saciar é um símbolo da fome de vida que faz sofrer tantos dos nossos irmãos… Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; são os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor; são os que têm que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma língua, um ambiente estranho para poderem oferecer condições de subsistência à sua família; são os marginalizados, abandonados, segregados por causa da cor da sua pele, por causa do seu estatuto social ou econômico,  ou por não terem acesso à educação e aos bens culturais de que a maioria desfruta; são as crianças vítimas da violência e da exploração; são as vítimas da economia global, cuja vida dança ao sabor dos interesses das multinacionais; são as vítimas do imperialismo e dos interesses dos grandes do mundo… É a esses e a todos os outros que têm “fome” de vida e de felicidade, que a proposta de Jesus se dirige.

3 - No nosso Evangelho, Jesus dirige-Se aos seus discípulos e diz-lhes: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos de Jesus são convidados a continuar a missão de Jesus e a distribuírem o “pão” que mata a fome de vida, de justiça, de liberdade, de esperança, de felicidade de que os homens sofrem. Depois disto, nenhum discípulo de Jesus pode olhar tranquilamente os seus irmãos com “fome” e dizer que não tem nada com isso… Os discípulos de Jesus são convidados a responsabilizarem-se pela “fome” dos homens e a fazerem tudo o que está ao seu alcance para devolver a vida e a esperança a todos aqueles que vivem na miséria, no sofrimento, no desespero.

4 - Jesus propõe algo de realmente novo: propõe uma lógica de partilha. Os discípulos de Jesus são convidados a reconhecer que os bens são um dom de Deus para todos os homens e que pertencem a todos; são convidados a quebrar a lógica do acumulo egoísta dos bens e a pôr os dons de Deus a serviço de todos. Como resultado, não se obtém apenas a saciedade dos que têm fome, mas um novo relacionamento fraterno entre quem dá e quem recebe, feito de reconhecimento e harmonia que enriquece ambos e é o pressuposto de uma nova ordem, de um novo relacionamento entre os homens. É esta a proposta de Deus; e é disto que os discípulos são chamados a dar testemunho.

5 - Os discípulos de Jesus não podem, contudo, dirigir-se aos irmãos necessitados olhando-os “do alto”, instalados nos seus esquemas de poder e autoridade, usando a caridade como instrumento de apoio aos seus projetos pessoais, ou exigindo algo em troca… Os discípulos de Jesus devem ser um grupo humilde, sem pretensão alguma de poder e de domínio, e que apenas está preocupado em servir os irmãos com “fome”.

6 -  No final, os discípulos são convidados a recolher os restos, que devem servir para outras “multiplicações”. A tarefa dos discípulos de Jesus é uma tarefa nunca acabada, que deverá recomeçar em qualquer tempo e em qualquer lugar onde haja um irmão “com fome”.


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Comentário
JESUS ABENÇOOU OS PÃES E REPARTIU-OS
Padre Fernando Torres cmf


O problema da alimentação foi um dos assuntos mais urgentes para a maior parte da humanidade ao longo da história. Hoje continua sendo para muitos milhões de pessoas. A cada amanhã sentem a fome não satisfeita e todos seus esforços se dirigem para encontrar o necessário para subsistir. Parece impossível? Pois é verdade. E referimo-nos à fome material, à fome de pão ou de arroz, à falta do mais necessário para poder sobreviver.

O Evangelho de hoje conta-nos como Jesus multiplicou uns poucos pães e peixes e deu de comer a uma multidão. Diz-se que eram cinco mil homens, sem contar às mulheres nem as crianças. Eram pessoas desesperadas. Talvez por isso tinham abandonado suas casas e se tinham lançado ao deserto para seguir aquele pregador. O seguiam esperando talvez encontrar uma palavra de encorajamento, algo que lhes daria uma nova esperança.

O milagre de Jesus não só consiste em lhes dar de comer. O mais importante é que consegue fazer daquela multidão uma família que, sentados juntos, compartilham a comida. Faz deles uma fraternidade. Por isso termina sobrando comida. Se não se tivesse ocorrido essa mudança qualitativa na relação entre aquelas pessoas, não sobraria nada. Certamente todos teriam lutado para conseguir o máximo de comida possível. Eles não teriam feito nada além de procurar seus interesses, para satisfazer sua fome. Não havia razão para compartilhar com os outros. Mas o milagre ocorre. Jesus os faz descobrir que, compartilhando o pão, eles começam a viver de uma maneira nova, onde o bem-estar do outro é a condição do meu bem-estar, que na família é muito mais fácil satisfazer as nossas necessidades, e que o pão acaba sobrando.

