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A Palavra

II Domingo do Advento (Ano C)

Podemos situar o tema do II domingo do Advento à volta da missão profética. Ela é um apelo à conversão, à renovação, no sentido de eliminar todos os obstáculos que impedem a chegada do Senhor ao nosso mundo e ao coração dos homens. Esta missão é uma exigência que é feita a todos os batizados, chamados – neste tempo em especial – a dar testemunho da salvação/libertação que Jesus Cristo veio trazer.
O Evangelho apresenta-nos o profeta João Batista, que convida os homens a uma transformação total quanto à forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da vida. Para que Jesus possa caminhar ao encontro de cada homem e apresentar-lhe uma proposta de salvação, é necessário que os corações estejam livres e disponíveis para acolher a Boa Nova do Reino. É esta missão profética que Deus continua, hoje, a confiar-nos.
A primeira leitura sugere que este “caminho” de conversão é um verdadeiro êxodo da terra da escravidão para a terra da felicidade e da liberdade. Durante o percurso, somos convidados a despir-nos de todas as cadeias que nos impedem de acolher a proposta libertadora que Deus nos faz. A primeira leitura convida-nos, ainda, a viver este tempo numa serena alegria, confiantes no Deus que não desiste de nos apresentar uma proposta de salvação, apesar dos nossos erros e dificuldades.
A segunda leitura chama a atenção para o fato da comunidade se preocupar com o anúncio profético e se manifestar, concretamente, a sua solidariedade para com todos aqueles que fazem sua a causa do Evangelho. Sugere, também, que a comunidade deve dar um verdadeiro testemunho de caridade, banindo as divisões e os conflitos: só assim ela dará testemunho do Senhor que vem.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura              
DEUS GUIARÁ ISRAEL, COM ALEGRIA,
À LUZ DE SUA GLÓRIA.

Leitura do Livro do Profeta (Baruc 5,1-9)


1Despe ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição,
e reveste, para sempre, os adornos da glória
vinda de Deus.
2Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e
põe na cabeça o diadema da glória do Eterno.
3Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém,
a todos os que estão debaixo do céu.
4Receberás de Deus este nome para sempre:
'Paz-da-justiça e glória-da-piedade'.
5Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto
e olha para o Oriente!
Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo,
desde o poente até o levante,
jubilosos por Deus ter-se lembrado deles.
6Saíram de ti, caminhando a pé,
levados pelos inimigos.
Deus os devolve a ti, conduzidos com honras,
como príncipes reais.
7Deus ordenou que se abaixassem
todos os altos montes e as colinas eternas,
e se enchessem os vales, para aplainar a terra,
a fim de que Israel caminhe com segurança,
sob a glória de Deus.
8As florestas e todas as árvores odoríferas,
darão sombra a Israel, por ordem de Deus.
9Sim, Deus guiará Israel, com alegria,
à luz de sua glória, manifestando a misericórdia
e a justiça que dele procedem.
Palavra do Senhor.


Referências para reflexão da Primeira Leitura


A reflexão pode ser realizada a partir das seguintes sugestões:

01 -  O Advento é um tempo favorável para o êxodo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Neste tempo somos especialmente confrontados com as cadeias que ainda nos prendem e convidados a percorrer esse caminho de regresso que a bondade e a ternura de Deus vão aplanar, a fim de que possamos regressar à cidade nova da alegria e da liberdade. Em termos pessoais, quais são as escravidões que ainda nos prendem e nos impedem de acolher o Senhor que vem? As nossas comunidades são, verdadeiramente, oásis de justiça, de fraternidade, de comunhão, de partilha e de serviço? Que falta fazer, a nível comunitário, para acolher o dom de Deus e tornar realidade essa cidade da justiça e da piedade?

02 -  “Vê os teus filhos… estão cheios de alegria porque Deus se lembrou deles” (Baruc 5,5). É nesta atmosfera de alegria e de confiança serena na ação salvadora do nosso Deus que somos convidados a viver este tempo de mudança e a preparar a vinda do Senhor às nossas vidas.


início


Salmo Responsorial
MARAVILHAS FEZ CONOSCO O SENHOR, EXULTEMOS DE ALEGRIA!
Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)


Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!
1Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,
parecíamos sonhar;
2aencheu-se de sorriso nossa boca,
2bnossos lábios, de canções.
Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!
2cEntre os gentios se dizia: 'Maravilhas
2dfez com eles o Senhor!'
3Sim, maravilhas fez conosco o Senhor*
exultemos de alegria
Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!
Mudai a nossa sorte, ó Senhor,
como torrentes no deserto.
5Os que lançam as sementes entre lágrimas
ceifarão com alegria.
Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!
6Chorando de tristeza sairão,
espalhando suas sementes;
cantando de alegria voltarão,
carregando os seus feixes!
Maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!


início


Segunda Leitura
FICAREIS PUROS E SEM DEFEITO
PARA O DIA DE CRISTO.

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses (1,4-6.8-11)


Irmãos:
4Sempre em todas as minhas orações
rezo por vós, com alegria,
5por causa da vossa comunhão conosco
na divulgação do Evangelho,
desde o primeiro dia até agora.
6Tenho a certeza de que
aquele que começou em vós uma boa obra,
há de levá-la à perfeição até ao dia de Cristo Jesus.
8Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós,
com a ternura de Cristo Jesus.
9E isto eu peço a Deus:
que o vosso amor cresça sempre mais,
em todo o conhecimento e experiência,
10para discernirdes o que é o melhor.
E assim ficareis puros e sem defeito
para o dia de Cristo,
11cheios do fruto da justiça
que nos vem por Jesus Cristo,
para a glória e o louvor de Deus.
Palavra do Senhor


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


A reflexão sobre o texto da segunda leitura pode ter em conta os seguintes pontos:

01 - A essência da Igreja de Jesus é ser missionária. “Ide e anunciai” - diz Jesus. Para que Jesus venha, para que a sua proposta de salvação chegue a todos os povos da terra, é necessário este compromisso contínuo com a evangelização. As nossas comunidades sentem este imperativo missionário? Sentem a necessidade de fazer Jesus nascer para todos os povos? Estão atentas às necessidades e são solidárias com aqueles que dão a sua vida à causa do anúncio de Jesus? É com ternura e carinho que acolhemos os catequistas das crianças, dos jovens, dos adultos da nossa comunidade?

02 - Só é possível acolher, com um coração puro e irrepreensível, o Senhor que vem se a caridade for, entre nós, uma realidade viva. Mas, frequentemente, a vida das nossas comunidades cristãs é marcada pelas divisões, pelas murmurações, pelas lutas pelo poder, pelas tentativas de manipular, pelos interesses mesquinhos e egoístas, pelas guerras de sacristia… Será possível “esperar com coração puro e irrepreensível o Senhor que vem” num contexto de divisão? Será possível à comunidade ser o espaço onde Jesus nasce, se não se aceitam todas as pessoas e em especial os pequenos e os pobres?

03 - É possível que a nossa comunidade não seja, ainda, um modelo de perfeição: somos um grupo de irmãos com os nossos limites e defeitos… Sem desânimo, devemos ter presente que somos uma comunidade “a caminho”, em processo de construção. O que é importante é que saibamos acolher o Senhor que vem e deixar que Ele nos conduza à plenitude da vida e do amor.


início


Evangelho
TODAS AS PESSOAS VERÃO A SALVAÇÃO DE DEUS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (3,1-6)


1No décimo quinto ano do império de Tibério César,
quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia,
Herodes administrava a Galiléia,
seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide,
e Lisânias a Abilene;
2quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes,
foi então que a palavra de Deus
foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.
3E ele percorreu toda a região do Jordão,
pregando um batismo de conversão
para o perdão dos pecados,
4como está escrito
no Livro das palavras do profeta Isaías:
'Esta é a voz daquele que grita no deserto:
'preparai o caminho do Senhor,
endireitai suas veredas.
5Todo vale será aterrado,
toda montanha e colina serão rebaixadas;
as passagens tortuosas ficarão retas
e os caminhos acidentados serão aplainados.
6E todas as pessoas verão a salvação de Deus''.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


Elementos para a reflexão e a atualização da Palavra:

01 - João é o profeta, cujo anúncio prepara o coração dos homens para acolher o Messias. A dimensão profética está sempre presente na comunidade dos batizados. A todos nós, constituídos profetas pelo batismo, Deus chama a dar testemunho de que o Senhor vem preparar os caminhos por meio dos quais Jesus chegará ao coração do mundo e dos homens. Preparar o caminho do Senhor é convidar a uma conversão urgente, que elimine o egoísmo, que destrua os esquemas de injustiça e de opressão, que derrote as cadeias que mantêm os homens prisioneiros do pecado… Preparar o caminho do Senhor é um reorientar a vida para Deus, de forma a que Deus e os seus valores passem a ocupar o primeiro lugar no nosso coração e nas nossas prioridades de vida.

