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IV Domingo da Páscoa
"Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:
conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me"
25
de abril de 2010
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| Introdução |

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O IV Domingo da Páscoa é considerado o “Domingo do Bom Pastor”, pois todos os anos a liturgia propõe um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como Bom Pastor. É, portanto, este o tema central que a Palavra de Deus hoje nos propõe.
O Evangelho apresenta Cristo como o Bom Pastor, cuja missão é trazer a vida plena às ovelhas do seu rebanho; as ovelhas, por sua vez, são convidadas a escutar o Pastor, a acolher a sua proposta e a segui-l’O. É dessa forma que encontrarão a vida em plenitude.
A primeira leitura propõe-nos duas atitudes diferentes diante da proposta que o Pastor (Cristo) nos apresenta. De um lado, estão essas “ovelhas” cheias de auto-suficiência, satisfeitas e comodamente instaladas nas suas certezas; de outro, estão outras ovelhas, permanentemente atentas à voz do Pastor, que estão dispostas a arriscar segui-l’O até às pastagens da vida abundante. É esta última atitude que nos é proposta.
A segunda leitura apresenta a meta final do rebanho que seguiu Jesus, o Bom Pastor: a vida total, de felicidade sem fim. |
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| Leituras |
| Primeira
Leitura -
Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 13,14.43-52) |
Naqueles dias, Paulo e Barnabé, 14partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se.
43Muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé.
Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus.
44No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus.
45Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia.
46Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. 47Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’”.
48Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. 49Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região.
50Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território.
51Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio. 52Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo.
Palavra do Senhor.
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| Salmo
Responsorial - Salmo
99 |
| Nós somos o povo de Deus,
somos as ovelhas do seu rebanho. |
Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a ele cantando jubilosos!
Nós somos o povo de Deus,
somos as ovelhas do seu rebanho.
Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,
ele mesmo nos fez, e somos seus,
nós somos seu povo e seu rebanho.
Nós somos o povo de Deus,
somos as ovelhas do seu rebanho.
Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,
sua bondade perdura para sempre,
seu amor é fiel eternamente!
Nós somos o povo de Deus,
somos as ovelhas do seu rebanho.
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| Segunda
Leitura -
Livro do Apocalipse de São João (Ap 7,9.14b-17)
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Eu, João, 9vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão.
14bEntão um dos anciãos me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro.
15Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda.
16Nunca mais terão fome nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente.
17Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”.
Palavra do Senhor.
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| Proclamação
do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 10,27-30) |
27“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.
Palavra da Salvação.
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| Comentário |
As chamadas do Bom Pastor |
Que estremecimento produz esta expressão na boca de uma pessoa jovem: "Aqui estou, Senhor, tu me tens chamado". Encontramos-nos com alguém que afirma com determinação que tem escutado a voz de Deus, a voz de Jesus.
Que estremecimento produz ver como os chamados não são só homens, mais também mulheres! Elas, quando se apresentam ante ao altar o fazem com humildade, porém também com uma impressionante dignidade e contundência: "Tu me tens chamado!”. Porém também casais que podem dizer: “Tu nos tem chamado!”.
Estas chamadas não se iniciaram agora, em nosso tempo. A emoção é descobrir a sucessão. As mulheres e homens "chamados por Deus" sucedem a uma longa lista de “escolhidos” e “escolhidas”: já o fez Jesus, quando vivia ente nos! Um amigo exegeta me fez notar em uma ocasião o seguinte: Se surpreendente é que Jesus chamara alguns jovens a deixar tudo e segui-lo (dentro do contexto patriarcal, própria daquela cultura), mais surpreendente e revolucionário foi que chamou para segui-Lo algumas mulheres (Lucas 8). Elas o seguiram até onde os discípulos homens não foram capazes: até a cruz!
É surpreendente que as "chamadas de Jesus" não eram dirigidas majoritariamente a homens ou mulheres solteiros: mais sobre tudo aos casados (Pedro, Joana – mulher de Cusa -)!
Também hoje Jesus ressuscitado segue chamando. Interrompe a história de não poucas pessoas para lhes propor um novo projeto, para fazê-los “cúmplices” do Espírito na missão transformadora.
As chamadas de Jesus criam uma rede admirável. Trata-se de uma convocatória sem discriminações: quem tem um projeto de casal e a quem se descobre com o carisma do celibato, quem segue fascinado pelo mundo do espírito e quem sua fascinação lhes faz empreender um projeto de criação e procriação, de política e trabalho, de transformação.
Orar pelas vocações é orar por uma Igreja de convocadas e convocados. Orar para que nenhum batizado deixe de descobrir sua chamada; para que os casais descubram sua dual vocação cristã e para que ninguém se case sem vocação. Orar para que o Espírito suscite personagens proféticos que dediquem sua vida e seus dons ao serviço da comunidade cristã no ministério ou na animação espiritual e evangélica.
Nós lamentamos da falta de vocações. E até suspeitamos que a culpa esteja na falta de generosidade das novas gerações, no materialismo ambiental, na sedução que sobre eles e elas exerce esta sociedade secularizada. Não nos atrevemos a formular a pergunta teológica: porque Deus, o que tudo pode, não chama “eficazmente”? Por que não derruba do cavalo a tantos “saulos” com os quais poderia contar?
