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IV Domingo da Páscoa - Ano B
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A Palavra

IV Domingo da Páscoa - Ano B

O IV Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe, neste domingo, um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”. É, portanto, este o tema central que a Palavra de Deus põe, hoje, à nossa reflexão.
O Evangelho apresenta Cristo como “o Pastor modelo”, que ama de forma gratuita e desinteressada as suas ovelhas, até ser capaz de dar a vida por elas. As ovelhas sabem que podem confiar n’Ele de forma incondicional, pois Ele não busca o próprio bem, mas o bem do seu rebanho. O que é decisivo para pertencer ao rebanho de Jesus é a disponibilidade para “escutar” as propostas que Ele faz e segui-l’O no caminho do amor e da entrega.
A primeira leitura afirma que Jesus é o único Salvador, já que “não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (neste “Domingo do Bom Pastor” dizer que Jesus é o “único salvador” equivale a dizer que Ele é o único pastor que nos conduz em direção à vida verdadeira). Lucas avisa-nos para não nos deixarmos iludir por outras figuras, por outros caminhos, por outras sugestões que nos apresentam propostas falsas de salvação.
Na segunda leitura, o autor da primeira Carta de João convida-nos a contemplar o amor de Deus pelo homem. É porque nos ama com um “amor admirável” que Deus está apostado em levar-nos a superar a nossa condição de debilidade e de fragilidade. O objetivo de Deus é integrar-nos na sua família e tornar-nos “semelhantes” a Ele.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
EM NENHUM OUTRO HÁ SALVAÇÃO.
Leitura do Atos dos Apóstolos (4,8-12)


Naqueles dias:
8Pedro, cheio do Espírito Santo, disse:
'Chefes do povo e anciãos:
9hoje estamos sendo interrogados
por termos feito o bem a um enfermo
e pelo modo como foi curado.
10Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel:
é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré,
- aquele que vós crucificastes
e que Deus ressuscitou dos mortos -
que este homem está curado, diante de vós.
11Jesus é a pedra, que vós, os construtores,
desprezastes, e que se tornou a pedra angular.
12Em nenhum outro há salvação,
pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos
homens pelo qual possamos ser salvos'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - A catequese que Lucas nos propõe neste trecho do livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta Jesus como o único Salvador, já que “não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”. Lucas avisa-nos, desta forma, para não nos deixarmos iludir por outras figuras, por outros caminhos, por outras sugestões que nos apresentam propostas falsas de salvação. Por vezes, o caminho de salvação que Jesus nos propõe, está em flagrante contradição com os caminhos de “salvação” que nos são propostos pelos líderes políticos, pelos líderes ideológicos, pelos líderes da moda e da opinião pública; e nós temos que fazer escolhas coerentes com a nossa fé e com o nosso compromisso cristão. Na hora de optarmos, não esqueçamos que a proposta de Jesus tem o selo de garantia de Deus; não esqueçamos que o caminho proposto por Jesus (e que, tantas vezes, à luz da lógica humana, parece um caminho de fracasso e de derrota) é o caminho que nos conduz ao encontro da vida plena e definitiva, ao encontro do Homem Novo.

2 - Depois de dois mil anos de cristianismo, parece que nem sempre se nota a presença efetiva de Cristo nesses caminhos em que se constrói a história do mundo e dos homens. O verniz cristão com que revestimos a nossa civilização ocidental não tem impedido a corrida aos armamentos, aos genocídios, aos atos bárbaros de terrorismo, as guerras religiosas, ao capitalismo selvagem… Os critérios que presidem à construção do mundo estão, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho. Porque é que isto acontece? Podemos dizer que Cristo é, para os cristãos, a referência fundamental? Nós cristãos fizemos d’Ele, efetivamente, a “pedra angular” sobre a qual construímos a nossa vida e a história do nosso tempo?

3 - Os discípulos de Jesus não estão sozinhos, entregues a si próprios, nessa luta contra as forças que oprimem e escravizam os homens. O Espírito de Jesus ressuscitado está com eles, ajudando-os, animando-os, protegendo-os em cada instante desse caminho que Deus lhes mandou percorrer. Nos momentos de crise, de desânimo, de frustração, os discípulos devem tomar consciência da presença amorosa de Deus a seu lado e retomar a esperança.


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Salmo Responsorial
A PEDRA QUE OS PEDREIROS REJEITARAM,
TORNOU-SE AGORA A PEDRA ANGULAR.
Sl 117,
1.8-9.21-23.26.28cd.29 (R. 22) 


A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.

1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'
8É melhor buscar refúgio no Senhor,
do que pôr no ser humano a esperança;
9é melhor buscar refúgio no Senhor,
do que contar com os poderosos deste mundo!'

A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.

21Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes
e vos tornastes para mim o Salvador!
22'A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
23Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!

A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.

26Bendito seja, em nome do Senhor,
aquele que em seus átrios vai entrando!
28Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço!
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!
29Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'

A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.


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Segunda Leitura
VEREMOS A DEUS TAL COMO ELE É.
Leitura da Carta aos de São João (3,1-2)


Caríssimos:
1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu:
de sermos chamados filhos de Deus!
E nós o somos!
Se o mundo não nos conhece,
é porque não conheceu o Pai.
2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus,
mas nem sequer se manifestou o que seremos!
Sabemos que,
quando Jesus se manifestar,
seremos semelhantes a ele,
porque o veremos tal como ele é.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1- Antes de mais, a segunda leitura recorda-nos que Deus nos ama com um amor “admirável” – amor que se traduz no dom dessa vida nova que faz de nós “FILHOS DE DEUS”. Neste IV Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, o autor da Primeira Carta de João convida-nos a contemplar a bondade, a ternura, a misericórdia, o amor de um Deus dedicado em levar o homem a superar a sua condição de debilidade, a fim de chegar à vida nova e eterna, à plenitude das suas capacidades, até se tornar “semelhante” ao próprio Deus. Todos os homens e mulheres caminham pela vida à procura da felicidade e da vida verdadeira… O autor desta carta garante-nos: para alcançar a meta da vida definitiva, é preciso escutar o chamamento de Deus, acolher o seu dom, viver de acordo com essa vida nova que Deus nos oferece. É aí – e não noutras propostas efémeras, parciais, superficiais – que está o segredo da realização plena do homem.

2 - Como é que os “filhos de Deus” devem responder a este desafio que Deus lhes faz? No texto, este problema não é desenvolvido; contudo, a questão é abordada e refletida noutras passagens da Primeira Carta de João. Para o autor da carta, o “filho de Deus” é aquele que responde ao amor de Deus vivendo de forma coerente com as propostas de Deus, isto é, respeitando aos mandamentos de Deus. De forma especial, recomenda-se aos crentes que vivam no amor aos irmãos, a exemplo de Jesus Cristo.

3 - O autor da carta avisa também os cristãos para o inevitável choque com a incompreensão do “mundo”… Viver como “FILHO DE DEUS” implica fazer opções que, muitas vezes, estão em contradição com os valores que o mundo considera prioritários; por isso, os discípulos são objeto do desprezo, dos ataques daqueles que não estão dispostos a conduzir a sua vida de acordo com os valores de Deus. Jesus Cristo conheceu e enfrentou a mesma realidade; mas a sua história mostra que viver como “FILHO DE DEUS” não é um caminho de fracasso, mas um caminho de vida plena e eterna. Os cristãos não devem, por isso, ter medo de percorrer o mesmo caminho.


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Evangelho
O BOM PASTOR DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo João (10,11-18)


Naquele tempo, disse Jesus:
11Eu sou o bom pastor.
O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.
12O mercenário, que não é pastor
e não é dono das ovelhas,
vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge,
e o lobo as ataca e dispersa.
Pois ele é apenas um mercenário
e não se importa com as ovelhas.
14Eu sou o bom pastor.
Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,
15assim como o Pai me conhece
e eu conheço o Pai.
Eu dou minha vida pelas ovelhas.
16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil:
também a elas devo conduzir;
escutarão a minha voz,
e haverá um só rebanho e um só pastor.
17É por isso que o Pai me ama,
porque dou a minha vida,
para depois recebê-la novamente.
18Ninguém tira a minha vida,
eu a dou por mim mesmo;
tenho poder de entregá-la
e tenho poder de recebê-la novamente;
esta é a ordem que recebi do meu Pai'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Todos nós temos as nossas figuras de referência, os nossos heróis, os nossos mestres, os nossos modelos. É a uma figura desse tipo que, utilizando a imagem do Evangelho do IV Domingo da Páscoa, poderíamos chamar o nosso “pastor”… É Ele que nos aponta caminhos, que nos dá segurança, que está ao nosso lado nos momentos de fragilidade, que condiciona as nossas opções, que é para nós uma espécie de modelo de vida. O Evangelho deste domingo diz-nos que, para o cristão, o “Pastor” por excelência é Cristo. É n’Ele que devemos confiar, é à volta d’Ele que nós devemos juntar, são as suas indicações e propostas que devemos seguir. O nosso “Pastor” é, de fato, Cristo, ou temos outros “pastores” que nos arrastam e que são as referências fundamentais à volta das quais construímos a nossa existência? O que é que nos conduz e condiciona as nossas opções: Jesus Cristo? A conta bancária? A voz da opinião pública? O comodismo e a instalação? O êxito e o triunfo profissional a qualquer custo? O programa de maior audiência da estação televisiva de maior audiência?

2 - Reparemos na forma como Cristo desempenha a sua missão de “Pastor”: Ele não atua por interesse (como acontece com outros pastores, que apenas procuram explorar o rebanho e usá-lo em benefício próprio), mas por amor; Ele não foge quando as ovelhas estão em perigo, mas defende-as, preocupa-Se com elas e até é capaz de dar a vida por elas; Ele mantém com cada uma das ovelhas uma relação única, especial, pessoal, conhece os seus sofrimentos, dramas, sonhos e esperanças. As “qualidades” de Cristo, o BOM PASTOR, aqui enumeradas, devem fazer-nos perceber que podemos confiar integral e incondicionalmente n’Ele e entregar, sem receio, a nossa vida nas suas mãos. Por outro lado, este “jeito” de atuar de Cristo deve ser uma referência para aqueles que têm responsabilidades na condução e animação do Povo de Deus: aqueles que receberam de Deus a missão de presidir a um grupo, de animar uma comunidade, exercem a sua missão no dom total, no amor incondicional, no serviço desinteressado, a exemplo de Cristo?