02 - Esse processo de conversão é um verdadeiro êxodo, que nos transportará da terra da opressão para a terra nova da liberdade, da graça e da paz. Só quem aceita percorrer esse “caminho” experimentará a “salvação de Deus”.

03 - A preocupação de Lucas em situar concretamente, no espaço e no tempo, os acontecimentos da salvação chama a atenção aos profetas que anunciam a “vinda do Senhor”, no sentido de encarnar o seu anúncio no contexto cultural e político onde estão inseridos, a ir ao encontro do homem concreto, com a sua linguagem, os seus problemas concretos, as suas ânsias, os seus dramas, sonhos e esperanças. A linguagem com que o profeta anuncia a salvação não pode ser uma linguagem desencarnada, mas tem se ser uma linguagem viva, que questione, interpelativa.


início


Comentário
AQUI E AGORA, NESTE MOMENTO


A esperança tem um tempo concreto. A esperança não é algo que sempre permanece em um futuro impreciso e disforme. A esperança condiciona nossa maneira de viver aqui e agora. A esperança nos faz pensar em algo que dá sentido ao que acontece aqui e agora, neste momento, na minha vida e na dos meus irmãos, no mundo e no universo. No Advento, nossa esperança, a confiança de que este nosso presente tem sentido, encontra suas raízes na história, repetida a cada ano e nunca totalmente assimilada no todo, do nascimento de Jesus. Todo o Advento é orientado para esta memória.

Mas precisamos perceber que a história do nascimento de Jesus não é um mito da antiguidade. Não é uma história inventada para justificar certos comportamentos ou crenças. É algo que aconteceu em um momento histórico específico, em um lugar geográfico específico. O nascimento de Jesus é a encarnação de Deus. E essa encarnação é real. Não é uma visão. Não é um romance de ficção. Não é um sonho. Jesus foi um personagem histórico. Estava relacionado a pessoas. O Evangelho de Lucas se esforça para apresentá-lo em conexão com os eventos históricos do momento. Se Jesus foi batizado por João, então Lucas nos informa que João começou seu ministério profético "no décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério". E dá mais informação histórica.

 Não é trivial lembrar que a encarnação coloca Deus em nossa história, em um momento e em um tempo concreto. Isto significa que a nossa vida cristã, que se desenvolve e se desdobra baseada na fé e na esperança na salvação que Deus nos oferece em Jesus, é vivida e experimentada na concretude da nossa história. Isso significa que nosso relacionamento com Deus não tem lugar fora desta história, mas nesta história.

O Advento nos faz descer das alturas, nos faz deixar o silêncio dos nossos quartos e capelas, das nossas igrejas e rituais. Convida-nos a ir à rua, misturar-se ao barulho das pessoas, dos carros, dos vendedores, dos pobres que pedem esmolas e das sirenes da polícia. O Advento nos lembra que é aqui que encontramos Deus. O primeiro sacramento, o mais autêntico e real de todos, é a pessoa humana. Qualquer pessoa humana é um sinal e presença de Deus. Quando Deus escolheu se aproximar de nós, ele assumiu uma face concreta, a de Jesus. Desde então, qualquer rosto - e talvez mais fortemente, o mais sujo, o mais rasgado, o mais sofrido - é um sacramento da presença de Deus entre nós. Hoje, aqui e agora, olhamos para nossos irmãos e irmãs e descobrimos que Jesus, aquele que vem, dá sentido ao nosso compromisso de tornar o mundo mais justo e mais fraterno.


Para reflexão


Estou ciente de que minha vida cristã é desempenhada no relacionamento com meus irmãos e irmãs? Eu vejo neles a presença de Deus que me chama para construir o seu Reino? Eu me comportaria de maneira diferente se visse Jesus na cara dele? Quais seriam as diferenças?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf
Liturgia Diária - CNBB 
Dehonianos


 

I Domingo de Advento (Ano C)

Neste I Domingo do Tempo do Advento, a Palavra de Deus apresenta-nos uma primeira abordagem à “vinda” do Senhor.
Na primeira leitura, pela boca do profeta Jeremias, o Deus da aliança anuncia que é fiel às suas promessas e vai enviar ao seu Povo um “rebento” da família de Davi. A sua missão será concretizar esse mundo sonhado de justiça e de paz: fecundidade, bem-estar, vida em abundância, serão os frutos da ação do Messias.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Messias filho de Davi, para anunciar a todos os que se sentem prisioneiros: “alegrai-vos, a vossa libertação está próxima. O mundo velho ao qual estais presos vai cair e, em seu lugar, vai nascer um mundo novo, onde conhecereis a liberdade e a vida em plenitude. Estai atentos, a fim de acolherdes o Filho do Homem que vos traz o projeto desse mundo novo”. É preciso, no entanto, reconhecê-lo, saber identificar os seus apelos e ter a coragem de construir, com Ele, a justiça e a paz.
A segunda leitura convida-nos a não nos instalarmos na mediocridade e no comodismo, mas esperar numa atitude ativa para vinda do Senhor. É fundamental, nessa atitude, a vivência do amor: é ele o centro do nosso testemunho pessoal, comunitário, eclesial.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
O SENHOR É A NOSSA JUSTIÇA.
Leitura do Livro de Jeremias (33,14-16)


14'Eis que virão dias, diz o Senhor,
em que farei cumprir a promessa de bens futuros
para a casa de Israel e para a casa de Judá.
15Naqueles dias, naquele tempo,
farei brotar de Davi a semente da justiça,
que fará valer a lei e a justiça na terra.
16Naqueles dias, Judá será salvo
e Jerusalém terá uma população confiante;
este é o nome que servirá para designá-la:
'O Senhor é a nossa Justiça'.'
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


A atualização desta mensagem profética pode fazer-se de acordo com as seguintes coordenadas:
01 - O ambiente em que estamos mergulhados potencializa, tantas vezes, o medo, a frustração, o negativismo, a insegurança, o pessimismo… É possível acreditar no Deus da “justiça”, fiel à “aliança”, comprometido com os homens e continuar a olhar para o mundo nessa perspectiva negativa, como se Deus tivesse abandonado os homens e já não presidisse à nossa história?

02 - No Novo Testamento, esta “justiça” é comunicada pelo “Messias” a todos os membros do povo eleito (cf. Rom 1,17; 1 Cor 1,30; 2 Cor 5,21; Flp 3,9). Sentimo-nos, verdadeiramente, membros do povo messiânico, construtores desse mundo de justiça, de paz, de felicidade para todos? Qual é a atitude que define o nosso empenho: o compromisso sério com a justiça e a paz, ou o comodismo de quem prefere demitir-se das suas responsabilidades e passar ao lado da vida?


início


Salmo Responsorial
SENHOR MEU DEUS, A VÓS ELEVO A MINHA ALMA!
Sl 24,4bc-5ab.8-9.1014 (R.1b)


Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,
e fazei-me conhecer a vossa estrada!
Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação!
Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
O Senhor é piedade e retidão,
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
Ele dirige os humildes na justiça,
e aos pobres ele ensina o seu caminho.
Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
Verdade e amor são os caminhos do Senhor
para quem guarda sua Aliança e seus preceitos.
O Senhor se torna íntimo aos que o temem
e lhes dá a conhecer sua Aliança.
Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!


início


Segunda Leitura
APRENDESTES DE NÓS COMO DEVEIS
VIVER PARA AGRADAR A DEUS. 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 3,12-4,2)


Irmãos:
3,12O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com
todos aumente e transborde sempre mais,
a exemplo do amor que temos por vós.
13Que assim ele confirme os vossos corações
numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso
Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus,
com todos os seus santos.
4,1Enfim, meus irmãos, eis o que vos pedimos
e exortamos no Senhor Jesus:
Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a
Deus, e já estais vivendo assim.
Fazei progressos ainda maiores!
2Conheceis, de fato, as instruções
que temos dado em nome do Senhor Jesus.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


A confrontação deste texto com a vida pode ter em conta os seguintes elementos:

01 - A caminhada cristã nunca é um processo acabado, mas uma construção permanente, que recomeça em cada novo instante da vida. O cristão não é aquele que é perfeito; mas é aquele que, em cada dia, sente que há um caminho novo a fazer e não se conforma com o que já fez, nem se instala na mediocridade. É nesta atitude que somos chamados a viver este tempo de espera do Messias.

