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Batismo do Senhor
Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai:
Eis meu Filho muito amado; escutai-o, todos vós!
10
de janeiro de 2010
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| Introdução |
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A
liturgia de hoje tem como cenário de fundo
o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas
margens do Jordão, revela-se o Filho amado de
Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão
de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto
do Pai, Jesus fez-se um de nós, partilhou a nossa
fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo
e do pecado, empenhou-se em promover-nos para que pudéssemos
chegar à vida plena.
A primeira leitura anuncia um misterioso "Servo",
escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar
um mundo de justiça e de paz sem fim... Animado
pelo Espírito de Deus, ele concretizará
essa missão com humildade e simplicidade, sem
recorrer ao poder, à imposição,
à prepotência, pois esses esquemas não
são os de Deus.
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho
amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um
projeto de salvação; por isso, ele "passou
pelo mundo fazendo o bem" e libertando todos os
que eram oprimidos. É este o testemunho que os
discípulos devem dar, para que a salvação
que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
No Evangelho, aparece-nos a concretização
da promessa profética veiculada pela primeira
leitura: Jesus é o Filho/"Servo" enviado
pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja
missão é realizar a libertação
dos homens. Obedecendo ao Pai, ele tornou-se pessoa,
identificou-se com as fragilidades dos homens, caminhou
ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à
reconciliação com Deus, à vida
em plenitude. |
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| Leituras |
| Primeira
Leitura -
Livro de Isaías (Is 42,1-4.6-7) |
Assim fala o Senhor: 1“Eis o meu servo - eu o recebo; eis o meu eleito - nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
Palavra do Senhor. |
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| Salmo Responsorial (28) |
| Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo! |
Filhos de Deus, tributai ao Senhor,
tributai-lhe glória e poder!
Dai-lhe a glória devida ao seu nome;
adorai-o com santo ornamento!
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
Eis a voz do Senhor sobre as águas,
sua voz sobre as águas imensas!
Eis a voz do Senhor com poder!
Eis a voz do Senhor majestosa!
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
Sua voz no trovão reboando!
No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”
É o Senhor que domina os dilúvios,
o Senhor reinará para sempre!
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo! |
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| Segunda
Leitura -
Leitura dos Atos dos Apóstolos (At
10,34-38) |
Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-Nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
Palavra do Senhor.
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| Proclamação
do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas (Lc
3,15-16.21-22) |
Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. 21Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.
Palavra da Salvação.
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| Comentário |
Consagrou nossa "condição humana” |
Passamos quase de repente da infância de Jesus para a idade adulta. Ontem celebramos a Epifania e um dia depois nos encontramos com a liturgia que nos apresenta o batizado de Jesus no Jordão, quando tinha trinta anos. Algo semelhante nos ocorre no símbolo da fé, o Credo. Apenas confessamos que “por obra do Espírito Santo se encarnou de Maria e se fez homem”, em seguida dizemos: “e por nossa causa foi crucificado no tempo de Pôncio Pilatos, foi sepultado e subiu ao céu”. Da a impressão, tanto em um como no outro, que há pressa, que não desfrutamos a humanidade de Jesus, com os fatos que aconteceram em sua vida.
A vida "normal" de Jesus não deveria ficar longe de nossa atenção. O Filho de Deus se fez “um de tantos”. Viveu a infância como um menino do povo de Nazaré. Viveu com toda a probabilidade não a vida familiar de filho único, mais compartilhando sua infância com seus primos e primas (irmãos e irmãs) e tendo com eles laços de familiaridade e amizade.
Aos doze anos entra no mundo dos adultos. O evangelho de Lucas nos narra o que aconteceu, embora utilizando um relato simbólico no qual aparece o símbolo de "os três dias", "o templo" e o "pai". Emerge na história de Jesus uma intenção séria da emancipação de seus pais e de entrega consciente ao magistério dos doutores do templo. Deles recebe ensinamentos importantes para sua vida como varão judeu. Para a reclamação de sua mãe, Jesus responde: Na sabias...? Confronta seus pais com sua ignorância. Não há, por parte dele, o menor pedido de desculpas. Jesus parece muito consciente de sua identidade. Quando Maria lhe disse: “teu pai e eu...”, ele responde: “devia estar nas coisas de meu Pai”.