3 - No “rebanho” de Jesus, não se entra por convite especial, nem há um número restrito de vagas a partir do qual mais ninguém pode entrar… A proposta de salvação que Jesus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem exceção. O que é decisivo para entrar a fazer parte do rebanho de Deus é “ESCUTAR A VOZ” de Cristo, aceitar as suas indicações, tornar-se seu discípulo… Isso significa, concretamente, seguir Jesus, aderir ao projeto de salvação que Ele veio apresentar, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega total aos projetos de Deus e na doação total aos irmãos. Atrevemo-nos a seguir o nosso “Pastor” (Cristo) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho é apenas um caminho de derrota e de fracasso, que não leva aonde nós pretendemos ir?

• Para que distingamos a “VOZ” de Jesus de outros apelos, de propostas enganadoras, de “cantos de sereia” que não conduzem à vida plena, é preciso um permanente diálogo íntimo com “O PASTOR”, um confronto permanente com a sua Palavra e a participação ativa nos sacramentos onde se nos comunica essa vida que “o Pastor” nos oferece.


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Comentário
OLHEM QUE AMOR...


O centro da mensagem das leituras deste domingo é definido na segunda leitura, onde João nos faz entender o amor imenso que Deus tem por nós. É um amor que se concretiza em uma relação real entre Deus e nós. Não só somos chamamos “filhos de Deus”, realmente o somos. Esse é a grande mudança que se produziu em nós como consequência da manifestação de Jesus. Este é o fato central que hoje devemos levar em conta. Somos “FILHOS DE DEUS”, como diz a segunda leitura, ainda não se manifestou o que seremos. Isto é, ainda nem nós mesmos somos capazes de nos dar conta do autêntico significado dessa afirmação. Seguramente já não devemos, nem podemos olhar a Deus como um senhor feudal ao qual temos que temer. Nosso Deus é um pai, um “ABBÁ” como gostava de dizer a Jesus em sua língua. É uma relação muito próxima, de enorme confiança, porque dele, de nosso “ABBÁ” só podemos esperar coisas boas.     

Jesus é nosso irmão maior. Veio para nos reunir em uma só família, para nos dar a conhecer esse fato fundamental de nossas vidas: que somos “FILHOS”. Por nós, seus irmãos, deu tudo, até a vida. Por isso, utiliza a imagem do Bom Pastor. Como o Pastor dá a vida por suas ovelhas, ele deu sua vida por nós. A imagem do pastor refere-se a Jesus. Fala-nos de seu modo de comportar-se conosco. Como o pastor cuida com amor da cada uma das ovelhas de seu rebanho, especialmente das mais frágeis, assim Jesus nos cuida a nós.         

Mas não há que levar a comparação à realidade. Nós não somos ovelhas, somos “filhos”. Não só isso. Somos “FILHOS DE DEUS”. Como filhos, somos herdeiros. Deus nos quer adultos, responsáveis, capazes de atuar livremente, de tomar decisões, de assumir nossos próprios riscos. Como um bom pai, sofrerá com nossos enganos e erros, mas não nos castigará. Nos dará bons conselhos e nos animará a tentar novamente. Porque o que ele quer é que cresçamos, que não sejamos perpétuas crianças senão filhos maiores com os quais possa dialogar ao mesmo nível.       

Hoje as leituras fazem-nos tomar consciência do amor com que Deus nos ama. É um amor que nos transforma em filhos. É um amor que fez com que Jesus desse a vida por nós, igual o que faz um pastor por suas ovelhas. É um amor que nos ajuda a crescer, que nos empurra a ser livres e adultos, irmãos de nossos irmãos. É um amor que nos faz nos sentir membros da família e responsáveis por cada um dos que vivem conosco. Isso, e não outra coisa, é ser filhos de Deus.


Para a reflexão


Quando penso em Deus, o vejo como um juiz, ao qual tenho que temer? Como um pai que se desfruta quando crescemos e assumimos nossas responsabilidades de uma forma livre e madura?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad Católica
Família Dehoniana


 

 

III Domingo da Páscoa - Ano B

A liturgia deste III Domingo da Páscoa convida-nos a descobrir esse Cristo vivo que acompanha os homens pelos caminhos do mundo, que com a sua Palavra anima os corações magoados e desolados, que se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para “PARTIR O PÃO”; apela, ainda, a que os discípulos sejam as testemunhas da ressurreição diante dos homens.
É no Evangelho, sobretudo, que esta mensagem aparece de forma nítida. O texto que nos é proposto põe Cristo, vivo e ressuscitado, caminhando ao lado dos discípulos, explicando as Escrituras, enchendo o coração dos discípulos de esperança e sentando com eles à mesa para “partir o pão”. É aí que os discípulos O reconhecem.
A primeira leitura mostra (através da história de Jesus) como o amor que se faz dom a Deus e aos irmãos, brota sempre ressurreição e vida nova; e convida a comunidade de Jesus a testemunhar essa realidade diante dos homens.
A segunda leitura convida a contemplar com olhos o projeto salvador de Deus, o amor de Deus pelos homens (expresso na cruz de Jesus e na sua ressurreição). Constatando a grandeza do amor de Deus, aceitamos o seu apelo a uma vida nova.


 


Primeira Leitura 
Salmo Responsorial
Segunda Leitura 
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura
VÓS MATASTES O AUTOR DA VIDA, MAS 
DEUS O RESSUSCITOU DOS MORTOS
.
Leitura do Atos dos Apóstolos (3,13-15.17-19)


Naqueles dias,
Pedro se dirigiu ao povo, dizendo:
13O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó,
o Deus de nossos antepassados
glorificou o seu servo Jesus.
Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos,
que estava decidido a soltá-lo.
14Vós rejeitastes o Santo e o Justo,
e pedistes a libertação para um assassino.
15Vós matastes o autor da vida,
mas Deus o ressuscitou dos mortos,
e disso nós somos testemunhas.
17E agora, meus irmãos,
eu sei que vós agistes por ignorância,
assim como vossos chefes.
18Deus, porém, cumpriu desse modo
o que havia anunciado pela boca de todos os profetas:
que o seu Cristo haveria de sofrer.
19Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos,
para que vossos pecados sejam perdoados.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 -  A primeira leitura insiste em uma mensagem que, nestes dias, aparece com grande insistência: Deus ressuscitou Jesus e não permitiu que a morte O derrotasse… A ressurreição de Cristo prova que uma vida gasta a serviço do plano do Pai, na entrega aos homens, não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à exaltação, à vida plena. É conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e autossuficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude.

2 - Uma outra ideia, que está bem associada ao texto, é a do testemunho… Pedro é o porta-voz de uma comunidade que conheceu e apreendeu a proposta de salvação que Cristo veio oferecer e que se sente, agora, investida da missão de dar testemunho dela diante dos homens. A Igreja, da qual fazemos parte, é hoje testemunha da proposta de salvação que Cristo fez; ela deve dizer a todos os homens o que aconteceu com Cristo e como Ele mostrou que a vida plena resulta do amor e do dom da vida. Sentimo-nos investidos dessa missão? Os homens desiludidos e desorientados encontram em nós uma proposta de vida definitiva e de realização plena? Somos nós que contaminamos o mundo e lhe oferecemos uma alternativa à desilusão, ou é o mundo que nos convence a viver de acordo com valores diferentes dos de Jesus?


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Salmo Responsorial
SOBRE NÓS FAZEI BRILHAR O ESPLENDOR DE VOSSA FACE!
Sl 4,2.4.7.9 (R. 7a)


Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

 2Quando eu chamo, respondei-me
ó meu Deus, minha justiça! 
Vós que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição,
atendei-me por piedade e escutai minha oração!

Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

4Compreendei que nosso Deus
faz maravilhas por seu servo, 
e que o Senhor me ouvirá
quando lhe faço a minha prece!

Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

7Muitos há que se perguntam:
'Quem nos dá felicidade?'
Sobre nós fazei brilhar
o esplendor de vossa face!

Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!

9Eu tranquilo vou deitar-me
e na paz logo adormeço,
pois só vós, ó Senhor Deus,
dais segurança à minha vida!

Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face!


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Segunda Leitura
ELE É A VÍTIMA DE EXPIAÇÃO PELOS NOSSOS PECADOS,
ETAMBÉM PELOS PECADOS DO MUNDO INTEIRO.
Leitura da Carta aos de São João (2,1-5a)


1Meus filhinhos,
escrevo isto para que não pequeis.
No entanto, se alguém pecar,
temos junto do Pai um Defensor:
Jesus Cristo, o Justo.
2Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados,
e não só pelos nossos,
mas também pelos pecados do mundo inteiro.
3Para saber que o conhecemos,
vejamos se guardamos os seus mandamentos.
4Quem diz: 'Eu conheço a Deus',
mas não guarda os seus mandamentos,
é mentiroso, e a verdade não está nele.
5aNaquele, porém, que guarda a sua palavra,
o amor de Deus é plenamente realizado.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O texto da segunda leitura convida-nos, antes de mais nada, a contemplar o imenso amor de Deus pelos homens. Esse amor traduziu-se no envio do próprio Filho (Jesus Cristo), com uma proposta de salvação. Da fidelidade do Filho ao projeto do Pai resultou o seu confronto com o egoísmo e o pecado e a morte na cruz. Não há maior expressão de amor do que entregar a vida em favor de alguém; e é dessa forma que Deus nos ama. Temos consciência disso?