02 - Uma dimensão fundamental da nossa experiência cristã é a caridade: só aprofundando cada vez mais podemos sentir-nos identificados com Aquele que partilhou a vida com todos nós, até à morte na cruz; só praticando, podemos fazer uma verdadeira experiência de Igreja e construir uma comunidade de irmãos; só a vivendo, podemos ser, para os homens que partilham conosco esta vasta casa que é o mundo, o rosto do Deus que ama.


início


Evangelho
ENTÃO ELES VERÃO O FILHO DO HOMEM,
VINDO NUMA NUVEM COM GRANDE PODER E GLÓRIA. 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (21,25-28,34-36)


Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos:
25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas.
Na terra, as nações ficarão angustiadas,
com pavor do barulho do mar e das ondas.
26Os homens vão desmaiar de medo,
só em pensar no que vai acontecer ao mundo,
porque as forças do céu serão abaladas.
27Então eles verão o Filho do Homem,
vindo numa nuvem com grande poder e glória.
28Quando estas coisas começarem a acontecer,
levantai-vos e erguei a cabeça,
porque a vossa libertação está próxima.
34Tomai cuidado para que vossos corações
não fiquem insensíveis por causa da gula,
da embriaguez e das preocupações da vida,
e esse dia não caia de repente sobre vós;
35pois esse dia cairá como uma armadilha
sobre todos os habitantes de toda a terra.
36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento,
a fim de terdes força
para escapar de tudo o que deve acontecer
e para ficardes em pé diante do Filho do Homem.
Palavra da Salvação.


Referencias para reflexão do Evangelho


A reflexão acerca do Evangelho de hoje pode tocar, entre outros, os seguintes pontos:
01 - A realidade da história humana está marcada pelas nossas limitações, pelo nosso egoísmo, pelo destruição do planeta, pela escravidão, pela guerra e pelo ódio, pela prepotência dos senhores do mundo… Quantos milhões de homens conhecem, dia a
dia, um quadro de miséria e de sofrimento que os torna escravos, roubando-lhes a vida e a dignidade… A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre a porta à esperança e grita a todos os que vivem na escravidão: “alegrai-vos, pois a vossa libertação está próxima. Com a vinda próxima de Jesus, o projeto de salvação/libertação de Deus vai tornar-se uma realidade viva; o mundo velho vai converter-se numa nova realidade, de vida e de felicidade para todos”.

02 - No entanto, a salvação que transformará as nossas existências não é uma realidade que deva ser esperada de braços cruzados. É preciso “ESTAR ATENTO” a essa salvação que nos é oferecida como dom, e aceitá-la. Jesus vem; mas é necessário reconhecê-lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. É preciso, também, ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Jesus, deixar que Ele nos transforme o coração e Se faça vida nos nossos gestos e palavras.

03 - É preciso, ainda, ter presente, que este mundo novo, que está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho, nunca será uma realidade plena nesta terra, mas sim uma realidade escatológica, cuja plenitude só acontecerá depois de Cristo, o Senhor, haver destruído definitivamente o mal que nos torna escravos.


início


Comentário
DA ESPERA À ESPERANÇA 


Começa o Advento. É tempo de preparação para o Natal, quando celebraremos o nascimento de Jesus. Todos nós gostaríamos de transformar os nossos corações em um coração livre das preocupações e problemas, em um verdadeiro coração de criança. As quatro semanas de Advento são algo mais que um tempo de preparação para essa celebração. A espera do aniversário do nascimento de Jesus, situa-nos na mesma tensão em que viveu o mundo e a criação inteira ante o nascimento do Messias. Já passaram dois mil anos e é como se um calafrio percorresse o mundo. O Salvador esta prestes a chegar. Gostaríamos que da salvação prometida em Jesus se tivesse manifestado já em sua plenitude. E esta é precisamente a tensão em que vamos viver estas quatro semanas. A espera da celebração do nascimento se mistura com a esperança de que o Senhor Jesus venha definitivamente a nossos corações e ao nosso mundo.

As leituras que a liturgia nos oferece nestes domingos, especialmente as duas primeiras, visam encorajar essa esperança. Porque sabemos que vivemos no sim da fé, mas não em sua plena manifestação. Porque sabemos que cremos, mas que não somos capazes de realizar de maneira total essa fé que temos. Porque cremos que Jesus, quando ressuscitou, nos libertou da morte, mas ainda temos que passar por momentos amargos. E há muita dor e sofrimento neste mundo. Por tudo isso, desejamos fortemente que a palavra de Jesus seja cumprida, que seu reino venha a nós. "VENHA, SENHOR JESUS!", habite em nossos corações. Isso é viver em esperança.

A primeira leitura deste domingo e o Evangelho nos colocou nessa posição. O Senhor vem e com ele traz justiça. A paz será uma realidade para todos (primeira leitura). O eco dos anúncios apocalípticos que ouvimos alguns domingos atrás ainda ressoam no Evangelho, mas há uma nova mensagem que fecha o ciclo e dá sentido ao que foi dito naquelas mensagens: "QUANDO ESTAS COISAS COMEÇAREM A ACONTECER, LEVANTAI-VOS E ERGUEI A CABEÇA, PORQUE A VOSSA LIBERTAÇÃO ESTÁ PRÓXIMA.". Desta forma, a esperança superará o medo.

Porém, devemos ir à segunda leitura para encontrar a chave que nos diz como deve ser vivido este tempo de esperança. Paulo nos pede que transbordemos de amor mútuo. Essa será a forma como, quando chegar Jesus, nos encontrará santos e irrepreensíveis. Uma vez mais é o amor a caraterística que tem de encher a vida do cristão. Sua esperança tem de se manifestar em uma especial capacidade de amar aos que vivem próximos. Porque o quem espera a um Deus que é amor e reconciliação vive já sob a lei do amor e da reconciliação. Se não é assim, sua esperança não é autêntica.


Para a reflexão


Sinto como meus as dores e sofrimentos de meus irmãos e irmãs neste mundo? Como poderia me preparar para a celebração do nascimento de Jesus? Que sinais de esperança poderíamos oferecer em nossa comunidade ou paroquia?


início


 FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf 
Liturgia Diária - CNBB  
Dehonianos


 

 

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (Ano B)

No XXXIV Domingo do Tempo Comum, celebramos a Solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. A Palavra de Deus que nos é proposta neste último domingo do ano litúrgico convida-nos a tomar consciência da realeza de Jesus; deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se concretiza de acordo com uma lógica própria, a lógica de Deus. O Evangelho, especialmente, explica qual é a lógica da realeza de Jesus.
A primeira leitura anuncia que Deus vai intervir no mundo, a fim de eliminar a crueza, a ambição, a violência, a opressão que marcam a história dos reinos humanos. Através de um “filho de homem” que vai aparecer “sobre as nuvens”, Deus vai devolver à história a sua dimensão de “humanidade”, possibilitando que os homens sejam livres e vivam na paz e na tranquilidade. Os cristãos verão nesse “filho de homem” vitorioso um anúncio da realeza de Jesus.
Na segunda leitura, o autor do Livro do Apocalipse apresenta Jesus como o Senhor
do Tempo e da História, o princípio e o fim de todas as coisas, o “príncipe dos reis da terra”, Aquele que virá “por entre as nuvens” cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz. É, precisamente, a interpretação cristã dessa figura de “filho de homem” de que falava a primeira leitura.
O Evangelho apresenta-nos, num quadro dramático, Jesus a assumir a sua condição de rei diante de Pôncio Pilatos. A cena revela, contudo, que a realeza reivindicada por Jesus não assenta em esquemas de ambição, de poder, de autoridade, de violência, como acontece com os reis da terra. A missão “real” de Jesus é dar “testemunho da verdade”; e concretiza-se no amor, no serviço, no perdão, na partilha, no dom da vida.


