|
III Domingo da Páscoa
"Ressuscitou Jesus Cristo, que criou o universo
e Se compadeceu do gênero humano"
18
de abril de 2010
|
| Introdução |

|
A liturgia deste III Domingo da Páscoa recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.
A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens.
A segunda leitura apresenta Jesus, o “cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira a manifestar diante do “cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor.
O Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa que a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixarem guiar pela sua Palavra. |
|
| Leituras |
| Primeira
Leitura -
Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 5,27b-32.40b-41) |
Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. 27bO sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo:
28“Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!
29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”.
40bEntão mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram.
41Os apóstolos saíram do Conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.
Palavra do Senhor.
|
|
|
| Salmo
Responsorial - Salmo
29 |
| Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes |
Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
Vós tirastes minha alma dos abismos
e me salvastes, quando estava já morrendo!
Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes
Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
Pois sua ira dura apenas um momento,
mas sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos,
de manhã vem saudar-nos a alegria.
Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes
Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!
Transformastes o meu pranto em uma festa,
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!
Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes
|
| |
| Segunda
Leitura -
Livro do Apocalipse de São João (Ap 5,11-14)
|
Eu, João, vi 11e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos Seres vivos e dos Anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, 12e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”.
13Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”.
14Os quatro Seres vivos respondiam: “Amém”, e os Anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre.
Palavra do Senhor.
|
| |
| Proclamação
do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 21,1-19) |
Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim:
2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os
filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus.
3Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”.
Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”
Responderam: “Não”.
6Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”.
Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!”
Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-
se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes.
Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão.
10Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”.
11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu.
12Jesus disse-lhes: “Vinde comer”.
Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.
14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. 15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?”
Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”.
Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”.
16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”
Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”.
Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”.
17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”
Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava.
Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”.
Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas.
18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.
19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.
Palavra da Salvação.
|
|
| Comentário |
|
Do temor à confiança |
Nosso mundo está muito preocupado com a segurança. É normal. O instinto mais básico é a busca da sobrevivência ou a segurança de mantermos a vida. Esse desejo ou instinto é, sem duvida, uma das motivações mais fortes de nossos atos. Queremos estar seguros no posto de trabalho. Porem, também queremos estar seguros do carinho dos que nos rodeiam., ao menos de que os outros não sejam uma ameaça à nossa vida. Por isso, os países reforçam suas fronteiras e as pessoas os muros de suas casas. Queremos nos sentir seguros.
O problema é que nossos esforços não dão muitos resultados. Assegurar-nos contra todas as ameaças beirando o limite do impossível. É caro, muito caro. Deve-se que pagar muito para obter uns resultados medíocres. Por muito que se pague, quem se pode proteger dos desastres naturais? E no mundo das relações pessoais renunciar todos os riscos significa renunciar a essas mesmas relações. A solidão é um preço muito alto. Diria que por este caminho não temos encontrado a solução.
Jesus propõe um novo caminho
Jesus, como sempre, nos propõe outro caminho. É paradoxal. Vai para além de nosso entendimento, mas abre novas possibilidades. Se trata de “confiar”. Simplesmente. Mais valioso e verdadeiro porque Jesus é o que nos revela Deus. Suas propostas, por assim dizer, são as propostas que Deus, nosso Pai, nos faz.
Confiar é o que faz Jesus, e Deus mesmo, no texto evangélico deste domingo. Os fatos estão aí: os discípulos tinham abandonado Jesus no momento da dificuldade. O mal não foi só de Judas. Pedro tinha negado três vezes conhecer Jesus e os demais tinham saído todos correndo. Todas são razões para que a presença de Jesus ressuscitado lhes causasse terror e temor. Podia vir a cobrar a dívida, a tomar a revanche, a vingar-se! Mas Jesus faz exatamente ao contrário. Olha-lhes como se nada tivesse sucedido e lhes volta a preparar a mesa. Ali estavam o pescado na brasa e o pão na mesa. Voltar a comer juntos era como dizer que não tinha ocorrido nada, que Jesus compreendia suas debilidades, que voltava a pôr sua confiança neles.
Nem sequer faz falta voltar a repetir: “de agora em diante sereis pescadores de homens”. Dá-se por suposto. Para o evangelista voltar a contar o relato da pesca milagrosa no contexto do Jesus ressuscitado é uma forma de dizer-nos que a palavra de Deus é constante e vai para além de nossas debilidades. De novo os discípulos voltam a pescar tantos peixes que quase não podem com a rede. De novo Simão Pedro deixa-se levar pelo entusiasmo e salta da barca. Mas desta vez não fraqueja. Aprendeu a lição. Para sair adiante e sobreviver não tem que buscar a força em suas pernas senão na graça de Deus que lhe confirma e lhe reitera sua confiança.
Deus confia em nós
Se os discípulos tinham pensado que tudo tinha sido um sonho, que não valia a pena voltar a sonhar com o Reino e que o que tinham que fazer era voltar para suas redes furadas e sua velha barca, o encontro com Jesus lhes confirma que Deus segue confiando neles. Com outras palavras: não é a fé dos discípulos que constrói a Igreja senão a fé e a confiança que Deus mesmo põe neles, e em nós.
Os discípulos de Jesus não encontraram na segurança da consciência de que somos bons, porque a realidade é que não somos melhores que os demais. Nós temos experimentado que Deus tem fixado sua vista em nós, que nos olhou com sua graça - um olhar que sabemos que é para todos os homens e mulheres, crentes e não crentes. Jesus ressuscitado convidou-nos a comer com ele - o faz a cada dia na Eucaristia - e a cada dia nos reitera sua confiança. Sentimos que Deus crê em nós e isso nos faz sentir seguros e fortes para confiar também nos demais, para anunciar a mensagem da reconciliação, do perdão, da misericórdia para todos. Sem exceções. E de passagem solucionar a busca da segurança não através da desconfiança ante tudo e ante todos senão através da confiança. Só estendendo a mão ao irmão construímos um mundo mais seguro, nunca fechando o punho.
(em espanhol) |
| |
|
|
|