2 - Da contemplação do amor de Deus tem de resultar uma resposta nossa. Segundo o autor da Primeira Carta de Pedro, essa resposta deve traduzir-se numa conduta nova de obediência a Deus, de entrega incondicional nas mãos de Deus, de adesão completa aos seus planos, valores e projetos. O amor de Deus inspira-me e motiva-me para viver – com coerência e fidelidade – os seus valores?

3 - O mundo em que vivemos valoriza mais o egoísmo e a autossuficiência do que o amor e a doação… Os homens do nosso tempo vivem, de forma geral, voltados para si mesmos, para os seus pequenos interesses pessoais e para a realização imediata dos seus sonhos, desejos e prioridades. Nós, os crentes, no entanto, somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica do amor e da entrega da vida até às últimas consequências.Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?


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Evangelho
ASSIM ESTÁ ESCRITO: O MESSIAS SOFRERÁ E
RESSUSCITARÁ DOS MORTOS NO TERCEIRO DIA.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo
Lucas (24,35-48)


Naquele tempo:
35Os dois discípulos contaram 
o que tinha acontecido no caminho,
e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
36Ainda estavam falando,
quando o próprio Jesus apareceu no meio deles
e lhes disse:
'A paz esteja convosco!'
37Eles ficaram assustados e cheios de medo,
pensando que estavam vendo um fantasma.
38Mas Jesus disse: 'Por que estais preocupados,
e porque tendes dúvidas no coração?
39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!
Tocai em mim e vede!
Um fantasma não tem carne, nem ossos,
como estais vendo que eu tenho'.
40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés.
41Mas eles ainda não podiam acreditar,
porque estavam muito alegres e surpresos.
Então Jesus disse:
'Tendes aqui alguma coisa para comer?'
42Deram-lhe um pedaço de peixe assado.
43Ele o tomou e comeu diante deles.
44Depois disse-lhes:
'São estas as coisas que vos falei
quando ainda estava convosco:
era preciso que se cumprisse tudo
o que está escrito sobre mim
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos'.
45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos
para entenderem as Escrituras,
46e lhes disse: 'Assim está escrito:
O Cristo sofrerá 
e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia
47e no seu nome, serão anunciados
a conversão e o perdão dos pecados
a todas as nações, começando por Jerusalém.
48Vós sereis testemunhas de tudo isso'.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro, mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer, e de encher o nosso coração de esperança.

2 - Como é que Ele nos fala? Como é que Ele faz renascer em nós a esperança? Como é que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: é ATRAVÉS DA PALAVRA DE DEUS, escutada, meditada, partilhada, acolhida no coração, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspectivas novas, nos dá a coragem de continuar, depois de cada fracasso, construir uma cidade ainda mais bonita. Qual lugar a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consciência de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperança através da sua Palavra?

3 - Quando é que os olhos do nosso coração se abrem para descobrir Jesus, vivo e atuante? Lucas responde: é na PARTILHA DO PÃO EUCARÍSTICO. Sempre que nos sentamos à mesa com a comunidade e partilhamos o pão que Jesus nos oferece, damos conta de que o Ressuscitado continua vivo, caminhando ao nosso lado, alimentando-nos ao longo da caminhada, ensinando-nos que a felicidade está no dom, na partilha, no amor. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado preenchendo a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida autêntica.

4 - E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Lucas responde: TEMOS DE LEVÁ-LO PARA OS CAMINHOS DO MUNDO, TEMOS DE PARTILHÁ-LO COM OS NOSSOS IRMÃOS, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova e definitiva.


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Comentário
PÁSCOA, TEMPO DE PERDÃO


Há uma ideia que percorre as três leituras deste domingo, a do perdão dos pecados. É um perdão que vai para além de todos os limites e que nos abre a novas possibilidades de vida, a uma nova esperança. Para os que converteram sua vida em um desastre, Deus abre novos caminhos. Não está tudo perdido porque o Deus que ressuscitou a Jesus dentre os mortos é o Deus do perdão misericordioso, não o da vingança.       

 A leitura dos Atos dos Apóstolos recolhe um dos primeiros discursos de Pedro aos judeus. Fala a uns surpreendidos israelitas que foram testemunhas de uma cura milagrosa. E diz-lhes que isso não é nada, que o mais importante é a ressurreição de Jesus, ao qual eles tinham matado, que foi Deus quem o fez. Esse foi um verdadeiro milagre. E o melhor é que em seu nome todos nós podemos nos arrepender e nossos pecados se apagarão. Na segunda leitura, João fala-nos de como todos nós temos um advogado ante o Pai que pede sempre pelo perdão de nossos pecados. Esse advogado é Jesus. Ele morreu não só pelo perdão de nossos pecados mais, pelos do mundo inteiro.        

E no Evangelho a mensagem do perdão mistura-se com outra mensagem que também nos chega muito no íntimo do coração: a mensagem da paz. Jesus ressuscitado aparece para seus discípulos, e o que faz primeiro é lhes desejar paz. Não é um fantasma o que aparece. É o verdadeiro Jesus. Quando o reconhecem, enche de alegria os discípulos. Ficaram atónitos. Não sabiam o que dizer. O tinham visto morto na cruz e agora o vêem vivo a seu lado. Jesus explica-lhes que tudo aconteceu tal e como o tinham anunciado os profetas. O Messias devia padecer e ressuscitar. E em seu nome se pregará a conversão e o perdão dos pecados a todos os povos.

A mensagem do perdão está presente, nas três leituras. E o Evangelho coroa a mensagem com a PAZ. O perdão traz a paz aos corações das pessoas e à sociedade. Talvez Jesus nos esteja dizendo que não há outra forma de alcançar a paz, a verdadeira paz, senão através do perdão. Talvez esteja-nos insinuando que a vingança nunca foi caminho para alcançar a paz senão uma maior violência, porque a vingança só é capaz de criar mais violência e morte. Isso vale para as pessoas e para as nações. Jesus rompe essa espiral de violência. Quando matamos o autor da vida, Deus o ressuscitou dentre os mortos e nos abriu o caminho que leva à verdadeira paz. É o CAMINHO DO PERDÃO. O perdão que recebemos generosamente de Deus e o que, também generosamente, tal e como o recebemos de Deus, outorgamos a nossos irmãos e irmãs.


Para a reflexão


Nós já experimentamos em nossa vida como a violência só gera violência? Conhecemos algum exemplo em contrário? Como o perdão pode, a qualquer momento, romper a espiral da violência? Quem temos que perdoar hoje? De quem precisamos receber o perdão?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB  
Ciudad Redonda: Comunidad Católica
Família Dehoniana


 

II Domingo da Páscoa - (Ano B)

A liturgia deste II Domingo da Páscoa apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.
Na primeira leitura temos, numa das “fotografia” que Lucas apresenta da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé num só coração e numa só alma; é uma comunidade que manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos de partilha e de dom e que, dessa forma, testemunha Jesus ressuscitado.
No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã os critérios que definem a vida cristã autêntica: o verdadeiro crente é aquele que ama Deus, que adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação que, através d’Ele, o Pai faz aos homens e que vive no amor aos irmãos. Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ ALMA.
Leitura do Atos dos Apóstolos (4,32-35)


32A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma.
Ninguém considerava como próprias as coisas que
possuía, mas tudo entre eles era posto em comum.
33Com grandes sinais de poder,
os apóstolos davam testemunho
da ressurreição do Senhor Jesus.
E os fiéis eram estimados por todos.
34Entre eles ninguém passava necessidade,
pois aqueles que possuíam terras ou casas,
vendiam-nas, levavam o dinheiro,
35e o colocavam aos pés dos apóstolos.
Depois, era distribuído 
conforme a necessidade de cada um.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1 - A comunidade cristã é uma “MULTIDÃO” que abraçou a mesma fé, isto é, aderiu a Jesus, aos seus valores, à sua proposta de vida. A Igreja não é um grupo unido por uma ideologia, ou por uma mesma visão do mundo, ou pela simpatia pessoal dos seus membros; mas é uma comunidade que agrupa pessoas de diferentes raças e culturas, unidas à volta de Jesus e do seu projeto de vida e que procuram encarnar a proposta de Jesus na realidade da sua vida quotidiana. Que lugar e que papel Jesus e as suas propostas ocupam na minha vida pessoal e na vida da minha comunidade cristã? Jesus é uma referência distante e pouco real, ou é uma presença constante, que me interroga, que me questiona e que me aponta caminhos?

2 - A comunidade cristã é uma FAMÍLIA UNIDA, onde os irmãos têm “um só coração e uma só alma”. Tal fato resulta da adesão a Jesus: seria um absurdo aderir a Jesus e ao seu projeto e, depois, conduzir a vida de acordo com mecanismos de divisão, de afastamento, de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência… A minha comunidade cristã é uma comunidade de irmãos que vivem no amor, ou é um grupo de pessoas isoladas, onde cada membro procura defender os seus interesses, mesmo que para isso tenha de magoar e de espezinhar os outros? No que me diz respeito, esforço-me por amar todos, por respeitar a liberdade e a dignidade de todos, por potenciar os contributos e as qualidades de todos?

3 - A comunidade cristã é uma COMUNIDADE DE PARTILHA. No centro dessa comunidade está o Cristo do amor, da partilha, do serviço, do dom da vida… O cristão não pode, portanto, viver fechado no seu egoísmo, indiferente à sorte dos outros irmãos. Em concreto, o nosso texto fala na partilha dos bens… Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros não têm o suficiente para viver dignamente, será uma comunidade que testemunha, diante dos homens, esse mundo novo de amor que Jesus veio propor? Será cristão aquele que, embora indo à igreja, só pensa em acumular bens materiais, recusando-se a escutar os dramas e sofrimentos dos irmãos mais pobres? Será cristão aquele que, embora contribuindo com dinheiro para as necessidades da paróquia, explora os seus operários ou comete injustiças?