 


Primeira Leitura
Salmo Responsorial
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário
Fontes de Referência


Primeira Leitura
SEU PODER É UM PODER ETERNO
Leitura da Profecia de Daniel (7,13-14)


13Continuei insistindo na visão noturna,
e eis que, entre as nuvens do céu,
vinha um como filho de homem,
aproximando-se do Ancião de muitos dias,
e foi conduzido à sua presença.
14Foram-lhe dados poder, glória e realeza,
e todos os povos, nações e línguas o serviam:
seu poder é um poder eterno
que não lhe será tirado,
e seu reino, um reino que não se dissolverá.
Palavra do Senhor.


Referências para reflexão da Primeira Leitura 


A reflexão pode ser realizada a partir das seguintes sugestões:

01 - O texto que nos é proposto como primeira leitura na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, aparece inserido numa reflexão mais ampla sobre a história e sobre os valores sobre os quais são construídos os impérios humanos. Os reinos construídos pelos homens baseiam-se, frequentemente, num poder arrogante e são geradores de exploração, de miséria, de violência. Trata-se de uma realidade que os modernos impérios perpetuam e que, hoje como ontem, marca a história humana. A humanidade estará, irremediavelmente, condenada a viver sob o domínio da injustiça e da opressão? Nunca nos libertaremos desse ciclo de morte? Deus assiste, indiferente e de braços cruzados, a esta dinâmica de violência e de violação dos direitos mais elementares dos povos e das nações? O “profeta” autor do Livro de Daniel acredita que o reino do mal não será eterno e que Deus intervém na história para destruir essas forças de morte que impedem os homens de alcançar a liberdade, a paz, a vida plena. Numa época em que os imperialismos, os fundamentalismos, os colonialismos, a cegueira dos líderes das nações poderosas multiplica o sofrimento de tantos homens e mulheres, a profecia de Daniel convida-nos à esperança e à confiança: Deus não abandona o seu Povo em marcha pela história e saberá derrubar todos os poderes humanos que impedem a realização plena do homem.

02 - O anúncio de um “filho de homem” que virá “sobre as nuvens” para instaurar um reino que “não será destruído” leva-nos a Jesus. Ele veio ao encontro dos homens para lhes propor uma nova ordem, em que os pobres, os débeis, os fracos, os marginalizados, aqueles que não podem fazer ouvir a sua voz nos grandes areópagos internacionais não mais serão humilhados e espezinhados. Jesus introduziu na história uma nova lógica, substituindo a lógica do orgulho e do egoísmo, por uma lógica de amor, de serviço, de doação. É verdade que, mais de dois mil anos depois do nascimento de Jesus, esse reino ainda não se tornou uma realidade plena na nossa história; contudo, o reino proposto por Jesus está presente na vida do mundo, como uma semente a crescer ou como o fermento a levedar a massa. Compete-nos a nós, discípulos de Jesus, fazer com que esse reino seja, cada vez mais, uma realidade bem viva, bem presente, bem atuante no nosso mundo.


início


Salmo Responsorial
DEUS É REI E SE VESTIU DE MAJESTADE, GLÓRIA AO SENHOR!
Sl 92, 1ab.1c-2.5 (R.1a)


Deus é rei e se vestiu de majestade,glória ao Senhor!

1aDeus é Rei e se vestiu de majestade,
1brevestiu-se de poder e de esplendor!
Deus é rei e se vestiu de majestade,glória ao Senhor!
1cVós firmastes o universo inabalável,
2vós firmastes vosso trono desde a origem,
desde sempre, ó Senhor, vós existis!
Deus é rei e se vestiu de majestade,glória ao Senhor!
5Verdadeiros são os vossos testemunhos,
refulge a santidade em vossa casa,
pelos séculos dos séculos, Senhor!
Deus é rei e se vestiu de majestade,glória ao Senhor!


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Segunda Leitura
FEZ DE NÓS UM REINO,
SACERDOTES PARA SEU DEUS E PAI.

Leitura do Livro do Apocalipse de São João (1,5-8)


A vós graça e paz
5da parte de Jesus Cristo,
a testemunha fiel,
o primeiro a ressuscitar dentre os mortos,
o soberano dos reis da terra.
A Jesus, que nos ama,
que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados
6e que fez de nós um reino,
sacerdotes para seu Deus e Pai,
a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém.
7Olhai! Ele vem com as nuvens,
e todos os olhos o verão
- também aqueles que o traspassaram.
Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele.
Sim. Amém!
8'Eu sou o Alfa e o ômega', diz o Senhor Deus,
'aquele que é, que era e que vem,
o Todo-poderoso'.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Segunda Leitura


A reflexão pode ter como referência as seguintes linhas:

01 - A figura de Jesus que é proposta à comunidade pelo autor do nosso texto é a figura do Senhor do Tempo e da História, princípio e fim de todas as coisas; é a figura do “príncipe dos reis da terra”, que virá “por entre as nuvens” cheio de poder, de glória e de majestade para instaurar um reino definitivo de felicidade, de vida e de paz. Esta imagem de Jesus apela à confiança e à esperança: sejam quais forem as circunvoluções e as derrapagens da história humana, o caminho dos homens não será um caminho sem saída, destinado ao fracasso; mas será um caminho que desembocará inevitavelmente nesse reino novo de vida e de paz sem fim que Jesus veio anunciar e propor.

02 - A ação de Jesus como Senhor da História não se concretizará, contudo, numa lógica de poder, de autoridade, de força, à imagem dos reis da terra. Na sua catequese, o autor do Livro do Apocalipse sublinha o amor de Jesus, manifestado no dom da vida para libertar os homens do egoísmo e do pecado, para os inserir numa dinâmica de vida nova, para os integrar na família de Deus. Jesus, o nosso rei, é um rei que ama os seus com um amor sem limites e que, por amor, ofereceu a sua vida em favor da liberdade e da realização plena do homem. Neste dia em que celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, somos convidados a agradecer pelo amor de Jesus que nos libertou do egoísmo e da morte; e somos convidados, também, a ter a mesma atitude de Jesus, substituindo os esquemas de egoísmo, de poder e de prepotência, pelo amor que se faz doação e serviço aos homens.

03 - Na apresentação feita pelo autor do Livro do Apocalipse, os crentes são convidados a ver Jesus como o centro da história e a fazerem d’Ele a coordenada fundamental à volta da qual se constrói a existência humana, em geral, e a existência cristã, em particular. Jesus é, efetivamente, o centro da história humana? Que impacto tem a sua proposta na construção do nosso mundo? Jesus está, efetivamente, no centro das nossas comunidades cristãs? Ele é a referência fundamental para os crentes? Os seus valores, os seus ensinamentos condicionam a vida dos crentes, a sua forma de ver o mundo, os compromissos que eles assumem com os outros homens?