Ao fazer o milagre, Jesus dá uma nova esperança àquelas pessoas. É os faz dizer: ”Este sim é o profeta que tinha que vir ao mundo”. Jesus, mensageiro e porta-voz de Deus, dá esperança aos que estão desesperados, acolhe em família aos que estão sós e dá de comer aos que têm fome.

Com Jesus abre-se também ante nós uma nova esperança. Devemos ser portadores dela para nosso mundo. Nós cristãos, comprometemo-nos a reunir, a compartilhar o que temos, a acolher. Não queremos dividir, nem odiar, nem separar. Achamos que podemos viver unidos no amor como vínculo da paz. Achamos que é possível superar o ódio que mata e destrói. A isso nos comprometemos para esta semana que começa. 


Para a reflexão


Onde você acha que há sinais de divisão em sua vizinhança ou em sua família? O que você poderia fazer para reunir as pessoas espalhadas pela mesa da comunhão? Você acha que a missa de domingo é um sinal de união? O que você poderia fazer para melhorar?


início


FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda
CNBB - Liurgia Diária 
Dehonianos


 

 

XVI Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XVI Domingo do Tempo Comum dá-nos conta do amor e da solicitude de Deus pelas “ovelhas sem pastor”. Esse amor e essa solicitude traduzem-se, naturalmente, na oferta de vida nova e plena que Deus faz a todos os homens.
Na primeira leitura, pela voz do profeta Jeremias, Jahwéh condena os pastores indignos que usam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios projetos pessoais; e, paralelamente, Deus anuncia que vai, Ele próprio, tomar conta do seu “rebanho”, assegurando-lhe a fecundidade e a vida em abundância, a paz, a tranquilidade e a salvação.
O Evangelho recorda-nos que a proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são - como Jesus o foi - as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. A missão dos discípulos tem, no entanto, de ter sempre Jesus como referência… Com frequência, os discípulos enviados ao mundo em missão devem vir ao encontro de Jesus, dialogar com Ele, escutar as suas propostas, elaborar com Ele os projetos de missão, confrontar o anúncio que apresentam com a Palavra de Jesus.
Na segunda leitura, Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso da solicitude de Deus pelo seu Povo. Essa solicitude manifestou-se na entrega de Cristo, que deu a todos os homens, sem exceção, a possibilidade de integrarem a família de Deus. Reunidos na família de Deus, os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência 

Primeira Leitura
REUNIREI O RESTO DE MINHAS OVELHAS.
SUSCITAREI PARA ELAS PASTORES.
Leitura do Profeta Jeremias (23,1-6)


1'Ai dos pastores que deixam perder-se
e dispersar-se o rebanho de minha pastagem,
diz o Senhor!
2Deste modo, isto diz o Senhor, Deus de Israel,
aos pastores que apascentam o meu povo:
Vós dispersastes o meu rebanho,
e o afugentastes e não cuidastes dele;
eis que irei verificar isso entre vós
e castigar a malícia de vossas ações, diz o Senhor.
3E eu reunirei o resto de minhas ovelhas
de todos os países para onde forem expulsas,
e as farei voltar a seus campos,
e elas se reproduzirão e multiplicarão.
4Suscitarei para elas novos pastores
que as apascentem;
não sofrerão mais o medo e a angústia,
nenhuma delas se perderá, diz o Senhor.
5Eis que virão dias,
diz o Senhor,
em que farei nascer um descendente de Davi;
reinará como rei e será sábio,
fará valer a justiça e a retidão na terra.
6Naqueles dias, Judá será salvo
e Israel viverá tranquilo;
este é o nome com que o chamarão:
'Senhor, nossa Justiça.'
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 – Primeiramente, a Primeira Leitura mostra a preocupação de Deus com a vida e a felicidade do seu Povo. Nos momentos conturbados da nossa história (coletiva ou pessoal) sentimo-nos, muitas vezes, órfãos, perdidos e abandonados ao sabor dos ventos e das marés… As catástrofes que afetam o mundo, os conflitos que dividem os povos, a miséria que toca a vida de tantos dos nossos irmãos, os perigos dos fundamentalismos, as mudanças vertiginosas que o mundo todos os dias sofre a perda dos valores em que apostávamos as novas e velhas doenças, as crises pessoais, os problemas laborais, as dificuldades familiares trazem-nos a consciência da nossa pequenez e impotência frente aos grandes desafios que o mundo hoje nos apresenta. Sentimo-nos, então, “ovelhas” sem rumo e sem destino, abandonadas à nossa sorte. Por vezes, no nosso desespero, apostamos em “pastores” humanos que, em lugar de nos conduzirem para a vida e para a felicidade, nos usam para satisfazer a sua ânsia de protagonismo e para realizar os seus projetos egoístas… A Palavra de Deus que nos é proposta neste domingo garante-nos que Deus é o “PASTOR” que se preocupa conosco, que está atento a cada uma das suas “ovelhas”; Ele cuida das nossas necessidades e está permanentemente disposto a intervir na nossa história para nos conduzir por caminhos seguros e para nos oferecer a vida e a paz. É n’Ele que temos de apostar, é n’Ele que temos de confiar. Esta constatação deve ser para todos os crentes, uma fonte de alegria, de esperança, de serenidade e de paz.

