07/05/2010 - VI Domingo da Páscoa
Fonte: José Cristo Rey García Paredes


VI Domingo da Páscoa
"Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.
Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada."
09 de maio de 2010

Introdução


Na liturgia deste VI Domingo da Páscoa sobressai a promessa de Jesus de acompanhar de forma permanente a caminhada da sua comunidade em marcha pela história: não estamos sozinhos; Jesus ressuscitado vai sempre ao nosso lado.

No Evangelho, Jesus diz aos discípulos como deverão se manter em comunhão com Ele e reafirma a sua presença e a sua assistência através do “paráclito” - o Espírito Santo.

A primeira leitura apresenta-nos a Igreja de Jesus a confrontar-se com os desafios dos novos tempos. Animados pelo Espírito, os crentes aprendem a discernir o essencial do acessório e atualizam a proposta central do Evangelho, de forma que a mensagem libertadora de Jesus possa ser acolhida por todos os povos.

Na segunda leitura, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, essa cidade nova da comunhão com Deus, da vida plena, da felicidade total.

Leituras
Primeira Leitura - Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 15,1-2.22-29)

Naqueles dias, 1chegaram alguns da Judéia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”.

2Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos.

22Então os apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, resolveram escolher alguns da comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos.

23Através deles enviaram a seguinte carta: “Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós.

25Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!”
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial - Salmo 66
Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,
e sua face resplandeça sobre nós!
Que na terra se conheça o seu caminho
e a sua salvação por entre os povos.

Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.


Exulte de alegria a terra inteira,
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão,
e guiais, em toda a terra, as nações.

Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,
que todas as nações vos glorifiquem!
Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe,
e o respeitem os confins de toda a terra!

Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.

Segunda Leitura - Livro do Apocalipse de São João (Ap 21,10-14.22-23)
10Um anjo me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino.

12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel.

13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente.

14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

22Não vi templo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro.

23A cidade não precisa de sol nem de lua que a iluminem, pois a glória de Deus é a sua luz, e a sua lâmpada é o Cordeiro.
Palavra do Senhor.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 14,23-29)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 23“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou.

25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.

27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.

28Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.

29Disse-vos isso, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis”.
Palavra da Salvação.

Comentário

O que ama, guardará minha Palavra

Quase nunca Jesus pede que o amemos. Somente depois das negações, perguntou a Pedro se ele o amava e ante sua resposta positiva, lhe encomendou apascentar as suas ovelhas. Nos pede que amemos a Deus com todo o coração, alma e forças. Nos pede que nos amemos uns aos outros. Nos pede que amemos a nossos inimigos. No evangelho deste domingo, Jesus constata simplesmente que: “quem ama, guardará sua palavra”.

É outra forma de dizer, que quem o ama se converterá em discípulo Seu. Quem não o ama, rechaçará Sua mensagem, Sua palavra. Jesus quer ser mestre no dialogo da amizade! Jesus não quer ter discípulos que o sigam e o obedeçam por medo, por servidão; não quer impor sobre os ombros de seus seguidores cargas insuportáveis. Para Jesus é muito importante a relação de amor, o amor faz possível a escuta da Palavra e o seu cumprimento.

A comunidade de Jerusalém o entendeu e assim solucionou o conflito criado em Antioquia, por alguns que tentavam impor àquela jovem comunidade pesadas cargas, insuportáveis (como a circuncisão). Jerusalém age com uma atitude amigável, fraternal. Não queira impor mais cargas do que as necessárias! Barnabé e Paulo, Judas e Silas, levam à comunidade a mensagem amigável, que restabelece a paz e supera as divisões.  

A comunidade de Jerusalém não esquece das palavras de Jesus. O Espírito os lembra permanentemente. É consciente de que atua movida pelo Espírito. Dessa consciência nasceu a preciosa frase: "O Espírito Santo e nós, decidimos não o impor...”. O Espírito Santo mantém viva a Palavra de Jesus - que é Palavra do Pai -, o Espírito nós permite interpreta-la e acolhe-la. É o Mestre interior que mantém viva a chama de nosso discipulado e nossa amizade com nosso Mestre.

E nós viremos a faremos morada nele


A dignidade do discípulo e amigo de Jesus é sublime. Quem entra em relação de amizade e discipulado com Jesus se converte em "morada de Deus Pai e do Senhor ressuscitado”. Na Palavra está a Vida. Quem se deixa habitar pela Palavra acolhe dentro de si Deus; o Filho, o Pai e o Espírito que constantemente a evoca e a mantém atual.

Essa é nossa vocação de discípulos e discípulas: converter-nos na “casa da Palavra”, na morada de Deus com os homens, em uma nova Jerusalém.

Maria, nossa mãe, se deixou habitar pela Palavra. A escutou e a cumpriu: "Faça-se em mim, segundo tua Palavra”. Ela foi discípula desde o coração, desde o amor incandescente. Assim se converteu em morada da Trindade. O Abbá e Jesus habitaram nela.

Para nos deixar habitar pela Palavra, temos que dar muita importância à Bíblia, essa coleção de livros sagrados que é “pão de vida”. Não temos de nós dar por satisfeitos com um “menu” seletivo, redutivo. Devemos nos abrir à totalidade. Toda a Sagrada Escritura, com todos os seus livros e versículos, é o alimento integral. Somente sua integralidade e unidade nos concedem a presença total da Revelação.

Necessitamos nos alimentar da variedade alimentícia que nos oferece a Palavra ao longo do ano litúrgico. Todos os livros, sem esquecer nenhum, são necessários. Todos eles em suas contraposições e harmonias, equilibram nossa espiritualidade. Todos eles nos enriquecem com a presença mais totalizante da Santíssima Trindade.

Sempre seremos discípulos


Necessitamos intensificar nosso aprendizado. O Espírito Santo é o nosso “condutor” com relação à Palavra. Em cada Eucaristia encontramos uma Palavra nova, que nos cura e revitaliza, que nos faz um pouco mais discípulo e alimenta nosso amor a Jesus e a todos.

Fazei o que Ele diz


“Quem ama, guardará minha Palavra”. Cada mulher e cada homem, habitado pela Palavra, se converterá então, em templo vivente e itinerante da Santíssima Trindade...e nosso Deus nos colocará a salvo em todos os lugares.

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