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Evangelho
TU O DIZES: EU SOU REI.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João (18,33b-37)


Naquele tempo:

33bPilatos chamou Jesus e perguntou-lhe:
'Tu és o rei dos judeus?'
34Jesus respondeu:
'Estás dizendo isto por ti mesmo,
ou outros te disseram isto de mim?'
35Pilatos falou: 'Por acaso, sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim.
Que fizeste?'.
36Jesus respondeu:
'O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo,
os meus guardas lutariam
para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui'.
37Pilatos disse a Jesus:
'Então tu és rei?'
Jesus respondeu:
'Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto:
para dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz'.
Palavra da Salvação


Referencias para reflexão do Evangelho


Para refletir e partilhar este texto, considerar os seguintes dados:

01 - As declarações de Jesus diante de Pôncio Pilatos não deixam lugar a dúvidas: Ele é “rei” e recebeu de Deus, como diz a primeira leitura, “o poder, a honra e a realeza” sobre todos os povos da terra. Ao celebrarmos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, somos convidados, antes de mais, a descobrir e interiorizar esta realidade: Jesus, o nosso rei, é princípio e fim da história humana, está presente em cada passo da caminhada dos homens e conduz a humanidade ao encontro da verdadeira vida. Os inícios do séc. XXI estão marcados por uma profunda crise de liderança a nível mundial. Os grandes líderes das nações são, frequentemente, homens com uma visão muito limitada do mundo, que não se preocupam com o bem da humanidade e que conduzem as suas políticas de acordo com lógicas de ambição pessoal ou de interesses particulares. Sentimo-nos, por vezes, perdidos e impotentes, arrastados para um beco sem saída por líderes medíocres, prepotentes e incapazes… Esta constatação não deve, no entanto, lançar-nos no desânimo: nós sabemos que Cristo é o nosso rei, que Ele preside à história e que, apesar das falhas dos homens, continua a caminhar conosco e a apontar-nos os caminhos da salvação e da vida.

02 - No entanto, a realeza de Jesus não tem nada a ver com a lógica de realeza a que o mundo está habituado. Jesus, o nosso rei, apresenta-Se aos homens sem qualquer ambição de poder ou de riqueza, sem o apoio dos grupos de pressão que fazem os valores e a moda, sem qualquer compromisso com as multinacionais da exploração e do lucro. Diante dos homens, Ele apresenta-se só, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a força do amor e da verdade. Não impõe nada; só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus e aos seus projetos, de dom da vida, de solidariedade com os pobres e marginalizados, de perdão e tolerância. É com estas “armas” que Ele vai combater o egoísmo, a autossuficiência, a injustiça, a exploração, tudo o que gera sofrimento e morte. É uma lógica desconcertante e incompreensível, à luz dos critérios que o mundo avaliza e enaltece. A lógica de Jesus fará sentido? O mundo novo, de vida e de felicidade plena para todos os homens nascerá de uma lógica de força e de imposição, ou de uma lógica de amor, de serviço e de dom da vida?

03 - Nós, os que aderimos a Jesus e optámos por integrar a comunidade do Reino de Deus, temos de dar testemunho da lógica de Jesus. Mesmo contra a corrente, a nossa vida, as nossas opções, a forma de nos relacionarmos com aqueles com quem todos os dias nos cruzamos, devem ser marcados por uma contínua atitude de serviço humilde, de dom gratuito, de respeito, de partilha, de amor. Como Jesus, também nós temos a missão de lutar - com a força do amor – contra todas as formas de exploração, de injustiça, de alienação e de morte… O reconhecimento da realeza de Cristo convida-nos a colaborar na construção de um mundo novo, do Reino de Deus.

04 - A forma simples e despretensiosa como Jesus, o nosso Rei, Se apresenta, convida-nos a repensar certas atitudes, certas formas de organização e certas estruturas que criamos… A comunidade de Jesus (a Igreja) não pode estruturar-se e organizar-se com os mesmos critérios dos reinos da terra… Deve interessar-se mais por dar um testemunho de amor e de solidariedade para com os pobres e marginalizados do que em controlar as autoridades políticas e os chefes das nações; deve preocupar-se mais com o serviço simples e humilde aos homens do que com os títulos, as honras, os privilégios; deve apostar mais na partilha e no dom da vida do que na posse de bens materiais ou na eficiência das estruturas. Se a Igreja não testemunhar, no meio dos homens, essa lógica de realeza que Jesus apresentou diante de Pôncio Pilatos, está a ser gravemente infiel à sua missão.


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Comentário
MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO


No último domingo do ano litúrgico celebramos a solenidade de Cristo, Rei do Universo. É uma forma de dizer que em Cristo este mundo chega a sua plenitude. Este mundo e nossa vida, claro. Assim se vê nas leituras. O filho do homem da primeira leitura, tomada do profeta Daniel, identifica-se com Jesus ressuscitado, que venceu a morte, ao qual lhe foi dado o domínio sobre todo o universo. Seu reino não terá fim. A leitura do Apocalipse dá uma mensagem parecida. Jesus Cristo libertou-nos de nossos pecados por seu sangue, converteu-nos em um reino e nos fez sacerdotes de Deus, seu pai. É o princípio e o final, o todo-poderoso. Todas estas afirmações fazem parte de nossa fé. Cremos em Jesus, cremos que venceu a morte e entrou na nova vida que lhe ofereceu seu Pai. Com Ele também nós vencemos a morte e com Ele entraremos na nova vida que o Pai nos presenteia. Esse Reino do qual Jesus é o centro é o reino de todos, lá onde não terá mais lágrima nem pranto, onde nem a morte nem a dor terão poder.     

Mas esse Reino não é deste mundo. Essa é a mensagem que nos comunica o Evangelho de João. Vemos Jesus em um momento crucial de sua vida. Não está pregando tranquilamente aos discípulos pelos caminhos da Galileia. Também não está rodeado de uma multidão que o escuta com agrado. Foi detido e está sendo julgado por Pilatos, o representante do império romano. Sabe que seu fim mais provável é ser executado. Parte do julgamento é o interrogatório do acusado. Pilatos não está preocupado pelos reinos celestiais. Pilatos está preocupado com os que pretendem ser reis deste mundo e, por isso, representam uma ameaça para o domínio romano. Por isso, lhe pergunta se acha que é o rei dos judeus. É só uma pergunta do interrogatório. Mas Jesus dá uma resposta que Pilatos não consegue compreender: “Meu reino não é deste mundo”.        

Jesus afirma sobre si mesmo que é rei, mas de uma forma diferente. Seu reino não leva à dominação, à opressão dos súditos. Seu reino é o reino da verdade. Lá onde todos nos encontramos com nossa verdade mais íntima: que somos filhos de Deus-Pai que quer nosso bem, que todos somos irmãos e irmãs. Essa verdade se desvelará em algum dia. No dia em que sejamos capazes de reconhecer em nossos corações essa profunda verdade, nesse dia, nesse momento, faremos parte do Reino de Jesus. E ele, testemunha da verdade, reinará em nossos corações, que é o verdadeiro local onde quer reinar. No dia em que todos o reconheçamos, será cumprida definitivamente as profecias das duas primeiras leituras. 


PARA REFLEXÃO


Como se comportam as autoridades deste mundo com seus súditos? Como me comporto com as pessoas que estão a meu cargo? Como se comportaria Jesus? Como deveríamos nos comportar uns com outros se achamos que somos filhos de Deus e irmãos uns de outros?


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FONTES DE REFERÊNCIA


Ciudadredonda – Missionários Claretianos - Fernando Torres, cmf  
Liturgia Diária - CNBB    
Dehonianos


 


 

XXXIII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXXIII Domingo do Comum apresenta-nos, fundamentalmente, um convite à esperança. Convida-nos a confiar nesse Deus libertador, Senhor da história, que tem um projeto de vida definitiva para os homens. Ele vai - dizem os nossos textos - mudar a noite do mundo numa aurora de vida sem fim.
A primeira leitura anuncia aos crentes perseguidos e desanimados a chegada iminente do tempo da intervenção libertadora de Deus para salvar o Povo fiel. É esta a esperança que deve sustentar os justos, chamados a permanecerem fiéis a Deus, apesar da perseguição e da prova. A sua constância e fidelidade serão recompensadas com a vida eterna.
No Evangelho, Jesus garante-nos que, num futuro sem data marcada, o mundo velho do egoísmo e do pecado vai cair e que, em seu lugar, Deus vai fazer aparecer um mundo novo, de vida e de felicidade sem fim. Aos seus discípulos, Jesus pede que estejam atentos aos sinais que anunciam essa nova realidade e disponíveis para acolher os projetos, os apelos e os desafios de Deus.
A segunda leitura lembra que Jesus veio ao mundo para concretizar o projeto de Deus no sentido de libertar o homem do pecado e de inseri-lo numa dinâmica de vida eterna. Com a sua vida e com o seu testemunho, Ele ensinou-nos a vencer o egoísmo e o pecado e a fazer da vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. É esse o caminho do mundo novo e da vida definitiva.