4 - A comunidade cristã é uma comunidade QUE TESTEMUNHA O SENHOR RESSUSCITADO. Como? Através de palavras elegantes e de discursos bem elaborados, capazes de seduzir e de manipular as massas? O testemunho mais impressionante e mais convincente será sempre o testemunho de vida dos discípulos… Se conseguirmos criar verdadeiras comunidades fraternas, que vivam no amor e na partilha, que sejam sinais no mundo dessa vida nova que Jesus veio propor, estaremos a anunciar que Jesus está vivo, que está atuando em nós e que, através de nós, Ele continua a apresentar ao mundo uma proposta de vida verdadeira.


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Salmo Responsorial
DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM;
ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA!
Sl 117,2-4.16ab-18.22-24 (R. 1) 


DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM;
ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA!'

2A casa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
3A casa de Aarão agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'
4Os que temem o Senhor agora o digam:
'Eterna é a sua misericórdia!'

DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM;
ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA!'

16aA mão direita do Senhor fez maravilhas,
16ba mão direita do Senhor me levantou,
a mão direita do Senhor fez maravilhas!'
17Não morrerei, mas ao contrário, viverei
para cantar as grandes obras do Senhor!
18O Senhor severamente me provou,
mas não me abandonou às mãos da morte.

DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM;
ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA!'

22'A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
23Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
24Este é o dia que o Senhor fez para nós,
alegremo-nos e nele exultemos!

DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM;
ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA!'


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Segunda Leitura
TODO AQUELE QUE NASCEU DE DEUS VENCEU O MUNDO
Leitura da Carta aos de São João (5,1-6)


Caríssimos:
1Todo o que crê que Jesus é o Cristo,
nasceu de Deus,
e quem ama aquele que gerou alguém,
amará também aquele que dele nasceu.
2Podemos saber que amamos os filhos de Deus,
quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.
3Pois isto é amar a Deus:
observar os seus mandamentos.
E os seus mandamentos não são pesados,
4pois todo que nasceu de Deus vence o mundo.
E esta é a vitória que venceu o mundo:
a nossa fé.
5Quem é o vencedor do mundo,
senão aquele que crê
que Jesus é o Filho de Deus?
6Este é o que veio pela água e pelo sangue:
Jesus Cristo.
(Não veio somente com a água,
mas com a água e o sangue).
E o Espírito é que dá testemunho,
porque o Espírito é a Verdade.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - Na perspectiva do autor da Primeira Carta de João, o projeto de salvação que Deus apresentou ao homem passa por Jesus. Jesus que encarnou na nossa história, que nos revelou os caminhos do Pai, que com a sua morte mostrou aos homens o amor do Pai e que nos ensinou a amar até ao extremo do dom total da vida. Também na paixão e morte de Jesus se nos revela o caminho para nos tornarmos “FILHOS DE DEUS”: o processo passa por seguir o caminho de Jesus e por fazer da nossa vida um dom total de amor a Deus e aos nossos irmãos. Que é que Jesus significa para nós? Ele foi apenas um “homem bom” que a morte derrubou? Ou Ele é o Filho de Deus que veio ao nosso encontro para nos propor o caminho do amor total, a fim de chegarmos à vida definitiva? O caminho do amor, do dom, do serviço, da entrega que Cristo nos propôs é uma proposta que assumimos e procuramos viver?

2 - Amar a Deus e aderir a Jesus implica, na perspectiva do autor da Primeira Carta de João, o amor aos irmãos. Quem não ama os irmãos, não cumpre os mandamentos de Deus e não segue Jesus. É preciso que a nossa existência – a exemplo de Jesus – seja cumprida no amor a todos os que caminham pela vida ao nosso lado, especialmente aos mais pobres, aos mais humildes, aos marginalizados, aos abandonados, aos sem voz. O amor total e sem fronteiras, o amor que nos leva a oferecer integralmente a nossa vida aos irmãos, o amor que se revela nos gestos simples de serviço, de perdão, de solidariedade, de doação, está no nosso programa de vida?

3 - O autor da Primeira Carta de João também ensina, ainda, que o amor a Deus e a adesão a Cristo “VENCEM O MUNDO”. Os cristãos não se conformam com a lógica de egoísmo, de ódio, de injustiça, de violência que governa o mundo; a esta lógica, eles contrapõem a lógica do amor, a lógica de Jesus. O amor é um dinamismo que vence tudo aquilo que oprime o homem e que o impede de chegar à vida verdadeira e definitiva, à felicidade total. Ainda que o amor pareça, por vezes, significar fragilidade, debilidade, fracasso, frente à violência dos poderosos e dos senhores do mundo, a verdade é que o amor terá sempre a última e definitiva palavra. Só ele assegura a vida verdadeira e eterna, só ele é caminho para o mundo novo e melhor com que os homens sonham.


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Evangelho
OITO DIAS DEPOIS, JESUS ENTROU.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo João (20,19-31)


19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam,
Jesus entrou e pondo-se no meio deles,
disse: 'A paz esteja convosco'.
20Depois destas palavras,
mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram
por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio'.
22E depois de ter dito isto,
soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo.
23A quem perdoardes os pecados 
eles lhes serão perdoados;
a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze,
não estava com eles quando Jesus veio.
25Os outros discípulos contaram-lhe depois:
'Vimos o Senhor!'. Mas Tomé disse-lhes:
'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos,
se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos
e não puser a mão no seu lado, não acreditarei'.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos
novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.
Estando fechadas as portas, Jesus entrou,
pôs-se no meio deles e disse: 'A paz esteja convosco'.
27Depois disse a Tomé:
'Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.
E não sejas incrédulo, mas fiel'.
28Tomé respondeu: 'Meu Senhor e meu Deus!'
29Jesus lhe disse: 'Acreditaste, porque me viste?
Bem-aventurados os que creram sem terem visto!'
30Jesus realizou muitos outros sinais
diante dos discípulos,
que não estão escritos neste livro.
31Mas estes foram escritos para que acrediteis que
Jesus é o Cristo, o Filho de Deus,
e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 – A catequese que João nos apresenta nos Evangelho garante-nos a presença de Cristo no meio da sua COMUNIDADE EM MARCHA PELA HISTÓRIA. Os discípulos de Jesus vivem no mundo, numa situação de fragilidade e de debilidade; experimentam, como os outros homens e mulheres, o sofrimento, o desalento, a frustração, o desânimo; têm medo quando o mundo escolhe caminhos de guerra e de violência; sofrem quando são atingidos pela injustiça, pela opressão, pelo ódio do mundo; conhecem a perseguição, a incompreensão e a morte… Mas são sempre animados pela esperança, pois sabem que Jesus está presente, oferecendo-lhes a sua paz e apontando-lhes o horizonte da vida definitiva. O cristão é sempre animado pela esperança que brota da presença a seu lado de Cristo ressuscitado. Não devemos, nunca, esquecer esta realidade.

2 - A presença de Cristo ao lado dos seus discípulos é sempre uma PRESENÇA RENOVADORA E TRANSFORMADORA. É esse Espírito que Jesus oferece continuamente aos seus, que faz deles homens e mulheres novos, capazes de amar até ao fim, ao jeito de Jesus; é esse Espírito que Jesus oferece aos seus, que faz deles testemunhas do amor de Deus e que lhes dá a coragem e a generosidade para continuarem no mundo a obra de Jesus.

3 - A comunidade cristã que gira em TORNO DE JESUS, RECEBE VIDA, AMOR E PAZ. Sem Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito, e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?

4 - A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a EXPERIÊNCIA DO ENCONTRO COM JESUS RESSUSCITADO. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, transformando e renovando o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo ressuscitado, encontra-O em nós? O amor de Jesus – amor total, universal e sem medida – transparece nos nossos gestos?

5 - Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas, egoístas, que encontramos Jesus ressuscitado; mas o encontramos no DIÁLOGO COMUNITÁRIO, na PALAVRA PARTILHADA, no PÃO REPARTIDO, no amor que une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a Eucaristia?


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Comentário
UMA COMUNIDADE CRENTE


A fé sempre ocorre em comunidade. Jesus não é reconhecido na solidão, mas no relacionamento com os irmãos e irmãs que compõem a comunidade eclesial. É a comunidade de crentes que faz o caminho da fé, apoiando-se mutuamente, pondo em comum as dúvidas e dificuldades, as descobertas.... Os crentes correm o risco de acreditar em coisas comuns, o que é sempre mais complicado, mas mais prazeroso do que acreditar na solidão. Na relação fraterna, a confissão de fé torna-se um compromisso público que tenho que verificar em minha conduta cotidiana diante dos outros.

Essa realidade tão fundamental para a Igreja se reflete nas leituras deste domingo. Os Atos dos Apóstolos enfatizam o aspecto da partilha de tudo por parte da comunidade de crentes. Aqueles que formaram a Igreja nos primeiros dias tinham tudo em comum. No meio da comunidade, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor. O testemunho foi bem recebido e compartilhado. A fé foi compartilhada e celebrada. A vida também foi compartilhada em todas as suas dimensões. Então, ninguém estava necessitado. Todos consolavam-se na fé e em tudo o que é necessário para viver.

Mas isso não significa que a primeira comunidade não tivesse problemas, crer que era fácil para eles. Não era nem mesmo simples para os próprios apóstolos. A fé na ressurreição de Jesus não foi alcançada num piscar de olhos. Foi um processo no qual os apóstolos e os outros discípulos estavam crescendo juntos. O Evangelho de hoje é uma testemunha direta dessa realidade. Jesus se faz presente no meio dos discípulos, fala ao coração, confirma-nos na fé. Todo mundo se sente mais seguro. Todos menos Tomé, que não estava presente no momento em que Jesus apareceu. Não é que duvida-se. Ele simplesmente quer ter certeza de que é realmente Jesus quem aparece, que ele não é um fantasma ou uma ilusão. Ele não está disposto a dar sua vida por nada. É por isso que ele quer ver o sinal dos cravos e colocar o dedo no buraco. Ele quer ter a certeza de seguir a Jesus e não um fruto de sua imaginação. E ele viu e acreditou.