2 - As ameaças contra os maus pastores apresentadas neste texto de Jeremias talvez nos tenham levado a pensar nos líderes do mundo, nos nossos governantes e, talvez também, nos líderes da Igreja. Na verdade, a nossa história recente está cheia de situações em que as pessoas encarregadas de cuidar da comunidade humana usaram o “rebanho” em benefício próprio e magoaram, torturaram, roubaram, assassinaram, privaram de vida e de felicidade essas pessoas que Deus lhes confiou… De qualquer forma, este texto toca-nos a todos, pois todos somos responsáveis pelos irmãos que caminham conosco. Convida-nos a reflectir sobre a forma como tratamos os irmãos, na família, na Igreja, no emprego, em qualquer lado… Recorda-nos que os irmãos que caminham conosco não estão ao serviço dos nossos interesses pessoais e que a nossa função é ajudar todos a encontrar a vida e a felicidade.

3 - O nosso texto faz referência a “um rei” que Deus vai enviar ao encontro do seu Povo e que governará com sabedoria e justiça. Jesus é a concretização desta promessa. Ele veio propor ao “rebanho” de Deus a vida plena e verdadeira… Como é que nós, as “ovelhas” a quem se destina a proposta de salvação que Deus nos faz em Jesus, acolhemos o que Ele nos veio dizer? As propostas de Jesus encontram eco na nossa vida? Estamos sempre dispostos a acolher as indicações e os valores que Ele nos apresenta?


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Salmo Responsorial
O SENHOR É O PASTOR QUE ME CONDUZ:
FELICIDADE E TODO BEM HÃO DE SEGUIR-ME!
Sl 22,1-3a.3b-4.5.6 (R. 1.6a)


O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me!

1O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.
2Pelos prados e campinas verdejantes
ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha,
3e restaura as minhas forças.

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me!

3bEle me guia no caminho mais seguro,
pela honra do seu nome.
4Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
nenhum mal eu temerei;
estais comigo com bastão e com cajado;
eles me dão a segurança!

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me!

5Preparais à minha frente uma mesa,
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça;
o meu cálice transborda.

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me!

6Felicidade e todo bem hão de seguir-me
por toda a minha vida;
e na casa do Senhor, habitarei
pelos tempos infinitos.

O Senhor é o pastor que me conduz:
felicidade e todo bem hão de seguir-me!