Primeira Leitura
Salmo
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário


Primeira Leitura
NESSE TEMPO, TEU POVO SERÁ SALVO.
Leitura da Profecia de Daniel (Dn 12,1-3)


1Naquele tempo, se levantará Miguel,
o grande príncipe,
defensor dos filhos de teu povo;
e será um tempo de angústia,
como nunca houve até então,
desde que começaram a existir nações.
Mas, nesse tempo, teu povo será salvo,
todos os que se acharem inscritos no Livro.
2Muitos dos que dormem no pó da terra, despertarão,
uns para a vida eterna,
outros para o opróbrio eterno.
3Mas os que tiverem sido sábios,
brilharão como o firmamento;
e os que tiverem ensinado a muitos homens
os caminhos da virtude,
brilharão como as estrelas,
por toda a eternidade.
Palavra do Senhor.


Referencias para reflexão da Primeira Leitura


A reflexão pode ser realizada a partir das seguintes sugestões:

01 - A mensagem de esperança que o texto nos deixa destinava-se a animar os crentes que sofriam a perseguição numa época e num contexto particular. No entanto, é uma mensagem válida para os crentes de todas as épocas e lugares. A “perseguição” por causa da fidelidade aos valores em que acreditamos é uma realidade que todos conhecemos e que faz parte da nossa existência comprometida. Hoje, essa “perseguição” nem sempre é sangrenta; manifesta-se, muitas vezes, em atitudes de marginalização ou de rejeição, em ditos humilhantes, em atitudes provocatórias, na colagem de “rótulos” (“conservadores”, “atrasados”, “fora de moda”), em julgamentos apressados e injustos, em preconceitos e oposições… Contudo, é sempre uma realidade que faz sofrer o Povo de Deus. Este texto garante-nos que Deus nunca abandona o seu Povo em marcha pela história e que a vitória final será daqueles que se mantiverem fiéis às propostas e aos caminhos de Deus. Esta certeza constitui um “capital de esperança” que deve animar a nossa caminhada diária pelo mundo.

02 - O Livro de Daniel põe, também, a questão da fidelidade aos valores verdadeiramente importantes, que estão para além das conveniências políticas e sociais, ou das imposições e perspectivas de quem dita a moda… Daniel, o personagem central do livro, é uma figura interpelante, que nos convida a não transigirmos com os valores efêmeros, sobretudo quando eles põem em causa os valores essenciais. O cristão não é uma “vara agitada pelo vento” que, por interesse ou por cálculo, esquece os valores e as exigências fundamentais da sua fé; mas é “PROFETA” que, em permanente diálogo com o mundo e sem se alhear do mundo, procura dar testemunho dos valores perenes, dos valores de Deus.

03 - A certeza da presença de Deus em acompanhar a caminhada dos crentes e a convicção de que a vitória final será de Deus e dos seus fiéis, permite-nos olhar a história da humanidade com confiança e esperança. O cristão não pode ser, portanto, um “profeta da desgraça”, que tem permanentemente uma perspectiva escura da história e que olha o mundo com pessimismo; mas tem de ser uma pessoa alegre e confiante, que olha para o futuro com serenidade e esperança, pois sabe que, presidindo à história dos homens, está esse Deus que protege, que cuida e que ama cada um dos seus filhos.

04 - O texto garante a vida eterna àqueles que procuraram viver na fidelidade aos valores de Deus. A certeza de que a vida não acaba na morte liberta-nos do medo e dá-nos a coragem do compromisso. Podemos, serenamente, enfrentar neste mundo as forças da opressão e da morte, porque sabemos que elas não conseguirão derrotar-nos: no final da nossa caminhada por este mundo, está sempre a vida eterna e verdadeira, que Deus reserva para os que estão “inscritos no livro da vida”.

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Salmo
GUARDAI-ME, Ó DEUS, PORQUE EM VÓS ME REFUGIO!
Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)


Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois se o tenho a meu lado não vacilo.
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
pois não haveis de me deixar entregue à morte,
nem vosso amigo conhecer a corrupção.
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!


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Segunda Leitura 
COM ESTA ÚNICA OFERENDA, LEVOU À PERFEIÇÃO
DEFINITIVA OS QUE ELE SANTIFICA.

Leitura da Carta aos Hebreus (Hb 10,11-14.18)


11Todo sacerdote se apresenta diariamente
para celebrar o culto,
oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios,
incapazes de apagar os pecados.
12Cristo, ao contrário,
depois de ter oferecido um sacrifício único pelos
pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus.
13Não lhe resta mais senão esperar
até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés.
14De fato, com esta única oferenda,
levou à perfeição definitiva os que ele santifica.
18Ora, onde existe o perdão,
já não se faz oferenda pelo pecado.
Palavra do Senhor.

Referencias para reflexão da Segunda Leitura


A reflexão pode ter como referência as seguintes linhas:

01 - O pecado, consequência da nossa finitude, é sempre uma realidade que impede a comunhão plena com Deus e o acesso à vida verdadeira. É, portanto, algo que constitui um obstáculo à nossa realização plena, ao aparecimento do Homem Novo. Estaremos, em consequência, fatalmente condenados a não realizar a nossa vocação de comunhão com Deus e a não concretizar o nosso desejo de vida em plenitude? A segunda leitura deste domingo garante-nos que Deus não abandona o homem que faz, mesmo conscientemente, opções erradas. O nosso egoísmo, o nosso orgulho, a nossa autossuficiência, o nosso comodismo, o nosso pecado não têm a última palavra e não nos afastam decisivamente da comunhão com Deus e da vida eterna; a última palavra é sempre do amor de Deus e da sua vontade de salvar o homem.

02 - Jesus, o Filho amado de Deus, veio ao mundo para concretizar o projeto de Deus no sentido de nos libertar do pecado e de nos inserir numa dinâmica de vida eterna. Com a sua vida e com o seu testemunho, Ele ensinou-nos a vencer o egoísmo e o pecado e a fazer da vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. No dia do nosso Baptismo, aderimos ao projeto de vida que Jesus nos apresentou e passámos a integrar a comunidade dos filhos de Deus. Resta-nos, agora, seguir os passos de Jesus e percorrer, dia a dia, esse caminho de amor e de serviço que Ele nos deixou em herança. É um compromisso sério e exigente, que necessita de ser continuamente renovado. O nosso compromisso com Jesus e com a sua proposta de vida exige que, como Ele, vivamos no amor, na partilha, no serviço, se necessário até ao dom total da vida; exige que lutemos, sem desanimar, contra tudo aquilo que rouba a vida do homem e o impede de chegar à vida plena; exige que sejamos, no meio do mundo, testemunhas de uma dinâmica nova – a dinâmica do amor. A nossa vida tem sido coerente com esse compromisso?

03 - Cristo gastou toda a sua existência na luta contra tudo aquilo que escraviza o homem e lhe rouba o acesso à vida verdadeira. A sua morte na cruz foi uma consequência de ter enfrentado as forças do egoísmo e do pecado que oprimiam os homens. Contudo, a morte não O venceu e Ele “sentou-Se para sempre à direita de Deus”. O seu triunfo garante-nos que uma vida feita dom de amor não é uma vida perdida e fracassada, mas é uma vida destinada à eternidade. Quem, como Ele, luta para vencer o pecado que escraviza os homens, chegará à comunhão plena com Deus, à vida eterna. Esta certeza deve animar a nossa caminhada e dar-nos a coragem do compromisso. Ainda que as forças da morte nos ameacem, o exemplo de Cristo deve animar-nos a prosseguir o nosso combate contra o egoísmo, a injustiça, a opressão, o pecado.


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Evangelho
ELE REUNIRÁ OS ELEITOS DE DEUS, DE
UMA EXTREMIDADE À OUTRA DA TERRA.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (13,24-32)


Naquele tempo:
Jesus disse a seus discípulos:
24'Naqueles dias, depois da grande tribulação,
o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais,
25as estrelas começarão a cair do céu
e as forças do céu serão abaladas.
26Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens
com grande poder e glória.
27Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra
e reunirá os eleitos de Deus,
de uma extremidade à outra da terra.
28Aprendei, pois, da figueira esta parábola:
quando seus ramos ficam verdes
e as folhas começam a brotar,
sabeis que o verão está perto.
29Assim também, quando virdes acontecer essas coisas,
ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo,
às portas.
30Em verdade vos digo,
esta geração não passará até que tudo isto aconteça.
31O céu e a terra passarão,
mas as minhas palavras não passarão.
32Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe,
nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.
Palavra da Salvação.