Hoje nos é proposto, comunidade cristã, encontrar Jesus. Não com o Jesus que imaginamos, mas com o verdadeiro Jesus dos Evangelhos. Somos forçados a ler o Evangelho detalhadamente. Para nos comprometermos a segui-lo, porque ele está vivo, porque ele ressuscitou. Acreditar em sua ressurreição compromete nossa vida de tal maneira que nada pode permanecer o mesmo. Na frente dos irmãos e irmãs nos comprometemos a viver como cristãos, como seus discípulos, 24 horas por dia.


Para a reflexão


Dizer que Jesus ressuscitou significa crer na vida eterna, mas também tem alguma consequência? Como posso ser um sinal de ressurreição para aqueles que vivem comigo, para minha família ou minha comunidade? Eu me atrevo a me comprometer a ser um cristão na frente da minha comunidade?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB 
Ciudad Redonda: Comunidad Católica
Família Dehoniana


 

 

Solenidade da Páscoa da Ressurreição do Senhor (Ano B)

A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.
A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).
A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo batismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova, até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).



 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura 
Sequência Pascal
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
COMEMOS E BEBEMOS COM ELE DEPOIS
QUE RESSUSCITOU DOS MORTOS.

Leitura do Atos dos Apóstolos (10,34a.37-43)


Naqueles dias:
34aPedro tomou a palavra e disse:
37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia,
a começar pela Galileia,
depois do batismo pregado por João:
38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus
com o Espírito Santo e com poder.
Ele andou por toda a parte, fazendo o bem
e curando a todos os que estavam dominados pelo
demônio; porque Deus estava com ele.
39E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez
na terra dos judeus e em Jerusalém.
Eles o mataram, pregando-o numa cruz.
40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia,
concedendo-lhe manifestar-se
41não a todo o povo,
mas às testemunhas que Deus havia escolhido:
a nós, que comemos e bebemos com Jesus,
depois que ressuscitou dos mortos.
42E Jesus nos mandou pregar ao povo
e dar testemunho que Deus o constituiu
Juiz dos vivos e dos mortos.
43Todos os profetas dão testemunho dele:
'Todo aquele que crê em Jesus
recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'.'
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


1- A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a “fazendo o bem e libertando os oprimidos”. Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, a mentira, a injustiça e fazer triunfar o amor, está ressuscitando; significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se dá aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irmãos, está construindo uma vida nova e plena. Eu estou ressuscitando (porque caminho pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos), ou a minha vida é um repisar os velhos esquemas do egoísmo, do orgulho, do comodismo?

2 - A ressurreição de Jesus significa, também, que o medo, a morte, o sofrimento, a injustiça, deixam de ter poder sobre o homem que ama, que se dá, que partilha a vida. Ele tem assegurada a vida plena – essa vida que os poderes do mundo não podem destruir, atingir ou restringir. Ele pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da fé. Estou consciente disto, ou deixo-me dominar pelo medo, sempre que tenho de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a mim e a cada um dos meus irmãos?

3 - Aos discípulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurreição. Nós não vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experiência do Senhor ressuscitado, que está vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da história. A nossa missão é dar testemunho dessa realidade; no entanto, o nosso testemunho será oco e vazio se não for comprovado pelo amor e pela doação (as marcas da vida nova de Jesus).


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Salmo Responsorial
ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS:
ALEGREMO-NOS E NELE EXULTEMOS!

Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)


Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!

1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
'Eterna é a sua misericórdia!'
2Acasa de Israel agora o diga:
'Eterna é a sua misericórdia!'

Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!

16A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou,
17Não morrerei, mas ao contrário, viverei
para cantar as grandes obras do Senhor!

Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!

22'A pedra que os pedreiros rejeitaram,
tornou-se agora a pedra angular.
23Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!

Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos

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Segunda Leitura
ESFORÇAI-VOS POR ALCANÇAR AS COISAS
DO ALTO, ONDE ESTÁ CRISTO. 

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (3,1-4)


Irmãos:
1Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
2onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.
3Pois vós morrestes,
e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo,
então vós aparecereis também com ele,
revestidos de glória.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


1 - O Batismo introduz-nos numa dinâmica de comunhão com Cristo ressuscitado. A partir do Batismo, Cristo passa a ser o centro e a referência fundamental à volta da qual se constrói toda a vida do crente. Qual o lugar que Cristo ocupa na minha vida? Tenho consciência de que o meu Batismo significou um compromisso com Cristo?

2 - A identificação com Cristo implica o assumir uma dinâmica de vida nova, despojada do egoísmo, do orgulho, do pecado e feita doação a Deus e aos irmãos. O cristão torna-se então, verdadeiramente, alguém que “aspira às coisas do alto” – quer dizer, alguém que, embora vivendo nesta terra e desfrutando as realidades deste mundo, tem como referência última os valores de Deus. Não se pede ao crente que seja um alienado, alguém que viva olhando para o céu e que se demita do compromisso com o mundo e com os irmãos; mas se pede que não faça dos valores do mundo a sua prioridade, a sua referência última. A minha vida tem sido uma caminhada coerente com esta dinâmica de vida nova que começou no dia em que fui batizado? Esforço-me, realmente, por me despojar do “homem velho”, egoísta e escravo do pecado, e por me revestir do “homem novo”, que se identifica com Cristo e que vive no amor, no serviço, na doação aos irmãos? Paulo, a partir do exemplo de Cristo, garante-nos que esse caminho de despojamento do “homem velho” não é um caminho de derrota e de fracasso; mas é um caminho de glória, no qual se manifesta a realidade da vida eterna, da vida verdadeira.

3 - Quando, de alguma forma, tenho um papel ativo na preparação ou na celebração do sacramento do Batismo, tenho consciência – e procuro passar essa mensagem – de que o sacramento não é um ato tradicional ou social (que, por acaso, até proporciona fotografias bonitas), mas um compromisso sério e exigente com Cristo?


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Sequência Pascal


À Vítima pascal
ofereçam os cristãos
sacrifícios de louvor.

O Cordeiro resgatou as ovelhas:
Cristo, o Inocente,
reconciliou com o Pai os pecadores.

A morte e a vida
travaram um admirável combate:
Depois de morto,
vive e reina o Autor da vida.

Diz-nos, Maria:
Que viste no caminho?

Vi o sepulcro de Cristo vivo
e a glória do Ressuscitado.
Vi as testemunhas dos Anjos,
vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:
precederá os seus discípulos na Galileia.

Sabemos e acreditamos:
Cristo ressuscitou dos mortos:
Ó Rei vitorioso,
tende piedade de nós.


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Evangelho
ELE DEVIA RESSUSCITAR DOS MORTOS. 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo João (20,1-9)


1No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus,
bem de madrugada, quando ainda estava escuro,
e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
2Então ela saiu correndo
e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo,
aquele que Jesus amava,
e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo,
e não sabemos onde o colocaram.'
3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo
e foram ao túmulo.
4Os dois corriam juntos,
mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro
e chegou primeiro ao túmulo.
5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo.
Viu as faixas de linho deitadas no chão
7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas,
mas enrolado num lugar à parte.
8Então entrou também o outro discípulo,
que tinha chegado primeiro ao túmulo.
Ele viu, e acreditou.
9De fato, eles ainda não tinham compreendido a
Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


1 - Também aqui – como em várias outras passagens do Evangelho – Pedro desempenha um papel estranho e infeliz: é o papel de um discípulo que continua sem sintonia com Jesus e com a sua lógica. No entanto, não podemos ser demasiado duros com Pedro: ele é, apenas, o paradigma de uma figura de discípulo que conhecemos bem: o discípulo que tem dificuldade em perceber Jesus e os seus valores, pois está habituado a funcionar de acordo com outros valores e padrões – os valores e padrões dos homens. A lógica humana ensina-nos que o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões, a doação e a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo, à glória; da cruz, do amor radical, da doação de si, não pode resultar realização, felicidade, vida plena, êxito profissional ou social. Como nos situamos face a esta lógica?

2 - A ressurreição de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas, passa pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Garante-nos que a vida gasta a amar não é perdida nem fracassada, mas é o caminho para a vida plena e verdadeira, para a felicidade sem fim. Temos consciência disso? É nessa direção que conduzimos a caminhada da nossa vida?

3 - A figura de Pedro pode também representar, aqui, essa velha prudência dos responsáveis institucionais da Igreja, que os impede de ir à frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreensível. O Evangelho de hoje sugere que é, precisamente nesse novo, desconcertante, incompreensível à luz da lógica humana que, tantas vezes, se revela o mistério de Deus e se encontram ecos de ressurreição e de vida nova.


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Comentário
JÁ AMANHECE, EMBORA AINDA ESTEJA ESCURO.


Durante a vigília pascal milhões de cristãos, muitos de nós, permanecemos em vigília porque queríamos ver a luz, assistir ao amanhecer da nova criação. Mas, quem nos avisou que devíamos permanecer em vigília?

Nossa mente e nossos corações voltam-se agradecidos àqueles primeiros discípulos que viveram aquela noite e a anterior sob o peso insuportável da morte do Mestre, sem saber o que aconteceria naquele amanhecer do primeiro dia da semana. Mesmo assim, elas também não podiam dormir, sentiam que deviam permanecer em vigília, ir de madrugada ao sepulcro. Dentre todos eles, se destacam as mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, assinalava ontem à noite o evangelista Lucas; João, hoje, fixa-se só na primeira.

Maria Madalena vai ao sepulcro quando ainda estava escuro, mas já está amanhecendo. O poder da morte parece ainda dominar, mas, na realidade, embora não o percebamos, a Luz da Ressurreição já ilumina a noite. A lâmpada que guia Maria na noite de sua tristeza é o amor: o amor pelo Mestre, que sobrevive à morte. Temos a experiência de que, ao morrer um ser querido, o amor nos impulsiona a estar perto dele, embora esteja morto, como querendo reter sua presença entre nós. Maria, por puro amor, quer estar próxima de Jesus; ela e as outras mulheres querem se ocupar do cadáver de Cristo, sem saber que o sepulcro está fechado hermeticamente.  