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Segunda Leitura
ELE É A NOSSA PAZ; DO QUE
ERA DIVIDIDO FEZ UMA UNIDADE.
Leitura da Leitura da Carta de Paulo aos (Efésios 2, 13-18)

Irmãos:
13Agora, em Jesus Cristo,
vós que outrora estáveis longe,
vos tornastes próximos,
pelo sangue de Cristo.
14Ele, de fato, é a nossa paz:
do que era dividido, ele fez uma unidade.
Em sua carne ele destruiu o muro de separação:
a inimizade.
15Ele aboliu a Lei com seus mandamentos e decretos.
Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão,
criar em si um só homem novo,
estabelecendo a paz.
16Quis reconciliá-los com Deus,
ambos em um só corpo,
por meio da cruz;
assim ele destruiu em si mesmo a inimizade.
17Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe,
e a paz aos que estavam próximos.
18É graças a ele que uns e outros,
em um só Espírito,
temos acesso junto ao Pai.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O texto que nos é proposto tem, como pano de fundo, essa verdade fundamental que a liturgia nos recorda todos os domingos: Deus tem uma proposta de salvação para oferecer a todos os homens, sem exceção; e essa proposta tem como finalidade inserir-nos na família de Deus. A constatação de que para Deus não há distinções e todos são, igualmente, filhos amados - para além das possíveis diferenças rácicas, étnicas, sociais ou culturais - é algo que nos tranquiliza, e que nos dá serenidade, esperança e paz. O nosso Deus é um pai que não marginaliza nenhum dos seus filhos; e, se tem alguma predileção, não é por aqueles que o mundo admira e endeusa, mas é pelos mais débeis, pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos que mais sofrem.

2 - O que é verdadeiramente importante, na perspectiva de Deus, não é a cor da pele, nem as capacidades intelectuais, nem as qualidades humanas, nem a pertença a determinada instituição política ou religiosa, nem as contribuições (em dinheiro ou em obras) que se dão à Igreja; mas o que é decisivo é ter disponibilidade para acolher a vida que Ele oferece e para aderir à proposta de caminho que Ele faz. Estou sempre numa permanente atitude de escuta das propostas de Deus, ou vivo fechado a Deus e às suas indicações, num caminho de orgulho e de autossuficiência? Para mim, o que é que significam as propostas de Deus? Elas influenciam as minhas opções, os meus valores, as minhas atitudes? A forma como eu me relaciono com todos os homens e mulheres que encontro nos caminhos deste mundo é coerente com essa proposta de vida que Deus me faz?

3 - A comunidade cristã é uma família de irmãos, que partilham a mesma fé e a mesma proposta de vida. É um “corpo”, formado por uma grande diversidade de membros, onde todos se sentem unidos em Cristo e entre si numa efetiva fraternidade. As nossas comunidades (cristãs ou religiosas) são, efetivamente, comunidades de irmãos que se amam, para além das diferenças legítimas que há entre os membros? Nas nossas comunidades todos os irmãos são acolhidos e amados, ou há irmãos considerados de segunda classe, marginalizados e maltratados? Eu, pessoalmente, como é que vejo esses irmãos na fé que caminham comigo? Perante as diferenças de perspectiva, como é que eu reajo: com respeito pela opinião do outro, ou com intolerância?


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Evangelho
ERAM COMO OVELHAS SEM PASTOR.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Marcos (6, 30-34)


Naquele tempo:
30Os apóstolos reuniram-se com Jesus
e contaram tudo o que haviam feito e ensinado.
31Ele lhes disse:
'Vinde sozinhos para um lugar deserto,
e descansai um pouco'.
Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo
que não tinham tempo nem para comer.
32Então foram sozinhos, de barco,
para um lugar deserto e afastado.
33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles.
Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles.
34Ao desembarcar,
Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão,
porque eram como ovelhas sem pastor.
Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1- A proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. As vítimas da economia global, da sociedade, da família, que são colocados à margem, encontram em cada um de nós, discípulos de Jesus, o amor, a bondade e a solicitude de Deus?Que fizemos com essa proposta de vida nova e de libertação que Jesus nos mandou testemunhar diante das “ovelhas sem pastor”?

2 - A missão dos discípulos não pode ser desligada de Jesus. Os discípulos devem, com frequência, reunir-se à volta de Jesus, dialogar com Ele, escutar os seus ensinamentos, confrontar permanentemente a pregação feita com a proposta de Jesus. Por vezes, os discípulos  mergulham num ativismo descontrolado e acabam por perder as referências; deixam de ter tempo e disponibilidade para se encontrarem com Jesus, para confrontarem as suas opções e motivações com o projeto de Jesus… Por vezes, passam a “vender”, como verdade libertadora, soluções que são parciais e que geram dependência e escravidão; outras vezes, tornam-se funcionários eficientes, que resolvem problemas sociais pontuais, mas sem oferecerem às “ovelhas sem pastor” uma libertação verdadeira e global; outras, ainda, cansam-se e abandonam a atividade e o testemunho… Jesus é que dá sentido à missão do discípulo e que permite ao discípulo, tantas vezes fatigado e desanimado, voltar a descobrir o sentido das coisas e renovar o se empenho.