Referencias para reflexão do Evangelho


Para refletir e partilhar este texto, considerar os seguintes dados:

01 - Ver os telejornais ou escutar os noticiários é, com frequência, uma experiência que nos intranquiliza e que nos deprime. Os dramas dessa aldeia global que é o mundo entram em nossa casa, sentam-se à nossa mesa, apossam-se da nossa existência, perturbam a nossa tranquilidade, escurecem o nosso coração. A guerra, a opressão, a injustiça, a miséria, a escravidão, o egoísmo, a exploração, o desprezo pela dignidade do homem nos atingem, mesmo quando acontecem a milhares de quilómetros do pequeno mundo onde nos movemos todos os dias. As sombras que marcam a história atual da humanidade tornam-se realidades próximas, tangíveis, que nos inquietam e nos desesperam. Feridos e humilhados, duvidamos de Deus, da sua bondade, do seu amor, da sua vontade de salvar o homem, das suas promessas de vida em plenitude. A Palavra de Deus que hoje nos é servida abre, contudo, a porta à esperança. Reafirma, uma vez mais, que Deus não abandona a humanidade e está determinado a transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens. A humanidade não caminha para o holocausto, para a destruição, para o sem sentido, para o nada; mas caminha ao encontro da vida plena, ao encontro desse mundo novo em que o homem, com a ajuda de Deus, alcançará a plenitude das suas possibilidades.

02 - Os cristãos, convictos de que Deus tem um projeto de vida para o mundo, têm de ser testemunhas da esperança. Eles não leem a história atual da humanidade como um conjunto de dramas que apontam para um futuro sem saída; mas veem os momentos de tensão e de luta que hoje marcam a vida dos homens e das sociedades como sinais de que o mundo velho irá ser transformado e renovado, até surgir um mundo novo e melhor. Para o cristão, não faz qualquer sentido deixar-se dominar pelo medo, pelo pessimismo, pelo desespero, por discursos negativos, por angústias a propósito do fim do mundo… Os nossos contemporâneos têm de ver em nós, não gente deprimida e assustada, mas gente a quem a fé dá uma visão optimista da vida e da história e que caminha, alegre e confiante, ao encontro desse mundo novo que Deus nos prometeu.

03 - É Deus, o Senhor da história, que irá fazer nascer um mundo novo; contudo, Ele conta com a nossa colaboração na concretização desse projeto. A religião não é ópio que adormece os homens e os impede de se comprometerem com a história… Os cristãos não podem ficar de braços cruzados à espera que o mundo novo caia do céu; mas são chamados a anunciar e a construir, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, esse mundo que está nos projetos de Deus. Isso implica, antes de mais, um processo de conversão que nos leve a suprimir aquilo que, em nós e nos outros, é egoísmo, orgulho, prepotência, exploração, injustiça (mundo velho); isso implica, também, testemunhar em gestos concretos, os valores do mundo novo – a partilha, o serviço, o perdão, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a paz.

04 - Esse Deus que não abandona os homens na sua caminhada histórica vem continuamente ao nosso encontro para nos apresentar os seus desafios, para nos fazer entender os seus projetos, para nos indicar os caminhos que Ele nos chama a percorrer. Da nossa parte, precisamos de estar atentos à sua proximidade e reconhecê-l’O nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. O cristão não pode fechar-se no seu canto e ignorar Deus, os seus apelos e os seus projetos; mas tem de estar atento e de notar os sinais através dos quais Deus Se dirige aos homens e lhes aponta o caminho do mundo novo.


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Comentário
DA TRIBULAÇÃO À ESPERANÇA


Por que imaginamos a vinda última de Cristo como uma ameaça? O Evangelho, é verdadeiro, diz-nos que este mundo será destruído, mais se supõe que temos posta nossa esperança em Cristo, não neste mundo. Ou não? E supõe-se que de Cristo esperamos a salvação, a vida, a misericórdia, o perdão. Ou não?

A realidade é que há toda uma mitologia, toda uma forma de pensar e imaginar o fim deste mundo que gira em torno do desastre, da destruição, da morte, da violência e tudo o que é precisamente contrário do que podemos esperar de Jesus. Nos últimos tempos foram lançados no cinema numerosos filmes sobre o tema. Essa forma de pensar, essas ideias, parece que estão metidas em nossa mente, na forma de pensar dos povos, desde muito antes.

O Apocalipse como destruição

Nessas histórias sempre há algo, uma causa externa ou física, que causa a destruição de nosso mundo. Pode ser um asteróide que vai se chocar contra a Terra, um terremoto, uma tormenta, uma guerra atômica. A conclusão é sempre a mesma: nosso mundo - e há que sublinhar o “nosso”- termina, se acaba. Desaparece a estabilidade, a segurança das relações humanas que nos permitem viver. E os sobreviventes, se há, voltam a uma situação anterior na história, bem mais penosa, mais difícil, mais insegura.

Em nossa mente, nos os cristãos lemos também estes textos apocalípticos. Que se convertem para nós em fonte de ameaça. A vinda de Cristo já não é desejada nem esperada senão temida. Pensar nela nos produz pavor, terror, medo. Parece que no julgamento já não vamos ter nenhuma possibilidade de defesa. E mais, diríamos que é um julgamento, o de Deus, que quase não é julgamento porque dá a impressão de que estamos previamente condenados. Não há nada que fazer. Não há esperança. Deus tem medido a cada uma de nossas ações, pensamentos e desejos. Não há escapatória. Não existe defesa. Não valem as desculpas. Seu dedo acusador nos assinalará sem compaixão. E a espada de fogo do anjo de turno nos arrojará de sua presença e nos enviará ao inferno.

O Evangelho da esperança

Tudo isso tem muito pouco que ver com o Evangelho. Tem muito pouco que ver com as leituras como as deste domingo. Certo que falam do fim do nosso mundo. Porque este mundo tem data de caducidade. O passo do tempo persegue-lhe como uma ameaça. Nada dura para sempre. Nossa própria vida está ameaçada de morte. E nossa morte significa a morte e desaparecimento de nosso mundo.

Porém, aí está a primeira leitura do profeta Daniel. Reconhece que esse será um “tempo de angústia”. Porém esse é precisamente o tempo no qual surgirá Miguel, o que “defende aos filhos de teu povo”. E diz também que “naquele tempo se salvará teu povo”. É que Deus não vai deixar fora de sua mão seus filhos. Pode o pai abandonar os seus filhos e condená-los à morte? Pode o Criador comprazer na destruição de sua própria criação?

No Evangelho também se fala desse último momento. Também é momento de tribulação. Mas precisamente nesse momento é quando aparecerá o Filho do Homem para reunir dos quatro ventos seus eleitos. O texto não quer ser uma ameaça mais precisamente ao contrário. As palavras de Jesus querem suscitar nossa esperança. Nem no meio das maiores dificuldades Deus deixa-nos de sua mão. Somos seus filhos. Esta humanidade doente é sua família e não a vai abandonar nunca. Ao final, triunfará a misericórdia, o amor, o perdão. Ao final, o Filho do Homem nos trará a vida e a vida em plenitude. A todos, começando por aqueles aos que lhes tocou a pior parte neste mundo.

É momento de levantar a cabeça e deixar que a esperança faça brotar um sorriso em nosso rosto. E de dar a mão a todos para compartilhar essa esperança e não deixar que nenhum irmão fique atrás.


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XXXII Domingo do Tempo Comum (Ano B)

A liturgia do XXXII Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos suntuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas mãos, de disponibilidade para os seus projetos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza e necessidade, está disponível para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A história dessa viúva que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
O Evangelho diz, através do exemplo de outra mulher pobre, de outra viúva, qual é o verdadeiro culto que Deus quer dos seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doação, numa pobreza humilde e generosa (que é sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condições. Só os pobres, isto é, aqueles que não têm o coração cheio de si próprios, são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera.
A segunda leitura oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projeto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.