A morte é repudio e escuridão, são decomposição e caos. Mas Maria, e depois o discípulo amado e Pedro, encontram o sepulcro vazio, aberto, com luz, e em ordem (as vendas, o sudário dobrado em um local aparte). O primeiro na experiência da Ressurreição não é o aparecimento (de anjos, do mesmo Cristo), senão a ausência: não está o cadáver, e os sinais de morte, escuridão e caos se desvaneceram. E este “ver” a ausência é suficiente para começar a crer.

Desta maneira paradoxal e indireta os evangelhos vão indicando que os sinais do poder da morte, tão poderosa que nem o Filho de Deus pôde a superar, começam a esmaecer.

O fato de que não “vejam” o Senhor Ressuscitado, mais só a ausência de Jesus morto, e os sinais da morte recolhidos e ordenados, nos ilustram o que significa “ver” e “crer”. O primeiro diz que não se trata de relatos fantásticos, criados para surpreender, para suscitar credulidade, e produzir um alarde de imaginação e de recursos narrativos maravilhosos. Ao invés, destacam por sua austeridade e singeleza, quase por sua “normalidade”. Narra-se um desaparecimento.

O segundo elemento, continuamente presente a todos os relatos da Ressurreição, é a dificuldade que tiveram os discípulos para crer na Ressurreição. Não foi coisa de um momento, senão um processo longo e difícil de maturação na fé. Começando pela experiência do sepulcro vazio até “ver” o Senhor, tiveram de fazer todo um caminho. O evangelho de hoje nos diz bem: “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20, 9).

Assim como o processo de seguimento de Jesus, desde o primeiro encontro na Galileia, momento de entusiasmo (queriam fazer-lhe rei?), mas também de imaturidade, requer ir entendendo que o messianismo de Jesus não é um caminho de rosas, requer ir a Jerusalém; do mesmo modo para “ver” ao ressuscitado deve-se fazer o caminho inverso: de Jerusalém a Galileia, o local do primeiro amor, a recuperação da inocência depois da experiência terrível da frustração da morte, do fracasso e o abandono: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão” (Jo 20, 17; Mt 28, 10).

Em nosso descrente mundo e em nosso descrente modo de vida a ordem habitual é: ver - saber - crer. Costuma-se dizer: “eu só creio no que vejo”. Embora, precisamente o que se vê com os olhos do corpo não é necessário crer. Essa afirmação significa que, na realidade, não se crê em nada. É um saber dirigido ao domínio, ao poder, que busca garantias, e só desde aí pode ser aberto debilmente ao amor (uma forma verdadeira, mais inferior de amor, dominada pelo desejo, o “amor concupiscente” de que falavam os teólogos medievais). Só se aceita o que está submetido ao controle do próprio poder. Assim, em relação a Jesus, qualquer pode saber certas coisas: “Conhecem o que aconteceu na Judeia...”, diz Pedro, colocar ante os olhos de seus ouvidos informações controláveis que chega até a morte de Cristo. Esse saber de fatos relativos a Jesus é acessível a todos, mas não pressupõe nem o amor nem a fé.

O evangelho de hoje ensina-nos uma lógica completamente diferente. O que está possuído pela lógica do poder não pode a entender, por que aqui são inúteis as demonstrações. Aqui parte-se de um “não saber”: E “diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro? ” (Mc 16, 3), “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram! ” (Jo 20, 2), que ele tinha que ressuscitar dentre os mortos (Jo 20, 9). Mas é um “não saber” que, pese ao desconcerto e a desolação, está iluminado pelo amor, pelo desejo de estar junto ao ser amado. Enquanto um olhar desorientado que permanece aqui cega, é o amor o que habilita para “ver”: nos sinais de morte (o sepulcro vazio, as vendas enroladas, o sudário dobrado), sinais de vida, e, a partir desses indícios, crer. O amor vai para além dos dados, vê em profundidade, é capaz de intuir. E só a partir deste crer guiado pelo amor é possível, agora sim, ver o Senhor Ressuscitado. Mas disto não se fala ainda no evangelho do dia de Páscoa. Hoje se sublinham só as condições (o amor e a fé) desta experiência.

Isto explica a ordem desta forma de “ver”: primeiro Maria Madalena, depois o discípulo “que Jesus amava”, por fim, Pedro, ao qual o discípulo cede o acesso ao sepulcro. A ordem do amor nem sempre coincide com a ordem hierárquica: o amor (e sua sabedoria) é um dom aberto a todos sem distinções, que não depende de cargos nem de títulos. Mas também, e isto é muito importante, o verdadeiro amor, embora corra mais, aceita essa ordem hierárquica como uma exigência sua e, por isso, João cede ante Pedro. E é que a fé e o encontro com o ressuscitado não são assuntos meramente privados e subjetivos, senão que estão vinculados a uma comunidade: a comunidade dos discípulos. Às vezes diz-se que Jesus não queria fundar uma Igreja (é surpreendente o muito que sabem alguns, que sabem até que não queria Jesus). Mas parece irrefutável que Jesus queria a seus discípulos, queria a sua comunidade, queria que se mantivesse unida e, ao mesmo tempo, aberta: porque a comunidade de discípulos é necessariamente uma comunidade de testemunhas.

Não é possível “demonstrar” a Ressurreição de Cristo, porque só pode a aceitar quem está bem-disposto. Mas sim é possível testemunhá-la: não há provas, senão testemunhas, esta é a via para transmitir esta Boa Notícia, que não deve permanecer encerrada no círculo dos que fizeram esta experiência. O Ressuscitado mostra-se e aparece não a todos, senão às testemunhas que ele tinha designado: a nós, que comemos e bebemos com ele após sua Ressurreição. Estes são, somos os que amamos a Cristo, os que o buscamos entre os mortos, mas o encontramos vivo: em sua Palavra e em sua Eucaristia, na qual comemos e bebemos com Ele. E, se pelo Batismo e a Eucaristia ressuscitamos com ele, temos que buscar “os bens de lá acima”; e esses bens são os que estão contidos no amor, que guiou nossa busca, tem que guiar toda nossa vida: amar a Cristo, e por ele amar a todos. É nas obras do amor nas que sublinhamos o “vere” do surrexit! Não se trata de um slogan ou de um desejo piedoso. Ante o anúncio do “Ressuscitou! ”, nos cristãos gritamos “ELE RESSUSCITOU VERDADEIRAMENTE” (surrexit vere).

Esse é o modo de mostrar que Cristo vive: no testemunho de uma vida baseada no amor. Os que pretendem somente crer no que veem, não podem aceitar “demonstrações”, mas talvez possam ser movidos pelo depoimento da fé encarnada nas boas obras.

Depois da catequese quaresmal, o tempo de Páscoa é tempo de mistagógica (de aprofundamento): os que receberam o Batismo como uma imersão na morte de Cristo estão iluminados sobre o processo da fé que nos permite ver Jesus. A liturgia, a palavra de Deus, Jesus que caminha conosco e nos acompanha em nossas alegrias e em nossas tristezas, nos vai explicando passo a passo, domingo a domingo, onde podemos o encontrar e “vê-lo”.

Porém hoje convida-nos a meditar sobre a própria fé, talvez morta, ou latente, ou adormecida, ou imatura, em todo caso sempre necessitada de novos impulsos. Desilusões, experiências vitais, incompreensões, puderam debilitar nossa fé, ou levaram-nos a nos afastar (voltar a Emaús), nos afastar de Jerusalém, nos esquecer da Galileia. Pode ser que pareça que a fé foi uma formosa ilusão da juventude, mas os acontecimentos da vida nos ensinaram que isso que esperávamos tem sido frustrado pelo chato realismo da vida.

A mensagem da Páscoa nos diz: pese os muitos sinais de morte, é possível “compreender as Escrituras” (mas há que as escutar, Jesus as explica), “partir o pão” (devemos o compartilhar ali onde Jesus o partiu para nós), “ver” a Jesus e crer nele, que caminha conosco apesar de que nossos olhos ofuscados não sejam capazes de lhe reconhecer. E isso é possível porque Ele está vivo! Maria Madalena, o discípulo amado, Pedro, milhares de gerações de cristãos transmitiram-nos a possibilidade de fazer também nós esta experiência vida.

Não há provas, mas há testemunhas. Você pode ser uns deles.


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FONTES DE REFERÊNCIA


Liturgia - A Palavra de Deus na Vida – CNBB
Ciudad Redonda: Comunidad Católica

Família Dehoniana

 

Vigília Pascal na Noite Santa

“Jesus jaz na tumba e os apóstolos crêem que tudo terminou. Todo o dia de sábado seu corpo descansa no sepulcro. Porém, sua mãe, Maria, se lembra do que disse seu filho: Ao terceiro dia ressuscitarei. Os Apóstolos vão chegando a seu lado, e Ela lhes consola.”

O Sábado Santo é um dia de luto imenso, de silêncio e de espera vigilante da Ressurreição. A Igreja em particular recorda a dor, a valentia e a esperança da Virgem Maria.”

Ela representa a angústia de uma Mãe que tem entre seus braços seu Filho morto, porém não se pode esquecer neste momento, Ela é a única que conserva em seu coração as palavras do ancião Simeão, que bem profetizou que Cristo seria sinal de contradição e uma espada lhe transpassaria a alma, também indicou que Jesus seria sinal de ressurreição.

O que os discípulos tinham esquecido, Maria conservava no coração: a profecia da ressurreição ao terceiro dia. E Maria esperou até o terceiro dia.