3 - A comoção de Jesus diante das “ovelhas sem pastor” é sinal da sua preocupação e do seu amor. Revela a sua sensibilidade e manifesta a sua solidariedade para com todos os sofredores. A comoção de Jesus convida-nos a sermos sensíveis às dores e necessidades dos nossos irmãos. Todo o homem é nosso irmão e tem direito a esperar de nós um gesto de bondade e de acolhimento. Não podemos ficar no nosso canto, comodamente instalados, com a consciência em paz, (porque até já fomos à missa e rezámos as orações que a Igreja manda), e ver o nosso irmão a sofrer. O nosso coração tem de doer, a nossa consciência tem de questionar-nos, quando vimos um homem ou uma mulher ser magoado, explorado, ofendido, marginalizado, privado dos seus direitos e da sua dignidade. Um cristão é alguém que tem de sentir como SEUS os sofrimentos do irmão.


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Comentário
PROFETAS A SERVIÇO DA RECONCILIAÇÃO


Pensamos nos profetas como pessoas um pouco nervosas, radicais. Sua palavra a imaginamos sempre dura, nos levando a decisões extremas e dolorosas. Mas não é assim. Os discípulos foram enviados por Jesus para pregar o Reino de Deus, isto é, que todos os homens e mulheres somos chamados a fazer parte da família de Deus, que todos somos de fato já filhos e filhas de Deus, que todos somos objeto do amor misericordioso e compassivo de Deus, para além das fronteiras, das culturas, das línguas e, inclusive, das religiões. Esse é a grande mensagem profética de Jesus. Isso é o que nós, discípulos de Jesus no século XXI devemos pregar. Somos profetas a serviço da reconciliação e da união no seio da família de Deus. Não somos profetas de desgraças nem de divisões, senão de encontro e de fraternidade.

A primeira e a segunda leitura iluminam este aspecto de nossa missão. Na primeira leitura, Deus dirige-se aos líderes do povo. Não cuidaram do rebanho, o dividiram, o dispersaram. Por isso, Deus anuncia que vai reunir às ovelhas dispersas, que vai pôr a sua frente pastores que cuidem do rebanho, que o mantenham unido. Termina a leitura com o anúncio da chegada de um rei pastor que fará justiça ao rebanho. E a justiça de Deus que consiste em dar à cada um não “o seu” senão tudo o que precisa para crescer, para se realizar, para desenvolver em plenitude este dom imenso que Deus mesmo nos presenteou que é a VIDA. E a segunda leitura da carta aos efésios fala de Cristo como o eixo sobre o qual se reconciliam os dois povos que estavam separados: o mundo judeu e o mundo pagão. Era a grande divisão que se vivia nos tempos de Jesus. De um lado os que se sentiam proprietários das promessas de Deus, de outra os que estavam excluídos. Havia incompreensão e inimizade entre os dois povos. Havia uma grande separação. A mesma leitura afirma que Jesus reuniu por seu sacrifício os dois povos, derrubou o muro que os separava e que estava cheio de ódio, fez as pazes entre os dois, criou um novo povo, trouxe a paz.  

É CRISTO O QUE RECONCILIA OS POVOS. O que atende a todos cheio de compaixão porque nos vê, no Evangelho de hoje, como “ovelhas sem pastor”. A nós corresponde continuar sua missão e ser profetas a serviço da reconciliação. No mundo e em nossa nação, em nossa comunidade e em nossa família. Cada vez que conseguimos que alguém se reconcilie, estamos sendo cristãos para valer. Isso significa ser cristãos: ser criadores de perdão, de fraternidade, de reconciliação.


Para a reflexão


Há algum aspecto de tua vida que esteja precisado de reconciliação e perdão? Ponha nome e rosto àquele com quem acha que você deveria se reconciliar: esposo ou esposa, filho ou filha, pai ou mãe, irmão ou irmã...  E agora pense em algo concreto que possa fazer para se reconciliar.


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda - Fernando Torres, cmf
Liturgia Diária 
Dehonianos


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