Eu me recuso a crer que nosso Deus, que é o Senhor ressuscitado, não chame. Ele é o bom Pastor que faz ouvir sua voz. E suas ovelhas “ouvem sua voz”. O Abbá as pos em suas mãos, e o Maligno não as arrebatara de suas mãos. O Bom Pastor seduz suas ovelhas, as que o Abbá lhe tem dado. Não tem somente um rebanho masculino, mais também feminino. A elas e a eles lhes dirige a eficaz e provocadora chamada. Outra questão é em que âmbitos se resume essa voz e em que espaço pode cumprir a chamada que a obedecem.
O que chama é criador e inovador. Não se sente obrigado a fazer “o de sempre”. Hoje chama de "forma diferente". Quem colabora em servir com o dom da chamada tem de reconhecer que a chamada de hoje é mais inclusiva, mais globalizada, menos unidirecional. A Igreja do futuro será o que o acontecer vocacional determine. E então os servidores institucionais deverão deixar que a imaginação criadora e inovadora lhe sugira um novo modo de configuração eclesial, comunitária, da congregação ou de institucionalização.
Também me impressiona, na segunda leitura deste domingo a afirmação: O Cordeiro pastoreará! É como se dissesse: a entrega até a morte, seu sacrifício - como cordeiro levado ao matadouro - habilitaram Jesus para a sua tarefa pastoral. Antes de Pastor tinha sido Cordeiro imolado. Sentiu sobre si mesmo a violência, a marginalização. Jesus se aproxima do Trono de Deus depois do Grande Sacrifício. E desde lá dirige a história e chama a humanidade para que se encaminhe até a nova Jerusalém, a nova terra e os céus novos.
A kénosis, a entrega da vida sem reservas, configuram a liderança de Jesus. A relação com suas ovelhas é marcada por uma relação íntima de chamada e resposta: "Minhas ovelhas escutam minha voz, e eu as conheço, e eles me seguem, e eu lhes dou a vida eterna". Ninguém seguirá Jesus como personagem anônimo, como um número dentro da massa. Jesus se segue por “designação pessoal”, por chamada inequívoca. Porque Jesus conta com todos e com cada um: “sorrindo disse meu nome”.
A vocação é um convite para entrar na Vida, receber Vida inesgotável. Jesus é a fonte da Vida. As chamadas do Pastor não são ameaçadoras; não são alternativas tremendistas. Ele não ameaçam o inferno. Seduz e promete a quem dirige sua voz que "não perecerão para sempre!” e lhes assegura a perseverança: "ninguém poderá as arrebatar de sua mão". A chamada de Jesus nunca terminará no fracasso: Jesus identifica sua mão poderosa, com a mão de Deus Abbá. Ninguém, nada poderá arrebatar de sua mão a quem Ele chamou. Dentro deste contexto de esperança fica sempre uma incógnita simbolizada na figura de Judas: o filho da perdição! Tipifiquemos em três chamadas a voz do bom Pastor hoje:
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A chamada para participar no "ministério pastoral" de Jesus é sublime. É dirigida a muitas pessoas e de muitas formas. Gera uma grande comunidade de participantes. Exige um imenso cuidado para que nada suplante o Pastor, nem ofusque sua presença, nem silencie sua palavra, nem se apodere de “suas” ovelhas. Mostra todo seu esplendor na humilde Presença permanente de Jesus em sua Igreja. Não esqueçamos que se pastoreiam as ovelhas do Senhor, convertendo-se como o Senhor em cordeiro imolado. |
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A chamada dual para tantos casais que Jesus, o Bom Pastor, necessita para iluminar o amor no mundo e acrescentar constantemente a humanidade e cuidar como um pai e uma mãe. A tarefa pastoral de Deus também acontece na família. Lá também a chamada para ser cordeiro e pastor ou se faz presente. |
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Também as chamadas para procurar e cuidar junto ao Bom Pastor das ovelhas perdidas, as que não fazem parte do redil, aquelas a quem a morte, o Maligno ameaça e tem em sua mão. Quem escuta esta voz se tornam mulheres e homens limítrofes. Localizam-se ali onde há dor, marginalização, pobreza, distância, exclusão. Levam “longe” os cuidados do bom Pastor, o fazem presente para curar, para atrair e conduzir de novo ao redil. |
Estamos em um tempo no qual nossas jovens gerações necessitam escutar “relatos” que suscitem nelas o interesse por escutar a voz do Pastor e a chamada que lhes dirige. Não necessitam talvez de teorias sobre as vocações na Igreja. Somente relatos reais que comovam sua sensibilidade, que exerçam o atrativo por algo irresistível que vem de Deus: relatos de casais, relatos de ministros ordenados, relatos de pessoas e grupos carismáticos. É necessário contar de novo a história de Jesus e de seus primeiros discípulos e discípulas, porém com mais encanto, com menos dogmatismo; com mais paixão e com menos rigorismo; com mais utopia e com menos realismo. Quando o Bom Pastor faz ouvir sua voz, quem poderá resistir? Bem-aventurados seus porta-vozes.
Kenosis
Do grego, vaciarse
A renuncia voluntária feita por Cristo a seu direito de privilégios divinos ao aceitar humildemente o estado humano na encarnação. São Paulo descreve a kenosis de Cristo em Filipenses 2,6-7. |
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