Primeira Leitura (Gn 1,1-2,2)
Salmo - Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. 30)
Segunda Leitura (Gn 22,1-18)
Salmo - Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)
Terceira Leitura (Ex 14, 15 15,1)
Salmo - Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 15,1a)
Quarta Leitura (Is 54,5-14)
Salmo - Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)
Quinta Leitura (Is 55,1-11)
Salmo - Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)
Sexta Leitura (Br 3,9-15.32-4,4)
Salmo - Sl 18,8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)
Sétima Leitura (Ez 36,16-17a.18-28)
Salmo - Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2)
Oitava Leitura (Rm 6,3-11)

Evangelho (Mc 16,1-7)
Comentário


Primeira Leitura
Leitura do Livro do Gênesis (Gn 1,1 - 2,2)


1No princípio Deus criou o céu e a terra.
2A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
3Deus disse: 'Faça-se a luz!' E a luz se fez.
4Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.
5E à luz Deus chamou 'dia' e às trevas, 'noite'. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.
6Deus disse: 'Faça-se um firmamento entre as águas, separando umas das outras'.
7E Deus fez o firmamento, e separou as águas que estavam embaixo, das que estavam em cima do firmamento. E assim se fez.
8Ao firmamento Deus chamou 'céu'. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.
9Deus disse: 'Juntem-se as águas que estão debaixo do céu num só lugar e apareça o solo enxuto!' E assim se fez.
10Ao solo enxuto Deus chamou 'terra' e ao ajuntamento das águas, 'mar'. E Deus viu que era bom.
11Deus disse: 'A terra faça brotar vegetação e plantas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, que tenham nele a sua semente sobre a terra'. E assim se fez.
12E a terra produziu vegetação e plantas que trazem semente segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto tendo nele a semente da sua espécie. E Deus viu que era bom.
13Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia.
14Deus disse: 'Façam-se luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite. Que sirvam de sinais para marcar as épocas, os dias e os anos,
15e que resplandeçam no firmamento do céu e iluminem a terra'. E assim se fez.
16Deus fez os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para presidir o dia, e o luzeiro menor para presidir à noite, e as estrelas.
17Deus colocou-os no firmamento do céu para alumiar a terra,
18para presidir ao dia e à noite e separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom.
19E houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.
20Deus disse: 'Fervilhem as águas de seres animados de vida e voem pássaros sobre a terra, debaixo do firmamento do céu'.
21Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que nadam, em multidão, nas águas, segundo as suas espécies, e todas as aves, segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom.
22E Deus os abençoou, dizendo: 'Sede fecundos e multiplicai-vos e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra'.
23Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia.
24Deus disse: 'Produza a terra seres vivos segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies'. E assim se fez.
25Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos segundo as suas espécies e todos os répteis do solo segundo as suas espécies. E Deus viu que era bom.
26Deus disse: 'Façamos o homem à nossa imagem e segundo à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra'.
27E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou.
28E Deus os abençoou e lhes disse: 'Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra'.
29E Deus disse: 'Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento.
30E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento'. E assim se fez.
31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom.
Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.
2,1E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército.
2No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera.

Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. 30)


Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
De majestade e esplendor vos revestis
e de luz vos envolveis como num manto.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

terra vós firmastes em suas bases,
ficará firme pelos séculos sem fim;
os mares a cobriam como um manto,
e as águas envolviam as montanhas.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Fazeis brotar em meio aos vales as nascentes
que passam serpeando entre as montanhas;
às suas margens vêm morar os passarinhos,
entre os ramos eles erguem o seu canto.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

De vossa casa as montanhas irrigais,
com vossos frutos saciais a terra inteira;
fazeis crescer os verdes pastos para o gado
e as plantas que são úteis para o homem.

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras,
e que sabedoria em todas elas!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

Enviai o vosso Espírito Senhor,
e da terra toda a face renovai.


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Segunda Leitura
Leitura do Livro do Gênesis (
Gn 22,1-18)


Naqueles dias:
1Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: 'Abraão!'
E ele respondeu: 'Aqui estou'.
2E Deus disse: 'Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirije-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um monte que eu te indicar'.
3Abraão levantou-se bem cedo, selou o jumento, tomou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaac.
Depois de ter rachado lenha para o holocausto, pôs-se a caminho, para o lugar que Deus lhe havia ordenado.
4No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar.
5Disse, então, aos seus servos: 'Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos até lá.
Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós'.
6Abraão tomou a lenha para o holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. E os dois continuaram caminhando juntos.
7Isaac disse a Abraão: 'Meu pai'.
- 'Que queres, meu filho?', respondeu ele.
E o menino disse: 'Temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?'
8Abraão respondeu: 'Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho'. E os dois continuaram caminhando juntos.
9Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar.
10Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho.
11E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: 'Abraão! Abraão!'
Ele respondeu: 'Aqui estou!'.
12E o anjo lhe disse: 'Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único'.
13Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho.
14Abraão passou a chamar aquele lugar: 'O Senhor providenciará'. Donde até hoje se diz: 'Sobre o monte o Senhor providenciará'.
15O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu,
16e lhe disse: 'Juro por mim mesmo - oráculo do Senhor -, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único,

17eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos.
18Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste'.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a) 


Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
pois não haveis de me deixar entregue à morte,
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!


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Terceira Leitura
Leitura do Livro do Êxodo (
Ex 14, 15 15,1)


Naqueles dias:
15O Senhor disse a Moisés: 'Por que clamas a mim por socorro? Dize aos filhos de Israel que se ponham em marcha.
16Quanto a ti, ergue a vara, estende o braço sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar.
17De minha parte, endurecerei o coração dos egípcios, para que sigam atrás deles, e eu seja glorificado às custas do Faraó, e de todo o seu exército, dos seus carros e cavaleiros.
18E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu for glorificado às custas do Faraó, dos seus carros e cavaleiros'.
19Então, o anjo do Senhor, que caminhava à frente do acampamento dos filhos de Israel, mudou de posição e foi para trás deles; e com ele, ao mesmo tempo, a coluna de nuvem, que estava na frente, colocou-se atrás,
20inserindo-se entre o acampamento dos egípcios e o acampamento dos filhos de Israel. Para aqueles a nuvem era tenebrosa, para estes, iluminava a noite. Assim, durante a noite inteira, uns não puderam aproximar-se dos outros.
21Moisés estendeu a mão sobre o mar, e durante toda a noite o Senhor fez soprar sobre o mar um vento leste muito forte; e as águas se dividiram.
22Então, os filhos de Israel entraram pelo meio do mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam como que uma muralha à direita e à esquerda.
23Os egípcios puseram-se a perseguí-los, e todos os cavalos do Faraó, carros e cavaleiros os seguiram mar adentro.
24Ora, de madrugada, o Senhor lançou um olhar, desde a coluna de fogo e da nuvem, sobre as tropas egípcias e as pôs em pânico.
25Bloqueou as rodas dos seus carros, de modo que só a muito custo podiam avançar. Disseram, então, os egípcios: 'Fujamos de Israel! Pois o Senhor combate a favor deles, contra nós'.
26O Senhor disse a Moisés: 'Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem contra os egípcios, seus carros e cavaleiros'.
27Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar voltou ao seu leito normal, enquanto os egípcios, em fuga, corriam ao encontro das águas, e o Senhor os mergulhou no meio das ondas.
28As águas voltaram e cobriram carros, cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinha entrado no mar em perseguição de Israel. Não escapou um só.
29Os filhos de Israel, ao contrário, tinham passado a pé enxuto pelo meio do mar, cujas águas lhes formavam uma muralha à direita e à esquerda.
30Naquele dia, o Senhor livrou Israel da mão dos egípcios, e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar,

31e a mão poderosa do Senhor agir contra eles. O povo temeu o Senhor, e teve fé no Senhor e em Moisés, seu servo.
15,1Então, Moisés e os filhos de Israel cantaram ao Senhor este cântico.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 15,1a)


Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória:
precipitou no Mar Vermelho o Cavalo e o cavaleiro!
O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar,
pois foi ele neste dia para mim libertação!
Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai e o honrarei.

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

O Senhor é um Deus guerreiro;
o seu nome é 'Onipotente'.

Os soldados e os carros do Faraó jogou no mar;
afogou no mar Vermelho a elite das tropas.

 Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

E as ondas os cobriram,
como pedra eles afundaram.
Vossa direita, ó Senhor, é terrível em poder.
Vossa direita, ó Senhor, aniquila o inimigo!

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!

Vosso povo levareis e o plantareis em vosso Monte,
no lugar que preparastes para a vossa habitação,
no Santuário construído pelas vossas próprias mãos.
O Senhor há de reinar eternamente, pelos séculos!

Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!


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Quarta Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías (
Is 54,5-14)


5Teu esposo é aquele que te criou, seu nome é Senhor dos exércitos; teu redentor, o Santo de Israel, chama-se Deus de toda a terra.
6O Senhor te chamou, como a mulher abandonada e de alma aflita; como a esposa repudiada na mocidade, falou o teu Deus.
7Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te.
8Num momento de indignação, por um pouco ocultei de ti minha face, mas com misericórdia eterna compadeci-me de ti, diz teu salvador, o Senhor.
9Como fiz nos dias de Noé, a quem jurei nunca mais inundar a terra, assim juro que não me irritarei contra ti nem te farei ameaças.
10Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor.
11Pobrezinha, batida por vendavais, sem nenhum consolo, eis que assentarei tuas pedras sobre rubis, e tuas bases sobre safiras;
12revestirei de jaspe tuas fortificações, e teus portões, de pedras preciosas, e todos os teus muros, de pedra escolhida.
13Todos os teus filhos serão discípulos do Senhor, teus filhos possuirão muita paz;
14terás a justiça por fundamento. Longe da opressão, nada terás a temer; serás livre do terror, porque ele não se aproximará de ti.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)


Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
Vós tirastes minha alma dos abismos
e me salvastes, quando estava já morrendo!

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
Pois sua ira dura apenas um momento,
mas sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,
de manhã vem saudar-nos a alegria.

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!

Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!
Transformastes o meu pranto em uma festa,
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!


