29/05/2009 - Pentecostes
Fonte: Fernando Torres, cmf


Pentecostes
"Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos
vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor"

31 de maio de 2009

Introdução


O maior milagre que Deus sempre sonhou é encher “toda a casa”, a inteira humanidade, com seu único Espírito, e assim, dos bilhões de membros que nós somos, fazer um único corpo.

Para realizar esse sonho, Ele dá “a cada um a manifestação do Espírito em vista do bem de todos”. O projeto é de Deus. O Espírito, a força de realizá-lo, é ainda Ele que nos dá. A nós cabe, reunidos, implorar e acolher este dom: “Vem, Espírito Santo, vem!.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas conseqüências.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une, numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

Leituras
Primeira Leitura - Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11)

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam.

3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava.

5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua.

7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial - Salmo 103

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai!

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas!

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai!


Se tirais o seu respiro, elas perecem
e voltam para o pó de onde vieram.
Enviais o vosso espírito e renascem
e da terra toda a face renovais.

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai!


Que a glória do Senhor perdure sempre,
e alegre-se o Senhor em suas obras!
Hoje seja-lhe agradável o meu canto,
pois o Senhor é a minha grande alegria!

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai!

Segunda Leitura - Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 12,3b-7.12-13)

Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.

7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.

13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.
Palavra do Senhor.

Seqüência

Espírito de Deus,
enviai dos céus
um raio de luz!

Vinde, Pai dos pobres,
dai aos corações/ vossos sete dons.

Consolo que acalma,
hóspede da alma,
doce alívio, vinde!

No labor descanso,
na aflição remanso,
no calor aragem.

Enchei, luz bendita,
chama que crepita,
o íntimo de nós!

Sem a luz que acode,
nada o homem pode,
nenhum bem há nele.

Ao sujo lavai,
ao seco regai,
curai o doente.

Dobrai o que é duro,
guiai no escuro,
o frio aquecei.

Dai à vossa Igreja,
que espera e deseja,
vossos sete dons.

Dai em prêmio ao forte
uma santa morte,
alegria eterna. Amém.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João (Jo 20,19-23)

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.

20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.

22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo.
23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
Palavra da Salvação.

Comentário

O incontrolável Espírito de Deus

Estamos celebrando a terceira grande festa do ano litúrgico. A terceira Páscoa, o terceiro momento em que Deus passa próximo de seu povo e recria a vida. A terceira e definitiva. Da encarnação (primeira páscoa) à ressurreição de Jesus (segunda páscoa) há um caminho que chega a sua plenitude em Pentecostes (terceira páscoa).

Pentecostes é o vento e o fogo do Espírito que queima e destrói, que aquece e transforma, que abre as janelas e envia os discípulos ao mundo, para pregar a boa nova de que Deus não está contra nós senão a nosso favor, de nossa vida, de nossa esperança. O vento do Espírito cria a Igreja, guia a Igreja, dá força, sustenta, cura, reconcilia, dá vida. Cheios do Espírito, aqueles primeiros discípulos saíram de Jesus e, com o tempo, chegaram às terras mais longínquas. Portavam uma mensagem de esperança: Deus salvou-nos em Cristo, seu Filho, sua testemunha, a encarnação de seu amor. Nele nos manifestou seu imenso amor. Esse amor é tão grande que é capaz de vencer a morte. Hoje, aqui e agora, devemos começar a construir um reino de fraternidade onde ninguém pode nem deve ser excluído. Essa é a vontade de Deus e não outra.

O Espírito tem criado a Igreja

O Espírito foi suscitando comunidades por todo o mundo. Pequenos sinais de esperança no meio do mundo, lugares de acolhida para os que estavam cansados pelo peso da vida. Eram comunidades locais, que falavam o idioma da gente de cada lugar, que se adaptavam à sua cultura, à suas necessidades, à suas preocupações. Essas comunidades são as que estão representadas na primeira leitura.

O milagre não é que os discípulos fossem capazes de falar todas as línguas de repente. O milagre, recolhido de alguma maneira na leitura, foi que os discípulos foram a todos esses lugares e souberam falar a língua das pessoas, souberam “encarnar” a mensagem do Reino, da boa nova da salvação. Elamitas, cretenses e árabes, romanos e de todas as partes escutaram a mensagem de Jesus em sua própria língua e sentiram que se colava em sua carne, que lhes ressuscitava para uma vida de esperança. E assim nasceu a Igreja.

O Espírito animava a vida das comunidades. Fazia-lhes confessar que “Jesus é o Senhor” (ninguém o pode fazer senão é animado pelo único Espírito de Deus). Apesar das diferenças de idioma, de cultura, de tradições, de costumes, de forma de expressar a fé, a todas as comunidades cristãs nos une essa confissão singela, básica, acessível a todos e em todas as línguas.

Hoje somos muitos em todos os continentes os que confessamos que “Jesus é o Senhor”. Mais além do fato de que pertençamos a diferentes tradições, a diferentes confissões, a diferentes comunidades, de que falemos diferentes línguas ou tenhamos diferentes formas de expressar nossa fé, todos nós confessamos que “Jesus é o Senhor” e que em seu nome  nos foi devolvido a esperança e a vida, a alegria e o gozo de viver.

Quem pode apagar o Espírito?

O Evangelho não está ameaçado. Alguns parecem que pensam ou defendem que fé vai desaparecer da face da terra. Alguns se sentem os protetores do Espírito, os portadores da verdade, os defensores da fé. Pensam que sem eles, sem sua ação, vamos ao desastre. Ameaçam com o inferno aos que não seguem suas indicações e normas. Parece que têm comunicação direta com o Espírito e que este lhes nomeou seus alferes e lhes pôs à frente de seus batalhões. Não é assim. O Espírito com seu vento e seu fogo foi o que propagou por este mundo a boa nova do Reino, da salvação. Ele seguirá fazendo o mesmo. Nada que os homens façam poderá atemorizar ao Espírito de Deus.

Deixar o Espírito livre (alguém lhe pode encerrar ou pôr correntes no Espírito?) é deixar que brote em nossos campos a esperança, a paz, a reconciliação, a vida. Esses são os frutos do Espírito.

Querem uma sugestão para terminar? Seria bom imprimir em pequenas folhas a Seqüência que se lê antes do Evangelho e fazer que a comunidade a leia, todos juntos, como oração de ação de graças, no momento posterior à comunhão. E convidar a todos para levarem a folha para casa e a seguir usando durante a semana. Para que todos aprendam de cor e de coração quais são os verdadeiros frutos do Espírito

(em espanhol)

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