Primeira Leitura
Salmo
Segunda Leitura
Evangelho
Comentário

Primeira Leitura 
A VIÚVA, DO SEU PUNHADO DE FARINHA, 

FEZ UM PÃOZINHO E O LEVOU A ELIAS.
Leitura do Livro do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 17,10-16)


Naqueles dias:
10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta.
Ao chegar à porta da cidade,
viu uma viúva apanhando lenha.
Ele chamou-a e disse:
'Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha
para eu beber'.
11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe:
'Por favor, traze-me também um pedaço de pão
em tua mão'.
12Ela respondeu:
'Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão.
Só tenho um punhado de farinha numa vasilha
e um pouco de azeite na jarra.
Eu estava apanhando dois pedaços de lenha,
a fim de preparar esse resto para mim e meu filho,
para comermos e depois esperar a morte'.
13Elias replicou-lhe:
'Não te preocupes!
Vai e faze como disseste.
Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o.
Depois farás o mesmo para ti e teu filho.
14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel:
'A vasilha de farinha não acabará
e a jarra de azeite não diminuirá,
até ao dia em que o Senhor enviar
a chuva sobre a face da terra' '.
15A mulher foi e fez como Elias lhe tenha dito.
E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo.
16A farinha da vasilha não acabou
nem diminuiu o óleo da jarra,
conforme o que o Senhor tinha dito
por intermédio de Elias.
Palavra do Senhor.


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Salmo

BENDIZE, MINH' ALMA, BENDIZE AO SENHOR!

Sl 145,7.8-9a.9bc-10 (R.1)


Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!
O Senhor é fiel para sempre,
faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos,
é o Senhor quem liberta os cativos.
Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!
O Senhor abre os olhos aos cegos
o Senhor faz erguer-se o caído;
o Senhor ama aquele que é justo
É o Senhor quem protege o estrangeiro.
Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!
Ele ampara a viúva e o órfão
mas confunde os caminhos dos maus.
O Senhor reinará para sempre!
Ó Sião, o teu Deus reinará
para sempre e por todos os séculos!
Bendize, minh' alma, bendize ao Senhor!


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Segunda Leitura      
CRISTO FOI OFERECIDO UMA VEZ, PARA
TIRAR OS PECADOS DA MULTIDÃO.

Leitura da Carta aos Hebreus (Hb 9,24-28)


24Cristo não entrou num santuário feito por mão humana,
imagem do verdadeiro,
mas no próprio céu,
a fim de comparecer, agora, na presença de Deus,
em nosso favor.
25E não foi para se oferecer a si muitas vezes,
como o sumo sacerdote que, cada ano,
entra no Santuário com sangue alheio.
26Porque, se assim fosse,
deveria ter sofrido muitas vezes,
desde a fundação do mundo.
Mas foi agora, na plenitude dos tempos,
que, uma vez por todas, ele se manifestou
para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
27O destino de todo homem é morrer uma só vez,
e depois vem o julgamento.
28Do mesmo modo, também Cristo,
oferecido uma vez por todas,
para tirar os pecados da multidão,
aparecerá uma segunda vez, fora do pecado,
para salvar aqueles que o esperam.
Palavra do Senhor.

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Evangelho
ESTA VIÚVA POBRE DEU MAIS DO QUE TODOS OS OUTROS.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Mc 12,38-44)


Naquele tempo:
38Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão:
'Tomai cuidado com os doutores da Lei!
Eles gostam de andar com roupas vistosas,
de ser cumprimentados nas praças públicas;
39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas
e dos melhores lugares nos banquetes.
40Eles devoram as casas das viúvas,
fingindo fazer longas oraçðes.
Por isso eles receberão a pior condenação'.
41Jesus estava sentado no Templo,
diante do cofre das esmolas,
e observava como a multidão depositava
suas moedas no cofre.
Muitos ricos depositavam grandes quantias.
42Então chegou uma pobre viúva
que deu duas pequenas moedas,
que não valiam quase nada.
43Jesus chamou os discípulos e disse:
'Em verdade vos digo,
esta pobre viúva deu mais do que todos os outros
que ofereceram esmolas.
44Todos deram do que tinham de sobra,
enquanto ela, na sua pobreza,
ofereceu tudo aquilo que possuía para viver'.
Palavra da Salvação.

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Comentário
AS VERDADEIRAS HISTÓRIAS DE AMOR


Queridos irmãos,

Começa o Evangelho: “Tomai cuidado com os doutores da Lei!”, os que sobressaem, ocupam os primeiros postos, se acham bons, têm claras todas as leis, mas devoram os bens das viúvas. “Esses receberão uma sentença mais rigorosa”, este é o comportamento da hipocrisia religiosa. Enquanto exibe-se a virtude à vista de todos, se oculta a injustiça, (poderíamos pôr muitos exemplos: com os empregados, os mais necessitados...). Com o qual tudo o que digam ou pensem embora seja muito bom, fica viciado.

Os textos de hoje apresentam dois exemplos, que nos falam de uma forma nova de dar ou de se dar. Na primeira leitura Elias coloca uma dura prova para a viúva: devia dar-lhe tudo, e morrer de fome com seu filho. O pedaço de pão que lhe pede é seu tudo. E deu esse tudo. Sua generosidade total foi seu alimento e sua vida. E desde aquele dia nunca lhe falta o pão. O relato acaba com o cumprimento da promessa, porque a palavra de Deus através de seus profetas cumpre-se sempre. Esta é a diferença entre dar esmola e se dar. O mesmo ocorre com a viúva do Evangelho.

Jesus observa, como muitos ricos muitos ricos depositavam grandes quantias para as oferendas do templo, mas não deixa de observar aos que não são tão ricos, observa uma pobre viúva que deposita duas moedas. Virando para os seus discípulos Jesus diz:“Asseguro-vos que essa pobre viúva deu mais que ninguém. Porque os demais deram do que lhes sobra, mas esta que passa necessidade, deu tudo o que tinha para viver”. Não é o mesmo dar o que nos sobra, que dar o que necessitamos. Jesus vai para além, há que se dar ou se oferecer, dar se esvaziando de si mesmos, dar como dizíamos no domingo passado com as Bem-aventuranças, sendo autênticos pobres de coração.

Dar-se é a doação total de si mesmo, deixamos de nos possuir. A verdadeira doação é de tudo o que temos para viver, que não só se refere às moedas. A viúva por ser pobre, pôde dar; pois deu de sua pobreza, de sua necessidade, seu coração estava desprendido antes de trazer as moedas. O dar-se a Deus e aos irmãos é a entrega total de si mesmo e de todos os bens que se possui (bens em sentido amplo). O cristão não deve de dar “esmolas” deve de dar-se a si mesmo, todo, inteiro, pelos demais.

Dar-se não é um problema de quantidade senão de generosidade. Deve se dar na família, no trabalho, no bairro, na comunidade paróquia, no campo sindical e político. A entrega deve ser total, não damos a Deus uma esmola, Jesus lhe entrega toda sua vida e isso é o que celebramos na Eucaristia. Vivamos como aquelas viúvas de Sarepta e de Jerusalém, pobres, mas com um coração maravilhosamente rico.

Quero terminar com um texto de Dolores Aleixandre (religiosa do Sagrado Coração): “Quando viu um dia que uma viúva pobre colocava no cesto do templo as duas moeditas que constituíam todo sua sustento (nós, por suposto, nem sequer a tínhamos olhado...), disse-nos: Olhe, ela compreendeu que a vida vale mais que o alimento e o vestuário. A partir de agora, sua existência inteira está a cargo do cuidado do Pai...”

Deus conta com todos, também com os excluídos e os que se sentem oprimidos ante os problemas do mundo. Para Deus todos nós somos importantes e necessários. Todos nós fazemos a história, caladamente. Quantas pequenas viúvas com nomes, compartilhando sua vida em diversos locais, que ninguém as vê, e não precisam de festas, nem aplausos, que deveriam nos cair melhor que as que saem na televisão, vestidas de Zara e Armani. Há outra história real, composta pela sinfonia de histórias pequenas, escrita por pessoas anônimas, que têm sangue vermelho e não azul, que são vizinhos normais, que nunca chamaram a atenção e nunca foram reconhecidos por seu nome. São as verdadeiras histórias de amor.


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