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Quinta Leitura
Leitura do Livro Profeta Isaías (
Is 55,1-11)


Assim diz o Senhor:
1Â vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga.
2Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo.
3Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi.
4Eis que fiz dele uma testemunha para os povos, chefe e mestre para as nações.
5Eis que chamarás uma nação que não conhecias, e acorrerão a ti povos que não te conheciam, por causa do Senhor, teu Deus, e do Santo de Israel, que te glorificou.
6Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto.
7Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão.
8Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor.
9Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra.
10Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação,
11assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)


Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo;
o Senhor é minha força, meu louvor e salvação.
Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Com alegria bebereis do manancial da salvação.

e direis naquele dia: 'Dai louvores ao Senhor,
invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas,
dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime

Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos,
publicai em toda a terra suas grandes maravilhas!
Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!'

Com alegria bebereis do manancial da salvação.


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Sexta Leitura
Leitura do Livro Profeta Baruc (
Br 3,9-15.32-4,4)


9Ouve, Israel, os preceitos da vida; presta atenção, para aprenderes a sabedoria.
10Que se passa, Israel?
Como é que te encontras em terra inimiga?
11Envelheceste num país estrangeiro, te contaminaste com os mortos, foste contado entre os que descem à mansão dos mortos.
12Abandonaste a fonte da sabedoria!
13Se tivesses continuado no caminho de Deus, viverias em paz para sempre.
14Aprende onde está a sabedoria, onde está a fortaleza e onde está a inteligência,
e aprenderás também onde está a longevidade e a vida, onde está o brilho dos olhos e a paz.
15Quem descobriu onde está a sabedoria?
Quem penetrou em seus tesouros?
32Aquele que tudo sabe, conhece-a, descobriu-a com sua inteligência; aquele que criou a terra para sempre e a encheu de animais e quadrúpedes;
33aquele que manda a luz, e ela vai, chama-a de volta, e ela obedece tremendo.
34As estrelas cintilam em seus postos de guarda e alegram-se;
35ele chamou-as, e elas respondem: 'Aqui estamos'; e alumiam com alegria o que as fez.
36Este é o nosso Deus, e nenhum outro pode comparar-se com ele.
37Ele revelou todo o caminho da sabedoria a Jacó, seu servo, e a Israel, seu bem-amado.
38Depois, ela foi vista sobre a terra e habitou entre os homens.
4,1A sabedoria é o livro dos mandamentos de Deus, é a lei, que permanece para sempre. Todos os que a seguem, têm a vida, e os que a abandonam, têm a morte.
2Volta-te, Jacó, e abraça-a; marcha para o esplendor, à sua luz.
3Não dês a outro a tua glória nem cedas a uma nação estranha teus privilégios.
4Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 18,8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)


Senhor, tens palavras de vida eterna.
Alei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz.
Senhor, tens palavras de vida eterna.
É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.
Senhor, tens palavras de vida eterna.


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Sétima Leitura
Leitura da Profecia de Ezequiel (
Ez 36,16-17a.18-28)


16A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
17a'Filho do homem, os da casa de Israel estavam morando em sua terra.
Mancharam-na com sua conduta e suas más ações.
18Então derramei sobre eles a minha ira, por causa do sangue que derramaram no país
e dos ídolos com os quais o mancharam.
19Eu dispersei-os entre as nações, e eles foram espalhados pelos países.
Julguei-os de acordo com sua conduta e suas más ações.
20Quando eles chegaram às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome; pois deles se comentava:
'Esse é o povo do Senhor; mas tiveram de sair do seu país!`
21Então eu tive pena do meu santo nome que a casa de Israel estava profanando
entre as nações para onde foi.
22Por isso, dize à casa de Israel:
Assim fala o Senhor Deus: Não é por causa de vós que eu vou agir, casa de Israel,
mas por causa do meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes.
23Vou mostrar a santidade do meu grande nome, que profanastes no meio das nações.
As nações saberão que eu sou o Senhor. - oráculo do Senhor Deus -
quando eu manifestar minha santidade à vista delas por meio de vós.
24Eu vos tirarei do meio das nações, vos reunirei de todos os países,
e vos conduzirei para a vossa terra.
25Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados.
Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos.
26Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós.
Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne;
27porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos.
28Habitareis no país que dei a vossos pais.
Sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.
Palavra do Senhor..


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Salmo Resposorial
Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2)


A minh'alma tem sede de Deus.
A minh'alma tem sede de Deus,
e deseja o Deus vivo.
Quando terei a alegria de ver
a face de Deus?
A minh'alma tem sede de Deus.
Peregrino e feliz caminhando
para a casa de Deus,
entre gritos, louvor e alegria
da multidão jubilosa.
A minh'alma tem sede de Deus.
Enviai vossa luz, vossa verdade:
elas serão o meu guia;
que me levem ao vosso Monte santo,
até a vossa morada!
A minh'alma tem sede de Deus.


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Oitava Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (
Rm 6,3-11)


Irmãos:
3Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados?
4Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova.
5Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição.
6Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado.
7Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado.
8Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.
9Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais;a morte já não tem poder sobre ele.
10Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive.
11Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.


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Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos (16,1-7)


1Quando passou o sábado,
Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, e Salomé,
compraram perfumes para ungir o corpo de Jesus.
2E bem cedo, no primeiro dia da semana,
ao nascer do sol, elas foram ao túmulo.
3E diziam entre si:
'Quem rolará para nós a pedra da entrada do túmulo?'
4Era uma pedra muito grande.
Mas, quando olharam,
viram que a pedra já tinha sido retirada.
5Entraram, então, no túmulo e viram um jovem,
sentado do lado direito, vestido de branco.
E ficaram muito assustadas.
6Mas o jovem lhes disse:
'Não vos assusteis!
Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado?
Ele ressuscitou. Não está aqui.
Vede o lugar onde o puseram.
7Ide, dizei a seus discípulos e a Pedro
que ele irá à vossa frente, na Galiléia.
Lá vós o vereis, como ele mesmo tinha dito'.
Palavra da Salvação.


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Comentário
A Ressurreição do Desaparecido


A celebração desta noite nos oferece uma perspectiva esplêndida da história. Fala-nos da origem do fogo, da luz, de nosso nascimento na água. Evocam-nos os grandes textos de nossa tradição que relatam a criação, o êxodo, as vozes proféticas que deram senso à história.

Porém, o mais surpreendente acaba se ser proclamada na leitura do evangelho. O texto nos comunicou o fenômeno mais surpreendente na história humana: o desaparecimento total do Corpo morto de Jesus

Em três dias um corpo morto não se dissolve totalmente. A hipótese de um roubo ou profanação da tumba foi desde o princípio descartado. O que aconteceu? 
Testemunhas do desaparecimento misterioso do corpo foram somente mulheres: Maria Madalena, Joana, Maria de Santiago e outras. Todas elas discípulas de Jesus que o haviam seguido desde a Galiléia e tinham chegado até o Calvário e assistido a sua execução, embora de longe. Estas mesmas mulheres queriam ungir o corpo de Jesus, mas quando chegaram de manhã ao sepulcro, o encontraram vazio.

Dois homens com vestidos luminosos - símbolos talvez dos primeiros evangelizadores da Ressurreição, como por exemplo, Paulo em 1 Cor 15, lhes anunciam o desaparecimento e a motivo: o corpo morto tinha sido ressuscitado por Deus; tinha assumido uma forma de vida muito superior a anterior, o Espírito de Deus o converteu em portador de vida eterna; mais real que o real! Mais vital que o vivente!

O corpo não desapareceu. Os olhos humanos já não podem perceber tanta densidade ontológica, uma realidade inimaginável, tão divina. Os sentidos colidem com os seus limites. Ante tanta visibilidade e luz, os sentidos se cegam, ante tanta realidade o tato se torna insensível, ante a voz tão esplendida e transformadora, o ódio se torna absolutamente surdo.

"Não está aqui!" os dois mensageiros nos indicam que somente a quem é concedido superar este nível, poderá reconhecê-lo e senti-lo. As mulheres são convidadas a recordar, como a Mãe de Jesus, as palavras do Senhor quando, vindo da Galiléia para Jerusalém lhes falou de sua morte e ressurreição. As discípulas recordaram e creram! Não buscaram Jesus. Creram Nele como vivente.

Os discípulos masculinos, por outro lado, se sobressaltaram ante o anúncio das mulheres. Eles não acreditaram. Pedro iniciou sua busca particular. Estranhou o que viu no sepulcro, porém o corpo de Jesus não estava lá.

Não deixa de ser uma ironia da vida que aqueles a quem - como dizemos - confiou Jesus seu corpo na “Última Ceia”, seja aos que perderam a perspectiva de sua fé; e aquelas a quem - segundo dissemos - Jesus não confiou seu corpo, sejam as que vão embalsamá-lo e depois as mais preocupadas em encontra-Lo, não têm dificuldade em crer em sua presença real embora invisível.

Esta noite celebramos a ressurreição, mas sem aparições. A Ressurreição do Desaparecido.
O excelente relato de Mateus nesta primeira parte - antes de qualquer aparição do Ressuscitado - nos confronta com a qualidade de nossa fé e confiança. Cremos de verdade na realidade de Jesus e desconfiamos da capacidade de nossos sentidos para detectá-lo? Estamos convencidos de nossa necessidade de um “suplemento de fé”, dados os limites de nossa percepção sensorial. “Vem a fé por suplemento os sentidos completar” (praestet fides supplementum sensuum defectui).

Se nos é concedido crer na Ressurreição, translademos à região da vida; deixemos nossas tumbas e lamentações; não nos preocupemos tanto com os sepulcros. Todo corpo morto tem data de vencimento. Está ameaçado de vida. Deus Pai e seu Espírito estão vigilantes. A qualquer momento dirão a outros corpos aquelas palavras pascais: “Tu és meu filho, minha filha... eu te gerei hoje!”.

É esta noite o momento principal e fundamental da história. Nela somos convidados a entrar no limiar da Páscoa, onde tudo muda de sentido e a Esperança nos acolhe.


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