Este gesto de emancipação e de maior idade não bloqueia a relação de Jesus com Maria e José. Jesus começa a ficar de uma maneira misteriosa "nas coisas do pai”, isto é, de Jose. A partir deste momento aprende um ofício, acompanha seu pai em seu trabalho; José se torna grande iniciador na aventura de ser varão, de ser um trabalhador que ganha seu sustento.
Nossa legítima curiosidade para saber mais sobre a vida de Jesus não fica satisfeita por falta de informação verídica. Não sabemos o que ocorreu com relação ao costume judeu de que os pais escolhiam o conjugue para seu filho. Havia alguma intenção dos pais de Jesus, Maria e José, para casar seu filho? Como ele reagiu? Como reagiram seus pais e familiares ante o estranho celibato de Jesus? É muito provável que nesse tempo morrera José. Foi certamente para Maria e Jesus uma grande perda. Como reagiram? Como assumiu Jesus a atenção de sua mãe viúva?
Sabemos certamente que um dia, quando Jesus tinha uns trinta anos abandonou sua mãe, e com outros lideres religiosos, se foi e busca de algum sinal de Deus para a sua vida.
Não encontrou este sinal no templo de Jerusalém, no sistema religioso de Israel, mais em um movimento contestatório que tinha João Batista com líder e que partia do deserto terrivelmente árido da Judéia.
João Batista exerceu uma atração estranha em Jesus. Jesus foi procurá-lo nas margens do Jordão. Escutou sua mensagem da volta da Aliança com Deus e de mudança de conduta. João foi capaz de discernir o mistério. Resistiu em batizar Jesus, por reconhecer desde o principio sua superioridade. Porém Jesus insistiu que o fizesse.
Enquanto Jesus era batizado, João recebeu um iluminação, “viu” como o Espírito descia sobre Ele e possava N’Ele e “escutou” como Deus o chamava “o filho de suas indulgências”. João descobriu então que sua missão era “manifestar” quem era Jesus ante Israel. E isso se sucedeu a partir desse momento.
João apresentou Jesus ante seus discípulos como “o cordeiro de Deus que carrega com o pecado do mundo”. Que interessante perspectiva! Ele que batizava “para perdão dos pecados”, reconhece que aquele a quem batizou carregava sobre si o pecado do mundo. Por isso, devemos dizer que o batismo de Jesus foi o batismo do mundo. O Espírito Santo desceu para purificar o mundo inteiro, a humanidade inteira, do pecado. O Abbá reconheceu em Jesus toda a humanidade como “filho amada”, na qual tem suas indulgências.
A normalidade da vida de Jesus durante seus trinta anos é como uma imersão na “condição humana”, como uma assunção progressiva do pecado do mundo, para oferecê-la a Deus nas águas do Jordão e receber a benção e unção do Espírito Santo.
O batismo de Jesus não foi um fato isolado de sua vida anterior. Foi sua culminação! Foi uma unção que foi consagradando toda a vida laical de Jesus desde esse momento até o momento de seu nascimento... e todo o laical do mundo. Ele carregou com toda a responsabilidade como “cordeiro imolado”.
Quando somos batizados somos integrados no único batismo de Jesus, que foi batizado por todos nos. Nosso batismo não é distinto, não é outro. É o mesmo batismo de Jesus, porém estendido, que chega a todos os seres humanos. Aqueles que compartilham o batismo de Jesus compartilham sua unção pelo Espírito Santo e sua filiação divina. Quando nos unimos a Jesus, nossa condição humana é consagrada,ungida.
Reconheçamos a dignidade de todas as mulheres e varões batizados! Reconheçamos a dignidade de Jesus nela e neles!
Como bem expressou Lutero com palavras semelhantes a estas: “Vejo Jesus carregado com meus pecados; vejo-me a mim mesmo, revestido de sua graça”. Por isso, hoje podemos dizer de cada batizado: “Eis aqui o filho de Deus, que carrega toda a Graça do mundo”. Que troca admirável! |
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